Busca

Tag: Américas


19:52 · 16.08.2018 / atualizado às 19:52 · 16.08.2018 por
Relevos simbolizariam a fertilização da terra, pois as serpentes representam uma divindade vinculada à água que brota da terra e faz germinar à semente Foto: Agência Brasil

Uma nova parede com relevos com 3.800 anos de antiguidade foi descoberta nas ruínas de Vichama, uma das cidades da Civilização de Caral, considerada a mais antiga da América, anunciou a arqueóloga Ruth Shady, diretora das escavações e responsável por descobertas dessa cultura.

A imagem apresenta quatro cabeças humanas de olhos fechados, uma do lado da outra, e duas serpentes que se deslocam entre elas até chegarem em uma quinta cabeça não humana, que representaria uma semente antropomórfica, da qual saem cinco varinhas verticais fincadas na terra.

Os relevos simbolizariam a fertilização da terra, pois as serpentes representam uma divindade vinculada à água que brota da terra e faz germinar à semente, segundo a hipótese de Shady. Além disso, marcariam o final de um período de seca e crise de fome que atravessou essa sociedade e que foi representada em outras paredes descobertas anteriormente na mesma cidade.

Mudança climática

Essa nova descoberta reforça o trabalho de mostrar para os humanos atuais as dificuldades que a sociedade enfrentou devido à mudança climática e à escassez da água, que causou graves problemas à produtividade agrícola.

O muro, feito de adobe, está em Vichama, a cidade pesqueira de Caral. Essa civilização surgiu há 5 mil anos no Vale de Supe, a 180 quilômetros ao norte de Lima. Ele fica na entrada do salão cerimonial, principal ambiente desse complexo público.

A construção chegou a ter uma área de 874 metros quadrados e foi remodelada continuamente com janelas escalonadas e uma praça circular funda, que foi enterrada. As escavações em Vichama começaram em 2007 e estão a cargo da Zona Arqueológica Caral (ZAC), que desenterrou 22 construções em de 25 hectares, conforme os cálculos erigidos entre os anos 1.800 a.C e 1.500 a.C.

Os novos relevos foram revelados no marco do décimo primeiro aniversário dos trabalhos feitos em Vichama, cujas celebrações serão nos dias 31 de agosto e 1º de setembro.

Contemporânea a outras civilizações

A Civilização de Caral se desenvolveu nos vales próximos a Lima praticamente ao mesmo tempo que outras grandes culturas antigas, como Mesopotâmia, Egito, China e Tiwanaku, e a sua descoberta mudou o paradigma da conformação das grandes civilizações do Antigo Peru.

Com informações: Agência Brasil

17:49 · 04.01.2018 / atualizado às 17:50 · 04.01.2018 por
Foto: Ben Potter

A análise do DNA de um bebê que viveu há 11,5 mil anos no Alasca revelou a existência de uma antiga população da América do Norte que até agora permanecia desconhecida. De acordo com os autores do estudo, publicado na revista Nature, a descoberta levará a uma importante mudança nas teorias sobre como os humanos povoaram o continente americano.

A nova população foi batizada pelos cientistas de “antigos beringianos”, em alusão à Beríngia – a ponte terrestre coberta de gelo que, durante as glaciações, ligava o leste da Sibéria ao oeste do Alasca, onde hoje fica o estreito de Bering, que separa a Ásia da América do Norte.

“Nós não sabíamos que essa população existia. Esses dados também fornecem a primeira evidência direta da origem da população nativa americana, o que traz novas informações sobre como esses povos primitivos migraram e colonizaram a América do Norte”, disse um dos autores principais do estudo, Ben Potter, da Universidade do Alasca em Fairbanks.

De acordo com a análise genética e a modelagem demográfica feita pelos cientistas, um único grupo – que foi ancestral de todos os povos nativos das Américas – separou-se dos grupos asiáticos há cerca de 35 mil anos. Há cerca de 20 mil anos, esse grupo se dividiu novamente, dando origem aos antigos beringianos e aos ancestrais de todos os outros povos americanos.

O bebê fossilizado, uma menina que morreu seis semanas após o nascimento, foi batizado pela comunidade indígena local de “Xach’itee’aanenh T’eede Gaay”, que significa “menina do sol nascente”. Ela foi encontrada em 2013, no sítio arqueológico de Upward Sun River, junto a uma outra menina mais nova, que foi batizada de “Ye’kaanenh T’eede Gaay”, ou “menina da luz do amanhecer”.

“Seria difícil exagerar a importância da descoberta desse novo povo para o nosso conhecimento sobre como as antigas populações vieram habitar as Américas. Essa nova informação nos permite desenhar um quadro muito mais preciso da pré-história dos nativos americanos – que é muito mais complexa do que pensávamos”, afirmou Potter.

Cenários

A descoberta também sugere dois novos cenários para o povoamento das Américas.

Em um deles, um só grupo teria cruzado a ponte terrestre há cerca de 20 mil anos e então teria se dividido entre os antigos beringianos e os demais nativos americanos. O primeiro grupo teria permanecido no extremo norte do continente até o seu completo desaparecimento. O segundo grupo, após a retração das geleiras, teria migrado para o sul há 15,7 mil anos.

No outro cenário, dois grupos distintos de pessoas teriam cruzado a Beríngia. Os antigos beringianos teriam então se estabelecido ao norte, enquanto os ancestrais de todos os indígenas teriam migrado para o sul há 15,7 mil anos. Para Potter, o segundo cenário é mais plausível, porque para que houvesse uma só onda migratória a passagem pela Beríngia teria de ocorrer muito antes da divisão das duas populações. “O fundamento para esse cenário da migração de dois povos distintos é bastante forte. Não temos evidências de humanos na região da Beríngia há 20 mil anos.”

Segundo Potter, quando sua equipe começou a análise do material genético, esperava-se encontrar a conexão entre o perfil genômico dos fósseis encontrados no Alasca e o de outros povos nativos da América do Norte. Porém, o DNA dos fósseis não combinava com o de nenhuma outra população antiga.

Isso sugere, de acordo com o cientista, que os antigos beringianos permaneceram no extremo norte do continente por milhares de anos, enquanto os ancestrais dos povos indígenas se espalharam por todo o continente.

Travessia pelo litoral

Um dos autores do novo estudo, Eske Willerslev, da Universidade de Copenhague (Dinamarca), havia publicado em 2016 uma outra pesquisa que desmontava uma das principais teorias sobre a migração da Sibéria para o Alasca, que seria uma migração por terra pela Beríngia. Naquele trabalho, também publicado na Nature Willerslev mostrou que o corredor que tornaria o caminho possível entre as geleiras formou-se há 15 mil anos, mas só oferecia condições para a travessia há 12,6 mil anos. A presença humana no continente, porém, é confirmada por vestígios fósseis há pelo menos 13 mil anos.

De acordo Willerslev a hipótese mais plausível é que os povos da Ásia tenham migrado para a América viajando ao longo da costa do Oceano Pacífico – pela orla, ou por mar – o que poderia ter ocorrido há mais de 15 mil anos.

Com informações: Estadão Conteúdo

17:42 · 17.01.2017 / atualizado às 17:42 · 17.01.2017 por
Foto: CapHorniers
A região chilena é considerada o “centro mundial de diversidade de briófitas”, pequenas plantas que vivem em lugares úmidos Foto: CapHorniers

O Chile construirá o primeiro centro científico em Cabo Horn, o território mais meridional do continente americano, que esconde uma biodiversidade única de pequenas espécies de musgos, líquens e insetos.

Localizado dentro da Reserva da Biosfera Cabo de Horn, em Puerto Williams – a cidade mais meridional do mundo -, o Centro Subantártico Cabo Horn deve estar completamente operativo em 2018. O Cabo Horn é considerado o “centro mundial de diversidade de briófitas”, explicou nesta terça-feira, em coletiva de imprensa, o pesquisador Ricardo Rozzi sobre estas pequenas plantas que vivem em lugares úmidos.

A apenas cerca de 1.000 km de distância da Antártica, o Cabo Horn concentra 5% da diversidade mundial de briófitas em uma área que só representa 0,01% da superfície do planeta. Estas plantas e musgos são tão pequenas que só podem ser observadas com lupas, explica Rozzi, professor da Universidade de North Texas e da Universidade de Magallanes, no Chile, que destaca Cabo Horn como “a principal reserva da biosfera do continente para a pesquisa sobre as mudanças climáticas e a sustentabilidade da vida no planeta”.

Reserva da biosfera

A construção do centro faz parte de um plano de trabalho projetado na zona para os próximos 10 anos, que será apresentado pelo Estado do Chile à Unesco com o objetivo de ampliar o território que foi definido como reserva da biosfera em 2005.

O lugar abriga ecossistemas costeiros considerados essenciais para mitigar o aquecimento global: as florestas de kelp (algas), que por seus altos níveis de oxigênio, nutrientes e diversidade marinha conseguem capturar no processo de fotossíntese uma maior quantidade de dióxido de carbono da atmosfera.

Considerada a rota de comunicação mais ao sul entre o oceano Pacífico e o Atlântico, as águas de Cabo Horn, entre as mais tempestuosas do planeta, se tornaram cemitério de mais de 10.000 marinheiros e 800 navios desde o século XVII, de acordo com dados da Marinha Chilena.

Com informações: AFP

16:59 · 12.05.2014 / atualizado às 17:08 · 12.05.2014 por
Espécies Aedes aegypti e Aedes albopictus (foto), além de transmitir a dengue, podem ser vetores da febre chikungunya Foto: Blog Sintomas da Dengue
Espécies Aedes aegypti e Aedes albopictus (foto), além de transmitir a dengue, podem ser vetores da febre chikungunya Foto: Blog Sintomas da Dengue

O parasitologista Ricardo Lourenço, pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), tem uma preocupação  com relação à Copa que passa muito longe de aeroportos e estádios: a possibilidade de que entre no Brasil uma nova doença, a febre chikungunya.

O temor vem dos fortes indícios de que os mosquitos Aedes aegypti e A. albopictus – os mesmos que transmitem a dengue – são eficazes em transmitir a doença que já existe na África, na Ásia e na Europa, e recentemente chegou à América.

“A introdução do chikungunya no Brasil é inevitável”, afirma o epidemiologista Eduardo Massad, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. “Temos Aedes de sobra, eles são muito competentes em transmitir o vírus e uma proporção muito baixa deles está infectada com dengue.”

Mas ele não está preocupado com a Copa do Mundo, por acontecer numa época em que a densidade de mosquitos é muito menor, pelo menos nas regiões Sul e Sudeste. “No Norte talvez o risco seja maior”, admite. Para ele, o que mais requer atenção é o pico de turismo no Brasil coincidir – todos os anos – com a alta dos mosquitos, no verão.

“Eu também ficaria de olho na América do Norte”, alerta. Uma vez que o vírus se estabeleça por lá, o risco aumenta aqui também, devido aos deslocamentos constantes de viajantes.

Análise global

É exatamente a capacidade de os mosquitos transmitirem o chikungunya que foi foco do trabalho coordenado por Lourenço, que também inclui pesquisadores do Instituto Pasteur e da Universidade Pierre et Marie Curie, na França.

Eles avaliaram a suscetibilidade das duas espécies de mosquitos à infecção pelo chikungunya, e também a quantidade de vírus que chegam à saliva e podem infectar pessoas picadas. “Eles são competentes para transmitir a doença, mas a competência é heterogênea”, resume Lourenço.

O grupo analisou mosquitos recolhidos em 35 populações em vários pontos das Américas, diante de três tipos de vírus: o original africano, outro que se espalhou para a Índia e a Europa, e uma variedade asiática que começou a se disseminar pelo Caribe.No Brasil, foram analisados mosquitos provenientes de 10 cidades.

Rio preocupa

Os resultados para o Rio de Janeiro foram especialmente preocupantes: “Quase 90% dos mosquitos eram capazes de transmitir a doença sete dias após infectados”, conta.

Em alguns casos os mosquitos já tinham uma carga suficiente na saliva apenas dois dias depois de receberem os vírus, o que aumenta muito a possibilidade de serem vetores.

Segundo Lourenço, a transmissão da dengue pelas mesmas espécies é 2 a 5 vezes mais lenta: leva entre 10 e 14 dias.

É importante porque, nesse caso, a maior parte dos mosquitos acaba não sobrevivendo o suficiente para se tornar transmissor.

Mesmo assim, a epidemia de dengue muitas vezes preocupa.

Com informações: Pesquisa Fapesp

22:19 · 21.11.2013 / atualizado às 22:28 · 21.11.2013 por
Fóssil de menino com idade entre 3 e 4 anos, encontrado na Sibéria ajudou na formulação da hipótese Foto: Kelly Graf / Nature
Fóssil de menino com idade entre 3 e 4 anos, encontrado na Sibéria ajudou na formulação da hipótese Foto: Kelly Graf / Nature

O DNA de um menino da Sibéria, que morreu aos três ou quatro anos de idade, na fase mais severa da Era do Gelo, pode ser uma das pistas mais importantes para entender como o ser humano colonizou as Américas.

Segundo os cientistas que “leram” seu genoma, o garoto tem semelhanças genéticas tanto com europeus quanto com os indígenas atuais. E a recíproca é verdadeira. Os pesquisadores calculam que a antiga população à qual o menino pertencia seria responsável por algo entre 15% e 40% da herança genética dos índios.

Esse povo misterioso teria se misturado a outro, oriundo do leste da Ásia, para dar origem aos habitantes do continente americano. Há décadas alguns antropólogos argumentam que o povoamento da América pode ter envolvido dois grupos geneticamente distintos. Uma das vozes mais importantes desse grupo é o brasileiro Walter Neves, do Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos da USP.

O principal indício desse fato é a variedade no formato dos crânios dos mais antigos americanos, os paleoíndios -o exemplo mais famoso é “Luzia”, fóssil achado em Minas Gerais, com mais de 11 mil anos.

Segunda leva

Neves e seus colaboradores afirmam que o crânio de Luzia e de outros paleoíndios lembra mais o de aborígines australianos, melanésios e africanos do que o da maioria dos índios atuais, normalmente comparados a grupos do nordeste da Ásia.

A ideia é que a maioria dos ancestrais dos índios modernos teria integrado uma segunda leva migratória, que teria exterminado os paleoíndios ou se misturado a eles. “Nossos achados não apoiam diretamente o trabalho dos brasileiros”, disse Eske Willerslev, biólogo do Museu de História Natural da Dinamarca que coordenou o estudo, publicado na “Nature”.

“Parte do material genético da criança tem afinidades com grupos do sul da Ásia [região de origem dos paleoíndios, segundo Neves]. Então o artigo se alinha parcialmente à ideia deles.” Neves reagiu com cautela e ironia aos achados. “Eu podia estar comemorando, dizendo ‘olha, finalmente alguém fala de herança dual’. Mas vai depender da estabilidade dos trabalhos deles. Se os achados desse tipo continuarem, vou poder dizer que estive certo por 25 anos.”

Com informações: Folhapress