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Descoberta de cérebro fossilizado ajuda a desvendar evolução de ancestrais dos camarões

23:36 · 20.07.2014 / atualizado às 23:42 · 20.07.2014 por
Ilustração: X15 Center
O Lyrarapax unguispinus pertenceu a um grupo famoso de animais de sua época, o dos anomalocaridídeos. Eles parecem ter sido os superpredadores do oceano há 520 milhões de ano Ilustração: X15 Center

Faz mais de meio bilhão de anos desde que o invertebrado batizado de Lyrarapax unguispinus nadou pelo mar que existia onde hoje é o sudoeste da China.

Por incrível que pareça, boa parte do cérebro do bichinho de apenas 8 cm foi preservado para a posteridade, na forma de fósseis. “Tecidos neurais são muito raros no registro fóssil”, contou Nicholas Strausfeld, da Universidade do Arizona (EUA), um dos responsáveis por descrever o animal.

“No entanto, os fósseis de invertebrados que nós estudamos têm essa peculiaridade de preservar órgãos internos, além da morfologia externa. Mesmo nesses casos, o sistema nervoso central só aparece em alguns exemplares”, explicou.

Superpredadores

O L. unguispinus pertenceu a um grupo famoso de animais de sua época, o dos anomalocaridídeos.

Às vezes comparados jocosamente a “camarões infernais”, eles parecem ter sido os superpredadores do oceano há 520 milhões de anos.

Algumas espécies chegavam a 1,5 m de comprimento, ostentando apêndices frontais ameaçadores, além de uma boca em forma de disco com projeções que lembram dentes.

A questão é saber como classificar as criaturas. Tudo indica que tinham alguma ligação com os atuais artrópodes (grupo dos insetos, crustáceos e aracnídeos de hoje), mas o problema é em que parte da árvore genealógica encaixar os anomalocaridídeos.

Pista evolutiva

Agora, com o cérebro do L. unguispinus, surgiu uma nova pista. Organizado em segmentos, ele lembra o dos atuais onicóforos, bichos que parecem lagartas, mas não são insetos (nem artrópodes).

Isso pode indicar que o bichinho e seus parentes estariam próximos do ancestral comum desses grupos de invertebrados, daí suas características intermediárias. -A análise da estrutura cerebral também dá pistas sobre o comportamento do bicho.

“Era um cérebro organizado para realizar a integração e o controle de todas as ações corporais, tal como o dos vertebrados”, diz Strausfeld.

Com informações: Folhapress

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