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Tag: células-tronco


17:40 · 11.05.2015 / atualizado às 17:40 · 11.05.2015 por
Foto: Instituto Salk
Cientistas as chamam células-tronco pluripotentes seletivas de região (rsPSCs, em inglês) Foto: Instituto Salk

Um tipo recém-descoberto de célula-tronco poderia ajudar a fornecer um modelo para o desenvolvimento humano incipiente e, algum dia, permitir que órgãos humanos fossem cultivados em animais de grande porte, como porcos ou vacas para fins de terapêuticos ou de pesquisa.

Juan Carlos Izpisua Belmonte, biólogo de desenvolvimento no Instituto Salk para Estudos Biológicos, em La Jolla, na Califórnia, e seus colegas descobriram por acaso uma variedade antes desconhecida de células pluripotentes. Essas células podem dar originar qualquer tipo de tecido.

A descoberta da equipe feita durante uma tentativa de enxertar células-tronco pluripotentes humanas em embriões de camundongos. Anteriormente, cientistas conheciam dois outros tipos de células-tronco pluripotentes, mas cultivá-las em grande quantidade ou orientá-las para amadurecerem como tipos específicos de células adultas tem se mostrado algo difícil.

Em artigo na revista Nature, Izpisua Belmonte e seus colegas relatam um tipo de célula pluripotente mais fácil de ser cultivada in vitro e que pode ser enxertada em um embrião quando injetada no lugar certo. Os cientistas as chamam células-tronco pluripotentes seletivas de região (rsPSCs, em inglês).

Como células seletivas de região crescem de forma mais rápida e estável que outras células pluripotentes, elas podem ser mais úteis para o desenvolvimento de novas terapias, explica Paul Tesar, um biólogo de desenvolvimento da Case Western Reserve University, em Cleveland, Ohio.

Micro preparado

Izpisua Belmonte e seus colegas procuraram transplantar os tipos conhecidos de células pluripotentes humanas em embriões de camundongos in vitro.

Para isso, eles prepararam essas células cultivando-as em um meio que continha diferentes combinações de fatores de crescimento e substâncias químicas. Uma dessas misturas foi mais eficaz para fazer as células crescerem e proliferarem.

Os pesquisadores constataram que as células que prosperaram nessa solução exibiam diferentes padrões de metabolismo e expressão gênica de outras células-tronco pluripotentes, mas eles não eram facilmente enxertáveis em embriões de camundongos.

Para identificar os fatores que poderiam estar impedindo essa integração, os pesquisadores injetaram as células humanas em três regiões distintas de um embrião de camundongo de 7,5 dias. Trinta e seis horas mais tarde, só as células enxertadas na cauda, ou parte posterior do embrião, tinham se integrado e diferenciado nos tecidos celulares esperados, formando um embrião quimérico, organismo com DNA de origens diferentes.

Como essas células pareciam preferir uma parte do embrião, os pesquisadores lhes deram o apelido “seletivas de região”. Izpisua Belmonte suspeita que embriões contenham múltiplos tipos de células-tronco pluripotentes, inclusive rsPSCs, durante seu desenvolvimento inicial.

Ainda não está claro se as rsPSCs desempenham um papel na designação de que parte do embrião se tornará cabeça ou extremidade traseira.

Identificar vários tipos de células pluripotentes também poderia permitir que pesquisadores estudassem as fases iniciais do desenvolvimento embrionário humano ao transplantarem as células-tronco em embriões animais.

Com informações: Scientific American Brasil/Nature

18:09 · 07.05.2014 / atualizado às 11:44 · 10.05.2014 por

Pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, encontraram na bexiga do porco uma forma de regenerar a musculatura humana.

Ao implantar a matriz extracelular (material que dá coesão e flexibilidade às células) do órgão do animal em pacientes que perderam parte de músculos da perna, a equipe provocou a mobilização de células-tronco capazes de recuperar parte do tecido perdido.

Além disso, por ser semelhante à matriz humana, o material não foi rejeitado pelo sistema imunológico. Após testes bem-sucedidos em camundongos com lesões na musculatura dos quadris, a técnica foi aplicada em cinco homens que perderam parte de músculos da perna. Tais pacientes perderam entre 58% e 90% do músculo afetado.

O método consistiu em retirar o tecido cicatrizado ao redor da lesão e adicionar a matriz extracelular da bexiga do porco próximo a vasos sanguíneos que irrigam a área. Dois dias depois da cirurgia, os pacientes foram submetidos a uma rotina de exercícios físicos. Um semestre após a implantação do enxerto, três dos cinco pacientes recuperaram pelo menos 25% da função do músculo afetado.

Confira vídeo


Tratamento é inovador

De acordo com o médico e coautor da pesquisa Stephen Badylak, o material usado no enxerto é degradado após a implantação, liberando moléculas sinalizadoras que atraem células-tronco que circulam nos vasos sanguíneos próximos à lesão. “Os peptídeos liberados na degradação da matriz extracelular recrutam células-tronco do próprio paciente para o local da lesão que se diferenciam em células musculares”, explica.

Até então, os tratamentos disponíveis para quem sofria lesões musculares extensas eram limitados. Ainda que todos os participantes tenham relatado melhorias durante a realização de atividades cotidianas, como caminhar e subir escadas, os pesquisadores determinaram como bem-sucedidas apenas as cirurgias que recuperaram pelo menos 25% da função muscular.

Com informações: Ciência Hoje

17:36 · 30.04.2014 / atualizado às 17:38 · 30.04.2014 por
Foto: Veronica Muskheli
Enxerto de músculo cardíaco humano (contrastado em verde na imagem) regenerou tecido do coração de um macaco Foto: Veronica Muskheli

Cientistas transplantaram com sucesso em macacos células do músculos do coração desenvolvidas a partir de embriões humanos. O resultado do estudo conduzido na Universidade de Washington, publicado na revista Nature desta semana, é um importante passo para o desenvolvimento de tratamentos para falência cardíaca.

Pesquisas anteriores com roedores já haviam apontado o potencial terapêutico de células do músculo cardíaco (cardiomiócitos) derivadas de células-tronco humanas na regeneração de partes doentes do coração. Ainda não se sabia, no entanto, se a técnica traria resultados semelhantes nos corações maiores dos primatas, ou se seria viável produzir cardiomiócitos em escala suficiente para o tratamento animais maiores. O estudo da Universidade de Washington prova que sim.

O pesquisador Charles Murry e sua equipe produziram 1 bilhão de cardiomiócitos a partir de células-tronco e os implantaram no coração de macacos que sofriam de falência cardíaca. Eles observaram significativa regeneração do tecido cardíaco danificado e perfeita compatibilidade eletromecânica dos cardiomiócitos enxertados com o coração dos primatas.

No entanto, em contraste com os estudos envolvendo roedores, os macacos tiveram episódios de arritmia, que precisa de acompanhamento e pode ser fatal. Os autores do estudo também recomendaram a condução de estudos mais amplos, que examinem os efeitos da técnica em casos de infarto (áreas onde houve a morte do tecido cardíaco).

Com informações: UOL Ciência

17:20 · 03.04.2014 / atualizado às 17:32 · 03.04.2014 por
Foto: UFPE
De acordo com os pesquisadores, essa “é a primeira vez que um músculo desenvolvido em laboratório contrai tão fortemente quanto um músculo esquelético neonatal” Foto: UFPEL

Cientistas estadunidenses cultivaram um músculo em laboratório que não apenas parece e funciona como um músculo de verdade, como também se regenera – um passo significativo na engenharia de tecidos.

Os pesquisadores esperam que esse músculo possa ser usado para reparar danos em humanos. Até então, a técnica só havia sido testada em ratos. Os resultados desse trabalho estão descritos na publicação científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

Os cientistas da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, dizem que seu sucesso se deve à criação do ambiente perfeito para o crescimento de um músculo – fibras musculares contráteis bem desenvolvidas e um conjunto de células-tronco imaturas, conhecidas como células satélites, que podem evoluir para um tecido muscular.

Durante os testes, o músculo cultivado em laboratório contraía bem e se mostrou forte, capaz de reparar-se usando as células satélites depois que os pesquisadores usaram uma toxina para danificá-lo. Quando foi enxertado em ratos, o músculo pareceu se integrar bem ao resto do tecido circundante e começou a fazer o trabalho que lhe é exigido.

Os pesquisadores dizem que mais testes são necessários antes que eles possam transferir a pesquisa para seres humanos. “O músculo que fizemos representa um importante avanço para o campo de pesquisa”, disse o chefe da pesquisa, Nenad Bursac.

“É a primeira vez que um músculo desenvolvido em laboratório contrai tão fortemente quanto um músculo esquelético neonatal (recém-nascido) nativo.”

Medicina regenerativa

“Vários pesquisadores que têm ‘cultivado’ músculos em laboratório mostraram que estes podem se comportar de maneiras similares às observadas no corpo humano”, opina o especialista britânico em engenharia de tecidos musculares esqueléticos, Mark Lewis, da Universidade de Loughborough (Grã-Bretanha).

“No entanto, o transplante destes músculos para uma criatura viva, continuando a funcionar como se fossem músculos nativos, subiu de nível com o trabalho atual.” Há uma grande esperança na comunidade científica de que as células-tronco, que podem se transformar em qualquer tipo de tecido, transformarão a medicina regenerativa.

Com informações: Portal Terra

15:15 · 29.01.2014 / atualizado às 15:40 · 29.01.2014 por
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Em experimentos que podem iniciar uma nova era na biologia das células-tronco, cientistas descobriram uma forma barata e fácil de reprogramar células maduras de um rato de volta a um estado similar ao embrionário, o que os permitiu gerar vários tipos de tecidos.

A pesquisa sugere que células humanas poderiam no futuro ser reprogramadas com a mesma técnica, oferecendo assim uma maneira mais simples para substituir células danificadas ou desenvolver novos órgãos para pessoas doentes ou feridas.

Chris Mason, do setor de bioprocessamento médico regenerativo do University College London, disse que o método era “o mais simples, barato e rápido” para gerar as chamadas células pluripotentes (as capazes de se desenvolver em vários tipos diferentes de células) a partir de células maduras, as células normais do corpo, chamadas de somáticas.

“Se isso funcionar com humanos, isso pode mudar todo o cenário, pode tornar possível terapias usando as células do próprio paciente como material inicial. A era da medicina personalizada iria finalmente chegar”, afirmou. Os experimentos, relatados em dois artigos no periódico Nature nesta quarta-feira (29), contaram com cientistas do centro Riken de biologia, no Japão, e da Escola de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos.

As chamadas células STAP (Aquisição de Pluripotência Desencadeada por Estímulo) têm algumas características que se assemelham a células-tronco embrionárias, mas com uma capacidade limitada de auto-renovação.  Elas representam um estado único de pluripotência, que, em condições de cultura de células-tronco pluripotentes, podem se transformar em células-tronco semelhantes às embrionárias.

Método

A partir de células maduras, adultas, os pesquisadores deixaram que elas se multiplicassem e depois as submeteram a estresse quase ao ponto de matá-las, explicaram eles.

Depois de dias, os cientistas descobriram que as células sobreviveram e se recuperaram, ao naturalmente retrocederem a um estado similar ao de uma célula-tronco embrionária.

Essas células se diferenciaram e se desenvolveram em diferentes tipo de células e tecidos, dependendo dos ambientes aos quais elas foram submetidas. “Se nós pudermos descobrir os mecanismos pelos quais os diferentes estados se mantêm ou se perdem, isso poderia abrir várias possibilidades para novas pesquisas e aplicações usando células vivas”, afirmou Haruko Obokata, que comandou a pesquisa no Riken.

Esse novo processo de reprogramação não precisa da habitual manipulação nuclear ou da introdução dos chamados fatores de transcrição -proteínas que regulam a transcrição do DNA-, necessários até agora para induzir a “pluripotência”.

Por isso, os cientistas acham que seu trabalho poderia ter “importantes implicações” na medicina regenerativa. Concretamente foi descoberto que as células somáticas dos mamíferos podem se reprogramar em condições de acidez.

A reprogramação como resposta ao estresse meio ambiental foi observada anteriormente em plantas, onde as células maduras podem se transformar em células imaturas capazes de formar uma nova estrutura da planta.

Com informações: Reuters

09:22 · 03.09.2013 / atualizado às 22:52 · 02.09.2013 por
Organoides desenvolvidos em laboratório têm estruturas similares a de um cérebro em miniatura, incluindo neurônios Foto: Madeline A. Lancaster
Organoides desenvolvidos em laboratório têm estruturas similares a de um cérebro em miniatura, incluindo neurônios Foto: Madeline A. Lancaster

Cientistas do Instituto de Biotecnologia Molecular de Viena, na Áustria, criaram estruturas semelhantes às de um cérebro humano, que medem cerca de 3 a 4 milímetros de diâmetro.

Estes organoides serviriam como uma ferramenta biológica para auxiliar na compreensão do funcionamento do órgão, das principais doenças cerebrais e das drogas que possam combater seus respectivos efeitos.

O professor Juergen Knoblich derivou células-tronco pluripotentes induzidas, a partir do tecido conjuntivo de um paciente com microcefalia (condição neurológica em que o tamanho da cabeça é menor do que o tamanho típico para a idade do feto ou criança). Esta doença genética é rara e devastadora já que o doente possui deficiência mental severa.

De acordo com os autores do estudo, os modelos vistos em ratos não são capazes de produzir a mesma severidade da doença que atinge os seres humanos. Dessa forma, desenvolver miniaturas de cérebros humanos tornou-se uma meta da equipe austríaca. Os organoides cerebrais criados pelos cientistas estão ajudando a identificar um defeito que afeta o desenvolvimento normal do cérebro e que acarreta a condição microcefálica.

Um córtex cerebral em até 30 dias

Os minúsculos cérebros cresceram em condições que lhes permitiram formar um tecido chamado neuroctoderma, que se desenvolve no sistema nervoso. Os pesquisadores incorporaram fragmentos do tecido em forma de gotas de gel para criar o andaime para guiar o crescimento. Eles então foram transferidos para as gotas de um biorreator de fiação para o aumento da absorção de nutrientes. Após 15 a 20 dias, os tecidos formados dos pequenos cérebros já tinham fluidos e ventrículos cerebrais.

Cerca de dez dias depois, alguns dos organoides formaram áreas cerebrais definidas incluindo um córtex cerebral (camada externa e complexa do cérebro), o tecido da retina, que é a parte sensível à luz do olho, meninges, que são membranas que envolvem o cérebro e a plexo coroide, que produz o líquido cefalorraquidiano e que banha o cérebro. Embora tenham milímetros, os organoides já sobrevivem há dez meses no laboratório, e só são pequenos porque carecem de um sistema circulatório capaz de fornecer mais nutrientes e oxigênio.

Experimento desperta misto de entusiamo e temor na comunidade científica

“Gostaríamos de usá-los (os organoides) para o estudo das doenças mais comuns, como esquizofrenia ou autismo”, projeta Knoblich. Já Oliver Brüstle, especialista em neuropatologia na pesquisa com células-tronco da Universidade de Bonn, na Alemanha, descreveu o experimento austríaco como “uma pesquisa extraordinária. Essas estruturas não são artefatos de laboratório apenas peculiares. Os organoides recriam os primeiros passos na formação do córtex cerebral humano, e assim se prestam para estudos sobre o desenvolvimento do cérebro e desordens do desenvolvimento humano”.

Crítico da iniciativa, o Dr. Martin Coath, do Instituto de Cognição da Universidade de Plymouth, afirma que “um cérebro humano totalmente funcional seria consciente, teria esperanças, sonhos, sentiria dor e iria fazer perguntas sobre o porquê de estarmos fazendo aquilo. Algo que tenha crescido no laboratório, mas em um nível muito mais simples do que um cérebro humano pode ser ligado a olhos eletrônicos, ouvidos e mãos e ser ensinado a fazer alguma coisa, talvez algo que é tão sofisticado quantos muitos seres vivos simples. Isso me parece muito longe de ser considerado real”.

12:27 · 05.08.2013 / atualizado às 14:02 · 05.08.2013 por
Hambúrguer feito a partir de células-tronco é apresentado como possível solução para o fim do abate animal e para reduzir problemas ambientais decorrentes da produção de carne Foto: BBC
Hambúrguer feito a partir de células-tronco é apresentado como possível solução para o fim do abate animal e para reduzir problemas ambientais decorrentes da produção de carne Foto: BBC

Notícia boa para quem quer deixar de comer carne animal mas tem dificuldade para abandonar o hábito.

Cientistas da Universidade de Maastricht, na Holanda, apresentaram nesta segunda-feira (5), em Londres, o primeiro hambúrguer feito de células-tronco, sem a necessidade de abate do gado.

As células-tronco foram retiradas de uma vaca para reconstituir os músculos de carne bovina, que foram combinados a outros ingredientes para fazer o hambúrguer. A tecnologia poderia ser uma forma sustentável para suprir a crescente demanda por carne.

Mas se há expectativa para produção em escala industrial no futuro, o projeto para produzir a carne artificial, no presente, foi implementado ao custo exorbitante de cerca de R$ 750 mil.

Ecologia, combate à fome e respeito aos animais justificam pesquisa

“Estamos fazendo isso porque a criação de animais para abate não é boa para o meio ambiente, não vai suprir a demanda mundial por comida e também não é boa para os próprios animais”, ressaltou Mark Post, pesquisador da Universidade de Maastricht.

Já a pesquisadora Helen Breewood, que é vegetariana, afirma que se comesse carne, preferiria a feita em laboratório. “Muita gente considera carne feita em laboratório repulsiva, mas se eles soubessem o que acontece nos abatedouros para a produção de carne, também achariam repulsivo”, ressalta.

A opinião é compartilhada pelo grupo Pessoas pela Ética do Tratamento aos Animais (People for the Ethical Treatment of Animals – Peta). “A carne de laboratório irá favorecer o fim de caminhões cheios de vacas, frango, abatedouros e fazendas de produção. Irá reduzir a emissão de gases de carbono, economizar água e fazer a rede de suprimento de alimentos mais segura”, destacou a nota do Peta.

A notícia e o eventual desenvolvimento da tecnologia é ainda mais importante, considerando o último levantamento das Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO) sobre o futuro da produção de alimentos que mostra crescimento da demanda por carne na China e Brasil .

Como foi produzido o hambúrguer

As dificuldades para produzir o hambúrguer com células-tronco começaram com a cor. Como, as células desenvolvidas eram essencialmente musculares e sem envolvimento de circulação sanguínea, por tabela, a carne de laboratório saiu inicialmente branca, mas a equipe holandesa está tentando adicionar o composto mioglobina.

Na primeira experiência, no entanto, foi usado suco de beterraba para dar a cor avermelhada. “Se não se parece com a carne normal, se não tem gosto de uma carne normal, não se tornará viável”, afirma Breewood. Além do suco, foi adicionado ao hambúrguer  farinha de rosca, caramelo e açafrão. Até o momento, os cientistas podem apenas produzir pequenos pedaços de carne por vez.

As células-tronco podem se desenvolver em tecidos de quaisquer partes do corpo de um animal, tais como nervos, músculos, gorduras, ossos e pele.  No laboratório, as células são colocadas numa cultura com nutrientes para promover o crescimento e multiplicação das células. Três semanas depois, as mais de um milhão de células-tronco geradas são colocadas em recipientes menores onde se tornam pequenas tiras de músculo de um centímetro de comprimento e alguns milímetros de espessura.

As pequenas tiras são coletadas e juntadas em pequenos montes, que são congelados. Quando alcançam uma quantidade suficiente, elas são descongeladas e compactadas na forma de um hambúrguer antes de serem cozidos.

08:15 · 31.07.2013 / atualizado às 08:25 · 31.07.2013 por
Células-tronco obtidas a partir da urina foram capazes de originar um rudimento de dente Foto: Huffington Post
Células-tronco obtidas a partir da urina foram capazes de originar um rudimento de dente Foto: Huffington Post

Pesquisadores do Guangzhou Institutes of Biomedicine and Health, da China, reprogramaram células presentes na urina humana para recriar dentes. No ano passado, o Ceará Científico já havia noticiado pesquisa similar, mas envolvendo neurônios.

A técnica deve ajudar na substituição de dentes perdidos pela idade, acidentes ou má higiene bucal. Células que normalmente são expelidas pelo corpo, através do sistema urinário, foram alteradas para que se tornassem células-tronco. Uma mistura delas com outros materiais orgânicos retirados de ratos foi então implantada nos próprios roedores.

Depois de três semanas o grupo de células começou a se parecer com um dente: “a estrutura continha polpa dental, dentina, espaço e órgão de esmalte“. Contudo, o dente criado pelos chineses não era tão rígido quanto um dente natural. Mas ainda que o resultado do estudo chinês não venha a ser utilizado pelos dentistas como uma opção viável, seus pesquisadores defendem que pode nortear pesquisas mais aprofundadas para se chegar ao “sonho final de total regeneração do dente humano para terapia clínica”.

Críticos da metodologia chinesa, como Chris Mason, da University College of London (UCL), alegam que “esta é provavelmente uma das piores fontes, pois existem muito poucas células desde o início do processo e a eficiência de transformá-las em células-tronco é muito baixa. O grande desafio aqui é que o dente tenha polpa com nervos e vasos sanguíneos que temos que ter certeza que se integrariam para se transformarem num dente permanente”.

21:32 · 25.09.2012 / atualizado às 00:51 · 26.09.2012 por
Carne artificial em escala comercial é questão de tempo dizem pesquisadores norte-americanos e holandeses que trabalham em projetos paralelos, como o do hambúrguer artificial Imagem: Intercambia

A pesquisa com células-tronco pode resultar em mais que cura de doenças ou substituição de órgãos defeituosos. Pode também ajudar a tornar inútil a discussão ética entre onívoros e vegetarianos, incluindo vegan0s, pessoas que não consomem, além da carne, nem ovos, nem leites, nem quaisquer produtos de origem animal.

De quebra essas pesquisas ainda podem servir como aliada do meio-ambiente, principalmente no c0mbate ao aquecimento global. Como? É simples: o mesmo princípio que permite, através do uso de células-tronco, produzir células de quaisquer tecidos para o emprego na medicina, pode e já está sendo usado para produzir células musculares (carne) de animais usados na alimentação humana.

Ou seja, matar um animal para alimentar pessoas parece ser algo que está com os dias contados, independente ou não do crescimento da ideologia vegetariana-vegana. A própria indústria, com uma mãozinha da Ciência, pode oferecer, em poucos anos, carne a partir de células-tronco de bois, carneiros, porcos, frangos, peixes que continuarão vivos depois do processo!  Aliás, essa tecnologia já existe há mais de uma década.

Carne artificial e ecológica

Além da questão ética, a carne “artificial” pode ajudar a solucionar um problema ambiental.  É que um dos grandes geradores de gases de efeito estufa (cerca de 18% segundo a ONU) é justamente a criação de animais (questão muito grave em um país com mais gado que pessoas, como o Brasil).  

A problemática se dá quer pela derrubada das vegetações nativas para dar lugar a pastagens, quer pela produção de gases dos próprios animais, que chegam, artificialmente, a populações maiores do que teriam caso estivessem na condição selvagem. Para piorar, estimativas apontam para um aumento de 100% no consumo de carnes, nos próximos 40 anos.

Outro estudo, dessa vez publicado pela Universidade de Oxford (EUA), indica que a carne de laboratório produz entre 78% e 96% menos gases estufa, além de consumir 99% menos terras e entre 82% e 96% menos água do que a carne produzida de modo convencional. O problema é que ainda não há “carne de laboratório”  produzida em escala comercial.

Pesquisas nos EUA e Holanda

Entre os pesquisadores que estão tentando melhorar a técnica e resolver essa questão está Gabor Forgacs, da Universidade do Missouri (EUA). Gabor trabalha com desenvolvimento de tecidos e órgãos para transplante a partir do cultivo de células e viu que poderia usar técnicas similares para criar carne para consumo humano. Em 2011, ele foi o primeiro cientista dos Estados Unidos a produzir e consumir publicamente uma amostra de carne artificial.

Na Holanda, há outro grupo trabalhando para desenvolver carne artificial. O professor de medicina vascular Mark Post, da Universidade de Maastricht e sua equipe pretendem lançar um hambúrguer sintético no final deste ano. Mas, o primeiro produto que ele pretende desenvolver para produzir comercialmente não é carne, mas couro, que “é um produto similar de certa forma, mas não tão controverso e que não demanda a mesma legislação que a carne”, explica.

Dificuldades e preço salgado

Forgacs diz que é muito difícil criar um tecido similar a carne de verdade, tanto em aparência como em textura e sabor. “Uma ideia é criar algo como um ingrediente para produtos baseados em proteína animal – por exemplo, podemos criar algo que tenha a consistência de carne moída e que possa ser usado para fazer patês, almôndegas”, sugere.

Mas a priori, a carne de laboratório terá um preço elevado (entre R$ 250 e R$ 800 o quilo, em valores atuais), o que fará dela um produto de nicho. “Este não será um produto para o grande público no início, será para pessoas ecologicamente conscientes e também para aquelas que não comem carne por razões éticas”, aponta Forgacs.

Contudo, se a ideia pegar e acontecer o que alguns chamam de “libertação animal”, surge um novo problema que ainda foi pouco debatido, mesmo pelos defensores dessa corrente ideológica. O que fazer com a grande quantidade de animais criados para abate?

Devolvê-los ao ambiente natural? Mas qual se a maioria dos rebanhos se encontram longe das terras em que viviam as primeiras populações e estão espalhados pelo mundo? Fica a dúvida…