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15:38 · 19.11.2011 / atualizado às 16:28 · 24.11.2011 por

Na última quinta-feira (17), postamos em nosso blog Ceará Científico, a chegada em Fortaleza, da II Etapa do XVI Encontro da Associação Brasileira dos Planetários, evento iniciado dois dias antes, em Sobral. Naquela ocasião, antecipávamos a presença do astrofísico Marcelo Gleiser, na Capital cearense, mais precisamente em palestra realizada na noite de sexta-feira (18), no Teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC).

E para felicidade dos leitores do Ceará Científico e da Editoria de Cidade do Diário do Nordeste (nossa parceira nessa cobertura), Gleiser, considerado popstar brasileiro da Ciência, falou ao nosso repórter Raone Saraiva e a outros colegas da imprensa cearense, sobre temas como divulgação científica, Big Bang,  Teoria da Relatividade, crises na Ciência, vida extraterrestre e até mesmo espiritualidade.

Abaixo, nós listamos alguns trechos da entrevista, em tópicos, e para quem quiser assistir à entrevista por completo, linkamos para vídeo gravado e editado pela nossa equipe.

Como falar de ciência para um público leigo

” Falar de ciência para um público não especializado é tudo uma questão de linguagem. Você tem que saber adequar a tua linguagem ao teu público. Então, se eu for dar palestra para uma turma de quarta série, eu vou usar um tipo de linguagem, se eu for dar uma palestra para um pessoal mais velho, uso outro tipo, e se eu for dar uma palestra para os meus colegas físicos, vai ser outra linguagem. É uma maneira de você adequar a linguagem como se fosse contar uma história, porque as pessoas adoram histórias.”

Ciência versus Religião

“De certa forma, Ciência e Religião são muito diferentes. Atendem a necessidades completamente diferentes. Mas por outro lado, eu conheço uma porção de cientistas que são pessoas religiosas também. Para eles, quanto mais aprendem sobre o mundo, mais admiram a obra de Deus. Então, para eles, a Ciência passou a ser um caminho para descoberta da Mente Divina, vamos dizer assim. Pessoalmente eu não sou uma pessoa religiosa, mas eu respeito quem seja. Eu não sou aquele ateu radical, que fala que todo religioso é louco.”

Origens do universo

“A nossa teoria atual sobre a origem do universo é a Teoria do Big Bang, que essencialmente diz que há mais ou menos 14 bilhões de anos a matéria toda do universo estava supercondensada numa região muito pequenininha e muito quente e que, por motivos relativamente conhecidos, essa formação da matéria instável, essa “bola” de matéria começou a se expandir e foi se resfriando e aos poucos as coisas foram acontecendo: as galáxias, as estrelas e os planetas e, eventualmente, a vida foram nascendo. ”

Teoria da Relatividade em xeque?

“Uma coisa importante, que as pessoas têm de entender é que a ciência gosta de crise. A ciência só avança quando ela falha. Então uma descoberta surpreendente é uma coisa boa. Não é uma coisa ruim. Nesse caso particular dos neutrinos (assunto para post futuro do Ceará Científico), a teoria, muito provavelmente, está errada. Eu acho que tem um problema na interpretação dos dados fundamentais e eu acho que essa descoberta vai cair, não vai vingar. Mas se vingar vai ser ótimo, porque a gente vai perceber que há uma coisa além da Teoria da Relatividade.”

Vida extraterrestre

“A gente sabe o seguinte: as Leis da Física e da Química são as mesmas no Universo todo. Com isso, você pensa: se teve vida aqui por que não vai ter em outros lugares? O que a Terra tem de tão especial? A Terra tem muitas coisas especiais, mas existem tantos planetas lá fora que é muito possível que se tenha algum tipo de vida primitiva. Contudo, o pulo da vida primitiva para a vida sofisticada e, principalmente, para a vida inteligente é muito grande. E essa pergunta: se existem outros seres inteligentes no universo? Ninguém sabe a resposta ainda.”

Confira entrevista, na íntegra, com o astrofísico Marcelo Gleiser!

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14:09 · 19.11.2011 / atualizado às 16:28 · 24.11.2011 por
Tempestade ocupou área de 15 mil km² em Saturno (Imagens: AP)

Para quem se aterroriza com a intensidade, tamanho e poder de destruição das tempestades na Terra (como não lembrar das ações mortais do furacão Katrina, nos Estados Unidos,  ou do ciclone que matou 100 mil, em Mianmar? ), a que aconteceu em Saturno, entre os meses de dezembro de 2010 e junho de 2011, é absolutamente sem comparação com qualquer  evento já visto em nosso planeta.

O fenômeno climático saturniano teve extensão equivalente à distância entre São Paulo e Jacarta, na Indonésia, ou seja 15 mil km, mas percorreu uma área grande o suficiente para cobrir dez vezes o globo terrestre. Na última quinta-feira (17), quase cinco meses após o encerramento da fase mais ativa da giga-tempestade, a Nasa (sigla inglesa para Agência Espacial Norte-Americana) divulgou imagens inéditas, feitas pela sonda Cassini, a uma distância de 1,1 milhões de km daquele planeta (quase quatro vezes a distância entre a Terra e a Lua).

Ocorrido na face norte de Saturno, o “furacão” começou, como uma mancha relativamente pequena, no dia 5 de dezembro do ano passado, e evoluiu para uma tempestade de dimensões planetárias, sendo a maior detectada nos últimos 20 anos e também a maior já fotografada por uma sonda espacial. Outra medida que serve para se entender o tamanho da agitação climática de lá é o fato de que as nuvens de turbulência permanecem até hoje (mais de onze meses depois)  na atmosfera do planeta.

“A tempestade de Saturno se parecia mais com um vulcão que com um sistema climático terrestre. A pressão se acumula durante muitos anos antes da tempestade explodir. O mistério é que não há rochas para resistir à pressão e atrasar a erupção durante tantos anos”, explicou Andrew Ingersoll, membro da equipe de imagens da Cassini no Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos.

Cassini, 14 anos a serviço da Astronomia

Dotada de câmeras de altíssima resolução, instrumentos de captação de ondas de rádio e plasma (totalizando 12 equipamentos) a sonda interplanetária Cassini, da Nasa, foi lançada em outubro de 1997, junto com a sonda Huygens da ESA (sigla inglesa para Agência Espacial Europeia).

Sete anos depois, chegou às proximidades de Saturno e teve como missão inicial estudar a maior lua do planeta, Titã. Mas apesar de ter concluído os objetivos iniciais de sua pesquisa no final de 2008, a Cassini continua (e continuará até 2017) enviando informações úteis e, em muitos casos surpreendentes, sobre o sexto planeta (em distância do Sol) do nosso sistema.

Com elas, os cientistas esperam estudar as mudanças climáticas em Saturno e suas luas, algumas das quais reúnem condições relativamente favoráveis ao surgimento de formas de vida simples (ainda não encontradas, diga-se de passagem).

22:08 · 17.11.2011 / atualizado às 22:12 · 17.11.2011 por
L.A. Ice by Victor Hadjikyriacou

A Mongólia, país que fica no continente asiático, está estudando um jeito diferente de enfrentar o próximo verão. Um plano ambicioso e em desenvolvimento deve implantar um bloco gigante de gelo em cima de um rio que cruza a cidade.

A ideia é que o gelo refresque a cidade durante os dias quentes do verão, derretendo aos poucos. O governo da capital Ulan Bator, espera que o sucesso do procedimento reduza o consumo de energia no uso, principalmente de ar-condicionado.

O preço inicial do projeto está estimado em 725 mil dólares, pouco mais de R$ 1.2 milhões. Segundo declarou o geólogo Robin Grayson, ao jornal ingês The Guardian, o processo funcionaria em cidades onde o verão é caracterizado por altas temperaturas e o inverno fique entre -20º C e -5º C.

É, parece que para amenizar o clima em Fortaleza essa técnica não é tão viável…

13:26 · 17.11.2011 / atualizado às 16:29 · 24.11.2011 por

O Blog Ceará Científico não podia começar suas atividades em melhor ocasião.

As cidades de Sobral e Fortaleza estão sediando o XVI Encontro da Associação Brasileira de Planetários (ABP).

O evento começou na última terça-feira (15), na “Princesa do Norte”, que também recebeu parte da programação na quarta-feira,  e segue até sábado (19) em Fortaleza, com programação começando hoje (17).

Começo de festa em Sobral, a capital da Teoria da Relatividade

Além de visitar as obras do futuro Planetário de Sobral, astrônomos, demais cientistas convidados e diretores de planetários de todo o País e até do exterior, conheceram também o Museu do Eclipse e o Observatório Henrique Morize.

Juntos, os três equipamentos vão formar o Centro de Estudos e Pesquisas de Ciências, que deve ser inaugurado até junho de 2012.

Os grandes destaques da primeira etapa do Encontro, realizada no Centro de Convenções de Sobral, foram as palestras com o norte-americano Dave Weinrich, presidente da International Planetarium Society,  e com os brasileiros Eduardo Janot Pacheco, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo,  e Cláudia Lage, do  Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Os três debateram, respectivamente, a profissão de  planetarista, os planetas extrassolares e a astrobiologia (busca por formas de vida extraterrestre).

Fazendo as honras da casa, o professor doutor Emerson Ferreira de Almeida, do Departamento de Física, da Universidade Estadual Vale do Acaraú, contou a “A História do Eclipse de 29 de maio de 1919 em Sobral”, episódio através do qual o renomado físico Albert Einstein pôde comprovar a Teoria da Relatividade (assuntos para futuros posts).

Em Fortaleza, um “astro” da Ciência brasileira

Nesta quinta-feira, começa a segunda etapa do evento, sediada na Capital cearense. Após recepção, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC), segue-se a palestra de António Pedrosa, da Fundação Navegar, de Portugal, sobre projeção Full-Dome, a ser realizada  às 17 horas, no Auditório do Rubens de Azevedo.

Outro destaque do primeiro dia da programação em Fortaleza , serão as comunicações orais de representantes de planetários de Vitória (ES), Panamirim (RN) e Rio de Janeiro, além da presença de Basílio Fernandez, do Museu Parque do Saber, de Feira de Santana (BA).

Mas a grande expectativa é mesmo pela palestra de amanhã (18), com o físico e astrônomo (com status de popstar da Ciência brasileira) Marcelo Gleiser, Prof. Titular do Departamento de Física e Astronomia do Dartmouth College, nos Estados Unidos, pesquisador em cosmologia e astrobiologia e colunista da Folha de São Paulo.

A concorrida palestra de Gleiser está marcada para iniciar às 19 horas, no Teatro do CDMAC  e terá como tema “O Que sabemos e o que não sabemos sobre o universo” e terá mediação de  Dermeval Carneiro.

Confira a programação em Fortaleza!

17 DE NOVEMBRO – QUINTA-FEIRA

Recepção pela Diretoria do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura – 16h  às 16h 30min.
Local: Auditório do Planetário

Palestra “Projeção Full Dome” – 17h às 18h
Palestrante: António Pedrosa (Fundação Navegar, Portugal)
Mediador: Alexandre Cherman
Local: Auditório do Planetário

Comunicações orais – 18h00min. às 19h30min.
Local: Auditório do Planetário
Apresentadores- Luiz Cláudio Pereira da Silva (Planetário de Vitória); Radma Almeida de Freitas (Planetário de Parnamirim);  Rubens Heizer Villela e Bruno Rainho Mendonça (Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro); Basílio Fernandez Fernandez  (Museu Parque do Saber – Fundação Egberto Costa)

18 DE NOVEMBRO DE 2011 – SEXTA-FEIRA

Mesa de Debates “Os planetários no Plano Nacional de Educação” – 8h às 9h
Palestrante : Celso Cunha (Presidente da Fundação Planetários do Rio de Janeiro)
Local: Auditório do Planetário

Palestra “O Prêmio Nobel da Astronomia” -11h às 12h
Palestrante: Prof. Dr. Alexandre Cherman (Fundação Planetário do Rio de Janeiro)
Mediador: Fernando Vieira
Local: Auditório do Planetário

Mesa de Debates “Profissão Planetarista” – 16h 30min às 17h 30min
Palestrante: Maria Helena Stefani (Presidente da Associação Brasileira de Planetários)
Local: Auditório do Planetário

Sessão “Origens da Vida” – 17h 30min às 18h.
Apresentador : Dermeval Carneiro
Local: Planetário Rubens de Azevedo

Apresentação de Painéis – 18h às 18h 30min.
Local: Espaço Mix do Planetário
Apresentadores: Gilberto Carlos Sanzovo, Amélia Fioravante Siqueira, Alessandra Ribeiro Ber e Juliana Romanzini (Planetário de Londrina); Augusto Cesar Silva Almeida e Ângelo dos Santos Santana (Planetário da CCTECA de Aracaju); Damião Carvalho de Souza e Eriberto de Sousa Freitas (Planetário da Paraíba – FUNESC); Marcelo Cavalcanti da Silveira (Planetário Prof. José Baptista Pereira da UFRGS); Adalberto Tavares da Silva (Coordenadoria do Ensino de Ciências do Nordeste – UFPE)

Palestra “O Que sabemos e o que não sabemos sobre o universo” – 19h às 20h
Palestrante: Prof. Dr. Marcelo Gleiser  (Prof. Titular do Departamento de Física e Astronomia do Dartmouth College (EUA), pesquisador em cosmologia e astro-biologia, autor de Criação Imperfeita, Colunista da Folha de SP)
Mediador: Dermeval Carneiro
Local: Teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura

Solenidade de Encerramento – 20h às 20h 30min.
Considerações da Diretora-presidente da ABP; do Presidente da IPS; e do Governador do Estado (a confirmar)

19 DE NOVEMBRO- SÁBADO

Comunicações orais – 8h às 9h
Local: Auditório do Planetário
Apresentadores: Juan Bernardino Marques Barrio (Planetário da Universidade Federal de Goiás); Augusto Cesar Silva Almeida (Planetário da CCTECA de Aracaju); Adalberto Tavares da Silva
(Coordenadoria do Ensino de Ciências do Nordeste – UFPE); Ismaias Pereira Coelho
(Faculdade de Educação Ciências e Letras – UECE/IguatU -CE)

Assembléia / comunicações da ABP – 9h 30min. às 11h
Apresentadores: Diretoria da ABP

01:07 · 17.11.2011 / atualizado às 16:30 · 24.11.2011 por
A curiosidade que se manifesta com mais força na infância é fator preponderante para o desenvolvimento da Ciência desde a Antiguidade até a "Era da Informação" e esse é um cenário que não deve mudar

O Diário do Nordeste inova mais uma vez no cenário do jornalismo cearense ao trazer um blog inteiramente dedicado à divulgação científica.

Nasce hoje o “Ceará Científico”, que vem preencher uma lacuna nos meios de comunicações locais e regionais.

Até aqui, em nosso Estado, a cobertura de Ciência tem sido feita de forma tímida, espremida entre editorias diversas, ou com um viés muito focado na  área da Medicina e das ciências e técnicas afins.

Sem desmerecer a importância do trabalho feito por tantos ilustres precursores do jornalismo científico cearense, faltava uma ferramenta que pudesse atender à crescente demanda por notícias sobre as principais descobertas nos mais diversos campos, tais como a Astronomia, a Biologia, a Paleontologia, a Física, a Química, a Geologia, a Oceanografia, a Antropologia, a Arquelogia, a Ecologia.

Essas e tantas outras ciências têm moldado  a chamada “Sociedade da Informação”. É impossível conceber o mundo contemporâneo sem uma infinidade de tecnologias e conceitos que nasceram a partir do trabalho, muitas vezes silencioso, de mentes curiosas que se recusam a se contentar com o “porque sim” e questionam constantemente o “porquê” das coisas.

Quer seja em laboratórios, florestas tropicais, indústrias, no espaço sideral ou mesmo em uma simples banheira, tal como Arquimedes, homens e mulheres têm dedicado suas melhores ideias e dúvidas para compreender melhor a nossa origem, a do nosso mundo e tentar prever o que está por vir.

É para eles e para todos que, mesmo não tendo seguido a carreira de cientista, têm viva a chama da curiosidade constante que a equipe do “Ceará Científico”  dedica esse e todos os posts que virão.

Como o próprio nome indica, daremos uma atenção especial ao conteúdo científico produzido no Ceará, mas sem esquecer de todas as grandes descobertas que a Ciência fizer em qualquer lugar do mundo.

Seja bem-vindo ao blog que trará até você um pouco do fantástico universo do jornalismo científico cearense, brasileiro e internacional!