Busca

Tag: aves


17:55 · 12.12.2017 / atualizado às 17:55 · 12.12.2017 por
cientistas descobriram, em Myanmar, vários carrapatos aprisionados em diversos pedaços de âmbar (uma espécie de resina fóssil), associados a restos dos grandes répteis Foto: NPR

A partir da descoberta de um fóssil de carrapato preservado em âmbar, um grupo internacional de cientistas mostrou pela primeira vez que esses parasitas já se alimentavam do sangue de dinossauros há quase 100 milhões de anos.

O estudo, publicado nesta terça-feira (12), na revista Nature Communications, também revela uma nova espécie extinta de carrapato, batizada de Deinocroton draculi, em alusão ao vampiro Drácula. Os cientistas descobriram, em Mianmar, vários carrapatos aprisionados em diversos pedaços de âmbar – uma espécie de resina fóssil – datados em 99 milhões de anos.

Um deles estava agarrado a uma pena de dinossauro. Segundo os autores do estudo, raramente são encontrados parasitas associados aos fósseis de seus hospedeiros e a descoberta é a primeira evidência direta da relação entre carrapatos e dinossauros.

Sem ‘Jurassic Park’

Embora o contexto da pesquisa lembre bastante o filme Jurassic Park, os cientistas afirmam que é praticamente impossível reconstruir dinossauros a partir de eventuais restos de DNA desses animais no fóssil de um carrapato do período Cretáceo (145 milhões a 66 milhões de anos atrás).

Na obra ficcional, dirigida por Steven Spielberg em 1993, os cientistas extraem o DNA de dinossauros de fósseis de mosquitos preservados em âmbar e, a partir daí, conseguem clonar os lagartos gigantes e trazê-los de volta à Terra. Os pesquisadores porém, explicam que embora seja comum encontrar fósseis em âmbar, é praticamente inviável extrair dessas amostras DNA em condições de ser utilizado – e o processo de clonagem seria ainda mais difícil. Todas as tentativas feitas até hoje de extrair DNA de espécimes em âmbar foram um fracasso, por causa da curta vida útil dessa molécula.

“Os carrapatos são infames organismos parasitários sugadores de sangue, que têm um impacto tremendo na saúde de humanos, de gado de bichos de estimação e de animais selvagens. Mas até agora estava faltando uma clara evidência do papel desses parasitas no passado remoto”, disse o autor principal do estudo, Enrique Peñalver, do Instituto de Pesquisa de Geologia e Mineração da Espanha.

Penas de dinossauros

Segundo Peñalver, o âmbar do Cretáceo fornece aos cientistas uma janela para o mundo dos dinossauros emplumados. Parte desse grupo de dinossauros mais tarde evoluiria para dar origem às aves modernas. A pena de dinossauro encontrado no âmbar com o carrapato, segundo os cientistas, tem estrutura semelhante à das penas dos pássaros.

Com informações: Estadão Conteúdo

18:04 · 09.01.2017 / atualizado às 18:05 · 09.01.2017 por
Foto: Birds of Iowa
Maçaricos (aves da família Scolopacidae) foram observados viajando para até 24 “locais de reprodução” diferentes no norte do Alasca em uma única temporada Foto: Birds of Iowa

Um pássaro menor do que um pombo foi visto voando 13.000 quilômetros em apenas um mês para ter relações sexuais com o maior número possível de fêmeas, disseram cientistas.

Em um comportamento nunca registrado antes, maçaricos (aves da família Scolopacidae) foram observados viajando para até 24 “locais de reprodução” diferentes no norte do Alasca em uma única temporada, constatou uma equipe de pesquisadores na revista científica Nature.

Uma temporada de reprodução dura entre quatro e seis semanas. “Os machos têm que reduzir seu sono e defender e cortejar as fêmeas praticamente sem parar durante os intermináveis dias de verão do Ártico para se reproduzir com sucesso”, disse em um comunicado o Instituto Max Planck para Ornitologia, em Seewiesen, na Alemanha. O pássaro médio cobriu cerca de 3.000 km (mais do que um voo de Paris para Moscou), mas um exemplar particularmente determinado voou 13.045 km em apenas quatro semanas. E isso foi depois de que esses pássaros, que tinham cerca de 21 cm de comprimento e pesavam cerca de 100 gramas, viajaram da América do Sul, onde passam o inverno, para as suas áreas de reprodução do Alasca.

“Antes de fazermos essa descoberta, pensava-se que os pássaros (machos e fêmeas) migravam de sua área de inverno para um único local, onde se reproduziam naquele ano”, disse Bart Kempenaers, coautor do estudo, que foi baseado no rastreamento de 120 maçaricos.

Competição

A competição por fêmeas é dura entre essas aves políginas, e as que se estabeleceram em um único local tiveram poucas chances de cópula. “Achamos que eles desenvolveram a estratégia para avaliar suas chances locais, e se elas não são boas, eles simplesmente passam para o próximo lugar”, disse Kempenaers. O pássaro mais bem-sucedido gerou 22 descendentes com seis fêmeas diferentes.

Com informações: AFP

23:15 · 28.07.2016 / atualizado às 23:19 · 28.07.2016 por
Imagem: Deverson Pepi
Concepção artística de um dinossauro que provavelmente tinha penas, o Mirischia assymetrica, tentando capturar a ave Cratoavis cearensis Imagem: Deverson Pepi

Os dinossauros que viveram no Nordeste brasileiro há cerca de 120 milhões de anos provavelmente eram penosos, assim como seus primos da China e da Europa. O resultado vem da primeira análise detalhada de penas fossilizadas da chapada do Araripe, no Ceará, mais importante jazida de criaturas da “Era dos Dinos” no país.

Os fósseis estudados pela equipe do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP) só chegaram às mãos dos pesquisadores após uma apreensão feita pela Polícia Federal (PF) -tudo indica que eles seriam comercializados fora do Brasil, e um deles chegou a ser retocado para ganhar uma aparência mais atraente para colecionadores.

Com isso, não foi possível estabelecer detalhadamente o contexto de sua origem, mas as características das rochas nas quais as antigas penas estão preservadas são suficientes para estimar que elas vêm do Araripe e têm cerca de 120 milhões de anos. Gustavo Prado, Luiz Eduardo Anelli e outros colegas acabam de publicar a análise de três penas fossilizadas na revista científica de acesso livre “PeerJ”.

“É muito provável que essas penas pertencessem a dinossauros não-avianos, embora também exista a possibilidade de que elas pertencessem a aves”, disse Prado. O uso do termo “não-avianos” é indispensável porque o consenso entre paleontólogos e biólogos é que as aves modernas não passam de um subgrupo de dinossauros.

Tipo de penas

Duas das penas estudadas são “plumuláceas”–grosso modo, semelhantes à penugem de filhotes. Sua morfologia mais primitiva fortalece a possibilidade de que elas tenham vindo de dinossauros não-avianos.

O outro exemplar é o que os especialistas chamam de pena “penácea” -mais rígida e comum em aves adultas modernas, embora dinossauros extintos também as tivessem. As três penas têm alguns milímetros.

“Se elas forem proporcionais ao tamanho dos animais, seriam bichos pequenos também”, diz Prado -mais ou menos do tamanho de uma galinha doméstica. Sabe-se que dinos de porte modesto, como o Mirischia assymetrica (com 50 cm de altura) viveram na região.

O principal mistério que ainda ronda as penas fossilizadas da chapada do Araripe é por que cargas d’água elas ainda não foram encontradas junto com o resto dos dinossauros (e aves) que as portavam.

A exceção que comprova a regra é a Cratoavis cearensis, avezinha do tamanho de um beija-flor.  A descrição formal da espécie foi publicada em 2015.

Com informações: Reinaldo José Lopes/Folhapress

22:38 · 25.04.2016 / atualizado às 22:53 · 25.04.2016 por
Imagem: Obvious
Segundo pesquisa britânica, diversidade de espécies de dinossauros já vinha sendo reduzida 40 milhões de anos antes do impacto de um asteroide, de cerca de 10 km de diâmetro contra a Terra Imagem: Obvious

Existe razoável consenso entre os cientistas de que foi o impacto de um asteroide que levou à extinção dos dinossauros há quase 66 milhões de anos atrás.

Há menos consenso sobre a possibilidade destes grandes animais já estarem em declínio quando o corpo celeste chegou para terminar o serviço. Pesquisadores do Reino Unido mostraram que os dinossauros de fato já estavam em declínio cerca de 40 milhões de anos antes do letal impacto na cratera Chicxulub, no México.

O estudo publicado na revista científica “PNAS” seria o primeiro a modelar a dinâmica evolucionária entre dinossauros – isto é, a relação entre a extinção de espécies e o processo de produção de outras novas, a “especiação”. O ritmo de extinção superou o de especiação 40 milhões de anos antes do impacto do meteoro.

Existe, ainda a dificuldade ligada aos diferentes ritmos de evolução entre os três principais grupos de dinos – os clados Ornithischia, Sauropodomorpha e Theropoda. Há uma grande diversidade entre esses animais. Por exemplo, os bípedes carnívoros terópodas, ou os mega-herbívoros e quadrúpedes saurópodas.

Os autores admitem que não é possível identificar uma causa para o declínio dos animais. Pode ser uma combinação delas. A separação dos continentes limitaria a movimentação e consequentemente a possibilidade de especiação.

Entre outros eventos deletérios, estão episódios frequentes de vulcanismo, mudança climática, flutuação do nível dos oceanos ou a interação ecológica com outros animais, como mamíferos primitivos.

Sobrevivência das aves

Águias, gaviões, flamingos, sabiás, andorinhas, periquitos; a enorme variedade de espécies de aves hoje existentes tornou-se possível porque os ancestrais delas conseguiram sobreviver comendo sementes depois de um evento catastrófico de extinção, 66 milhões de anos atrás, indica um estudo publicado na revista “Current Biology”.

Aves são os únicos dinossauros que sobreviveram ao letal meteoro que criou a cratera de Chicxulub na península de Iucatã, México. Apesar do nome “dinossauro” ter sido criado a partir do grego, significando algo como “lagarto terrível”, ou melhor, “assustadoramente grande lagarto”, os dinos não eram lagartos. Eles eram bem diversificados, e incluíam um grupo de animais emplumados, os ancestrais das aves modernas.

Segundo os autores do estudo liderado pelo paleontólogo canadense Derek Larson, logo depois do impacto do meteoro
que marca o fim do período geológico Cretáceo, as cadeias alimentares terrestres que contavam com a fotossíntese das plantas teriam entrado em colapso. Sem plantas, não sobrevivem os herbívoros que as comem; sem herbívoros, não há comida para os carnívoros. Os dinossauros aviários incluíam carnívoros com dentes nos bicos, que terminaram extintos também por conta da massiva mudança ecológica. Já seus colegas sem dentes foram capazes de sobreviver comendo sementes.

O estudo de Larson incluiu a análise de 3.104 dentes de dinossauros do clado chamada Maniraptora, que inclui tanto as aves como outros dinos não aviários. Os dentes pertencem a animais que viveram nos últimos 18 milhões de anos do Cretáceo.

Os cientistas concluíram que a extinção dos Maniraptora com dentes e a sobrevivência dos outros dinossauros aviários (ancestrais mais diretos das aves modernas) foi obra da capacidade destes de utilizar melhor a única comida abundante disponível, sementes.

Obstáculos contra a extinção

Sobreviver ao impacto do meteoro não foi fácil. Houve um grande pulso inicial de calor, literalmente cozinhando muitos animais e plantas, além de incêndios posteriores; chuva ácida, escuridão e inverno causado pelo bloqueio da luz solar ajudaram a extinguir ainda mais espécies.

Mas os pássaros comedores de sementes resistiram. Hoje se sabe que sementes em florestas temperadas modernas podem permanecer viáveis por mais de 50 anos. E em casos de incêndios em habitats, os pássaros “granívoros” – comedores de sementes – estão entre os primeiros a reocupar o local.

Os mais de três mil dentes foram analisados em busca de padrões de diversidade. Se a variação ao longo do tempo diminuísse seria um sinal de que a perda de diversidade indicaria que o ecossistema estava em declínio. Mas se os dentes permanecessem diferentes durante o período seria a indicação de que o ecossistema esteve estável durante milhões de anos.

Ou seja, os dinossauros aviários com dentes estavam vivendo bem até receberem o abrupto golpe do meteoro. Os pesquisadores também estudaram pássaros atuais para ajudar e entender seu passado comum. E concluíram que o ancestral comum de todos – mesmo aqueles cuja dieta é de carne, insetos ou plantas – era um discreto comedor de sementes com um bico desdentado.

Fonte: Ricardo Bonalume Neto/Folhapress

17:23 · 14.05.2015 / atualizado às 17:25 · 14.05.2015 por
Foto: Reuters
Concepção artística mostrando como deveria se parecer o dinossauro Yi qi. Cientistas ainda especulam se o animal voava de fato ou se apenas planava, tal como os esquilos-voadores Foto: Reuters

Imagine um universo paralelo no qual as aves, em vez de usarem um conjunto especial de penas para voar, acabaram desenvolvendo asas como as dos morcegos, feitas com membranas de pele.

Pois algo muito parecido com isso aconteceu de verdade com um pequeno dinossauro chinês, segundo um novo estudo. E não foi propriamente por falta de penas que ele ficou desse jeito. O fóssil do Yi qi, ou “asa estranha”, em chinês, mostra que o animal era penoso, mas suas plumas estavam mais para filamentos meio rígidos do que para as estruturas delicadamente assimétricas que ajudam a sustentar o voo das aves modernas.

A característica mais surpreendente do animal, porém, é a presença de um par de ossos alongados, os quais se projetam a partir dos pulsos e parecem estar ligados a uma membrana. É algo parecido com o que se vê nos tornozelos de vários morcegos e nos pulsos de pterossauros (répteis voadores extintos) e mamíferos atuais que sabem planar, como esquilos-voadores.

“Sem dúvida é uma das descobertas mais fantásticas dos últimos anos”, diz Taissa Rodrigues, paleontóloga da Universidade Federal do Espírito Santo que trabalha com pterossauros e comentou o estudo a pedido da Folha. A descrição do Yi qi está em artigo na revista científica “Nature”, assinada por um dos principais especialistas em dinossauros da China, Xing Xu, da Universidade Linyi.

Os trabalhos de Xu e seus colegas ajudaram a mostrar de uma vez por todas que as mais antigas aves não passam de pequenos terópodes (dinossauros carnívoros) que colonizaram os ares.

Anterior à primeira ave

A nova espécie, de 160 milhões de anos e apenas 400 gramas, tem parentesco evolutivo próximo com o grupo dos penosos de hoje, sendo inclusive um pouco mais antiga que o Archaeopteryx, tradicionalmente considerado a primeira ave.

Outros terópodes da China chegaram a realizar experimentos evolutivos com formas malucas de voar ou planar -um deles chegou a ter “quatro asas”, com penas associadas ao voo em todas as patas-, mas nenhum chega perto da esquisitice do Yi qi.

Voo incerto

Essa é a dúvida que ainda atormenta os paleontólogos, que não sabem qual era o formato exato da membrana do bicho. Por um lado, as estruturas compridas “são bem mais desenvolvidos do que o pteroide, o osso alongado do pulso dos pterossauros”, afirma Taissa.

Por outro lado, uma análise das espécies atuais indica que elas são mais parecidas com os ossos de sustentação dos esquilos-voadores, que planam bastante bem, mas não conseguem bater asas e manter um voo sustentado. Um segundo ponto importante é que, quando olhadas em seu conjunto, as patas da frente do bicho não parecem possuir superfícies adaptadas a receber os músculos poderosos que todo animal capaz de bater asas possui.

Segundo a paleontóloga brasileira, seria interessante achar um novo espécime com o pulso mais bem preservado, o que demonstraria a posição exata do novo osso. Falta também descobrir a parte inferior do corpo do bicho (da barriga para baixo), que não ficou preservada no fóssil descrito na “Nature”.

Com informações: Folhapress

09:13 · 13.12.2014 / atualizado às 09:14 · 13.12.2014 por
Foto: AFP
s Ao contrário do que se pensava anteriormente, flamingos são mais próximos dos pombos do que dos pelicanos Foto: AFP

As aves usam essencialmente os mesmos genes para cantar que nós, humanos, usamos para falar. E os flamingos são mais próximos dos pombos do que dos pelicanos.Estas são algumas revelações surpreendentes que emergiram do maior e mais sofisticado mapeamento já feito sobre a árvore genealógica das aves.

Para realizar o mapeamento, publicado em mais de duas dúzias de artigos separados, oito deles na edição de sexta-feira (12) da revista científica americana Science, cientistas de 20 países passaram quatro anos debruçados no projeto de decodificar os genomas completos de 48 espécies de aves, incluindo corujas, beija-flores, pinguins e pica-paus.

Eles também compararam as aves a três diferentes espécies de crocodilos – que são os répteis mais próximos das aves – e descobriram taxas vastamente diferentes de evolução. As aves foram muito mais rápidas em desenvolver novos traços, enquanto os crocodilos – que compartilharam um ancestral comum com as aves e os dinossauros, há 240 milhões de anos – quase não mudaram.

Dinossauros sobreviventes

As aves são “a única linhagem de dinossauros que sobreviveu à extinção em massa do final da chamada era dos dinossauros”, há cerca de 65 milhões de anos, disse o co-autor do estudo, Ed Braun, professor associado da Universidade da Flórida.

“Seu parente vivo mais próximo é na verdade crocodiliano, então você volta a ter estes organismos muito diferentes voltando no tempo regularmente”, acrescentou. Acredita-se que alguns poucos novos tipos de aves tenham sobrevivido ao evento catastrófico que varreu os dinossauros da face da Terra e a partir de então, eles evoluíram rapidamente para o arranjo de cerca de 10 mil espécies que nós vemos hoje.

De acordo com a pesquisa, as aves perderam seus dentes cerca de 116 milhões de anos atrás. O desejo de acasalar e ser notado pelo sexo oposto levou a uma rápida evolução de 15 genes de pigmentação, associados à plumagem e às penas, acrescentou o estudo.

A habilidade das aves de cantar e imitar sons se baseia nos mesmos circuitos cerebrais que vemos nos humanos, embora tenham desenvolvido estas habilidades por caminhos evolutivos diferentes.

Aves antigas

Galinhas e avestruzes estão entre as aves cuja aparência mais lembra à de seus ancestrais.

O co-autor do estudo, Erich Jarvis, professor associado de neurobiologia da Escola de Medicina da Universidade de Duke, descreveu como “uma grande surpresa que na verdade é a galinha que parece ter preservado a maior organização cromossômica dos ancestrais, em comparação com outras espécies”.

“Mas isto não significa que outras partes dos aspectos deste genoma não sejam tão antigas quanto. O avestruz poderia, inclusive, ser mais velho”, pois parece que seu genoma está evoluindo mais lentamente que o das galinhas.

Novos parentescos

Os cientistas também se disseram surpresos ao descobrir que os flamingos, conhecidos pelas pernas longas, pelos bicos elegantes e a plumagem característica rosada, sejam intimamente ligados aos pombos, pombas e pequenas aves aquáticas conhecidas como mergulhões.

“O que nós descobrimos foi um casal realmente estranho de aves: onde nós temos pombos e seus afins, eles se juntam com flamingos e mergulhões”, disse Braun. “Flamingos e mergulhões são bastante diferentes em aparência, embora ambos sejam aves aquáticas, que você pode ficar surpreso em vê-los juntos, mas relacioná-los com pombos é especialmente inesperado”, prosseguiu.

Para chegar a estas conclusões, os cientistas usaram uma variedade de técnicas que ajudaram a reunir e analisar mais de 14.000 genes e construir uma árvore genealógica vinculando diferentes espécies de aves.

Com informações: AFP

16:41 · 12.12.2014 / atualizado às 16:50 · 12.12.2014 por
Foto: Blog Gente Que Educa
Os cientistas decodificaram os genomas de 45 espécies de aves e analisaram os de outros três previamente sequenciados Fotos: Blog Gente Que Educa

Cientistas revelaram a “árvore genealógica” mais ampla das aves até agora usando material genético de 48 espécies para acompanhar como os pássaros modernos surgiram e prosperaram após a extinção coletiva que dizimou os dinossauros.

O trabalho de pesquisadores de 20 países ajuda a esclarecer as relações evolutivas de grupos de aves modernas e revela características genéticas como o canto, a falta de dentes, a plumagem colorida e a visão de cores. Os cientistas decodificaram os genomas –material genético de um organismo– de 45 espécies de aves e analisaram os de outros três previamente sequenciados. A lista cobriu quase todos os grupos vivos de aves.

“Apresentamos uma árvore genealógica muito detalhada de aves e uma imagem clara de como os pássaros modernos se originaram e evoluíram”, disse o geneticista Guojie Zhang, do centro de pesquisa de genoma BGI, em Shenzhen, na China, e a Universidade de Copenhague.

Origem entre dinossauros

Os cientistas acreditam que as aves evoluíram a partir de pequenos dinossauros que tinham penas. O mais antigo pássaro conhecido, o Archaeopteryx, viveu há 150 milhões de anos.

Os pesquisadores disseram que a maioria das linhagens de aves desde o tempo dos dinossauros desapareceu durante a extinção coletiva há cerca de 65 milhões de anos provocada supostamente pela colisão de um asteroide com a Terra.

“As aves são dinossauros. São uma linhagem de dinossauros que resistiu à extinção coletiva”, disse o professor de biologia Ed Braun, da Universidade da Flórida.

Explosão evolutiva

A análise se concentrou em um grupo chamado Neoaves, que inclui quase todas as mais de 10.000 espécies de aves modernas.

Sua explosão evolutiva se estendeu de 10 milhões a 15 milhões de anos após a extinção coletiva. A diversificação das espécies deu origem a 95% das aves atuais, disse o neurobiólogo Erich Jarvis, da Faculdade de Medicina da Universidade de Duke.

Com informações: Reuters Brasil

19:34 · 04.11.2014 / atualizado às 20:28 · 04.11.2014 por
Foto: Nature Methods
Uma imagem do pinguim-robô mostra uma bola de pelos com nadadeiras, bico afiado e cara pintada em preto-e-branco, como os filhotes de Imperadores, sobre quatro rodas Foto: Nature Methods

Destemido, o sósia de um filhote de pinguim avança sobre quatro rodas na direção de um grupo de bebês pinguins de carne e osso, bem debaixo dos bicos dos adultos, que não parecem se incomodar com sua presença.

A infiltração é por uma boa causa: o robô, gracioso e fofinho, é um espião controlado remotamente, criado por cientistas que querem monitorar os ariscos pinguins, sem estressá-los.

Uma equipe internacional testou o robô com e sem a camuflagem de pinguim em populações de Pinguins-reis (“Aptenodytes patagonicus”) em Possession Island, no Oceano Índico, e Pinguins-imperadores (“Aptenodytes forsteri”) na Antártica.

Em artigo publicado na edição de domingo da revista Nature Methods, eles relataram que as duas versões do robô causaram menos alarme do que a presença humana – conforme demonstrado pela frequência cardíaca e o comportamento das aves – além do fato de que o sósia podia se aproximar mais.

O robô foi equipado com uma antena capaz de ler os sinais emitidos por etiquetas de identificação eletrônicas instaladas em alguns pinguins para a pesquisa populacional. As etiquetas só podem ser lidas até uma distância de 60 centímetros.

“Quando o robô foi camuflado como um pinguim, todos os adultos e filhotes de Imperadores permitiram que se aproximasse o suficiente para a identificação eletrônica”, afirmaram.

“Foi possível ouvir os adultos e os filhotes cantando na direção do robô camuflado e conseguiu se infiltrar em uma creche sem perturbá-los”, prosseguiram.

‘Bola de pelos’

Uma imagem do pinguim-robô mostra uma bola de pelos com nadadeiras, bico afiado e cara pintada em preto-e-branco, como os filhotes de Imperadores, sobre quatro rodas.

Em outra imagem, o pequeno robô é visto em meio a um amontoado de pinguins bebê supervisionado por grupos de adultos. Ainda em processo de aperfeiçoamento, o robô se destina a esclarecer os padrões de reprodução e comportamento dos pinguins, bons indicadores da saúde dos recursos marinhos no Oceano Antártico.

No passado, cientistas prenderam nas asas dos pinguins dispositivos que transmitiam automaticamente um sinal de rádio, ao receber um determinado estímulo. A transmissão poderia ser feita a longas distâncias, mas os pesquisadores logo descobriram que impediam os pinguins de nadar, prejudicando a procriação e a caça.

Atualmente, um chip minúsculo com peso de menos de uma grama é inserido sob a pele das aves. No entanto, o alcance agora é notoriamente menor, forçando os cientistas a se infiltrarem nas colônias para obter os dados de que precisam.

 

Com informações: AFP

17:56 · 04.11.2014 / atualizado às 18:01 · 04.11.2014 por
Foto: Blog Tempo Vida
Uma queda de até 90% foi registrada entre espécies comuns naquele continente, como o estorninho Foto: Blog Tempo Vida

A Europa perdeu 421 milhões de aves em 30 anos e a atual gestão ambiental não consegue evitar o abate de muitas espécies até recentemente comuns, revela um estudo divulgado pela revista científica “Ecology Letters”.

Este alarmante desaparecimento de aves europeias está ligado a métodos modernos de agricultura e à perda de habitat. “É um aviso que se aplica a toda fauna da Europa. A forma como administramos o meio ambiente não é sustentável para nossas espécies mais comuns”, declara Richard Gregory, da Sociedade Real para a Proteção das Aves, que co-liderou o estudo.

Uma queda de até 90% foi registrada entre espécies comuns, como o perdiz cinzento, o pardal e o estorninho. Paralelamente, houve um aumento do número de exemplares de algumas espécies raras de aves, graças às medidas de conservação, de acordo com o estudo.

Os cientistas recomendam a rápida implementação de novos sistemas agrícolas e a instalação de áreas verdes em ambientes urbanos.

Os pesquisadores analisaram dados de 144 espécies de aves em 25 países europeus.

Com informações: UOL Ciência / AFP

19:10 · 30.09.2014 / atualizado às 19:18 · 30.09.2014 por
Foto: Blog Estudo Prático
Espécies de água doce, incluindo peixes, anfíbios e répteis como os crocodilianos, sofreram uma perda de 76%, em um percentual que representa o dobro do sofrido por espécies marinhas e terrestres Foto: Divulgação

Mais da metade dos animais selvagens que existiam na Terra há 40 anos desapareceu, e a maioria destas perdas ocorreu nas áreas tropicais da América Latina, segundo o último relatório “Planeta Vivo” do Fundo Mundial para a Natureza (WWF).

Sob o título “Espécies e Espaços, Pessoas e Lugares”, o relatório – a décima edição deste estudo bienal – recolhe as pesquisas realizadas sobre o destino de 10 mil espécies de vertebrados de 1970 a 2010. As espécies estão classificadas no Índice Planeta Vivo, um registro mantido pela Sociedade Zoológica de Londres. Além disso, o relatório mede o rastro ecológico da humanidade no planeta elaborado pela Global Footprint Network.

A principal conclusão do estudo é que as populações de peixes, aves, mamíferos, anfíbios e répteis decaiu em 52% desde 1970. As espécies de água doce sofreram uma perde de 76%, em um percentual que dobra as sofridas por espécies marinhas e terrestres. A maioria das perdas globais, por sua vez, provém das regiões tropicais da América Latina.

Rastro ecológico

Calcula-se que seria necessária uma Terra e meia para produzir os recursos necessários para equilibrar com o rastro ecológico da humanidade.

O relatório também destaca que o rastro ecológico é cinco vezes maior nos países desenvolvidos que nas nações em desenvolvimento, e lembram que se demonstrou que se podem elevar os níveis de vida da população e restringir ao mesmo tempo a exploração dos recursos naturais.

Os dez países com maior rastro ecológico são, na ordem, Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos, Dinamarca, Bélgica, Trinidad e Tobago, Cingapura, Estados Unidos, Bahrein e Suécia.

Com informações: EFE