Busca

Tag: aquecimento global


20:39 · 11.06.2018 / atualizado às 20:39 · 11.06.2018 por
Nos últimos 12 anos, nove dos treze baobás mais velhos estão parcialmente ou totalmente mortos, de acordo com o estudo, que aponta relação com mudanças climáticas Foto: Baobab Stories

Muitos dos baobás mais antigos da África estão morrendo há dez anos, alertaram nesta segunda-feira (11) pesquisadores, que evocam a mudança climática como possível causa para esse desaparecimento “de escala sem precedentes”.

“É chocante e espetacular testemunhar durante o curso de nossas vidas o desaparecimento de tantas árvores milenares”, explica à AFP Adrian Patrut, da Universidade Babeş-Bolyai, na Romênia, co-autor do estudo publicado na revista Nature Plants.

“Durante a segunda metade do século XIX, os grandes baobás do sul da África começaram a morrer, mas nos últimos 10/15 anos seu desaparecimento aumentou rapidamente por causa das temperaturas muito altas e da seca”, diz o pesquisador.

Com entre 1.100 e 2.500 anos de idade, os baobás e seus troncos maciços coroados por galhos parecidos com raízes, são uma das silhuetas mais emblemáticas das áridas savanas.

Mas, nos últimos 12 anos, nove dos treze baobás mais velhos estão parcialmente ou totalmente mortos, de acordo com o estudo.

Entre as vítimas, três monstros simbólicos: Panke, do Zimbábue, o baobá mais velho com 2.450 anos, a árvore de Platland da África do Sul, uma das maiores do mundo, com um tronco mais 10 metros de diâmetro e o famoso baobá de Chapman do Botsuana, no qual Livingstone gravou suas iniciais, classificado monumento nacional. Os pesquisadores descobriram essa situação de “escala sem precedentes” quase por acaso: eles estudaram essas árvores para desvendar o segredo de suas incríveis medições.

Para isso, entre 2005 e 2017, Adrian Patrut e seus colegas estudaram todos os maiores (e portanto geralmente os mais antigos) baobás da África, mais de 60 no total. Viajando pelo Zimbábue, África do Sul, Namíbia, Moçambique, Botsuana e Zâmbia, coletaram amostras de diferentes partes das árvores. Fragmentos dos quais eles definiram a idade usando datação por carbono. “A cavidade de um velho baobá zimbabuano é tão grande que quase 40 pessoas podem se abrigar dentro”, ressalta o site do Parque Nacional Kruger, na África do Sul. Eles poderiam ser usados ​​como loja, prisão ou simplesmente como um ponto de ônibus.

Também têm sido usados ​​há muito tempo por exploradores ou viajantes para encontrar caminhos. “Os baobás periodicamente produzem novos troncos, como outras espécies produzem galhos”, segundo o estudo. Esses caules ou troncos, muitas vezes de diferentes idades, depois se fundem. Quando muitos caules morrem, a árvore desaba. “Antes de começarmos nossa pesquisa, fomos informados sobre o colapso do baobá Grootboom na Namíbia, mas pensávamos que era um evento isolado”, disse Adrian Patrut.

“Essas mortes não foram causadas por uma epidemia”, afirmam os autores, que sugerem que a mudança climática pode afetar a capacidade do baobá de sobreviver em seu habitat, embora “mais pesquisas sejam necessárias para apoiar ou refutar essa hipótese”.

Mas “a região em que os baobás milenares morreram é um daqueles em que o aquecimento é mais rápido na África”, diz Adrian Patrut.

Com informações: AFP

21:06 · 02.03.2018 / atualizado às 21:06 · 02.03.2018 por
Foto: Argyll Freepress

A cobertura do gelo marinho na Antártica caiu para o seu segundo nível mais baixo já registrado, anunciaram autoridades australianas nesta sexta-feira (2), acrescentando que ainda não estava claro o que estava impulsionando a redução após vários anos de níveis máximos recorde.

O relatório chega após cientistas dizerem, no início desta semana, que a região do Ártico estava registrando recordes de temperaturas altas, e que o gelo do mar estava cobrindo a menor área no inverno desde que os registros começaram, há mais de meio século. A Divisão Antártica Australiana (AAD) disse que os últimos dados de satélite mostraram um total de 2,15 milhões de quilômetros quadrados em torno do continente gelado durante o ponto mais baixo em fevereiro, durante a temporada de verão. O recorde mínimo foi registrado em março do ano passado, quando uma leitura de verão de 2,07 milhões de quilômetros quadrados foi registrada, disse o AAD, que administra o programa da Antártida da Austrália. “Desde agosto de 2016, a cobertura do gelo do mar vem seguindo bem abaixo da média de longo prazo”, disse o cientista Phil Reid, do Instituto de Meteorologia do Antártico, em um comunicado.

“Em 2017, a extensão máxima de gelo do mar no inverno foi a segunda menor já registrada, em 18,05 milhões de quilômetros quadrados, vindo após níveis recordes sucessivos em 2012, 2013 e 2014.”

Reid disse que as variações foram uma “mudança significativa” da tendência crescente global no gelo marinho da Antártida, de cerca de 1,7% a cada década desde 1979.

Recomposição de outono

Depois de chegar ao seu ponto mais baixo no verão, o gelo marinho – que é criado quando o oceano ao redor do continente se congela – se recompõe no outono e se expande pela Antártica.

O cientista da AAD Rob Massom disse que os pesquisadores ainda estavam tentando determinar o que estava impulsando as mudanças e a variabilidade na cobertura do gelo marinho, e disse que entender esses processos era uma “alta prioridade”.

“A cobertura de gelo desempenha um papel crucialmente importante tanto no sistema climático global quanto como um habitat-chave para uma ampla gama de biota, de micro-organismos até grandes baleias”, acrescentou em um comunicado.

“As condições do gelo do mar também têm um grande impacto nas operações de navegação e logística no Oceano Antártico”.

Com informações: AFP

18:18 · 26.02.2018 / atualizado às 18:18 · 26.02.2018 por
Risco é devido aos efeitos do aquecimento global sobre os ecossistemas habitados pela ave. Mesmo na hipótese climática mais otimista, 45% da população de pinguins-reis estaria ameaçada, segundo os pesquisadores Foto: Wiktionary

Diante das mudanças climáticas que os afastam de seu alimento, até 70% dos pinguins-reis poderiam desaparecer até o final do século, adverte um estudo publicado nesta segunda-feira (26). Atualmente, existem 1,6 milhão de casais de pinguim-rei (Aptenodytes patagonicus), que são um pouco menores que os pinguins-imperadores, medindo menos de um metro. Vivem sobretudo nas ilhas subantárticas de Crozet, Kerguelen e Príncipe Eduardo, na Terra do Fogo, assim como nas Malvinas.

Para pôr o ovo que a fêmea e o macho incubam de forma alternada durante mais de 50 dias, esta ave sem asas necessita de uma praia, um mar sem gelo e uma fonte de alimentos abundante e próxima para levar comida a seu bebê durante mais de um ano. Mas as mudanças climáticas está empurrando as reservas de peixes e polvos de que se alimentam para o sul, longe das colônias, segundo o estudo publicado pela revista científica Nature Climate Change. Dessa forma, suas viagens em busca de comida serão cada vez mais longas, ameaçando a sobrevivência dos pequenos e dos adultos que ficam com eles, a não ser que a espécie se instale em outras ilhas.

“Se não se tomar nenhuma medida para parar ou limitar o aquecimento (…), a espécie poderia desaparecer em um futuro próximo”, resumem à AFP os três principais autores do estudo, Robin Cristofari, Céline Le Bohec e Emiliano Trucchi.

Capacidade de explorar o oceano

E se acontecer o pior dos cenários previstos pelo grupo de especialistas da ONU sobre o clima (IPCC), “70% dos 1,6 milhão de casais reprodutores provavelmente se exilarão de forma brusca ou desaparecerão antes do final do século”, segundo o estudo.

Na hipótese climática mais otimista do IPCC, 45% da população de pinguins-reis estaria ameaçada, segundo os pesquisadores.

A espécie conseguiu, contudo, sobreviver a outras grandes mudanças ambientais, a última há 20.000 anos. Por isso, “parecem capazes de explorar de modo eficaz o oceano Antártico para localizar os melhores abrigos”, segundo Trucchi, da universidade italiana de Ferrara. Os especialistas citam a possibilidade de que se exilem mais ao sul, por exemplo, na ilha Bouvet.

Mas nas ocasiões anteriores, os pinguins dispuseram de mais tempo para efetuar este exílio forçado, em comparação com o ritmo atual das mudanças climáticas. “A concorrência pelos lugares para fazer ninho e se alimentar será árdua, sobretudo com outras espécies como o pinguim-de-barbicha, o gentoo ou o de adélia, sem contar a atividade pesqueira” na zona, comentou Le Bohec.

Além disso, o pinguim-rei não será provavelmente o único a enfrentar o dilema de permanecer em sua colônia para se reproduzir com o risco de morrer de fome ou partir sem garantias.

“No oceano Antártico, as aves marinhas, entre elas muitas espécies de pinguins – até mesmo todas – assim como alguns mamíferos marinhos (como o leão-marinho subantártico) poderiam enfrentar o mesmo dilema”, ressaltaram os autores do estudo.

Com informações: AFP

16:25 · 01.02.2018 / atualizado às 16:25 · 01.02.2018 por
Mudanças climáticas estão reduzindo o habitat desses animais, forçando-os a ir cada vez mais longe para buscar comida durante o degelo, gastando mais energia que conseguem repor Foto: National Geographic

Os ursos polares têm taxas metabólicas mais altas do que se pensava e isso explica por eles têm sido incapazes de conseguir alimentos em quantidade suficiente para suas necessidades, de acordo com um novo estudo.

De acordo com os autores, publicada nesta quinta-feira (1), na revista Science, a pesquisa mostra quais são os mecanismos fisiológicos por trás do declínio já observado nas populações e nas taxas de sobrevivência dos ursos polares.

“Temos documentado, ao longo da última década, o declínio nas taxas de sobrevivência, nas condições de saúde e nos números populacionais do urso polar. Ao calcular as necessidades energéticas reais dos ursos polares e observar com que frequência eles são capazes de caçar focas, esse estudo identificou os mecanismos que estão levando a esses declínios”, disse o autor principal da pesquisa, Anthony Pagano, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz.

Pagano explica que o declínio das populações de ursos já era associado às mudanças climáticas que estão reduzindo o habitat desses animais, forçando-os a ir cada vez mais longe para buscar comida durante o degelo. Mas a conta não fechava, porque não se sabia que os ursos precisavam de tanta energia – os estudos anteriores se baseavam em estimativas de uma taxa metabólica 50% mais baixa.

Monitoramento

Para realizar o novo estudo, os cientistas monitoraram o comportamento dos ursos, a frequência de sucesso na caça e as taxas metabólicas de fêmeas adultas sem filhotes quando elas buscavam presas no gelo do Mar de Beaufort durante a primavera.

O monitoramento foi feito com coleiras hi-tech, que registravam em vídeo as andanças dos animais, rastreando seu deslocamento, seu comportamento e os níveis de atividade em períodos de oito a 11 dias. Foram utilizados também sensores de atividade metabólica para determinar quanta energia os animais gastavam em suas atividades.

Com isso, os cientistas descobriram que as taxas metabólicas registradas eram, em média, 50% mais altas do que as estimadas por estudos anteriores. Cinco dos nove ursos estudados perderam muito peso e não conseguiram caçar focas em número suficiente para suprir seus gastos de energia.

“A pesquisa foi feita no início do período que vai de abril a julho, quando os ursos polares capturam a maior parte das suas presas e conseguem acumular a maior parte da gordura corporal que eles precisam para sustentá-los pelo resto do ano”, disse Pagano.

O cientista afirma que as mudanças climáticas têm efeitos dramáticos no gelo do mar do Ártico, forçando os ursos polares a percorrer distâncias maiores e dificultando a busca de presas.

No Mar de Beaufort, as geleiras marinhas começam a recuar a partir da plataforma continental em julho, quando a maioria dos ursos se move em direção ao norte à medida que o gelo se retrai.

Derretimento do gelo

Com o aquecimento do Ártico, mais gelo derrete nesse processo, obrigando os ursos a percorrer distâncias maiores que no passado. Isso faz com que eles gastem mais energia durante o verão, quando eles ficam em jejum até que o gelo volte, no outono, à plataforma continental. Em outras áreas, como na Baía de Hudson, a maior parte dos ursos vai para a terra quando o gelo marinho recua. Ali, o aquecimento do Ártico faz com que o gelo marinho se rompa mais cedo no verão e volte a se formar mais tarde no outono, forçando os ursos a ficarem mais tempo em terra.

“De qualquer maneira, a questão continua sendo quanta gordura eles podem acumular antes que o gelo comece a recuar e quanta energia eles terão que gastar. Nós descobrimos que os ursos polares têm uma necessidade de energia muito mais alta do que o estimado”, afirmou Pagano. Na primavera, os ursos polares caçam principalmente as focas que nasceram recentemente e que são mais suscetíveis que as focas adultas. No outono, quando as jovens focas já estão mais velhas e espertas, os ursos não conseguem tantas presas. “Calculamos que os ursos podem capturar até duas focas no outono. Na primavera e no começo do verão, eles caçam de cinco a 10 focas”, disse Pagano.

Os cientistas da Universidade da Califórnia em Santa Cruz têm estudado os ursos polares no Mar de Beaufort desde a década de 1980. Segundo Pagano, a estimativa populacional mais recente indica que o número de ursos polares caiu cerca de 40% na última década. Mas, segundo Pagano, era difícil estudar a biologia fundamental e o comportamento dos ursos polares em um ambiente tão remoto e hostil. “Agora nós temos a tecnologia para descobrir como eles se movem no gelo, quais são seus padrões de atividades e suas necessidades energéticas, de forma que podemos entender melhor a implicações das mudanças que estamos observando no gelo marinho” afirmou Pagano.

Com informações: Estadão Conteúdo

17:16 · 16.01.2018 / atualizado às 17:16 · 16.01.2018 por
Para o jornalista Nicolas Chevassus-au-Louis, as “fake news”, procedem de uma mesma retórica apoiada em “versões alternativas” para explicar “inconsistências teóricas”. Um caso é a aparente imunidade da Antártida ao aquecimento global Foto: Marine Bio

A internet contribuiu também para propagar notícias científicas falsas, como dizer que a Terra é plana, que os americanos jamais pisaram na Lua e que o homem não é responsável pelas mudanças climáticas, alertam os cientistas.

O perigo destas teorias cientificamente invalidadas é que às vezes são aceitas por parte do grande público, como acontece com as “fake news” em geral. Um estudo recente na França mostrou que 79% dos cidadãos acreditam em ao menos uma teoria da conspiração. Por exemplo, 16% pensam que o homem não chegou à Lua e 9% acham “possível” que nosso planeta seja plano.

No âmbito climático, “enfrentamos uma vontade deliberada de manipular a opinião pública e os que decidem”, disse a climatologista Valérie Masson-Delmotte, convidada recentemente a participar de um colóquio em Paris.

Aqueles que Masson-Delmotte, membro do grupo de especialistas da ONU sobre o clima (IPCC), chama de “comerciantes da dúvida” buscam essencialmente, segundo ela, limitar a regulação ambiental. Mas as motivações dos propagadores das notícias falsas não são só econômicas: podem ser religiosas, ideológicas ou às vezes mais pessoais, como a busca de visibilidade.

Retórica comum

Para o jornalista especializado Nicolas Chevassus-au-Louis, as notícias falsas, científicas ou não, “procedem de uma mesma retórica”: “Se começa suscitando uma dúvida. O método mais eficaz consiste em ressaltar as supostas incoerências da versão oficial, aferrar-se a um detalhe e insistir ao máximo sobre ele”, explica.

Por exemplo, uma pergunta recorrente é: “Você não acha estranho que a Antártida não pareça estar derretendo?”. Depois se apresentam “versões alternativas”, como a ideia de que as mudanças climáticas poderiam estar ligadas à atividade solar e não à do homem, como foi estabelecido cientificamente. Com testemunhos de personalidades e publicações apresentadas como científicas, tenta-se convencer finalmente sobre a veracidade da versão alternativa, segundo Chevassus-au-Louis.

Fatos X opinião

Discernir entre uma informação rigorosa e verificável e uma opinião pode ser, além disso, mais difícil para o público quando se trata de temas científicos.

“Todos temos uma responsabilidade, o ensino, os meios, os pesquisadores e os organismos, por não termos conseguido mostrar essa diferença”, explica Masson-Delmotte.

Paralelamente, os especialistas ressaltam que a ciência esbarra em outras dificuldades para chegar ao grande público. No ano passado, “33% dos artigos sobre clima na imprensa anglo-saxã mais populares na internet continham informações falsas”, embora não fossem mal intencionadas, afirma o climatologista Emmanuel Vincent.

Masson-Delmotte explica que a internet aumentou a discrepância entre os ritmos da atualidade e o conhecimento científico. Por exemplo, quando vários furacões afetaram o Atlântico em setembro passado, os meios se perguntaram se estes fenômenos extremos estavam ligados ao aquecimento global, uma resposta impossível de se dar imediatamente, para os especialistas.

Estes resultados científicos estiveram disponíveis vários meses depois, “mas só obtiveram um lugar muito limitado nos meios”, lamenta Masson-Delmotte.

Com informações: AFP

19:25 · 16.02.2017 / atualizado às 19:27 · 16.02.2017 por
Temperaturas incomuns contribuíram para o derretimento de gelo no Ártico, onde a média na quantidade de gelo foi de 1,26 milhão de Km², 8,6% a menos que a média registrada entre 1981 e 2010 Foto: Blog Thinking About Change

Janeiro registrou um novo declínio recorde na quantidade de gelo nos polos da Terra, enquanto as temperaturas desse mês também foram consideradas as terceiras mais altas da era moderna, informou o governo norte-americano nesta quinta-feira (16). Analistas da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) determinaram que em janeiro a temperatura da Terra foi 0,88 grau superior ao esperado para a média do século XX, de acordo com o documento.

“É a maior temperatura registrada para um mês de janeiro” desde 1880, com exceção dos anos 2016 e 2007, quando ocorreram a mais alta e a segunda mais alta temperatura respectivamente. Essas temperaturas incomuns contribuíram para o derretimento de gelo no Ártico, onde a média na quantidade de gelo foi de 1,26 milhão de Km²: 8,6% a menos que a média registrada entre 1981 e 2010. “Trata-se da menor superfície existente nos polos em janeiro desde que começaram os registros em 1979: 258.998,81 km² a menos que o recorde anterior registrado em 2016”, ressaltou o informe.

Na Antártida, a extensão de gelo em janeiro foi de 1,1 milhões de km², 22,8% a menos que a média registrada entre 1981 e 2010. “Essa foi a menor extensão de gelo na Antártida em janeiro desde que a pesquisa começou em 1979, e aproximadamente 284.898 km² menor que o recorde de 2006”, acrescentou.

Apesar da redução do nível do gelo polar, houve uma ampla variedade pluviométrica no planeta em janeiro. A neve, por sua vez, tem sido mais intensa no hemisfério norte, com 2.305.089 Km² a mais que a média documentada entre os anos 1981–2010.

Com informações: AFP

23:43 · 27.05.2016 / atualizado às 23:03 · 28.05.2016 por
Foto: National Geographic
Estudo constatou que as populações de 35 espécies de cefalópodes, tais como os polvos, aumentaram de forma contínua entre 1953 e 2013 Foto: National Geographic

O aquecimento do planeta pode estar beneficiando moluscos cefalópodes como os polvos, as sibas e as lulas, cujas populações se multiplicaram nas últimas décadas, segundo um estudo divulgado na Austrália.

“O fato de observar um aumento regular em longos períodos de três grupos diferentes de cefalópodes em toda parte nos oceanos do mundo é destacável”, disse Zoe Doubleda, pesquisadora do Instituto de Meio Ambiente da Universidade de Adelaide, na Austrália.

Segundo ela, que é a principal autora dos trabalhos publicados na revista científica “Current Biology”, o número”aumentou consideravelmente nos últimos 60 anos”.

Havia grandes especulações sobre o fato de estes animais marinhos terem tido uma forte proliferação em resposta à mudança de ambiente, depois de tendências observadas na pesca.

Aumento contínuo

Para esse estudo, Doubleday e os outros pesquisadores compilaram e analisaram as taxas de capturas de pesca desses animais entre 1953 e 2013. Eles constataram que as populações de 35 espécies de cefalópodes aumentaram de forma contínua.

“Os cefalópodes são predadores vorazes e adaptáveis e o aumento de seu número pode ter um impacto sobre as espécies que são suas presas, como os peixes e invertebrados que têm um valor comercial”, escreveram os autores. Mas “um aumento das populações de cefalópodes também pode beneficiar seus predadores, que dependem deles para se alimentar, assim como a pesca”, acrescentaram.

Evolução

Segundo os investigadores, é difícil prever a evolução do número de cefalópodes no futuro, sobretudo se as pressões exercidas pela pesca continuarem aumentando.

Os pesquisadores agora vão tentar determinar os fatores responsáveis por esta proliferação. “Isso pode nos dar mais luz sobre o impacto das atividades humanas na mudança dos ecossistemas oceânicos”, disse Doubleday.

Algas

Em outro estudo sobre ecossistemas marinhos, pesquisadores alemães produziram um modelo para prever a introdução de prováveis espécies “invasivas” em novos ambientes, com ênfase em algas.

A proliferação desses organismos pode causar sérios problemas tóxicos para peixes e mariscos, com o potencial também de causar problemas de saúde em seres humanos. Duas espécies potencialmente invasivas de alto risco para o mar do Norte, de acordo com o estudo, foram recentemente descobertas na região, antes de serem reportadas oficialmente. São as algas Prorocentrum minimum e Polysiphonia harveyi.

Este sucesso do modelo mostra que ele poderia ser adaptado a outros grupos de seres vivos. Ele também mostra que as mudanças climáticas globais levariam a uma diminuição das probabilidades de invasão de mares tropicais – como o brasileiro – e a um aumento nos mares temperados, especificamente na Europa, mar da China e costa oeste norte-americana.

Com informações: Folhapress

23:58 · 15.10.2014 / atualizado às 23:48 · 15.10.2014 por
Foto: Reuters
As 2.679 geleiras peruanas, distribuídas por 19 cadeias de montanhas cobertas de neve, são fonte de grande parte da água potável do país Foto: Reuters

As mudanças climáticas reduziram as geleiras peruanas em 40 por cento nas últimas quatro décadas, e o derretimento gerou cerca de mil novos lagos a partir de 1980, afirmou o governo do Peru nesta quarta-feira (15).

Quase 90% das geleiras peruanas são menores do que 1 quilômetro quadrado, colocando-as em maior risco de desaparecer nos próximos anos, afirmou a autoridade responsável pela água no Peru em uma atualização sobre seus glaciares a partir dos anos 1970.

As 2.679 geleiras do Peru, distribuídas por 19 cadeias de montanhas cobertas de neve, são fonte de grande parte da água potável do país. A mudança climática deve diminuir as fontes de água no Peru, embora o derretimento das geleiras poderia aumentar a disponibilidade em alguns mananciais no curto prazo.

Em 1970, pelo menos 20 mil peruanos foram mortos depois que um terremoto fez uma geleira deslizar em direção à cidade serrana de Yungay. O departamento responsável pela água do Peru disse que 996 lagos surgiram nos Andes desde 1980, quando o último levantamento foi realizado, elevando o novo total para 8.355.

O Peru abriga 70% das geleiras tropicais do mundo, que são especialmente sensíveis a temperaturas mais elevadas. O país vai sediar a Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança Climática Global em Lima no fim de novembro e em dezembro.

Com informações: Reuters

 

17:32 · 25.07.2014 / atualizado às 20:21 · 24.07.2014 por
Foto: Agenda Global 21
Os anos mais quentes registrados foram 2010, com um aumento de 0,66 grau Celsius, seguido de 2005 (0,65 grau Celsius), e 1998 (0,64 grau Celsius) Foto: Agenda Global 21

Os meses de maio e junho nunca foram tão quentes como em 2014. Especialistas divergem, porém, sobre um possível indicativo de aquecimento global. Críticos afirmam que sempre houve fases mais quentes.

Os mais recentes números da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) revelam que os meses de maio e junho nunca foram tão quentes como os deste ano, pelo menos não desde que começaram os registros, em 1880.

A constatação foi feita a partir de médias globais combinadas, resultantes das medições feitas por estações meteorológicas marítimas e terrestres. Em 2014, maio foi 0,74 grau Celsius mais quente do que a média do século 20, e junho, 0,72 grau Celsius. Esses números dão a impressão de que a mudança climática só ocorre numa direção: o aquecimento.

Mas se considerados os últimos doze meses, então, o aumento registrado não foi o maior dos últimos anos. O período entre julho de 2009 e junho de 2010 foi, em média, apenas 0,01 grau Celsius mais quente do que o mesmo período entre 2013 e 2014.

No entanto, se for levado em conta o ano do calendário, de janeiro a dezembro, o quadro é diferente. Ou seja, 2013 divide com 2003 a quarta posição no ranking de aquecimento, com uma elevação de 0,62 grau Celsius em relação à média do século 20.

Os anos mais quentes registrados foram 2010, com um aumento de 0,66 grau Celsius, seguido de 2005 (0,65 grau Celsius), e 1998 (0,64 grau Celsius).

Fases diferentes

Os números da NOAA também revelam tendências para diferentes décadas a partir de 1880. Por exemplo, entre 1880 e 1911 verificou-se um resfriamento global. Nestes anos, registrou-se uma queda máxima de 0,52 grau Celsius em relação à média de temperatura século 20.

Após esse período frio, veio uma fase de calor, que permaneceu até 1942. Essa, por sua vez, foi seguida por um novo período de resfriamento, que abrange o final da Segunda Guerra Mundial até a metade da década de 1950. A seguir, verificou-se uma tendência de aquecimento constante até 1998.

Desde então, o aquecimento global está desacelerando. Nos últimos dez anos, entre 2004 e 2014, a temperatura média permanece mais quente, porém, num nível constante, mesmo levando em consideração as temperaturas registradas em maio e junho deste ano.

Opiniões divergentes

Defensores e críticos da tese de que as mudanças climáticas são causadas pela ação humana interpretam os dados da NOAA, que em anos mais recentes inclui registros de satélites, de forma diferente.

Aqueles que afirmam que o aumento da concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera é responsável pelo aquecimento global apontam para a tendência de aquecimento, especialmente desde o início da industrialização, ligada ao aumento de uso de combustíveis fósseis. Haveria, portanto, uma relação causal entre esses dois fatores.

Em meados do século 19, a concentração de CO2 na atmosfera era menor do que 150 ppm (partes por milhão). Desde 1959, a NOAA mede essa concentração a partir da estação meteorológica de Mauna Loa, no Havaí. A partir daí, foi registrado um aumento constante desse gás na atmosfera, passando de 320 ppm para 400 ppm.

Os críticos da tese de que as mudanças climáticas são causadas pelo ser humano, por sua vez, afirmam que, justamente nos últimos dez anos, houve uma dissociação entre o aumento de CO2 e o aquecimento global e, assim, a causalidade não estaria comprovada.

Além disso, eles acrescentam que, desde o início da história da humanidade, independentemente da concentração de CO2, sempre houve fases quentes, até mesmo com temperaturas bem mais elevadas do que agora.

Com informações: Deutsche Welle / Portal Terra

19:42 · 19.05.2014 / atualizado às 17:40 · 19.05.2014 por
Ritmo de perda de calota polar é maior na porção oeste do continente antártico, de acordo com a Nasa Foto: Getty Images
Ritmo de perda de calota polar é maior na porção oeste do continente antártico, de acordo com a ESA Foto: Getty Images

As observações efetuadas nos últimos três anos pelo satélite Cryosat demonstraram que a Antártida perde 160 bilhões de toneladas de gelo anuais, o dobro do calculado em um estudo similar que abrangia os cinco anos anteriores, indicou nesta segunda-feira (19) a Agência Espacial Europeia (ESA).

As camadas de gelo polares são um dos principais contribuientes à alta do nível do mar e a perda registrada por esse satélite da ESA são suficientes para provocar por si só uma elevação de 0,45 milímetros por ano, afirmou a organização em comunicado. A zona mais afetada, segundo os dados do Centro britânico de Observação e Modelagem Polar, é o oeste da Antártida.

A região perdeu cerca de 134,3 bilhões de toneladas anuais. Já o leste  antártico perdeu 3 bilhões de toneladas anuais e a península antártica  outros 23 bilhões. O satélite Cryosat, lançado em 2010, está equipado com um altímetro que pode medir com precisão a variação de altura da superfície de gelo, o que permite ver a evolução com muita exatidão.

“Vimos que as perdas de gelo mais importantes se encontram no setor próximo ao mar de Amundsen, (…) com níveis de degelo de entre 4 e 8 metros ao ano”, explicou o professor britânico Malcolm McMillan, principal autor do estudo.

O desafio, de acordo com a ESA, radica em usar as provas recolhidas para melhorar os modelos de prognóstico, perante a evidência de que nessa parte do planeta estão ocorrendo mudanças significativas.

Com informações: EFE