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Tag: Amazônia


19:05 · 09.10.2017 / atualizado às 19:05 · 09.10.2017 por
Os cientistas utilizaram o 5-MeO-DMT, que está presente em drogas psicodélicas como o chá de ayahuasca – uma planta da Amazônia utilizada ritualmente por indígenas para produzir estados alterados de consciência Foto: Aya Healing Retreats

Com estudos feitos em organoides celulares conhecidos como “minicérebros”, um grupo de cientistas brasileiros mostrou como uma substância psicodélica produz alterações benéficas em circuitos cerebrais associados à neuroplasticidade, à inflamação e à neurodegeneração.

A pesquisa, publicada nesta segunda-feira (9), na revista científica Scientific Reports, é a primeira a revelar as alterações que drogas psicodélicas causam no funcionamento molecular do tecido neural humano. De acordo com os autores, os resultados ajudam a explicar os efeitos antidepressivos e anti-inflamatórios que as substâncias psicodélicas vêm mostrando em diversos outros estudos.

No experimento, os cientistas utilizaram o 5-MeO-DMT, um composto da família da dimetiltriptamina, que está presente em drogas psicodélicas como o MDMA, o LSD e o chá de ayahuasca – uma planta da Amazônia utilizada ritualmente por indígenas para produzir estados alterados de consciência.

“Pela primeira vez pudemos descrever mudanças relacionadas a psicodélicos no funcionamento do tecido neural humano”, disse o autor principal do estudo, Stevens Rehen, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino.

Ganho de espaço

As drogas psicodélicas estão cada vez mais ganhando espaço nos laboratórios de pesquisas. Diversos grupos internacionais têm feito estudos e experimentos com essas substâncias a fim de desenvolver terapias para problemas psiquiátricos como ansiedade, depressão, estresse pós-traumático e para a dependência de drogas como álcool, cocaína, heroína e crack.

Apesar dos resultados promissores em um número cada vez maior de pesquisas, a identificação dos circuitos moleculares envolvidos com a ação dos psicodélicos no cérebro era limitada pelas restrições para estudos com essas substâncias e pela falta de ferramentas biológicas apropriadas. Para estudar os efeitos do DMT, Vania Dakic, do Idor e Juliana Minardi Nascimento, do Idor e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) expuseram os organoides cerebrais – que são culturas de células neurais tridimensionais que imitam um cérebro em desenvolvimento – a uma única dose do psicodélico.

Depois de receber o psicodélico, os “minicérebros” foram submetidos a uma análise proteômica – isto é, um mapeamento do conjunto de proteínas neles presentes – com uma técnica espectrometria de massas. Eles conseguiram assim observar alterações na expressão de cerca de mil proteínas – e conseguiram identificar qual o papel dessas proteínas no cérebro humano.

Proteínas

Os cientistas descobriram que proteínas importantes para a formação das sinapses tiveram uma regulação positiva – entre elas, proteínas relacionadas aos mecanismos celulares de aprendizado e memória, que são componentes centrais do funcionamento do cérebro. Por outro lado, proteínas envolvidas em inflamação, degeneração e lesão cerebral tiveram uma regulação negativa, sugerindo que a substância psicodélica tem um potencial papel de proteção neural. “Os resultados sugerem que os psicodélicos clássicos são poderosos indutores da neuroplasticidade – uma ferramenta de transformação psicobiológica sobre a qual sabemos muito pouco”, disse outro dos autores do novo estudo Sidarta Ribeiro, diretor do Instituto do Cérebro, ligado à UFRN.

“”O estudo sugere possíveis mecanismos pelos quais essas substâncias exercem seus efeitos antidepressivos, que temos observado em nossas pesquisas. Nosso estudo reforça o potencial clínico escondido dessas substâncias que estão hoje sob restrições legais, mas que merecem total atenção das comunidades médica e científica”, afirmou outro dos autores, Draulio Araújo, professor da UFRN.

Com informações: Estadão Conteúdo

20:13 · 06.02.2017 / atualizado às 21:13 · 06.02.2017 por
Embora o propósito dessas centenas de valetas permaneçam um mistério, cientistas afirmam que podem ter servido como locais de ritual. Foto: Jennifer Watling

Muito antes de os europeus terem chegado às Américas em 1492, a floresta amazônica foi transformada durante milhares de anos pelos povos indígenas, que escavaram mais de 400 círculos misteriosos na paisagem acriana – informaram cientistas nesta segunda-feira (6).

Embora o propósito dessas centenas de valetas, ou geoglifos, permaneçam um mistério, cientistas afirmam que podem ter servido como locais de ritual. Juntamente com fotos aéreas, o desmatamento moderno ajudou a revelar cerca de 450 desses desenhos no estado do Acre, oeste da Amazônia brasileira.

“O fato de esses locais terem ficado escondidos sob a floresta tropical madura realmente muda a ideia de que as florestas amazônicas são ‘ecossistemas intocados'”, afirmou a principal autora do estudo, Jennifer Watling, pesquisadora de Pós-Doutorado do Museu de Arqueologia e Etnografia na USP (Universidade de São Paulo). Arqueólogos descobriram pouquíssimos artefatos dos locais e cientistas suspeitam que as estruturas – que se estendem por 13.000 quilômetros quadrados – não foram construídas para criar cidades, ou por razões de defesa.

Ao invés disso, eles acreditam que os humanos alteraram florestas de bambu e criaram clareiras pequenas e temporárias, “concentrando-se em espécies de árvores economicamente valiosas, como palmeiras, criando uma espécie de ‘supermercado pré-histórico’ de úteis produtos florestais”, destacou o estudo publicado na publicação científica americana Proceedings of the National Academy of Sciences.

O estudo se baseou em técnicas inovadoras usadas para reconstruir cerca de 6.000 anos de histórico da vegetação e de fogo ao redor de dois sítios, contendo geoglifos. Watling, que realizou a pesquisa enquanto estudava na Universidade de Exeter, na Grã-Bretanha, disse que as descobertas mostram que a região não foi intocada pelos humanos no passado, contrariando a crença popular.

“Nossa evidência de que as florestas amazônicas foram manejadas por povos indígenas muito antes do contato com os europeus não deveria ser usada como justificativa para as formas destrutivas e insustentáveis de uso do solo praticadas hoje”, acrescentou.

“Deveria, ao contrário, servir para destacar a ingenuidade dos regimes de subsistência no passado que não levam à degradação florestal e a importância dos povos indígenas na descoberta de alternativas mais sustentáveis para o uso do solo”, concluiu.

Com informações: AFP

22:21 · 22.03.2015 / atualizado às 22:29 · 22.03.2015 por
Foto: Portal Amazônia
De acordo com o boletim, em fevereiro de 2015, a maior parte da devastação foi observada no Mato Grosso (37%) Foto: O Globo/Portal Amazônia

Em fevereiro deste ano, o desmatamento na Amazônia foi de 42 km², um aumento de 282% em relação ao mesmo mês de 2014, quando foram devastados 11 km².

Os dados foram detectados pelo Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia). A ONG opera o sistema de alerta SAD, similar ao Deter, mantido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para o Ministério do Meio Ambiente.

Cinco estados

De acordo com o boletim, em fevereiro de 2015, a maior parte da devastação foi observada no Mato Grosso (37%) e em Roraima (28%), seguidos por Amazonas (16%), Pará (14%) e Rondônia (5%).

Com informações: Folhapress

17:28 · 16.12.2014 / atualizado às 17:41 · 16.12.2014 por
Foto: Unemat
Foram avistados três macacos do gênero Pithecia, conhecido popularmente como ‘parauacus’. Estes macacos não eram conhecidos cientificamente para esta região e, além disso, como estes grupos observados apresentaram características diferentes das espécies já conhecidas Foto: Unemat

Pesquisadores do Laboratório de Mastozoologia, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), descobriram o que pode ser uma nova espécie de macaco na região de transição entre Amazônia e Pantanal.

O mestrando Almério Gusmão, orientado pelo professor Manoel dos Santos Filho, observou no final de novembro deste ano, durante atividades de campo, três macacos do gênero Pithecia, conhecido popularmente como ‘parauacus’.

Estes macacos não eram conhecidos cientificamente para esta região e, além disso, como estes grupos observados apresentaram características diferentes das espécies já conhecidas, os pesquisadores ainda não os agruparam em nível de espécie.

O próximo passo agora é analisar mais detalhadamente os animais e verificar se se trata de uma nova espécie ou uma variação geográfica de alguma já descrita.

Diversidade pouco conhecida

O Brasil possui a maior diversidade de primatas do planeta e, mesmo assim, ainda é pouco conhecida cientificamente.

No Estado de Mato Grosso existem três biomas e várias localidades com poucos conhecimentos sobre sua diversidade.

A preocupação dos pesquisadores é que estes animais estão em uma região onde a vegetação nativa foi quase totalmente removida para a implantação da agricultura e da pecuária.

Com essa preocupação, o Laboratório de Mastozoologia, coordenado pelo professor Manoel, vem desenvolvendo projetos para investigar a ecologia nesses fragmentos. Atualmente, trabalham com primatas na região sul da Amazônia e no Pantanal mato-grossense.

Os locais onde foram observados os animais são pequenos fragmentos de floresta isolados entre si e não existem unidades de conservação próximas. Isso implica problemas para a conservação, uma vez que decorrente da perda de habitat e do isolamento das poucas populações ainda existentes na região, já há o risco de extinção desta espécie de parauacu.

Com informações: Fotos Públicas

21:20 · 18.08.2014 / atualizado às 18:36 · 18.08.2014 por
Foto: Jurgen Kesselmeier
A torre funcionará ininterruptamente, e terá vida útil estimada entre 20 e 30 anos. Estão previstas também quatro torres menores – com 80 metros de altura, cada Foto: Jurgen Kesselmeier

A floresta tropical da Amazônia vai ganhar, ainda este ano, uma torre de 325 metros de altura para observação de mudanças climáticas na região. A previsão é de que a obra seja concluída em novembro próximo.

A Atto (sigla em inglês para Amazon Tall Tower Observatory), será resultado de parceria entre Brasil e Alemanha, que vão investir R$ 7,5 milhões no observatório, que teve suas bases lançadas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, a 150 km de Manaus.

Como um dos ecossistemas mais sensíveis do planeta, que desempenha papel importante na estabilização do clima, o objetivo da torre é medir os impactos das mudanças climáticas globais nas florestas de terra firme da Amazônia, medindo a interação da floresta com a atmosfera.

Além disso, a torre também servirá para pesquisas inéditas de química da atmosfera, como trocas gasosas, reações químicas e aerossóis, processos de transporte de massa e energia na camada limite da atmosfera.

Pioneirismo na América do Sul

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o local de instalação da torre foi escolhido após uma série de estudos em conjunto com o Instituto Max Planck, da Alemanha, e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Os técnicos optaram por uma área de terra firme na floresta – ambiente mais comum na variada paisagem amazônica. A Torre Atto será a primeira do tipo na América do Sul, quatro vezes mais alta do que a atual torre de observação do Inpa, que tem 80 metros.

A torre funcionará ininterruptamente, e terá vida útil estimada entre 20 e 30 anos. Estão previstas também quatro torres menores – com 80 metros de altura, cada – em volta da Torre Atto, com o objetivo de medir fluxos e transportes horizontais, dando auxilio na obtenção de dados da torre principal.

A estrutura de observação climática é um empreendimento conjunto, liderado pelo Inpa, Instituto Max Planck e pela UEA, mas com participação também de outras instituições.

Com informações: Agência Brasil

17:35 · 05.08.2014 / atualizado às 17:45 · 05.08.2014 por
Foto: Dr. Marco Tschaoka
Depois de passar meses tentando capturar espécimes do Myotis midastactus, pesquisador realizou análises de 27 exemplares guardados em museus dos EUA e do Brasil Foto: Dr. Marco Tschapka

Uma nova espécie de morcego dourado foi descoberta na Bolívia pelo pesquisador brasileiro Ricardo Moratelli.

O Myotis midastactus foi descrito na revista científica Mammalogy por Moratelli, da Fundação Oswaldo Cruz, do Rio de Janeiro, e Don Wilson, do Instituto Smithsoniano, de Washington.

Anteriormente, o quiróptero (ordem a que pertencem os morcegos) vinha sendo erroneamente identificado na América do Sul como um Myotis simus. No entanto, uma análise mais detalhada de espécimes de museu provou que se tratava de uma espécie diferente. Acredita-se que ela seja encontrada apenas na Bolívia.

A característica mais marcante deste morcego é a sua curta pelagem amarelo-dourada. Existem mais de 100 espécies dentro do gênero Myotis – morcegos com orelhas semelhantes a ratos – no mundo. Mas a coloração rendeu à espécie o complemento midastactus, ou toque de Midas, em alusão à lenda do rei grego que transformava em ouro tudo o que tocava.

O mamífero vive na savana amazônica da Bolívia e se alimenta de pequenos insetos, dormindo durante o dia em tocas no chão, em árvores ocas ou telhados de palha.

Espécies engavetadas

O professor Moratelli já tinha publicado um estudo em 2011 analisando as diferenças entre morcegos da Amazônia boliviana e dos países vizinhos.

Depois de passar meses tentando capturar, sem sucesso, espécimes vivos do Myotis midastactus, Moratelli realizou análises de 27 exemplares guardados em museus dos Estados Unidos e do Brasil, até confirmar a existência da nova espécie.

“Posso dizer com confiança que várias novas espécies de grupos zoológicos distintos estão engavetadas em museus ao redor do mundo, aguardando reconhecimento e uma descrição formal”, disse ele.

Quinta descoberta

A Myotis midastactus foi a quinta espécie de morcego descoberta pelo professor Moratelli.

Ele também foi responsável pela descrição do Myotis diminutus, um pequeno morcego que vive nos Andes equatorianos; do Myotis lavali no Nordeste; pelo Myotis izecksohni, que vive na Mata Atlântica; e pelo Myotis handleyi das montanhas do norte da Venezuela.

Com informações: BBC Brasil/ Portal Terra

16:47 · 05.06.2014 / atualizado às 17:05 · 05.06.2014 por
Foto: Blog Notícia Jato
Relatório indica que o governo brasileiro reduziu o desmatamento na Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, por meio da criação de áreas de proteção ambiental a partir da segunda metade da década de 1990 Foto: Blog Notícia Jato

Um relatório divulgado nesta quinta-feira (5) na reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre mudanças climáticas, destacou o Brasil como exemplo de sucesso na redução do desmatamento e das emissões de gases de efeito estufa.

Produzido pela Union of Concerned Scientists (UCS), com sede nos Estados Unidos, o documento intitulado Histórias de Sucesso no Âmbito do Desmatamento: Nações Tropicais Onde as Políticas de Proteção e Reflorestamento Deram Resultado traz um capítulo dedicado ao Brasil, apresentado como o país que fez as maiores reduções no desmatamento e nas emissões em todo o mundo.

Dezesseis países da África, América Latina e Ásia também são citados como exemplos de sucesso na proteção às florestas. O relatório indica que o governo brasileiro reduziu o desmatamento na Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, por meio da criação de áreas de proteção ambiental a partir da segunda metade da década de 1990, com grande intensificação neste século, e as moratórias acordadas com empresas privadas sobre a compra de soja e carne de áreas desmatadas.

“As mudanças na Amazônia brasileira na década passada e a sua contribuição para atrasar o aquecimento global não têm precedentes”, diz o documento. De acordo com o principal autor do trabalho, Doug Boucher, o caso brasileiro mostra que o desenvolvimento econômico não é prejudicado pela redução do desmatamento.

“Por exemplo, as indústrias de soja e de carne bovina no Brasil prosperaram apesar das moratórias evitando o desmatamento”.

Papel indígena

O estudo destaca o papel desempenhado pelas reservas indígenas na conservação da Floresta Amazônica, iniciativas estaduais e a ação de promotores públicos de Justiça, “um braço independente do governo, separado do Poder Executivo e Legislativo, e com poderes para processar os responsáveis pela violação da lei”.

Também é citado o apoio internacional, como o acordo celebrado com a Noruega, que já repassou US$ 670 milhões em compensação pelas reduções das emissões. O documento é considerado de natureza não apenas financeira, mas também política e simbólica, mostrando o compromisso em apoiar os esforços dos países tropicais.

Em relação ao futuro, no entanto, o relatório informa que duas mudanças em 2013 levantaram dúvidas sobre a continuidade do sucesso do país na área climática: as emendas ao Código Florestal Brasileiro que anistiam desmatamentos anteriores e o aumento de 28% na taxa de desmatamento entre 2012-2013 na comparação com o período 2011-2012.

A avaliação do documento é que ainda é muito cedo para prever se este crescimento será uma tendência, mas ressalta que, embora o desmatamento tenha aumentado 28% no ano passado, em relação a 2012, ele foi 9% menor ao registrado em 2011 e 70% inferior à media entre 1996 e 2005.

“Nesse meio tempo, a redução do desmatamento da Amazônia já trouxe uma grande contribuição no combate à mudança climática, mais do que qualquer outro país na Terra”, finaliza.

Com informações: Agência Brasil

23:18 · 23.01.2014 / atualizado às 23:30 · 23.01.2014 por
Boto-do-araguaia é anatomicamente muito similar ao boto cor-de-rosa mas difere nos dentes e no DNA Foto: Cristian Dimitrius
Boto-do-araguaia é anatomicamente muito similar ao boto cor-de-rosa mas difere nos dentes e no DNA Foto: Cristian Dimitrius

Cientistas da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) descobriram uma nova espécie de boto, a primeira descoberta desse gênero desde 1918. Eles suspeitam, no entanto, que a nova espécie encontrada já tenha vindo à tona sob risco de extinção.

No estudo publicado na revista especializada Plos One, os pesquisadores da UFAM dizem que a espécie batizada como boto do Araguaia é uma das cinco integrantes do gênero que também inclui o boto cor-de-rosa, da Amazônia. Os pesquisadores estimam que haja apenas mil botos dessa espécie vivendo no rio Araguaia.

O boto do Araguaia teria se diferenciado dos outros familiares do gênero há mais de dois milhões de anos, segundo o pesquisador Tomas Hrbek. “Foi tudo muito inesperado. É uma área onde as pessoas veem eles o tempo todo, já que são mamíferos grandes. Mas ninguém tinha notado (que era uma outra espécie)”, disse.

As diferenças com o boto cor-de-rosa seriam o número de dentes. A nova espécie também seria menor. Mas, a maioria das diferenças foram encontradas nos genes do animal. Ao analisar amostras de DNA de dezenas de botos dos dois rios, os pesquisadores concluíram que o do rio Araguaia era mesmo uma nova espécie.

Mas, mesmo depois destas análises, ainda pode haver questionamento. “Em ciência você nunca pode ter certeza de nada”, disse Hrbek. “Analisamos o DNA mitocondrial, o que é, essencialmente, análise de linhagens, e não há compartilhamento de linhagens. Os grupos que vimos, os haplótipos, têm uma relação muito mais próxima entre eles do que entre outros grupos. Para isto acontecer, os grupos devem ter ficado isolados uns dos outros por um período longo”, acrescentou.

“A divergência que observamos é maior do que as divergências observadas entre outras espécies de golfinhos”, afirmou.

Com informações: BBC Brasil

11:36 · 17.09.2013 / atualizado às 13:18 · 17.09.2013 por
Cacau, a matéria-prima do chocolate, começou a ser cultivado na pré-história equatoriana, chegou a América Central quinze séculos depois e hoje é cultivado em vários países, incluindo o Brasil. Na foto, plantação de cacau em Russas (CE) Foto: Divulgação
Cacau, a matéria-prima do chocolate, começou a ser cultivado na pré-história equatoriana, chegou a América Central quinze séculos depois e hoje é cultivado em vários países, incluindo o Brasil. Na foto, plantação de cacau em Russas (CE) Foto: Divulgação

A paixão do brasileiro pelo chocolate e outros derivados do fruto do cacaueiro pode ter uma explicação nas origens do cultivo do vegetal, bem mais próximas do nosso território. É que um estudo franco-equatoriano sugere que a cultura do cacau começou na Amazônia e não na América Central, como se acreditava anteriormente.

A pesquisa apontou que no sudeste do Equador, havia uma grande cultura do produto há cerca de 5.500 anos, quase 2.500 anos antes das evidências mais antigas encontradas em sítios arqueológicos relacionados ao povo Olmeca, que viveu entre  Guatemala, Honduras Nicarágua e México. O grupo encontrou evidências químicas e físicas de cacau da variedade “fino de aroma”, nos vestígios de recipientes encontrados na província de Zamora Chinchipe, na Amazônia equatoriana.

Francisco Valdez, que dirige a missão de pesquisa na jazida Santa Ana-La Florida que o cacau foi criado na alta Amazônia e de lá, de alguma forma, foi levado à América Central. “Na realidade, o cacau não é original dessa região, da América Central, como pensavámos até agora, pois se presume que, inclusive, há 7 mil anos ele já existia na bacia alta da Amazônia. Seu uso social foi iniciado cerca de 1.500 anos mais tarde, segundo as provas de carbono 14 em que foram submetidos os vestígios encontrados na cultura Mayo-Chinchipe-Marañón, que aparentemente se estendeu pela floresta peruana.

Para ele, a descoberta arqueológica poderia transformar a história americana como a mesma é conhecida atualmente. Segundo suas pesquisas, a cultura Mayo-Chinchipe-Marañón teve uma organização sofisticada e, aparentemente, teve relação com culturas dos Andes e da costa do Equador. O achado de conchas marinhas na floresta dá conta da relação entre os povos amazônicos com os do litoral, com os quais, seguramente, trocavam produtos de cada região.

Além de outros vegetais, como a mandioca, os amazônicos também levavam cacau para o litoral, onde também floresceu a cultura Valdivia, uma das mais antigas da América do Sul e que habitou a zona tropical do Equador há cerca de 6 mil anos. Segundo Valdez, esta e outras descobertas arqueológicas poderiam contrariar a história antiga, sobretudo a visão de que “a Amazônia era selvagem e que a floresta impedia o desenvolvimento de cultivos”.

Com informações: Portal Terra

11:59 · 04.09.2013 / atualizado às 12:39 · 03.09.2013 por
O Lipaugus vociferans, conhecido popularmente como cricrió, é um exemplo de ave que existe nas duas grandes florestas brasileiras Foto: Tomaz Melo / Universidade Federal do Acre
O Pipra rubrocapilla, conhecido popularmente como cabeça-encarnada, é um exemplo de ave que existe nas duas grandes florestas brasileiras Foto: Tomaz Melo / Universidade Federal do Acre

A análise do parentesco entre dezenas de espécies de aves da Mata Atlântica e da Floresta Amazônica levou o biólogo Henrique Batalha Filho a identificar dois períodos do passado distante em que esses dois ecossistemas, hoje separados por distâncias de até 1.500 quilômetros, estiveram conectados. O encontro remoto já tinha sido revelado por estudos anteriores com plantas e com mamíferos. Mas, até agora, não se sabia quando nem em quais trechos as florestas estiveram em contato.

Essas informações começaram a se tornar mais claras a partir de estudos que o biólogo desenvolveu com pássaros suboscíneos, cujos representantes mais ilustres são o bem-te-vi e o joão-de-barro. Batalha não trabalhou com essas duas espécies, mas com aves do mesmo grupo, como o tapaculo-pintado (Psilorhamphus guttatus), que vive na Mata Atlântica, o corneteiro-da-mata (Liosceles thoracicus), da Amazônia, e o cricrió (Lipaugus vociferans), encontrado nas duas florestas.

O mais antigo desses momentos aconteceu no Mioceno, há cerca de 23 milhões de anos, quando a placa tectônica do Pacífico chocou-se com a Sul- Americana e fez surgir a cordilheira dos Andes. As montanhas que se ergueram e formaram um paredão isolando a Amazônia do Pacífico também originaram canais elevados onde cresciam savanas inundadas, que podem ter atuado como pontes entre o sudoeste da Amazônia e o sudeste da Mata Atlântica, o que permitiu a circulação das aves.

As testemunhas dessa conexão mais antiga são o tapaculo-pintado, comum nos bambuzais da Mata Atlântica, e o corneteiro-da-mata, encontrado nas matas de várzea da Amazônia. Batalha explica que a existência de espécies muito aparentadas exclusivas de cada um dos biomas é evidência de uma conexão mais antiga, depois da qual houve tempo suficiente para que as aves se diferenciassem. Um exemplo ainda mais eloquente dessa divergência são os gêneros irmãos Mackenziaena e Frederickena. A existência de gêneros exclusivos de cada uma das florestas indica que, quando a rota sul se desfez, aves com um ancestral em comum permaneceram isoladas e acumularam diferenças o bastante para merecerem essa distinção taxonômica.

A segunda ligação deu-se mais recentemente, no Plioceno e no Pleistoceno, entre 5 milhões e 2 milhões de anos atrás, unindo a Mata Atlântica do litoral do Nordeste com a vegetação amazônica das Guianas e do estado do Pará, perto da ilha de Marajó, além das regiões dos rios Xingu e Tocantins-Araguaia. De acordo com Batalha, nessa região o principal fator que influenciou a diferenciação das espécies foram as glaciações. Para justificar a análise, ele recorre à Teoria dos Refúgios, formulada nos anos 1960 pelo biogeógrafo alemão Jurgen Haffer e aplicada à evolução da Amazônia no início dos anos 1970 pelo zoólogo brasileiro Paulo Vanzolinni.

De acordo com esse modelo, nos períodos de clima mais frio e seco em boa parte do continente americano, sobreviveram fragmentos de florestas, onde aves buscaram abrigo e se encontraram. “Nas glaciações, as regiões áridas tendem a se expandir e as matas encolhem. Mas a precipitação aumentou durante o Pleistoceno em alguns trechos da caatinga, segundo indica a maior deposição de cálcio em estalactites e estalagmites de cavernas”, explica Batalha. O resultado desse aumento nas chuvas foi o surgimento de uma área onde as aves conseguiam sobreviver.

Um indício forte dessa ligação mais recente é a existência de espécies que vivem tanto na Amazônia como na Mata Atlântica, mas não na faixa árida que separa as duas florestas. É o caso do pardo ou cinzento cricrió, que tem 25 centímetros e funciona como um sentinela da mata, e do cabeça-encarnada (Pipra rubrocapilla), cujos machos se exibem em danças coordenadas para atrair as fêmeas no período de acasalamento.

Com informações: Pesquisa Fapesp