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Tag: Alasca


17:49 · 04.01.2018 / atualizado às 17:50 · 04.01.2018 por
Foto: Ben Potter

A análise do DNA de um bebê que viveu há 11,5 mil anos no Alasca revelou a existência de uma antiga população da América do Norte que até agora permanecia desconhecida. De acordo com os autores do estudo, publicado na revista Nature, a descoberta levará a uma importante mudança nas teorias sobre como os humanos povoaram o continente americano.

A nova população foi batizada pelos cientistas de “antigos beringianos”, em alusão à Beríngia – a ponte terrestre coberta de gelo que, durante as glaciações, ligava o leste da Sibéria ao oeste do Alasca, onde hoje fica o estreito de Bering, que separa a Ásia da América do Norte.

“Nós não sabíamos que essa população existia. Esses dados também fornecem a primeira evidência direta da origem da população nativa americana, o que traz novas informações sobre como esses povos primitivos migraram e colonizaram a América do Norte”, disse um dos autores principais do estudo, Ben Potter, da Universidade do Alasca em Fairbanks.

De acordo com a análise genética e a modelagem demográfica feita pelos cientistas, um único grupo – que foi ancestral de todos os povos nativos das Américas – separou-se dos grupos asiáticos há cerca de 35 mil anos. Há cerca de 20 mil anos, esse grupo se dividiu novamente, dando origem aos antigos beringianos e aos ancestrais de todos os outros povos americanos.

O bebê fossilizado, uma menina que morreu seis semanas após o nascimento, foi batizado pela comunidade indígena local de “Xach’itee’aanenh T’eede Gaay”, que significa “menina do sol nascente”. Ela foi encontrada em 2013, no sítio arqueológico de Upward Sun River, junto a uma outra menina mais nova, que foi batizada de “Ye’kaanenh T’eede Gaay”, ou “menina da luz do amanhecer”.

“Seria difícil exagerar a importância da descoberta desse novo povo para o nosso conhecimento sobre como as antigas populações vieram habitar as Américas. Essa nova informação nos permite desenhar um quadro muito mais preciso da pré-história dos nativos americanos – que é muito mais complexa do que pensávamos”, afirmou Potter.

Cenários

A descoberta também sugere dois novos cenários para o povoamento das Américas.

Em um deles, um só grupo teria cruzado a ponte terrestre há cerca de 20 mil anos e então teria se dividido entre os antigos beringianos e os demais nativos americanos. O primeiro grupo teria permanecido no extremo norte do continente até o seu completo desaparecimento. O segundo grupo, após a retração das geleiras, teria migrado para o sul há 15,7 mil anos.

No outro cenário, dois grupos distintos de pessoas teriam cruzado a Beríngia. Os antigos beringianos teriam então se estabelecido ao norte, enquanto os ancestrais de todos os indígenas teriam migrado para o sul há 15,7 mil anos. Para Potter, o segundo cenário é mais plausível, porque para que houvesse uma só onda migratória a passagem pela Beríngia teria de ocorrer muito antes da divisão das duas populações. “O fundamento para esse cenário da migração de dois povos distintos é bastante forte. Não temos evidências de humanos na região da Beríngia há 20 mil anos.”

Segundo Potter, quando sua equipe começou a análise do material genético, esperava-se encontrar a conexão entre o perfil genômico dos fósseis encontrados no Alasca e o de outros povos nativos da América do Norte. Porém, o DNA dos fósseis não combinava com o de nenhuma outra população antiga.

Isso sugere, de acordo com o cientista, que os antigos beringianos permaneceram no extremo norte do continente por milhares de anos, enquanto os ancestrais dos povos indígenas se espalharam por todo o continente.

Travessia pelo litoral

Um dos autores do novo estudo, Eske Willerslev, da Universidade de Copenhague (Dinamarca), havia publicado em 2016 uma outra pesquisa que desmontava uma das principais teorias sobre a migração da Sibéria para o Alasca, que seria uma migração por terra pela Beríngia. Naquele trabalho, também publicado na Nature Willerslev mostrou que o corredor que tornaria o caminho possível entre as geleiras formou-se há 15 mil anos, mas só oferecia condições para a travessia há 12,6 mil anos. A presença humana no continente, porém, é confirmada por vestígios fósseis há pelo menos 13 mil anos.

De acordo Willerslev a hipótese mais plausível é que os povos da Ásia tenham migrado para a América viajando ao longo da costa do Oceano Pacífico – pela orla, ou por mar – o que poderia ter ocorrido há mais de 15 mil anos.

Com informações: Estadão Conteúdo

18:04 · 09.01.2017 / atualizado às 18:05 · 09.01.2017 por
Foto: Birds of Iowa
Maçaricos (aves da família Scolopacidae) foram observados viajando para até 24 “locais de reprodução” diferentes no norte do Alasca em uma única temporada Foto: Birds of Iowa

Um pássaro menor do que um pombo foi visto voando 13.000 quilômetros em apenas um mês para ter relações sexuais com o maior número possível de fêmeas, disseram cientistas.

Em um comportamento nunca registrado antes, maçaricos (aves da família Scolopacidae) foram observados viajando para até 24 “locais de reprodução” diferentes no norte do Alasca em uma única temporada, constatou uma equipe de pesquisadores na revista científica Nature.

Uma temporada de reprodução dura entre quatro e seis semanas. “Os machos têm que reduzir seu sono e defender e cortejar as fêmeas praticamente sem parar durante os intermináveis dias de verão do Ártico para se reproduzir com sucesso”, disse em um comunicado o Instituto Max Planck para Ornitologia, em Seewiesen, na Alemanha. O pássaro médio cobriu cerca de 3.000 km (mais do que um voo de Paris para Moscou), mas um exemplar particularmente determinado voou 13.045 km em apenas quatro semanas. E isso foi depois de que esses pássaros, que tinham cerca de 21 cm de comprimento e pesavam cerca de 100 gramas, viajaram da América do Sul, onde passam o inverno, para as suas áreas de reprodução do Alasca.

“Antes de fazermos essa descoberta, pensava-se que os pássaros (machos e fêmeas) migravam de sua área de inverno para um único local, onde se reproduziam naquele ano”, disse Bart Kempenaers, coautor do estudo, que foi baseado no rastreamento de 120 maçaricos.

Competição

A competição por fêmeas é dura entre essas aves políginas, e as que se estabeleceram em um único local tiveram poucas chances de cópula. “Achamos que eles desenvolveram a estratégia para avaliar suas chances locais, e se elas não são boas, eles simplesmente passam para o próximo lugar”, disse Kempenaers. O pássaro mais bem-sucedido gerou 22 descendentes com seis fêmeas diferentes.

Com informações: AFP

18:51 · 23.12.2016 / atualizado às 18:51 · 23.12.2016 por
Concepção artística de 'rio' de ferro líquido que 'corre' a 3 mil km de profundidade e foi detectado a partir de observações do campo magnético da Terra em satélites espaciais da ESA Imagem: ESA/BBC
Concepção artística de ‘rio’ de ferro líquido que ‘corre’ a 3 mil km de profundidade e foi detectado a partir de observações do campo magnético da Terra em satélites espaciais da ESA Imagem: ESA/BBC

Cientistas dizem ter descoberto um rio de ferro líquido no centro da Terra, correndo debaixo do Estado americano do Alasca e da região russa da Sibéria.

Essa massa ambulante de metal foi detectada graças aos satélites europeus Swarm –um trio que está mapeando o campo magnético da Terra para entender seu funcionamento. O campo protege toda a vida do planeta contra a radiação espacial.

Para os cientistas, a existência do rio de ferro líquido é a melhor explicação para uma concentração de forças no campo magnético terrestre que os satélites registraram no Hemisfério Norte.

“É uma corrente de ferro líquido que se move cerca de 50 km por ano”, explica Chris Finlay, da Universidade Técnica da Dinamarca.

“É um líquido metálico muito denso e é preciso uma quantidade enorme de energia para movê-lo. É provavelmente o movimento mais rápido que temos no manto terrestre” disse ele à BBC.

Finlay explica que a corrente de metal líquido é como o jet stream na atmosfera da Terra –a corrente de ar em altas altitudes usada por aviões para voar mais rápido. O rio de metal porém, está a 3 mil metros de profundidade.

Os cientistas acreditam que o rio tenha 420 km de largura e percorra quase metade da circunferência da Terra. O comportamento dessa massa metálica será crítico para a geração e manutenção do campo magnético terrestre.

“É possível que a corrente tenha funcionado por centenas de milhões de anos”, diz Phil Livermore, da Universidade de Leeds, no Reino Unido, e um dos autores do estudo detalhando a descoberta, publicado na revista científica Nature Geoscience.

Rainer Hollerbach, outro cientistas envolvido no projeto, acredita que o líquido se move graças à força da flutuabilidade ou por conta de mudanças no campo magnético do núcleo terrestre.

Vendo, do espaço, o interior terrestre

Lançados em novembro de 2013 pela ESA (Agência Espacial Europeia), o satélites Swarm estão fornecendo acesso sem precedentes à estrutura e ao comportamento do campo magnético terrestre.

Com instrumentos altamente sensíveis, os satélites estão gradualmente analisando os vários componentes do campo, do sinal dominante vindo do movimento do ferro no núcleo externo à quase imperceptível contribuição feita pelas correntes oceânicas.

Os cientistas esperam que os dados do satélite ajudem a explicar a razão pela qual o campo magnético da Terra tem enfraquecido nos últimos séculos. Alguns cientistas especulam que o planeta pode estar próximo de um inversão de polaridade, em que o sul se tornará norte e o norte se tornará sul. Isso ocorre a cada centenas de milhares de anos.

Com informações: BBC Brasil

18:54 · 22.10.2014 / atualizado às 19:08 · 22.10.2014 por
Imagem: AVPH
Fêmur encontrado na Sibéria (Rússia) pertenceu a um homem que morreu há 45 mil anos Imagem: AVPH

Cientistas anunciaram nesta quarta-feira (22) ter decifrado o mais antigo DNA já recuperado do osso de um “Homo sapiens”, um feito que lança luz sobre a colonização dos humanos modernos no planeta.

O fêmur encontrado por acaso nas margens de um rio do oeste da Sibéria (Rússia) em 2008 pertenceu a um homem que morreu cerca de 45.000 anos atrás, afirmaram. Obtido a partir do colágeno contido no osso, o genoma contém rastros de neandertais: uma espécie próxima da nossa que viveu na Eurásia juntamente com o “Homo sapiens”, antes de desaparecer misteriosamente.

Estudos anteriores revelaram que “Homo sapiens” e Neandertais se miscigenaram e, como resultado, estes últimos teriam deixando uma pequena marca de apenas 2% nos humanos atuais, exceto os africanos. A descoberta tem impacto no chamado cenário “Fora da África”: a teoria segundo a qual o “Homo sapiens” evoluiu no leste da África há cerca de 200 mil anos e, então, se aventurou fora do continente.

Datar quando os Neandertais e os “Homo sapiens” se miscigenaram também indicaria quando o “Homo sapiens” iniciou uma etapa chave desta jornada, a saída da Eurásia rumo ao sul e ao sudeste da Ásia. O novo estudo, publicado na revista britânica Nature, foi chefiado por Svante Paabo, um geneticista renomado do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva em Leipzig, Alemanha, pioneiro nas pesquisas sobre os neandertais.

Cruzamento com neandertais

O osso encontrado no rio Irtyush, perto do assentamento de Ust’-Ishim, contém uma quantidade sutilmente maior de DNA neandertal do que os não africanos da atualidade, afirmaram os cientistas.

Mas assume a forma de tiras relativamente longas, enquanto o DNA neandertal no nosso genoma, hoje, foi retalhado e disperso em seções minúsculas, como consequência da reprodução ao longo das gerações.

Estas diferenças fornecem uma pista para um “calendário molecular” ou datação do DNA, segundo mutações ao longo de milhares de anos. Usando este método, a equipe de Paabo estima que a miscigenação entre os neandertais e os “Homo sapiens” tenha acontecido entre 7.000 e 13.000 anos antes de quando o indivíduo siberiano viveu, portanto, não mais de 60.000 anos atrás.

Isto fornece um esboço de datação para estimar quando os “Homo sapiens” partiram rumo ao Sul da Ásia, destacou em um comentário do estudo Chris Stringer, professor do Museu Britânico de História Natural. Se os australasiáticos atuais têm DNA neandertal, isto se deve a que seus antepassados atravessaram um território ocupado por Neandertais e se misturaram com os locais.

“Os ancestrais dos australasiáticos, com ‘input’ similar de DNA neandertal ao dos eurasiáticos, devem ter participado de uma dispersão tardia, e não precoce, no território neandertal”, afirmou Stringer. “Embora ainda seja possível que os humanos modernos tenham atravessado o sul da Ásia antes de 60.000 anos atrás, estes grupos podem não ter dado uma contribuição significativa às populações modernas remanescentes”, prosseguiu.

Antropólogos sugerem que um ramo de Eurasiáticos do norte fez a travessia para onde hoje fica o Alasca mais de 15.000 anos atrás, através de uma “ponte de gelo”, que conectava as ilhas d Estreito de Bering, habilitando o “Homo sapiens” a colonizar as Américas.

Com informações: AFP