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Tag: Austrália


10:25 · 27.01.2018 / atualizado às 10:25 · 27.01.2018 por
A chance de que os corais contraíam algum tipo de doença aumenta de 4% para 89% quando tais animais cnidários estão em contato com materiais desse tipo Foto: Hunger TV

Quando os recifes de coral entram em contato com lixo plástico no oceano, o risco desse conjunto de organismos ficar doente dispara, aponta um estudo internacional.

Os pesquisadores examinaram mais de 120.000 corais em 159 recifes – alguns poluídos com plástico, outros não – da Indonésia, Austrália, Mianmar e Tailândia para o estudo, publicado na revista Science.

“Descobrimos que a chance de doença aumenta de 4% para 89% quando os corais estão em contato com o plástico”, disse a autora principal, Joleah Lamb, do Centro de Excelência ARC para Estudos de Recifes de Coral na Universidade James Cook, na Austrália.

Lamb disse que os cientistas ainda estão tentando descobrir por que os plásticos são tão perigosos para os corais, organismos vivos que cobrem cerca de 0,2% do fundo do oceano e fornecem um habitat crucial para quase um milhão de espécies de peixes.

Pode ser que “os plásticos sejam canais ideais para colonizar organismos microscópicos que poderiam desencadear doenças se entrarem em contato com os corais”, afirmou.

“Por exemplo, itens de plástico como aqueles geralmente feitos de polipropileno, como tampas de garrafas e escovas de dentes, demonstraram estar fortemente habitados por bactérias que são associadas a um grupo globalmente devastador de doenças de corais, conhecido como síndrome branca”. O problema da poluição com plástico é generalizado nos oceanos e está piorando rapidamente.

“Nós estimamos que existem 11,1 bilhões de itens de plástico em recifes de coral em toda a Ásia-Pacífico e prevemos que isso aumentará 40% dentro de sete anos”, disse Lamb. “Isso equivale a 15,7 bilhões de itens de plástico em recifes de coral em toda a Ásia-Pacífico até 2025.”

Os recifes de coral já estão sob estresse devido ao aquecimento global, o que impulsiona as doenças e pode fazer com que os corais branqueiem e morram.

Com informações: AFP

17:53 · 08.01.2018 / atualizado às 17:53 · 08.01.2018 por
O termômetro baixou até os 2,6 °C em algumas zonas desse país do sul da Ásia, onde o inverno costuma ser suave, a temperatura mais baixa desde 1948, quando começaram as medições Foto: AFP

Mais acostumado às temperaturas subtropicais, Bangladesh sofre com uma onda de frio incomum, com os termômetros marcando valores mínimos.

O mercúrio baixou até os 2,6 °C em algumas zonas desse país do sul da Ásia, onde o inverno costuma ser suave. “É a temperatura mais baixa desde que começamos a fazer o registro, em 1948”, afirmou Shamsuddin Ahmed, diretor do departamento de meteorologia do país.

O recorde anterior registrado foi de 2,8 °C em 1968. A queda da temperatura levou as autoridades a distribuir 70.000 cobertores nos distritos mais afetados.

Segundo um jornal local, nove pessoas morreram de frio no norte do país. As autoridades ainda não confirmaram a informação.

Extremos climáticos

O ano de 2018 começou com uma meteorologia diferenciada em diversas partes do planeta.

A América do Norte sofreu uma onda de frio polar que atingiu os -15 ºC no final de semana em Nova York.

Na Oceania, em compensação, a Austrália sofre com o calor e Sydney registrou no domingo o dia mais quente de seu verão desde 1939, com 47,3 °C.

Com informações: AFP

16:13 · 11.09.2017 / atualizado às 16:18 · 11.09.2017 por
Nova tecnologia pode ser usada como uma fonte de luz quântica ou utilizada como uma ligação ótica para dispositivos de computação quântica, conectando-os à nova internet. O material é compatível com as atuais fibras ópticas Foto: Nasa

Uma internet capaz de atender as exigências da computação quântica é um dos principais desafios dos cientistas no futuro, mas uma equipe da Australia National University (ANU) deu um importante passo adiante com uma descoberta publicada nesta segunda-feira (11) pela revista científica Nature Physics.

O grupo, comandado pelo professor associado da ANU Matthew Sellars, provou que um cristal reforçado com érbio é especialmente indicado para tornar possível uma rede global de comunicações que se aproveite das estranhas propriedades da mecânica quântica. A criação de um computador quântico – até o momento só existem protótipos – é um dos desafios enfrentados por cientistas, representantes da indústria e dos governos. A base desse novo equipamento é a física quântica, que estuda as partículas subatômicas, cujas propriedades são muito diferentes das da física clássica.

“Os esforços para construir um computador quântico foram descritos, com frequência, como a ‘corrida espacial do século XXI’, mas os computadores atuais não foram cientes de seu potencial até termos a internet”, indicou Sellars, chefe de programas no Centro para Computação Quântica e Tecnologia da Informação da ANU. O especialista indicou que, no estudo publicado agora, foi possível provar que um cristal potencializado com érbio é o material perfeito para criar os componentes essenciais da internet quântica, que libertará “todo o potencial dos futuros computadores quânticos”.

Resultado genial

Apesar de a equipe ter tido a ideia há uma década, muitos dos colegas disseram que um conceito tão simples não poderia funcionar, explicou o líder da investigação. “Vendo esse resultado, é genial saber que nosso enfoque era o correto”, afirmou Sellars.

O estudo mostra como melhorar de maneira significativa o tempo de armazenamento de uma memória quântica compatível com as telecomunicações, um desafio crucial para os pesquisadores de todo o mundo. “Uma memória quântica compatível com as telecomunicações é um componente vital para uma internet quântica prática”, disse a pesquisadora Rose Ahlefeldt, que também participou do projeto.

As memórias permitem armazenar e sincronizar informações quânticas, operações necessárias para a comunicação quântica de longa distância. Por enquanto, os cientistas estão usando memórias que não funcionam no comprimento de onda correta. Por isso é preciso usar complicados métodos de conversão, “num processo que pode ser ineficaz e que significa ter que fazer três coisas muito difíceis em vez de uma só”, explicou Ahlefeldt.

Propriedades únicas

O érbio tem algumas propriedades quânticas únicas que o permitem operar na mesma banda que as atuais redes de fibra ótica, o que elimina a necessidade do processo de conversão. Os íons do érbio contidos em um cristal podem armazenar informação quântica durante mais de um minuto, ou seja 10 mil vezes mais do que outras tentativas e um tempo suficiente para que um dia seja possível circular esse tipo de dado através de uma rede global.

Essa nova tecnologia, disse Sellars, também pode ser usada como uma fonte de luz quântica ou utilizada como uma ligação ótica para dispositivos de computação quântica, conectando-os à nova internet. O material é compatível com as atuais fibras ópticas e, além disso, sua versatilidade indica que ele será capaz de se conectar com muitos tipos de computadores quânticos, incluindo os qubits (quantum bits, bits quânticos) de silício que são usados no centro de computação da universidade australiana e os que estão sendo desenvolvidos pela Google e IBM.

Sellars falou que o resultado é “emocionante” porque permite “pegar grande parte do trabalho teórico que demonstramos e convertê-lo em dispositivos práticos para uma instalação quântica em escala real”.

Com informações: Agência Brasil

17:07 · 21.06.2016 / atualizado às 17:07 · 21.06.2016 por
Foto: WWF
O maior ecossistema de recifes de coral do mundo, declarado Patrimônio Mundial, sofreu um branqueamento sem precedentes no início do ano devido ao aumento da temperatura do mar, que causou a morte de quase um quarto dos corais Foto: WWF

O branqueamento da Grande Barreira de Coral da Austrália poderia levar à perda de um milhão de visitantes por ano e de grande parte da receita procedente do turismo, de acordo com um estudo publicado nesta terça-feira (21).

O maior ecossistema de recifes de coral do mundo, declarado Patrimônio Mundial, sofreu um branqueamento sem precedentes no início do ano devido ao aumento da temperatura do mar, que causou a morte de quase um quarto dos corais.

“As zonas de turismo de recifes correm o risco de perder mais de um milhão de visitantes por ano”, afirma o estudo realizado pelo ‘think tank’ Instituto Austrália. O relatório acrescenta que, sem esses visitantes, o país perderia cerca de um bilhão de dólares australianos (747 milhões de dólares americanos) em receitas.

Cerca de 10.000 postos de trabalho do Estado australiano de Queensland também correm o risco de desaparecer com a queda do turismo, um dos setores econômicos mais importantes da região. O estudo afirmou que no ano passado cerca de 3,5 milhões de turistas, em sua maioria australianos, visitaram as costas situadas diante da Grande Barreira de Coral.

Mais de um terço dos turistas australianos, metade dos chineses e 35% dos americanos disseram que prefeririam visitar outros lugares caso o branqueamento continue. A barreira de 2.300 quilômetros de comprimento, o maior ecossistema de corais do mundo, está sofrendo o pior branqueamento da sua história devido ao aquecimento das temperaturas do mar.

O branqueamento ocorre quando condições ambientais anormais levam os corais a perderem as algas microscópicas que vivem em grandes colônias em sua superfície. Estas algas, chamadas de dinoflageladas, servem de alimento e são responsáveis pelo colorido exuberante que alguns desses seres apresentam.

Com informações: AFP

23:08 · 23.03.2015 / atualizado às 23:15 · 23.03.2015 por
Foto: Blog Vermelho
Cada um dos dois asteroides deve ter diâmetro de mais de 10 km e seus impactos devem ter causado a extinção de muitas espécies do planeta”, disse o principal autor do estudo, Andrew Glikson, do departamento de Arqueologia e Antropologia da Australian National University Foto: Portal Vermelho

Cientistas acreditam ter descoberto no centro da Austrália os rastros de crateras que juntas somam 400 km de diâmetro, as maiores já registradas, abandonados pelo impacto de um asteroide enorme centenas de milhões de anos atrás.

Segundo os pesquisadores, a descoberta de um antigo impacto tão violento pode levar a novas teorias sobre a história da Terra. Estas crateras foram apagadas da face do planeta há muito tempo. Elas estão nas profundezas da crosta terrestre, e que deixou duas “cicatrizes”, descobertos por estes geofísicos australianos, cujo trabalho foi publicado nesta segunda-feira (23) no jornal científico europeu Tectonophysics.

Eles explicam que o asteroide quebrou em duas partes pouco antes de cair no chão. Cada um dos dois asteroides deve ter diâmetro de mais de 10 km e seus impactos devem ter causado a extinção de muitas espécies do planeta”, disse o principal autor do estudo, Andrew Glikson, do departamento de Arqueologia e Antropologia da Australian National University (ANU).

Mistério

A zona do impacto foi encontrada quando os cientistas realizavam a perfuração de mais de dois quilômetros de profundidade para a pesquisa geotérmica em uma região de fronteira entre o sul da Austrália, Queensland e os territórios do norte.

“Grandes áreas de impacto como esta podem ter tido um papel muito mais importante na evolução da Terra do que pensávamos”, disse Andrew Glikson. A data exata do evento é incerta, segundo os cientistas, que explicaram que as rochas ao redor das crateras datam de 300 a 600 milhões de anos.

No entanto, não há nenhuma indicação do impacto geológico, ao contrário do que foi observado, por exemplo, para o asteroide que atingiu o Golfo do México há 66 milhões de anos. Este último impacto parece ter causado a extinção dos dinossauros e muitas outras espécies animais. Ao bater no chão, este asteroide de mais de 10km de diâmetro enviou uma enorme nuvem de cinzas e poeira na atmosfera.

No entanto, nada disso foi encontrado nos sedimentos que datam de 300 milhões de anos, o que corresponderia ao duplo impacto de asteroides gigantes na Austrália, ressalta Andrew Glikson.

“É um mistério, porque não podemos encontrar uma extinção de animais correspondente a esta dupla colisão. Isto sugere que o impacto pode ser mais antigo”, conclui.

Com informações: AFP

23:29 · 12.02.2015 / atualizado às 23:34 · 12.02.2015 por
Foto: Blog Mar Sem Fim
Relatório indica que as expansões portuárias no interior das águas da barreira, que poderiam fazer escavar 51 milhões de m³ do fundo marinho, teriam “impactos devastadores” sobre esta maravilha natural Foto: Blog Mar Sem Fim

A Grande Barreira de Corais corre o risco de se tornar um lixão, se o governo australiano não proibir completamente o lançamento de resíduos de dragagem nas águas do parque marinho, inscrito no patrimônio da Humanidade, alertou o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), em um relatório.

“Se nada for feito, a Grande Barreira de Corais, um dos habitats marinhos mais preciosos do planeta, pode se tornar um lixão e uma auto-estrada marítima”, advertiu a ONG ambientalista. Com o objetivo de evitar que se ponha este patrimônio em perigo, a Austrália determinou a interdição de lançamento de rejeitos de dragagem no local em janeiro.

Segundo os ecologistas, esta prática prejudica o local, pois asfixia os corais e as algas que integram o maior organismo vivo do mundo, expondo-os aos peixes. O relatório indica que as expansões portuárias no interior das águas da barreira de corais, que poderiam fazer escavar 51 milhões de metros cúbicos do fundo marinho, teriam “impactos devastadores” sobre esta maravilha natural.

Estas expansões poderiam aumentar a capacidade carbonífera dos portos da região, de 267 milhões de toneladas para 637 milhões de toneladas ao ano, e permitiriam ao complexo portuário se aproximar da capacidade total de Xangai, o maior porto do mundo, segundo o WWF.

Segundo os autores do informe, o projeto não é necessário, pois a capacidade portuária existente fica fora de uso a maior parte do tempo.

Lista de locais em perigo

Ameaçando inscrever a Grande Barreira na lista dos locais em perigo, a Unesco deu às autoridades australianas o prazo até 1º de fevereiro para preparar um relatório sobre os meios de protegê-lo.

A Austrália diz, por sua vez, já ter dado garantias à Unesco, ao banir particularmente a dragagem de novas áreas nos arredores dos portos, prioritárias durante 10 anos.   “Nós sabemos que a barreira de corais está confrontada com estes desafios, mas nós fazemos avanços significativos”, declarou o ministro australiano do Meio Ambiente, Greg Hunt.

Com informações: AFP

18:36 · 04.08.2014 / atualizado às 21:00 · 04.08.2014 por

 

Foto: Blog Planeta Sustentável
Entre as prováveis causas para o desaparecimento das abelhas estão os componentes químicos presentes nos defensivos agrícolas amplamente utilizados no mundo. Além de pesticidas, outros fatores, como as mudanças climáticas globais podem ser os responsáveis pelo fenômeno Foto: Blog Planeta Sustentável

A população de abelhas registra um expressivo declínio em vários países, inclusive no Brasil.

Em agosto do ano passado, a revista Time trazia na capa um alerta para o risco de desaparecimento das abelhas melíferas, com a chamada “O mundo sem abelhas” e o alerta: “O preço que pagaremos se não descobrirmos o que está matando as melíferas”

Entre as prováveis causas para o desaparecimento das abelhas estão os componentes químicos presentes nos neonicotinoides, classe de defensivos agrícolas amplamente utilizados no mundo. Além de pesticidas, outros fatores, como as mudanças climáticas globais podem ser responsáveis pelo fenômeno conhecido como distúrbio de colapso de colônias.

Na busca por respostas que ajudem a combater o problema, o Instituto Tecnológico Vale (ITV), em Belém, no Pará, desenvolveu em colaboração com a Organização de Pesquisa da Comunidade Científica e Industrial (CSIRO), na Austrália, microssensores – pequenos quadrados com 2,5 milímetros de cada lado e peso de 5,4 miligramas –, que são colados no tórax das abelhas da espécie Apis mellifera africanizada.

Uma parte do experimento está sendo conduzida na Austrália e a outra no Brasil. No estado australiano da Tasmânia, ilha ao sul do continente da Oceania, será feito um estudo comparativo com 10 mil abelhas para avaliar como elas reagem quando expostas a pesticidas. Para isso, duas colmeias foram colocadas em contato com pólen contaminado e outras duas não.

“Se for notada qualquer alteração no comportamento dos insetos expostos ao pesticida, como incapacidade de voltar para a colmeia, desorientação ou mesmo morte precoce, o produto passará a ser o principal suspeito do distúrbio de colapso de colônias”, diz o físico Paulo de Souza, coordenador da pesquisa e professor visitante do ITV.

Experimentos

O projeto foi iniciado em setembro do ano passado e seu término está previsto para abril de 2015, com a divulgação dos resultados no segundo semestre.

“A principal razão para a escolha da Tasmânia é que se trata de um ambiente distinto, onde não há poluição e metade do território é composta por florestas”, diz Souza, que também é professor da Universidade da Tasmânia.

Como as melíferas australianas pesam em torno de 105 miligramas, o sensor representa cerca de 5% do seu peso. Já as abelhas da mesma espécie que vivem no Brasil pesam cerca de 70 miligramas – o que levou os pesquisadores a fazerem testes em túneis de vento para avaliar se o sensor poderia ter influência sobre a sua capacidade de voo.

A parte do experimento que está sendo feita no Brasil tem como foco inicial o monitoramento de 400 abelhas durante três meses para avaliar em que medida as mudanças do clima, principalmente a alteração do regime de chuvas na Amazônia, afetam os insetos.

“Não sabemos como elas vão se comportar diante das projeções de aumento da temperatura e de alterações no clima devido ao aquecimento global”, diz Souza. Os estudos estão sendo feitos em um apiário no município de Santa Bárbara do Pará.

“Cada sensor tem um código gravado, que funciona como se fosse uma identidade de cada abelha”, diz Souza. Com ele é possível avaliar, em detalhes, todos os indivíduos da colmeia.

Concluída essa etapa da pesquisa, um segundo estudo terá início, desta vez com abelhas nativas sem ferrão do Pará, que parecem sofrer mais o impacto da alteração climática do que as europeias.

Embora não sejam grandes produtoras de mel, elas são excelentes polinizadores. Como as abelhas têm um ciclo de vida relativamente curto, de cerca de dois meses, será possível acompanhar várias gerações.

Com informações: Pesquisa Fapesp

16:52 · 24.02.2014 / atualizado às 20:45 · 25.02.2014 por
Foto: Reuters
Fragmento de zircão australiano tem 4,4 bilhões de anos de idade Foto: Reuters

Cientistas descobriram a idade da crosta da Terra a partir de um pedaço minúsculo de zircão, encontrado nas terras do oeste australiano. O cristal tem 4,4 bilhões de anos, sendo mais antigo do que se imaginava, segundo informações do jornal The Guardian.

O geocientista da Universidade de Wisconsin e professor John Valley liderou a pesquisa sobre o zircão australiano e descobriu que a Terra não era tão “dura” quanto se imaginava e que, com 4,4 bilhões de anos, a crosta se desenvolveu relativamente rápido após o período de formação do planeta.

Para determinar a idade do fragmento de zircão, os cientistas utilizaram duas técnicas: a primeira determina o nível de radioatividade de urânio ao longo do tempo na amostra mineral; para confirmar, eles fizeram também a contagem por um método sofisticado que consiste em identificar átomos individuais de chumbo no cristal e determinar sua massa, o que confirmou que o zircão tinha 4,4 bilhões de anos.

Segundo a pesquisa, a Terra teria se formado há 4,5 bilhões como uma “bola de rocha derretida”, desta maneira, a crosta terrestre se formou apenas 100 milhões de anos depois da formação do planeta e 160 milhões de anos depois da formação do sistema solar. Os cientistas acreditam que a descoberta também poderá ajudar nas pesquisas em relação ao período em que a Terra se tornou habitável, com o resfriamento após o período conhecido como Hadeano (em referência ao deus grego do inferno).

Com informações: Portal Terra

21:10 · 21.02.2013 / atualizado às 22:12 · 21.02.2013 por
Asteroide que caiu na Austrália, há 360 milhões de anos, tinha dimensões similares ao do 433 Eros, que tem como ponto de maior aproximação com a Terra a distância de 26,4 milhões de km Imagem: Nasa
Asteroide que caiu na Austrália, há 360 milhões de anos, tinha dimensões similares ao do 433 Eros, que tem como ponto de maior aproximação com a Terra a distância de 26,4 milhões de km Imagem: Nasa

Não tem jeito. O assunto asteroides-meteoroides é o que está em maior evidência na comunidade científica em fevereiro.

Menos de uma semana após a queda de um meteorito na Rússia e da passagem do asteroide DA 2014, cientistas de uma universidade australiana descobriram naquele país a terceira maior cratera de impacto de um asteroide com a Terra.

Medindo 200 km de diâmetro (cerca de 40 km a mais que a cratera formada pelo asteroide que matou os dinossauros), a cratera encontrada na bacia de East Warburton, no sul da Austrália, foi datada como tendo 360 milhões de anos.

A data coincide com a terceira maior extinção em massa conhecida pela ciência, a do Devoniano Superior. Estima-se que entre 70% e 83% das espécies marinhas foram extintas. Vale lembrar que naquele período poucos grupos vegetais  e animais (principalmente artrópodes e anfíbios) tinham se aventurado em terra firme. 

De acordo com o pesquisador Andrew Glikson, da Universidade Nacional da Austrália, o asteroide media entre 10 e 20 km de diâmetro. “É um achado. O que realmente impressiona é a extensão da zona de impacto. Passei meses em um laboratório fazendo testes com microscópio para medir as orientações dos cristais e constatei que as rochas encontradas no local apresentavam marcas de um impacto extraterrestre”, explicou.

Ainda segundo Glikson, “a queda desse asteroide sobre a Terra provocou um impacto não só regional como também mundial”. O asteroide provocou uma imensa cratera atualmente encoberta por uma camada de 3 km de sedimentos. Ao cair, com certeza provocou gigantescas nuvens de fumaça e vapor qu cobriram a Terra. Asteroides deste tamanho entram em colisão com o nosso planeta uma vez a cada dezenas ou até centenas de milhões de anos.

Fóssil do peixe placodermo Dunkleosteus, extinto possivelmente após impacto de asteroide na Auastrália e  das mudanças climáticas subsequentes Imagem: Blog Só Dinossauros
Fóssil do peixe placodermo Dunkleosteus, extinto possivelmente após impacto de asteroide na Auastrália e das mudanças climáticas subsequentes Imagem: Blog Só Dinossauros

Répteis, sementes e insetos modernos podem ter surgido graças ao choque

A extinção do Devoniano superior afetou principalmente grupos de invertebrados marinhos como moluscos amonóides, braquiópodes, briozoários, corais, trilobitas,  além de vertebrados conodontes, peixes placodermos (os primeiros com mandíbulas evoluídas) e micro-organismos foraminíferos.

As populações vegetais terrestres (principalmente samambaias), bem como o fitoplâncton também sofreram grande redução. Mas o impacto parece ter favorecido de alguma forma a evolução dos anfíbios e artrópodes terrestres, especialmente os grupos ancestrais, respectivamente, de répteis e insetos. O primeiro grupo surgiu cerca de 40 milhões de anos depois, já o segundo grupo, embora já tivesse surgido cerca de 40 milhões de anos antes, ainda era pouco diversificado.

Para se ter uma ideia, há 360 milhões de anos não haviam insetos como besouros, moscas, mosquitos, mariposas, borboletas, formigas, abelhas e vespas. As formas mais comuns lembravam as libélulas (a maior delas tinha asas com até 70 centímetros de envergadura!), pulgas e traças.

Resfriamento do planeta causado pelo impacto do asteroide, há 360 milhões de anos, pode ter favorecido evolução de plantas com sementes, como os ancestrais dos atuais pinheiros Imagem: Marshmallow de Seattle
Resfriamento do planeta causado pelo impacto do asteroide, há 360 milhões de anos, pode ter favorecido evolução de plantas com sementes, como os ancestrais dos atuais pinheiros Imagem: Marshmallow de Seattle

A extinção em massa, causada pela queda de uma asteroide, pode ter acelerado as modificações em anfíbios e insetos primitivos para permitir a ascensão dos répteis e dos insetos modernos.

Além disso, pode ter acelerado a evolução dos vegetais com sementes (especialmente os ancestrais dos pinheiros), que surgiram pouco antes, há 370 milhões de anos. Esse tipo de vegetação marcaria o período seguinte, o Carbonífero, quando se formaram as maiores reservas de carvão do mundo.

Como os mamíferos descendem dos répteis e como a base da Revolução Industrial foi o carvão, também não é exagero afirmar que a nossa existência pode se dever não só a um (o que matou os dinossauros), mas a dois asteroides que se chocaram com o nosso planeta e mudaram o rumo da evolução da vida.