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Tag: Curiosity


16:46 · 07.06.2018 / atualizado às 20:57 · 07.06.2018 por
Ao analisar amostras colhidas na cratera Gale com idade de cerca de 3 bilhões de anos, o robô Curiosity estabeleceu de forma conclusiva que havia abundância de compostos orgânicos no planeta Foto: Nasa

Por Salvador Nogueira

Já sabemos há algum tempo que Marte, em seu passado remoto, foi habitável -ou seja, tinha a capacidade de preservar água em estado líquido na superfície. Agora, graças ao jipe Curiosity, sabemos que ele tinha, na mesma época, os ingredientes necessários para a vida -moléculas orgânicas complexas.

Ao analisar amostras colhidas na cratera Gale com idade de cerca de 3 bilhões de anos, o robô da Nasa estabeleceu de forma conclusiva que havia abundância de compostos orgânicos no planeta. Com efeito, os resultados sugerem um conteúdo orgânico comparável ao de rochas sedimentares ricas nessas substâncias aqui da Terra. Ninguém está dizendo que houve vida em Marte, claro. Mas saber que os ingredientes estavam lá -água e moléculas orgânicas- é um passo importantíssimo em busca dessa resposta. Tanto que o principal objetivo do Curiosity, assim que chegou a Marte, em 2012, era achar esses benditos compostos. E a busca não foi nada fácil.

Nas primeiras tentativas de detecção, nos primeiros cem dias da missão, a melhor definição para o resultado era “fracasso”. A quantidade de compostor orgânicos simples era tão pequena que não se podia descartar contaminação da Terra enviada dentro do jipe ou mesmo que a fonte desses compostos fossem asteroides a colidir com Marte.

A ausência de compostos orgânicos no planeta vermelho era uma grande surpresa. Afinal, essas moléculas de carbono parecem estar em toda parte no espaço -em asteroides, cometas, planetas, luas e até nebulosas. Por que Marte seria estranhamente empobrecido nelas? Ocorre que a superfície marciana hoje é bem hostil a moléculas orgânicas. Raios ultravioletas do Sol encontram pouca filtragem na tênue atmosfera daquele mundo, quebrando com facilidade moléculas orgânicas maiores. E, para completar, o solo é rico em percloratos. São moléculas sem graça feitas de oxigênio e cloro, mas que, quando suficientemente aquecidas, se quebram e destroem qualquer molécula orgânica maior que esteja por perto.

Calor não é lá um grande problema em Marte. Mas é um grande problema quando o método de detecção de moléculas orgânicas do seu jipe envolve aquecer a amostra centenas de graus Celsius para ver que moléculas evaporam por lá. Você já começa com quase nada, graças ao ambiente hostil de Marte, e o que ainda restava é destruído pelos percloratos assim que você aquece a amostra. Voilà: um grande desapontamento. A equipe do Curiosity, no entanto, perseverou, procurando rochas mais adequadas para a busca. No fim de 2014, eles anunciaram um grande avanço: uma das amostras recolhidas mostrava uma quantidade de moléculas orgânicas simples tal que se podia descartar qualquer contaminação. Era química orgânica para valer no passado marciano.

Ainda assim, eram moléculas bem pequenas, muito longe do que seria necessário para a vida. A hipótese de trabalho era a de que, na origem, havia moléculas orgânicas mais complexas, que no entanto foram destruídas por percloratos e tiveram seus átomos recombinados nos compostos simples detectados. Não havia, contudo, como descartar a noção de que, desde o início, fossem só aquelas pequenas porcarias mesmo. Quase quatro anos depois, chega a resposta definitiva: analisando amostras ainda melhores, e se concentrando apenas nos gases evaporados delas a temperaturas bem altas (assim descartando o que pudesse ser ação de percloratos ou qualquer outro contaminante vindo da Terra), os pesquisadores encontraram moléculas orgânicas relativamente grandes e que provavelmente compunham cadeias de moléculas ainda maiores. O proverbial filé orgânico marciano.

O artigo científico reportando a descoberta, que tem como primeira autora Jennifer L. Eigenbrode, da Nasa, sai na edição desta sexta-feira (8) da revista Science. E, na mesma publicação, outro artigo relata outra descoberta feita pelo Curiosity em Marte.

A temporada do metano

Sim, é mais química orgânica. Desta vez na atmosfera. Além de procurar compostos complexos em rochas, o Curiosity tinha como uma de suas metas primordiais fazer a primeira detecção de gás metano na atmosfera, estando ele envolto nela. Resultados anteriores obtidos por telescópios e missões orbitais sugeriam a presença de uma quantidade significativa dele, ainda que medido em partes por bilhão. No início, o Curiosity detectou quantidades tão baixas que esbarravam no limite de precisão do equipamento.

Os pesquisadores então começaram a trabalhar num novo método para diminuir a margem de erro, “enriquecendo” a amostra da atmosfera em metano antes de tomar a medição. E ajudou o fato de que, em 2013, o jipe foi engolfado por uma pluma de metano emanando do solo, que fez saltar a detecção de 0,69 parte por bilhão para 7,2 partes por bilhão. Certo, mas por que essa neura com metano? São dois os motivos: primeiro, trata-se de uma molécula que não dura muito na atmosfera, exposta aos famigerados raios ultravioletas solares. O que significa que, se ela existe no ar marciano, mesmo em quantidades pentelhesimais, algo está constantemente lançando mais dela na atmosfera.

E o segundo motivo é ainda mais interessante: ao menos na Terra, a imensa maioria do metano atmosférico é produzido por formas de vida. Pois é. Manja a sua flora intestinal? De vez em quando ela te força a lançar uma pluma de metano no ar que, em Marte, deixaria os cientistas num frenesi nerd. Por outro lado, há outros meios de gerar metano que não envolvem vida, como um processo químico conhecido como serpentinização. Afinal, o que gera as plumas de metano em Marte? Desde essa detecção inicial em 2013 os cientistas responsáveis pelo Curiosity permaneceram tomando medidas periódicas do metano na atmosfera. E agora, com dados colhidos ao longo de quase cinco anos (terrestres, três marcianos), eles encontraram uma pista intrigante: a emissão de metano é sazonal. Os dados revelam que, noves fora os picos gerados por plumas repentinas locais, a quantidade média de metano na baixa atmosfera flutua entre 0,24 e 0,65 parte por bilhão. O pico se dá próximo ao fim do verão no hemisfério norte marciano (inverno no sul). O jipe em si está na região equatorial do planeta, apenas 4,5 graus Sul.

Com esse resultado, os pesquisadores podem descartar várias possíveis fontes para o metano que não apresentariam esse padrão. A aposta deles é que haja grandes quantidades do gás presas no subsolo marciano no interior de cristais baseados em água chamados de clatratos. Para eles, as mudanças sazonais de temperatura poderiam explicar as flutuações na liberação do gás observadas pelo jipe. Ainda resta a pergunta mais importante: o que teria produzido o metano aprisionado nesses clatratos? Pode ser vida, pode ser outro processo abiótico. A resposta terá de esperar -talvez por novos resultados, mais provavelmente por novas missões. Com efeito, o Trace Gas Orbiter, da ESA (Agência Espacial Europeia), acabou de começar sua missão científica em órbita marciana, e seu objetivo é estudar a distribuição e os padrões de emissão do metano em escala global. Ele poderá corroborar ou colocar em dúvida os atuais resultados do Curiosity, mas certamente agregará mais peças ao quebra-cabeça.

O artigo reportando a sazonalidade do metano em Marte tem como primeiro autor Christopher Webster, também da Nasa, e sai ao lado do texto de Eigenbrode, nesta sexta. “Ambos os resultados são avanços revolucionários para a astrobiologia”, avalia Inge Loes ten Kate, pesquisadora da Universidade de Utrecht que não participou das pesquisas, mas escreveu um artigo de comentário para a Science. “A detecção de moléculas orgânicas e metano em Marte tem vasta implicações à luz de potencial vida passada marciana. O Curiosity mostrou que a cratera Gale foi habitável há 3,5 bilhões de anos, com condições comparáveis às da Terra primitiva, onde a vida evoluiu mais ou menos na mesma época. A questão de se a vida pode ter se originado ou existido em Marte é muito mais oportuna agora que sabemos que moléculas orgânicas estavam presentes na superfície naquela época.”

Em 2020, tanto europeus quanto americanos prometem enviar jipes capazes de dar o próximo passo e procurar evidências diretas de vida marciana.

Com informações: Folhapress

13:32 · 28.04.2016 / atualizado às 22:13 · 03.06.2016 por
Até o presente momento apenas missões espaciais públicas foram realizadas no Planeta Vermelho. O mais recente rover (jipe-robô) a pousar e fazer experimentos em Marte foi o Curiosity, da Nasa (EUA), que chegou ao astro em 6 de agosto de 2012 Foto: Nasa
Até o presente momento apenas missões espaciais públicas foram enviadas ao “Planeta Vermelho”. O mais recente rover (jipe-robô) a pousar e fazer experimentos em Marte foi o Curiosity, da Nasa (EUA), que chegou ao astro em 6 de agosto de 2012 Foto: Nasa

O chefe da SpaceX, Elon Musk, anunciou que a empresa americana vai enviar uma espaçonave não tripulada à Marte até 2018, como parte do seu plano de colonizar o Planeta Vermelho.

Poucos detalhes da missão foram revelados por Musk, o empreendedor da internet que ficou conhecido como cofundador do PayPal e que atualmente dirige também a Tesla Motors. “Planejando mandar Dragon à Marte já em 2018,” disse Musk no Twitter.

“Red Dragons informarão detalhes gerais da arquitetura de Marte em breve”, disse ele, parecendo estar se referindo à versão aprimorada da cápsula de carga Dragon da SpaceX, que atualmente é utilizada como espaçonave não tripulada para levar comida e suprimentos para a Estação Espacial Internacional.

“A Dragon 2 foi desenhada para ser capaz de pousar em qualquer parte do sistema solar. A missão à Marte da Red Dragon será o primeiro voo de teste”, disse Musk no Twitter.

Missão tripulada descartada

No entanto, não há planos imediatos de mandar humanos para o planeta vermelho.

“Eu não recomendaria transportar astronautas para além da região entre a Terra e a Lua. Não seria divertido”, escreveu. Ele acrescentou que o espaço interno da cápsula é mais ou menos do mesmo tamanho de um automóvel esportivo.

A NASA está estudando os efeitos de missões espaciais de longo prazo no corpo humano, e anunciou planos de enviar astronautas à Marte por volta de 2030. No entanto, ainda não se sabe como as pessoas sobreviveriam a jornadas de mais de um ano no espaço, já que precisarão de comida, água e proteção da radiação espacial durante a viagem.

Anteriormente, Musk falou sobre seu plano de criar uma colônia de um milhão de humanos em Marte, com o objetivo de tornar a humanidade “multi-planetária” e evitar o risco de extinção na Terra.

Um dos feitos recentes de Musk foi conseguir trazer de volta foguetes Falcon 9 da SpaceX, que fizeram pousos verticais em plataformas no mar e em terra firme.

Com informações: AFP

23:44 · 24.03.2015 / atualizado às 23:44 · 24.03.2015 por
Foto: Nasa
A presença do elemento no planeta foi verificada a partir do instrumento Sample Analysis at Mars (SAM, sigla em inglês), que coletou amostras de três lugares diferentes Foto: Nasa

O veículo Curiosity encontrou nitrogênio fixado em sedimentos em Marte: “um novo passo na avaliação da habitabilidade deste planeta, já que o nitrogênio é um elemento imprescindível para a vida”.

Essa foi a principal conclusão do estudo divulgado na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS), no qual participaram pesquisadores espanhóis do Centro Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) e que sugere a existência do ciclo do nitrogênio em Marte em algum momento de sua evolução como planeta.

A presença do elemento no planeta foi verificada a partir do instrumento Sample Analysis at Mars (SAM, sigla em inglês), que coletou amostras de três lugares diferentes, informou o CSIC em uma nota de imprensa. Duas dessas amostras foram conseguidas com perfurações feitas em rochas batizadas como “Sheepbed”, durante uma missão na “Yellowknife Bay”, local onde, acredita-se, existiram lagos e rios no passado marciano.

A terceira amostra provém de um depósito de areia, que representa a poeira de Marte. Francisco Javier Martín Torres, pesquisador do Instituto Andaluz de Ciências da Terra, explicou que a disponibilidade de nitrogênio bioquímico, junto com as condições que “existiram em Marte e a possível presença de compostos orgânicos em seu solo, refletem um cenário potencialmente habitável para algum tipo de ser vivo no passado”.

Torres explicou que a presença de nitrogênio no planeta é um fator a ser levado em consideração em relação à possibilidade de existir vida em Marte na atualidade, já que, este elemento é imprescindível na síntese de moléculas como as proteínas RNA e DNA.

No entanto, de acordo com o estudo, ainda não há indícios de algum mecanismo que faça com que o nitrogênio fixado no solo retorne à atmosfera e mantenha o ciclo do nitrogênio, como acontece na Terra.

Por isso, os pesquisadores sugerem que, se a vida existiu em algum momento na superfície de Marte, não esteve em todo o planeta, mas esta afirmação ainda deve ser comparada com estudos posteriores.

Com informações: AFP/G1

18:00 · 05.01.2015 / atualizado às 17:13 · 06.01.2015 por
Foto: Nasa
Imagens captadas pelo robô Curiosity fotografaram uma formação semelhante à deixada por colônias de bactérias na Terra Foto: Nasa

A geóloga norte-americana Nora Noffke, da Old Dominion University, afirmou num estudo publicado na revista Astrobiology que pode ter encontrado fósseis na superfície de Marte.

Segundo Noffke as imagens captadas pelo robô Curiosity fotografaram uma formação semelhante à deixada por colônias de bactérias na Terra.

Estes fósseis são conhecidos pela sigla em inglês Miss (estruturas sedimentares induzidas por micróbios). Para a pesquisadora esses fósseis indicam que pode ter havido vida microbiológica na água de Marte, que secou completamente em algum momento do passado.

O artigo deixa claro que a hipótese ainda precisa de ser provada ou refutada através de métodos científicos. As rochas que ela analisou foram fotografadas pelo Curiosity em dezembro de 2012 na Baía de Yellowknife, na Cratera Gale. No local existia um lago que durou até pelo menos 3,7 bilhões de anos.

Desde que começou a exploração científica em Marte, os cientistas verificam provas da existência de água no solo marciano no passado. No entanto, ainda não há consenso de como o planeta perdeu todo o líquido e adquiriu a paisagem inóspita que conhecemos.

O atual problema para comprovar a hipótese de Noffke é o fato de o Curiosity estar bem longe da Baía de Yellowknife, o que impede novos estudos nos supostos fósseis.

Evidências anteriores

Esta não é a primeira vez que supostos fósseis são verificados em Marte. Em 2010 investigadores encontraram rochas na região da fossa Nili que poderiam conter restos fossilizados da vida em Marte.

O Instituto para Busca de Inteligência Extraterrestre (Seti, na sigla em inglês), da Califórnia, disse que as formações rochosas com 4 bilhões de anos conservaram restos do que seriam estruturas biológicas.

Já em 2008 cientistas descobriram nestas rochas evidências de carbonatos, que são produzidos por decomposição de material orgânico sedimentado.

Com informações: Diário Digital / Sapo

18:39 · 16.12.2014 / atualizado às 18:54 · 16.12.2014 por
Ilustração produzida pela Nasa explica como o gás metano pode ter se formado no Planeta Vermelho. Micróbios ou a combinação do minério olivina com a água são as duas hipóteses mais prováveis Imagem: Nasa
Ilustração produzida pela Nasa explica como o gás metano pode ter se formado no Planeta Vermelho. Micróbios ou a combinação do minério olivina com a água são as duas hipóteses mais prováveis Imagem: Nasa

A presença de metano na atmosfera de Marte e de elementos químicos orgânicos no solo do planeta vermelho são as mais recentes e provocantes descobertas do veículo explorador Curiosity, da Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa), na busca de pistas sobre a possibilidade de vida extraterrestre, declararam cientistas nesta terça-feira (16).

Os cientistas da Nasa disseram que o Curiosity captou irrupções esporádicas de metano, um gás que na Terra tem fortes conexões com a vida, na atmosfera ao redor de seu local de pouso, na cratera Gale.

O veículo também encontrou elementos químicos orgânicos no solo marciano, declararam os cientistas em uma entrevista coletiva transmitida pela Internet no Sindicato Americano de Geofísica em San Francisco.

O Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, na Califórnia, emitiu um comunicado à imprensa dizendo que o veículo-robô mediu “um pico dez vezes maior” de metano na atmosfera ao seu redor e que detectou outras moléculas orgânicas em uma amostra coletada por uma furadeira robótica.

“Há muitas fontes possíveis, biológicas e não biológicas, como a interação entre água e rocha”, afirmou Sushil Atreya, membro da equipe de ciência do Curiosity e da Universidade do Michigan na cidade de Ann Arbor, no informe à imprensa.

As últimas descobertas combinam mais de dois anos de dados coletados pelo robô desde seu pouso dentro da cratera Gale em agosto de 2012.

Lago antigo

Na semana passada, os cientistas disseram ter determinado que bilhões de anos atrás um lago preenchia a cratera de 154 quilômetros de largura sendo explorada pelo Curiosity.

Este achado foi mais um indício de que Marte, o planeta mais parecido com a Terra no sistema solar, já teve condições de abrigar a vida microbiana. Pouco depois de pousar, o Curiosity descobriu que Marte já teve os ingredientes químicos e as condições ambientais necessárias para sustentar a vida microbiana, cumprindo o objetivo primordial de sua missão.

O veículo, que percorreu cerca de 8 quilômetros desde seu pouso, tem explorado uma área conhecida como Monte Sharp, onde foram encontradas rochas contendo sedimentos depositados pela água, para saber se existiram ambientes acolhedores à vida durante tempo suficiente para que ela evoluísse.

“Continuaremos a trabalhar nos quebra-cabeças que estas descobertas apresentam”, declarou John Grotzinger, cientista do projeto Curiosity do Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena.

Com informações: Reuters

23:38 · 07.11.2014 / atualizado às 23:51 · 07.11.2014 por
Imagem: Nasa
Segundo a agência norte-americana, sondas em órbita do Planeta Vermelho não teriam sobrevivido à passagem do Siding Spring, caso não tivessem sido reposicionadas Imagem: Nasa

Um cometa surgido do espaço profundo passou muito próximo de Marte, no mês passado, provocando uma inesperada chuva de meteoritos que modificou brevemente a química da atmosfera do Planeta Vermelho, revelou a Nasa nesta sexta-feira (7).

O cometa Siding Spring chegou de uma região distante do Sistema Solar conhecida como Nuvem de Oort e sua passagem próxima a Marte, no dia 19 de outubro, a uma velocidade de 56 Km por segundo, foi acompanhada de muito perto pelas sondas que orbitam o planeta ou exploram seu solo.

“Acreditamos que este tipo de acontecimento ocorre uma vez a cada milhões de anos”, disse Jim Green, diretor da Divisão de Ciências Planetárias da Nasa. Quando passou a 140.000 Km de Marte, o cometa desprendeu milhares de quilômetros de poeira, muito mais do que previa a agência espacial americana.

“A poeira do cometa caiu na atmosfera superior, criando uma enorme e densa camada ionosférica que literalmente mudou a química da atmosfera superior”, disse Green aos jornalistas. Esta camada adicional de íons, sobre uma camada carregada eletricamente em torno do planeta, foi temporária, destacou a Nasa.

Mudanças significativas

A agência espacial destacou que foi a primeira vez que cientistas conseguiram recolher fragmentos de uma chuva de meteoritos capaz de produzir mudanças significativas na atmosfera.

A chuva de meteoritos provavelmente demorou uma hora ou mais, segundo dados obtidos pela Mars Atmosphere and Volatile Evolution Mission (MAVEN). Seus instrumentos científicos também detectaram oito tipos distintos de íons metálicos, incluindo sódio, magnésio e ferro.

“Nem mesmo as chuvas de meteoritos mais intensas que caíram na Terra já produziram uma reação tão forte como esta”. Se tivessem humanos em Marte, eles veriam um brilho amarelo no céu, disse Nick Schneider, que dirige os instrumentos do espectrômetro ultravioleta da MAVEN a partir da Universidade do Colorado, em Boulder.

“Teria sido um grande espetáculo para o olho humano. Provavelmente seriam milhares de estrelas cadentes por hora”. As sondas MAVEN – Mars Reconnaissance Orbiter, da NASA, e Mars Express, da Agência Espacial Europeia – foram reposicionadas no extremo oposto de Marte para sua proteção durante a passagem do cometa.

“Está bastante óbvio que (sem o reposicionamento) as sondas não teriam sobrevivido, tendo-se em conta a tremenda resposta da atmosfera de Marte à passagem do cometa”, destacou Green.

A sonda Opportunity, um veículo que percorre a superfície do solo marciano, capturou uma imagem do cometa, e os cientistas analisam dados obtidos pela sonda Curiosity.

O cometa viajou mais de um milhão de anos para passar por Marte e só voltará ao Planeta Vermelho em outro milhão de anos, após completar sua volta em torno do Sol.

Com informações: AFP

23:57 · 17.10.2014 / atualizado às 00:00 · 18.10.2014 por
Imagem: Nasa
Representação artística do cometa C/2013 A1, também chamado “Siding Spring”, que tem um núcleo de 1,6 km de diâmetro e é tão pouco sólido quanto um monte de talco Imagem: Nasa

Um cometa está prestes a passar muito perto de Marte, em um encontro que acontece uma vez a cada milhão de anos e que será abundantemente fotografado e documentado, informou a Nasa.

O cometa C/2013 A1, também chamado “Siding Spring”, tem um núcleo de 1,6 km de diâmetro e é tão pouco sólido quanto um monte de talco. O astro passará à toda velocidade a apenas 139.500 km do planeta vermelho.

Se fosse passar tão perto do nosso planeta, a distância equivaleria a um terço daquela entre a Lua e a Terra. “Siding Spring” passará pelo ponto mais próximo de Marte às 15h27 (hora em Fortaleza)  de domingo (19), informou a agência espacial norte-americana.

Embora voe no espaço a uma velocidade vertiginosa de 202.000 km/h, o pequeno cometa tem poucas probabilidades de se chocar com a superfície marciana. Mas, de qualquer modo, os cientistas têm acompanhado com muito entusiasmo sua trajetória e seu rastro.

“Veremos meteoros na atmosfera de Marte? Os cometas são imprevisíveis”, declarou Jim Green, diretor da divisão de ciências planetárias na sede da Nasa, em Washington. “Penso que é improvável que se destrua”, explicou Green a jornalistas. “Mas nos interessa saber se manterá sua estrutura ou não”, prosseguiu.

Prevenção a acidentes com sondas

A Nasa pôs suas naves que orbitam Marte o mais distante possível do local por onde passará o Siding Spring, para evitar que sofram danos dos vestígios que o cometa soltar ao passar com toda a velocidade.

Embora as naves Mars Reconnaissance Orbiter, Mars Odyssey e MAVEN tenham sido reposicionadas para ficar a salvo da poeira estelar, espera-se que capturem um tesouro de dados sobre o cometa que fará a alegria dos cientistas.

Enquanto isso, em solo marciano, as sondas Curiosity e Opportunity apontarão suas câmeras para o céu avermelhado e enviarão à Terra fotos da passagem do cometa, que devem chegar nas próximas semanas ou meses. O cometa foi descoberto por Robert McNaught no observatório australiano “Siding Spring”, em janeiro de 2013.

Acredita-se que tenha se originado há 1 bilhão de anos na Nuvem de Oort, uma região distante no espaço, de onde partem cometas que “permanecem inalterados desde os primeiros dias do Sistema Solar”, acrescentou a Nasa.

O cometa viajou mais de um milhão de anos para fazer esta primeira parada em Marte e só voltará dentro de outro milhão de anos, assim que completar uma volta ao redor do sol.

Com informações: AFP

19:05 · 09.04.2014 / atualizado às 19:05 · 09.04.2014 por
Misterioso ponto de luz no horizonte marciano é considerado apenas um reflexo da luz do Sol nas rochas pelos cientistas da Nasa, embora a circulação da foto tenha alimentado boatos e teorias de ufólogos Foto: Nasa / Divulgação
Misterioso ponto de luz no horizonte marciano é considerado apenas um reflexo da luz do Sol nas rochas pelos cientistas da Nasa, embora a circulação da foto tenha alimentado boatos e teorias de ufólogos Foto: Nasa / Divulgação

Justo no dia em Marte atingiu a maior aproximação com a Terra, nos últimos dois anos (cerca de 93 milhões de quilômetros), a Agência Espacial Norte-Americana, a Nasa, divulgou fotos da Curiosity que revelam uma imagem no mínimo curiosa.

Trata-se de uma luz inexplicável que tem intrigado até mesmo aos cientistas. Entusiastas da ufologia (considerada uma pseudociência) acreditam que esse é um sinal de que existe vida no planeta vermelho. Mas pesquisadores da Nasa  descartam a hipótese. A imagem foi tirada pela câmera do lado direito do Curiosity. Porém, a luz não aparece nas fotos feitas pela câmera que fica no lado esquerdo do jipe-robô.

Quando chegou ao planeta Terra, a imagem feita por Curiosity deixou muita gente intrigada, o que inclui os pesquisadores da Nasa. O blogueiro e ufólogo Scott Waring, por exemplo, acredita que a fotografia sugere que há criaturas inteligentes vivendo no planeta. Mas Doug Ellison, um dos cientistas da agência, disse que a luz captada tem explicação e certamente não representa nenhuma prova de vida extraterrestre.

Ellison disse à NBC que a luz pode ter sido resultado de uma reação aos raios cósmicos de alta intensidade energética, no momento em que atingiram a superfície de Marte. O espaço é preenchido com radiação e a fina atmosfera de Marte não bloqueia partículas de alta energia (raios cósmicos) com tanta eficácia como a grossa atmosfera terrestre. Por isso, alguns raios cósmicos atingem a superfície de Marte.

Com informações: Portal Exame

10:16 · 27.09.2013 / atualizado às 10:26 · 27.09.2013 por
Solo marciano contém água, dióxido de carbono, oxigênio, cloratos, percloratos e carbonatos, compostos relacionados direta ou indiretamente à vida Foto: Nasa
Solo marciano contém água, dióxido de carbono, oxigênio, cloratos, percloratos e carbonatos, compostos relacionados direta ou indiretamente à vida Foto: Nasa

Uma boa notícia para os corajosos que se inscreveram no programa Mars One, que pretende enviar voluntários para colonizar Marte. O jipe-robô Curiosity, da Nasa, analisou uma amostra de solo marciano e detectou uma quantidade de água calculada em aproximadamente 2%. O anúncio foi feito em artigo publicado ainda na quinta-feira (27) pela revista Science.”Um dos mais emocionantes resultados da primeira amostra ingerida pela Curiosity é a alta porcentagem de água no solo. É um grande recurso, e cientificamente interessante”, afirma Laurie Leshin, do Instituto Rensselaer (EUA) e líder do estudo. A análise do laboratório ambulante identificou ainda dióxido de carbono, oxigênio e compostos sulfúricos, entre outros, quando aqueceu a terra coletada.

Um dos instrumentos do robô, chamado de SAM (sigla inglesa para análise de amostra de Marte) inclui um cromatógrafo, um espectrômetro de massa e um espectrômetro a laser,  capazes de identificar diversos compostos químicos e determinar a proporção de isótopos (átomos de um mesmo elemento químico que diferem apenas na quantidade de nêutrons) de elementos-chave nas amostras que recolhe. “Esta é a primeira amostra que analisamos com os instrumentos da Curiosity. É a primeiríssima pá de algo que alimentou o equipamento analítico. Apesar de ser apenas o início da história, nós aprendemos algo substancial”, comemora Laurie.

Os pesquisadores inseriram porções da amostra no instrumento SAM, que aqueceu a terra a 835°C. O equipamento reconheceu a presença de diversos componentes, inclusive compostos contendo cloro e oxigênio, como clorato ou perclorato, que já eram conhecidos em Marte – mas apenas em regiões mais próximas ao polo, e não na zona equatorial do planeta vermelho, onde está a sonda. A análise indica ainda a presença de carbonatos, que se formam na presença de água.​ “Marte tem um tipo de camada global, uma camada de solo da superfície que tem sido misturada e distribuída por frequentes tempestades de areia. Então, uma pá desse material é basicamente uma coleção microscópica de rochas marcianas. Se você misturar muitos grãos dele juntos, provavelmente terá uma imagem precisa da crosta típica marciana”, explicou a cientista.

Segundo a cientista, os resultados implicarão em futuras missões ao “Planeta Vermelho”, inclusive tripuladas. “Nós agora sabemos que deve haver água abundante e de fácil acesso em Marte. Quando mandarmos gente, eles podem retirar um pouco do solo em qualquer lugar da superfície, aquecê-lo um pouco e obter água”, projetou a pesquisadora. Mas apesar da quantidade nada desprezível de água no solo marciano, esse percentual ainda é doze vezes inferior ao do que pode ser considerado um solo rico para o cultivo agrícola aqui na Terra.

16:52 · 12.03.2013 / atualizado às 20:25 · 12.03.2013 por
Robô Curiosity analisou rocha marciana e detectou elementos como enxofre, oxigênio, carbono, fósforo, nitrogênio e hidrogênio, os ingredientes da vida Imagem: Nasa/divulgação
Robô Curiosity analisou rocha marciana e detectou elementos como enxofre, oxigênio, carbono, fósforo, nitrogênio e hidrogênio, os ingredientes da vida Imagem: Nasa/divulgação

Uma análise de uma rocha coletada pelo jipe-robô Curiosity, em Marte, mostrou que o planeta pode ter tido vida microbiana, segundo anúncio feito hoje pela Nasa. Os cientistas identificaram enxofre, nitrogênio, oxigênio, fósforo e carbono -alguns dos ingredientes-chave da vida- no pó retirado pelo robô de uma rocha perto de um antigo rio na cratera Gale.

“Uma pergunta fundamental dessa missão é se Marte pode ter tido um ambiente habitável. Pelo que sabemos agora, a resposta é sim”, afirmou Michael Meyer, cientista-chefe do programa de exploração de Marte no quartel-general da Nasa em Washignton. A região onde o Curiosity fez a perfuração está em uma rede de antigos canais de água descendo da cratéria Gale. O leito tem evidências de múltiplos períodos com água, incluindo veios e nódulos.

“A gama de ingredientes que achamos na amostra é impressionante e sugere pareamentos como sulfatos e sulfitos que indicam uma fonte de energia química para os micro-organismos”, afirmou Paul Mahaffy, da Nasa. Uma outra amostra vai ajudar a confirmar os achados.
Pousado na superfície de Marte desde agosto do ano passado, o jipe Curiosity tem como missão identificar se o planeta já teve condições de vida.

Fonte: Folhapress