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Tag: Antártida


09:26 · 25.08.2018 / atualizado às 09:28 · 25.08.2018 por
Concepção artística do satélite ICESat-2 sobrevoando a Groenlândia e a região ártica da Terra Imagem: Orbital Sciences

A Nasa, a agência espacial norte-americana, quer aprofundar os estudos sobre mecanismos que reduzam as incertezas dos prognósticos sobre o futuro aumento do nível do mar e ajudem a compreender as mudanças climáticas.

Para isso, será lançado ao espaço, no dia 15 de setembro, um satélite que vai medir, em detalhes, as mudanças de massa polar na Terra. O Satélite de Elevação de Terra e Gelo da Nasa-2 (ICESat-2) medirá a mudança média anual de elevação do gelo terrestre que cobre a Groenlândia e a Antártida, capturando 60 mil medições por segundo.

A expectativa dos pesquisadores é de que o ICESat-2 amplie e aperfeiçoe estudos anteriores da Nasa, que monitoraram a mudança nos movimentos dos picos polares em 2003, com a primeira missão ICESat e, depois em 2009, com a Operação IceBridge, que analisou a taxa de variação e aceleração.

Gelo

De acordo com a Nasa, bilhões de toneladas de gelo derretem anualmente, elevando o nível do mar no mundo.

Nos últimos anos, as contribuições do derretimento das camadas de gelo da Groenlândia e da Antártica aumentaram o nível do mar global em mais de um milímetro por ano. A taxa está aumentando, segundo os pesquisadores.

O ICESat-2 também fará as medições para verificação da altura do gelo marinho existente acima da superfície do mar, observando a espessura e o volume.

Pesquisas

A cobertura de gelo do Ártico reflete o calor do Sol de volta ao espaço. Quando esse gelo derrete, a água escura que há embaixo absorve o calor, alterando os padrões de circulação do vento e do oceano, afetando potencialmente o clima global da Terra.

Além dos pólos, o ICESat-2 medirá a altura das superfícies oceânicas e terrestres, incluindo as florestas. Um instrumento associado ao ICESat-2 medirá o topo das árvores, na tentativa de colaborar com as pesquisas sobre a quantidade de carbono armazenada nas florestas.

Os pesquisadores também analisarão os dados coletados sobre a altura da copa das árvores, sua densidade e estrutura, no esforço de realizar previsões sobre incêndios florestais.

Com informações:Agência Brasil

17:16 · 16.01.2018 / atualizado às 17:16 · 16.01.2018 por
Para o jornalista Nicolas Chevassus-au-Louis, as “fake news”, procedem de uma mesma retórica apoiada em “versões alternativas” para explicar “inconsistências teóricas”. Um caso é a aparente imunidade da Antártida ao aquecimento global Foto: Marine Bio

A internet contribuiu também para propagar notícias científicas falsas, como dizer que a Terra é plana, que os americanos jamais pisaram na Lua e que o homem não é responsável pelas mudanças climáticas, alertam os cientistas.

O perigo destas teorias cientificamente invalidadas é que às vezes são aceitas por parte do grande público, como acontece com as “fake news” em geral. Um estudo recente na França mostrou que 79% dos cidadãos acreditam em ao menos uma teoria da conspiração. Por exemplo, 16% pensam que o homem não chegou à Lua e 9% acham “possível” que nosso planeta seja plano.

No âmbito climático, “enfrentamos uma vontade deliberada de manipular a opinião pública e os que decidem”, disse a climatologista Valérie Masson-Delmotte, convidada recentemente a participar de um colóquio em Paris.

Aqueles que Masson-Delmotte, membro do grupo de especialistas da ONU sobre o clima (IPCC), chama de “comerciantes da dúvida” buscam essencialmente, segundo ela, limitar a regulação ambiental. Mas as motivações dos propagadores das notícias falsas não são só econômicas: podem ser religiosas, ideológicas ou às vezes mais pessoais, como a busca de visibilidade.

Retórica comum

Para o jornalista especializado Nicolas Chevassus-au-Louis, as notícias falsas, científicas ou não, “procedem de uma mesma retórica”: “Se começa suscitando uma dúvida. O método mais eficaz consiste em ressaltar as supostas incoerências da versão oficial, aferrar-se a um detalhe e insistir ao máximo sobre ele”, explica.

Por exemplo, uma pergunta recorrente é: “Você não acha estranho que a Antártida não pareça estar derretendo?”. Depois se apresentam “versões alternativas”, como a ideia de que as mudanças climáticas poderiam estar ligadas à atividade solar e não à do homem, como foi estabelecido cientificamente. Com testemunhos de personalidades e publicações apresentadas como científicas, tenta-se convencer finalmente sobre a veracidade da versão alternativa, segundo Chevassus-au-Louis.

Fatos X opinião

Discernir entre uma informação rigorosa e verificável e uma opinião pode ser, além disso, mais difícil para o público quando se trata de temas científicos.

“Todos temos uma responsabilidade, o ensino, os meios, os pesquisadores e os organismos, por não termos conseguido mostrar essa diferença”, explica Masson-Delmotte.

Paralelamente, os especialistas ressaltam que a ciência esbarra em outras dificuldades para chegar ao grande público. No ano passado, “33% dos artigos sobre clima na imprensa anglo-saxã mais populares na internet continham informações falsas”, embora não fossem mal intencionadas, afirma o climatologista Emmanuel Vincent.

Masson-Delmotte explica que a internet aumentou a discrepância entre os ritmos da atualidade e o conhecimento científico. Por exemplo, quando vários furacões afetaram o Atlântico em setembro passado, os meios se perguntaram se estes fenômenos extremos estavam ligados ao aquecimento global, uma resposta impossível de se dar imediatamente, para os especialistas.

Estes resultados científicos estiveram disponíveis vários meses depois, “mas só obtiveram um lugar muito limitado nos meios”, lamenta Masson-Delmotte.

Com informações: AFP

19:25 · 16.02.2017 / atualizado às 19:27 · 16.02.2017 por
Temperaturas incomuns contribuíram para o derretimento de gelo no Ártico, onde a média na quantidade de gelo foi de 1,26 milhão de Km², 8,6% a menos que a média registrada entre 1981 e 2010 Foto: Blog Thinking About Change

Janeiro registrou um novo declínio recorde na quantidade de gelo nos polos da Terra, enquanto as temperaturas desse mês também foram consideradas as terceiras mais altas da era moderna, informou o governo norte-americano nesta quinta-feira (16). Analistas da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) determinaram que em janeiro a temperatura da Terra foi 0,88 grau superior ao esperado para a média do século XX, de acordo com o documento.

“É a maior temperatura registrada para um mês de janeiro” desde 1880, com exceção dos anos 2016 e 2007, quando ocorreram a mais alta e a segunda mais alta temperatura respectivamente. Essas temperaturas incomuns contribuíram para o derretimento de gelo no Ártico, onde a média na quantidade de gelo foi de 1,26 milhão de Km²: 8,6% a menos que a média registrada entre 1981 e 2010. “Trata-se da menor superfície existente nos polos em janeiro desde que começaram os registros em 1979: 258.998,81 km² a menos que o recorde anterior registrado em 2016”, ressaltou o informe.

Na Antártida, a extensão de gelo em janeiro foi de 1,1 milhões de km², 22,8% a menos que a média registrada entre 1981 e 2010. “Essa foi a menor extensão de gelo na Antártida em janeiro desde que a pesquisa começou em 1979, e aproximadamente 284.898 km² menor que o recorde de 2006”, acrescentou.

Apesar da redução do nível do gelo polar, houve uma ampla variedade pluviométrica no planeta em janeiro. A neve, por sua vez, tem sido mais intensa no hemisfério norte, com 2.305.089 Km² a mais que a média documentada entre os anos 1981–2010.

Com informações: AFP

19:34 · 04.11.2014 / atualizado às 20:28 · 04.11.2014 por
Foto: Nature Methods
Uma imagem do pinguim-robô mostra uma bola de pelos com nadadeiras, bico afiado e cara pintada em preto-e-branco, como os filhotes de Imperadores, sobre quatro rodas Foto: Nature Methods

Destemido, o sósia de um filhote de pinguim avança sobre quatro rodas na direção de um grupo de bebês pinguins de carne e osso, bem debaixo dos bicos dos adultos, que não parecem se incomodar com sua presença.

A infiltração é por uma boa causa: o robô, gracioso e fofinho, é um espião controlado remotamente, criado por cientistas que querem monitorar os ariscos pinguins, sem estressá-los.

Uma equipe internacional testou o robô com e sem a camuflagem de pinguim em populações de Pinguins-reis (“Aptenodytes patagonicus”) em Possession Island, no Oceano Índico, e Pinguins-imperadores (“Aptenodytes forsteri”) na Antártica.

Em artigo publicado na edição de domingo da revista Nature Methods, eles relataram que as duas versões do robô causaram menos alarme do que a presença humana – conforme demonstrado pela frequência cardíaca e o comportamento das aves – além do fato de que o sósia podia se aproximar mais.

O robô foi equipado com uma antena capaz de ler os sinais emitidos por etiquetas de identificação eletrônicas instaladas em alguns pinguins para a pesquisa populacional. As etiquetas só podem ser lidas até uma distância de 60 centímetros.

“Quando o robô foi camuflado como um pinguim, todos os adultos e filhotes de Imperadores permitiram que se aproximasse o suficiente para a identificação eletrônica”, afirmaram.

“Foi possível ouvir os adultos e os filhotes cantando na direção do robô camuflado e conseguiu se infiltrar em uma creche sem perturbá-los”, prosseguiram.

‘Bola de pelos’

Uma imagem do pinguim-robô mostra uma bola de pelos com nadadeiras, bico afiado e cara pintada em preto-e-branco, como os filhotes de Imperadores, sobre quatro rodas.

Em outra imagem, o pequeno robô é visto em meio a um amontoado de pinguins bebê supervisionado por grupos de adultos. Ainda em processo de aperfeiçoamento, o robô se destina a esclarecer os padrões de reprodução e comportamento dos pinguins, bons indicadores da saúde dos recursos marinhos no Oceano Antártico.

No passado, cientistas prenderam nas asas dos pinguins dispositivos que transmitiam automaticamente um sinal de rádio, ao receber um determinado estímulo. A transmissão poderia ser feita a longas distâncias, mas os pesquisadores logo descobriram que impediam os pinguins de nadar, prejudicando a procriação e a caça.

Atualmente, um chip minúsculo com peso de menos de uma grama é inserido sob a pele das aves. No entanto, o alcance agora é notoriamente menor, forçando os cientistas a se infiltrarem nas colônias para obter os dados de que precisam.

 

Com informações: AFP

21:02 · 21.07.2014 / atualizado às 18:09 · 21.07.2014 por
Foto: Agência Brasil
De acordo com Secretário da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar, contra-almirante Marcos Silva Rodrigues, o valor máximo a ser aceito pelo governo para a nova estação será de R$ 254,3 milhões Foto: Agência Brasil

A Marinha lança na quarta-feira (23) uma nova tentativa de licitação para a reconstrução da Estação Comandante Ferraz, base do Brasil no continente Antártico.

De acordo com Secretário da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar, contra-almirante Marcos Silva Rodrigues, o valor máximo a ser aceito pelo governo para a nova estação será de US$ 110,5 milhões (R$ 254,3 milhões).

Em fevereiro de 2014, a primeira tentativa de realizar a nova licitação da base brasileira fracassou por falta de interessados em realizar a obra. O edital anterior era uma licitação nacional com preço máximo de R$ 147 milhões. A estação brasileira anterior pegou fogo em fevereiro de 2012.

Mudanças no edital

De acordo com o comandante do projeto, após o fracasso da primeira tentativa, a Marinha conversou com as empresas e fez mudanças no edital, principalmente no aspecto dos custos de transporte e das bonificações referentes aos custos da construção.

O projeto também ficou mais caro, segundo Rodrigues, porque foi refeito o estudo sobre as fundações da estação. O novo levantamento mostrou que as estacas custariam muito mais do que o previsto no projeto anterior. Isso porque a previsão anterior era encontrar rochas para colocar as fundações a cerca de 15 metros de profundidade.

E os novos estudos, feitos após a licitação não ter encontrado interessados, mostraram que as rochas estavam a cerca de 100 metros de profundidade.
Outra preocupação das empresas que desistiram da concorrência anterior foi que os valores estavam em reais e não havia proteção para variações do dólar, moeda em que serão feitos parte dos pagamentos para a construção.

Interesse nacional e internacional

De acordo com o comandante, há empresas estrangeiras e nacionais que já se mostraram interessadas em participar da disputa. O edital prevê que o resultado da disputa saia em 45 dias após a publicação.

A obra deve começar ainda neste verão antártico, que inicia em outubro. A previsão é que a obra esteja entregue até março de 2016, mas o clima imprevisível na região pode atrasar a entrega, segundo o comandante.

A nova estação terá 147 mil metros quadrados, o mesmo tamanho da anterior que começou a ser construída em 1982 e pegou fogo em fevereiro de 2012, quando foi praticamente toda destruída.

O Brasil construiu uma estação provisória no local no ano seguinte para tentar manter as pesquisas que estavam em andamento no período do incêndio.

Com informações: Folhapress

16:41 · 18.06.2014 / atualizado às 16:46 · 18.06.2014 por
Foto:  Nuestro Mar
Cinco das áreas sem gelo não têm nenhum tipo de proteção, enquanto as 55 zonas protegidas do continente estão perto de locais com atividade humana Foto: Nuestro Mar

Cientistas que estudam a Antártida advertiram nesta quarta-feira que o número crescente de turistas que visita o continente branco ameaça seu frágil ecossistema e pediram maior proteção.

De 1990 até hoje, o número de turistas passou de 5.000 em um ano para os 40.000 atuais, segundo dados da indústria do setor. A maioria visita áreas sem gelo, que constituem menos de 1% da Antártida.

Também estão em construção instalações de pesquisa, estradas e depósitos de combustíveis nestas áreas minúsculas onde o gelo desapareceu. Estas áreas abrigam a maior parte da fauna e da flora do continente e são as menos protegidas do planeta.

“Muita gente pensa que a Antártida está bem protegida das ameaças à sua biodiversidade porque é isolada e (quase) ninguém mora lá”, escreveu Justine Shaw, do National Environmental Research Programme (NERP), no estudo publicado no jornal PLoS Biology.

“No entanto, demonstramos que há ameaças para a biodiversidade da Antártida”, prosseguiu. “A maior parte da Antártica é coberta de gelo e só menos de 1% carece de gelo”, lembrou. “Apenas 1,5% desta zona sem gelo pertence às áreas especialmente protegidas da Antártida, apesar de que esta região abriga a maior parte da biodiversidade”, acrescentou.

Cinco das áreas sem gelo não têm nenhum tipo de proteção, enquanto as 55 zonas protegidas do continente estão perto de locais com atividade humana.

Biodiversidade escassa

Steven Chown, da escola de Ciências Biológicas da Universidade de Monash, que também colaborou no estudo, disse que estas áreas sem gelo têm ecossistemas muito básicos, devido à escassa biodiversidade da Antártida.

Isto torna a fauna e a flora nativas muito vulneráveis à invasão de espécies de fora, que podem ser introduzidas pela atividade humana. “A Antártida foi invadida por plantas e animais, sobretudo vegetais e insetos de outros continentes”, acrescentou.

O estudo destacou que o nível atual de proteção é “muito inadequado” e é necessário fazer muito mais para proteger a região do ‘boom’ registrado na indústria turística. “(Precisamos) proteger os insetos, as plantas e os pássaros marinhos endêmicos, que não existem em nenhum outro lugar do mundo”, disse.

“Precisamos garantir que as zonas protegidas da Antártida não vão sofrer os efeitos da atividade humana, como a contaminação, a presença humana ou as espécies invasoras”, acrescentou. A Antártida é considerada uma das últimas fronteiras para os aventureiros.

A maioria viaja em navios e chega a pagar até US$ 20 mil por um camarote de luxo na alta temporada, que se estende de novembro a março. Também há um mercado florescente de voos panorâmicos que têm o continente gelado como destino.

Com informações: AFP

19:42 · 19.05.2014 / atualizado às 17:40 · 19.05.2014 por
Ritmo de perda de calota polar é maior na porção oeste do continente antártico, de acordo com a Nasa Foto: Getty Images
Ritmo de perda de calota polar é maior na porção oeste do continente antártico, de acordo com a ESA Foto: Getty Images

As observações efetuadas nos últimos três anos pelo satélite Cryosat demonstraram que a Antártida perde 160 bilhões de toneladas de gelo anuais, o dobro do calculado em um estudo similar que abrangia os cinco anos anteriores, indicou nesta segunda-feira (19) a Agência Espacial Europeia (ESA).

As camadas de gelo polares são um dos principais contribuientes à alta do nível do mar e a perda registrada por esse satélite da ESA são suficientes para provocar por si só uma elevação de 0,45 milímetros por ano, afirmou a organização em comunicado. A zona mais afetada, segundo os dados do Centro britânico de Observação e Modelagem Polar, é o oeste da Antártida.

A região perdeu cerca de 134,3 bilhões de toneladas anuais. Já o leste  antártico perdeu 3 bilhões de toneladas anuais e a península antártica  outros 23 bilhões. O satélite Cryosat, lançado em 2010, está equipado com um altímetro que pode medir com precisão a variação de altura da superfície de gelo, o que permite ver a evolução com muita exatidão.

“Vimos que as perdas de gelo mais importantes se encontram no setor próximo ao mar de Amundsen, (…) com níveis de degelo de entre 4 e 8 metros ao ano”, explicou o professor britânico Malcolm McMillan, principal autor do estudo.

O desafio, de acordo com a ESA, radica em usar as provas recolhidas para melhorar os modelos de prognóstico, perante a evidência de que nessa parte do planeta estão ocorrendo mudanças significativas.

Com informações: EFE

17:44 · 18.03.2014 / atualizado às 17:46 · 18.03.2014 por
Foto: BBC Brasil
As amostras foram colocadas em uma incubadora a 17ºC, a temperatura geralmente encontrada entre os musgos na Antártida durante o verão. Depois de três semanas os primeiros brotos começaram a aparecer Foto: BBC Brasil

Pesquisadores descongelaram a vegetação antiga e ficaram surpresos com a rapidez com que os novos brotos apareceram.

Aterros de musgos são um dos traços mais curiosos da Antártida, formados durante milhares de anos a partir da acumulação destas plantas, que voltam à vida durante o breve verão da região.

Os aterros mais antigos podem chegar a 5 mil anos de idade e podem também funcionar como uma espécie de arquivo para os cientistas estudarem as condições climáticas no passado.

Pesquisadores já tentaram ressuscitar musgos , mas, até esta última tentativa, eles apenas tinham conseguido cultivar material que estava preso no gelo por cerca de 20 anos.

Amostras mortas

Os cientistas da British Antarctic Survey (BAS) e da Universidade de Reading coletaram amostras que pareciam mortas e estavam em uma camada profunda do permafrost, o solo formado por terra, gelo e rochas permanentemente congelados, e ressuscitaram estas amostras.

De acordo com a datação por carbono, as amostras têm 1.530 anos de idade. As amostras foram colocadas em uma incubadora a 17ºC, a temperatura geralmente encontrada entre os musgos na Antártida durante o verão. Depois de três semanas os primeiros brotos começaram a aparecer.

“Várias pessoas nos perguntaram se fizemos algo complicado para fazer (o musgo) crescer de novo. Nós basicamente cortamos no meio, colocamos na incubadora e fizemos o menos possível”, disse à BBC Peter Convey, da BAS.

Os pesquisadores podem não ter feito muito com as plantas, mas eles trabalharam muito para evitar a contaminação das amostras por outras formas de vida.

Ecossistema

Os musgos têm muita importância nos ecossistemas da Antártida, no sul, e do Ártico, no norte.

Eles têm um papel importante no armazenamento de carbono e, principalmente no Ártico, há o temor de que, à medida que as temperaturas aumentam no mundo, o permafrost poderá emitir ainda mais CO2 na atmosfera.

A dúvida é se a descoberta de que musgo da Antártida pode voltar à vida depois de 1,5 mil anos pode significar que a liberação de carbono não seja algo tão grave. No entanto, de acordo com Peter Convey, este não é o caso. O cientista afirma que a maior parte do musgo congelado no Ártico já está morto e não poderá ser ressuscitado e, por isso, o aquecimento naquela região vai liberar o carbono para a atmosfera.

Na Antártida, a situação pode ser diferente. “Em um mundo mais quente e úmido, os musgos crescem bem. A questão é quanto destes musgos descongelados vão crescer como reação às mudanças (climáticas) e quanto disso pode ser visto como dissipador de carbono”, afirmou.

Os pesquisadores também acreditam que a descoberta sinaliza que, nas circunstâncias certas, organismos multicelulares como estes musgos podem sobreviver mais tempo do que se imaginava.

Ressurreições anteriores

Outros pesquisadores já conseguiram ressuscitar bactéria, sendo que alguns alegam ter ressuscitado exemplares desses micro-organismos inativos há milhões de anos. Em 2012, na Rússia, cientistas conseguiram fazer germinar uma semente de 32 mil anos.

Com informações: BBC Brasil

16:56 · 02.01.2014 / atualizado às 16:57 · 02.01.2014 por
Base brasileira atingida por incêndio em 2011 deveria ser inaugurada em 2015, mas nova previsão é março do ano seguinte Foto: Divulgação
Base brasileira atingida por incêndio em 2011 deveria ser inaugurada em 2015, mas nova previsão é março do ano seguinte Foto: Divulgação

A reinauguração da Estação Antártica Comandante Ferraz foi adiada para março de 2016. A base brasileira no continente, destruída em um incêndio em fevereiro de 2012, tinha previsão inicial de inauguração do novo complexo em 2015.

No entanto, a licitação para a reconstrução da estação foi suspensa e deverá ser retomada neste mês, segundo informações da Secretaria Interministerial para os Recursos do Mar, da Marinha. A concorrência é estimada em R$ 137 milhões.

Apesar de ser o principal posto brasileiro, a Estação Comandante Ferraz não é a única base de atuação no Continente Antártico. Na primeira semana de outubro de 2013 foi iniciada a 32ª Operação Antártica (Operantar 32), com a partida do Navio Polar Almirante Maximiano e do Navio de Apoio Oceanográfico Ary Rongel. A operação se estenderá por um período de um ano.

Na Operantar serão apoiados 24 projetos científicos de diferentes áreas de conhecimento, selecionados pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), envolvendo cerca de 300 pessoas, entre pesquisadores e alpinistas, distribuídos nos dois navios e nos Módulos Antárticos Emergenciais (MAE). Serão feitas pesquisas de estudo da biodiversidade e do ecossistema, investigações sobre mudanças climáticas naquela região e suas consequências para o mundo, além de pesquisas nas áreas de oceanografia, glaciologia e geologia.

De acordo com a coordenadora-geral para o Mar e Antártica do MCTI, Janice Trotte Duhá, o Plano de Ações para a Ciência Antártica 2013/2022 avaliará o impacto do continente diretamente na América do Sul. O plano é dividido em cinco eixos temáticos que estudam temas como o impacto dos ecossistemas antártico com a região e as mudanças climáticas e o papel da criosfera – áreas da superfície terrestre cobertas permanentemente por gelo e neve – no sistema terrestre.

“Em cada um desses eixos temáticos, a gente associa a Antártida com a América do Sul, que na verdade é o grande salto qualitativo da ciência que a gente passa a fazer. Outra área que a gente quer estimular bastante é a interação maior com os programas científicos de países da América do Sul, voltados para o nosso lado do Atlântico”, explica Duhá.

A partir deste ano, 20 novos projetos com a participação de pesquisadores brasileiros serão desenvolvidos na Antártida. Serão destinados R$ 13,8 milhões de fundos setoriais, somados a recursos do CNPq e a emendas da Frente Parlamentar pela Antártica.

O planejamento de ações no continente começa com oito meses de antecedência. Devido às condições climáticas, esses projetos só serão desenvolvidos no verão antártico.

*Observação: as duas formas, Antártica e Antártida são admitidas na língua portuguesa. Enquanto o governo federal prefere adotar o termo Antártica, o blog Ceará Científico utiliza a forma Antártida. A origem da palavra é grega e significa “oposto ao Ártico”, que por sua vez significa “terra dos ursos”. A propósito, não existem ursos no continente gelado do Sul, mas eles são quase abundantes (embora ameaçados) na calota glacial do Norte.

Com informações: Agência Brasil

13:49 · 10.12.2013 / atualizado às 14:02 · 10.12.2013 por
Mapa mostra três das temperaturas mais frias já registradas no planeta Imagem: Nasa/ Portal Terra
Mapa mostra três das temperaturas mais frias já registradas no planeta Imagem: Nasa/ Portal Terra

Há quase trinta anos todos os livros que traziam os recordes da Terra traziam a mesma informação: a temperatura mais baixa já registrada no planeta foi -89,2ºC, na região de Vostok, na Antártida. Pois bem, a partir do próximo ano esses livros vão mudar.

A Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) revelou a partir de dados de seus satélites que nos invernos de 2010 e 2013, o continente gelado ficou ainda mais frio. No dia 10 de agosto de 2010, o cume de uma montanha no Platô Oriental Antártico registrou a temperatura mais fria jamais vista: incríveis -93,2ºC, ou quatro graus mais frios que o recorde anterior. O frio monumental, no entanto, quase foi superado este ano. No dia 31 de julho de 2013, há poucos quilômetros da mesma região, foram registrados -93ºC. Os dois pontos situam-se em altitudes entre 3.500  e 4.000 metros.

Os cientistas fizeram a descoberta ao analisar 32 anos de temperaturas da superfície global registradas por satélites como o Landsat 8. O anúncio foi feito em encontro da União Geofísica Norte-Americana, em San Francisco (EUA). “Nós tínhamos a suspeita de que este cume da Antártida era suscetível a ser extremamente frio, e mais frio do que Vostok, porque é mais alto”, disse Ted Scambos, cientista-chefe do Banco de Dados Nacional de Gelo e Neve dos EUA. A revelação reacende a polêmica causada pelos que defendem a inexistência de um “aquecimento global”.

Confira vídeo em inglês