Busca

Tag: África


19:56 · 04.07.2018 / atualizado às 19:58 · 04.07.2018 por
O último macho de rinoceronte-branco do norte, faleceu em março aos 45 anos em uma reserva queniana Foto: Anadolu Agency

Cientistas deram um primeiro passo promissor para garantir a sobrevivência do rinoceronte-branco do norte, uma subespécie praticamente extinta, ao criar in vitro os primeiros embriões do paquiderme.

Sudão, o último macho de rinoceronte-branco do norte, faleceu em março aos 45 anos na reserva queniana de Ol Pejeta. Sua filha e sua neta, Najin e Fatu, se tornaram assim os últimos exemplares vivos desta subespécie originária da África Central, dizimada pela caça ilegal. Para garantir sua sobrevivência, muitos haviam confiado na ciência. Com um procedimento de procriação assistida inédito em rinocerontes, foi concluída “a primeira etapa essencial para salvar esta subespécie”, explicou uma equipe internacional de pesquisadores na revista científica Nature Communications. Os especialistas coletaram em zoológicos europeus mais de 80 ovócitos de fêmeas de rinocerontes-brancos do sul, dos que restam cerca de 20.000 exemplares selvagens no sul da África.

Os óvulos foram fecundados in vitro, alguns com esperma congelado de rinocerontes-brancos do norte e outros com esperma de seu primo do sul, nos laboratórios da sociedade italiana Avantea.

O resultado: sete embriões, dos quais três (um sul-sul e dois sul-norte) foram congelados.

Objetivo: três anos

Mas este é só o início para conseguir o nascimento do primeiro rinoceronte-branco do norte “puro”, em um prazo de “três anos”, afirmou Thomas Hildebrandt, do Instituto Leibniz de pesquisa zoológica e animal de Berlim.

Para isso, os pesquisadores esperam coletar ovócitos das duas fêmeas, Najin e Fatu, nascidas em 1989 e 2000, respectivamente, no zoológico checo de Dvur Kralove. “Esperamos fazer isso até o fim do ano”, diz Jan Stejskal, um responsável deste zoológico, que tentou em vão uma inseminação artificial antes de enviá-las ao Quênia com a esperança – também frustrada – de uma reprodução natural.

Os cientistas criaram os embriões híbridos, em vez de extrair diretamente os ovócitos das duas fêmeas, porque esta intervenção requer a autorização das autoridades quenianas. Além disso, tiveram de inventar uma técnica e um utensílio de dois metros de comprimento para extrair os ovócitos dos rinocerontes-brancos. “Tendo em conta os 16 meses de gravidez, temos pouco mais de um ano para conseguir uma implantação” em uma mãe portadora de rinoceronte-branco do sul, dado que nem Najin nem Fatu podem desenvolver uma gravidez, segundo Hildebrant.

Este especialista ressaltou que as duas fêmeas são as únicas capazes de “ensinar a vida social a um rinoceronte-branco do norte”, de modo que espera que o pequeno poderá crescer com elas. Caso não seja possível retirar os ovócitos de Najin nem Fatu, estão sendo realizados outros experimentos para tentar produzir gametas (ovócitos e esperma) de rinocerontes-brancos do norte graças às células-tronco pluripotentes induzidas, que têm o potencial de se tornar qualquer tipo de célula.

Mas os especialistas advertem da “improbabilidade de restaurar uma população viável de rinocerontes-brancos do norte”, segundo Terri Roth e William Swanson, do centro de pesquisa do zoológico de Cincinnati, que não participaram do estudo. Os autores preveem que a iniciativa gerará críticas do mundo da conservação, em alguns casos hostil ao uso de biotecnologias.

“Já nos criticaram por gastar o dinheiro desta forma”, segundo Jan Stejskal. Mas para este especialista, a luta deve ser realizada em todas as frentes: “conservação sobre o terreno, luta contra a demanda (de chifres) na Ásia e apoio à ciência”.

Com informações: AFP

20:39 · 11.06.2018 / atualizado às 20:39 · 11.06.2018 por
Nos últimos 12 anos, nove dos treze baobás mais velhos estão parcialmente ou totalmente mortos, de acordo com o estudo, que aponta relação com mudanças climáticas Foto: Baobab Stories

Muitos dos baobás mais antigos da África estão morrendo há dez anos, alertaram nesta segunda-feira (11) pesquisadores, que evocam a mudança climática como possível causa para esse desaparecimento “de escala sem precedentes”.

“É chocante e espetacular testemunhar durante o curso de nossas vidas o desaparecimento de tantas árvores milenares”, explica à AFP Adrian Patrut, da Universidade Babeş-Bolyai, na Romênia, co-autor do estudo publicado na revista Nature Plants.

“Durante a segunda metade do século XIX, os grandes baobás do sul da África começaram a morrer, mas nos últimos 10/15 anos seu desaparecimento aumentou rapidamente por causa das temperaturas muito altas e da seca”, diz o pesquisador.

Com entre 1.100 e 2.500 anos de idade, os baobás e seus troncos maciços coroados por galhos parecidos com raízes, são uma das silhuetas mais emblemáticas das áridas savanas.

Mas, nos últimos 12 anos, nove dos treze baobás mais velhos estão parcialmente ou totalmente mortos, de acordo com o estudo.

Entre as vítimas, três monstros simbólicos: Panke, do Zimbábue, o baobá mais velho com 2.450 anos, a árvore de Platland da África do Sul, uma das maiores do mundo, com um tronco mais 10 metros de diâmetro e o famoso baobá de Chapman do Botsuana, no qual Livingstone gravou suas iniciais, classificado monumento nacional. Os pesquisadores descobriram essa situação de “escala sem precedentes” quase por acaso: eles estudaram essas árvores para desvendar o segredo de suas incríveis medições.

Para isso, entre 2005 e 2017, Adrian Patrut e seus colegas estudaram todos os maiores (e portanto geralmente os mais antigos) baobás da África, mais de 60 no total. Viajando pelo Zimbábue, África do Sul, Namíbia, Moçambique, Botsuana e Zâmbia, coletaram amostras de diferentes partes das árvores. Fragmentos dos quais eles definiram a idade usando datação por carbono. “A cavidade de um velho baobá zimbabuano é tão grande que quase 40 pessoas podem se abrigar dentro”, ressalta o site do Parque Nacional Kruger, na África do Sul. Eles poderiam ser usados ​​como loja, prisão ou simplesmente como um ponto de ônibus.

Também têm sido usados ​​há muito tempo por exploradores ou viajantes para encontrar caminhos. “Os baobás periodicamente produzem novos troncos, como outras espécies produzem galhos”, segundo o estudo. Esses caules ou troncos, muitas vezes de diferentes idades, depois se fundem. Quando muitos caules morrem, a árvore desaba. “Antes de começarmos nossa pesquisa, fomos informados sobre o colapso do baobá Grootboom na Namíbia, mas pensávamos que era um evento isolado”, disse Adrian Patrut.

“Essas mortes não foram causadas por uma epidemia”, afirmam os autores, que sugerem que a mudança climática pode afetar a capacidade do baobá de sobreviver em seu habitat, embora “mais pesquisas sejam necessárias para apoiar ou refutar essa hipótese”.

Mas “a região em que os baobás milenares morreram é um daqueles em que o aquecimento é mais rápido na África”, diz Adrian Patrut.

Com informações: AFP

18:19 · 26.03.2018 / atualizado às 18:19 · 26.03.2018 por
Junto a produtos mais conhecidos, como o chifre de rinoceronte (acima), o tráfico de partes dos corpos de espécies em perigo também preocupa ambientalistas Foto: Reuters

Uma pitada de pó de osso de chimpanzé, da saliva de um lagarto ou um pedaço de cérebro de um urubu.

Não são os ingredientes da poção de uma bruxa de contos de fadas, mas algumas das substâncias que impulsionam o bilionário tráfico ilegal de partes de animais, apregoadas como remédios milagrosos para uma série de doenças, como a asma, o câncer ou a aids.

Junto a produtos mais conhecidos, como o chifre de rinoceronte, as escamas de pangolins ou os ossos de tigre, o tráfico de outras substâncias – com frequência de espécies em perigo ou ameaçadas – é mais secreto, embora não menos rentável: cavalos-marinhos empalhados, garras de bichos-preguiça, brânquias de jamantas ou embriões de macacos.

E embora alguns destes elementos façam parte de receitas ancestrais prescritas por médicos tradicionais na Ásia e na África, outros são simplesmente vendidos como falsos medicamentos milagrosos por charlatães, apontam os especialistas que, reunidos em Medellín, na Colômbia, também alertaram para uma extinção em massa de espécies. “Nunca criticaremos as práticas tradicionais”, disse John Scanlon, secretário-geral da Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies em Perigo de Extinção (Cites).

Mas denuncia aqueles que abusam de pessoas “muito vulneráveis” ao oferecer-lhes “certos produtos da vida selvagem como possuidores de propriedades que não estão associadas com a medicina tradicional”. Estes incluem os chifres de rinoceronte para curar o câncer, uma afirmação não demonstrada que contribui para dizimar as populações desses animais majestosos.

Em 1960, cerca de 100.000 rinocerontes-negros viviam na África. Em 2016 havia menos de 28.000 rinocerontes de todas as espécies na África e Ásia, segundo um relatório da ONU.

Bílis de urso

“A crise atual da caça ilegal de rinocerontes, que começou por volta de 2007 (…), tem suas origens no uso medicinal falso”, aponta Richard Thomas, da organização TRAFFIC.

Um aumento da demanda no Vietnã é atribuído às declarações de um político, que em meados dos anos 2000 afirmou que o chifre de rinocerote curou seu câncer. “Isso não tem nenhuma base científica, mas é quase certo que o mito urbano levou à crise”, insistiu Thomas. À medida que as rendas subiram na Ásia, também aumentou a demanda por esses chifres, assim como as virtudes atribuídas a eles: alguns os usam como tonificante, para curar ressacas, e outros simplesmente para pavonear sua riqueza. Apesar de sua proibição na China, a demanda não diminuiu, e o produto é vendido por dezenas de milhares de dólares o quilo.

Na medicina tradicional chinesa, o chifre era originalmente receitado contra a febre, e alguns estudos concluíram que existe certa eficácia nesse sentido, mas não maior que a da aspirina.

Outros ingredientes foram mais bem assimilados nos países ocidentais, como a bílis de urso, que contém um ácido eficiente contra uma doença do fígado. Hoje em dia se produz de forma sintética.

Mas para muitos outros produtos, a demanda é alimentada simplesmente por superstições, segundo os especialistas.

Mensagem forte

As escamas de pangolins, dois quais duas espécies estão em “perigo crítico” -, são vendidas na Ásia por 500 dólares o quilo para tratar a asma e a enxaqueca, ou estimular a produção de leite em uma mãe lactante.

“Não há nenhuma evidência científica para pressupor nenhuma propriedade” das escamas de pangolim, assim como tampouco há sobre as propriedades contra a aids da lagartixa-tokay, ou a injeção de virilidade que dão os ossos de tigre. “A superstição, a medicina tradicional e as técnicas do marketing viral estão agravando a pressão sobre as espécies animais”, diz Charlotte Nithart, da Robin des Bois. Esta ONG francesa registrou em um relatório o tráfico de tutano de girafas para curar a aids na África, e de pó de osso de chimpanzé para a virilidade, enquanto os cérebros de urubu são defumados na África do Sul para adivinhar os números da loteria.

Embora esta caça furtiva não seja a principal razão do desaparecimento de animais selvagens, que sobretudo estão ameaçados pela perda de seus habitats, representa mais de 19 bilhões de dólares por ano, segundo a WWF, atrás apenas do tráfico de drogas, de peças falsificadas e de seres humanos.

“Há cada vez mais pessoas que são presas e processadas, enviadas à prisão por tráfico ilegal (…) Isso manda uma mensagem forte”, disse John Scanlon. Mas mudar as mentalidades é difícil. “É importante ser sensível às culturas”, aponta Richard Thomas.

“Se alguém cresce acreditando que uma coisa é remédio, não basta dizer a ele que não é, especialmente se essa mensagem vem de um estrangeiro”.

Com informações: AFP

17:19 · 08.12.2017 / atualizado às 17:19 · 08.12.2017 por
Concepção artística das migrações humanas ocorridas entre 60 e 120 mil anos atrás, em um período anterior ao que se pensava Imagem: Ivan Heredia/CSIC

A tese de uma única migração humana fora da África há 60 mil anos não poderá mais ser considerada um dado correto da história da humanidade, argumenta uma revisão da literatura científica publicada na revista científica americana Science.

Ao contrário, várias migrações para fora da África, que começaram há 120 mil anos, deram origem à população moderna, demonstram os resultados da pesquisa. Avanços na análise de DNA e em outras técnicas de identificação de fósseis, principalmente em relação a descobertas na Ásia, estão ajudando a reescrever o que pensávamos saber sobre nossas origens.

Uma “abundância de novas descobertas” na última década mostrou que os humanos modernos, ou Homo sapiens, chegaram a partes do continente asiático muito antes do que se pensava, assinalou o informe. Vestígios de Homo sapiens datados de 70 mil a 120 mil anos foram encontrados em diferentes locais no sul e no centro da China. Outras descobertas de fósseis mostram que os humanos modernos chegaram ao sudeste de Ásia e à Austrália antes de 60 mil anos atrás.

“As primeiras dispersões fora da África antes de 60 mil anos atrás provavelmente eram feitas em pequenos grupos de pessoas que buscavam comida e, pelo menos, algumas dessas dispersões iniciais deixavam traços genéticos de baixo nível em populações modernas”, explicou Michael Petraglia, pesquisador do Instituto Max Planck para a Ciência da História Humana, na Alemanha.

Migração maior

“Um evento posterior e maior de [migração] ‘Fora da África’ muito provavelmente ocorreu por volta de 60 mil anos atrás ou depois disso”, informou. Pesquisas recentes confirmaram que esta migração em massa há 60 mil anos “contribuiu para a maior parte da composição genética dos não africanos atuais”, de acordo com o comunicado.

Estes primeiros viajantes se miscigenaram com outras espécies, incluindo Neandertais e Denisovanos, e uma população não identificada de homininis (primatas hominóideos) pré-modernos em muitos locais através da Eurásia. Os cientistas consideram que, entre os Homens modernos não africanos atuais, de 1% a 4% do DNA seria de origem dos Neandertais e até 5% podem ser de Denisovanos. “Agora está claro que humanos modernos, os Neandertais, Denisovanos e talvez outros grupos homininis provavelmente se sobrepuseram no tempo e no espaço na Ásia, e certamente tiveram muitos casos de interação”, destacou o estudo.

Com informações: AFP

16:15 · 14.09.2017 / atualizado às 16:15 · 14.09.2017 por
Os Estados Unidos podem ficar em pouco tempo sem os freixos, sua árvore emblemática, se não houver uma desaceleração no processo de extinção ao qual estão sujeitas cinco de suas seis variedades mais difundidas Foto: Youtube

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês) atualizou nesta quinta-feira (14) de sua Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, na qual os freixos da América do Norte e os antílopes africanos aparecem como os casos recentes mais graves.

A Lista Vermelha da IUCN inclui 87.967 espécies, das quais 25.062 estão em perigo de extinção. “As atividades humanas estão empurrando tão rapidamente as espécies à extinção que aos conservacionistas é impossível avaliar em tempo real”, disse a diretora da organização, Inger Andersen.

Os Estados Unidos podem ficar em pouco tempo sem os freixos, sua árvore emblemática, se não houver uma desaceleração no processo de extinção ao qual estão sujeitas cinco de suas seis variedades mais difundidas e valiosas, em um processo que está ganhando força por conta da mudança climática.

A situação de cinco dos seis freixos mais proeminentes de América do Norte está “a um passo da extinção, enquanto o sexto está em situação de “perigo”, porque um besouro invasor está dizimando suas populações.

Ataque de besouro invasor

Apenas três espécies dos freixos representam cerca de 9 bilhões de árvores nos estados do interior dos EUA, onde são um componente essencial das florestas e habitat e alimento para aves, esquilos e insetos, além de serem muito importante para as borboletas e traças.

O freixo branco americano, que no passado era abundante e uma das árvores mais valiosos dessa parte do mundo pela sua utilização na fabricação de móveis, bastões de beisebol e de hóquei, entre outros itens, está sofrendo pelos ataques do besouro invasor. Este inseto chegou aos EUA na década de 90, em um barco que continha paletas de madeira infestadas e chegou a causar grandes danos ao freixo – mas foi o aquecimento global, que aumentou a temperatura em áreas que antes eram muito frias, que permitiu esses escaravelhos sobreviverem.

O aumento da temperatura fez com que essas zonas sejam agora propícias para que eles sigam se reproduzindo, com um risco de destruição incalculável se pensar que pode destruir uma floresta inteira de freixos em seis anos.

Antílopes ameaçados

Também por causa da ação do homem, pela perda de áreas silvestres, a caça ilegal e a criação de gado, a população de cinco espécies de antílopes africanos está diminuindo drasticamente.

Esta situação faz parte de uma tendência maior de diminuição dos grandes mamíferos africanos, que devem competir com uma população humana em crescimento e que precisam de mais territórios e recursos. Uma causa adicional de maior vulnerabilidade desta e outras espécies é a maior frequência e duração das secas atribuídas à mudança climática.

Em muitos casos, como o do antílope “elande gigante”, que vive na República Centro-Africana, a instabilidade política e os conflitos se transformaram nos principais obstáculos para sua proteção.

Com informações: Agência Brasil

16:28 · 11.05.2017 / atualizado às 16:28 · 11.05.2017 por
A maior parte dos novos biomas “escondidos” são encontráveis na África e Oceania. Naqueles continentes, os números são muitas vezes dobrados em relação ao que se conhecia de área florestal Foto: MNN

Uma extensa equipe internacional de 31 pesquisadores em 13 países analisou dados de satélites e concluiu que a Terra tem 9% mais florestas do que se estimava. Estes 4.270.000 km² de floresta até agora “escondidos” têm metade da área territorial do Brasil e equivalem à toda a floresta amazônica.

É uma boa notícia para a ciência melhorar a compreensão da dinâmica e potencial dos sorvedouros de carbono terrestres como as florestas, apesar de o problema ambiental básico continuar o mesmo.

O planeta continua passando por uma mudança climática global, que é acelerada pela emissão de carbono por atividades industriais e agrícolas humanas.

O novo estudo procurou descobrir se as zonas áridas também abrigariam trechos de florestas. Essas regiões mais secas se caracterizam por apresentar uma precipitação (chuva) que é contrabalanceada pela evaporação de água das superfícies e pela transpiração das plantas.

“Os biomas das zonas secas cobrem cerca de 41,5% da superfície terrestre. Elas contêm alguns dos ecossistemas mais ameaçados, embora desconsiderados, incluindo sete dos 25 hotspots de biodiversidade, enquanto enfrentam a pressão das mudanças climáticas e da atividade humana”, escreveram os autores do estudo na revista científica americana “Science”.

Entre os “hotspots”, “pontos quentes” de diversidade animal e vegetal, está o semiárido brasileiro, caracterizado por regiões como o cerrado e a caatinga.

O mapeamento da cobertura vegetal em áreas semiáridas no Brasil ficou a cargo de pessoal do Insa (Instituto Nacional do Semiárido) em parceria com a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura).

A participação brasileira integrou o projeto Global Forest Survey (Pesquisa Florestal Global) da organização e foi coordenada no país pelo analista da FAO, o brasileiro Marcelo Rezende, um dos coautores do estudo na “Science”.

Ignacio Salcedo, do Insa, também está entre os autores, mas ele morreu no mês passado, antes da publicação do estudo. O projeto procura mapear as dinâmicas de florestas para entender mudanças no uso da terra.

“Para coletarmos dados sobre biomas tão diferentes nas terras áridas, trabalhamos com diversos institutos ao redor do mundo. O melhor formato para essa colaboração é a transferência de conhecimento técnico entre a FAO e o parceiro. Collect Earth, a ferramenta gratuita desenvolvida pela FAO e utilizada na coleta de dados foi apresentada para o Insa em um workshop em 2015”, declarou Rezende à reportagem.

Mais de vinte participantes foram selecionados pelo Insa e treinados no uso dessa nova ferramenta, na metodologia de avaliação e ao mesmo tempo auxiliaram no estudo das terras áridas. “Os participantes eram, em sua maioria, estudantes de graduação e pós-graduação da região, que conheciam bem as formações vegetais do cerrado e da caatinga. Alguns professores também participaram do treinamento”, afirma o consultor da FAO.

Segundo Rezende, “as informações geradas vão contribuir para a elaboração de medidas de conservação e proteção mais assertivas, levando em consideração a real extensão e condições das formações vegetais do cerrado e da caatinga”. As estimativas prévias de área florestal em regiões de semiárido variavam muito em função de diferentes graus de precisão das imagens de satélite – diferenças na sua “resolução espacial”-, enfoques de cartografia e mesmo a definição daquilo que constitui uma floresta.

“Dados anteriores a nível global eram baseados em imagens de satélites de média e baixa resolução, que nem sempre captavam as características da vegetação esparsa das formações vegetais do semiárido. Collect Earth faz uma ponte entre várias plataformas disponíveis gratuitamente pela Google e coloca a disposição do usuário imagens de altíssima resolução e acesso a um catálogo de imagens históricas para uma precisa avaliação da área”, afirma o pesquisador brasileiro.

Um hectare (ha) é uma unidade de medida de área que equivalente a 10.000 m² -um terreno na forma de um quadrado de cem metros de cada lado. Um campo de futebol típico tem em torno de 7.000 ou 8.000 m² -ou exatos 7.140 m², no caso dos campos padronizados para o Campeonato Brasileiro.

Para entender a extensão das florestas, a unidade usada é o Mha -isto é, um milhão de hectares.

“Nossa estimativa é 40 a 47% maior do que as estimativas anteriores da extensão da floresta em terras secas. Isto potencialmente aumenta em 9% a área global com mais de 10% cobertura de copas de árvore [5.055 Mha em vez de 4.628 Mha] e por 11% a área global de floresta [4.357 Mha em vez de 3.890 Mha]”, escreveu a equipe coordenada por Jean-Francois Bastin, da Universidade Livre de Bruxelas, Bélgica, e também da FAO.

A diferença destes 9% a mais -427 milhões de hectares ou 427.000.000.000.000 m² (427 trilhões de m²)- equivale a mais de 59,8 bilhões de campos de futebol.

Cada um dos 7,2 bilhões de habitantes da Terra teria direito a uma área de floresta “escondida” do tamanho de 8,3 campos de futebol.

“Você precisa entender que comparamos nossos resultados com diferentes mapas e relatórios existentes. Portanto, tivemos que adotar, para cada comparação, a mesma definição de ‘floresta’ do que esses relatórios”, afirmou Bastin.

“Alguns mapas estão usando apenas o limite de cobertura de árvores para definir a cobertura florestal. Este é o caso, por exemplo, dos dados de Matt Hansen. Usando o limite de 10%, ele estima uma área total de 4.628 Mha onde temos 5.055Mha. Isto corresponde a um aumento de 9%”, disse Bastin à reportagem.

“Alguns mapas estão usando o limiar de 10%, mas também estão certificando-se de que essas árvores não são parte de qualquer área de cultivo ou povoação. Este é o caso, por exemplo, dos dados do estudo Global FRA Remote Sensing. Eles relatam 3.890 Mha onde relatamos 4.357 Mha. Isso corresponde a um aumento de 11%”, continua o pesquisador da Bélgica.

Algumas regiões tiveram florestas “escondidas” de tamanho inesperado. “Você vai ver que a maior parte das diferenças são encontráveis na África e Oceania; os números são muitas vezes dobrados”, diz Bastin.

“Essas diferenças são como a área total de floresta úmida tropical na Amazônia”, conclui a equipe.

Segundo Bastin, as descobertas não mudam nada em relação ao acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera.

“Mas muitos cientistas que trabalham no orçamento de carbono destacam que faltam alguns sumidouros de carbono que ainda precisam ser identificados e quantificados para equilibrar o ciclo do carbono. Nossos resultados estão, portanto, trazendo novos elementos aqui”, diz o pesquisador.

“Além disso, nossos resultados mostram que as terras secas são muito mais adequadas para a floresta do que aquilo que pensávamos anteriormente. Portanto, e como não há competição por outras atividades, como terras de cultivo intensivo, isso significa que essas áreas consistem em grandes oportunidades para a restauração florestal. Nossos dados ajudarão a avaliar áreas adequadas para a restauração florestal, para combater a desertificação e, portanto, para combater as mudanças climáticas”, afirma Bastin.

Com informações: Ricardo Bonalume Neto/Folhapress

08:27 · 09.05.2015 / atualizado às 08:28 · 09.05.2015 por
Foto: Emory Eye Center
Olho do médico Ian Crozier, 43 anos, ficou totalmente alterado por causa do ebola, tendo mudado a cor da íris de azul para verde Foto: Emory Eye Center

Um norte-americano que havia se “curado” do ebola ficou surpreso ao descobrir que o vírus reapareceu em seu olho esquerdo e, inclusive, alterou a cor de sua íris, de azul para verde.

A imagem ao lado, divulgada pelo Hospital Universitário Emory, mostra o olho do médico Ian Crozier, 43 anos, totalmente alterado por causa do ebola. Segundo reportagem do “The New York Times”, Crozier contraiu o ebola em setembro de 2014 e foi declarado curado em outubro, após diversos exames constatarem a ausência da doença.

Dois meses depois, ele teve uma inflamação no olho esquerdo, chamada de uveíte, onde foi relatada uma pressão intraocular elevada, que provocou inchaço e dificuldades para enxergar.

A equipe que o atendeu sabia que o vírus havia invadido seu olho no auge da infecção, no entanto, não esperava encontrar resquícios da doença por ali.

Síndrome pós-ebola

O “NYT” afirma que além da inflamação no olho, outros problemas foram relatados no que a reportagem chamou de “síndrome pós-ebola”.

Ian teve ainda dores nas articulações, fadiga e perda auditiva profunda, sintomas similares que têm sido relatados por moradores da África Ocidental que foram diagnosticados e tratados após a infecção.

Dez dias depois da inflamação, o olho do médico estadunidense voltou ao normal graças a um tratamento experimental com uma droga, que não teve o nome divulgado. O uso do medicamento teve permissão especial da FDA, órgão que controla medicamentos nos EUA.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o balanço da epidemia da febre hemorrágica ebola na África Ocidental ultrapassou a marca de 11 mil mortes. No total, nos três países mais atingidos pela epidemia – Libéria (declarada livre da epidemia neste sábado, 9 de maio), Guiné e Serra Leoa – 26.593 pessoas foram afetadas pelo vírus. De acordo com o relatório da OMS, 11.005 morreram em decorrência da febre.

O surto de ebola na África Ocidental, o mais grave desde a identificação do vírus na África Central em 1976, começou em dezembro de 2013 no sul da Guiné antes de chegar a Libéria e Serra Leoa. A OMS declarou tratar-se de uma “emergência de saúde pública global” apenas em agosto de 2014.

Com informações: G1/The New York Times

18:22 · 05.02.2015 / atualizado às 18:22 · 05.02.2015 por
Imagem: Nature
Ilustração representando espécies de primatas que existiam nos dois continentes no fim do Eoceno, bem como a configuração de terras emersas e oceanos há 36 milhões de anos Imagem: Nature

Os “macacos do Novo Mundo”, ou platirrinos, cuja origem sempre foi um mistério, viveram na América do Sul muito tempo antes do que se pensava e devem mesmo ter tido ascendência africana, segundo um estudo divulgado pela revista “Nature”.

“A primeira conclusão deste estudo é que os macacos do Novo Mundo viveram na América do Sul milhões de anos antes do que se pensava pelos registros fósseis encontrados até então”, disse à Agência Efe Kenneth Campbell, paleontólogo do Museu de História Natural de Los Angeles (Estados Unidos).

Até o momento, os registros fósseis mais antigos dos macacos do Novo Mundo – 26 milhões de anos atrás – haviam sido encontrados na região onde atualmente fica a Bolívia. Nesta nova pesquisa, os cientistas encontraram dentes fósseis que aparentemente datam de 36  milhões de anos no passado e que pertencem a uma nova espécie de primatas pequenos, denominada Perupithecus ucayaliensis.

“A segunda descoberta tem a ver com a forma de seus dentes, que são muito similares aos dos macacos africanos, o que indica uma possível ascendência da África”, explicou Campbell. Os novos exemplares descritos neste estudo têm “semelhanças surpreendentes” com os primatas africanos primitivos, o que sugere que esses símios da América do Sul tiveram sua origem na África.

De acordo com a pesquisa, os dentes encontrados não apresentam muitas semelhanças com os dos primatas sul-americanos (extintos ou não), mas com os africanos da época do período Eoceno (entre cerca de 55 milhões de anos e 36 milhões de anos atrás).

O paleontólogo explicou as etapas do estudo. “Primeiro achamos os novos fósseis, depois os identificamos como procedentes de macacos e mais tarde os comparamos com os registros fósseis já existentes e, por último, os interpretamos”, afirmou.

Esses achados sugerem que o Perupithecus ucayaliensis estava relacionado com os primatas africanos, mas os pesquisadores afirmaram que mais amostras são necessárias para que esta hipótese seja confirmada.

Navegadores acidentais

Evolucionistas já suspeitavam da origem africana dos macacos do continente americano.

As duas teorias mais aceitas para essa migração são as “jangadas de vegetação” ou as “pontes de terra”.

No período Eoceno, a África e a América do Sul já estavam separadas, embora a uma distância menor que a atual.

Assim, pequenos macacos africanos  podem ter viajado acidentalmente em árvores lançadas ao mar por tempestades (que formariam verdadeiras jangadas naturais) e chegado até o outro lado do Atlântico.

Essa é a hipótese mais provável, de acordo com a maioria dos pesquisadores, que já observaram esse fenômeno acontecer em tempos modernos com animais como lagartos e pequenos roedores.

Outra possibilidade, é que naquele período, em momentos de redução dos níveis do mar, tenha surgido um maior número de ilhas entre os dois continentes e, menos provavelmente, uma ligação por terra, hoje desconhecida, que permitiu a disseminação do grupo.

20:22 · 27.10.2014 / atualizado às 21:01 · 27.10.2014 por
Foto: Nigeria Communications Week
A IBM já havia transferido tecnologia ao governo nigeriano para coordenar esforços a fim de conter o vírus Foto: Nigeria Communications Week

A IBM anunciou nesta segunda-feira (27) que vai oferecer sua plataforma de análise e outras tecnologias para que sejam usadas nos países africanos afetados pela epidemia do ebola.

Em um comunicado, a empresa americana ofereceu sua assistência em Serra Leoa, um dos países mais atingidos por este vírus mortal, e perto da Nigéria, que foi declarada livre do ebola há uma semana.

A iniciativa permitirá aos cidadãos reportar temas vinculados ao ebola e suas preocupações através de mensagens de texto ou de voz para que as autoridades de saúde em Serra Leoa possam rastrear melhor a doença, segundo a empresa.

Utilizando a localização das chamadas, a IBM pode criar um mapa das áreas onde o vírus está se expandindo. “Vimos a necessidade de desenvolver rapidamente um sistema que permita às comunidades afetadas pelo ebola fornecer informação valiosa sobre como combater a doença”, afirmou Uyi Stewart, chefe da pesquisa científica da IBM para a África.

“Usando a tecnologia móvel, temos dado voz e um meio de comunicação para que seja enviadas informações diretamente ao governo”, acrescentou. A IBM transferiu tecnologia ao governo da Nigéria para coordenar seus esforços para conter o vírus.

A tecnologia, usada em outras missões, “ajudará a fortalecer a coordenação da resposta das equipes de emergência e garantir que o governo seja capaz de manejar e responder aos novos casos de ebola ou de futuras epidemias”, disse o comunicado.

A decisão foi anunciada em meio ao crescente interesse pelo uso da supercomputação para melhorar a detecção e a resposta à epidemia, que deixou cerca de 5.000 mortos, principalmente na Libéria, em Serra Leoa e na Guiné.

Na semana passada, a Microsoft anunciou que sua plataforma Azure estaria disponível para os pesquisadores que estudam a propagação do vírus.

19:24 · 06.10.2014 / atualizado às 20:04 · 09.10.2014 por
Foto: Reuters
Anteriormente, o sacerdote católico Manuel García Viejo, de 69 anos, tinha sido repatriado com o vírus em 22 de setembro de Serra Leoa, onde trabalhava. Isolado em uma ala do Hospital Carlos III, ele morreu três dias depois Foto: Reuters

Uma auxiliar de enfermagem espanhola, funcionária de um hospital de Madri onde foram tratados em agosto e setembro dois missionários repatriados da África com Ebola, teve confirmada a infecção pelo vírus, informaram nesta segunda-feira (6) autoridades sanitárias, sem confirmar o que a imprensa chama de primeira contaminação na Europa.

“Foram feitos dois exames e os dois deram positivo”, informou um porta-voz do conselho de Saúde do governo regional madrilense, ao qual está vinculado o Hospital Carlos III, especializado em doenças contagiosas e tropicais, onde os dois religiosos foram tratados e acabaram falecendo. A mulher “é uma auxiliar de enfermagem que trabalha habitualmente no Carlos III”, informou uma porta-voz do centro médico.

A ministra espanhola da Saúde, Ana Mato que, segundo a imprensa, celebrou uma reunião de crise em Madri, convocou uma coletiva de imprensa de urgência para as 20h locais (15h de Brasília), informou seu ministério em um comunicado.

Morte de sacerdotes

O sacerdote católico Manuel García Viejo, de 69 anos, tinha sido repatriado com o vírus em 22 de setembro de Serra Leoa, onde trabalhava. Isolado em uma ala do Hospital Carlos III, ele morreu três dias depois. Para evitar contágios, não foi feita necrópsia no cadáver.

O procedimento já tinha sido feito após a morte, em 12 de agosto, no mesmo hospital, de outro missionário da ordem, Miguel Pajares, de 75 anos.Trazido da Libéria a bordo de um avião-hospital do Exército, ele foi o primeiro europeu a ser repatriado com o vírus.

Segundo o mais recente balanço da Organização Mundial da Saúde (OMS), até 1º de outubro, a febre hemorrágica do Ebola tinha matado 3.439 pessoas e infectado 7.478 em cinco países do oeste da África: Serra Leoa, Guiné, Libéria, Nigéria e Senegal. A estes deve-se somar o primeiro caso de Ebola diagnosticado nos Estados Unidos.

Descoberto na semana passada, a infecção foi detectada em um hospital do Texas, quatro dias depois de o doente, um homem de nacionalidade liberiana, chegar ao país procedente da Libéria.

Com informações: AFP