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05:37 · 10.02.2012 / atualizado às 01:51 · 11.02.2012 por

No terceiro post da série sobre as espécies animais ameaçadas de extinção que vivem ou transitam pelo território cearense. Chegou a vez de conhecermos melhor anfíbios e peixes, os ancestrais mais antigos dos vertebrados terrestres.

Há duas espécies de anfíbios e sete de peixes, sendo um peixe ósseo e seis peixes cartilaginosos, que correm risco de desaparecer da Terra, caso não sejam devidamente conhecidos e preservados.

Alguns tem localização muito restrita, vivendo apenas em um Estado ou município, mas outros viajam milhares de quilômetros pelo mundo todo. Em comum, no entanto, os grupos e espécies que mostraremos a seguir precisam da ajuda humana para sobreviver, nem que seja deixando-os viver em paz em seus respectivos territórios.

Anfíbios, os primeiros vertebrados a se aventurarem na terra firme

O Ictiostega deve ter sido um dos primeiros anfíbios, tendo vivido há cerca de 375 milhões de anos Imagem: Encyclopedia Britannica

Os anfíbios evoluíram no Período Devoniano (há cerca de 375 milhões de anos) e foram os predadores dominantes por pelo menos 100 milhões de anos até que começaram a perder espaço para seus descendentes os répteis.

Também foram muito afetados pela gigantesca extinção em massa que aconteceu no fim do Permiano (há 250 mihões de anos), quando a maioria das linhagens foi extinta.

Um pouco antes disso, há 290 milhões de anos, surgiram os ancestrais dos anfíbios modernos, tais como sapos e rãs, que sobreviveram a duas grandes extinções desde então.

Suas principais características incluem o fato de serem vertebrados pecilotérmicos (não mantém sozinhos sua própria temperatura) que não possuem bolsa amniótica e tem seu ciclo de vida dividido em duas fases: uma aquática e outra terrestre, apesar de haver exceções.

Na atualidade, estão identificadas cerca de seis mil espécies vivas de anfíbios, número aproximado ao de mamíferos e répteis, seus descendentes. Dessas, felizmente apenas duas espécies cearenses estão ameaçadas de extinção. Saiba mais sobre elas:

Rãzinha  (Adelophryne baturitensis )

Imagem: Arkive.org

É uma espécie endêmica do Ceará que habita folhiços em bromélias e beira de riachos. Foi catalogada apenas em 1994.

A espécie não é abundante na área de ocorrência, o que pode estar sendo afetado pelos longos períodos de ausência de chuva típicos do nosso clima.

Está classificada como vulnerável à extinção devido à perturbação humana, perda/degradação de habitat e por fatores naturais ligados aos próprios hábitos e características da espécie, bem como de seu habitat.

Rãzinha de Maranguape  (Adelophryne maranguapensis)

Imagem: Blog do Nurof

Assim como a espécie anterior, é observada no folhiço das bromélias, onde fazem posturas de 5 a6 ovos translúcidos. É comum observar os filhotes recém-eclodidos no local.

A espécie habita a Serra de Maranguape, onde grande parte da área foi substituída por plantio de bananeiras, porém o que traz esperança é que nos locais onde vive a espécie ela é registrada com frequência.

Apesar disso, sua situação é preocupante e está classificada como em perigo de extinção por conta de fatores como a perturbação humana e a perda/degradação de habitat.

PEIXES ÓSSEOS

Ilustração de um Cheiroleps, um dos primeiros peixes ósseos da Terra, que viveu há cerca de 400 milhões de anos Imagem: The Earth Through Time

Ao contrário do que acredita o senso comum, os peixes não formam um grupo único de animais, mas dois principais. O mais importante deles para a história da evolução humana é o grupo dos peixes ósseos, pois dele descendem anfíbios, répteis, aves e mamíferos como nós.

O grupo surgiu no período Siluriano (há 420 milhões de anos) e possui como diferencial de peixes mais primitivos, ossos, ou seja tecido ossificado internamente por substituição da cartilagem. Na linguagem popular, no entanto, os ossos desses peixes são conhecidos como espinhas.

Os peixes ósseos são os mais diversificados entre os vertebrados. São nada menos que 29 mil espécies. Nos mares cearenses há apenas uma espécie de peixe ósseo catalogada como em risco de extinção e ela é importante recurso na gastronomia local, a cioba. Saiba mais sobre ela:

Cioba (Lutjanus analis)

Imagem: Doug Perrine

É um peixe  presente no Atlântico Ocidental (incluindo mares cearenses) que pode chegar a 75 cm de comprimento. Tem coloração avermelhada com ventre mais claro e estrias escuras e douradas.

Em outras partes do Brasil, também é conhecido como areocó, ariocó, carapitanga, caraputanga, chioba, ciobinha, mulata, realito, vermelho-paramirim.

Em Portugal é conhecido simplesmente como pargo vermelho. É um peixe de carne muito saborosa e apreciada comercialmente.

Várias outras espécies do gênero Lutjanus são também conhecidas popularmente por cioba. Essa espécie está classificada apenas como “quase ameaçada”, devido principalmente à pesca excessiva.

PEIXES CARTILAGINOSOS

O Megalodon deve ter sido o maior peixe da Terra e um dos grandes rivais das baleias pré-históricas. Foi extinto há relativamente pouco tempo: 1,5 milhões de anos atrás Imagem: Wikipedia

Mais antigos que os peixes ósseos, surgiram há cerca de 461 milhões de anos. É o grupo que atinge as maiores dimensões na atualidade e compreende principalmente tubarões, raias e quimeras. O maior tubarão,o Megalodon, por exemplo, deve ter atingido perto de 25 metros e viveu entre 28 e 1,5 milhões de anos atrás.

São peixes geralmente oceânicos que possuem um esqueleto totalmente formado por cartilagem, mas coberta por um tecido específico, a cartilagem prismática calcificada.

Apresentam de 5a 7 fendas branquiais dos lados do corpo ou na região ventral da cabeça e gancho pélvico (também conhecido como clásper) um órgão de copulação dos machos. Podem ser ovíparos, ovovivíparos e até vivíparos (isso mesmo, alguns tubarões tem parto similar ao dos mamíferos).

Nas águas cearenses vivem  ou transitam seis espécies de peixes cartilaginosos, sendo cinco tubarões. Descubra mais sobre elas:

Tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum)

Imagem: Direct Sea Life

A espécie possui número de filhotes por parto varia entre 21 e 50. A alimentação é constituída basicamente de invertebrados bentônicos, como lagostas, camarões, caranguejos, ouriços-do-mar, polvos e moluscos.

É uma espécie caracterizada pelo corpo robusto,  cabeça achatada e barbilhões nasais que chegam até a boca. O comprimento máximo confirmado é de 3,08 metros e os filhotes nascem com 28 a 31 cm.

Ocorre em águas tropicais e subtropicais rasas, em habitat costeiro ou em plataformas insulares.

Os machos amadurecem com cerca de 2,25 m e entre 1 a 15 anos de idade, e as fêmeas entre 2,25 a 2,35 m e 15 a 20 anos de idade. A reprodução ocorre uma vez a cada 2 anos. São vivíparos.

É classificado como vulnerável à extinção devido à caça/captura excessiva e à perda/degradação de habitat.

Galha-branca-oceânico (Carcharhinus longimanus)

Imagem: MarineBio

Vive em zonas tropicais de águas quentes. Pode chegar a medir 4 metros e pesar até 168 quilos. É uma das três espécies que mais atacam seres humanos, daí serem mortos muitas vezes por pescadores.

O tubarão galha-branca-oceânico é relativamente corpulento. Seu focinho é curto e arredondado.  Seus dentes da maxila superior são triangulares com bordo serrilhados e os da inferior pontiagudos.

Em geral medem e pesam 2,5 m e 70 Kg, respectivamente. Os filhotes nascem com aproximadamente 60 e 65 cm. É classificado como vulnerável à extinção.

Tubarão-junteiro (Carcharhinus porosus)

Imagem: Florida Museum of Natural History

Há poucas informações sobre essa espécie, principalmente sobre seus hábitos em mares brasileiros.

Ela é classificada apenas como quase ameaçada, principalmente devido a esse relativo desconhecimento da comunidade científica.

Os machos podem medir cerca de 1,5 metros.

Ocorre do Golfo do México até o Brasil, incluindo o Ceará e também é observado no Oceano Pacífico do Golfo da Califórnia até o litoral do Peru.

Tubarão-toninha (Carcharhinus signatus)

Imagem: DiscoverLife

É uma espécie exclusiva do Oceano Atlântico, mas há poucas informações sobre seus hábitos e sua ocorrência no Ceará e no Brasil como um todo. Os machos podem medir até 2,8 metros.

Pode mergulhar até 600 m de profundidade em águas que oscilam entre 11 e 16 graus Celsius.

É observdo desde o litoral dos Estados Unidos, Caribes até a América do Sul e a costa da África.

É classificado como vulnerável à extinção.

Tubarão-baleia ( Rhincodon typus )

Imagem: Marine Bio

É a maior espécie de tubarão, identificada pelo corpo robusto, cabeça larga e achatada, boca em posição quase terminal e pela coloração, que inclui numerosas manchas e listras verticais.

O tamanho máximo reportado para esta espécie é de 20 m, pesando cerca de 35 toneladas. É encontrado em águas oceânicas. Apresenta comportamentos migratórios, incluindo passagens pela costa cearense.  Uma fêmea capturada em Taiwan continha 300 embriões medindo cerca de 55-60 cm.

A alimentação é constituída de grande variedade de organismos planctônicos e nectônicos, como crustáceos e pequenos peixes, os quais consome por uma estratégia de filtração e sucção.

É considerado como vulnerável à extinção.

Peixe-serra (Pristis pectinata)

Imagem: Critter Zone

É parente de tubarões e raias. Pode ser encontrado em estuários e ambientes costeiros e de manguezais, ocorrendo também em ambientes recifais.

O comprimento máximo observado na espécie é de 6 m. A espécie passou por um processo de redução de tamanho populacional muito rápido, sendo extirpado de grande parte de sua distribuição original no Atlântico.

É uma espécie caracterizada por uma expansão chamada de “serra” ou “catana”, que possui uma fileira de 23 a 30 dentes rostrais em cada um dos dois lados.

Possui o comprimento ao nascer de 75 a 85 cm; de maturidade, 2,7 m para machos e 3,6 m para fêmeas. A espécie é ovovivípara, com fecundidade variando em torno de 10 embriões

É classificado como em perigo de extinçã devido à caça/captura excessiva, perda/degradação de habitat.

Com Informações: ICMBio

05:26 · 09.02.2012 / atualizado às 01:09 · 23.02.2012 por
Archaeopteryx pode ter sido a primeira ave, sendo datada de 150 milhões de anos atrás. Mas restam dúvidas se não se tratava de um dinossauro de penas, ancestrais das chamadas aves verdadeiras. Imagem: Richard Owen

Dando continuidade a série, o Ceará Científico dedica um post inteiro às aves ameaçadas de extinção no Ceará. Sozinho, esse grupo animal responde por 27% de todas as espécies e subespécies cearenses (sejam endêmicas ou não) que correm risco de sumir da face da Terra.

As aves são animais vertebrados, bípedes, homeotérmicos, ovíparos, caracterizados principalmente por possuírem penas, asas, bico e ossos pneumáticos. Assim como os mamíferos, descendem dos répteis, mas de uma linhagem diferente: a dos diapsídeos, a mesma que deu origem também aos crocodilos e aos dinossauros. Aliás, são tidos como descendentes diretos de um grupo de dinossauros terópodes.

A primeira ave deve ter surgido no Jurássico Superior,  por volta de 150 milhões de anos atrás (bem depois do primeiro mamífero). Durante quase um século e meio se considerou o Archaeopteryx como o elo perdido entre répteis e aves, mas a descoberta de uma série de espécies de dinossauros com penas trouxe mais dúvidas que certezas sobre quando houve de fato a separação entre os dois grupos.

O fato é que as aves, ao contrário de seus primos gigantes, sobreviveram à grande extinção em massa do Cretáceo (ocorrida há 65 milhões de anos e hoje se diversificaram em mais de dez mil espécies. Quinze delas vivem ou transitam pelo nosso Estado e estão ameaçadas não mais por asteroides gigantes, mas pelo homem. Conheça mais sobre elas:

Soldadinho-do-araripe (Antilophia bokermanni)

Imagem: Aquasis / Divulgação

É uma das aves mais ameaçadas de extinção do planeta. Está classificado como criticamente em perigo devido à perda/degradação de habitat e o tráfico ilegal. A estimativa do tamanho populacional era de menos de 50 aves em 2008 (a mais recente feita).

A espécie habita as matas ciliares, que hoje em dia, são praticamente restritas às nascentes dos córregos situadas entre 300 e 600 m de altitude. É territorialista e majoritariamente frugívora (alimenta-se de frutos).

Seu sistema de acasalamento é não-promíscuo (tem parceiro fixo). Os ninhos são construídos pela fêmea, a pouca altura (cerca de 1 m), onde são postos 2 ovos.

Entre os predadores na região, destacam-se o sagüi, o gambá e as cobras, havendo parasitismo dos filhotes por larvas de insetos.

Periquito-cara-suja (Pyrrhura griseipectus)

Imagem: Aquasis / Divulgação

Assim como a espécie anterior está criticamente em perigo de extinção devido à perda/degradação de habitat e, principalmente, pelo tráfico ilegal.

Também é uma das três espécies priorizadas pelo trabalho de preservação da ONG Aquasis, ao lado do soldadinho-do-araripe e do peixe-boi-marinho, sendo considerado o periquito mais ameaçado das Américas.

Ao contrário do que se imaginava antes seu hábitat não é restrito às matas mais úmidas. Esta ave ocupa áreas com culturas agrícolas de impacto equivalente ao dos cafezais sombreados por floresta.

Em 2008, um casal foi observado nesse ambiente, no município de Guaramiranga, havendo o registro do nascimento de 4 filhotes em uma estação reprodutiva.

Trinta-réis real  (Thalasseus maximus )

Imagem: Biodiversity Nevis

É o maior dos trinta-réis que ocorrem no Brasil. Os trinta-réis “com crista” fazem freqüentemente a troca de locais de reprodução e agrupam os filhotes em “creches”, onde são cuidados por alguns adultos.

O período reprodutivo vai de junho a dezembro. A espécie não constrói ninhos elaborados, depositando um único ovo em pequenas depressões rasas na areia ou diretamente na rocha. Ambos os adultos defendem o ninho, incubam o ovo e cuidam do filhote, até mesmo por algum tempo depois que ele consegue voar.

Consomem pequenos peixes, lulas, camarões, caranguejos e insetos. Alimentam-se em águas rasas. Vivem prioritariamente no Rio Grande do Sul, mas, como aves migratórias que são, também transitam pelo território cearense, entre outros estados.

É classificado como vulnerável à extinção devido a predação, o turismo e o treinamento da Marinha em alguns locais onde se reproduzem.

Pica-pau-anão-da-caatinga – (Picumnus limae)

Imagem: Arthur Grosset / The Internet Bird Collection

A área de ocorrência dessa espécie deve corresponder a aproximadamente 10 milhões de hectares, o equivalente ao Estado de Pernambuco.

Habita também áreas de sertão e de serras. Mas apesar da  ser relativamente adaptável a diferentes ambientes está classificado como em perigo de extinção devido a perda/degradação de habitat e à distribuição restrita.

Este pica-pau não necessita de árvores espessas para construir seu ninho e pode ser observado em áreas degradadas, inclusive na zona urbana de Fortaleza.

Uru-do-nordeste (Odontophorus capueira plumbeicollis)

Imagem: Josep del Oyo

Essa subespécie também está classificada como em perigo de desaparecer devido principalmente pela perda/degradação de seu habitat. Procriam nos primeiros meses do ano, no período seco.

Ocorre em altitudes que variam de 16 m até 700 m acima do nível do mar. A espécie habita áreas de florestas primárias ou em bom estado de conservação.

Vive no solo das florestas mais densas e escuras, onde é vista aos pares ou em grupos familiares.  Alimenta-se de frutos e insetos.

“Cantam” em duetos, pela manhã, perto de seus poleiros,  demonstrando territorialidade.

Cuspidor-do-nordeste (Conopophaga lineata cearae)

Imagem: World Wildlife Images

Esta ave foi descrita em 1913, no Ceará, como sendo uma espécie plena, mas atualmente é considerada como uma subespécie de Conopophaga lineata.

Habita as florestas úmidas buscando insetos e frutos. Tolera áreas degradadas em regeneração, chegando a construir ninhos nessas regiões.

Apresentam grande diferença física entre macho e fêmea, mas ambos cuidam da criação dos filhotes, que são geralmente dois. Os ninhos são construídos em uma altura máxima de 2 m, mas são encontrados próximos ao solo.

Durante o acasalamento, os machos exibem-se produzindo ruídos nas penas modificadas das asas e são mais ouvidos no crepúsculo. Nesse horário, o macho exibe um supercílio branco, que se destaca no escuro da vegetação.

Está classificado como vulnerável à extinção por conta da perda/degradação de seu habitat.

Araponga-do-nordeste (Procnias averano averano)

Imagem: Sinopinion

Esta subespécie de araponga é endêmica do Brasil, sendo encontrada desde o Maranhão e norte de Tocantins até Alagoas e também no Ceará.

A espécie apresenta uma notável diferença sexual na plumagem, sendo os machos brancos, com a cabeça marrom, apresentando também, expansões carnosas que lembram uma barba. As fêmeas e os jovens possuem plumagem discreta, sendo esverdeadas com estrias negras amarronzadas.

Habita as copas das árvores altas, de onde os machos demarcam os seus territórios emitindo um canto típico, semelhante a uma forte martelada metálica, que pode se estender por alguns minutos.

Engole pequenos frutos inteiros, dispersando as sementes pela regurgitação ou pelas fezes. Parece ser pouco tolerante a ambientes alterados e, por conta disso, e do tráfico ilegal está vulnerável à extinção.

Arapaçu-do-nordeste (Xiphocolaptes falcirostris)

Imagem: Tree of life

Endêmico do interior do Brasil, habitando principalmente porções não litorâneas do Nordeste (incluindo o Ceará) e do Brasil Central. A espécie habita as matas secas.

É um pássaro que mede pouco menos de 30 cm. Apresenta coloração ferruginosa, com várias faixas  nas costas e no ventre, sob fundo marrom-claro, um pouco mais escuro no peito.

O bico é longo e forte.  Vive aos pares, solitariamente ou formando pequenos grupos familiares, percorrendo o interior das matas, escalando as árvores à procura de seu alimento, que é localizado por debaixo das cascas. Alimenta-se de insetos, larvas, caramujos, aranhas e outros itens.

Também está classificado como vulnerável à extinção dada a perda/degradação de seu habitat.

Arapaçu-de-garganta-amarela-do-nordeste (Xiphorhynchus fuscus atlanticus)

Imagem: Josep del Hoyo

É um pássaro que ocorre em florestas úmidas da Mata Atlântica do Nordeste, incluindo o Ceará. Sua presença em fragmentos florestais está mais associada às condições da vegetação do que simplesmente ao seu tamanho.

Um estudo feito em Alagoas mostrou que essa subespécie esteve presente em apenas dois de 15 fragmentos amostrados, que são os maiores e com a vegetação em melhor estado de conservação.

Pode viver em companhia de outras espécies integrando bandos mistos de aves. Constrói seus ninhos em cavidades com entrada próxima ao solo, colocando entre 2 e 3 ovos, que medem em média 25 x 18 mm. Aparentemente, os machos não participam da incubação

Assim como a maioria das aves ameaçadas de extinção no Ceará é classificado como vulnerável, por conta da  perda/degradação de seu habitat.

Furriel-do-nordeste (Caryothraustes canadensis frontalis)

Imagem: The Internet Bird Collection

É onívoro, alimenta-se tanto de insetos quanto de frutos, sementes e folhas. Geralmente, a subespécie forma grupos de 4 até 15 indivíduos, associando-se pouco a bandos mistos.

É um pássaro de hábitos ainda pouco  conhecidos.

Freqüenta as copas das árvores e bordas mais densas, onde é comum ser observado a pequena altura do solo.  Foi encontrado desde próximo ao nível do mar até 590 m.

É outra ave que está classificada como vulnerável à ameaça de extinção através da perda/degradação de habitat e também pelo tráfico ilegal.

Pintor-da-serra-de-baturité (Tangara cyanocephala cearensis)

Imagem: Arthur Grosset

É uma ave restrita ao Ceará, normalmente observada acima dos 500 m de altitude, onde existe maior oferta de frutos e temperatura amena.

Alimenta-se de frutos,  em pequenos grupos, às vezes em bandos mistos. Não é muito exigente quanto à qualidade do habitat, ocupando áreas de cultura de café sombreadas por floresta, lavouras similares e sítios, aonde chega a construir ninhos.

Os machos apresentam um manto negro nas costas, que nas fêmeas tem pintas verdes. Sua capacidade de deslocamento entre fragmentos é considerável e pode ser reproduzida em cativeiro.

Apesar disso, está classificado como em perigo de extinção, principalmente pelo tráfico ilegal.

Pintassilgo-baiano (Carduelis yarrellii)

Imagem: Les Tarins Americains

Apesar do nome popular também ocorre no Ceará. É um pássaro com cerca de 10 cm de comprimento, o macho se distingue do pintassilgo comum por possuir um “boné” negro (que não está presente nas fêmeas) tendo quase todo o restante do corpo na cor amarela.

Habita capoeiras e bordas de mata da Caatinga e Mata Atlântica. Alimenta-se basicamente de grãos. Está classificado como vulnerável  à extinção devido à perda/degradação de habitat e o tráfico ilegal.

Machos das duas espécies brasileiras de pintassilgo são cruzados com fêmeas do canário-do-reino (Serinus canaria) e o híbrido obtido, chamado pintagol, é muito apreciado por causa do seu canto.

Vira-folhas-cearense (Sclerurus scansor cearensis)

Imagem: Nich Athanas

A subespécie é relativamente comum nas florestas serranas cearenses.

Vive no solo, tanto nas matas secas quanto nas matas úmidas, revirando folhas em busca de artrópodes (insetos, aranhas, centopeias, etc).

Essas aves são encontradas aos pares e não apresentam diferença considerável entre machos e fêmeas, reproduzindo-se em barrancos, onde escavam seus ninhos.

Está  vulnerável à extinção basicamente devido à perda/degradação de seu habitat.

Choca-da-mata-de-Baturité (Thamnophilus caerulescens cearensis)

Imagem: Nick Athanas

Esta subespécie está classificada como em perigo de desaparecer por conta da perda/degradação de seu habitat.

Há ainda pouco conhecimento sobre seus hábitos.

Sabe-se, no entanto, que este pássaro habita a mata úmida, na serra de Baturité, acima dos 600 m.

Alimenta-se de insetos e desce às partes rasteiras da mata em menor freqüência.

 

Maria-do-nordeste (Hemitriccus mirandae)

Imagem: Arthur Grosset

Essa é outra ave bastante ameaçada de extinção, sendo classificada como estando em perigo por conta da perda/degradação de seu habitat.

A espécie habita altitudes entre 58 m até 980 m acima do nível do mar. É um pequeno pássaro de plumagem predominantemente esverdeada nas costas e bege levemente amarelado na barriga.

Mede cerca de 10 cm e é um típico representante do sub-bosque das florestas densas e bem preservadas do Nordeste brasileiro, incluindo o Ceará.

Pode “cantar” durante muito tempo, ficando completamente imóvel em um galho, interrompendo apenas para capturar insetos, por meio de vôos rápidos de assalto.

Com Informações: ICMBio

 

07:52 · 08.02.2012 / atualizado às 23:05 · 12.02.2012 por

“Conhecer para preservar; preservar para conhecer”.

O antigo ditado ambientalista serviu de inspiração para a primeira sequência de reportagens do Ceará Científico.

Trata-se da série “Fauna: o  Ceará (ainda) tem disso sim!”, que tem como base de partida a matéria Ceará tem 55 espécies animais ameaçadas de extinção, publicada, também nesta quarta-feira (08), na versão online do caderno Regional.

Nos próximos quatro dias, nosso blog apresentará 55 espécies animais listadas como ameaçadas de extinção pelo Ministério do Meio Ambiente e que têm ocorrência observada ou prevista em nosso Estado.

São sete espécies de mamíferos, quinze de aves, quatro de répteis, duas de anfíbios, sete de peixes, uma de inseto, três de crustáceos, três de moluscos, duas de cnidários e onze de equinodermos. A cada dia vamos trazer informações sobre um ou mais grupos de animais e as espécies ameaçadas que vivem em terras alencarinas.

Hoje, vamos conhecer mamíferos e répteis ameaçados de extinção.  Quinta-feira é a vez das aves. Já na sexta-feira, mostraremos os anfíbios e os peixes. E para fechar, na segunda-feira (13), conheceremos os invertebrados que correm mais risco de desaparecer no Ceará.

Mamíferos, nossos parentes mais próximos

A espécie Hadrocodium wui, pode ser um dos mais antigos mamíferos; fósseis foram datados como sendo de 195 milhões de anos atrás. Imagem: American Association for the Advancement of Science

Os mamíferos são animais vertebrados, que se caracterizam pela presença de glândulas mamárias e pêlos. Já foram catalogadas pouco mais de 5,5 mil espécies.

Os mamíferos atuais descendem dos sinapsídeos, répteis que surgiram no Carbonífero Superior (há aproximadamente 300 milhões de anos). Mas os primeiros mamíferos verdadeiros apareceram no período Triássico (há 220 milhões de anos atrás).

No entanto, foi só após a extinção em massa de dinossauros (ocorrida há 65 milhões de anos) e outros grandes grupos que os mamíferos puderam alcançar seu auge.

Apesar disso, um pouco antes (há 70 milhões de anos) já existiam os primeiros primatas, nossos ancestrais mais proximos.

O homem moderno surgiu entre 200 e 400 mil anos atrás, mas os primeiros hominídeos podem ter surgido perto de 4 milhões de anos no passado.

No Ceará, vivem (ou transitam em nosso território) sete mamíferos ameaçados de extinção. Há um canídeo (recém-descoberto), três felídeos,  um sirênio, um quiróptero e um cetáceo.

Vamos conhecê-los um pouco melhor:

Cachorro-vinagre (Speothos venaticus)

Foto: UFPB/Divulgação

É o mais recentemente descoberto em terras cearenses, mais precisamente no município de Aratuba. Trata-se de um canídeo com corpo atarracado, orelhas, pernas e cauda bem curtas.

Seu comprimento médio é de 86,6 cm e o peso fica entre 5 e 7 kg. A coloração varia entre o marrom claro e o escuro. A gestação é de 67 dias, após a qual nascem de 3 a 4  filhotes.  A espécie é encontrada  até 1.500 m de altitude.  A dieta é altamente carnívora.

Está ameaçado pelo desmatamento, pela fragmentação e alteração de habitats, por doenças e pela caça. A espécie é classificada como vulnerável quanto ao risco de extinção, mas as populações no Ceará devem ser extremamente raras.

Gato-maracajá  (Leopardus tigrinus)

Imagem: Animal Earth

É a menor espécie de felino (ou felídeo) encontrada no Brasil e também uma das menos conhecidas. Tem porte semelhante ao do gato doméstico, podendo atingir  de 60, 4 cm até 82, 9 cm de comprimento e pesar de 1,5 a 3,5 kg.

A cor de fundo da espécie varia entre o amarelo-claro e o castanho-amarelado, sendo que não é incomum encontrar indivíduos completamente negros. As manchas são encontradas com grandes variações em suas formas e tamanhos, assim como na coloração de fundo.

Os filhotes nascem após uma gestação de 73 a 78 dias, podendo chegar a até 4. Ocorre desde o nível do mar a até 3.353 m de altitude. A dieta inclui pequenos mamíferos e lagartos.

Está ameaçado principalmente pela perda/fragmentação do habitat e tráfico ilegal e está em situação vulnerável, quanto ao grau de risco de desaparecer.

Jaguatirica (Leopardus pardalis mitis)

Imagem: Feline Conservation Trust

A jaguatirica tende a ser a espécie de felino dominante nas áreas de cobertura vegetal mais densa, especialmente nas matas úmidas que ocorrem desde o nível do mar até 3.800 m.

Tem corpo esbelto, cabeça e patas grandes e cauda pouco curta, caracterizada pela presença de manchas, numa pelagem de fundo amarelo-ocráceo. O comprimento pode atingir até 1,46 metros e o peso até 15,1 kg.

O período de gestação varia entre 70 e 85 dias, após o qual nascem de 1 a 4 filhotes. O potencial reprodutivo máximo de uma fêmea de sete anos, em vida livre, é de 5 a 7 filhotes. São solitários e noturnos.  Carnívora, come em média cerca de 700 g por dia.

Assim como as duas espécies anteriores é classificada como vulnerável ao risco de extinção e está ameaçada principalmente pela erda/alteração de habitat e pela caça.

Onça parda (Puma concolor greeni)

Imagem: ICMBio

É um felino de grande porte com coloração variando do marrom-acinzentado mais claro ao marrom-avermelhado mais escuro, com a ponta da cauda preta, podendo também apresentar uma linha escura na extremidade dorsal (costas).

O comprimento total para a espécie pode chegar até 2,30 metros, sendo que a cauda representa cerca de 35% deste total. O peso para animais adultos varia entre 34 a 48 kg para fêmeas e de 53 a 72 kg para machos.

Tem hábito crepuscular /noturno e é um dos carnívoros mais generalistas, apresentando uma dieta variada. Come desde pequenos mamíferos, répteis e aves, até presas maiores, como a capivara, e animais domésticos, como eqüinos, ovinos, bovinos e suínos.

A espécie ocorre em grande diversidade de biomas, do nível do mar até 5.800 m de altitude, em quase toda a América. Mas essa subespécie que ocorre no Ceará e em outras partes do Brasil também está vulnerável à extinção e é ameaçada pela perda/degradação de habitat e caça.

Morcego do nariz-achatado (Platyrrhinus recifinus)

Imagem: BoldSystems

São morcegos pequenos, têm coloração marrom-clara, sendo que o dorso é, mais escuro do que a parte ventral (barriga).  Possuem um par de listras no rosto e uma listra nas costas, todas brancas.

Há ainda poucas informações sobre os hábitos dessa espécie, mas sabe-se que ela ocorre nos biomas de caatinga, cerrado e Mata Atlântica.

Pode ser considerada como vulnerável à extinção e ameaçada pela perda/fragmentação de habitat e pela própria falta de conhecimento da comunidade científica sobre ela.

Peixe-boi marinho (Trichechus manatus)

Imagem: Aquasis / Divulgação

É de longe entre as espécies de mamíferos que ocorrem no Ceará, a que está mais ameaçada de extinção, sendo classificada como criticamente em perigo. Os principais fatores de ameaça são a caça, as capturas acidentais, a perda do hábitat, o assoreamento, o desmatamento e o trânsito de embarcações.

Pode medir, quando adulto, entre 2,5 e 4 m e pesar de 200 a 600 kg. É a espécie mais conhecida entre os sirênios. Estudo de determinação da idade do peixe-boi marinho, feito com base na contagem de crescimento do osso tímpano-periótico, indica que o animal mais velho tem idade superior a 50 anos.

A coloração do corpo é acinzentada e o couro é áspero. Apresenta unhas nas nadadeiras peitorais e alimenta-se de algas, capim marinho, folhas de mangue entre outros. Os animais passam de 6 a 8 horas diárias se alimentando.

O intervalo médio entre o nascimento de filhotes é de três anos, que medem entre 0,80 e 1,60 m ao nascer. A fêmea permanece com o filhote por até dois anos.

Cachalote (Physeter macrocephalus )

Imagem: MarineBio

É uma espécie que pouco aparece no Ceará (principalmente no verão e no outuno) e tem distribuição geográfica muito ampla nos oceanos do planeta. Apesar disso está vulnerável à extinção, devido a fatores como caça, captura em redes de deriva e atropelamentos por embarcações.

É a maior baleia com dentes e apresenta grande diferença física entre os sexos. Os machos podem chegar a 18 m e pesar 57 toneladas, enquanto as fêmeas não ultrapassam os 12 m.

A espécie possui o espiráculo (equivalente às narinas por onde respiram) voltado para a parte anterior do corpo e desviado para a esquerda, assim o seu borrifo é diagonal. A cabeça é retangular e grande, podendo representar 1/3 do total do corpo.

A nadadeira dorsal é pequena e triangular. Sua coloração varia de preta a marrom, com regiões brancas ao redor da boca. A pele é enrugada a partir da cabeça para a região posterior do corpo.

Répteis, ancestrais um pouco mais distantes

O Hylonomus é talvez o fóssil de réptil mais antigo, sendo datado de 315 milhões de anos atrás. Imagem: Karen Carr

Os répteis também são animais vertebrados e deram origem a outros dois grandes grupos, os mamíferos (como vimos acima) e também as aves (que compartilham parentesco com dinossauros e crocodilos).

Surgiram pela primeira vez na Terra há cerca de 315 milhões de anos (o ramo que deu origem aos mamíferos surgiu pouco depois disso).

Foram os primeiros amniotas, ou seja, seus embriões são protegidos pela membrana amniótica (assim como nós), o que permitiu deixar de vez a necessidade de retornar à água ou aos ambientes úmidos para colocar seus ovos e os diferencia de seus ancestrais, os anfíbios.

Ao contrário de seus descendentes são ectotérmicos, ou seja não regulam a temperatura do corpo de forma autônoma. Apesar disso, são um pouco mais diversificados que os mamíferos, sendo registradas pouco mais de 6 mil espécies.

Mas a maior diversificação ocorreu na Era Mesozóica (entre 250 e 65 milhões de anos atrás), quando atingiram seu auge. Muitos dos grupos que viveram naquela era foram extintos após o provável choque da Terra com um asteroide.

Em nosso Estado, existem quatro espécies de répteis ameaçadas pela extinção, dessa vez por culpa do homem. Todas elas são tartarugas, répteis que são considerados por alguns pesquisadores como os descendentes da linhagem mais antiga, a dos anapsídeos.

Vamos conhecê-las mais:

Tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea)

Imagem: SyMBiosIS

É a espécie mais ameaçada de extinção entre os répteis que vivem no Ceará. Está classificado como criticamente em perigo devido a fatores como mortalidade acidental, poluição e perturbação humana.

O número anual de fêmeas que reproduzem no litoral brasileiro, é de no máximo 19 indivíduos. É a maior das espécies de tartarugas marinhas, atingindo de 500 kg até 1.000 kg.  Sua carapaça não é ossificada como em outras tartarugas, sendo revestida por um tecido coriáceo, que deu origem ao nome da espécie.

As fêmeas que desovam no Brasil apresentam um comprimento curvilíneo médio da carapaça de 1,6 metros.  Em cada desova são depositados entre 70 e 90 ovos. A incubação dura cerca de 60 dias, e o sexo das ninhadas é influenciado pela temperatura de incubação.

Alimenta-se de invertebrados marinhos tais como cnidários, ctenóforos e tunicados. É capaz de mergulhos profundos, atingindo mais de 1.000 m de profundidade, embora a maior parte dos mergulhos não ultrapasse 200 m.

Tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta )

Imagem: Trek Earth

Tem cabeça proporcionalmente grande em relação a seu comprimento total. Onívora, se alimenta de crustáceos, moluscos, peixes, cnidários e vegetais marinhos.

A reprodução ocorre entre os meses de setembro e março. As fêmeas botam ovos a cada dois ou três anos, com postura de 120 ovos em média. O período de incubação é de 50 a 60 dias. Os filhotes eclodem, à noite, rumando para o mar. Assim como a espécie citada anteriormente, o sexo dos filhotes é determinado pela temperatura de incubação dos ovos.

Entre as tartarugas ameaçadas de extinção no Ceará é a que corre menos risco, sendo classificada como vulnerável pela mortalidade acidental, perturbação humana e poluição.

Tartaruga-verde (Chelonia mydas)

Imagem: Starfish.ch

Também conhecida como aruanã, é uma tartaruga marinha distribuída por todos os oceanos, nas zonas de águas tropicais e subtropicais, com duas populações distintas no Oceano Atlântico e no Oceano Pacífico.

Apesar disso  está classificada como em perigo de extinção pela mortalidade acidental, perturbação humana e poluição. O nome tartaruga-verde deve-se à coloração esverdeada da sua gordura corporal.

Tem corpo achatado coberto por uma grande carapaça em forma de lágrima e um grande par de nadadeiras. É de cor clara, exceto em sua carapaça onde os tons variam do oliva-marrom a preta.

É principalmente herbívora. Os adultos geralmente habitam lagoas rasas, sendo raramente avistadas em alto-mar. Alimentam-se principalmente de ervas marinhas. Vivem até 80 anos em liberdade.

Tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea )

Imagem: California Herps

Também classificada como em perigo devido à mortalidade acidental, perda/degradação de habitat e poluição, é uma das menores tartarugas marinhas do mundo, com peso entre 35 e 50 kg.

O comprimento curvilíneo médio da carapaça é de 73 cm. Alimenta-se de crustáceos, moluscos, peixes e algas. Apresenta três tipos de comportamento de desova: solitário, em pequenos grupos e em arribada.

Apresenta ciclo reprodutivo anual de 2 a 3 anos. O tempo necessário para atingir a maturidade sexual é de 7 a 30 anos. Desova no máximo três vezes a cada ciclo, com uma média de 100 ovos a cada desova registrada. Os picos de desova ocorrem entre outubro e fevereiro.

O sexo dos filhotes é influenciado pela temperatura de incubação dos ovos, com temperaturas mais altas gerando mais fêmeas, e temperaturas mais baixas gerando mais machos.

Com informações: ICMBio

12:58 · 03.02.2012 / atualizado às 15:58 · 03.02.2012 por

Não, não é ficção científica.

Na Universidade da Califórnia, em Berkeley (EUA), a equipe do cientista Brian Pasley criou uma técnica para relacionar padrões de fluxo sanguíneo no cérebro a sons. No ano passado, seu colega Jack Gallant, da mesma universidade já havia feito algo semelhante num experimento envolvendo imagens.

Veja áudio em inglês da entrevista dos cientistas que criaram a técnica

PLoS Biology Podcast Episode 2: Decoding speech from the human brain by Public Library of Science

(Dica do Ceará Científico: caso não queira ouvir a entrevista toda avance a linha do tempo do podcast até o instante 11min20s, quando o computador interpreta os sons pensados pelos pacientes; observação: a imagem do podcast pode demorar um pouco a carregar, caso não deseje esperar clique diretamente no link acima)

O estudo publicado na revista científica PLoS Biology revela que os cientistas da equipe de Pasley conseguiram refazer os sons em que seus pacientes estavam pensando, através do uso de um computador. Isso foi possível a partir da interpretação dos sinais elétricos registrados nos cérebros desses pacientes enquanto os mesmos ouviam determinados sons.

A aplicação médica da técnica será a de possibilitar a comunicação de pacientes em coma ou que sofram da síndrome de encarceramento (mostrada no filme O Escafandro e a Borboleta, de Julian Schnabel ).

Como foi conduzida a experiência 

Pasley e sua equipe centraram esforços numa região cerebral conhecida como giro temporal superior (ou GTS) que compõe o aparato auditivo e é responsável também pela decodificação linguística dos sons que escutamos.

Tomografia computadorizada da cabeça de um dos voluntários, mostrando eletrodos distribuídos ao longo do lobo temporal do cérebro, onde os sons são processados. Imagem: Adeen Flinker, University of California, Berkeley

Foram escolhidos então 15 pacientes que fariam cirurgias para tratar epilepsia ou tumores no cérebro. Eles eram submetidos a gravações de palavras e frases tocadas em alto-falantes e tinham suas ondas cerebrais monitoradas nesse processo.

Depois um software mapeava as regiões do cérebro que interagiam a cada frequência sonora. Na sequência, os pacientes recebiam uma lista de palavras e deveriam escolher secretamente uma delas para pensar.

Por fim, a equipe de pesquisadores conseguiu acertar essas palavras pensadas e até reproduzir os sons delas através do mesmo programa de computador.

Dupla utilidade

“Este trabalho tem uma natureza dupla: entender como o cérebro funciona e permitir às pessoas que têm problemas de fala usar um aparelho protético, quando elas não conseguem falar, mas ainda conseguem pensar”, justificou Robert Knight, também da equipe de  Pasley.

No entanto, os pesquisadores ainda recomendam paciência aos entusiastas, pois afirmam que a técnica ainda carece de muito aperfeiçoamento até que sejam de fato criadas máquinas leitoras de pensamento para uso médico comercial.

23:15 · 29.01.2012 / atualizado às 23:15 · 29.01.2012 por

A Agência Espacial Norte Americana divulgou imagens inéditas de uma das primeiras missões tripuladas ao espaço, chamada de ” Projeto Gemini”.

As fotos mostram diversas partes do planeta Terra em destaque, além de momentos de trabalho dos astronautas americanos. Em uma das imagens é possível ver, por exemplo, a cidade de Fortaleza e o vasto litoral cearense.

Foram um total de 12 missões realizadas entre 1964 e 1966 que ajudaram a Nasa a entender os efeitos que o espaço tem nos homens, o que terminou com a chegada à Lua, em 1969.

Confira mais fotos clicando aqui

03:57 · 27.01.2012 / atualizado às 03:57 · 27.01.2012 por
A rã descoberta em Papua Nova Guiné mede apenas 7,7 milímetros e é a menor espécie de vertebrado do planeta Imagem: National Geographic

Quão pequeno pode ser um animal vertebrado? Essa pergunta pode ter sido respondido com a nova descoberta feita  nas florestas úmidas de Papua Nova Guiné: uma rã de apenas 7, 7 milímetros. Isso é quase cinco vezes menor que uma tampa de caneta comum ou que muitos insetos.

A nova espécie foi batizada com o nome científico de Paedophryne amauensis e um segundo tipo de rã descoberto na mesma expedição integram um gênero de anfíbios de tamanho muito pequeno. As novas espécies estão descritas na mais recente edição da Public Library of Science One.

“Foi particularmente difícil localizar a Paedophryne amauensis devido ao seu pequenino tamanho e às vocalizações do macho, que são altas, parecida com as dos insetos”, disse Chris Austin, do Museu de Ciência Natural de Louisiana.

Até o novo achado, a menor espécie de vertebrado já registrada era um peixe da Indonésia, o Paedocypris progenetica, que tem tamanho ligeiramente superior aos oito milímetros, mas é ainda bem menor que uma abelha média, por exemplo.

“Acreditamos agora que estas criaturas (vertebrados muito pequenos) não são excentricidades biológicas. Representam um espaço ecológico que antes não estava documentado – ocupam um nicho que não está ocupado por nenhum outro vertebrado”, concluiu Austin.

Curiosidade (outros dos menores animais)

Mamífero: morcego kitti, da Tailândia, mede 3,3 cm

Ave: beija-flor abelha, de Cuba, mede 5 cm

Réptil: lagarto jaragua, da República Dominicana, mede 1,6 cm

Inseto: vespa braconídea,  de Guadalupe, mede 0,2 mm

Crustáceo: tantulocarídeo, mede menos de 0,1 mm

 

03:36 · 25.01.2012 / atualizado às 04:13 · 25.01.2012 por
Aurora boreal sobre o céu do lago Chena, no Alasca, Estados Unidos. Fenômeno é intensificado após erupções solares e já foi registrado até nos trópicos em 1859 Imagem: My Polar World

Os dias de baixa atividade solar estão acabando. O astro-rei está entrando novamente no período conhecido como máximo solar. O sinal mais recente disso foi que última segunda-feira a agência espacial norte-americana (Nasa) registrou a maior erupção do Sol desde 2005.

Como os prótons (partículas com carga elétrica positiva) ionizados viajam a 7,2 milhões de km/h e a distância da estrela para a Terra é em média de 150 milhões de km, os primeiros impactos dessas partículas com o campo magnético do nosso planeta ocorreram cerca de 21 horas depois da primeira explosão e devem seguir pelos próximos dias.

É, aliás, a proteção desse campo magnético o que evita consequências danosas para a vida na Terra, já que a maior parte da radiação solar é desviada por ele e não atinge nossa superfície.

No entanto, a erupção considerada como “relativamente forte”  deve ter como consequência imediata a redução das atividades dos astronautas no espaço (que devem permanecer dentro da Estação Espacial Internacional) e eventualmente pode danificar ou atrapalhar a comunicação de algum satélite.

O ciclo solar a as auroras polares

Um efeito colateral positivo dessa maior atividade solar (que deve chegar ao seu auge em 2013) será o aumento das auroras polares, fenômeno de extrema beleza, caracterizado por um brilho (geralmente esverdeado, mas podendo aparecer em outras cores) observado no céu à noite, em decorrência do impacto de partículas do chamado vento solar (e também da poeira espacial da nossa galáxia) com a alta atmosfera do nosso planeta.

As erupções no Sol, por sua vez têm origem nas chamadas manchas solares, regiões onde o campo magnético da nossa estrela é mais intenso e que chegam a ser três vezes maiores que a Terra. Os ciclos de atividade solar costumam ser muito regulares oscilando de mínimo a máximo a cada 11 anos.

As maiores erupções solares registradas

A maior erupção solar (na verdade o termo mais correto nesse caso devido à intensidade seria tempestade solar) já registrada ocorreu em 1º de setembro de 1859 e produziu auroras mesmo em regiões tropicais como Cuba e o Havaí, além de ter danificado sistemas de telégrafos da época.

No século XX, um dos períodos de maior atividade solar ocorreu entre 6 de março e 16 de agosto de 1989, quando ocorreram nada menos que 22 erupções solares. Redes elétricas e de computadores foram afetadas naquele ciclo.

No século XXI, a maior erupção  ocorreu em 04 de novembro de 2003. Estima-se que uma manifestação solar similar a que ocorreu em 1859 teria graves consequências sobre os sistemas elétricos e de comunicação modernos, podendo queimar redes inteiras.

12:28 · 22.01.2012 / atualizado às 18:10 · 23.01.2012 por
Angela Zhang na cerimônia em que ganhou uma bolsa de 100 mil dólares, por ter desenvolvido nova técnica de combate ao cãncer, usando nanopartículas Imagem: Siemens

Os dias em que o diagnóstico de câncer era considerado uma sentença de morte estão ficando cada vez mais perto de serem encarados como um passado obscuro.

A nova técnica desenvolvida por uma estudante de 17 anos pode ser mais um passo nesse sentido. Angela Zhang, aluna da Monta Vista High School, nos Estados Unidos,  acaba de ganhar uma bolsa no valor de US$ 100 mil e o primeiro lugar no Siemens Competition Math, Science & Technology, por ter projetado uma abordagem que combina o uso de nanopartículas compostas por ouro e óxido de ferro, combinadas a um medicamento à base da substância salinomicina.

Uma vez que as nanopartículas se prendam às células tumorais, a equipe médica realiza uma série de ressonâncias magnéticas para localizar o câncer e com o uso de luz infravermelha aquece e derrete essas partículas, liberando a salinomicina diretamente nas células cancerígenas. A técnica traz a grande vantagem com relação aos demais tipos de tratamento de  poder eliminar as células defeituosas de dentro para fora e reduzir os efeitos colaterais da quimio e da radioterapia, bem como permitir o acompanhamento em tempo real de como está sendo a eficácia da terapia.

O experimento foi um sucesso quase absoluto quando testado em ratos, mas deve demorar um tempo até ser aplicado em seres humanos. A garota prodígio trabalha nesse projeto desde os 15 anos, tendo dedicado quase mil horas a ele. Desde um pouco antes disso, Angela já lia artigos de pós-doutorado em bioengenharia e revelava o sonho de ser pesquisadora no laboratório da Universidade de Stanford.

Ela ganhou por dois anos consecutivos o Intel International Science & Engineering Fair ( 2010  e 2011) e uma viagem para participar da Taiwan International Science Fair concedido pelo Centro Nacional de Taiwan de Educação Científica.  Apesar do talento precoce para as ciências, a adolescente ainda encontra tempo para jogar golfe e tocar piano.

Mas a verdade é que a comunidade científica e as pessoas que sofrem com câncer já ficarão muito felizes se ela for um Tiger Woods ou um Tom Jobim da bioengenharia.

21:36 · 16.01.2012 / atualizado às 04:09 · 19.01.2012 por
Hazel Jones, 27 anos, revelou sua rara condição à TV: dois úteros e duas vaginas Imagem: Daily Picks and Flicks

Fenômeno da internet  na última semana, o caso revelado pela inglesa Hazel Jones, de 27 anos, em um programa de televisão norte-americano, que nasceu com dois úteros e duas vaginas é bem mais comum do que se pensa.

Calcula-se que uma em cada duas mil, ou algo entre 1 e 2 milhões  de mulheres no mundo tenham a má formação conhecida como útero didelfo, das quais, no entanto apenas cerca de 3 mil cheguem a desenvolver duas vaginas. Mas a grande maioria delas pode nunca chegar a descobrir a alteração, pois a aparência externa da genitália não difere muito da desenvolvida por uma mulher sem a anomalia.

O útero didelfo se caracteriza pela não fusão dos chamados ductos de Muller durante o desenvolvimento do embrião (0u seja trata-se de uma deformidade congênita), o que acaba resultando em dois hemiúteros (ou algo como dois meio-úteros) e às vezes também em dois hemicolos e duas hemivaginas.

Os principais tipos de exame que podem identificar a presença de útero difelfo são a ultrassonografia tridimensional e a ressonância nuclear e é comum que só seja identificada a anomalia quando a mulher engravida. Apesar disso, algumas mulheres em que o útero didelfo desemboca em duas vaginas relatam também dores durante o ato sexual, devido a espessura reduzida de cada  hemivagina.

Outro risco é o de no caso de gravidez de um útero, a mulher com dois úteros, engravidar  do segundo, o que pode levar a aborto espontâneo ou mesmo má formação dos bebês. A condição é ainda mais rara, mas já foram registrados casos, inclusive em que dois pais diferentes engravidam a mesma mãe.

Em caso de suspeita de útero didelfo, a gestante deve ser acompanhada semanalmente pelo médico.

Caso anterior

Antes de Hazel Jones, a mulher com útero didelfo mais conhecida no mundo era Lauren Williams, hoje com 31 anos. A também britânica  foi igualmente a um desses programas sensacionalistas de TV e revelou sua condição rara, em 2009.

Ela disse que só descobriu que tinha duas vaginas reduzidas aos 25 anos e que realizou uma cirurgia para unir os dois canais de penetração. Lauren declarou ainda que tem um ciclo menstrual de 21 dias (quando o normal é 28), crises fortíssimas de TPM (tensão pré-menstrual), mas que após a operação passou a ter uma vida sexual prazerosa, sem as dores que a incomodavam antes.

No caso mais recente, o de Hazel Jones, não foi realizada cirurgia para união das duas vaginas e ela descobriu a condição bem mais cedo, aos 18 anos. Também revelou ter rompido os dois hímens em sua vida sexual e ter realizado, há poucos dias, exames de Papanicolau nos dois colos do útero.

Como são os úteros e as vaginas normais

O útero é o órgão dos mamíferos onde o óvulo fertilizado se fixa para o desenvolvimento do bebê.  Tem o formato similar ao de uma pêra de cabeça para baixo e é formado por paredes de músculo, sendo oco por dentro e sendo geralmente  inclinado para a frente, na posição. Sua porção inferior, perto da vagina, chama-se colo. Já a parte de cima é chamada de fundo uterino.

Na verdade, apesar da confusão gerada pelo tom de comicidade com o qual o caso foi divulgado, dizer que uma mulher tem duas vaginas significa dizer que ela tem dois canais de penetração ligados a dois úteros e não que ela tenha duas vulvas (genitália externa). A vagina se estende do colo do útero à vulva dirigida de cima para baixo e de trás para frente.

Em cada lado da abertura da vagina há duas glândulas (de Bartholin) que secretam um muco lubrificante durante o ato sexual. Em mulheres adultas, a cavidade vaginal tem comprimento que  varia de 9 a 12 cm.

Além dos dois órgãos compõem o aparelho reprodutor feminino: os pequenos e grandes lábios, o clitóris e as trompas.

Outros tipos de anomalias uterinas

Útero bicorno: é o mais comum. Em vez de parecer uma pêra de cabeça para baixo, o útero parece mais um coração, com um recorte na parte superior central. O bebê fica com menos espaço para crescer do que num útero normal.

Útero unicorno: é bem raro. O tecido que forma o útero não se desenvolve direito na mulher, e o órgão tem apenas metade do tamanho do normal. Além disso, só há uma tuba uterina, em vez de duas. Apesar disso, na maioria dos casos a mulher tem dois ovários.

Útero didelfo: bastante raro. É quando o útero tem duas cavidades internas, sendo que cada uma delas pode levar a um colo do útero e a uma vagina. A mulher pode assim ter duas vaginas.

Útero septado: a cavidade interna do útero é dividida por uma parede, chamada septo. O septo pode ir só até metade do caminho ou chegar até o colo do útero.

Com informações: Baby Center

18:56 · 10.01.2012 / atualizado às 22:06 · 10.01.2012 por
Dois dos bebês macacos rhesus gerados a partir de seis "pais" diferentes Imagem: MSNBC

O feito é inédito em primatas e conhecido em zoologia como quimerismo. Pesquisadores do Oregon, nos Estados Unidos, conseguiram reproduzir os primeiros macacos quiméricos, ou seja, compostos por células de vários DNAs diferentes, com origem em diferentes zigotos (célula totipotente, capaz de gerar todos os tipos de células de um indivíduo adulto).

A espécie escolhida para o experimento (considerado um sucesso, pois os animais gerados estão crescendo saudáveis) foi o macaco-rhesus (Macaca mulata). O quimerismo natural é extremamente raro na natureza e ocorre também em humanos. Já o quimerismo artificial nunca havia sido tentado em animais da nossa ordem zoológica (os primatas, tais como lêmures, macacos e símios, incluindo o homem).

O estudo será publicado na íntegra na edição do próximo dia 20 de janeiro da revista Cell, sendo tema de capa. Os resultados podem abrir novas fronteiras nas pesquisas genéticas. Os macacos quiméricos foram obtidos após a reunião de células de seis embriões diferentes que foram misturadas em embriões em estágio inicial de formação no útero de fêmeas rhesus.

Falhas anteriores e próximos passos

Para Shoukhrat Mitalipov, do Centro de Pesquisa em Primatas da Oregon Health & Science University, a importância dessa pesquisa reside no fato de que “se queremos passar terapias em células-tronco do laboratório para as clínicas e de camundongos para humanos, precisamos compreender o que essas células nos primatas podem ou não fazer”.

Ainda de acordo com Mitalipov, as tentativas anteriores de reproduzir quimeras primatas falhou possivelmente porque tinham sido realizadas em células cultivadas em laboratório e  dessa vez o experimento foi feito em embriões em formação, o que levanta a hipótese de que as células-tronco são menos potentes quando estão fora de organismos vivos.

Para Mitalipov, os estudos com células totipotentes ou pluripotentes (células-tronco) precisam avançar ainda mais. “Precisamos estudá-las em humanos, inclusive em embriões humanos”, afirmou o cientista, embora descartando a ideia de se produzir quimeras humanas.

Origem mitológica

O termo quimera tem raiz grega e na mitologia representava figuras híbridas entre dois ou mais animais tais como centauros (metade homem, metade cavalo), sereias (metade mulher, metade peixe), dentre outros.

Na prática, no entanto, tais combinações  genéticas ou celulares ainda são tidas como improváveis. Apesar disso, já foram reproduzidos experimentos em camundongos em que foram introduzidas características de águas-vivas, tais como brilhar no escuro, e até mesmo uma orelha artificial foi introduzida nas costas de um rato de laboratório.