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Tag: Brasil


11:37 · 24.03.2018 / atualizado às 11:39 · 24.03.2018 por
O Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, está entre os principais cartões-postais brasileiros que terá sua iluminação desligada neste sábado (24), das 20h30 às 21h30, na chamada Hora do Planeta Foto: Américo Vermelho/WWF Brasil

As luzes de diversos monumentos em várias partes do País ficarão apagadas por uma hora neste sábado (24), das 20h30 às 21h30, em celebração à Hora do Planeta, uma iniciativa mundial promovida pela organização não governamental (ONG) WWF.

O ato simbólico ocorre desde 2007, com o objetivo de chamar a atenção para a importância de se preservar o meio ambiente e conscientizar a sociedade sobre as mudanças climáticas. De acordo com o WWF, na campanha deste ano, mais de 600 monumentos terão suas luzes apagadas em 145 cidades brasileiras. A expectativa é que mais de 250 mil pessoas participem do movimento.

Em Brasília, um dos monumentos que ficarão às escuras será o Congresso Nacional. O Cristo Redentor e o Pão de Açúcar, que estão entre os principais cartões-postais do Rio de Janeiro e do Brasil, também terão suas luzes apagadas. Em São Paulo, um dos monumentos a terem a luz desligada é a Fonte Multimídia, no Ibirapuera.

Estão previstas atividades como pedaladas, limpeza de praias, caminhadas, observação de estrelas e palestras e outras ações de conscientização sobre temas como o despejo adequado de lixo. Pessoas e empresas que queiram participar ou se informar sobre as atividades previstas para o evento podem fazê-lo por meio do site do WWF-Brasil. Segundo a ONG, mais de 3 mil monumentos de diversas partes do mundo já se inscreveram para participar do Hora do Planeta 2018, reforçando ainda mais a mensagem ambientalista proposta pela campanha.

Com informações: Agência Brasil

15:48 · 09.03.2018 / atualizado às 15:48 · 09.03.2018 por
Aspectos relacionados à variabilidade da frequência cardíaca (VFC), como a arritmia sinusal respiratória (ASR), stão presentes em um animal, como a piramboia, que está em nossa base evolutiva Foto: Universidade Federal de São Carlos

Um estudo inédito realizado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) revelou que características, anteriormente consideradas evolutivamente novas e presentes apenas em mamíferos, estão presentes em peixe primitivo pulmonado, a Piramboia, encontrado no Pantanal brasileiro.

O trabalho foi realizado por pesquisadores do Departamento de Ciências Fisiológicas (DCF) da UFSCar, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Birmingham University, além de pós-doutorandos do Programa Interinstitucional de Pós-Graduação em Ciências Fisiológicas (UFSCar/Unesp). O projeto contou com a coordenação de Cléo Costa Leite, docente do DCF da UFSCar, e com recursos do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Fisiologia Comparada (INCT FisComp). A principal descoberta do estudo foi a presença de mecanismos de interação cardiorrespiratória na Piramboia, comprovando que aspectos relacionados à variabilidade da frequência cardíaca (VFC), como a arritmia sinusal respiratória (ASR), são primitivos e estão presentes em um animal que está na base evolutiva dos tetrápodes (vertebrados com quatro membros e respiração pulmonar).

“A Piramboia foi importante para o nosso trabalho porque ela apresenta algumas características semelhantes às de espécies ancestrais que deram origem aos vertebrados de respiração aérea, anfíbios répteis, aves e mamíferos”, relata Leite. De acordo com o docente da UFSCar, a descoberta quebra um paradigma na investigação e nas tentativas de compreensão de fatores relacionados à ASR. A arritmia sinusal respiratória é um fenômeno de interações rápidas de comunicação entre pulmões e coração que geram uma variação da atividade cardíaca quando se inicia a respiração. Ou seja, a frequência cardíaca aumenta na inspiração e diminui na expiração, com o papel de melhorar a eficiência das trocas gasosas.

Mecanismo complexo

O pesquisador aponta que a presença desse tipo de arritmia é interessante por dois motivos: “O primeiro é que seu mecanismo é complexo e difícil de ser executado, exigindo uma série de requisitos para que o animal consiga fazer esse ajuste. O segundo é que a presença de VFC e ASR é observada em pessoas saudáveis, jovens e sem estresse, sendo reduzida quando esses fatores não estão presentes. Dessa forma, a arritmia se tornou um índice clínico importante de saúde e sua ausência é um indicador de certos problemas”, explica Leite.

Outro ponto de destaque do estudo, segundo Cléo Leite, é a forma como o fenômeno da ASR era investigado até então. “Por ser um ajuste complexo e rápido, a arritmia foi considerada algo recente evolutivamente, algo que estaria presente só em mamíferos e seria fruto de aprimoramentos na evolução do grupo. Foi sugerido que esse fenômeno seria importante para a melhoria de trocas gasosas nos pulmões, mas nada foi confirmado. Nós conseguimos comprovar esse papel de melhoria na Piramboia que tem arquitetura cardiovascular diferente dos humanos, por exemplo”, aponta o professor.

Ele acrescenta que a variabilidade da frequência cardíaca é um fenômeno com raízes evolutivas antigas, que tem claro papel funcional em um animal primitivo, como um peixe pulmonado, e que pode não ter mais nenhuma função no organismo dos humanos. “A ASR é uma relíquia evolutiva que teve seu papel funcional em um animal ancestral e pode ter permanecido na progressão do processo evolutivo sem ter mais sua função principal. Assim, não é em humanos que temos de investigar seu papel, sua relevância e compreender sua interação com outros ajustes”, complementa. Leite afirma, no entanto, que tal fato não muda o uso clínico da ASR, mas muda a forma como esse fenômeno deve ser investigado daqui para frente.

A pesquisa desenvolvida na UFSCar é inédita e tem uma abordagem diferente da usual por investigar a origem evolutiva do ajuste em um animal peculiar como o peixe pulmonado. Há teorias da psicobiologia, como a teoria polivagal, que entende que a ASR é um tipo de ajuste presente, exclusivamente, em humanos e utiliza suas características para explicar uma série de comportamentos.

“Contudo, agora sabemos que as raízes de tais características são antigas e potencialmente todos os vertebrados de respiração aérea as possuem. Portanto, as bases explicativas dessa teoria não estão corretas”, explica Leite.

Compreensão da evolução

A partir das revelações do estudo, as próximas etapas envolvem a descrição de alterações desse tipo de regulação em outros grupos de vertebrados e a compreensão das modificações que foram surgindo ao longo da evolução. Em paralelo, o grupo de pesquisadores pretende analisar um tipo de ajuste similar à ASR que ocorre em vertebrados de respiração aquática.

“A área de fisiologia comparada no Brasil tem enorme potencial para ações relevantes dada a enorme biodiversidade que possuímos. Além disso, o grupo de fisiologia comparada da UFSCar é referência nacional e internacional na área e, portanto, temos potencial para o desenvolvimento de testes e investigação de uma série de teorias que estão relacionadas à saúde humana, ao bem-estar animal, às ações antrópicas no meio, dentre diversas outras coisas. Precisamos ter financiamento consistente e seguro para proporcionar as condições de enfrentarmos os desafios e realizarmos as pesquisas”, finaliza Cléo Leite.

A pesquisa foi feita no Laboratório de Biologia Experimental da UFSCar (Grupo de Zoofisiologia e Bioquímica Comparativa), com algumas análises realizadas na UFBA. O estudo gerou um artigo publicado recentemente no periódico científico internacional Science Advances (AAAS).

Com informações: Universidade Federal de São Carlos

16:33 · 27.02.2018 / atualizado às 16:33 · 27.02.2018 por
Foto: Sciences et Avenir

Por Reinaldo José Lopes

Os maiores vírus descobertos até hoje no mundo vêm de dois ambientes extremos do Brasil: lagos de água muito salgada e alcalina do Pantanal e as profundezas do litoral do Rio de Janeiro, cerca de 3 km abaixo da superfície do mar.

Para os padrões do mundo microscópico, os dois Tupanvírus, como foram apelidados, são imensos, chegando a superar diversos tipos de bactérias. O nível de sofisticação de seu DNA também está muito além do que os cientistas esperavam encontrar no universo viral até agora, o que pode ajudar a transformá-los em fábricas biotecnológicas no futuro.

Ainda não se sabe exatamente que tipo de hospedeiro os supervírus brasileiros costumam invadir na natureza, mas os estudos em laboratório mostram que eles conseguem se multiplicar dentro de amebas, a exemplo do que acontece com outros vírus gigantes que têm sido identificados nas últimas décadas. “A diferença é que os Tupanvírus infectam várias espécies diferentes de amebas, são generalistas se comparados aos seus parentes”, conta o biólogo virologista Jônatas Abrahão, do Laboratório de Vírus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Seja como for, essa predileção por amebas indica que não há motivos para se preocupar com possíveis doenças causadas por eles em humanos. Abrahão é o primeiro autor da pesquisa que descreveu as características dos parasitas, publicada na revista científica de acesso livre “Nature Communications”.

Aspectos virais

Vistas pelo microscópio, as partículas virais parecem pequenos microfones peludos.

As maiores medem 2,3 micrômetros ou mícrons (cada mícron tem um milésimo de milímetro), e grande parte desse comprimento corresponde à cauda cilíndrica do vírus -algo que, por si só, já é inusitado, já que a grande maioria das partículas virais é formada apenas por uma espécie de carapaça, dentro da qual fica armazenado o material genético.

“Tentamos de todos os jeitos separar a cauda do resto do vírus, inclusive com ultrassom, mas não conseguimos”, conta o pesquisador da UFMG. De qualquer modo, faz sentido imaginar que os genes dos Tupanvírus também estejam armazenados apenas na tal carapaça, o chamado capsídeo.

Elo perdido

As lagoas alcalinas da região de Nhecolândia, estudadas por outro coautor do estudo, Ivan Bergier, da Embrapa Pantanal, lembram em parte as condições extremas onde as primeiras formas de vida da Terra teriam surgido.

E, de fato, os vírus recém-descobertos e seus parentes têm algumas características de “elo perdido” entre os organismos formados por células (basicamente todas as formas de vida) e os demais vírus, que não são considerados propriamente vivos pela maioria dos cientistas. Essa aparente confusão vem do fato de que as partículas virais dependem das células que invadem para todos os aspectos de seu ciclo de vida, do uso de energia à reprodução. Para isso, elas contrabandeiam seu material genético para dentro da célula hospedeira e deixam que as máquinas moleculares da vítima façam todo o serviço sujo com base no “manual de instruções” dos genes. Vírus não possuem metabolismo, ou seja, não comem nem digerem nada, nem realizam fotossíntese como a das plantas.

Os Tupanvírus se destacam, em primeiro lugar, porque seu manual de instruções é enorme. O genoma deles tem cerca de 1,5 milhão de pares de “letras” químicas de DNA -mais uma vez, acima do que têm algumas bactérias, e em quarto lugar entre os vírus gigantes. Além disso, tal manual contém instruções completíssimas para o processo de produção de proteínas a partir de suas unidades básicas, os aminoácidos, algo que ainda não havia sido visto em nenhum outro vírus.

Ao invadir as amebas, as partículas montam uma espécie de fábrica viral, cooptando mecanismos do hospedeiro para produzir mais cópias de si mesmo, as quais arrebentam as células e partem para invadir mais amebas.

“É um processo ativo, o vírus orquestra tudo isso”, diz Abrahão.

Utilidade futura

Tamanha versatilidade nas instruções para produção de proteínas pode acabar sendo muito útil para aplicações biotecnológicas. Em projeto financiado pela Fapemig, fundação mineira de fomento à pesquisa, os pesquisadores da UFMG vão tentar usar Tupanvírus modificados para produzir substâncias de interesse humano.

É comum que isso seja feito com a ajuda de bactérias, mas a bioquímica viral consegue fazer pequenos ajustes na molécula “finalizada” que as bactérias não são capazes de realizar, o que levaria a produtos com propriedades mais adequadas.

Com informações: Folhapress

09:41 · 02.12.2017 / atualizado às 09:42 · 02.12.2017 por
Composição mostra o satélite sino-brasileiro CBERS 4A que deve ser lançado à órbita da Terra entre 2018 e 2019, segundo a AEB Imagem: AEB

O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), José Raimundo Coelho, disse que a parceria do Brasil com a China na área espacial é sólida e “não haverá nenhum atraso” no cronograma do novo Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, o CBERS 4A por falta de recursos – ainda que haja atrasos relacionados a questões jurídicas. Segundo ele, o satélite será lançado até o fim de 2018 ou, “na pior das hipóteses”, no início de 2019.

“É muito mais fácil ser pessimista do que otimista”, disse Coelho, rebatendo as previsões mais negativas de funcionários do próprio Inpe. “Eu escolhi esse caminho difícil de ser otimista. Mas não é um otimismo irresponsável; estou em contato constante com o meu ministério e tenho pessoas ao meu lado que me garantem que isso vai acontecer.”

A AEB é vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), e repassa recursos ao Inpe para projetos do programa espacial. O MCTIC afirmou que os valores do orçamento de 2018 ainda estão sendo negociados, e a pasta segue atuando para que o governo libere mais recursos para o setor, inclusive neste ano.

Com informações: Estadão Conteúdo

16:08 · 27.09.2017 / atualizado às 16:11 · 27.09.2017 por
Mesmo faltando mais de três meses para o fim do ano, as 97 mortes desses animais nas praias do país já superam a marca anterior que era de 96 em 2010 Foto: Projeto Baleia Jubarte

Impulsionadas pelas mudanças climáticas e pelo crescimento na população, o total de baleias jubartes encalhadas na costa brasileira bateu recorde neste ano.

Dados do Instituto Baleia Jubarte (IBJ), em Caravelas (BA), apontam que o número de encalhes desses cetáceos em 2017 já é de 97, superando o recorde anterior, de 2010, com 96.

Os encalhes são normalmente observados no período de julho a novembro, quando as jubartes chegam ao atlântico sul para atividades reprodutivas. Bahia, com 39 encalhes, é o Estado com maior número de ocorrências, seguido de Espírito Santo (29), Rio de Janeiro (14), Alagoas (8), São Paulo (4), Sergipe (2) e Rio Grande do Sul (1). Entre as causas apontadas, segundo pesquisadores, a mais importante tem sido a influência das mudanças climáticas e o impacto disso na produção do krill (um pequeno crustáceo que é o alimento da espécie), na Antártica.

O levantamento é produzido desde 2002 pelo IBJ, que faz parte da Rede de Monitoramento e Informação de Encalhes de Mamíferos Aquáticos do Brasil (Remab), coordenada nacionalmente pelo Instituto Chico Mendes para a Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

“Temos dados que apontam que a oferta de krill no hemisfério Sul na área de alimentação diminuiu nos últimos três anos, possivelmente influenciado pelo El Niño intenso que tivemos em 2015”, disse Milton Marcondes, coordenador de pesquisa do IBJ. O consenso dos pesquisadores é que o crustáceo também foi a razão para o alto índice de encalhes no ano de 2010, número que surpreendeu a todos. Em todo o ano passado, foram achadas 78 baleias jubartes encalhadas nas praias do litoral brasileiro, alguns dos quais no primeiro semestre. A avaliação é que o encalhe no primeiro semestre, raro, se deve a animais que permaneceram no Brasil e não fizeram o caminho de volta para as áreas polares.

As jubartes se alimentam durante o verão nas regiões polares e depois passam o resto do ano queimando a gordura que acumularam. De acordo com o pesquisador, se uma fêmea não conseguiu se alimentar direito, pode ter problemas na travessia até o atlântico sul. Para Marcondes, a influência climática sobre a oferta de alimentação das baleias é preocupante. “É importante entender como variações climáticas podem afetar o krill e como isso se reflete na população de jubartes, pois mudanças na oferta de alimento têm potencial para impactar toda a população.”

Além da questão nutricional, o aumento populacional tem sido outra causa discutida. A população de jubartes vem crescendo após ter sido quase dizimada pela caça comercial. A contagem é feita por amostragem, em sobrevoos no litoral brasileiro, na região do Banco de Abrolhos. Em 2002, durante sobrevoo no litoral da Bahia e Espírito Santo, o IBJ estimou a população em 3.400 baleias. Em 2015, a população já tinha crescido para 17 mil.

Em 2017, conforme projeções, essa população chegou a 20 mil indivíduos. “Com muito mais baleias no mar é esperado que tenhamos mais encalhes daquelas que morrem por causas naturais e das que morrem em função de atividades causadas pelo ser humano”, disse Marcondes. Entre essas causas estão poluição, atropelamento por navios e equipamento de pesca.

Não se sabe ao certo a quantidade de baleias que morrem na travessia. A maior parte morre no mar e algumas carcaças, dependendo do vento, vão parar nas praias. Apenas 15% encalham com vida, afirmam os pesquisadores.

Filhotes

O recorde de encalhes ainda não chega a afetar o ecossistema nem impactar na recuperação da população de baleias, mas os pesquisadores estão atentos à quantidade de filhotes que chegam às praias (52% do total).

Para Marcondes, entre as razões para isso estão o fato de estarem mais sujeitos à ação de predadores (tubarões e orcas), terem baixa imunidade e a necessidade de ficarem mais próximos da superfície e subir mais vezes para respirar.

Segundo ambientalistas, os filhotes só sobrevivem se estiverem com suas mães. “Se ele está aparentemente sadio, nós fazemos uma tentativa de devolvê-lo ao mar, mesmo sabendo que as chances de ele voltar a encontrar sua mãe são mínimas.” As baleias adultas representam 25% dos encalhes e 23% são considerados indivíduos juvenis.

Subestimados

Os números podem estar subestimados, já que as instituições necessitam do apoio da população para a localização dos encalhes.

Em Alagoas, o Instituto Biota de Conservação tem feito campanhas e treinado a população para a informação e cuidados com os animais ainda vivos, até a chegada do resgate.

“As redes sociais têm facilitado bastante, pois recebemos as informações de encalhes e denúncias quase em tempo real”, disse Luciana Medeiros, veterinária e diretora-executiva do Biota.

Em 2016 eles reforçaram o sistema de comunicação com o lançamento de um aplicativo para smartphone, o BiotaMar, pelo qual podem ser enviadas fotos e localização exata do achado. Neste ano, foram localizados oito encalhes, todos filhotes. Apenas uma foi reintroduzida no mar -as outras eram só carcaça-, mas em seguida morreu.

Com informações: Folhapress

16:31 · 14.08.2017 / atualizado às 16:31 · 14.08.2017 por
O coordenador nacional da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica, o físico João Batista Garcia Canalle, supervisiona os estudos da equipe brasileira que vai tentar superar o desempenho da edição anterior da competição, quando ficou com três bronzes. Foto: Agência Brasil

Três estudantes cearenses, um paraense e um paulista vão representar o Brasil na 11ª Olimpíada Internacional de Astronomia e Astrofísica (IOAA, na sigla em inglês), que acontecerá em Phuket, na Tailândia, em dezembro.

Nathan Luiz Bezerra Martins, Pedro Pompeu de Sousa Brasil Carneiro e Vinicius Azevedo dos Santos representarão o Estado, enquanto Bruno Gorresen Mello competirá pelo Pará e João Vitor Guerreiro Dias representará São Paulo. Na edição anterior, realizada na Índia, o Brasil obteve três medalhas de bronze, sendo uma delas inédita na competição em equipe, além de três menções honrosas.

Outros cinco estudantes: Bruno Caixeta Piazza, Danilo Bissoli Apendino, Fernando Ribeiro de Senna, Henrique Barbosa de Oliveira e Miriam Harumi Koga (todos de São Paulo) integram a seleção brasileira que disputará a 9ª Olimpíada Latino-Americana de Astronomia e Astronáutica (OLAA), no Chile, em outubro. No ano passado, o evento ocorreu na Argentina e os brasileiros conquistaram o 1º lugar no quadro geral de medalhas, com duas de ouro, duas de prata e uma de bronze.

Os alunos foram selecionados depois de mais de um ano de provas e preparação. A primeira etapa, ‘online’, aconteceu após a 19ª Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA), no ano passado, e envolveu mais de 3 mil estudantes do ensino médio de escolas públicas e privadas de todo o Brasil, dos quais 100 se classificaram para uma etapa presencial em março deste ano, em Barra do Piraí (RJ). Desses, foram escolhidos 30, que passaram por provas e assistiram palestras no município de Vinhedo (SP).

Agora, os jovens selecionados se acham em processo final de treinamento, disse o coordenador nacional da OBA, o físico João Batista Garcia Canalle, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Até viajarem, as equipes terão mais um encontro presencial em Vinhedo, onde está localizado o Observatório Abrahão de Moraes, da Universidade de São Paulo (USP), e também estudarão à distância.

“No observatório, eles fazem toda uma revisão de manuseio de telescópio e de observação do céu do evento, através do planetário que simula o céu do dia, hora e local da olimpíada. No caso da Olimpíada Latino-Americana, os alunos também constroem e lançam foguetes, porque tem uma prova desse tipo. Tem provas de análise de dados, a gente vai fazer também com eles”, disse Canalle.

Expectativa

O coordenador da OBA acredita que este ano, o Brasil “vai surpreender nos resultados das duas olimpíadas internacionais, porque modificamos o sistema de seleção”. Até o ano passado, os dez estudantes que representavam o Brasil na IOAA e na OLAA eram selecionados em março e dali até a viagem, não tinham um outro grande compromisso com a organização da OBA “exceto continuar estudando” por conta própria, salientou Canalle.

Este ano, 100 estudantes fizeram uma prova em março, dos quais foram tirados 30. “E, semanalmente, eles tinham que fazer uma lista de exercícios, que não existia até então. Aplicamos várias provas, calculamos uma média. Publicamos essas notas e, em seguida, continuamos dando mais listas de exercícios para eles, que tinham que nos mandar até a meia-noite de domingo”. Foram quase 20 listas de testes sucessivos nos dois primeiros treinamentos. Na semana retrasada, foram selecionados os dez estudantes que representarão o Brasil nos certames internacionais.

Com informações: Agência Brasil

15:50 · 25.07.2017 / atualizado às 15:50 · 25.07.2017 por
Equipe liderada pelo pesquisador Shibo Jiang identificou uma droga que inativou determinadas partículas do micro-organismo Foto: Icy Tales

Cientistas chineses desenvolveram um inibidor do vírus da zika que foi capaz de reduzir os níveis virais em camundongos gestantes e em seus fetos. Um artigo que descreve a descoberta foi publicado nesta terça-feira, 24, na revista científica Nature Communications.

De acordo com os autores da pesquisa, o inibidor se mostrou seguro para o uso em camundongos gestantes e os resultados do experimento indicam que a droga poderia ser considerada para futuros testes pré-clínicos. O vírus da zika pode ser passado de uma mulher grávida infectada para o feto durante a gestação, com potencial risco de desenvolvimento de defeitos congênitos. Até agora não há vacinas ou drogas disponíveis para tratar a infecção.

A equipe de cientistas liderada por Shibo Jiang, da Universidade Fudan, em Xangai (China), identificou uma droga que inativou determinadas partículas do vírus da zika e assim foi capaz de impedir sua entrada nas células. Os cientistas mostraram que a droga reduziu a transmissão do vírus da zika para o feto. A molécula não apresentou efeitos adversos no camundongo gestante, nem nos filhotes, quando foi administrada durante a gestação.

Os autores afirmam que será preciso realizar mais estudos para avaliar a segurança e a eficácia do inibidor em humanos. Mas, segundo eles, a abordagem por meio da inativação de partículas do vírus poderia ser utilizada para desenvolver novos tratamentos para a infecção por zika em populações em áreas de risco, especialmente em mulheres grávidas.

A droga é um peptídeo sintético, batizado de Z2, que é derivado de proteínas de uma região específica do envelope do vírus, que tem um papel importante na sua capacidade de infectar as células do hospedeiro.

“Mostramos que o Z2 interage com as proteínas da superfície do vírus da zika e perturba a integridade da membrana viral. O Z2 pode penetrar na barreira da placenta e entrar nos tecidos do feto”, escreveram os autores.

Melhor opção. De acordo com Jiang, nos últimos anos o desenvolvimento de drogas a partir de peptídeos tem chamado atenção por causa da sua segurança e do custo mais baixo de desenvolvimento, em comparação com drogas com base em moléculas pequenas e em anticorpos.

Segundo Jiang, alguns compostos de moléculas pequenas já mostraram capacidade para inibir a infecção por vírus, mas a segurança para mulheres grávidas não foi comprovada. Também já foram identificados em camundongos anticorpos capazes de neutralizar a infecção por zika, mas a eficácia foi relativamente baixa e esses anticorpos teriam que ser “humanizados”, o que é um obstáculo considerável para o desenvolvimento de uma droga anti-zika.

“Também já foi identificado um anticorpo monoclonal humano que neutraliza amplamente a infecção por algumas linhagens de zika, mas o alto custo pode limitar sua aplicação em países em desenvolvimento, como o Brasil”, disse Jiang.

Com informações: Estadão Conteúdo

22:18 · 11.01.2017 / atualizado às 22:18 · 11.01.2017 por
Foto: WWF
Estudo indica que a Bacia Amazônica nunca foi seca o suficiente em nenhum momento nos últimos 45 mil anos a floresta se transformou em uma savana Foto: WWF

Uma investigação científica sobre a quantidade de chuva que caiu na Amazônia nos últimos 45 mil anos mostra que mesmo a porção que se acredita ser a mais propensa à savanização – o leste da região – nunca chegou realmente a secar nem durante o período mais seco da última era do gelo, entre 24 mil e 18 mil anos atrás.

A pesquisa, destacada na capa da revista Nature desta semana, sugere que a floresta pode igualmente ser resiliente a um futuro de aquecimento global. Mas isso só será possível se outras interferências humanas ao microclima, como desmatamento, queimadas e expansão da agricultura, sejam contidas, uma vez que elas têm o poder de reduzir a umidade do ar.

O estudo feito por pesquisadores de Cingapura, Brasil, China e Estados Unidos analisou dados geoquímicos de oxigênio na caverna Paraíso, no Pará, uma das poucas da região que tem estruturas como estalactites e estalagmites (formações que descem a partir do teto ou sobem a partir do chão), de onde é possível retirar amostras para análise.

Comparações

Os pesquisadores, liderados por Xianfeng Wang, do Observatório da Terra de Cingapura, trabalharam com isótopos de oxigênio (variantes do elemento químico com diferentes massas), que são sensíveis à variação climática, e compararam com dados do oeste da Amazônia, de clima mais estável.

Assim, foi possível fazer uma viagem no tempo e mapear quanto choveu em diferentes períodos. Já havia uma suspeita de que a última era do gelo poderia ter sido seca, mas a dúvida era quanto e se havia sido o suficiente para promover uma savanização da floresta – um dos temores que existe em relação ao aquecimento global.

Há cerca de 21 mil anos, com a temperatura 5°C inferior, a precipitação era de 58% dos níveis atuais e no período de aquecimento que se seguiu, no meio do Holoceno (há 6 mil anos), foi para 142% sobre hoje.

O trabalho indica “que a Bacia Amazônica nunca foi seca o suficiente na era do gelo nem em qualquer outro momento nos últimos 45 mil anos a floresta se transformou em uma savana”.

Segundo os autores, a floresta persistiu mesmo quando a quantidade de chuva era de apenas cerca de 60% da atual.

Com informações: Estadão Conteúdo

07:46 · 29.11.2016 / atualizado às 20:04 · 28.11.2016 por
Foto: Nasa
Grupo pretende enviar pelo menos dois experimentos para avaliar os danos causados a colônias de bactérias no ambiente inóspito do espaço na órbita da Lua Foto: Nasa

Um time de cientistas de instituições de ponta do Brasil, com parceria da iniciativa privada, pretende lançar até 2020 a primeira missão do país à Lua: um nanossatélite com experimentos científicos. Batizado de Garatéa-L, ele terá o objetivo de realizar pesquisas para estudar características da vida no espaço.

Os brasileiros pretendem aproveitar um dos nichos mais promissores da exploração espacial. Enquanto os dispositivos tradicionais são geringonças que ultrapassam as três toneladas, os nanossatélites chamados cubesats são mais compactos, mais baratos e têm menos de 8 kg. “O fato de eles serem pequenos não os torna menos poderosos. Muitas empresas eram céticas sobre essa ideia, mas hoje a área recebe bastante investimento. Os bons resultados atraíram as maiores fabricantes do mundo”, diz Lucas Fonseca, engenheiro espacial da empresa privada Airvantis, parceira do projeto, e gerente do Garatéa-L.

O projeto reúne pesquisadores dos centros de excelência em espaço do Brasil: o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), a USP, o LNLS (Laboratório Nacional de Luz Síncrotron), o Instituto Mauá de Tecnologia e a PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul). A missão custará R$ 35 milhões e a captação de verbas ainda não teve início. O financiamento é o principal obstáculo. “É mais fácil fazer ciência de ponta na Lua do que conseguir as verbas necessárias”, diz o líder da missão.

Nos mais de 50 anos do programa espacial brasileiro, não faltaram planos para explorar o espaço profundo, mas as iniciativas geralmente esbarravam na falta de recursos. A equipe decidiu então buscar fontes alternativas de financiamento, além de pleitear verbas de agências de fomento.

A ideia é criar uma combinação com investimentos privados, tanto através de patrocínio como também de negociação de royalties e direitos de uso do conhecimento gerado e até de eventuais patentes.

Busca vida

O nome da missão vem do tupi-guarani –garatéa significa busca vida. O “L” foi acrescentado para indicar a missão lunar.

O cientista principal da missão, Douglas Galante, apressa-se em explicar que não se trata de uma tentativa de buscar vida no satélite.

“Já sabemos que a Lua é um ambiente muito hostil à vida. O que nós tentamos fazer agora é usar um satélite na Lua para testar os limites da vida em ambiente hostil”, diz o pesquisador do LNLS (Laboratório Nacional de Luz Síncroton) em Campinas.

Quando estamos na Terra, seu campo magnético serve como um escudo contra a perigosa radiação que vem do espaço. Fora do planeta, essa defesa contra os efeitos nocivos dos raios cósmicos já não existe. E são precisamente os efeitos disso que os pesquisadores querem analisar.

Embora os detalhes das atribuições do Garatéa-L ainda não estejam fechados, o grupo pretende enviar pelo menos dois experimentos para avaliar os danos causados a colônias de bactérias no ambiente inóspito do espaço.

Estão previstos também experimentos com tecidos humanos. É possível que os dados coletados sejam úteis para auxiliar na preparação de missões tripuladas de longa duração, como uma eventual viagem a Marte.

Previsto para ocorrer até 2020, o lançamento será uma parceria das agências espaciais europeia e do Reino Unido com duas empresas britânicas, dentro de sua primeira missão comercial de espaço profundo –a Pathfinder.

O material será posto em órbita pelo foguete indiano PSLV-C11, o mesmo que enviou a missão Chandrayaan-1 para a Lua, em 2008.

Com informações: Giuliana Miranda/ Folhapress

21:50 · 11.11.2016 / atualizado às 21:50 · 11.11.2016 por
Concepção artística das novas espécies encontradas no País e que ajudam a entender a evoluação desse grupo animal Imagem: Folha de São Paulo
Concepção artística das novas espécies encontradas no País e que ajudam a entender a evolução desse grupo animal Imagem: Folha de São Paulo

Dois fósseis brasileiros com cerca de 230 milhões de anos, que acabam de ser apresentados oficialmente à comunidade científica, ajudam a entender como os dinossauros surgiram e se diversificaram. Numa palavra: devagarzinho.

É o que se depreende da convivência entre um dos mais antigos dinos conhecidos, o predador Buriolestes schultzi, de apenas 1,5 m de comprimento, e um carnívoro ainda menor, o Ixalerpeton polesinensis (que media 0,5 m). À primeira vista, eles são muito parecidos -um tem cara de ser a miniatura do outro-, mas o bicho menor não era bem um dinossauro. Pertencia a um grupo de répteis bípedes, os lagerpetídeos, derivado do mesmo tronco que também originou os dinos.

“Você vê um momento de experimentação com várias formas diferentes de animais, muitas das quais acabam se extinguindo. É um ‘miolo’ muito complicado”, diz o paleontólogo Max Cardoso Langer, da USP de Ribeirão Preto. Ele coordena o estudo sobre os bichos extintos que está na revista especializada “Current Biology”.

Também assinam a pesquisa Sergio Cabreira, da Universidade Luterana do Brasil, e Alexander Kellner, do Museu Nacional da UFRJ, entre outros.

Esqueletos completos

Os fósseis vêm da pequena São João do Polêsine, cidade com menos de 3.000 habitantes fundada por imigrantes italianos no interior gaúcho, e datam do período Triássico.

Os esqueletos estão bastante completos, o que é uma novidade importante -até hoje, dinos primitivos só tinham sido encontrados lado a lado de seus primos próximos em estado bastante fragmentado.

Além disso, se as análises estiverem corretas, o B. schultzi é o mais primitivo dos sauropodomorfos -que, mais tarde, deram origem aos imensos quadrúpedes pescoçudos e herbívoros conhecidos como brontossauros.

A ironia é que a linhagem desses animais parece ter começado com uma criatura que se alimentava de carne, e não de plantas. “Na verdade, não é uma surpresa, já que vários dinossauros primitivos também eram carnívoros”, pondera Langer.

Alguns detalhes denunciam a diferença. Um deles é o chamado osso pós-frontal, que fica na órbita ocular do crânio do I. polesinensis. “Foi algo difícil de identificar no começo, a gente ficou pensando ‘pô, mas que porcaria é essa?’. Trata-se de um osso que nunca está presente em dinossauros”, conta Langer.

Além disso, embora ambos os bichos fossem bípedes, os ossos da pelve do lagerpetídeo sugerem que ele não tinha uma postura tão ereta quanto a do dino, com patas mais “espalhadas” na lateral ao se movimentar. Como seria de esperar, os dentes do B. schultzi ajudaram os cientistas a estimar qual era sua dieta.

Eles possuem formato recurvado, pontiagudo e achatado lateralmente, além de apresentar dentículos (serrilhas na superfície dentária) pequenos, todos exemplos de adaptação para devorar carne.

Evolução do grupo

Segundo Langer, a situação evolutiva dos primeiros dinossauros e de seus primos “não dinossaurianos” fica menos esquisita se for comparada com a dos primórdios da evolução humana, que é igualmente complexa.

“No caso do homem, a gente tende a olhar as coisas pelo prisma de quem já sabe o suposto final da história, que é o aparecimento do Homo sapiens. O equivalente no caso dos dinossauros é achar que a evolução estava conduzindo os animais mais primitivos para atingir uma meta específica, o que não é verdade, lógico”, explica.

Quando se esquece por um momento o destino de ambos os grupos, fica claro que nunca houve uma sequência do tipo “escadinha evolutiva” levando aos tiranossauros ou ao homem moderno, mas sim algo como arbustos genealógicos, ou seja, inúmeros grupos evoluindo mais ou menos ao mesmo tempo e experimentando estratégias ligeiramente diferentes de sobrevivência. Essa situação embolada só muda com o fim do período Triássico, há 200 milhões de anos, quando os dinos propriamente ditos deslancham de vez como o mais importante grupo de vertebrados terrestres, enquanto muitos de seus parentes somem durante um evento de extinção em massa (talvez ligado a grandes erupções vulcânicas).

Não está claro o porquê de os dinos terem escapado dessa hecatombe para reinar no Jurássico. Algumas possibilidades: sua postura bípede e ereta, que conferia agilidade; presença de “penas rudimentares”, que conservavam o calor do corpo; e uma capacidade de extrair melhor o oxigênio da atmosfera pobre nesse gás do fim do Triássico. É inegável que as extinções em massa foram cruciais para moldar a evolução dos dinos.

Eles surgem depois da maior de todas, a do Permiano, há 250 milhões de anos, tornam-se dominantes após a do Triássico e são esmagados pela grande extinção do Cretáceo, há 65 milhões de anos, após a qual apenas os dinossauros avianos -ou seja, os ancestrais das aves atuais- sobrevivem, analisa Langer.

Com informações: Reinaldo José Lopes/Folhapress