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Dinossauros já declinavam e aves escaparam comendo sementes, quando asteroide bateu na Terra há quase 66 milhões de anos

22:38 · 25.04.2016 / atualizado às 22:53 · 25.04.2016 por
Imagem: Obvious
Segundo pesquisa britânica, diversidade de espécies de dinossauros já vinha sendo reduzida 40 milhões de anos antes do impacto de um asteroide, de cerca de 10 km de diâmetro contra a Terra Imagem: Obvious

Existe razoável consenso entre os cientistas de que foi o impacto de um asteroide que levou à extinção dos dinossauros há quase 66 milhões de anos atrás.

Há menos consenso sobre a possibilidade destes grandes animais já estarem em declínio quando o corpo celeste chegou para terminar o serviço. Pesquisadores do Reino Unido mostraram que os dinossauros de fato já estavam em declínio cerca de 40 milhões de anos antes do letal impacto na cratera Chicxulub, no México.

O estudo publicado na revista científica “PNAS” seria o primeiro a modelar a dinâmica evolucionária entre dinossauros – isto é, a relação entre a extinção de espécies e o processo de produção de outras novas, a “especiação”. O ritmo de extinção superou o de especiação 40 milhões de anos antes do impacto do meteoro.

Existe, ainda a dificuldade ligada aos diferentes ritmos de evolução entre os três principais grupos de dinos – os clados Ornithischia, Sauropodomorpha e Theropoda. Há uma grande diversidade entre esses animais. Por exemplo, os bípedes carnívoros terópodas, ou os mega-herbívoros e quadrúpedes saurópodas.

Os autores admitem que não é possível identificar uma causa para o declínio dos animais. Pode ser uma combinação delas. A separação dos continentes limitaria a movimentação e consequentemente a possibilidade de especiação.

Entre outros eventos deletérios, estão episódios frequentes de vulcanismo, mudança climática, flutuação do nível dos oceanos ou a interação ecológica com outros animais, como mamíferos primitivos.

Sobrevivência das aves

Águias, gaviões, flamingos, sabiás, andorinhas, periquitos; a enorme variedade de espécies de aves hoje existentes tornou-se possível porque os ancestrais delas conseguiram sobreviver comendo sementes depois de um evento catastrófico de extinção, 66 milhões de anos atrás, indica um estudo publicado na revista “Current Biology”.

Aves são os únicos dinossauros que sobreviveram ao letal meteoro que criou a cratera de Chicxulub na península de Iucatã, México. Apesar do nome “dinossauro” ter sido criado a partir do grego, significando algo como “lagarto terrível”, ou melhor, “assustadoramente grande lagarto”, os dinos não eram lagartos. Eles eram bem diversificados, e incluíam um grupo de animais emplumados, os ancestrais das aves modernas.

Segundo os autores do estudo liderado pelo paleontólogo canadense Derek Larson, logo depois do impacto do meteoro
que marca o fim do período geológico Cretáceo, as cadeias alimentares terrestres que contavam com a fotossíntese das plantas teriam entrado em colapso. Sem plantas, não sobrevivem os herbívoros que as comem; sem herbívoros, não há comida para os carnívoros. Os dinossauros aviários incluíam carnívoros com dentes nos bicos, que terminaram extintos também por conta da massiva mudança ecológica. Já seus colegas sem dentes foram capazes de sobreviver comendo sementes.

O estudo de Larson incluiu a análise de 3.104 dentes de dinossauros do clado chamada Maniraptora, que inclui tanto as aves como outros dinos não aviários. Os dentes pertencem a animais que viveram nos últimos 18 milhões de anos do Cretáceo.

Os cientistas concluíram que a extinção dos Maniraptora com dentes e a sobrevivência dos outros dinossauros aviários (ancestrais mais diretos das aves modernas) foi obra da capacidade destes de utilizar melhor a única comida abundante disponível, sementes.

Obstáculos contra a extinção

Sobreviver ao impacto do meteoro não foi fácil. Houve um grande pulso inicial de calor, literalmente cozinhando muitos animais e plantas, além de incêndios posteriores; chuva ácida, escuridão e inverno causado pelo bloqueio da luz solar ajudaram a extinguir ainda mais espécies.

Mas os pássaros comedores de sementes resistiram. Hoje se sabe que sementes em florestas temperadas modernas podem permanecer viáveis por mais de 50 anos. E em casos de incêndios em habitats, os pássaros “granívoros” – comedores de sementes – estão entre os primeiros a reocupar o local.

Os mais de três mil dentes foram analisados em busca de padrões de diversidade. Se a variação ao longo do tempo diminuísse seria um sinal de que a perda de diversidade indicaria que o ecossistema estava em declínio. Mas se os dentes permanecessem diferentes durante o período seria a indicação de que o ecossistema esteve estável durante milhões de anos.

Ou seja, os dinossauros aviários com dentes estavam vivendo bem até receberem o abrupto golpe do meteoro. Os pesquisadores também estudaram pássaros atuais para ajudar e entender seu passado comum. E concluíram que o ancestral comum de todos – mesmo aqueles cuja dieta é de carne, insetos ou plantas – era um discreto comedor de sementes com um bico desdentado.

Fonte: Ricardo Bonalume Neto/Folhapress

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