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01:10 · 04.05.2012 / atualizado às 04:23 · 04.05.2012 por
Concepção artística de como seria a descida da sonda-navio nos lagos de metano líquido de Titã Imagem: Open University

O corpo celeste extraterrestre conhecido com mais chances de habitabilidade (64%), a lua saturnina Titã (descoberta em 1655), pode ganhar a exploração mais inusitada da história da astronáutica.

Cientistas britânicos da Open University sugeriram a Nasa e a Agência Espacial Europeia (ESA) a construção de uma sonda espacial em forma de navio, que desceria até os lagos de metano líquido do satélite natural com a ajuda de paraquedas. Seria a primeira vez que um objeto construído pela humanidade navegaria fora da Terra.

Titã, que  fica a quase 1 bilhão de quilômetros daqui, tem grandes semelhanças com o que se acredita terem sido as condições primitivas do nosso mundo. O único problema é que lá é uma versão gelada do nosso mundo primordial.

Parecido, mas bem diferente da Terra 

Cerca de 95% da atmosfera  dessa lua é composta de nitrogênio, aqui esse índice é de 78%.  O oxigênio, como nós conhecemos aqui, não existe por lá, mas esse gás também não existia em nosso planeta antes do surgimento dos micro-organismos fotossintetizantes.

Titã, assim como a Terra, é rico em hidrocarbonetos (moléculas, incluindo o próprio metano, que compõem, por exemplo, o nosso petróleo), rochas  e “areia” de gelo, que formam verdadeiras dunas cobrindo 4 milhões de km² (cerca de metade do tamanho do território brasileiro).

Os tais lagos ou mares de metano (e possivelmente etano), segundo indicam dados enviados pela sonda espacial Cassini, tem um ciclo parecido com o da água na Terra, Lá há provavelmente nuvens, névoas, chuva, tempestades e rios desse elemento, que aqui é encontrado no estado gasoso.

Em Titã, a região com maior predominância de metano líquido é o hemisfério norte, embora isso possa variar de acordo com a estação do ano saturniano, que equivale a 29 anos terrestres.  A explicação é simples, o metano ferve à -161ºC e a temperatura média daquela lua é de – 179ºC , embora a máxima possa chegar a -50ºC.

Já em nosso planeta, onde a temperatura mínima é de -89ºC, o metano teve e tem um papel chave para a vida, embora possa se formar em condições não biológicas. Essa molécula simples, por exemplo, é produzida por bactérias que decompõem matéria orgânica, bem como nos sistemas digestivos de animais, como nós humanos.

O gás é também altamente inflamável e mal-cheiroso, mas o mais grave é que ele tem potencial gerador de efeito estufa até maior que o dióxido de carbono (CO2), apontado como o grande vilão do aquecimento global.

Acredita-se que  liberações em larga escala de metano estão por trás de alguns dos grandes ciclos de extinção na Terra pré-histórica e há uma preocupação crescente de ambientalistas quanto ao aumento da emissão desse gás, cuja concentração dobrou nos últimos 200 anos.

Futuro “promissor” para vida em Titã 

Essa é a principal imagem enviada pela Huygens, da superfície de Titã, mostrando rochas de gelo Imagem: Agenciaa Espacial Europeia

Mas mesmo tendo até 60 vezes mais capacidade de aquecimento que o CO2, o metano de Titã não interfere muito nas temperaturas de lá.

Com a enorme distância que separa o satélite do Sol, a quantidade de calor e radiação que atinge sua superfície é mínima e a nossa estrela, vista de lá é pouco mais brilhante que uma lua Cheia, embora bem menor.

Mesmo com essas condições tão adversas, astrobiólogos não descartam a possibilidade de que formas de vida bem diferentes da nossa existam por lá, embora seja improvável encontrar algo mais complexo que algum micro-organismo exótico.

As melhores imagens feitas daquele corpo celeste foram feitas pela sonda Huygens, que foi enviada junto à Cassini, e desceu pela densa atmosfera titânica  em janeiro de 2005.

Infelizmente, para os cientistas e para nós amantes da ciência, a Huygens só conseguiu enviar imagens por 90 minutos, antes de suas baterias solares pararem de funcionar, o que foi suficiente, no entanto, para mostrar a superfície do astro.

Caso não seja colonizado pela raça humana ou por qualquer outra nos próximos 5 bilhões de anos, estima-se que Titã vai se tornar uma espécie de paraíso para a vida quando o Sol começar a se expandir.

Isso porque nessa distante época futura, a energia solar que atingirá Titã será a mesma que atinge a Terra hoje. E todas as condições prévias formadoras da vida se encontram por lá…

22:32 · 30.04.2012 / atualizado às 22:57 · 01.05.2012 por
Conceitos estéticos que envolvem a apreciação de uma obra de arte, como esta pintura de Salvador Dalí, ou da pessoa amada estimulam a mesma região cerebral, o córtex medial orbitofrontal Imagem: Icollector

Apreciar obras de arte, paisagens bonitas e a pessoa amada são atividades que envolvem as mesmas regiões cerebrais. É o que aponta a pesquisa da equipe do cientista Semir Zeki, do Laboratório de Neurobiologia da College London, na Inglaterra.

De acordo com o estudo, além de envolverem as mesmas regiões, o córtex medial orbitofrontal (que compõe o chamado sistema límbico) e o núcleo caudado (ligado ao aprendizado e à memória), os apaixonados tendem a considerar a pessoa desejada bonita, independente de ela se encaixar ou não nos padrões estéticos socialmente reconhecidos como belos.

Contudo, como já era relativamente bem mapeada a zona cerebral responsável pelo sentimento de desejo e de amor, o foco da pesquisa de Zeki foi ver como as pessoas reagiam diante de obras de arte. As cobaias foram 21 pessoas de diferentes culturas que foram expostas a mais de 100 pinturas e composições musicais.

Na primeira etapa do experimento, os voluntários tinham de classificar as obras de bonitas, feias ou indiferentes.  Na segunda etapa, elas eram novamente expostas às peças artísticas, mas dessa vez com eletrodos que monitoraram sua atividade cerebral.

O resultado, é que houve insignificante reação do cérebro, quando as pessoas estavam diante de obras que julgavam indiferentes. Já quando estavam diante das obras que consideravam bonitas, elas acionavam as mesmas áreas que acionavam quando viam fotografias de pessoas amadas. O estudo será publicado na revista PLoS One.

01:10 · 29.04.2012 / atualizado às 02:14 · 06.06.2012 por
Prazer sexual feminino seria mais intenso a partir da estimulação do chamado "ponto G", supostamente localizado na entrada da vagina. No entanto, maior parte dos ginecologistas e sexólogos considera que pesquisas feitas são falhas e duvidam da existência da estrutura Imagem: Deviant Art

Polêmica no mundo da anatomia, ginecologia e sexologia! Uma das mais controversas teorias científicas, a da existência de uma zona extremamente erógena no corpo feminino, provocadora de orgasmos intensos, apelidada de “ponto G”, ganhou mais um defensor.

O pesquisador norte-americano Adam Ostrzenski, do Instituto de Ginecologia de São Petersburgo, na Flórida (EUA), afirma ter encontrado a localização exata do “ponto G” ao fazer a autópsia de uma mulher de 83 anos que morreu de traumatismo craniano. A descoberta foi publicada na revista médica “The Journal of Sexual Medicine”.

 De acordo com Ostrzenski, a misteriosa zona erógena consiste numa estrutura bem delineada localizada na parede “da frente” da vagina e comprimida em um “casulo” de cerca de 3,3 mm. Uma vez desencapsulado, o suposto “ponto G”  se estendeu para as dimensões de 8,1 mm de comprimento, por 3,6 mm de largura e 0,4 mm de altura.

O tecido pesquisado tinha consistência fibrosa e coloração azulada. “É o único tecido que apresenta essa cor. Não há outra estrutura similar ao ponto G. Nunca se tinha ido tão profundamente dentro da vagina como essa pesquisa. Essa estrutura mostrou ter potencial de se esticar, de ficar maior, quando estimulada”, explica o ginecologista.

Mas por que ponto G? 

As pesquisas sobre a suposta estrutura anatômica erógena vem alimentando controvérsias desde 1950. O primeiro a propor a existência de uma região provocadora de orgasmos na genitália feminina foi o cientista alemão Ernst Grafenberg, ao pesquisar o funcionamento da uretra e sua eventual ligação com o prazer sexual nas mulheres.

Em 1981, uma nova pesquisa se debruçou sobre a pesquisa de uma região na vagina que foi batizada de zona de Grafenberg e logo de “ponto G”. No entanto, diversas pesquisas já aconteceram de lá para cá, desmentindo ou minimizando a importância dessas estruturas anatômicas no orgasmo feminino.Entre os que minimizam os resultados da pesquisa de Ostrzenski, está o ginecologista brasileiro Gerson Lopes, presidente da Comissão Nacional de Sexologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Ele diz que “já é consenso médico é que a única parte sensível da vagina é o músculo localizado logo na entrada do genital, que pode ficar erétil quando a mulher fica excitada ou a partir da entrada do pênis, mas nunca definiram uma região anatomicamente e histologicamente na vagina. É muito mais fácil imaginar que seja o corpo clitoridiano abordado do que um ponto especial”.

11:00 · 25.04.2012 / atualizado às 14:02 · 25.04.2012 por

Depois de ser agendado para o dia 30 de abril, o primeiro voo espacial privado até a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla inglesa) vai ter de esperar mais uma semana, ficando para 7 de maio. Foi o que anunciou o diretor do projeto da empresa norte-americana SpaceX, Elon Musk.

“Adiamos o lançamento em uma semana para realizar mais testes dos códigos de acoplamento da Dragon (à ISS)”, explicou Musk. Na segunda-feira (23), a Agência Espacial Norte-Americana (Nasa), que assessora o projeto, avaliou como viável o lançamento do foguete da Space X, Falcon 9, a partir da base de Cabo Canaveral, na Flórida (EUA), bem como o acoplamento da nave não tripulada Dragon à ISS.

De acordo com os engenheiros da Nasa, há compatibilidade entre os softwares da SpaceX e da ISS. A cápsula Dragon pesa seis toneladas e mede 5,2 metros de altura por  3,6 metros de diâmetro. Em seu primeiro acoplamento à ISS, a nave será acessada através do braço robótico da estação orbital, comandado pelos astronautas em órbita.

04:05 · 25.04.2012 / atualizado às 04:05 · 25.04.2012 por
Ovelha transgênica Peng Peng produz gorduras polinsaturadas, boas para prevenir doenças e mau funcionamento do o coração humano Imagem: Reuters

Cientistas chineses deram mais um passo na produção de alimentos transgênicos voltados para a saúde humana.  A equipe do Instituto de Genômica de Pequim, comandada pelo pesquisador Du Yutao, modificaram um embrião de ovelha introduzindo o gene do verme Caenorhabdtis elegans que produz a chamada gordura boa.

Presente em nozes, peixes e alguns tipos de verduras, a gordura polinsaturada também é produzida por vermes nematódeos (como o utilizado na pesquisa chinesa). Na alimentação humana, ela auxilia no combate a doenças cardiovasculares, prevenindo risco de ataques cardíacos. A ovelha modificada geneticamente, apelidada de Peng Peng, nasceu no último dia 26 de março, pesando 5,74 kg e segundo os cientistas vem crescendo com saúde desde então.

A técnica consistiu na inserção do gene ligado à produção de ácidos graxos em uma célula retirada da orelha de um carneiro, que em seguida foi fundida a um óvulo não fertilizado e implantada no útero de uma ovelha. O governo chinês vem incentivando a pesquisa em alimentos geneticamente modificados tanto para aumentar a produtividade quanto a qualidade dos produtos agropecuários. Vale lembrar que a China, apesar de ser a segunda maior economia, ter a maior população e a terceira maior área, possui apenas 7% da terra arável do mundo.

“O governo chinês encoraja projetos de transgênicos, mas precisamos ter métodos e resultados melhores para provar que plantas e animais transgênicos são inofensivos e seguros para o consumo. Isso é crucial”, disse Du. No mundo, apesar da grande quantidade de alimentos transgênicos de origem vegetal, ainda é tímida a produção animal transgênica. Uma das pesquisas mais avançadas envolvendo animais é a da empresa norte-americana AquaBounty com o salmão do Atlântico.

01:48 · 22.04.2012 / atualizado às 02:04 · 22.04.2012 por
Mudança de açúcares de um DNA criou um código genético artificial apelidado de XNA e que pode ajudar a curar doenças na Terra ou encontrar vida fora dela Imagem: Open Four

Essa é para encher de orgulho qualquer brasileiro. O bioquímico Vítor Pinheiro, de 34 anos, é o autor de uma técnica revolucionária que desenvolveu os primeiros DNAs artificiais, denominados de XNAs.

Na natureza o DNA (ácido desoxirribonucléico) e o seu parente químico, o RNA (ácido ribonucléico), estão por trás da transmissão de informações genéticas e a ausência ou a presença dessas moléculas gigantes (também chamadas de polímeros) era praticamente usada para diferenciar os seres vivos de todos os outros elementos, substâncias e materiais.

Mas com o êxito da pesquisa que o paulistano realizou em parceria com cientistas da Universidade Cambridge, no Reino Unido, uma nova fronteira está sendo aberta tanto na busca pela cura de doenças como também na astrobiologia, a pesquisa sobre formas de vida extraterrestre.  Até o momento a equipe conseguiu criar seis tipos diferentes de “XNA” e aptâmeros (pequenas moléculas capazes de se ligar e bloquear outras) a partir deles.

O feito da técnica anglo-brasileira incluiu não só a construção química do XNA, mas também que o composto artificial conseguisse transferir informação para um DNA tradicional, de modo similar ao que o RNA de vírus faz quando invade o código genético de seu hospedeiro.  “Até agora, parecia que apenas DNA e RNA podiam guardar informação genética. Se a gente mostra que outro tipo de polímero é capaz de fazer isso, o DNA e o RNA deixam de ser especiais”, explica Pinheiro.

Consequências para Medicina e Astrobiologia

Uma das maiores consequências da descoberta é ampliar as possibilidades de descoberta de vida extraterrestre ou mesmo de formas de vida exóticas em nosso próprio planeta, já que a técnica mostra que outros tipos de compostos químicos podem se reproduzir.  Outra grande consequência é a possibilidade de se criar medicamentos mais eficazes e que apresentem menos rejeição do organismo.

Para conseguir essa proeza, Pinheiro e seus colegas, trocaram a molécula de açúcar de uma DNA tradicional, que possuem cinco átomos de carbono e substituiu por moléculas diferentes compostas por quatro, cinco ou seus átomos de carbono. DNAs, RNAs e XNAs são formados por três tipos de submoléculas: açúcares, fosfatos e bases nitrogenadas.

A outra engenharia do processo foi descobrir polimerases nos DNAs que pudessem se comunicar com os XNAs e com isso estava completo o ciclo de criação dos novos compostos genéticos artificiais. O estudo será publicado na tradicional revista científica Science.

01:07 · 21.04.2012 / atualizado às 04:30 · 21.04.2012 por

Engenheiros da Space X e da Nasa acertam últimos preparativos antes do lançamento da nave de carga Dragon, que fará um acoplamento com a ISS entre 30 de abril e 1° de maioImagem: Space X

A era em que apenas os governos financiavam a exploração espacial parece estar mesmo com os dias contados. A SpaceX, empresa norte-americana, está prestes a realizar o primeiro voo privado à Estação Especial Internacional, com a nave de carga Dragon. A previsão é de que a proeza seja realizada no próximo dia 30 de abril. É bem verdade que a façanha ainda é parcial, pois se dará sob consultoria, supervisão e contratação da Nasa.

O fundador da SpaceX, Elon Musk, mantém, no entanto, um otimismo cauteloso, pois a manobra de acoplagem entre as duas naves (que estarão viajando ambas a cerca de 28 mil km/h) é bastante complexa. “Acredito que é importante perceber que é complicado, mas a SpaceX já lançou o Falcon 9 com sucesso em duas ocasiões, além de colocar em órbita o Dragon e retorná-lo à atmosfera terrestre em 2010, um marco para o setor privado.”

Já o responsável pelos programas espaciais da Nasa, que está supervisionando o planejamento da Space X, Bill Gerstenmaier afirmou que “tudo caminha bem conforme nos aproximamos da data de lançamento, há muito a ser feito antes da partida, mas estou impressionado pelo trabalho realizado”.

Nave  pode transportar até sete astronautas, mas fará primeiro voo “só”

Embora o primeiro voo previsto da Dragon seja não-tripulado, a nave foi construída para levar até sete astronautas, como se vê nesse teste Imagem: Space X

Gerstenmaier e Musk  fizeram uma reunião de quase quatro horas para definir os detalhes da operação e uma nova reunião está marcada para segunda-feira (23), quando serão revisados os preparativos do voo da  Dragon, antes do lançamento, incluindo a verificação da compatibilidade entre o software da SpaceX e os da ISS.

O lançamento da Dragon, a bordo do foguete Falcon 9 da SpaceX, será feito na base de Cabo Canaveral, Flórida (EUA). A nave pesa cerca de seis toneladas e mede 5,2 metros de altura e 3,6 metros de diâmetro, comporta até sete tripulantes, mas fará primeiro voo de forma não-tripulada. Ela fará as mesmas manobras de aproximação da ISS que as naves ATV europeia e HTV japonesa, com um sobrevoo da ISS a uma distância de 2,5 km, antes do acoplamento.

Uma vez concluída a missão a Dragon retornará à Terra fazendo uma aterrissagem no Oceano Pacífico em frente à costa da Califórnia. A Space X ao lado da Orbital Spaces Corporation  tem contrato estimado em US$ 3,5 bilhões com a Nasa para enviar carga para a ISS.

Além disso, com o fim do programa dos ônibus espaciais em 2011, a mais famosa agência espacial do mundo está apoiando iniciativas privadas de transporte de astronautas e turistas espaciais, já que o novo foco da Nasa será a exploração do espaço profundo.

01:24 · 20.04.2012 / atualizado às 03:31 · 20.04.2012 por
O fungo conhecido como levedura compartilha dois genes com os humanos que neles causam o envelhecimento e em nós causa certos tipos de câncer. Uma vez retirados dos microorganismos fizeram com que as leveduras vivessem dez vezes mais que o normal Imagem: Microbe Wiki

E mais uma pesquisa polêmica realizada na Universidade do Sul da Califórnia tem agitado a comunidade científica. Mas dessa vez não se trata de vida extraterrestre e sim da nossa vida e de outros seres que dividem esse planeta conosco.

A alteração de dois genes que nós compartilhamos com os fungos (parentes distantes de todos os animais), combinada com uma dieta de baixa caloria conseguiu prolongar a vida das leveduras Saccharomyces cerevisiae (organismos usados para ajudar na fermentação de pães e cervejas) em dez vezes. Esses organismos estão entre os seres mais estudados em todo o mundo e isso facilitou a localização dos genes responsáveis pelo envelhecimento.

Como a mesma técnica em tese pode ser aplicada em células humanas (ou pelo menos nas de embriões), os pesquisadores acreditam que é possível, sim, imaginar pessoas vivendo até 800 ou mais anos no futuro. “A descoberta nos permitiu ficarmos mais próximos de controlar a sobrevivência e a saúde de unidades básicas da vida: as células. Nós estamos criando a reprogramação da vida saudável”, afirma o coordenador da pesquisa Valter Longo.

Os cientistas retiraram dos fungos pesquisados dois genes chamados de RAS2 e SCH9, que promovem o envelhecimento nestes seres e o câncer em mamíferos. “Eu diria que fazer um organismo viver 10 vezes mais do que normalmente vive é algo muito significativo”, comentou Anna McCormick, chefe de genética e biologia celular do Instituto Nacional do Envelhecimento nos Estados Unidos.

Contudo, nem tudo é tão simples e tentar aumentar a longevidade humana num primeiro momento pode trazer como efeito colateral a redução no crescimento e outros problemas de saúde. Então, apesar da ciência ter encontrado o caminho para prolongar a vida das leveduras será preciso muito mais pesquisa para começar a tornar real o sonho de que as pessoas vivam por séculos e não mais por décadas.

17:16 · 18.04.2012 / atualizado às 20:16 · 18.04.2012 por
O cientista norte-americano Joseph Miller vem pesquisando há mais de uma década os dados das sondas espaciais Viking e tem polêmica hipótese de que foram encontrados indícios de vida microbiana marciana em 1976 Imagem: University of Southern California

O blog Ceará Científico tem noticiado nos últimos cinco meses diversos avanços na busca por vida extraterrestre. Mas e se ela já tiver sido descoberta e tiver passado despercebida?

É o que parece indicar o estudo da Universidade do Sul da Califórnia, comandado pelo ex-diretor do projeto espacial da NASA, Joseph Miller, desde pelo menos o ano de 2001, sobre os dados colhidos pelas sondas espaciais Viking 1 e 2, que aterrissou em Marte, em 1976.

Apesar de já ter divulgado parte de suas conclusões no site da universidade há 11 anos (sem muito crédito naquela época), o assunto voltou a ganhar força na internet essa semana, após o tradicional grupo de comunicação científica National Geographic ter resolvido investigar a pesquisa de Miller, feito novas entrevistas e repercuti-las junto à comunidade acadêmica mundial.

O que viu (ou não) a Viking em 1976

As sondas realizaram três experimentos especialmente concebidos para a tarefa de encontrar vida (ou pelo menos matéria orgânica). O experimento denominado LR trabalhou escavando um pouco de solo marciano e misturando-o com uma gota de água que continha nutrientes e átomos de carbono radioativos.

A ideia era a de que se o solo continha micróbios, as formas de vida metabolizariam os nutrientes e libertariam dióxido de carbono, compostos radioativos ou gás metano, o que poderia ser medido por um detector de radiação sobre a sonda. Uma série de experimentos de controle também foram realizadas, incluindo o aquecimento de algumas amostras de solo de Marte.

Depois de aquecidas a diferentes temperaturas, as amostras era isoladas em ambiente escuro por meses, condições que matariam micróbios fotossintéticos ou que dependam de organismos fotossintéticos para a sobrevivência. Estas amostras de controle foram também misturados com a solução nutritiva.

Para empolgação de muitos biólogos de então, o experimento LR indicou sinal positivo para a vida, mas os experimentos de controle indicaram sinal negativo, o que levou a Nasa a descartar o resultado do LR como inconsistente. Mas a reanálise feita pela equipe de Miller dos dados de 1976, parece indicar que o equipamento que apontou a existência de vida estava correto.

“É muito possível que, se há micróbios lá, eles estão vivendo alguns centímetros abaixo do solo marciano. Se você olhar de perto os dados da Viking, pode ver que  a medição radioativa de gás foi subindo durante o dia e descendo durante a noite …. As oscilações tiveram um período de 24,66 horas. Isso é basicamente um ritmo circadiano, um bom sinal para a vida”, explicou Miller.

Traduzindo: as amostras oscilaram exatamente no mesmo período que dura um dia marciano e é o mesmo que ocorre na Terra com os ciclos dos seres vivos que duram um dia terrestre e são chamados de ciclo circadiano ou relógios-biológicos.  A equipe também comparou os dados da Viking com as leituras de temperatura de um rato e de fontes não-biológicas.

A equipe admite, no entanto, que este fato por si só não é suficiente para provar que há vida em Marte. “Mas por alguma razão, a NASA nunca enviou um microscópio em suas sondas. Se eles podem enviar equipamentos de grande precisão para obter dados geólogos, eles devem ser capazes de enviar equipamentos precisos também para obter dados biólogicos.”

Curiosity pode ser a Viking que dará certo

Mas para (nossa) alegria e de Miller, a Nasa enviou no fim do ano passado, a missão Mars Science Laboratory, também conhecido como Curiosity que vai chegar no Planeta Vermelho ainda este ano e mesmo ainda sem levar um microscópio leva equipamentos que têm a pretensão de buscar formas de vida marcianas.

“A Curiosity não vai testar a hipótese de vida em Marte diretamente, mas eu acho que eles vão ser capazes de detectar gás metano. E se virem um ritmo circadiano na liberação de metano para a atmosfera, será muito coerente com o que vimos em nossa pesquisa”, conclui Miller.

01:33 · 18.04.2012 / atualizado às 04:33 · 21.04.2012 por
Babuínos e humanos estão separados por 25 milhões de anos de evolução, mas ambos são capazes de reconhecer palavras escritas, embora eles não possam entender o sentido delas Imagem: Its Nature.org

Os babuínos (nome genérico que abrange cinco espécies de macacos africanos) são capazes de diferenciar palavras de letras embaralhadas sem sentido, desde que treinados. É o que aponta o estudo de cientistas da Universidade Aix-Marseille, na França.

Separados há mais 25 milhões de anos da nossa linhagem evolutiva (no fim do Oligoceno), os babuínos foram capazes de diferenciar com até 75% de precisão palavras reais, após serem apresentados a 25 palavras curtas de quatro palavras e a 50 sequências de letras que não formavam palavras.

Depois as palavras foram  repetidas e associadas a uma cruz, enquanto as letras embaralhadas também foram repetidas e associadas a um círculo. O passo seguinte foi submeter os babuínos ao teste de apertar numa tela de computador, estilo touch screen, a cruz na medida em que vissem as palavras existentes e o círculo quando vissem as sequências aleatórias de letras, em troca de uma recompensa em forma de comida.

Os pesquisadores concluíram que os princípios básicos que permitiram ao ser humano criar a escrita já estavam desenvolvidos em nossos ancestrais, pelo menos desde o surgimento dos cercopitecoideos, grupo de primatas que inclui os chamados “macacos do Velho Mundo”. “Nossos resultados demonstram que as aptidões básicas de processamento de ortografia podem ser adquiridas na ausência de representações linguísticas”, explicou o pesquisador Jonathan Grainger à tradicional revista Science.

Entender palavras envolve circuitos cerebrais que ajudam a diferenciar objetos 

O neurobiólogo norte-americano Michael Platt, comentando o estudo francês, sugeriu que os circuitos cerebrais envolvidos nessas habilidades de leitura devem ter evoluído nos primatas inicialmente apenas para aprimorar a diferenciação de objetos na natureza e que nos humanos acabou servindo, milhões de anos depois, para desenvolver a escrita (fato que ocorreu há cerca de 5500 anos e marca a divisão entre Pré-História e História).

“A ideia é que esses circuitos surgiram para apoiar o reconhecimento de objetosIsso significa saber que uma figueira não é um cafeeiro, por exemplo. Quando alguém aprende a escrever, um pedaço do circuito é cooptado para apoiar a função de leitura. Uma outra extensão dessa ideia é que os sistemas de escrita que melhor se conformam à maneira como o sistema visual remonta objetos têm mais chance de ser popularizados”, concluiu Platt.