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Tag: anfíbios


19:10 · 30.09.2014 / atualizado às 19:18 · 30.09.2014 por
Foto: Blog Estudo Prático
Espécies de água doce, incluindo peixes, anfíbios e répteis como os crocodilianos, sofreram uma perda de 76%, em um percentual que representa o dobro do sofrido por espécies marinhas e terrestres Foto: Divulgação

Mais da metade dos animais selvagens que existiam na Terra há 40 anos desapareceu, e a maioria destas perdas ocorreu nas áreas tropicais da América Latina, segundo o último relatório “Planeta Vivo” do Fundo Mundial para a Natureza (WWF).

Sob o título “Espécies e Espaços, Pessoas e Lugares”, o relatório – a décima edição deste estudo bienal – recolhe as pesquisas realizadas sobre o destino de 10 mil espécies de vertebrados de 1970 a 2010. As espécies estão classificadas no Índice Planeta Vivo, um registro mantido pela Sociedade Zoológica de Londres. Além disso, o relatório mede o rastro ecológico da humanidade no planeta elaborado pela Global Footprint Network.

A principal conclusão do estudo é que as populações de peixes, aves, mamíferos, anfíbios e répteis decaiu em 52% desde 1970. As espécies de água doce sofreram uma perde de 76%, em um percentual que dobra as sofridas por espécies marinhas e terrestres. A maioria das perdas globais, por sua vez, provém das regiões tropicais da América Latina.

Rastro ecológico

Calcula-se que seria necessária uma Terra e meia para produzir os recursos necessários para equilibrar com o rastro ecológico da humanidade.

O relatório também destaca que o rastro ecológico é cinco vezes maior nos países desenvolvidos que nas nações em desenvolvimento, e lembram que se demonstrou que se podem elevar os níveis de vida da população e restringir ao mesmo tempo a exploração dos recursos naturais.

Os dez países com maior rastro ecológico são, na ordem, Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos, Dinamarca, Bélgica, Trinidad e Tobago, Cingapura, Estados Unidos, Bahrein e Suécia.

Com informações: EFE

23:14 · 11.05.2014 / atualizado às 23:16 · 11.05.2014 por
Foto: AP
Novas espécies pertencem a um grupo de anfíbios chamados popularmente de “sapos dançarinos” Foto: AP

Cientistas indianos dizem ter descoberto 14 novas espécies dos chamados “sapos dançarinos” nas florestas no sul do país.

Os anfíbios ganharam esse nome por causa dos movimentos feitos durante o acasalamento, quando o macho dá vários “chutes” nas fêmeas.

Apesar da euforia pela descoberta, os cientistas alertaram que 80% dos sapos das novas espécies descobertas vivem fora de áreas de proteção ambiental e seus habitats estão sendo destruídos.

As descobertas foram resultado de mais de 12 anos de pesquisas nas florestas ao sul da Índia. “Trata-se de uma descoberta surpreendente de um grande número de espécies”, afirmou Sathyabhama Das Biju, cientista responsável pelas pesquisas.

Os fatos foram publicados na revista científica Ceylon Journal of Science e decorrem de uma pesquisa conduzida numa cadeia de montanhas que se estende por todo o Estado de Maharashtra, paralela à costa oeste da Índia.

Com informações: BBC Brasil

08:41 · 14.10.2013 / atualizado às 13:20 · 14.10.2013 por
Espécie de inseto pode representar todo um novo gênero desconhecido. Gênero é um nível de classificação dos seres vivos, inferior a família, que reúne muito espécies aparentadas entre si, compartilhando ancestrais comuns que viveram geralmente há menos de 2 milhões de anos Foto: Piotr Naskrecki
A espécie de inseto, batizada como Pseudophyllinae teleutini, pode representar todo um novo gênero desconhecido. Gênero é um nível de classificação dos seres vivos, inferior a família, que reúne muito espécies aparentadas entre si, compartilhando ancestrais comuns que viveram geralmente há menos de 2 milhões de anos Foto: Piotr Naskrecki

Um país vizinho do Brasil, mas ainda quase desconhecido dos brasileiros, abriga uma das maiores biodiversidades do mundo, o Suriname. Na última semana veio de lá uma das maiores descobertas de novas espécies da década. Uma expedição de 16 biólogos encontrou cerca de 60 novas espécies, incluindo anfíbios, répteis, peixes e insetos.

O achado foi realizado no sudeste surinamês, em uma das áreas florestais mais remotas daquele País. A maioria absoluta das novas espécies descobertas deve ser endêmica, ou seja, só habitam aquela região do planeta. Há inclusive uma espécie de inseto que deve representar todo um novo gênero, o que é relativamente raro.

A expedição aconteceu ao longo de 2012. Além de insetos, foram encontradas 6 novas espécies de rãs, 11 de peixes e uma de serpente. As descobertas foram feitos no alto da bacia do rio Palumeu, onde, por exemplo, se notificou a existência da rã cocoa, uma espécie de cor marrom que vive nas árvores e cuja forma arredondada de seus dedos facilita sua permanência em cima das árvores.

“Como outros anfíbios, sua pele quase permeável a torna muito sensível a mudanças ambientais, especialmente de água”, disse o diretor do projeto de exploração, Trond Larsen, ao apresentar os resultados. O cientista ressaltou que a descoberta desta nova espécie tem uma particular importância ao se levar em conta que, só nas três últimas décadas, 100 espécies de rãs desapareceram em todo o mundo.

Outro dos achados mais chamativos da expedição foi um pequeno besouro liliputiense de apenas 2,3 milímetros considerado, provavelmente, o segundo menor da América do Sul e que possui uma antena que lhe permite captar odores a longas distâncias. “Os besouros têm um papel fundamental na cadeia ecológica e ajudam a manter os ecossistemas”, explicou o cientista, após lembrar que esses insetos regulam a presença de parasitas e doenças, dispersam sementes e reciclam nutrientes que favorecem o crescimento da vegetação.

O país das florestas

O Suriname é um território que contém 25% de toda a superfície mundial de floresta pluvial e 95% de seu terreno é composto por florestas, segundo dados de Conservação Internacional. O estudo que levou ao achado biológico teve apoio da Fundação para a Conservação do Suriname, a Universidade Anton de Kom do Suriname, os Museus de Zoologia Comparada da Universidade de Harvard e de Ciências Naturais da Carolina do Norte, e o Instituto de Biodiversidade da Universidade do Kansas.

Com informações: Portal Terra

01:50 · 18.03.2013 / atualizado às 05:12 · 18.03.2013 por
Rã extinta em 1983 punha ovos, mas os engolia e os incubava no estômago para depois dar a luz pela boca Imagem: Universidade de Adelaide
Rã extinta em 1983 punha ovos, mas os engolia e os incubava no estômago, para depois dar a luz pela boca Imagem: Universidade de Adelaide

Ainda não foi dessa vez que “ressuscitaram” um “monstro” pré-histórico e nem sequer dá para dizer que o experimento foi totalmente bem sucedido, mas um grupo de cientistas australianos (ligados ao Projeto Lazarus) chegou muito perto de “ressuscitar” uma exótica espécie de rã daquele país, extinta há 30 anos.

A Rheobatrachus silus vivia no leste da Austrália até 1983 quando foi declarada extinta. Dois anos depois, seu parente mais próximo a rã Rheobatrachus vitellinus, que vivia mais ao norte, também desapareceu do planeta. As duas espécies tinham uma característica um tanto quanto bizarra de “dar a luz” pela boca, dias após a fêmea engolir os ovos e incubá-los no estômago.  O processo era possível porque a secreção dos sucos digestivos era interrompida, enquanto os ovos habitavam o estômago das fêmeas. Os girinos excretavam algum tipo de enzima que inibia a digestão gástrica.

Para tentar “reviver” a espécie extinta há mais tempo foram utilizadas técnicas de clonagem. Os pesquisadores conseguiram implantar de forma bem-sucedida núcleos retirados de células “mortas” do animal, que estavam congeladas há anos, em células de outra espécie aparentada, a Mixophyes fasciolatus (as três espécies citadas até aqui pertencem à ordem anura)Ao substituir o núcleo ativo das células da espécie “barriga de aluguel” pelo núcleo da rã extinta, os cientistas conseguiram que ocorresse espontaneamente a divisão celular e que novas células surgissem. Os embriões, no entanto, morreram após alguns dias.

Exemplar de Rheobatrachus silus foi criopreservada nos anos 1980 e agora suas células serviram de base para experimento que quase trouxe a espécie de volta à vida Imagem: National Geographic
Exemplar de Rheobatrachus silus foi criopreservada nos anos 1980 e agora suas células serviram de base para experimento que quase trouxe a espécie de volta à vida Imagem: National Geographic

Apesar disso, testes genéticos confirmaram que as novas células obtidas continham material genético da rã extinta. “Nós reativamos células mortas usando células vivas e ‘revivemos’ o genoma da rã extinta no processo. Agora nós temos células preservadas criogenicamente (congeladas) do animal extinto, para usar em futuros experimentos. Estamos confiantes que os obstáculos agora são tecnológicos e não biológicos, e que vamos ser bem-sucedidos”, previu o professor Mike Archer, da Universidade de New South Wales, em Sydney.

“Ressurreição” de espécies animais extintas ainda é feito inédito

O Ceará Científico já noticiou a “ressurreição” de uma espécie vegetal na Rússia, embora por um método diferente da clonagem. Na verdade, naquele caso foi feita a reativação de uma semente da espécie Silene stenophylla que estava congelada há 32 mil anos no permafrost siberiano. Alguns cientistas também dizem ter conseguido reativar esporos bacterianos inativos há milhões de anos, mas nunca um animal extinto havia sido ressuscitado.

Embora a experiência australiana ainda não tenha trazido de volta a rã exótica, o desenvolvimento de embriões já é o maior feito até hoje para aqueles que esperam fazer uma versão mais realista do Jurassic Park imaginado pelo cineasta Steven Spielberg, onde viveriam dinossauros ressuscitados por clonagem de seus DNAs. Na verdade, sabe-se que isso seria muito improvável já que o DNA é uma molécula que em condições normais não sobreviveria a 65 milhões de anos (ou mais) de transformações planetárias.

No entanto, animais pré-históricos extintos há menos tempo  ou aqueles que foram levados à extinção pelas mãos humanas como o tilacino, o dodo, entre outros, poderiam ser ressuscitados caso a técnica australiana ou outras técnicas paralelas experimentadas ao redor mundo avancem. O blog já noticiou a iniciativa russo-coreana para ressuscitar o mamute e a iniciativa estadunidense de “ressuscitar” o parente extinto mais próximo de nós: o neandertal. Assim, quem sabe os fãs da saga de animação “A Era do Gelo” venham a conhecer pessoalmente, num futuro próximo, os animais retratados no filme.

21:10 · 21.02.2013 / atualizado às 22:12 · 21.02.2013 por
Asteroide que caiu na Austrália, há 360 milhões de anos, tinha dimensões similares ao do 433 Eros, que tem como ponto de maior aproximação com a Terra a distância de 26,4 milhões de km Imagem: Nasa
Asteroide que caiu na Austrália, há 360 milhões de anos, tinha dimensões similares ao do 433 Eros, que tem como ponto de maior aproximação com a Terra a distância de 26,4 milhões de km Imagem: Nasa

Não tem jeito. O assunto asteroides-meteoroides é o que está em maior evidência na comunidade científica em fevereiro.

Menos de uma semana após a queda de um meteorito na Rússia e da passagem do asteroide DA 2014, cientistas de uma universidade australiana descobriram naquele país a terceira maior cratera de impacto de um asteroide com a Terra.

Medindo 200 km de diâmetro (cerca de 40 km a mais que a cratera formada pelo asteroide que matou os dinossauros), a cratera encontrada na bacia de East Warburton, no sul da Austrália, foi datada como tendo 360 milhões de anos.

A data coincide com a terceira maior extinção em massa conhecida pela ciência, a do Devoniano Superior. Estima-se que entre 70% e 83% das espécies marinhas foram extintas. Vale lembrar que naquele período poucos grupos vegetais  e animais (principalmente artrópodes e anfíbios) tinham se aventurado em terra firme. 

De acordo com o pesquisador Andrew Glikson, da Universidade Nacional da Austrália, o asteroide media entre 10 e 20 km de diâmetro. “É um achado. O que realmente impressiona é a extensão da zona de impacto. Passei meses em um laboratório fazendo testes com microscópio para medir as orientações dos cristais e constatei que as rochas encontradas no local apresentavam marcas de um impacto extraterrestre”, explicou.

Ainda segundo Glikson, “a queda desse asteroide sobre a Terra provocou um impacto não só regional como também mundial”. O asteroide provocou uma imensa cratera atualmente encoberta por uma camada de 3 km de sedimentos. Ao cair, com certeza provocou gigantescas nuvens de fumaça e vapor qu cobriram a Terra. Asteroides deste tamanho entram em colisão com o nosso planeta uma vez a cada dezenas ou até centenas de milhões de anos.

Fóssil do peixe placodermo Dunkleosteus, extinto possivelmente após impacto de asteroide na Auastrália e  das mudanças climáticas subsequentes Imagem: Blog Só Dinossauros
Fóssil do peixe placodermo Dunkleosteus, extinto possivelmente após impacto de asteroide na Auastrália e das mudanças climáticas subsequentes Imagem: Blog Só Dinossauros

Répteis, sementes e insetos modernos podem ter surgido graças ao choque

A extinção do Devoniano superior afetou principalmente grupos de invertebrados marinhos como moluscos amonóides, braquiópodes, briozoários, corais, trilobitas,  além de vertebrados conodontes, peixes placodermos (os primeiros com mandíbulas evoluídas) e micro-organismos foraminíferos.

As populações vegetais terrestres (principalmente samambaias), bem como o fitoplâncton também sofreram grande redução. Mas o impacto parece ter favorecido de alguma forma a evolução dos anfíbios e artrópodes terrestres, especialmente os grupos ancestrais, respectivamente, de répteis e insetos. O primeiro grupo surgiu cerca de 40 milhões de anos depois, já o segundo grupo, embora já tivesse surgido cerca de 40 milhões de anos antes, ainda era pouco diversificado.

Para se ter uma ideia, há 360 milhões de anos não haviam insetos como besouros, moscas, mosquitos, mariposas, borboletas, formigas, abelhas e vespas. As formas mais comuns lembravam as libélulas (a maior delas tinha asas com até 70 centímetros de envergadura!), pulgas e traças.

Resfriamento do planeta causado pelo impacto do asteroide, há 360 milhões de anos, pode ter favorecido evolução de plantas com sementes, como os ancestrais dos atuais pinheiros Imagem: Marshmallow de Seattle
Resfriamento do planeta causado pelo impacto do asteroide, há 360 milhões de anos, pode ter favorecido evolução de plantas com sementes, como os ancestrais dos atuais pinheiros Imagem: Marshmallow de Seattle

A extinção em massa, causada pela queda de uma asteroide, pode ter acelerado as modificações em anfíbios e insetos primitivos para permitir a ascensão dos répteis e dos insetos modernos.

Além disso, pode ter acelerado a evolução dos vegetais com sementes (especialmente os ancestrais dos pinheiros), que surgiram pouco antes, há 370 milhões de anos. Esse tipo de vegetação marcaria o período seguinte, o Carbonífero, quando se formaram as maiores reservas de carvão do mundo.

Como os mamíferos descendem dos répteis e como a base da Revolução Industrial foi o carvão, também não é exagero afirmar que a nossa existência pode se dever não só a um (o que matou os dinossauros), mas a dois asteroides que se chocaram com o nosso planeta e mudaram o rumo da evolução da vida.

21:57 · 28.12.2012 / atualizado às 14:59 · 29.12.2012 por
Leptobrachium leucops é uma das 126 espécies descobertas no Mekong Imagem: Jodi JL Rowley

O ano de 2012 terminou com uma ótima notícia para biodiversidade do planeta. Bem, pelo menos a notícia ainda é boa.

É que uma equipe de pesquisadores ligados à WWF (sigla inglesa para Fundo Mundial para a Natureza) descobriu 126 novas espécies animais e vegetais no Sudeste Asiático, na região conhecida como Grande Mekong (Camboja, Laos, Mianmar, Tailândia, Vietnã e um pedaço da China).

Entre as novas espécies encontradas estão um morcego vietnamita batizado de Murina beelzebub por causa de “sua aparência maligna”, um peixe cego,  uma víbora de olhos vermelhos e dois sapos curiosos: um que canta como pássaro e outro com olhos bicolores (Leptobrachium leucops, na foto acima)

No entanto, apesar do clima positivo da descoberta, boa parte das novas espécies já sofre ameaça de extinção. “Ainda que essas descobertas (datadas de 2011) reforcem o Mekong como uma região de biodiversidade incrível, muitas dessas novas espécies já estão lutando para conseguir sobreviver em habitats que estão encolhendo”, afirma Nick Cox, diretor da WWF na região.

Desde 1997, mais de 1,7 mil espécies foram identificadas pelos cientistas na região. Segundo Cox, o rio Mekong, que atravessa a área pesquisada, “contém biodiversidade aquática que só perde para o rio Amazonas e a caça ilegal é um dos maiores desafios para a sobrevivência de muitas das espécies no sudeste da Ásia”, conclui.

05:37 · 10.02.2012 / atualizado às 01:51 · 11.02.2012 por

No terceiro post da série sobre as espécies animais ameaçadas de extinção que vivem ou transitam pelo território cearense. Chegou a vez de conhecermos melhor anfíbios e peixes, os ancestrais mais antigos dos vertebrados terrestres.

Há duas espécies de anfíbios e sete de peixes, sendo um peixe ósseo e seis peixes cartilaginosos, que correm risco de desaparecer da Terra, caso não sejam devidamente conhecidos e preservados.

Alguns tem localização muito restrita, vivendo apenas em um Estado ou município, mas outros viajam milhares de quilômetros pelo mundo todo. Em comum, no entanto, os grupos e espécies que mostraremos a seguir precisam da ajuda humana para sobreviver, nem que seja deixando-os viver em paz em seus respectivos territórios.

Anfíbios, os primeiros vertebrados a se aventurarem na terra firme

O Ictiostega deve ter sido um dos primeiros anfíbios, tendo vivido há cerca de 375 milhões de anos Imagem: Encyclopedia Britannica

Os anfíbios evoluíram no Período Devoniano (há cerca de 375 milhões de anos) e foram os predadores dominantes por pelo menos 100 milhões de anos até que começaram a perder espaço para seus descendentes os répteis.

Também foram muito afetados pela gigantesca extinção em massa que aconteceu no fim do Permiano (há 250 mihões de anos), quando a maioria das linhagens foi extinta.

Um pouco antes disso, há 290 milhões de anos, surgiram os ancestrais dos anfíbios modernos, tais como sapos e rãs, que sobreviveram a duas grandes extinções desde então.

Suas principais características incluem o fato de serem vertebrados pecilotérmicos (não mantém sozinhos sua própria temperatura) que não possuem bolsa amniótica e tem seu ciclo de vida dividido em duas fases: uma aquática e outra terrestre, apesar de haver exceções.

Na atualidade, estão identificadas cerca de seis mil espécies vivas de anfíbios, número aproximado ao de mamíferos e répteis, seus descendentes. Dessas, felizmente apenas duas espécies cearenses estão ameaçadas de extinção. Saiba mais sobre elas:

Rãzinha  (Adelophryne baturitensis )

Imagem: Arkive.org

É uma espécie endêmica do Ceará que habita folhiços em bromélias e beira de riachos. Foi catalogada apenas em 1994.

A espécie não é abundante na área de ocorrência, o que pode estar sendo afetado pelos longos períodos de ausência de chuva típicos do nosso clima.

Está classificada como vulnerável à extinção devido à perturbação humana, perda/degradação de habitat e por fatores naturais ligados aos próprios hábitos e características da espécie, bem como de seu habitat.

Rãzinha de Maranguape  (Adelophryne maranguapensis)

Imagem: Blog do Nurof

Assim como a espécie anterior, é observada no folhiço das bromélias, onde fazem posturas de 5 a6 ovos translúcidos. É comum observar os filhotes recém-eclodidos no local.

A espécie habita a Serra de Maranguape, onde grande parte da área foi substituída por plantio de bananeiras, porém o que traz esperança é que nos locais onde vive a espécie ela é registrada com frequência.

Apesar disso, sua situação é preocupante e está classificada como em perigo de extinção por conta de fatores como a perturbação humana e a perda/degradação de habitat.

PEIXES ÓSSEOS

Ilustração de um Cheiroleps, um dos primeiros peixes ósseos da Terra, que viveu há cerca de 400 milhões de anos Imagem: The Earth Through Time

Ao contrário do que acredita o senso comum, os peixes não formam um grupo único de animais, mas dois principais. O mais importante deles para a história da evolução humana é o grupo dos peixes ósseos, pois dele descendem anfíbios, répteis, aves e mamíferos como nós.

O grupo surgiu no período Siluriano (há 420 milhões de anos) e possui como diferencial de peixes mais primitivos, ossos, ou seja tecido ossificado internamente por substituição da cartilagem. Na linguagem popular, no entanto, os ossos desses peixes são conhecidos como espinhas.

Os peixes ósseos são os mais diversificados entre os vertebrados. São nada menos que 29 mil espécies. Nos mares cearenses há apenas uma espécie de peixe ósseo catalogada como em risco de extinção e ela é importante recurso na gastronomia local, a cioba. Saiba mais sobre ela:

Cioba (Lutjanus analis)

Imagem: Doug Perrine

É um peixe  presente no Atlântico Ocidental (incluindo mares cearenses) que pode chegar a 75 cm de comprimento. Tem coloração avermelhada com ventre mais claro e estrias escuras e douradas.

Em outras partes do Brasil, também é conhecido como areocó, ariocó, carapitanga, caraputanga, chioba, ciobinha, mulata, realito, vermelho-paramirim.

Em Portugal é conhecido simplesmente como pargo vermelho. É um peixe de carne muito saborosa e apreciada comercialmente.

Várias outras espécies do gênero Lutjanus são também conhecidas popularmente por cioba. Essa espécie está classificada apenas como “quase ameaçada”, devido principalmente à pesca excessiva.

PEIXES CARTILAGINOSOS

O Megalodon deve ter sido o maior peixe da Terra e um dos grandes rivais das baleias pré-históricas. Foi extinto há relativamente pouco tempo: 1,5 milhões de anos atrás Imagem: Wikipedia

Mais antigos que os peixes ósseos, surgiram há cerca de 461 milhões de anos. É o grupo que atinge as maiores dimensões na atualidade e compreende principalmente tubarões, raias e quimeras. O maior tubarão,o Megalodon, por exemplo, deve ter atingido perto de 25 metros e viveu entre 28 e 1,5 milhões de anos atrás.

São peixes geralmente oceânicos que possuem um esqueleto totalmente formado por cartilagem, mas coberta por um tecido específico, a cartilagem prismática calcificada.

Apresentam de 5a 7 fendas branquiais dos lados do corpo ou na região ventral da cabeça e gancho pélvico (também conhecido como clásper) um órgão de copulação dos machos. Podem ser ovíparos, ovovivíparos e até vivíparos (isso mesmo, alguns tubarões tem parto similar ao dos mamíferos).

Nas águas cearenses vivem  ou transitam seis espécies de peixes cartilaginosos, sendo cinco tubarões. Descubra mais sobre elas:

Tubarão-lixa (Ginglymostoma cirratum)

Imagem: Direct Sea Life

A espécie possui número de filhotes por parto varia entre 21 e 50. A alimentação é constituída basicamente de invertebrados bentônicos, como lagostas, camarões, caranguejos, ouriços-do-mar, polvos e moluscos.

É uma espécie caracterizada pelo corpo robusto,  cabeça achatada e barbilhões nasais que chegam até a boca. O comprimento máximo confirmado é de 3,08 metros e os filhotes nascem com 28 a 31 cm.

Ocorre em águas tropicais e subtropicais rasas, em habitat costeiro ou em plataformas insulares.

Os machos amadurecem com cerca de 2,25 m e entre 1 a 15 anos de idade, e as fêmeas entre 2,25 a 2,35 m e 15 a 20 anos de idade. A reprodução ocorre uma vez a cada 2 anos. São vivíparos.

É classificado como vulnerável à extinção devido à caça/captura excessiva e à perda/degradação de habitat.

Galha-branca-oceânico (Carcharhinus longimanus)

Imagem: MarineBio

Vive em zonas tropicais de águas quentes. Pode chegar a medir 4 metros e pesar até 168 quilos. É uma das três espécies que mais atacam seres humanos, daí serem mortos muitas vezes por pescadores.

O tubarão galha-branca-oceânico é relativamente corpulento. Seu focinho é curto e arredondado.  Seus dentes da maxila superior são triangulares com bordo serrilhados e os da inferior pontiagudos.

Em geral medem e pesam 2,5 m e 70 Kg, respectivamente. Os filhotes nascem com aproximadamente 60 e 65 cm. É classificado como vulnerável à extinção.

Tubarão-junteiro (Carcharhinus porosus)

Imagem: Florida Museum of Natural History

Há poucas informações sobre essa espécie, principalmente sobre seus hábitos em mares brasileiros.

Ela é classificada apenas como quase ameaçada, principalmente devido a esse relativo desconhecimento da comunidade científica.

Os machos podem medir cerca de 1,5 metros.

Ocorre do Golfo do México até o Brasil, incluindo o Ceará e também é observado no Oceano Pacífico do Golfo da Califórnia até o litoral do Peru.

Tubarão-toninha (Carcharhinus signatus)

Imagem: DiscoverLife

É uma espécie exclusiva do Oceano Atlântico, mas há poucas informações sobre seus hábitos e sua ocorrência no Ceará e no Brasil como um todo. Os machos podem medir até 2,8 metros.

Pode mergulhar até 600 m de profundidade em águas que oscilam entre 11 e 16 graus Celsius.

É observdo desde o litoral dos Estados Unidos, Caribes até a América do Sul e a costa da África.

É classificado como vulnerável à extinção.

Tubarão-baleia ( Rhincodon typus )

Imagem: Marine Bio

É a maior espécie de tubarão, identificada pelo corpo robusto, cabeça larga e achatada, boca em posição quase terminal e pela coloração, que inclui numerosas manchas e listras verticais.

O tamanho máximo reportado para esta espécie é de 20 m, pesando cerca de 35 toneladas. É encontrado em águas oceânicas. Apresenta comportamentos migratórios, incluindo passagens pela costa cearense.  Uma fêmea capturada em Taiwan continha 300 embriões medindo cerca de 55-60 cm.

A alimentação é constituída de grande variedade de organismos planctônicos e nectônicos, como crustáceos e pequenos peixes, os quais consome por uma estratégia de filtração e sucção.

É considerado como vulnerável à extinção.

Peixe-serra (Pristis pectinata)

Imagem: Critter Zone

É parente de tubarões e raias. Pode ser encontrado em estuários e ambientes costeiros e de manguezais, ocorrendo também em ambientes recifais.

O comprimento máximo observado na espécie é de 6 m. A espécie passou por um processo de redução de tamanho populacional muito rápido, sendo extirpado de grande parte de sua distribuição original no Atlântico.

É uma espécie caracterizada por uma expansão chamada de “serra” ou “catana”, que possui uma fileira de 23 a 30 dentes rostrais em cada um dos dois lados.

Possui o comprimento ao nascer de 75 a 85 cm; de maturidade, 2,7 m para machos e 3,6 m para fêmeas. A espécie é ovovivípara, com fecundidade variando em torno de 10 embriões

É classificado como em perigo de extinçã devido à caça/captura excessiva, perda/degradação de habitat.

Com Informações: ICMBio

07:52 · 08.02.2012 / atualizado às 23:05 · 12.02.2012 por

“Conhecer para preservar; preservar para conhecer”.

O antigo ditado ambientalista serviu de inspiração para a primeira sequência de reportagens do Ceará Científico.

Trata-se da série “Fauna: o  Ceará (ainda) tem disso sim!”, que tem como base de partida a matéria Ceará tem 55 espécies animais ameaçadas de extinção, publicada, também nesta quarta-feira (08), na versão online do caderno Regional.

Nos próximos quatro dias, nosso blog apresentará 55 espécies animais listadas como ameaçadas de extinção pelo Ministério do Meio Ambiente e que têm ocorrência observada ou prevista em nosso Estado.

São sete espécies de mamíferos, quinze de aves, quatro de répteis, duas de anfíbios, sete de peixes, uma de inseto, três de crustáceos, três de moluscos, duas de cnidários e onze de equinodermos. A cada dia vamos trazer informações sobre um ou mais grupos de animais e as espécies ameaçadas que vivem em terras alencarinas.

Hoje, vamos conhecer mamíferos e répteis ameaçados de extinção.  Quinta-feira é a vez das aves. Já na sexta-feira, mostraremos os anfíbios e os peixes. E para fechar, na segunda-feira (13), conheceremos os invertebrados que correm mais risco de desaparecer no Ceará.

Mamíferos, nossos parentes mais próximos

A espécie Hadrocodium wui, pode ser um dos mais antigos mamíferos; fósseis foram datados como sendo de 195 milhões de anos atrás. Imagem: American Association for the Advancement of Science

Os mamíferos são animais vertebrados, que se caracterizam pela presença de glândulas mamárias e pêlos. Já foram catalogadas pouco mais de 5,5 mil espécies.

Os mamíferos atuais descendem dos sinapsídeos, répteis que surgiram no Carbonífero Superior (há aproximadamente 300 milhões de anos). Mas os primeiros mamíferos verdadeiros apareceram no período Triássico (há 220 milhões de anos atrás).

No entanto, foi só após a extinção em massa de dinossauros (ocorrida há 65 milhões de anos) e outros grandes grupos que os mamíferos puderam alcançar seu auge.

Apesar disso, um pouco antes (há 70 milhões de anos) já existiam os primeiros primatas, nossos ancestrais mais proximos.

O homem moderno surgiu entre 200 e 400 mil anos atrás, mas os primeiros hominídeos podem ter surgido perto de 4 milhões de anos no passado.

No Ceará, vivem (ou transitam em nosso território) sete mamíferos ameaçados de extinção. Há um canídeo (recém-descoberto), três felídeos,  um sirênio, um quiróptero e um cetáceo.

Vamos conhecê-los um pouco melhor:

Cachorro-vinagre (Speothos venaticus)

Foto: UFPB/Divulgação

É o mais recentemente descoberto em terras cearenses, mais precisamente no município de Aratuba. Trata-se de um canídeo com corpo atarracado, orelhas, pernas e cauda bem curtas.

Seu comprimento médio é de 86,6 cm e o peso fica entre 5 e 7 kg. A coloração varia entre o marrom claro e o escuro. A gestação é de 67 dias, após a qual nascem de 3 a 4  filhotes.  A espécie é encontrada  até 1.500 m de altitude.  A dieta é altamente carnívora.

Está ameaçado pelo desmatamento, pela fragmentação e alteração de habitats, por doenças e pela caça. A espécie é classificada como vulnerável quanto ao risco de extinção, mas as populações no Ceará devem ser extremamente raras.

Gato-maracajá  (Leopardus tigrinus)

Imagem: Animal Earth

É a menor espécie de felino (ou felídeo) encontrada no Brasil e também uma das menos conhecidas. Tem porte semelhante ao do gato doméstico, podendo atingir  de 60, 4 cm até 82, 9 cm de comprimento e pesar de 1,5 a 3,5 kg.

A cor de fundo da espécie varia entre o amarelo-claro e o castanho-amarelado, sendo que não é incomum encontrar indivíduos completamente negros. As manchas são encontradas com grandes variações em suas formas e tamanhos, assim como na coloração de fundo.

Os filhotes nascem após uma gestação de 73 a 78 dias, podendo chegar a até 4. Ocorre desde o nível do mar a até 3.353 m de altitude. A dieta inclui pequenos mamíferos e lagartos.

Está ameaçado principalmente pela perda/fragmentação do habitat e tráfico ilegal e está em situação vulnerável, quanto ao grau de risco de desaparecer.

Jaguatirica (Leopardus pardalis mitis)

Imagem: Feline Conservation Trust

A jaguatirica tende a ser a espécie de felino dominante nas áreas de cobertura vegetal mais densa, especialmente nas matas úmidas que ocorrem desde o nível do mar até 3.800 m.

Tem corpo esbelto, cabeça e patas grandes e cauda pouco curta, caracterizada pela presença de manchas, numa pelagem de fundo amarelo-ocráceo. O comprimento pode atingir até 1,46 metros e o peso até 15,1 kg.

O período de gestação varia entre 70 e 85 dias, após o qual nascem de 1 a 4 filhotes. O potencial reprodutivo máximo de uma fêmea de sete anos, em vida livre, é de 5 a 7 filhotes. São solitários e noturnos.  Carnívora, come em média cerca de 700 g por dia.

Assim como as duas espécies anteriores é classificada como vulnerável ao risco de extinção e está ameaçada principalmente pela erda/alteração de habitat e pela caça.

Onça parda (Puma concolor greeni)

Imagem: ICMBio

É um felino de grande porte com coloração variando do marrom-acinzentado mais claro ao marrom-avermelhado mais escuro, com a ponta da cauda preta, podendo também apresentar uma linha escura na extremidade dorsal (costas).

O comprimento total para a espécie pode chegar até 2,30 metros, sendo que a cauda representa cerca de 35% deste total. O peso para animais adultos varia entre 34 a 48 kg para fêmeas e de 53 a 72 kg para machos.

Tem hábito crepuscular /noturno e é um dos carnívoros mais generalistas, apresentando uma dieta variada. Come desde pequenos mamíferos, répteis e aves, até presas maiores, como a capivara, e animais domésticos, como eqüinos, ovinos, bovinos e suínos.

A espécie ocorre em grande diversidade de biomas, do nível do mar até 5.800 m de altitude, em quase toda a América. Mas essa subespécie que ocorre no Ceará e em outras partes do Brasil também está vulnerável à extinção e é ameaçada pela perda/degradação de habitat e caça.

Morcego do nariz-achatado (Platyrrhinus recifinus)

Imagem: BoldSystems

São morcegos pequenos, têm coloração marrom-clara, sendo que o dorso é, mais escuro do que a parte ventral (barriga).  Possuem um par de listras no rosto e uma listra nas costas, todas brancas.

Há ainda poucas informações sobre os hábitos dessa espécie, mas sabe-se que ela ocorre nos biomas de caatinga, cerrado e Mata Atlântica.

Pode ser considerada como vulnerável à extinção e ameaçada pela perda/fragmentação de habitat e pela própria falta de conhecimento da comunidade científica sobre ela.

Peixe-boi marinho (Trichechus manatus)

Imagem: Aquasis / Divulgação

É de longe entre as espécies de mamíferos que ocorrem no Ceará, a que está mais ameaçada de extinção, sendo classificada como criticamente em perigo. Os principais fatores de ameaça são a caça, as capturas acidentais, a perda do hábitat, o assoreamento, o desmatamento e o trânsito de embarcações.

Pode medir, quando adulto, entre 2,5 e 4 m e pesar de 200 a 600 kg. É a espécie mais conhecida entre os sirênios. Estudo de determinação da idade do peixe-boi marinho, feito com base na contagem de crescimento do osso tímpano-periótico, indica que o animal mais velho tem idade superior a 50 anos.

A coloração do corpo é acinzentada e o couro é áspero. Apresenta unhas nas nadadeiras peitorais e alimenta-se de algas, capim marinho, folhas de mangue entre outros. Os animais passam de 6 a 8 horas diárias se alimentando.

O intervalo médio entre o nascimento de filhotes é de três anos, que medem entre 0,80 e 1,60 m ao nascer. A fêmea permanece com o filhote por até dois anos.

Cachalote (Physeter macrocephalus )

Imagem: MarineBio

É uma espécie que pouco aparece no Ceará (principalmente no verão e no outuno) e tem distribuição geográfica muito ampla nos oceanos do planeta. Apesar disso está vulnerável à extinção, devido a fatores como caça, captura em redes de deriva e atropelamentos por embarcações.

É a maior baleia com dentes e apresenta grande diferença física entre os sexos. Os machos podem chegar a 18 m e pesar 57 toneladas, enquanto as fêmeas não ultrapassam os 12 m.

A espécie possui o espiráculo (equivalente às narinas por onde respiram) voltado para a parte anterior do corpo e desviado para a esquerda, assim o seu borrifo é diagonal. A cabeça é retangular e grande, podendo representar 1/3 do total do corpo.

A nadadeira dorsal é pequena e triangular. Sua coloração varia de preta a marrom, com regiões brancas ao redor da boca. A pele é enrugada a partir da cabeça para a região posterior do corpo.

Répteis, ancestrais um pouco mais distantes

O Hylonomus é talvez o fóssil de réptil mais antigo, sendo datado de 315 milhões de anos atrás. Imagem: Karen Carr

Os répteis também são animais vertebrados e deram origem a outros dois grandes grupos, os mamíferos (como vimos acima) e também as aves (que compartilham parentesco com dinossauros e crocodilos).

Surgiram pela primeira vez na Terra há cerca de 315 milhões de anos (o ramo que deu origem aos mamíferos surgiu pouco depois disso).

Foram os primeiros amniotas, ou seja, seus embriões são protegidos pela membrana amniótica (assim como nós), o que permitiu deixar de vez a necessidade de retornar à água ou aos ambientes úmidos para colocar seus ovos e os diferencia de seus ancestrais, os anfíbios.

Ao contrário de seus descendentes são ectotérmicos, ou seja não regulam a temperatura do corpo de forma autônoma. Apesar disso, são um pouco mais diversificados que os mamíferos, sendo registradas pouco mais de 6 mil espécies.

Mas a maior diversificação ocorreu na Era Mesozóica (entre 250 e 65 milhões de anos atrás), quando atingiram seu auge. Muitos dos grupos que viveram naquela era foram extintos após o provável choque da Terra com um asteroide.

Em nosso Estado, existem quatro espécies de répteis ameaçadas pela extinção, dessa vez por culpa do homem. Todas elas são tartarugas, répteis que são considerados por alguns pesquisadores como os descendentes da linhagem mais antiga, a dos anapsídeos.

Vamos conhecê-las mais:

Tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea)

Imagem: SyMBiosIS

É a espécie mais ameaçada de extinção entre os répteis que vivem no Ceará. Está classificado como criticamente em perigo devido a fatores como mortalidade acidental, poluição e perturbação humana.

O número anual de fêmeas que reproduzem no litoral brasileiro, é de no máximo 19 indivíduos. É a maior das espécies de tartarugas marinhas, atingindo de 500 kg até 1.000 kg.  Sua carapaça não é ossificada como em outras tartarugas, sendo revestida por um tecido coriáceo, que deu origem ao nome da espécie.

As fêmeas que desovam no Brasil apresentam um comprimento curvilíneo médio da carapaça de 1,6 metros.  Em cada desova são depositados entre 70 e 90 ovos. A incubação dura cerca de 60 dias, e o sexo das ninhadas é influenciado pela temperatura de incubação.

Alimenta-se de invertebrados marinhos tais como cnidários, ctenóforos e tunicados. É capaz de mergulhos profundos, atingindo mais de 1.000 m de profundidade, embora a maior parte dos mergulhos não ultrapasse 200 m.

Tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta )

Imagem: Trek Earth

Tem cabeça proporcionalmente grande em relação a seu comprimento total. Onívora, se alimenta de crustáceos, moluscos, peixes, cnidários e vegetais marinhos.

A reprodução ocorre entre os meses de setembro e março. As fêmeas botam ovos a cada dois ou três anos, com postura de 120 ovos em média. O período de incubação é de 50 a 60 dias. Os filhotes eclodem, à noite, rumando para o mar. Assim como a espécie citada anteriormente, o sexo dos filhotes é determinado pela temperatura de incubação dos ovos.

Entre as tartarugas ameaçadas de extinção no Ceará é a que corre menos risco, sendo classificada como vulnerável pela mortalidade acidental, perturbação humana e poluição.

Tartaruga-verde (Chelonia mydas)

Imagem: Starfish.ch

Também conhecida como aruanã, é uma tartaruga marinha distribuída por todos os oceanos, nas zonas de águas tropicais e subtropicais, com duas populações distintas no Oceano Atlântico e no Oceano Pacífico.

Apesar disso  está classificada como em perigo de extinção pela mortalidade acidental, perturbação humana e poluição. O nome tartaruga-verde deve-se à coloração esverdeada da sua gordura corporal.

Tem corpo achatado coberto por uma grande carapaça em forma de lágrima e um grande par de nadadeiras. É de cor clara, exceto em sua carapaça onde os tons variam do oliva-marrom a preta.

É principalmente herbívora. Os adultos geralmente habitam lagoas rasas, sendo raramente avistadas em alto-mar. Alimentam-se principalmente de ervas marinhas. Vivem até 80 anos em liberdade.

Tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea )

Imagem: California Herps

Também classificada como em perigo devido à mortalidade acidental, perda/degradação de habitat e poluição, é uma das menores tartarugas marinhas do mundo, com peso entre 35 e 50 kg.

O comprimento curvilíneo médio da carapaça é de 73 cm. Alimenta-se de crustáceos, moluscos, peixes e algas. Apresenta três tipos de comportamento de desova: solitário, em pequenos grupos e em arribada.

Apresenta ciclo reprodutivo anual de 2 a 3 anos. O tempo necessário para atingir a maturidade sexual é de 7 a 30 anos. Desova no máximo três vezes a cada ciclo, com uma média de 100 ovos a cada desova registrada. Os picos de desova ocorrem entre outubro e fevereiro.

O sexo dos filhotes é influenciado pela temperatura de incubação dos ovos, com temperaturas mais altas gerando mais fêmeas, e temperaturas mais baixas gerando mais machos.

Com informações: ICMBio

03:57 · 27.01.2012 / atualizado às 03:57 · 27.01.2012 por
A rã descoberta em Papua Nova Guiné mede apenas 7,7 milímetros e é a menor espécie de vertebrado do planeta Imagem: National Geographic

Quão pequeno pode ser um animal vertebrado? Essa pergunta pode ter sido respondido com a nova descoberta feita  nas florestas úmidas de Papua Nova Guiné: uma rã de apenas 7, 7 milímetros. Isso é quase cinco vezes menor que uma tampa de caneta comum ou que muitos insetos.

A nova espécie foi batizada com o nome científico de Paedophryne amauensis e um segundo tipo de rã descoberto na mesma expedição integram um gênero de anfíbios de tamanho muito pequeno. As novas espécies estão descritas na mais recente edição da Public Library of Science One.

“Foi particularmente difícil localizar a Paedophryne amauensis devido ao seu pequenino tamanho e às vocalizações do macho, que são altas, parecida com as dos insetos”, disse Chris Austin, do Museu de Ciência Natural de Louisiana.

Até o novo achado, a menor espécie de vertebrado já registrada era um peixe da Indonésia, o Paedocypris progenetica, que tem tamanho ligeiramente superior aos oito milímetros, mas é ainda bem menor que uma abelha média, por exemplo.

“Acreditamos agora que estas criaturas (vertebrados muito pequenos) não são excentricidades biológicas. Representam um espaço ecológico que antes não estava documentado – ocupam um nicho que não está ocupado por nenhum outro vertebrado”, concluiu Austin.

Curiosidade (outros dos menores animais)

Mamífero: morcego kitti, da Tailândia, mede 3,3 cm

Ave: beija-flor abelha, de Cuba, mede 5 cm

Réptil: lagarto jaragua, da República Dominicana, mede 1,6 cm

Inseto: vespa braconídea,  de Guadalupe, mede 0,2 mm

Crustáceo: tantulocarídeo, mede menos de 0,1 mm