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Tag: asteroides


17:52 · 15.12.2017 / atualizado às 17:52 · 15.12.2017 por
Concepção artística do Oumuamua, asteroide que tem formato compatível com o que uma nave precisaria ter para percorrer o espaço interestelar, segundo pesquisadores Foto: Los Angeles Times

O misterioso Oumuamua, um objeto em forma de cigarro vindo de outro sistema estelar e que foi detectado recentemente, “não emite sinais artificiais”, segundo as primeiras observações de cientistas à procura de vida inteligente fora da Terra, frustrando astrobiólogos.

O objeto rochoso, cujo nome significa “mensageiro” na língua havaiana, foi detectado em 19 de outubro com o telescópio Pan-STARRS1, situado no Havaí, que rastreia os objetos que se aproximam da Terra. Em um estudo publicado na revista científica Nature em 21 de novembro, uma equipe de pesquisadores considerou que se tratava de um asteroide de 400 metros de comprimento e 40 de largura.

Sua forma não tem precedentes na longa lista de asteroides e cometas que se formaram em nosso Sistema Solar, segundo esses pesquisadores, que concluíram que esse asteroide era de natureza interestelar. Pesquisadores chegaram a especular que pudesse se tratar de um objeto artificial, dado o seu formato, compatível com o que se espera de uma nave capaz de cruzar o espaço interestelar.

Segundo os astrônomos, esse objeto incomum cruzou a Via Láctea durante milhões de anos, antes de chegar ao nosso Sistema Solar. O programa Breakthrough Listen, destinado à busca de vida tecnológica extraterrestre no Universo, focou seu poderoso radiotelescópio de Green Bank (Virgínia Ocidental) sobre Oumuamua.

“Não descobriram sinais artificiais vindos desse objeto até agora (…), mas a vigilância e a análise de dados continua”, explicou Breakthrough Listen em comunicado.

Com informações: AFP

20:02 · 26.01.2015 / atualizado às 20:29 · 26.01.2015 por
Foto: Nasa/TruNews
O asteroide 2004 BL86 é especial porque é uma rocha muito maior do que a maioria: mede cerca de 500 metros, enquanto no no geral os objetos que se aproximam da Terra costumam ter entre 15 e 30 metros de diâmetro Foto: Nasa/TruNews

Um asteroide do tamanho de uma serra passa próximo da Terra nesta segunda e também na terça-feira (dias 26 e 27), em um sobrevoo que não voltará a ocorrer em uma década, anunciaram astrônomos, descartando risco de colisão.

Não há nenhuma chance de que o asteroide, conhecido como 2004 BL86, caia na Terra. Em sua máxima aproximação do nosso planeta, por volta das 13h (em Fortaleza), esteve a uma distância três vezes maior do que a Lua. De qualquer forma, em termos espaciais, trata-se de uma distância curta.

“No momento em que alcançar seu ponto mais próximo, em 26 de janeiro, estará a aproximadamente 1,2 milhão de quilômetros da Terra”, informou, em um comunicado, o Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa. Esta foi a primeira vez em 200 anos que este asteroide em particular passa tão perto da Terra.

O asteroide 2004 BL86 é especial porque é uma rocha muito maior do que a maioria: mede cerca de 500 metros, enquanto no no geral os objetos que se aproximam da Terra costumam ter entre 15 e 30 metros de diâmetro.

“É a maior rocha espacial que deve passar tão perto da Terra até 2027”, ano em que o planeta receberá a visita do asteroide 1999 AN10, destacou a revista especializada Sky and Telescope.

Binóculos potentes ou telescópios

Infelizmente, o asteroide 2004 BL86 não ficou e nem ficará visível a olho nu.

A aparição do astro não será especial “porque na Terra só uma parte de seu lado iluminado ficará visível”, detalhou a Sky and Telescope.

Pouco a pouco, o asteroide irá ganhando brilho e o melhor momento para visualizá-lo (com o uso de um binóculo potente ou um telescópio) nas Américas do Norte e do Sul, na Europa e na África será entre a 22h desta segunda e as 3h de terça (horário em Fortaleza).

“Durante este período, o 2004 BL86 se dirigirá para o norte, através da constelação de Câncer”, prosseguiu a revista.

Com informações: AFP

21:39 · 19.01.2015 / atualizado às 22:16 · 22.01.2015 por
Imagem: ESA
Representação artística mostrando a visão da Terra, a partir das proximidades do asteroide 2004 BL86 Imagem: ESA

O asteroide 2004 BL86 vai passar tão perto da Terra que será possível acompanhá-lo com simples telescópios ou com uns bons binóculos. A maior aproximação está prevista para as 13h20, da segunda-feira (26), mas ele seguirá visível até a madrugada do dia seguinte. Ele tem 500 metros de diâmetro (maior que o morro do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro) e passará a cerca de 1,2 milhões de quilômetros do planeta. Estará tão próximo, que será uma oportunidade única para o estudar, segundo um cientista da NASA.

“Apesar de não ser uma ameaça para a Terra num futuro próximo, é uma distância relativamente próxima de um asteroide relativamente grande, por isso, é uma oportunidade única para observar e aprender mais”, salientou Don Yeomans, da NASA. Yeomans acrescentou que não haverá nenhuma aproximação idêntica durante pelo menos 200 anos.

Astro quase desconhecido

Descoberto no dia 30 de janeiro de 2004 por um telescópio situado no Novo México (EUA), pouco se sabe sobre o 2004 BL86.

“Quando tivermos a informação do radar no dia seguinte à passagem, teremos as primeiras imagens detalhadas. De momento, pouco sabemos sobre o asteroide, por isso deveremos ter surpresas”, realçou o astrônomo Lance Benner, citado pela NASA.

Com informações: Diário de Notícias

23:20 · 01.10.2014 / atualizado às 23:24 · 01.10.2014 por
Foto: Wikimedia Commons
Bacia lunar escura, vista da Terra, produz a imagem de uma figura humana, também conhecida como “homem na Lua” Foto: Wikimedia Commons

Uma bacia lunar escura que, vista da Terra, produz a imagem de uma figura humana, também conhecida como “homem na Lua”, foi criada por um jato de lava e não pela colisão de um asteroide, afirmaram astrônomos nesta quarta-feira (1).

Chamada de Oceanus Procellarum – o “oceano das tormentas”, como é conhecida pelos observadores dos céus -, a vasta bacia tem quase 3.000 quilômetros de diâmetro. Até agora, a principal teoria para explicar este traço extraordinário é que ele teria surgido quando uma rocha espacial maciça colidiu com a Lua nas origens do satélite natural da Terra.

Mas um estudo publicado na revista científica Nature oferece evidências de que uma erupção vulcânica teria criado a mancha que cobre um quinto da face visível da Lua. Segundo o artigo, ao analisar dados de uma missão da Nasa, astrônomos descobriram remanescências de antigas fendas na crosta lunar, que no passado formaram um “sistema de bombeamento de magma”.

Este sistema inundou a região com lava há entre 3 e 4 bilhões de anos. Com o tempo, a lava se solidificou para criar a rocha basáltica escura atualmente visível da Terra. As fendas ficaram evidentes depois de uma missão de 2012, denominada GRAIL, que enviou duas sondas, uma seguindo a outra ao redor da Lua.

À medida que a nave principal sobrevoava uma região com crosta mais fina ou mais espessa, o empuxo gravitacional sobre ela mudava e esta alterava por um curto período sua distância em relação à sonda que a seguia. Ao medir o movimento sanfona, os cientistas conseguiram mapear diferenças na crosta lunar.

Esse mapa mostrou que a margem da região Procellarum tem a forma de um polígono, com extremidades que se unem em um ângulo de 120 graus. Esta é a assinatura da contração por material fundido e que se resfriou, enquanto o impacto de um asteroide teria criado uma cratera circular ou elíptica.

Ainda não está claro, no entanto, porque a erupção de lava aconteceu, afirmou Maria Zuber, professora de Geofísica do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

Com informações: AFP

17:18 · 25.02.2014 / atualizado às 17:42 · 25.02.2014 por
Foto: Nasa
Contribuição de asteroides para o acúmulo de água no planeta pode ter sido superior a 50% Foto: Nasa

Pesquisadores brasileiros desenvolveram um modelo mais preciso para determinar a origem da água e da vida na Terra.

Em vez de ter vindo de cometas, hipótese mais aceita até agora, a maior parte da água no planeta teria vindo de asteroides.

Assinam o trabalho cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Guaratinguetá, em colaboração com colegas da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e do Instituto de Astrobiologia da agência espacial norte-americana (Nasa).

De acordo com Othon Cabo Winter (Unesp), coordenador do estudo, até recentemente se acreditava que os cometas, ao colidir com a Terra durante a formação do Sistema Solar, haviam trazido a maior parte da água existente hoje no planeta.

Simulações computacionais da quantidade de água que esses objetos celestes de gelo podem ter fornecido para a Terra – baseadas no índice de deutério (o hidrogênio mais pesado) na água deles – negam essa hipótese.

“Pelas simulações, a contribuição dos cometas no fornecimento de água para a Terra seria de, no máximo, 30%. Mais do que isso é pouco provável”, disse o pesquisador.

Origem da pesquisa

No início dos anos 2000, estudos internacionais sugeriram que, além dos cometas, outros objetos planetesimais (que deram origem aos planetas), como asteroides carbonáceos – o tipo mais abundante de asteroides no Sistema Solar –, também poderiam ter água e fornecê-la para a Terra por meio da interação com planetas e embriões planetários durante a formação do Sistema Solar.

A hipótese foi confirmada nos últimos anos por observações de asteroides feitas a partir da Terra e de meteoritos (pedaços de asteroides) que entraram na atmosfera terrestre. Outras possíveis fontes de água da Terra, também propostas nos últimos anos, são grãos de silicato (poeira) da nebulosa solar (nuvem de gás e poeira), que encapsularam moléculas de água durante a formação do Sistema Solar.

Essa “nova” fonte, no entanto, ainda não tinha sido validada e incluída nos modelos de distribuição de água por meio de corpos celestes primordiais, como os asteroides e os cometas. “Incluímos esses grãos de silicato da nebulosa solar, com os cometas e asteroides, no modelo que desenvolvemos e avaliamos qual a contribuição de cada uma dessas fontes para a quantidade de água que chegou à Terra”, detalhou Winter.

O pesquisador e seus colaboradores conseguiram estimar a contribuição de cada um desses objetos celestes com base nesse “certificado de origem”, o índice de deutério da água encontrada na Terra. Além disso, conseguiram determinar qual o volume de água que cada uma dessas fontes forneceu e em que momento fizeram isso durante a formação do planeta.

“A maior parte veio dos asteroides, que deram uma contribuição de mais de 50%. Uma pequena parcela veio da nebulosa solar, com 20% de participação, e os 30% restantes dos cometas”, detalhou Winter.

Com informações: Agência Fapesp / Zero Hora

14:03 · 02.10.2013 / atualizado às 08:20 · 03.10.2013 por
Estranhos répteis, ancestrais de dinossauros, crocodilianos, aves e mamíferos habitavam a Terra quando a elevação de até 10º C na temperatura global extinguiu até 90% das espécies existentes naquele período Imagem: Planet Save
Estranhos répteis, ancestrais de dinossauros, crocodilianos, aves e mamíferos habitavam a Terra quando a elevação de até 10º C na temperatura global extinguiu até 90% das espécies existentes naquele período Imagem: Planet Save

“Alguém falou do fim do mundo, o fim do mundo já passou”. Os versos da música “Vamos fazer um filme”, do extinto grupo musical Legião Urbana fazem todo sentido para quem analisa a história do planeta Terra.

Há cerca de 250 milhões de anos a maior das chamadas cinco grandes extinções em massa dizimou de 90 a 96% de todas as espécies na passagem do Permiano para o Triássico. Por pouco, não foi o fim da vida complexa e da possibilidade de uma espécie futura, a nossa, filosofar sobre um eventual dia em que tudo irá pelos ares.

Esse fato é conhecido há décadas por geólogos e paleontólogos do mundo todo, mas a grande novidade sobre o apocalipse do supercontinente Pangeia é que ele pode ter começado no que hoje é o Brasil. Pelo menos duas crateras de impacto daquele período ficam em nosso país. A maior delas  localizadas entre as cidades de Araguainha e Ponte Branca, em Mato Grosso, mede cerca de 40 quilômetros de diâmetro e, se calcula, foi gerada pelo choque com um asteroide de 4 quilômetros. Naquela época todos os continentes estavam unidos em uma única massa de terra.

Também nada desprezível é a cratera de 13,7 quilômetros localizada na superfície do atual município de Campos Lindos, em Tocantins. Hoje ela está preenchida pela chamada serra da Cangalha, com cerca de 400 metros de altura e formato quase circular. Há quase 40 anos se suspeitava que essas estruturas integrassem crateras de impactos. Mas agora a equipe coordenada pelo geólogo Alvaro Crósta, da Universidade Estadual de Campinas, obteve evidências contundentes.

O geofísico Marcos Alberto Vasconcelos coletou amostras de rochas que preservam tanto registros macroscópicos quanto microscópicos do impacto de um corpo celeste por ali. Segundo Crósta, algumas das amostras indicam que essas rochas, hoje expostas nas regiões mais superficiais da Terra, se formaram a pressões altíssimas de até 10 gigapascais. Pressões tão elevadas só ocorrem nesses choques ou em regiões profundas do planeta, a centenas de quilômetros abaixo da superfície.

Uma sucessão de eventos decorrentes desses impactos podem ter provocado um rápido e fatal aquecimento global. Há pistas geológicas de que tais eventos teriam resultado em tsunamis e terremotos, de até 9,9 graus na escala Richter. De uma forma ou de outra, rochas ricas em carbono orgânico teriam sido fraturadas e liberado uma quantidade gigantesca de metano, um gás do efeito estufa.  Em poucos dias, podem ter sido liberadas 1.600 gigatoneladas de metano.

No entanto, o tema ainda promete muita polêmica, já que há também evidências bem documentadas de colossais erupções vulcânicas na Sibéria (Rússia), com consequente liberação de clatratos de metano congelados nos fundos oceânicos, que pode ter contribuído para elevação média das temperaturas globais em até 10ºC.

Também há quem sustente que a própria formação da Pangeia pode ter afetado de modo decisivo a circulação das correntes marinhas e dos ventos na atmosfera. O mais provável é que uma verdadeira sequência do que os teólogos chamariam de pragas bíblicas atuou de forma simultânea e quase acabou com tudo.

11:36 · 21.09.2013 / atualizado às 11:45 · 21.09.2013 por
Os seres encontrados a 27 km de altitude eram similares às diatomáceas, grupos de micro-organismos com carapaças Foto: Iranian.com
Os seres encontrados a 27 km de altitude eram similares às diatomáceas, grupos de micro-organismos com carapaças Foto: Iranian.com

A teoria de que a vida pode ter começado fora da Terra e possivelmente trazida por meteoritos e asteroides ganhou um reforço. O pesquisador britânico Milton Wainwright, da Universidade de Sheffield, diz ter encontrado seres microscópicos, similares às diatomáceas, a cerca de 27 km de altitude, na camada conhecida como estratosfera.

As criaturas foram recolhidas através de um balão meteorológico. Segundo Wainwright, não é conhecido nenhum fenômeno natural capaz de levar essas partículas a essa altitude, com exceção de violentas erupções vulcânicas. Contudo, como nenhum vulcão entrou em erupção nos últimos três anos na região pesquisada, Wainwright conclui que a única fonte possível para essas “entidades biológicas” é o espaço.

“Nossa conclusão é que a vida está continuamente chegando à Terra pelo espaço, a vida não é restrita a este planeta e certamente não se originou aqui. Se a vida continua a chegar do espaço, então nós temos que mudar completamente nossa visão de biologia e evolução e novos livros didáticos terão que ser escritos”, entusiasma-se. O estudo, no entanto, é controverso e foi recebido com ressalvas pela comunidade científica.

O próprio cientista admite que pode ser descoberto um processo natural que tenha levado esses seres à estratosfera. Para ele, o próximo passo é descobrir se o material é realmente de fora da Terra. “O experimento absolutamente crucial será o que é chamado de fracionamento isotópico. Nós vamos pegar algumas amostras que isolamos da estratosfera e introduzir em uma máquina complexa. Um botão será apertado. Se a proporção de isótopos nos der um número, então os organismos serão da Terra, se der outro, eles são do espaço.”

O que são diatomáceas

As diatomáceas são um grupo de protistas (micro-organismos com núcleos celulares bem definidos) que possuem carapaças de sílica, chamadas frústulas e habitam principalmente os oceanos, mares, lagos e rios, com poucos representantes no solo.

Embora os protistas possam ter surgido há mais de 2 bilhões de anos, estima-se que as diatomáceas só aparecerem na Terra após a chamada extinção permo-triássica, há 250 milhões de anos. Há enormes depósitos fósseis dessas criaturas, Por conta do fato de serem relativamente bem conhecidas, inclusive do ponto de vista genético, parece improvável para a maioria dos pesquisadores, que esses seres possam ter evoluído fora da Terra. Só resta aguardar novas pesquisas.

13:47 · 10.09.2013 / atualizado às 14:05 · 10.09.2013 por
Ilustração mostra cenário que pode ter sido avistado pelo chamado Povo de Clovis, nos Estados Unidos, quando do (s) choque (s) de asteroide (s) contra a Terra, há 12.900 anos Imagem: Florida Frontier
Ilustração mostra cenário que pode ter sido avistado pelo chamado Povo de Clovis, nos Estados Unidos, quando do (s) choque (s) de asteroide (s) contra a Terra, há 12.900 anos Imagem: Florida Frontier

Mudanças climáticas e catástrofes naturais foram responsáveis por muitas das extinções em massa e transformações na história da evolução da vida na Terra. Mas o que poucos sabem é que eventos extremos como esses podem ter influenciado etapas do desenvolvimento da nossa espécie e até das primeiras civilizações.

Um dos momentos em que uma grande tragédia planetária pode ter mudado os rumos da humanidade aconteceu há cerca de 12.900 anos atrás. A novidade é que o chamado período Dryas recente, quando a temperatura global baixou muito rapidamente e provocou a extinção de grandes mamíferos, como mastodontes, camelos americanos, preguiças gigantes e tigres dentes-de-sabre, pode ter começado com o impacto de um asteroide no Canadá, mais precisamente na região de Quebec.

Os novos dados a favor dessa hipótese foram coletados pela equipe do pesquisador Mukul Sharma, do Dartmouth College (EUA). As alterações no clima do planeta podem ter forçado a humanidade, especialmente os povos que habitavam o Oriente Médio (cultura natufiana), a desenvolver a agricultura, já que o resfriamento do planeta afetou o desenvolvimento de algumas variedades vegetais, mas pode ter favorecido a cultura de cereais.

Sharma analisou gotículas de rochas, conhecidas como esférulas, encontradas em camadas depositadas naquele período na Pensilvânia e em Nova Jersey, nos Estados Unidos, e concluiu que elas são idênticas ao tipo de rocha encontrado em Quebec, no Canadá, o que sugere um impacto grande o suficiente para derreter o mineral e lançá-lo a milhares de quilômetros de distância.

O choque com o corpo celeste teria derretido, além de rocha, uma gigantesca camada de gelo e o afluxo repentino de água gelada no Atlântico Norte interrompeu as correntes oceânicas vindas dos trópicos e derrubou a temperatura global.

Frio matou grandes animais e “Povo de Clovis”

Estima-se que na Groenlândia houve queda de até 15ºC e, na Inglaterra, de até 5ºC, em pouco mais de dez anos e o clima manteve-se frio por quase 1400 anos.

“O interessante no nosso trabalho é que nós temos pela primeira vez uma evidência clara de uma região que sofreu um impacto que deve ter causado o Dryas recente , apesar de ainda não ter encontrado sua cratera. Contudo, as pessoas têm escrito sobre muitos impactos em diferentes partes do mundo, com base na presença de esférulas, e múltiplos impactos simultâneos podem ter trazido as grandes mudanças ambientais daquele período “, disse Sharma.

Além do impacto sobre os povos que viviam na África, Ásia e Europa, o Dryas recente também afetou alguns dos primeiros colonizadores das Américas, causando provavelmente o colapso do chamado Povo de Clovis, que viveu nos Estados Unidos e que teve de abandonar seus hábitos de caçar grandes animais para coletar raízes, frutos e caçar pequenos animais em um curto período de tempo.

17:36 · 19.02.2013 / atualizado às 22:05 · 19.02.2013 por
asteroide
Pesquisadores combinaram dados da paleontologia, morfologia animal e genética para chegar a conclusões sobre extinção dos dinossauros e evolução dos mamíferos placentários Imagem: Portal UOL

Meteoroides, asteroides e cometas estão comumente associados à ideia de fim do mundo, no imaginário popular.

Após a passagem de um desses corpos celestes pela Rússia, com saldo de 1200 feridos e R$ 66 milhões em prejuízos, esses temores catástróficos aumentaram e mobilizaram a comunidade científica, que quer um sistema global mais eficiente de monitoramento de pequenos astros.

Mas curiosamente, foi justamente um asteroide gigantesco, que se chocou com a Terra provavelmente há 66,038 milhões de anos, o que possibilitou a evolução dos mamíferos placentários (cujos embriões e fetos se desenvolvem em uma placenta no útero das mães), grupo do qual se originou a espécie humana atual (H0mo sapiens).

O estudo, publicado na edição de fevereiro da Science, contou com a colaboração de Marcelo Weksler, paleontólogo do Museu Nacional da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Além do brasileiro, participaram cientistas dos Estados Unidos, Holanda e Reino Unido. A nova pesquisa, de uma só vez, ratificou uma teoria e parece ter desmentido outra.

A teoria confirmada é a da relação direta entre a queda de um asteroide no México com a extinção KT (abreviação para Cretáceo-Terciário), na qual sucumbiram grupos animais como os dinossauros, plesiossauros, mosassauros, pterossauros (os quatro são grupos de répteis), rudistas, amonites, belemnites (os três últimos são grupos de moluscos).

Já a teoria que perdeu força com os novos estudos é a de que os mamíferos placentários já estavam bastante diversificados antes dessa grande extinção em massa. Evidências do chamado relógio molecular, que tentam traçar graus de parentesco entre os seres através das mudanças genéticas, apontavam para o surgimento do ancestral comum entre animais como os humanos, cães, baleias e cavalos (entre tantos outros) há cerca de 99 milhões de anos, mas muitos paleontólogos sempre duvidaram disso, devido a ausência de provas fósseis.

O novo estudo parece ter dado mais força aos paleontólogos, na queda de braço com os geneticistas. Combinando evidências de várias vertentes, a equipe internacional está convencida de que o ancestral comum dos placentários era um animal de hábitos insetívoros que surgiu entre 40 e 200 mil anos após o fim dos dinossauros e seus outros primos gigantescos. Atualmente, existem cerca de 5100 mamíferos placentários, divididos em 18 ordens (unidades taxonômicas que agrupam famílias aparentadas).

Asteroide eliminou rivais

No novo estudo, a data mais provável para a extinção dos dinossauros situa-se no intervalo de 33 mil anos após a queda do asteroide no México. As pesquisas, no entanto, não desconsideram a possibilidade de que outros fatores ambientais anteriores ao impacto possam ter contribuído com o declínio do grupo.

“O impacto foi claramente a gota d’água que levou a Terra a mudar. Nós mostramos que esses eventos são sincronizados, o impacto claramente desempenhou um papel importante na extinção, mas, provavelmente, não foi apenas o impacto”, disse Paul Renne, diretor da Berkeley Geochronology Center.

Através da análise radiométrica de alta precisão, cientistas norte-americanos puderem identificar que os dois eventos (queda do asteroide e extinção KT) ocorreram até 270 mil anos, mais proximamente do que se imaginava. Apesar disso, as mesmas pesquisas indicam que ondas frias durante o período Cretáceo afetaram o ecossistema da Terra, que era bem adaptado ao clima quente.

Uma das causas da variabilidade climática poderia ter sido uma série contínua de erupções vulcânicas na Índia. Mas sem a queda do asteroide, que agravou o resfriamento do planeta, a partir do lançamento de uma gigantesca nuvem de poeira na atmosfera terrestre, possivelmente os dinossauros teriam mais tempo para se adaptar a essas mudanças.

Daí, o cenário ambiental que se seguiu foi decisivo para o “fim” do grupo (na verdade, parte sobreviveu, já que as aves tinham evoluído dos dinossauros milhões de anos antes) e a ascensão dos mamíferos placentários, como nós.

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Reconstituição artística da aparência do provável ancestral comum entre mamíferos placentários como humanos, cães, cavalos, baleias, entre outros Imagem: Morphobank

Se por um lado, os novos estudos sobre a extinção KT facilitaram o entendimento sobre o destino de grupos como répteis e aves pode ter ajudado a bagunçar mais ainda a classificação dos mamíferos, ou pelo menos, aumentar as polêmicas.

De acordo com cientistas ligados à filogenia cladística, a diversificação dos mamíferos placentários (que inclui todos os mamíferos excetuando marsupais e monotremos) tinha ocorrido 36 milhões de anos antes do fim dos dinossauros. Segundo essa teoria, ancestrais dos primatas poderiam ter convivido com os répteis gigantescos.

Mas os novos estudos dificultarão a vida de quem insistir nessa linha de raciocínio. Pelas novas datações é provável que nem mesmo os mais antigos placentários tenham cruzado algum dinossauro pela frente, já que pode haver um hiato de 7 a 195 mil anos entre a extinção de um grupo e o surgimento do outro.

“O surgimento dos placentários ocorreu cerca de 36 milhões de anos mais tarde do que as estimativas baseadas unicamente em dados genéticos”, explicou o brasileiro Marcelo Weksler, Para chegar a esta conclusão, os cientistas se apoiaram no maior banco de dados do mundo, (o Morphobank, com 12 mil imagens) no qual examinaram traços genéticos e morfológicos das diferentes espécies para reconstruir a árvore genealógica desses mamíferos.

Para chegar ao ancestral comum dos mamíferos, um animal que seria do tamanho de um pequeno rato, estes cientistas destrincharam as características físicas e genéticas de 86 espécies, 40 delas já extintas, mas conhecidas através de seus fósseis. No processo, reuniram 4.500 características morfológicas como a presença ou a ausência de asas, dentes e certos tipos de esqueletos, e depois as combinaram com dados genéticos.

Pelas evidências anteriores, a diversificação dos placentários ocorreu antes da separação de alguns continentes (e antes do evento KT), o que levou inclusive a divisão desse grupo em clados baseados na localização geográfica em que supostamente teriam surgido. Daí a existência de classificações que apontam para grupos como afrotérios e boreotérios. Mas com as novas descobertas, talvez seja mais difícil fazer essa associação.

Por exemplo, os elefantes seriam mais aparentados a animais como os musaranhos-elefantes, pelo relógio molecular, mas pelas novas evidências talvez tenham mais relação com cavalos e bois. Os morcegos teriam mais proximidade conosco pelo relógio molecular, enquanto pela nova classificação podem ser mais aparentados aos cães.

Ou seja, muita discussão ainda vem pela frente. Mas o que parece ser consenso entre ambas as correntes é que se os dinossauros não tivessem sido extintos, dificilmente seria possível a diversificação mamífera no sentido de originar a espécie humana. Alguns especulam que talvez a espécie inteligente dominante fosse exatamente um dinossauro.

23:19 · 14.02.2013 / atualizado às 16:40 · 15.02.2013 por
Asteroide DA14, de 47 metros de diâmetro, e 130 mil toneladas poderia destruir uma cidade inteira caso se chocasse com a Terra Imagem: R7

Bem, o mundo não vai acabar, mas se os esotéricos que fizeram um estardalhaço antes do dia 21 de dezembro do ano passado quisessem dar maior credibilidade às suas previsões apocalípticas, a melhor data seria a dessa sexta-feira.

Em 15 de fevereiro de 2013, mais precisamente às 16h24 (horário cearense), o asteroide DA14, de aproximadamente 47 metros de diâmetro e 130 mil toneladas de peso vai passar a menor distância já registrada desde que as agências espaciais começaram a acompanhar as trajetórias desses corpos celestes na vizinhança da Terra: apenas 27.700 km!

Para se ter uma ideia do que isso representa, basta dizer que a Lua está quase quinze vezes mais longe e que alguns satélites de comunicação estão mais distantes do que isso. Outro detalhe é que a vel0cidade para que um foguete deixe a Terra é de cerca de 28.800 km/h. Ou seja, a distância do DA 14 para o nosso planeta será menor do que um foguete percorre em uma hora. Pior que isso, ele próprio está viajando a 30 mil km/h.

Cratera de Barringer foi formada há cerca de 50 mil anos, após impacto de asteroide com tamanho similar ao DA14 Imagem: R7

Quer mais!? Caso o DA14 sofra um desvio de trajetória e se choque com a Terra (o que a Nasa afirma não ser possível) o impacto dele contra a nossa superfície seria similar ao de uma bomba atômica como as que atingiram Hiroshima e Nagasaki, ou parecido com o do asteroide que atingiu a região russa de Tunguska (onde foram derrubadas cerca de 80 milhões de árvores), em 1908, ou ainda como a do asteroide que abriu a famosa cratera Barringer (que tem 200 metros de profundidade e 1 km de diâmetro), em Winslow, no Arizona (EUA) há 50 mil anos.

“Tem gente que ainda acha que o risco de choque de um asteroide é uma coisa de ficção científica. Mas, isto é absolutamente real. Já aconteceu no passado. A passagem deste asteroide a mais ou menos 27 mil km de distância é muito pequena. Isto deve servir para nós como um alerta”, garante o doutor em Ciências pela USP e editor-chefe da revista Scientific American Brasil, Ulisses Capozzoli.

Como a maior aproximação acontecerá durante a tarde no Ceará, não será possível observá-lo daqui, nem mesmo com telescópios. Mas mesmo nas regiões do planeta em que será noite quando o DA14 passar( com trajetória que cruzará os céus da Austrália, Ásia e leste da Europa, indo do sul para o norte), não será tão fácil observá-lo. Isso porque seu brilho terá magnitude 8 e o olho humano só capta magnitudes entre 5 e 6.

De acordo com o pesquisador cearense Valmir M. de Morais “a Nasa informou que a passagem do asteroide será transmitida em tempo real a partir das 14h (horário do Ceará,) pelos websites: http://www.nasa.gov/ntv e http://www.ustream.tv/nasajpl2 . As imagens serão disponibilizadas pela NASA por astrônomos da Austrália e da Europa”.

Um asteroide como o DA14 pode provocar destruição similar à causada por uma bomba atômica Imagem: R7

Colisão com algum asteroide vai ocorrer, só não se sabe quando

Mesmo afirmando que não há muitos riscos de ser atingida pelo DA 14, Capozolli não descarta a possibilidade de que a Terra possa ser atingida no futuro por um asteroide vindo de um ponto cego.

“A Terra está girando em torno do Sol. Suponha que você está girando em torno de um tambor, em um pátio, pode vir uma pedrada nas suas costas e você não ver direito. Este tipo de asteroide é mais difícil ainda de ser identificado. Há alguns anos atrás, um asteroide de 400 metros passou também próximo da Terra.”

“Não é aquela ideia tola do fim do mundo de 21 de dezembro de 2012. Isto aqui é real. A maior lição que a gente pode tirar é as pessoas se convenceram de que o risco de choque com um asteroide não é uma ameaça velada. Um asteroide vai se chocar com a Terra — é certo que vai acontecer. A questão é quando”, comenta o cientista.

Impactos com esses corpos celestes são muito comuns na história do planeta. Só no Brasil, há seis crateras confirmadas de quedas de asteroides.

Tiranossauro foi uma das espécies extintas pouco depois do impacto de um asteroide de 10 km de diâmetro no golfo do México Imagem: Scott Robert

Curiosidades sobre o DA 14 e os asteroides

Se explodisse no ar, o impacto do DA14 criaria uma onda de choque e ventos de 582 m/s que destruiria edifícios e casas de madeira, e entortaria estruturas de aço. Pontes e passarelas ruiriam, todas as janelas na área quebrariam, e carros e caminhões seriam arrastados e destruídos. A potência sonora da explosão chegaria a 116 dB.

Asteroides deste tamanho passam próximos da Terra a cada 40 anos, segundo estimativas da Nasa, mas impactos só acontecem a cada 1.000 ou 2.000 anos. De qualquer forma, devem existir uns 500.000 objetos semelhantes em órbita próxima da Terra (sendo que menos de 1% foram descobertos) neste momento.

O impacto mais famoso ocorreu há 65 milhões de anos. Um asteroide de 10 km de diâmetro deixou uma cratera de mais de 100km no golfo do México. Para a maioria dos paleontólogos, foi esse impacto que acelerou a extinção dos dinossauros e abriu caminho para a evolução mamífera.

A maior cratera, no entanto, está na África do Sul, e acredita-se que foi formada após o choque da Terra com um asteroide ainda maior há mais de 2 bilhões de anos.