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Tag: aquecimento global


17:16 · 16.01.2018 / atualizado às 17:16 · 16.01.2018 por
Para o jornalista Nicolas Chevassus-au-Louis, as “fake news”, procedem de uma mesma retórica apoiada em “versões alternativas” para explicar “inconsistências teóricas”. Um caso é a aparente imunidade da Antártida ao aquecimento global Foto: Marine Bio

A internet contribuiu também para propagar notícias científicas falsas, como dizer que a Terra é plana, que os americanos jamais pisaram na Lua e que o homem não é responsável pelas mudanças climáticas, alertam os cientistas.

O perigo destas teorias cientificamente invalidadas é que às vezes são aceitas por parte do grande público, como acontece com as “fake news” em geral. Um estudo recente na França mostrou que 79% dos cidadãos acreditam em ao menos uma teoria da conspiração. Por exemplo, 16% pensam que o homem não chegou à Lua e 9% acham “possível” que nosso planeta seja plano.

No âmbito climático, “enfrentamos uma vontade deliberada de manipular a opinião pública e os que decidem”, disse a climatologista Valérie Masson-Delmotte, convidada recentemente a participar de um colóquio em Paris.

Aqueles que Masson-Delmotte, membro do grupo de especialistas da ONU sobre o clima (IPCC), chama de “comerciantes da dúvida” buscam essencialmente, segundo ela, limitar a regulação ambiental. Mas as motivações dos propagadores das notícias falsas não são só econômicas: podem ser religiosas, ideológicas ou às vezes mais pessoais, como a busca de visibilidade.

Retórica comum

Para o jornalista especializado Nicolas Chevassus-au-Louis, as notícias falsas, científicas ou não, “procedem de uma mesma retórica”: “Se começa suscitando uma dúvida. O método mais eficaz consiste em ressaltar as supostas incoerências da versão oficial, aferrar-se a um detalhe e insistir ao máximo sobre ele”, explica.

Por exemplo, uma pergunta recorrente é: “Você não acha estranho que a Antártida não pareça estar derretendo?”. Depois se apresentam “versões alternativas”, como a ideia de que as mudanças climáticas poderiam estar ligadas à atividade solar e não à do homem, como foi estabelecido cientificamente. Com testemunhos de personalidades e publicações apresentadas como científicas, tenta-se convencer finalmente sobre a veracidade da versão alternativa, segundo Chevassus-au-Louis.

Fatos X opinião

Discernir entre uma informação rigorosa e verificável e uma opinião pode ser, além disso, mais difícil para o público quando se trata de temas científicos.

“Todos temos uma responsabilidade, o ensino, os meios, os pesquisadores e os organismos, por não termos conseguido mostrar essa diferença”, explica Masson-Delmotte.

Paralelamente, os especialistas ressaltam que a ciência esbarra em outras dificuldades para chegar ao grande público. No ano passado, “33% dos artigos sobre clima na imprensa anglo-saxã mais populares na internet continham informações falsas”, embora não fossem mal intencionadas, afirma o climatologista Emmanuel Vincent.

Masson-Delmotte explica que a internet aumentou a discrepância entre os ritmos da atualidade e o conhecimento científico. Por exemplo, quando vários furacões afetaram o Atlântico em setembro passado, os meios se perguntaram se estes fenômenos extremos estavam ligados ao aquecimento global, uma resposta impossível de se dar imediatamente, para os especialistas.

Estes resultados científicos estiveram disponíveis vários meses depois, “mas só obtiveram um lugar muito limitado nos meios”, lamenta Masson-Delmotte.

Com informações: AFP

19:25 · 16.02.2017 / atualizado às 19:27 · 16.02.2017 por
Temperaturas incomuns contribuíram para o derretimento de gelo no Ártico, onde a média na quantidade de gelo foi de 1,26 milhão de Km², 8,6% a menos que a média registrada entre 1981 e 2010 Foto: Blog Thinking About Change

Janeiro registrou um novo declínio recorde na quantidade de gelo nos polos da Terra, enquanto as temperaturas desse mês também foram consideradas as terceiras mais altas da era moderna, informou o governo norte-americano nesta quinta-feira (16). Analistas da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) determinaram que em janeiro a temperatura da Terra foi 0,88 grau superior ao esperado para a média do século XX, de acordo com o documento.

“É a maior temperatura registrada para um mês de janeiro” desde 1880, com exceção dos anos 2016 e 2007, quando ocorreram a mais alta e a segunda mais alta temperatura respectivamente. Essas temperaturas incomuns contribuíram para o derretimento de gelo no Ártico, onde a média na quantidade de gelo foi de 1,26 milhão de Km²: 8,6% a menos que a média registrada entre 1981 e 2010. “Trata-se da menor superfície existente nos polos em janeiro desde que começaram os registros em 1979: 258.998,81 km² a menos que o recorde anterior registrado em 2016”, ressaltou o informe.

Na Antártida, a extensão de gelo em janeiro foi de 1,1 milhões de km², 22,8% a menos que a média registrada entre 1981 e 2010. “Essa foi a menor extensão de gelo na Antártida em janeiro desde que a pesquisa começou em 1979, e aproximadamente 284.898 km² menor que o recorde de 2006”, acrescentou.

Apesar da redução do nível do gelo polar, houve uma ampla variedade pluviométrica no planeta em janeiro. A neve, por sua vez, tem sido mais intensa no hemisfério norte, com 2.305.089 Km² a mais que a média documentada entre os anos 1981–2010.

Com informações: AFP

23:43 · 27.05.2016 / atualizado às 23:03 · 28.05.2016 por
Foto: National Geographic
Estudo constatou que as populações de 35 espécies de cefalópodes, tais como os polvos, aumentaram de forma contínua entre 1953 e 2013 Foto: National Geographic

O aquecimento do planeta pode estar beneficiando moluscos cefalópodes como os polvos, as sibas e as lulas, cujas populações se multiplicaram nas últimas décadas, segundo um estudo divulgado na Austrália.

“O fato de observar um aumento regular em longos períodos de três grupos diferentes de cefalópodes em toda parte nos oceanos do mundo é destacável”, disse Zoe Doubleda, pesquisadora do Instituto de Meio Ambiente da Universidade de Adelaide, na Austrália.

Segundo ela, que é a principal autora dos trabalhos publicados na revista científica “Current Biology”, o número”aumentou consideravelmente nos últimos 60 anos”.

Havia grandes especulações sobre o fato de estes animais marinhos terem tido uma forte proliferação em resposta à mudança de ambiente, depois de tendências observadas na pesca.

Aumento contínuo

Para esse estudo, Doubleday e os outros pesquisadores compilaram e analisaram as taxas de capturas de pesca desses animais entre 1953 e 2013. Eles constataram que as populações de 35 espécies de cefalópodes aumentaram de forma contínua.

“Os cefalópodes são predadores vorazes e adaptáveis e o aumento de seu número pode ter um impacto sobre as espécies que são suas presas, como os peixes e invertebrados que têm um valor comercial”, escreveram os autores. Mas “um aumento das populações de cefalópodes também pode beneficiar seus predadores, que dependem deles para se alimentar, assim como a pesca”, acrescentaram.

Evolução

Segundo os investigadores, é difícil prever a evolução do número de cefalópodes no futuro, sobretudo se as pressões exercidas pela pesca continuarem aumentando.

Os pesquisadores agora vão tentar determinar os fatores responsáveis por esta proliferação. “Isso pode nos dar mais luz sobre o impacto das atividades humanas na mudança dos ecossistemas oceânicos”, disse Doubleday.

Algas

Em outro estudo sobre ecossistemas marinhos, pesquisadores alemães produziram um modelo para prever a introdução de prováveis espécies “invasivas” em novos ambientes, com ênfase em algas.

A proliferação desses organismos pode causar sérios problemas tóxicos para peixes e mariscos, com o potencial também de causar problemas de saúde em seres humanos. Duas espécies potencialmente invasivas de alto risco para o mar do Norte, de acordo com o estudo, foram recentemente descobertas na região, antes de serem reportadas oficialmente. São as algas Prorocentrum minimum e Polysiphonia harveyi.

Este sucesso do modelo mostra que ele poderia ser adaptado a outros grupos de seres vivos. Ele também mostra que as mudanças climáticas globais levariam a uma diminuição das probabilidades de invasão de mares tropicais – como o brasileiro – e a um aumento nos mares temperados, especificamente na Europa, mar da China e costa oeste norte-americana.

Com informações: Folhapress

23:58 · 15.10.2014 / atualizado às 23:48 · 15.10.2014 por
Foto: Reuters
As 2.679 geleiras peruanas, distribuídas por 19 cadeias de montanhas cobertas de neve, são fonte de grande parte da água potável do país Foto: Reuters

As mudanças climáticas reduziram as geleiras peruanas em 40 por cento nas últimas quatro décadas, e o derretimento gerou cerca de mil novos lagos a partir de 1980, afirmou o governo do Peru nesta quarta-feira (15).

Quase 90% das geleiras peruanas são menores do que 1 quilômetro quadrado, colocando-as em maior risco de desaparecer nos próximos anos, afirmou a autoridade responsável pela água no Peru em uma atualização sobre seus glaciares a partir dos anos 1970.

As 2.679 geleiras do Peru, distribuídas por 19 cadeias de montanhas cobertas de neve, são fonte de grande parte da água potável do país. A mudança climática deve diminuir as fontes de água no Peru, embora o derretimento das geleiras poderia aumentar a disponibilidade em alguns mananciais no curto prazo.

Em 1970, pelo menos 20 mil peruanos foram mortos depois que um terremoto fez uma geleira deslizar em direção à cidade serrana de Yungay. O departamento responsável pela água do Peru disse que 996 lagos surgiram nos Andes desde 1980, quando o último levantamento foi realizado, elevando o novo total para 8.355.

O Peru abriga 70% das geleiras tropicais do mundo, que são especialmente sensíveis a temperaturas mais elevadas. O país vai sediar a Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança Climática Global em Lima no fim de novembro e em dezembro.

Com informações: Reuters

 

17:32 · 25.07.2014 / atualizado às 20:21 · 24.07.2014 por
Foto: Agenda Global 21
Os anos mais quentes registrados foram 2010, com um aumento de 0,66 grau Celsius, seguido de 2005 (0,65 grau Celsius), e 1998 (0,64 grau Celsius) Foto: Agenda Global 21

Os meses de maio e junho nunca foram tão quentes como em 2014. Especialistas divergem, porém, sobre um possível indicativo de aquecimento global. Críticos afirmam que sempre houve fases mais quentes.

Os mais recentes números da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) revelam que os meses de maio e junho nunca foram tão quentes como os deste ano, pelo menos não desde que começaram os registros, em 1880.

A constatação foi feita a partir de médias globais combinadas, resultantes das medições feitas por estações meteorológicas marítimas e terrestres. Em 2014, maio foi 0,74 grau Celsius mais quente do que a média do século 20, e junho, 0,72 grau Celsius. Esses números dão a impressão de que a mudança climática só ocorre numa direção: o aquecimento.

Mas se considerados os últimos doze meses, então, o aumento registrado não foi o maior dos últimos anos. O período entre julho de 2009 e junho de 2010 foi, em média, apenas 0,01 grau Celsius mais quente do que o mesmo período entre 2013 e 2014.

No entanto, se for levado em conta o ano do calendário, de janeiro a dezembro, o quadro é diferente. Ou seja, 2013 divide com 2003 a quarta posição no ranking de aquecimento, com uma elevação de 0,62 grau Celsius em relação à média do século 20.

Os anos mais quentes registrados foram 2010, com um aumento de 0,66 grau Celsius, seguido de 2005 (0,65 grau Celsius), e 1998 (0,64 grau Celsius).

Fases diferentes

Os números da NOAA também revelam tendências para diferentes décadas a partir de 1880. Por exemplo, entre 1880 e 1911 verificou-se um resfriamento global. Nestes anos, registrou-se uma queda máxima de 0,52 grau Celsius em relação à média de temperatura século 20.

Após esse período frio, veio uma fase de calor, que permaneceu até 1942. Essa, por sua vez, foi seguida por um novo período de resfriamento, que abrange o final da Segunda Guerra Mundial até a metade da década de 1950. A seguir, verificou-se uma tendência de aquecimento constante até 1998.

Desde então, o aquecimento global está desacelerando. Nos últimos dez anos, entre 2004 e 2014, a temperatura média permanece mais quente, porém, num nível constante, mesmo levando em consideração as temperaturas registradas em maio e junho deste ano.

Opiniões divergentes

Defensores e críticos da tese de que as mudanças climáticas são causadas pela ação humana interpretam os dados da NOAA, que em anos mais recentes inclui registros de satélites, de forma diferente.

Aqueles que afirmam que o aumento da concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera é responsável pelo aquecimento global apontam para a tendência de aquecimento, especialmente desde o início da industrialização, ligada ao aumento de uso de combustíveis fósseis. Haveria, portanto, uma relação causal entre esses dois fatores.

Em meados do século 19, a concentração de CO2 na atmosfera era menor do que 150 ppm (partes por milhão). Desde 1959, a NOAA mede essa concentração a partir da estação meteorológica de Mauna Loa, no Havaí. A partir daí, foi registrado um aumento constante desse gás na atmosfera, passando de 320 ppm para 400 ppm.

Os críticos da tese de que as mudanças climáticas são causadas pelo ser humano, por sua vez, afirmam que, justamente nos últimos dez anos, houve uma dissociação entre o aumento de CO2 e o aquecimento global e, assim, a causalidade não estaria comprovada.

Além disso, eles acrescentam que, desde o início da história da humanidade, independentemente da concentração de CO2, sempre houve fases quentes, até mesmo com temperaturas bem mais elevadas do que agora.

Com informações: Deutsche Welle / Portal Terra

19:42 · 19.05.2014 / atualizado às 17:40 · 19.05.2014 por
Ritmo de perda de calota polar é maior na porção oeste do continente antártico, de acordo com a Nasa Foto: Getty Images
Ritmo de perda de calota polar é maior na porção oeste do continente antártico, de acordo com a ESA Foto: Getty Images

As observações efetuadas nos últimos três anos pelo satélite Cryosat demonstraram que a Antártida perde 160 bilhões de toneladas de gelo anuais, o dobro do calculado em um estudo similar que abrangia os cinco anos anteriores, indicou nesta segunda-feira (19) a Agência Espacial Europeia (ESA).

As camadas de gelo polares são um dos principais contribuientes à alta do nível do mar e a perda registrada por esse satélite da ESA são suficientes para provocar por si só uma elevação de 0,45 milímetros por ano, afirmou a organização em comunicado. A zona mais afetada, segundo os dados do Centro britânico de Observação e Modelagem Polar, é o oeste da Antártida.

A região perdeu cerca de 134,3 bilhões de toneladas anuais. Já o leste  antártico perdeu 3 bilhões de toneladas anuais e a península antártica  outros 23 bilhões. O satélite Cryosat, lançado em 2010, está equipado com um altímetro que pode medir com precisão a variação de altura da superfície de gelo, o que permite ver a evolução com muita exatidão.

“Vimos que as perdas de gelo mais importantes se encontram no setor próximo ao mar de Amundsen, (…) com níveis de degelo de entre 4 e 8 metros ao ano”, explicou o professor britânico Malcolm McMillan, principal autor do estudo.

O desafio, de acordo com a ESA, radica em usar as provas recolhidas para melhorar os modelos de prognóstico, perante a evidência de que nessa parte do planeta estão ocorrendo mudanças significativas.

Com informações: EFE

20:43 · 17.10.2013 / atualizado às 20:50 · 17.10.2013 por
A espécie Diabrotica speciosa, conhecida popularmente como besouro brasileirinho, altera seus comportamento sexual quando há mudanças na pressão atmosférica Foto: Via Rural
A espécie Diabrotica speciosa, conhecida popularmente como besouro brasileirinho, altera seus comportamento sexual quando há mudanças na pressão atmosférica Foto: Via Rural

Pesquisadores brasileiros e canadenses confirmaram uma suspeita antiga na cultura popular, inclusive no folclore nordestino: os insetos mudam seu comportamento sexual quando há alterações climáticas em aproximação, como se “previssem” chuvas e tempestades antes delas ocorrerem.

O estudo foi realizado por cientistas da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com colegas da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro-PR) e da University of Western Ontario, do Canadá. Eles observaram que besouros da espécie Diabrotica speciosa (conhecidos popularmente como brasileirinhos”) , além de pulgões-da-batata (Macrosiphum euphorbiae) e lagartas da pastagem (Pseudaletia unipuncta), têm capacidade de detectar queda na pressão atmosférica.

Ao perceberem a mudança, que geralmente vem acompanhada de chuvas, as três espécies diminuem a disposição de cortejar e acasalar.  “Demonstramos que os insetos, de fato, têm capacidade de detectar mudanças no tempo, de se antecipar e buscar abrigo para se proteger das más condições climáticas, como temporais e ventanias, por exemplo. Certamente esses animais estão mais preparados para enfrentar as mudanças repentinas no tempo que, provavelmente, ocorrerão com maior frequência e intensidade no mundo nos próximos anos em razão das mudanças climáticas globais”, disse José Maurício Simões Bento, professor do Departamento de Entomologia e Acarologia da USP e um dos autores do estudo.

Os experimentos em condições naturais (sem a manipulação da pressão) e sob condições controladas, em laboratório, revelaram que, ao detectar uma queda brusca na pressão atmosférica, por exemplo, as fêmeas diminuem ou simplesmente deixam de manifestar um comportamento conhecido como “chamamento”, no qual liberam feromônio para atrair machos para o acasalamento. Os machos, por sua vez, passam a apresentar menor interesse sexual, não respondem aos estímulos das fêmeas e procuram abrigos para se proteger da mudança de tempo capaz de ocorrer nas próximas horas. Passado o mau tempo, os insetos retomam as atividades de cortejo, namoro e acasalamento.

“Esse comportamento de perda momentânea do interesse no acasalamento horas antes de uma tempestade representa uma capacidade adaptativa que, ao mesmo tempo, reduz a probabilidade de lesões e mortes desses animais – uma vez que são organismos diminutos e muito vulneráveis a condições climáticas adversas, como temporais, chuvas pesadas e ventanias – e assegura a reprodução e a perpetuação das espécies”, afirmou Bento.

10:44 · 26.09.2013 / atualizado às 10:46 · 26.09.2013 por
Com o degelo no Oceano Ártico, ursos-polares têm arriscado caçar filhotes das gigantescas morsas devido às dificuldades de conseguir seu alimento principal: as focas Foto: Tom Arnbom / WWF
Com o degelo no Oceano Ártico, ursos-polares têm arriscado caçar filhotes das gigantescas morsas devido às dificuldades de conseguir seu alimento principal: as focas Foto: Tom Arnbom / WWF

A divulgação do relatório do IPCC (sigla inglesa para Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) da Organização das Nações Unidas (ONU) trouxe uma previsão catastrófica para a vida da região Ártica, especialmente dos que habitam a superfície permanentemente (por enquanto) congelada do Oceano Glacial Ártico.

No cenário mais pessimista, há previsão de verões sem gelo já a partir de 2050, ou antes. “É muito provável que a cobertura de gelo marinho no Ártico continue a encolher e afinar. Sob o cenário RCP8.5, um oceano quase sem gelo provavelmente será visto antes do meio do século. O que eu vi no Ártico 40 anos atrás não existe mais. É impressionante ver quão rápido se foi. Estava lá todos os anos. Alguns eram mais frios que outros, e a população de animais variava, mas em 2007 me dei conta de que os impactos eram bem visíveis, afirmou o biólogo sueco Tom Arnborn.

As previsões anteriores do IPCC apontavam que o primeiro verão sem gelo no Ártico só viria no fim do século.   O gelo marinho ajuda a refletir radiação solar. Com o degelo e mais área de águas escuras para absorver calor, a escassez de superfície branca vai retroalimentar a mudança climática. A mudança terá e já está tendo um impacto muito grande sobre a fauna local. Arnbom desembarcou neste verão na costa do mar de Laptev, na Rússia, para coletar DNA de morsas e notou que os enormes mamíferos tinham um medo incomum de ursos-polares, animal que normalmente não os ataca.

Após alguns dias no local, o cientista percebeu que, sem terem gelo marinho como base de caça, os ursos não alcançavam focas e outras presas prediletas. A alternativa era tentar abocanhar filhotes de morsa. Antes, as morsas costumavam se espalhar em pedaços de gelo marinho. Agora elas migraram para uma única praia, formando uma concentração de até 100 mil indivíduos. O local, afastado das áreas de alimentação ricas em moluscos, era pequeno demais para abrigar tantos animais, e muitos morriam esmagados.

Ursos e morsas, porém, não são os únicos animais da região a terem mudado de comportamento. Segundo a WWF, a região é habitada por 40 comunidades tradicionais, que enfrentam escassez na caça e pesca artesanal.   E outro grupo de humanos, vendo novas rotas de navegação se abrirem, enxerga agora o potencial econômico da região como rota de transporte marítimo, pesca industrial e fonte de petróleo.

A gigante russa Gazprom, que estabeleceu a primeira plataforma de petróleo “offshore” da região, teve suas instalações no mar de Pechora invadidas por ativistas do Greenpeace na semana passada. Trinta ambientalistas, incluindo uma brasileira, estão presos.

Com informações: Folha Online

09:36 · 15.06.2013 / atualizado às 12:37 · 15.06.2013 por
Derretimento em plataforma de gelo tem sido mais intenso que desprendimento de icebergs. Área afetada por fenômeno é do tamanho do Nordeste brasileiro Foto: Nasa
Derretimento em plataforma de gelo tem sido mais intenso que desprendimento de icebergs. Área afetada por fenômeno é do tamanho do Nordeste brasileiro Foto: Nasa

A Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) divulgou mais um dado alarmante sobre o derretimento de gelo devido às mudanças climáticas globais. De acordo com a agência, nada menos que 55% da base das plataformas de gelo (prolongamentos das geleiras flutuantes no oceano) da Antártida (ou Antártica) derreteram em apenas cinco anos.

No total, essas estruturas naturais cobrem uma superfície de 1,5 milhão de km², ou praticamente a mesma área da região Nordeste do Brasil.  O continente antártico contém, em média, 60% das reservas de água doce do planeta nestas plataformas, espécies de barreiras de gelo, que reduzem o escoamento das geleiras para o oceano.

Determinar como elas derretem ajudará os glaciologistas e outros cientistas a melhorar suas previsões sobre a resposta da massa glaciar antártica ao aquecimento do oceano e sobre sua contribuição para a elevação do nível dos mares. Segundo os pesquisadores, este estudo refinará os modelos sobre a circulação oceânica, ao fornecer uma estimativa melhor do volume de água doce procedente do derretimento destas plataformas de gelo na zona costeira da Antártida.

Para esta pesquisa, publicada na edição da revista Science de sexta-feira (14), os cientistas reconstituíram o acúmulo de gelo e a espessura com satélites e aviões, assim como as mudanças na elevação destas plataformas e a velocidade de deslocamento. Eles conseguiram, ainda, determinar com qual velocidade derreteram e compará-las com a formação de icebergs.

“O ponto de vista tradicional sobre a perda da massa de gelo da Antártica é que ela ocorre quase totalmente da ruptura de um iceberg. Nosso estudo mostra que o derretimento da base das plataformas de gelo contribui de forma muito mais importante”, explicou Eric Rignot, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL, na sigla em inglês), da Nasa, principal autor do trabalho.

Com Informações: Portal  UOL

12:48 · 11.05.2013 / atualizado às 16:25 · 11.05.2013 por
Eventos climáticos extremos, como a seca 2012-2013 no Nordeste brasileiro podem se agravar em níveis sem precedentes caso níveis de CO² continuem aumentando no ritmo atual Foto: Wellington Macedo
Eventos climáticos extremos, como a seca 2012-2013 no Nordeste brasileiro podem se agravar em níveis sem precedentes caso níveis de CO² continuem aumentando no ritmo atual Foto: Wellington Macedo

Em época de forte seca no Nordeste e outros extremos climáticos pelo mundo, a concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera do Hemisfério Norte superou pela primeira vez na história recente a fronteira simbólica das 400 partes por milhão (ppm). Os dados foram divulgados na sexta-feira (10) pela Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês).

O número representa um preocupante  marco já que foi registrado em Mauna Loa, no Havaí, a estação de medição de dióxido de carbono contínua mais antiga do planeta e que é considerado o principal local de medição de gases do efeito estufa desde que começou a operar em 1958. “É impossível parar a chegada do CO2 aos níveis de 400 partes por milhão. Isso já é um fato. Mas o que acontece a partir de agora ainda importa para o planeta e está sob nosso controle”, afirmou Ralph Keeling, geoquímico do Centro Oceanográfico de San Diego, no comunicado da NOAA.

Os cientistas determinaram que, antes da revolução industrial do século 19, os níveis de CO2 eram de 280 partes por milhão. A taxa de aumento se acelerou desde que começaram as análises contínuas em 1958, ao passar de cerca de 0,7 partes por milhão ao ano naquela época a uma média de 2,1 partes por milhão ao ano na última década.

A última vez em que o nível de CO2 chegou a 400 ppm foi durante o período geológico do Plioceno, entre 3,2 milhões e 5 milhões de anos atrás, quando a Terra marcava de 2 a 3 graus a mais. Esse período coincidiu com a separação entre a espécie humana e as espécies do chimpanzé e do bonobo.

Em ritmo atual haverá colapso da agricultura em 100 anos e gigantesca extinção em massa nos 500 anos seguintes

Já havia uma expectativa de que os índices pudessem ultrapassar o limite de 400 ppm, mas os pesquisadores não previam que isso aconteceria tão rápido, segundo Hilton Silveira Pinto, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas a Agricultura, da Unicamp.

“No início do século, os índices de concentração de CO2 eram de 370 ppm. Os 400 ppm são equivalentes a um aumento de cerca de 10% no conteúdo de carbono. Pode ser que, em 30 anos, estes números cheguem a 500 ppm, fazendo com que plantas tenham dificuldade em se desenvolver. Caso alcancem os 700 ppm, as plantas não se desenvolverão mais”, relatou o pesquisador. No ritmo atual, isso levaria pouco mais de um século e levaria a um colapso na agricultura.

Mas o quadro poderia ser muito pior num futuro um pouco mais distante. A concentração do gás gerador de efeito estufa poderia chegar a estonteantes 2.000 ppm, em cerca de 600 ou 700 anos, índice similar ao registrado durante a extinção do Permiano-Triássico, há cerca de 250 milhões de anos. A extinção foi a maior conhecida e vitimou 90% das espécies marinhas e 70% das terrestres.