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Tag: água


20:41 · 07.10.2016 / atualizado às 20:41 · 07.10.2016 por
Imagem: The Washington Post
Concepção artística do planeta Proxima b, que pode ter oceanos tão ou mais profundos que os existentes na Terra Imagem: The Washington Post

Um planeta rochoso descoberto na zona “habitável” da estrela mais próxima do nosso Sistema Solar, a Proxima Centauri, pode estar coberto de oceanos, afirmaram cientistas do instituto de pesquisa francês CNRS nesta quinta-feira.

Uma equipe de pesquisadores, incluindo astrofísicos do CNRS, calcularam o tamanho do planeta apelidado Proxima b, assim como as propriedades da sua superfície, e concluíram que este pode ser um “planeta de oceanos” semelhante à Terra. Cientistas anunciaram a descoberta do Proxima b em agosto, e disseram que este pode ser o primeiro exoplaneta (planeta fora do nosso Sistema Solar) a ser visitado, um dia, por robôs terráqueos.

O planeta orbita dentro de uma zona “temperada” da sua estrela Proxima Centauri, localizada a ‘apenas’ 4,2 anos-luz da Terra. Estima-se que o Proxima b tem uma massa de cerca de 1,3 vezes a da Terra e que orbita a cerca de 7,5 milhões de km da sua estrela – cerca de um décimo da distância a que orbita Mercúrio, o planeta mais próximo do Sol.

“Ao contrário do que se poderia esperar, tal proximidade não significa necessariamente que a superfície do Proxima b seja muito quente” para a água existir na forma líquida, disse um comunicado do CNRS.

Proxima Centauri é menor e 1.000 vezes mais fraca do que o nosso Sol, o que significa que o Proxima b está exatamente na distância certa para as condições serem potencialmente habitáveis.

“O planeta pode muito bem conter água líquida em sua superfície e, portanto, também algumas formas de vida”, disse o comunicado.

Cálculo

O tamanho de exoplanetas é geralmente calculado medindo a quantidade de luz que eles bloqueiam, a partir da perspectiva da Terra, quando passam na frente da sua estrela hospedeira.

Mas nenhum trânsito deste tipo do Proxima b foi observado ainda, então a equipe teve que confiar em simulações para estimar a composição e o raio do planeta. Eles calcularam que o raio é de entre 0,94 e 1,4 vez o da Terra, que é de 6.371 km, em média.

Presumindo um raio mínimo de 5.990 km, o planeta seria muito denso, com um núcleo metálico que corresponde a dois terços de toda a massa do planeta, envolvido por um manto rochoso. Caso exista água na superfície, esta corresponderia a 0,05% da massa total do planeta, indicou a equipe. Não é muito diferente da Terra, onde essa porcentagem é de 0,02%.

No cenário em que o Proxima b é maior, com um raio de 8.920 km, sua massa seria dividida, em partes iguais, entre um centro rochoso e a água circundante. “Neste caso, o Proxima b seria coberto por um único oceano líquido, de 200 km de profundidade”, disse o CNRS.

“Em ambos os casos, poderia haver uma atmosfera fina e gasosa cercando o planeta, como na Terra, tornando o Proxima b potencialmente habitável”, concluiu o instituto.

Com informações: AFP

15:50 · 24.06.2016 / atualizado às 16:57 · 24.06.2016 por
Foto: Nasa
Bolsas de nitrogênio na superfície do planeta também podem indicar que o oceano pode ser relativamente quente, debaixo de uma camada superior de gelo Foto: Nasa

A sonda espacial não tripulada New Horizons, da Nasa, tem transmitido informações surpreendentes sobre Plutão. A nave foi lançada em 2006 com o objetivo de estudar o planeta anão e os extremos do sistema solar.

Alguns cientistas não tinham muita expectativa sobre o planeta – por ser muito pequeno, remoto e ter aparentado ser  inativo tectonicamente para ter características interessantes. Os resultados dos estudos, no entanto, excederam todas as expectativas dos pesquisadores.

As fotos mais recentes, tiradas de perto, revelaram características bizarras, inexistentes em qualquer outro planeta do nosso sistema solar, incluindo montanhas com textura de escamas de dragão, que a Nasa descreve como áreas “grosseiramente escavadas” pelo gelo de nitrogênio.

Uma nova pesquisa sugere que Plutão pode ocultar um oceano subterrâneo. “Graças aos dados incríveis [da New Horizons], podemos observar as características tectônicas na superfície de Plutão e atualizar nosso modelo de evolução térmica com os novos dados,” disse em um comunicado Noah Hammond, estudante de pós-graduação na Universidade de Brown.

O modelo indica que uma das características únicas de Plutão são as gargantas que se estendem por centenas de quilômetros, formadas devido à expansão da crosta do planeta.

“Um oceano no subsolo que estivesse lentamente congelando poderia ter causado esse tipo de expansão”, disse Hammond.

Teoricamente, como o oceano continua congelando, ele irá, eventualmente, formar uma estrutura densa chamada Ice II (gelo ll). Se isso ocorrer, a superfície de Plutão deve mostrar sinais de fraturas por compressão, mas estes ainda não foram encontrados.

“Nós não vemos as coisas na superfície que podíamos esperar se tivesse havido uma contração global”, disse Hammond. “Então, podemos concluir que o ice II não se formou e, portanto, o oceano não foi completamente congelado.”

As bolsas de nitrogênio na superfície do planeta também podem indicar que o oceano pode ser relativamente quente, debaixo de uma camada superior de gelo.

Oceanos podem ser comuns

Tendo em conta a distância de Plutão do Sol, a presença da água líquida é vista como altamente improvável.

Mas se ela existir em Plutão, sustentada pelas altas temperaturas do núcleo do planeta, então, oceanos líquidos podem ser muito mais comuns do que se pensava anteriormente.

“Para mim é incrível “, disse Hammond. “A possibilidade de podermos ter vastos ambientes de água líquida em Plutão, tão longe do sol, e que o mesmo possa ser possível em outros corpos celestes da Cintura de Kuiper [região do sistema solar próxima a Plutão] é absolutamente incrível!”

Com informações: Agência Brasil

20:41 · 09.04.2015 / atualizado às 20:45 · 09.04.2015 por
Foto: Nasa
A Nasa tem como objetivo enviar astronautas para Marte em 2030, um passo que cientistas acreditam que será “chave” para procurar sinais de vida atual ou extinta Foto: Nasa

Existe vida fora da Terra? Aparentemente sim, e poderíamos descobrir sua existência na próxima década.

Segundo a cientista-chefe da Nasa, Ellen Stofan, teremos registros de alienígenas que vivem em outros planetas até 2025.

Stofan acredita que serão encontrados sinais de vida fora da Terra em até 10 anos, e provas definitivas disso em até 20 anos. “Nós sabemos onde procurar. Então sabemos como procurar”, disse, em um debate transmitido na Nasa TV sobre a possibilidade de encontrar outros “mundos habitáveis”.

Água e vida simples

O que estamos procurando? E onde? As primeiras descobertas de vida fora da Terra provavelmente estão mais perto do que imaginamos, mas não serão homenzinhos verdes em naves espaciais e, sim, alguma espécie de plâncton ou de alga.

Existe muita água no Sistema Solar. É quase certo que existam oceanos de água salgada sob as conchas geladas das luas de Júpiter, Europa e Ganímedes, assim como na lua de Saturno, Encélado. A água é mantida líquida pela gravidade intensa dos planetas gigantes onde as luas orbitam, que os deforma e contribui para o aquecimento de seus núcleos.

Acredita-se que Encélado tenha atividade vulcânica nas profundezas de seu oceano, o que manteria a água aquecida a uma temperatura de 93º. Acredita-se que todas as três luas têm mais água em seus oceanos do que todos os oceanos da Terra juntos. Ainda não é possível saber se há vida lá, mas são ótimos lugares para começar a procurar.

E também há Marte, é claro. É quase certo que o planeta vermelho teve oceanos algum dia, e há evidências fotográficas sugerindo que ainda existe muita água escondida sob a superfície. O rover Curiosity da Nasa – veículo destinado a explorar a superfície de Marte – recentemente descobriu “moléculas orgânicas que contêm carbono”.

Molécula orgânica fora do Sistema Solar

Além das descobertas mais próximas de nós, um grupo de cientistas detectou, pela primeira vez, componentes orgânicos essenciais ao redor de uma distante estrela jovem, o que corrobora a possibilidade de haver vida além do Sistema Solar.

A equipe internacional detectou “grandes quantidades de cianeto de metilo (CH3-CN) no disco protoplanetário que rodeia a jovem estrela MWC 480”. Esta descoberta é muito importante, segundo argumentam os especialistas que realizaram a pesquisa, porque esta molécula contém enlaces entre átomos de carbono e nitrogênio.

Tanto o cianeto de metilo como seu parente mais simples, o ácido cianídrico (HCN), foram achados “nos frios confins do disco recém-formado” em torno da estrela MWC 480, um astro duas vezes maior que nosso Sol e a aproximadamente 455 anos-luz da Terra, na região de formação estelar de Touro.

Missões promissoras

O próximo rover que será lançado com direção à Marte em 2020 irá buscar sinais de que pode ter existido vida no planeta.

A Nasa também tem como objetivo enviar astronautas para Marte em 2030, um passo que cientistas como Ellen Stofan acreditam que será “chave” para procurar sinais de vida, porque mesmo com câmeras ultratecnológicas, encontrar fósseis usando o veículo é muito difícil – às vezes é preciso procurar embaixo da pedra, não nela em si.

A Nasa também está planejando uma missão para a Europa, uma das luas de Júpiter, que deverá ser lançada em 2022. O principal objetivo dessas missões,que custarão cerca de US$ 2,1 bilhões (R$ 6,4 bilhões), é estudar se a lua congelada tem potencial habitável e, ao fazer isso, procurar também sinais de vida nas nuvens de vapor de água que aparentemente irrompem do polo sul da Europa.

E a vida em torno de outras estrelas? O telescópio espacial James Webb, que será lançado em 2018 e custará US$ 8,8 bilhões (R$ 26,8 bilhões), é tão poderoso que pode analisar gases na atmosfera de planetas em volta de outras estrelas, buscando sinais de vida.

 Com informações: BBC/EFE

21:32 · 12.03.2014 / atualizado às 21:37 · 12.03.2014 por
Foto: Systematic Mineralogy
Mineral batizado de ringwoodite fornece evidências da existência de um vasto reservatório de água a cerca de 400 ou 600 km de profundidade Foto: Systematic Mineralogy

Em artigo publicado na conceituada revista “Nature” nesta quarta-feira (12), cientistas disseram ter encontrado um pequeno diamante que aponta para a existência de um vasto reservatório abaixo do manto da Terra, cerca de 400-600 quilômetros abaixo dos nossos pés.

“Essa amostra fornece, de fato, confirmações extremamente fortes de que há pontos locais úmidos profundos na Terra nessa área”, declarou o principal autor do estudo, Graham Pearson, da Universidade de Alberta, no Canadá. “Essa zona particular da Terra, a zona de transição, pode conter tanta água quanto todos os oceanos juntos”, explicou Pearson.

“Uma das razões, pelas quais a Terra é um planeta tão dinâmico, é a presença de água em seu interior. A água muda tudo sobre a maneira como o planeta funciona”, completou. A prova vem de um mineral raro que absorve água chamado ringwoodite, procedente da zona de transição espremida entre as camadas superior e inferior do manto terrestre, explicam os especialistas.

A análise do material revelou que a rocha contém uma quantidade significativa de moléculas de água, da ordem de 1,5% de seu peso. O manto se situa sob a crosta terrestre, até o núcleo da Terra, a uma profundidade de 2.900 quilômetros. Entre as duas grandes partes do manto – o superior e o inferior -, encontra-se
uma zona chamada de “transição”, entre 410 km e 660 km de profundidade.

O principal mineral do manto superior é a olivina. Quando a profundidade e, consequentemente, a pressão aumentam, a olivina se transforma, mudando de estado. Entre 410 km e 520 km, ela vira wadsleyite e, entre 520 km e 660 km, chega a ringwoodite, um mineral que contém água. Essa variedade de olivina já foi encontrada em meteoritos, mas nunca oriunda da Terra, justamente por se encontrar a uma profundidade inacessível.

“Até hoje, ninguém nunca viu ringwoodite do manto da Terra, ainda que os geólogos estejam convencidos de sua existência”, destacou o geólogo Hans Keppler, da Universidade de Bayreuth, na Alemanha, no editorial publicado na “Nature”. O mineral ringwoodite foi descoberto pela equipe de Graham Pearson quase por acaso, em 2009, quando os pesquisadores examinavam um diamante marrom sem valor comercial, procedente da cidade brasileira de Juína, no estado do Mato Grosso.

A amostra foi submetida à análise por espectroscopia e difração por raio X durante vários anos até ser oficialmente confirmada como ringwoodite, tornando-se a primeira prova terrestre dessa rocha super-rara. O grupo acredita que o diamante tenha chegado à superfície da Terra durante uma erupção vulcânica. A equipe de Graham Pearson não fala, porém, em água na forma líquida, e sim, contida nesse mineral.

Ainda falta determinar, como ressaltou Hans Keppler, se a amostra de ringwoodite analisada é representativa do conjunto da zona de transição do manto terrestre. O nome Ringwoodite vem do geólogo australiano Ted Ringwood, segundo o qual um mineral especial criaria uma zona de transição devido às altas pressões e temperaturas.

Pearson defendeu que as implicações dessa descoberta são profundas. Se existe água, em grande volume, abaixo da crosta terrestre, isso implica um possível impacto significativo nos mecanismos dos vulcões e no movimento das placas tectônicas.

Com informações: AFP

17:18 · 25.02.2014 / atualizado às 17:42 · 25.02.2014 por
Foto: Nasa
Contribuição de asteroides para o acúmulo de água no planeta pode ter sido superior a 50% Foto: Nasa

Pesquisadores brasileiros desenvolveram um modelo mais preciso para determinar a origem da água e da vida na Terra.

Em vez de ter vindo de cometas, hipótese mais aceita até agora, a maior parte da água no planeta teria vindo de asteroides.

Assinam o trabalho cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Guaratinguetá, em colaboração com colegas da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e do Instituto de Astrobiologia da agência espacial norte-americana (Nasa).

De acordo com Othon Cabo Winter (Unesp), coordenador do estudo, até recentemente se acreditava que os cometas, ao colidir com a Terra durante a formação do Sistema Solar, haviam trazido a maior parte da água existente hoje no planeta.

Simulações computacionais da quantidade de água que esses objetos celestes de gelo podem ter fornecido para a Terra – baseadas no índice de deutério (o hidrogênio mais pesado) na água deles – negam essa hipótese.

“Pelas simulações, a contribuição dos cometas no fornecimento de água para a Terra seria de, no máximo, 30%. Mais do que isso é pouco provável”, disse o pesquisador.

Origem da pesquisa

No início dos anos 2000, estudos internacionais sugeriram que, além dos cometas, outros objetos planetesimais (que deram origem aos planetas), como asteroides carbonáceos – o tipo mais abundante de asteroides no Sistema Solar –, também poderiam ter água e fornecê-la para a Terra por meio da interação com planetas e embriões planetários durante a formação do Sistema Solar.

A hipótese foi confirmada nos últimos anos por observações de asteroides feitas a partir da Terra e de meteoritos (pedaços de asteroides) que entraram na atmosfera terrestre. Outras possíveis fontes de água da Terra, também propostas nos últimos anos, são grãos de silicato (poeira) da nebulosa solar (nuvem de gás e poeira), que encapsularam moléculas de água durante a formação do Sistema Solar.

Essa “nova” fonte, no entanto, ainda não tinha sido validada e incluída nos modelos de distribuição de água por meio de corpos celestes primordiais, como os asteroides e os cometas. “Incluímos esses grãos de silicato da nebulosa solar, com os cometas e asteroides, no modelo que desenvolvemos e avaliamos qual a contribuição de cada uma dessas fontes para a quantidade de água que chegou à Terra”, detalhou Winter.

O pesquisador e seus colaboradores conseguiram estimar a contribuição de cada um desses objetos celestes com base nesse “certificado de origem”, o índice de deutério da água encontrada na Terra. Além disso, conseguiram determinar qual o volume de água que cada uma dessas fontes forneceu e em que momento fizeram isso durante a formação do planeta.

“A maior parte veio dos asteroides, que deram uma contribuição de mais de 50%. Uma pequena parcela veio da nebulosa solar, com 20% de participação, e os 30% restantes dos cometas”, detalhou Winter.

Com informações: Agência Fapesp / Zero Hora

22:08 · 12.01.2014 / atualizado às 22:54 · 12.01.2014 por
Foto: Nasa
Nave Cygnus foi lançada pelo foguete Antares levando a bordo materiais necessários para fabricação de cerveja. Método seria forma alternativa de purificar água no espaço Foto: Nasa

Chegou ontem à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) a nave Cygnus, com os ingredientes para que os astronautas preparem cerveja no espaço. Curiosamente, o objetivo não é deixar ninguém bêbado. Pelo menos, não a princípio.

O experimento proposto por uma criança de 11 anos – o americano Michal Bodzianowski – visa criar uma alternativa para o caso de a água da estação precisar ser purificada. “Se toda a água da estação ficar contaminada, produzir cerveja a partir dessa água vai purificá-la, e o processo será relativamente mais barato do que purificá-la com tabletes especiais, que podem não durar muito tempo”, diz o projeto.

Os astronautas utilizarão um tubo de ensaio de 15 centímetros, que separa lúpulo, malte de cevada, levedura e água. Na Terra, o jovem que propôs o estudo fará o mesmo. A agência americana, contudo, não permite o uso de álcool no espaço – é a primeira vez que uma bebida alcóolica estará na estação.

“A Nasa é completamente contrária, por uma perspectiva de segurança. Muitos dos nossos parceiros internacionais gostariam de permitir algum álcool a bordo da ISS, mas os diretores da Nasa se mantêm contrários”, afirma Vickie Kloeris, gerente do Laboratório de Comidas Espaciais.

Com informações: Portal Terra

17:17 · 06.01.2014 / atualizado às 17:24 · 06.01.2014 por
Reprodução artística de uma pluma de água (similar a um gêiser terrestre) em Europa, lua de Júpiter Imagem: SouthWest Research Institute
Reprodução artística de uma pluma de água (em estrutura similar a um gêiser terrestre) em Europa, lua de Júpiter Imagem: SouthWest Research Institute

O Telescópio Espacial Hubble identificou possíveis plumas de água sendo lançadas do polo sul de Europa.  Os jatos se parecem com o gigantesco gêiser de água visto na lua Encélado, de Saturno.

Plumas em Europa poderiam ser ainda mais empolgantes por oferecerem a possibilidade de revelar um habitat subterrâneo que poderia até mesmo abrigar vida extraterrestre. “Se isso for verdade, pode ser a maior notícia do Sistema Solar externo desde a descoberta da pluma de Encélado”, declara Robert Pappalardo, cientista planetário do Laboratório de Propulsão a Jato em Pasadena, na Califórnia (Estados Unidos), que não se envolveu na pesquisa.

O trabalho, publicado em 12 de dezembro na Science, vem com várias ressalvas. Ainda que trabalhos teóricos anteriores tenham sugerido que poderiam existir plumas em Europa, indícios intrigantes delas não deram em nada. Dessa vez, o Hubble encontrou as possíveis plumas em uma única observação. E se forem mesmo reais, essas plumas podem não estar conectadas ao profundo oceano subterrâneo da lua.

“Essa é a primeira vez que descobrimos uma coisa assim, e precisamos voltar e olhar de novo”, explica Joachim Saur, cientista planetário da Universidade de Colônia na Alemanha, e um dos membros da equipe. Saur e seus colegas já tinham procurado plumas em Europa no passado, mas sem sucesso. Em 2012, a equipe decidiu tentar de novo.

Usando uma câmera ultravioleta do Hubble, eles observaram Europa uma vez em novembro e uma em dezembro daquele ano. O estudo de novembro não encontrou nada, mas a exposição de 2,7 horas em dezembro identificou bolhas de hidrogênio e oxigênio perto do polo sul de Europa.

Seu tamanho, forma e composição química são melhor explicados por duas plumas de vapor d’água com aproximadamente 200 quilômetros de altura, explica Lorenz Roth, o líder da equipe e cientista planetário do Instituto de Pesquisa Southwest em San Antonio, no Texas.

Esse valor tem muitas vezes a altura das possíveis plumas de Europa calculadas por alguns teóricos. Isso significaria que jatos de Europa chegam mais alto que as erupções vulcânicas em Io, uma das luas de Júpiter, mas não tão alto quanto a pluma gigantesca de Encélado.

Missões futuras

A descoberta poderia encorajar missões futuras. Em 2022, a Agência Espacial Europeia planeja lançar uma sonda que exploraria Europa, além de Júpiter e suas outras luas. E Pappalardo lidera uma equipe da Nasa que está planejando uma possível sonda norte-americana para Europa.

Com informações: Nature e Scientific American

10:16 · 27.09.2013 / atualizado às 10:26 · 27.09.2013 por
Solo marciano contém água, dióxido de carbono, oxigênio, cloratos, percloratos e carbonatos, compostos relacionados direta ou indiretamente à vida Foto: Nasa
Solo marciano contém água, dióxido de carbono, oxigênio, cloratos, percloratos e carbonatos, compostos relacionados direta ou indiretamente à vida Foto: Nasa

Uma boa notícia para os corajosos que se inscreveram no programa Mars One, que pretende enviar voluntários para colonizar Marte. O jipe-robô Curiosity, da Nasa, analisou uma amostra de solo marciano e detectou uma quantidade de água calculada em aproximadamente 2%. O anúncio foi feito em artigo publicado ainda na quinta-feira (27) pela revista Science.”Um dos mais emocionantes resultados da primeira amostra ingerida pela Curiosity é a alta porcentagem de água no solo. É um grande recurso, e cientificamente interessante”, afirma Laurie Leshin, do Instituto Rensselaer (EUA) e líder do estudo. A análise do laboratório ambulante identificou ainda dióxido de carbono, oxigênio e compostos sulfúricos, entre outros, quando aqueceu a terra coletada.

Um dos instrumentos do robô, chamado de SAM (sigla inglesa para análise de amostra de Marte) inclui um cromatógrafo, um espectrômetro de massa e um espectrômetro a laser,  capazes de identificar diversos compostos químicos e determinar a proporção de isótopos (átomos de um mesmo elemento químico que diferem apenas na quantidade de nêutrons) de elementos-chave nas amostras que recolhe. “Esta é a primeira amostra que analisamos com os instrumentos da Curiosity. É a primeiríssima pá de algo que alimentou o equipamento analítico. Apesar de ser apenas o início da história, nós aprendemos algo substancial”, comemora Laurie.

Os pesquisadores inseriram porções da amostra no instrumento SAM, que aqueceu a terra a 835°C. O equipamento reconheceu a presença de diversos componentes, inclusive compostos contendo cloro e oxigênio, como clorato ou perclorato, que já eram conhecidos em Marte – mas apenas em regiões mais próximas ao polo, e não na zona equatorial do planeta vermelho, onde está a sonda. A análise indica ainda a presença de carbonatos, que se formam na presença de água.​ “Marte tem um tipo de camada global, uma camada de solo da superfície que tem sido misturada e distribuída por frequentes tempestades de areia. Então, uma pá desse material é basicamente uma coleção microscópica de rochas marcianas. Se você misturar muitos grãos dele juntos, provavelmente terá uma imagem precisa da crosta típica marciana”, explicou a cientista.

Segundo a cientista, os resultados implicarão em futuras missões ao “Planeta Vermelho”, inclusive tripuladas. “Nós agora sabemos que deve haver água abundante e de fácil acesso em Marte. Quando mandarmos gente, eles podem retirar um pouco do solo em qualquer lugar da superfície, aquecê-lo um pouco e obter água”, projetou a pesquisadora. Mas apesar da quantidade nada desprezível de água no solo marciano, esse percentual ainda é doze vezes inferior ao do que pode ser considerado um solo rico para o cultivo agrícola aqui na Terra.

23:06 · 03.12.2012 / atualizado às 02:12 · 04.12.2012 por
Marcas das escavações do robô Curiosity no solo marciano que podem ter detectado matéria orgânica Imagem: Nasa

Sem querer engrossar o coro dos teóricos da conspiração de plantão, o anúncio feito nesta segunda-feira (03) pela Nasa, em entrevista coletiva, é no mínimo  cauteloso  em demasia.

De acordo com cientistas da agência, ligados ao projeto do jipe-robô Curiosity, os aparelhos de análise química do rover detectaram moléculas orgânicas, em meio a uma mistura de água e percloratos presentes no solo marciano, mas se apressou em dizer que os dados são inconclusivos e que pode ter havido contaminação  vinda da própria Terra.

“Eles esperam encontrar mais evidências de compostos orgânicos à medida que a Curiosity avançar através das areias estéreis e carreadas pelo vento de Rocknest rumo ao monte Sharp, em busca de um bom lugar para começar a cavar mais fundo. Não é inesperado que esta pilha de areia não seja rica em matéria orgânica. Tem sido exposta ao duro ambiente marciano, mas será uma busca excitante por ambientes remotos que possam estar protegidos deste duro ambiente superficial”, explicou Paul Mahaffy, principal pesquisador encarregado dos instrumentos de análises de amostras do Curiosity.

Os instrumentos capturaram imagens impressionantes da areia retirada da duna, mais áspera do que farinha e mais fina do que açúcar. O Curiosity também conseguiu analisar cristais e outros materiais encontrados na areia. Ao aquecer as amostras, eles também conseguiram detectar uma quantidade significativa de água na areia, junto com algum dióxido de carbono, oxigênio e dióxido de enxofre.

“A sonda Curiosity é como um laboratório do CSI sobre rodas, Estes resultados oferecem uma visão sem precedentes da diversidade química da área que é representativa do resto do planeta”, comparou Michael Meyer, principal cientista do Mars Exploration Program, da Nasa.

A expectativa em torno do anúncio durante um congresso em San Francisco era grande, já que John Grotzinger, chefe da missão Curiosity no Laboratório de Propulsão a Jato, disse a uma rádio estadunidense, em 21 de novembro, que havia uma descoberta “digna de entrar nos livros de história” .

Em seguida, a Nasa reduziu as expectativas em torno do suposto feito, mas não evitou especulações sobre a possibilidade de a Nasa ter encontrado vida no Planeta Vermelho…E será que não encontrou? É aguardar as novas análises e anúncios.

12:35 · 30.11.2012 / atualizado às 16:01 · 30.11.2012 por
Pontos em amarelo mostram áreas com gelo no polo norte mercuriano Imagem: Nasa

Os ingredientes da vida devem mesmo ser mais comuns no Universo do que  se pensava. A sonda Messenger, da Nasa, achou evidências de água congelada e até de matéria orgânica complexa em crateras situadas na região polar de Mercúrio. Isso mesmo! O planeta mais próximo do Sol não só possui água, como ela está em estado sólido.

Isso é possível porque a rotação de Mercúrio é quase perpendicular  a sua órbita e na região do polo norte, o Sol sempre seja visto  próximo do horizonte. Isso faz com que o interior das crateras da região nunca recebam radiação solar e tenham temperaturas muito baixas, comparáveis às das frias luas de Júpiter.  O estudo foi publicado na prestigiada revista Science.

Como foi a descoberta 

A Messenger mandou pulsos de laser em pontos na superfície do planeta e mediu o reflexo do sinal que retornava. Foram feitas mais de 2 milhões de medições de reflexo, entre março de 2011 e abril de 2012. Os resultados indicaram diversas crateras que podem ter água em estado sólido, em especial na cratera Prokofiev.

Em outro experimento, os cientistas usaram um espectrômetro de nêutrons, aparelho que consegue encontrar com precisão hidrogênio, principal constituinte da água. Este descobriu locais que combinam com depósitos de água presos a poucos centímetros abaixo da superfície. O material acima do gelo, afirmam os cientistas, é extremamente escuro e, pelo que sabemos do Sistema Solar, pode ser um material orgânico complexo, parecido com os encontrados em asteroides e cometas.

De acordo com Sean C. Solomon, do Instituto Carnegie e da Universidade de Columbia,  o material encontrado acima da camada de gelo é muito pouco reflexivo e está estável em baixa temperatura. “Se olharmos para o Sistema Solar, quais materiais têm pouco reflexo e são estáveis a apenas temperaturas muito baixas? A resposta é: ricos materiais orgânicos que são comuns em cometas e asteroides. A hipótese é que a água e o material escuro foram entregues pelos mesmos objetos, que impactaram em Mercúrio. Uma mistura de cometas e asteroides que são ricos em materiais orgânicos e voláteis, como água.”

Amostra de solo recolhida em Marte pode trazer novos indícios de vida Imagem: Nasa

Vida em Marte?

E a grande expectativa  dos amantes da Astronomia é o prometido anúncio da Nasa, a ser feito na segunda-feira (03/12) sobre uma grande descoberta feita pelo jipe-robô Curiosity em Marte.

A repercussão da entrevista concedida no último dia 21, pelo pesquisador John Grotzinger, diretor da missão Curiosity de que “esta descoberta vai entrar nos livros de história”, no meio científico foi tanta que a Agência Espacial Norte-Americana veio a público tentar minimizá-la e desmentir especulações de que o rover tenha descoberto vida no Planeta Vermelho.

É aguardar…