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Tag: bactérias


18:40 · 18.09.2018 / atualizado às 18:42 · 18.09.2018 por
Concepção artística do barroco italiano Michelangelo Merisi, o Caravaggio, que morreu na Toscana, quatro anos após fugir de Roma por ter cometido um assassinato Imagem: Artble

O famoso pintor barroco Caravaggio, que morreu em 1610, sucumbiu a uma infecção de Staphylococcus aureus, revelaram nesta terça-feira (18) pesquisadores do Hospital Universitário Mediterrâneo de Marselha (IHU), quatro séculos depois.

Michelangelo Merisi, conhecido como Caravaggio, fugiu de Roma depois de cometer um assassinato em uma briga de rua, e morreu quatro anos depois na Toscana em condições inexplicadas. “Graças à cooperação com antropólogos italianos e com o microbiologista Giuseppe Cornaglia, as equipes do IHU de Marselha conseguiram extrair dentes do esqueleto de Caravaggio”, informou o instituto em um comunicado.

Os pesquisadores extraíram a polpa dentária, rica em vasos sanguíneos. Combinando três métodos de detecção de DNA, “o assassino foi identificado: um Staphylococcus aureus”, acrescentou o comunicado.

O instituto de pesquisa do IHU, liderado pelo professor Didier Raoult, é um centro de pesquisa, atendimento, treinamento e avaliação especializado na luta contra doenças infecciosas.

O resultado da pesquisa será publicado antes do final do ano em um artigo científico da revista “Lancet contagious diseases”, conforme detalhado pelo IHU.

Com informações: AFP

16:12 · 03.08.2017 / atualizado às 16:12 · 03.08.2017 por
Bactéria causou a morte de 56% de chimpanzés cujos corpos foram estudados por pesquisadores, no período entre 1989 e 2014 Foto: Getty Images

O antraz, uma doença bacteriana grave geralmente associada a climas áridos, vem dizimando silenciosamente chimpanzés em uma floresta tropical da África Ocidental, e pode eliminá-los completamente, disseram pesquisadores.

Amostras tiradas de carcaças, ossos e moscas que se alimentam de carniça no Parque Nacional de Tai (TNP), na Costa do Marfim, entre 1989 a 2014, revelaram que o antraz causou 38% das mortes de animais – incluindo 31 dos 55 chimpanzés mortos analisados, ou seja, no caso da espécie a letalidade chega a 56%.

Outras baixas incluíram macacos, antílopes, mangustos e um porco-espinho. “Nossas simulações (…) sugerem que a mortalidade induzida pelo antraz resultará em declínios determinísticos de população e na possível extirpação de chimpanzés do TNP nos próximos 150 anos”, escreveu uma equipe na revista científica Nature.

Os chimpanzés são particularmente vulneráveis ​​devido à sua lenta taxa de reprodução, disseram os cientistas. Os pesquisadores não conseguiram determinar onde e como os animais estavam sendo infectados com um tipo de antraz identificado pela primeira vez no TNP em 2004. E eles advertiram que as infecções em macacos “são muitas vezes indicadoras de doenças que também podem afetar humanos”.

A bactéria, Bacillus cereus biovar anthracis, também causou mortes de chimpanzés, gorilas e elefantes em Camarões e na República Centro-Africana, disse a equipe. Nenhum caso de humanos afetados foi registrado. Anteriormente, se acreditava que os surtos de antraz eram mais comuns em ecossistemas áridos, como a savana africana, onde matam animais de caça, gado e às vezes humanos.

Os humanos geralmente contraem a doença de animais infectados ou através da exposição a produtos animais contaminados. A bactéria pode ser contraída pela pele, boca ou inalação. Em sua forma mais comum, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, provoca feridas negras na pele. A bactéria não é transmitida de pessoa para pessoa. Embora potencialmente mortal, reage bem ao tratamento com antibióticos.

Com informações: AFP

19:18 · 20.02.2017 / atualizado às 20:26 · 20.02.2017 por
Foto: Nasa

Cientistas da Nasa descobriram micro-organismos vivos presos dentro de cristais por até 60.000 anos em uma mina no México.

Esses micróbios antigos aparentemente evoluíram para poder sobreviver com uma dieta à base de sulfito, manganês e óxido de cobre, disse Penelope Boston, do Instituto de Astrobiologia da Nasa, neste fim de semana em uma conferência da Associação Americana para o Avanço da Ciência.

“Isso tem efeitos profundos sobre como tentamos entender a história evolutiva da vida microbiana neste planeta”, disse. Os micro-organismos foram descobertos na mina de Naica, no estado de Chihuahua, no norte do México. A mina é famosa por seus enormes cristais, alguns com até 15 metros.

A descoberta ainda não foi publicada em uma revista científica revisada por pares, mas levou os cientistas a acreditarem que organismos vivos também podem ter sobrevivido em ambientes extremos de outros planetas e luas do nosso sistema solar.

Segundo Boston, cerca de 100 tipos diferentes de microrganismos – a maioria deles bactérias – foram encontrados presos em cristais de Naica por períodos que variam de 10.000 a 60.000 anos, e 90% deles nunca tinham sido observados antes.

Preocupação

A descoberta destes micro-organismos ultra-resistentes foi uma surpresa para os pesquisadores, mas também uma fonte de preocupação para os astrobiólogos que pensam em recolher amostras em missões espaciais no sistema solar.

As condições extremas sob as quais esses micróbios sobreviveram levantam a possibilidade de que naves espaciais de exploração tragam acidentalmente para a Terra organismos extraterrestres perigosos. Os astrobiólogos também se preocupam com o risco de que organismos da Terra possam contaminar outros planetas no curso de missões de exploração, por exemplo em Marte, onde já existem vários robôs dos Estados Unidos.

A Nasa esteriliza suas espaçonaves e equipamentos antes de lançá-los no espaço. Sempre há, porém, o risco de que micro-organismos ultrarresistentes sobrevivam. “Como podemos garantir que as missões de detecção de vida vão detectar a verdadeira vida de Marte, ou a vida de mundos gelados, em vez da nossa vida?”, perguntou Boston. As preocupações não são novas. Durante as missões Apollo dos anos 60 e 70, os astronautas que retornaram da lua foram colocados em quarentena.

Os micro-organismos encontrados na mina de Naica não são os mais antigos já descobertos. Alguns anos atrás, cientistas encontraram micróbios vivos presos em gelo e sal havia 500.000 anos.

Com informações: AFP

23:36 · 04.03.2015 / atualizado às 23:37 · 04.03.2015 por
Foto: Universidade da Califórnia
Foto: Universidade da Califórnia

Cientistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, fotografaram pela primeira vez o que pode ser a menor forma de vida na Terra.

Trata-se de uma bactéria que possui um volume de 0,009 microns cúbicos (um mícron é um milionésimo de metro). Para se ter uma ideia, as células do organismo são tão pequenas que seriam necessárias mais de 150 mil unidades para preencher o espaço na ponta de um fio de cabelo humano.

Os pesquisadores afirmam que este micróbio é bastante comum e provavelmente inofensivo, mas não sabem para que ele serve, já que nunca houve a possibilidade de estudá-lo devido ao tamanho e à sua fragilidade.

As amostras do ser vivo foram encontradas em águas subterrâneas e depois congeladas a uma temperatura de -272ºC (pouco acima do zero absoluto) e transportadas para o laboratório da universidade, onde foram fotografadas.

Vídeo

Os cientistas também criaram um vídeo da célula, que permite visualizar o interior da estrutura.

As fotos revelaram que as bactérias eram saudáveis e não passavam fome, apesar de seu tamanho.

A equipe descobriu também alguns apêndices em forma de fio, que podem servir de conexões para a sobrevivência de outros micróbios.

Os dados genômicos indicam ainda que as bactérias não possuem muitas funções básicas e que provavelmente contam com uma comunidade de micróbios para recursos críticos.

“Estes bactérias ultra-pequenas descobertas recentemente são um exemplo de um subconjunto da vida microbiana na terra de que não sabemos quase nada sobre”, comenta o professor Jillian F. Banfield.

Com informações: Olhar Digital

11:37 · 20.05.2013 / atualizado às 12:05 · 20.05.2013 por
Vacina mostrou eficácia em roedores e porcos e deve ser testada em humanos voluntários ainda em 2013 Foto: USP / Divulgação
Vacina mostrou eficácia em roedores e porcos e deve ser testada em humanos voluntários ainda em 2013 Foto: USP / Divulgação

Pesquisadores do Instituto do Coração (InCor), da Universidade de São Paulo (USP), desenvolveram uma vacina contra a febre reumática – doença inflamatória que acomete pessoas geneticamente suscetíveis após uma infecção bacteriana. O medicamento deve começar a ser testado em seres humanos ainda este ano .

Experimentos feitos em roedores e em pequenos porcos sugerem que o imunizante é seguro e tem capacidade de induzir uma resposta imunológica específica contra a bactéria Streptococcus pyogenes. “Com esses resultados em mãos, estamos prontos para iniciar estudos de fase 1 em humanos. Apenas aguardamos a liberação do financiamento pré-aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)”, projetou cientista. No primeiro momento, serão vacinados apenas indivíduos adultos saudáveis (voluntários). O objetivo é verificar se o imunizante consegue induzir a produção de anticorpos específicos.

Como funciona a febre reumática

Na maioria dos infectados, esse patógeno causa apenas dor de garganta, mas em crianças predispostas, porém, o contato com ela pode desencadear um quadro autoimune.  Na tentativa de se defender da bactéria, o sistema imunológico começa a atacar tecidos do próprio organismo – o coração é o principal alvo. “Isso acontece porque partes da bactéria têm sequências de aminoácidos e a conformação de algumas proteínas muito parecidas com as existentes nas válvulas cardíacas”, explicou Luiza Guilherme, pesquisadora do InCor e coordenadora da pesquisa.

A doença também pode causar um quadro de dor nas articulações conhecido como poliartrite, que costuma melhorar com o tempo. Mas as lesões nas válvulas cardíacas são progressivas e permanentes – levando, cedo ou tarde, à necessidade de cirurgia. “Quando o paciente é operado pela primeira vez ainda criança, a chance de precisar passar por várias cirurgias ao longo da vida é grande. Por isso a febre reumática é uma das doenças com tratamento mais caro no Brasil e no mundo”, afirma a pesquisadora. Estima-se que de 3% ou 4% das pessoas sejam suscetíveis a desenvolver doença autoimune após a infecção pela S. pyogenes.

Ainda assim, o custo do tratamento da febre reumática para o Sistema Único de Saúde (SUS) fica atrás apenas do gasto com a Aids. No levantamento mais recente, feito em 2007 pelo Ministério da Saúde,  foram R$ 60 milhões para custear o tratamento clínico da doença e outros R$ 120 milhões para cirurgias cardíacas. No InCor, onde são atendidos cerca de 600 pacientes com a doença reumática cardíaca por mês, 2 mil pessoas estão na fila para fazer a cirurgia valvular. Quase 40% dos operados são crianças.

03:29 · 06.03.2013 / atualizado às 04:05 · 06.03.2013 por
A espécie Bacillus infernus é um dos seres vivos a viver mais profundamente abaixo da superfície terrestre: até 2,7 km Imagem: Henry Aldrich
A espécie Bacillus infernus é um dos seres vivos a viver mais profundamente abaixo da superfície terrestre: até 2,7 km Imagem: Henry Aldrich

Não é todo dia que se noticia algo que pode mudar a História da Ciência e o nosso entendimento sobre a evolução da vida na Terra.

Uma equipe internacional de cientistas, reunida sobre a iniciativa Deep Carbon Observatory (DCO), fez descobertas surpreendentes ao pesquisar sobre o carbono, o elemento químico por trás de todas as principais moléculas presentes nos organismos vivos, notadamente nas cadeias de RNA e DNA.

Segundo um dos pesquisadores, John Baross, da Universidade de Washington, “a profundidade debaixo da superfície pode ter atuado como um laboratório natural da origem da vida no qual múltiplos experimentos naturais podem ter sido produzidos em dupla”. Um desses “experimentos” químicos que podem ter se processado há cerca de 4 bilhões de aos é o que a equipe científica está chamando de processo de “serpentinização”, uma teoria alternativa sobre a origem da vida na Terra.

Segundo essa teoria, a rocha basáltica expelida por vulcões subterrâneos reage quimicamente com a água de mar, o que produz hidrogênio e o mineral “serpentine”. De acordo com os cientistas do DCO, o hidrogênio gerado por este processo pode ter sido o alimento que permitiu a aparição dos primeiros micróbios na Terra. Mas não na superfície e sim em grandes profundidades.

O diretor-executivo do DCO e cientista da Instituição Carnegie, Robert Hazen afirma que “em qualquer lugar do mundo, se você perfura a vários quilômetros, encontrará vida em forma de micróbios”. A variedade de vida bacteriana que se encontra em grandes profundidades e com pressões extremas constitui um autêntico Galápagos das profundezas”.

Outro pesquisador ligado ao DCO, Steven D’Hondt, da Universidade de Rhode Island, afirmou que esses micróbios “levam pelo menos centenas de milhares de anos para se reproduzir, e é concebível que vivam sem se dividir durante dezenas de milhões de anos. São zumbis microbiais. Hazen vai mais além que Hondt e lembra que há alguns cientistas assegurando que há micróbios com centenas de milhões de anos de idade, que viveram em um estado estático, sem se dividir, em pequenos buracos nas rochas, e quando foram expostos a um ambiente mais dinâmico, começaram a se dividir”.

“É realmente extraordinário. Porque se a vida pode se manter passiva durante grandes períodos de tempo, é provável que meteoritos levem micróbios de um planeta a outro. Isso pode ser uma forma de movimentar vida entre planetas”, declarou Hazen. Não é preciso nem dizer que as novas descobertas animaram não só os estudiosos de micro-organismos ou da evolução da vida, como também os astrobiólogos de plantão, especialmente os que já trabalhavam com hipótese semelhante a essa.

A lignita é uma das formas do chamado carvão mineral, geralmente preservando algumas características físicas do vegetal de que se originou Imagem: Theodore Gray
O lignito é uma das formas do chamado carvão mineral, geralmente preservando algumas características físicas do vegetal de que se originou Imagem: Theodore Gray

O que é o DCO?

O Deep Carbon Observatory, ou DCO, amplo programa de pesquisa sobre o carbono, começou há três anos e culminou na terça-feira (5) com a publicação de um volume de 700 páginas que contém as principais descobertas feitas pelo grupo internacional, assim como as novas incógnitas geradas pelo trabalho de cerca de mil cientistas de 40 países.

Um dos principais objetivos do programa, que tem um orçamento de US$ 500 milhões, é saber com exatidão quanto carbono está armazenado nas profundezas da Terra e onde. “Estamos interessados em saber quanto carbono há, onde está, como se movimenta de uma parte a outra do planeta, quais são suas formas, estamos muito interessados no fenômeno da vida microbial em grandes profundidades e como afeta o ciclo do carbono”, declarou Hazen.

“É realmente um esforço para entender o carbono em escala global, da superfície ao centro da Terra, não só o ciclo do carbono mais superficial e do qual a maioria das pessoas fala, mas um ciclo mais profundo que representa 90%, ou mais, do carbono em nosso planeta”. Esse é o elemento químico mais importante. É o elemento da vida, o que deu origem à vida. É um dos aspectos que estamos tentando entender, de onde veio a vida”, acrescentou o pesquisador.

Algumas das descobertas mais fascinantes que foram reveladas pelo DCO são precisamente as que dizem respeito à relação entre a vida e carbono. As conclusões dos primeiros anos do programa e detalhes dos próximos sete anos de atuações previstos  estão sendo discutidos em uma conferência internacional na Academia Nacional de Ciências em Washington. Por exemplo, a de que há 4 bilhões de anos os processos biológicos produzidos por micróbios começaram a alterar a mineralogia da Terra, criando minerais que nunca teriam existido no planeta sem a presença da vida.

Outra descoberta paralela do DCO foi a de que há vírus em grandes profundidades no interior da Terra atuando de forma diferente dos vírus da superfície: seu material genético é transferido de forma passiva ao genoma de bactérias e pode permanecer durante uma infinidade de anos sem se manifestar.

16:15 · 28.01.2013 / atualizado às 19:33 · 28.01.2013 por
Enterobacter cloacae pode ser um dos maiores responsáveis pela retenção de gordura no intestino humano Imagem: Centers for Disease Control and Prevention

A quantidade de calorias consumida por uma pessoa ou a falta de atividade física podem não ser os únicos vilões do que a Organização Mundial da Saúde (OMS) chama de “epidemia global de obesidade”.

Ironicamente, a “epidemia” pode ter entre outros fatores um fator realmente patogênico. De acordo com um estudo chinês. A cepa bacteriana Enterobacter cloacae B 29 pode ser um dos maiores responsáveis pelo ganho constante de peso.

O trabalho dos pesquisadores chineses envolveu humanos e camundongos e um dos experimentos conseguiu levar um obeso de 26 anos a perder 51,4 kg em cerca de cinco meses. O voluntário nessa experiência tinha 1,72 m de altura e começou o tratamento com 174,8 kg.

Ele se alimentava quatro vezes ao dia, com uma média de 1.344 calorias diárias. Mas, além da restrição calórica, a alimentação foi planejada para cortar a multiplicação de bactérias Enterobacter em seu intestino. Exames mostraram que ela representava 35% das bactérias no intestino dele, antes do estudo.

Após nove semanas com o mingau especialmente preparado para o experimento, essa proporção caiu para 1,8%. Em 23 semanas, a bactéria passou a níveis indetectáveis. Até aí, no entanto, havia apenas uma correlação entre a “B29” e a perda de peso. Para tirar a prova, os cientistas usaram camundongos. Em alguns, eles introduziram a bactéria no paciente, em outros, não. Então, passaram a alimentar os animais com uma dieta de alta caloria. Os que tinham a bactéria logo desenvolveram obesidade e resistência à insulina. Os que estavam livres dela, não.

Outras bactérias intestinais também podem influir na obesidade

O resultado vem a corroborar estudos recentes, conduzidos inclusive no Brasil, que já indicavam que a composição da flora intestinal é determinante no desenvolvimento da obesidade. De acordo com o cientista Liping Zhao, da Universidade Jiao Tong de Xangai, um dos autores do estudo, “a B29 não é a única com esse efeito na obesidade. Nosso trabalho estabeleceu um protocolo para descobrir mais delas.”

Espera-se que o conhecimento das bactérias maléficas à digestão ajude a moldar as dietas. Além disso, o resultado pode explicar por que há pessoas que comem bastante mas engordam muito menos que outras. “A dieta é a ferramenta mais poderosa para moldar a saúde, parcialmente pela forma como muda a composição da microbiota intestinal”, destacou Zhao.

Curiosidades sobre a “Epidemia Global de Obesidade”

– O número de obesos no mundo mais que dobrou desde 1980.
– Em 2008, mais de 1,4 bilhões de adultos, acima de 20 anos de idade estavam acima do peso. Desse total, cerca de 200 milhões de homens e 300 milhões de mulheres sofriam de obesidade. 
– 65% da população mundial vive em países onde o excesso de peso mata mais que a desnutrição.
– Mais de 40 milhões de crianças com menos de cinco anos de idade estavam acima do peso, em 2010.

12:50 · 13.01.2013 / atualizado às 00:31 · 14.01.2013 por
Serratia liquefaciens sobreviveu em condições similares às marcianas Imagem: KMLE

Enquanto a Nasa vasculha a superfície de Marte em busca de micro-organismos ou microfósseis, aqui na Terra a ciência descobre que criaturas do nosso planeta poderiam sobreviver às condições do “Planeta Vermelho”.

A bactéria Serratia liquefaciens se adaptou de forma surpreendente a condições semelhantes às de Marte, como a baixa pressão, o frio intenso e a grande concentração atmosférica de dióxido de carbono. Esse micróbio é achado na pele, cabelos e pulmões dos humanos, e também em peixes, sistemas aquáticos, folhas de plantas e raízes.

“Ela está presente em uma ampla gama de nichos ecológicos de média temperatura”, disse o microbiólogo Andrew Schuerger, da Universidade da Flórida. A Serratia liquefaciens provavelmente evoluiu no nível do mar, então foi surpreendente que pudesse crescer em uma câmara experimental com pressão reduzida a 7 milibares, o que é equivalente à pressão atmosférica marciana, quase 150 vezes menor que a da Terra.

“Não tínhamos razão para acreditar que ela seria capaz de crescer a 7 milibares. Ela só foi incluída no estudo porque tínhamos culturas facilmente à mão, e essas espécies foram recuperadas de naves espaciais”. Além de ilustrar a preocupação de que micróbios possam contaminar Marte depois de pegar “carona” em naves, o estudo também abre as portas para uma variedade mais ampla de formas de vida com potencial para evoluir por conta própria em outros planetas.

Para sobreviver, no entanto, os micróbios precisariam ser protegidos da agressiva radiação ultravioleta que continuamente bombardeia a superfície de Marte, além de terem acesso a uma fonte de água, carbono orgânico e nitrogênio.

11:44 · 10.07.2012 / atualizado às 14:57 · 10.07.2012 por
O pterossauro cearense Tupandactylus imperator (em latim, Imperador com dedos de Tupã) viveu há 115 milhões de anos e seus fósseis podem ter chegado bem conservados até a nossa época devido à ação de bactérias que também se fossilizaram num processo incomum de preservação Ilustração: Voltaire Paes

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), da Universidade de São Paulo (USP) e do Centro de Pesquisas Paleontológicas da Chapada do Araripe, aqui no Ceará, encontraram traços de bactérias fossilizadas na crista de um pterossauro (tipo de réptil voador pre-histórico) que viveu há cerca de 115 milhões de anos.

O exemplar em questão pertence a uma espécie descrita em 1997 pelos paleontólogos Alexander Kellner e Diógenes de Almeida Campos, batizada de Tupandactylus imperator. Foi encontrado por trabalhadores da Mina Triunfo, próximo à cidade cearense de Nova Olinda e, apesar de ter sido danificado no momento da coleta, trata-se do melhor exemplar da espécie já encontrado.

O fóssil se destaca pela enorme crista, que se manteve parcialmente fossilizada. Felipe Pinheiro, pesquisador da equipe de Cesar Schultz no Setor de Paleovertebrados da UFRGS, descreveu o fóssil no ano passado na Acta Palaeontologica Polonica. “Na época, não fazíamos ideia da presença das bactérias”, conta Pinheiro.

Foi somente com as primeiras micrografias do fóssil que os pesquisadores notaram a presença de pequenas estruturas em forma de bastonetes na superfície do tecido mole fossilizado. A equipe então passou a investigar a hipótese de que se tratava mesmo de bactérias. Com base na morfologia, elas foram identificadas como bactérias que estariam decompondo o tecido mole do pterossauro.

Se a análise estiver correta, essa é a primeira evidência sólida de fossilização bacteriana proveniente daquela região. Segundo os pesquisadores, a presença desses microrganismos pode ter permitido a preservação dos tecidos moles no fóssil. Há dois caminhos para que isso aconteça. Num deles, as bactérias que decompõem os animais produzem reações químicas que levam à mineralização dos tecidos.

O caso do pterossauro, contudo, é outro. “As próprias bactérias caem em uma armadilha. O fosfato que estava diluído se deposita na parede celular desses microrganismos. Isso causa a morte das bactérias, mas permite que elas sejam preservadas como fósseis”, explica o pesquisador. Esse processo, chamado de autolitificação bacteriana, já não é tão gentil com os tecidos moles do animal em processo de fossilização.

Como as bactérias formam uma espécie de molde fossilizado, é impossível estudar em detalhes microscópicos o que havia por baixo. Esse trabalho, somado a outros recentes, ajuda a derrubar um mito da paleontologia: o de que a boa preservação do fóssil está necessariamente associada à ausência de decomposição bacteriana.

Uma característica interessante das estruturas granulares – os fósseis das antigas bactérias – encontradas pelos pesquisadores é que algumas parecem se encontrar unidas duas a duas, como se estivessem em meio a um processo de replicação quando fossilizaram.

Embora os próprios pesquisadores admitam que essa evidência ainda é pouco conclusiva, ela é importante por sugerir que a fossilização talvez ocorra muito rapidamente – em horas ou dias após a morte do animal.

Com informações: Salvador Nogueira da Pesquisa Fapesp 

15:19 · 19.02.2012 / atualizado às 15:41 · 23.02.2012 por
Paisagem do deserto do Atacama, no Chile, onde foram encontrados seres microbianos até 3 metros abaixo da superfície. Imagem: Parro et al CAB/SINC / Jornal da Ciência

Que Marte é um dos planetas mais parecidos com a Terra não há muitas dúvidas. Mas o que está ficando cada dia mais evidente é que nos ambientes mais extremos do nosso mundo (e mais similares às condições marcianas) há possibilidade de encontrar vida microbiana.

Depois do anúncio da descoberta de traços de DNA de termófilas na Antártida por uma equipe russa, foi a vez de um grupo misto de cientistas chilenos e espanhóis anunciar a localização de uma espécie de oásis microbiano no deserto do Atacama, o mais seco da Terra.

E se não bastasse a descoberta em si ser de extrema relevância, assim como no caso russo, o que chama mais atenção é o tipo de tecnologia empregada. Um aparelho projetado para buscar indícios de vida em Marte, o Solid, está por trás disso.

A escolha do famoso deserto chileno para a realização do teste com o Solid, foi exatamente pelo fato de essa ser uma das regiões mais parecidas com as que devem ser encontradas na superfície marciana (com a exceção da temperatura que é bem diferente).

Pois bem, em condições extremas de baixa umidade, grande amplitude térmica a alta salinidade foi localizada vida em abundância de bactérias e arqueas (micro-organismos que são uma espécie de primos comuns entre bactérias e todos os outros seres vivos, incluindo nós) a 2 ou 3 metros abaixo do solo. E olha que o fragmento analisado foi de apenas meio grama de solo.

Solo “marciano” em pleno Chile

O solo em que foi localizado esse paraíso chileno microbiano é  rico no chamado sal-gema (ou halita), no qual as superfícies cristalinas do mineral são capazes de absorver uma grande quantidade de água líquida, a partir da própria umidade do ar.

É exatamente essa água que serve de fonte de hidratação para os “super-micróbios”.  O mesmo processo de absorção de água por um tipo de sal foi observado em Marte. E se o Solid é capaz de achar vida nessas condições é muito provável que posso achá-la no planeta  vizinho, caso ela exista.

A pesquisa foi apresentada na revista Astrobiology e coordenada por Victor Parro, pesquisador do Centro Espanhol de Astrobiologia.