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Tag: dinossauros


17:55 · 12.12.2017 / atualizado às 17:55 · 12.12.2017 por
cientistas descobriram, em Myanmar, vários carrapatos aprisionados em diversos pedaços de âmbar (uma espécie de resina fóssil), associados a restos dos grandes répteis Foto: NPR

A partir da descoberta de um fóssil de carrapato preservado em âmbar, um grupo internacional de cientistas mostrou pela primeira vez que esses parasitas já se alimentavam do sangue de dinossauros há quase 100 milhões de anos.

O estudo, publicado nesta terça-feira (12), na revista Nature Communications, também revela uma nova espécie extinta de carrapato, batizada de Deinocroton draculi, em alusão ao vampiro Drácula. Os cientistas descobriram, em Mianmar, vários carrapatos aprisionados em diversos pedaços de âmbar – uma espécie de resina fóssil – datados em 99 milhões de anos.

Um deles estava agarrado a uma pena de dinossauro. Segundo os autores do estudo, raramente são encontrados parasitas associados aos fósseis de seus hospedeiros e a descoberta é a primeira evidência direta da relação entre carrapatos e dinossauros.

Sem ‘Jurassic Park’

Embora o contexto da pesquisa lembre bastante o filme Jurassic Park, os cientistas afirmam que é praticamente impossível reconstruir dinossauros a partir de eventuais restos de DNA desses animais no fóssil de um carrapato do período Cretáceo (145 milhões a 66 milhões de anos atrás).

Na obra ficcional, dirigida por Steven Spielberg em 1993, os cientistas extraem o DNA de dinossauros de fósseis de mosquitos preservados em âmbar e, a partir daí, conseguem clonar os lagartos gigantes e trazê-los de volta à Terra. Os pesquisadores porém, explicam que embora seja comum encontrar fósseis em âmbar, é praticamente inviável extrair dessas amostras DNA em condições de ser utilizado – e o processo de clonagem seria ainda mais difícil. Todas as tentativas feitas até hoje de extrair DNA de espécimes em âmbar foram um fracasso, por causa da curta vida útil dessa molécula.

“Os carrapatos são infames organismos parasitários sugadores de sangue, que têm um impacto tremendo na saúde de humanos, de gado de bichos de estimação e de animais selvagens. Mas até agora estava faltando uma clara evidência do papel desses parasitas no passado remoto”, disse o autor principal do estudo, Enrique Peñalver, do Instituto de Pesquisa de Geologia e Mineração da Espanha.

Penas de dinossauros

Segundo Peñalver, o âmbar do Cretáceo fornece aos cientistas uma janela para o mundo dos dinossauros emplumados. Parte desse grupo de dinossauros mais tarde evoluiria para dar origem às aves modernas. A pena de dinossauro encontrado no âmbar com o carrapato, segundo os cientistas, tem estrutura semelhante à das penas dos pássaros.

Com informações: Estadão Conteúdo

12:07 · 07.11.2017 / atualizado às 12:07 · 07.11.2017 por
Concepção artística de primatas do gênero Purgatorius, que surgiram há cerca de 65 milhões de anos. A ordem, que inclui os humanos, foi a primeira adotar hábitos diurnos, o que deve ter ocorrido há pelo menos 52 milhões de anos Imagem: Yale News

Os primeiros mamíferos eram criaturas noturnas que só emergiram da escuridão após o desaparecimento dos dinossauros, disseram pesquisadores israelenses.

Isso explicaria por que relativamente poucos mamíferos seguem um estilo de vida “diurno” hoje, e por que a maioria destes ainda tem olhos e ouvidos mais adequados para viver à noite.

“A maioria dos mamíferos hoje são noturnos e possuem adaptações para sobreviver em ambientes escuros”, disse o coautor do estudo Roi Maor, da Universidade de Tel Aviv. “Os macacos e os primatas (incluindo os humanos) são os únicos mamíferos diurnos com olhos evoluídos que são semelhantes aos outros animais diurnos, como pássaros ou répteis. Outros mamíferos diurnos não desenvolveram adaptações tão profundas”, acrescentou.

Maor e uma equipe de pesquisadores fornecem evidências que apoiam a teoria de longa data de que dezenas de milhões de anos fugindo dos dinossauros causaram um “gargalo” noturno na evolução dos mamíferos.

Por terem se escondido na escuridão por tanto tempo – possivelmente para evitar disputar comida e território com os dinossauros ou ser comidos por eles -, os mamíferos de hoje não estão no mesmo patamar dos peixes, répteis e pássaros quando se trata de visão diurna. Os mamíferos, exceto os primatas, não possuem uma parte do olho conhecida como fóvea, que muitos peixes, répteis e aves possuem e que está repleta de células “cone” fotorreceptoras para ver cores na luz forte.

Em vez disso, eles tendem a ter mais células em forma de bastão, que podem absorver luz escassa, mas proporcionam uma resolução relativamente baixa.

Os mamíferos modernos que são ativos principalmente de dia – incluindo alguns tipos de esquilo, musaranhos-arborícolas, alguns antílopes e muitos animais carnívoros – também tendem a ter olfato e audição aguçados, atributos necessários para viver no escuro.

Primatas primeiro 

Maor e uma equipe analisaram os estilos de vida de 2.415 espécies de mamíferos vivos e usaram algoritmos de computador para reconstruir o comportamento provável de seus antepassados, chegando até os primeiros mamíferos.

O primeiro antepassado dos mamíferos surgiu entre 220 milhões e 160 milhões de anos atrás, evoluindo a partir de um ancestral réptil, que provavelmente era noturno, de acordo com o estudo publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution.

Os dinossauros, por outro lado, provavelmente eram habitantes diurnos que procuravam a luz solar para aquecer seus corpos, como os répteis fazem hoje.

Os dados revelaram que os mamíferos permaneceram noturnos durante toda a Era Mesozoica, que terminou cerca de 66 milhões de anos atrás, quando uma calamidade maciça, possivelmente uma queda de asteroides, eliminou os dinossauros e cerca de três quartos da vida na Terra.

Os mamíferos, então principalmente animais pequenos e velozes, sobreviveram e prosperaram.

A maioria permaneceu noturna, enquanto alguns abraçaram o dia e outros – incluindo gatos, elefantes e vacas – são hoje um pouco das duas coisas.

Os ancestrais dos primatas estavam entre os primeiros mamíferos a se tornarem estritamente diurnos, há cerca de 52 milhões de anos, descobriram os pesquisadores.

Isso explica por que nossa família de primatas está melhor adaptada ao modo de vida iluminado pelo sol: tivemos mais tempo para evoluir e nos adaptarmos.

O motivo da mudança da noite para o dia não está claro, disse Maor, mas pode ter incluído um “risco reduzido de predação” para os primeiros mamíferos.

Embora o estudo mostre uma forte correlação entre a morte dos dinossauros e o surgimento de mamíferos diurnos, não pode concluir que houve uma relação de causa e efeito.

Com informações: AFP

16:28 · 10.08.2017 / atualizado às 16:28 · 10.08.2017 por
Réplica do Patagotitan mayorum, que pode ter pesado até 70 toneladas, e vivido na Argentina há 100 milhões de anos Foto: France24h

Uma nova espécie de titanossauro descoberta na Patagônia argentina há três anos e talvez o maior dinossauro a caminhar sobre a Terra foi batizada formalmente nesta quarta-feira em Nova York, de Patagotitan mayorum.

O nome pode ser traduzido como “Gigante da Patagônia”, disse o paleontólogo Diego Pol em uma cerimônia no Museu de História Natural americano, onde desde 2016 se exibe uma réplica em tamanho real da criatura colossal, tão enorme que sua cabeça e pescoço se estendem até um saguão.

O nome “mayorum” foi escolhido em reconhecimento à família Mayo, em cujo rancho na Argentina foram encontrados, em 2014, os restos do gigante herbívoro que viveu há 100 milhões de anos.

Estima-se que o jovem adulto chegou a pesar até 70 toneladas, o mesmo que 10 elefantes africanos.

Sua idade sugere que animais ainda maiores podem ter vivido na Patagônia nessa época, disse Pol, do Museu Paleontológico Egidio Feruglio de Trelew, na província argentina de Chubut (sul), que ajudou a dirigir a escavação.

Quando a réplica foi revelada em Nova York, em janeiro de 2016, especialistas disseram que a espécie era uma descoberta recente demais para ter um nome. Após 20 meses de intensa pesquisa e de comparar os ossos com outras descobertas em outros lugares do mundo, os pesquisadores concluíram que efetivamente o dinossauro pertencia a uma nova espécie que merecia um nome próprio.

“Acreditamos que este dinossauro era ligeiramente maior que os outros conhecidos até então”, disse Pol, embora tenha admitido que só há restos fragmentados de algumas espécies e que isso dificulta as estimativas. “Dar um nome científico é o símbolo de conduzir e finalizar um estudo científico no qual aprendemos algo de uma nova espécie”, acrescentou por Skype, na Patagônia.

“As novas espécies são importantes porque nos mostram como eram os animais no passado”, explicou. “Podem oferecer informação para responder perguntas sobre o passado do nosso planeta”. O pesquisador assegurou que “a pergunta de um milhão” é “o que aconteceu há 100 milhões de anos na Patagônia” que permitiu a estes animais “ser aspirantes ao campeonato de pesos pesados dos dinossauros”. No total, 223 ossos fósseis de seis criaturas foram descobertos no local perto do sítio La Flecha, 216 km ao oeste de Trelew. Todos eram adultos jovens. A espécie vivia nas florestas do que hoje é a Patagônia, durante o período Cretáceo Tardio.

Como os fósseis são muito pesados para montá-los, a réplica colossal de 37,2 metros é feita de impressões dos ossos em 3D em fibra de vidro.

Com informações: AFP

20:09 · 24.03.2017 / atualizado às 20:27 · 24.03.2017 por
Ao contrário do que se pensava, o Tyrannosaurus rex (d) e o Triceratops (e) podem pertencer ao mesmo grupo. Já os grandes dinossauros herbívoros com pescoços semelhantes aos de uma  girafa pertenceriam a um grupo diferente Imagem: Scified

Parece não haver quase nada em comum entre dois ícones da série “Jurassic Park”, o Tyrannosaurus rex, monarca dos dinos carnívoros, e o chifrudo quadrúpede Triceratops, equivalente pré-histórico dos rinocerontes e búfalos de hoje.

Um novo estudo, porém, propõe uma ideia que quase poderia ser descrita como herética: ambos os monstros pertenceriam ao mesmo grande subgrupo de dinossauros. A proposta acaba de ser publicada na revista científica britânica “Nature”, uma das mais tradicionais do mundo, e tem provocado fortes emoções (nem todas muito positivas) entre os cientistas que estudam a evolução dos dinos.

Afinal de contas, como fazem questão de ressaltar os autores da hipótese -um trio da Universidade de Cambridge (Reino Unido) encabeçado por Matthew Baron-, ela derrubaria mais de cem anos de consenso científico a respeito do “álbum de família” desses bichos. Segundo esse consenso, que até hoje parecia sólido feito rocha, os dinossauros se dividem em dois grandes grupos.

O primeiro seria o dos saurísquios, englobando o T. rex e os demais bípedes carnívoros, de um lado, conhecidos coletivamente como terópodes (as aves modernas estão nesse balaio); e, de outro, os grandes herbívoros pescoçudos, como os célebres brontossauros, que recebem o nome de sauropodomorfos.

O segundo grande subgrupo corresponderia aos ornitísquios -criaturas como o Triceratops e o bípede herbívoro Iguanodon. Mudar isso “é uma proposta completamente heterodoxa e radical”, resume o paleontólogo Max Cardoso Langer, da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto.

“Todo manual de paleontologia e todo livro sobre dinossauros feito para crianças que você pegar vão começar falando da divisão tradicional em dois grupos, e todas as análises feitas até hoje, por diferentes autores e com diferentes abordagens, deram o mesmo resultado.” Baron e seus colegas David Norman e Paul Barrett, porém, argumentam que muitos desses estudos não analisaram com o devido cuidado as formas mais primitivas dos grandes grupos de dinossauros, em especial os primeiros ornitísquios.

Rodem as máquinas

Para tentar sanar isso, os britânicos decidiram realizar uma grande análise filogenética -ou seja, sobre relações de parentesco evolutivo- envolvendo 74 tipos diferentes de dinossauros, com ênfase nos mais primitivos. Tais análises se baseiam em programas de computador que registram e comparam um grande conjunto de características dos fósseis -no caso do estudo, 457 detalhes do esqueleto. É por meio dessa coleção de semelhanças e diferenças que os cientistas tentam determinar como um grupo de animais vai se diversificando ao longo do tempo, como uma árvore com galhos que estão mais próximos ou mais distantes entre si.

A comparação computacional apontou um conjunto de 21 características que são compartilhadas apenas por terópodes (como o T. rex) e ornitísquios (como o Triceratops). Para os autores do novo estudo, isso seria suficiente para classificá-los como “grupos-irmãos”, que receberiam um novo nome conjunto, o de ornitoscélidos (termo que, na verdade, chegou a ser usado por naturalistas do século 19 até cair em desuso).

Os pescoçudos sauropodomorfos ficariam isolados num grupo à parte, que teria se separado antes do ancestral comum dos outros dois subgrupos. De quebra, a análise indicaria também que os primeiros dinos teriam sido, de fato, bípedes de pequeno porte com dieta onívora e patas da frente capazes de agarrar objetos; e, finalmente, que eles teriam surgido no hemisfério Norte e não na América do Sul, como muita gente defende hoje.

Com informações: Reinaldo José Lopes/Folhapress

21:50 · 11.11.2016 / atualizado às 21:50 · 11.11.2016 por
Concepção artística das novas espécies encontradas no País e que ajudam a entender a evoluação desse grupo animal Imagem: Folha de São Paulo
Concepção artística das novas espécies encontradas no País e que ajudam a entender a evolução desse grupo animal Imagem: Folha de São Paulo

Dois fósseis brasileiros com cerca de 230 milhões de anos, que acabam de ser apresentados oficialmente à comunidade científica, ajudam a entender como os dinossauros surgiram e se diversificaram. Numa palavra: devagarzinho.

É o que se depreende da convivência entre um dos mais antigos dinos conhecidos, o predador Buriolestes schultzi, de apenas 1,5 m de comprimento, e um carnívoro ainda menor, o Ixalerpeton polesinensis (que media 0,5 m). À primeira vista, eles são muito parecidos -um tem cara de ser a miniatura do outro-, mas o bicho menor não era bem um dinossauro. Pertencia a um grupo de répteis bípedes, os lagerpetídeos, derivado do mesmo tronco que também originou os dinos.

“Você vê um momento de experimentação com várias formas diferentes de animais, muitas das quais acabam se extinguindo. É um ‘miolo’ muito complicado”, diz o paleontólogo Max Cardoso Langer, da USP de Ribeirão Preto. Ele coordena o estudo sobre os bichos extintos que está na revista especializada “Current Biology”.

Também assinam a pesquisa Sergio Cabreira, da Universidade Luterana do Brasil, e Alexander Kellner, do Museu Nacional da UFRJ, entre outros.

Esqueletos completos

Os fósseis vêm da pequena São João do Polêsine, cidade com menos de 3.000 habitantes fundada por imigrantes italianos no interior gaúcho, e datam do período Triássico.

Os esqueletos estão bastante completos, o que é uma novidade importante -até hoje, dinos primitivos só tinham sido encontrados lado a lado de seus primos próximos em estado bastante fragmentado.

Além disso, se as análises estiverem corretas, o B. schultzi é o mais primitivo dos sauropodomorfos -que, mais tarde, deram origem aos imensos quadrúpedes pescoçudos e herbívoros conhecidos como brontossauros.

A ironia é que a linhagem desses animais parece ter começado com uma criatura que se alimentava de carne, e não de plantas. “Na verdade, não é uma surpresa, já que vários dinossauros primitivos também eram carnívoros”, pondera Langer.

Alguns detalhes denunciam a diferença. Um deles é o chamado osso pós-frontal, que fica na órbita ocular do crânio do I. polesinensis. “Foi algo difícil de identificar no começo, a gente ficou pensando ‘pô, mas que porcaria é essa?’. Trata-se de um osso que nunca está presente em dinossauros”, conta Langer.

Além disso, embora ambos os bichos fossem bípedes, os ossos da pelve do lagerpetídeo sugerem que ele não tinha uma postura tão ereta quanto a do dino, com patas mais “espalhadas” na lateral ao se movimentar. Como seria de esperar, os dentes do B. schultzi ajudaram os cientistas a estimar qual era sua dieta.

Eles possuem formato recurvado, pontiagudo e achatado lateralmente, além de apresentar dentículos (serrilhas na superfície dentária) pequenos, todos exemplos de adaptação para devorar carne.

Evolução do grupo

Segundo Langer, a situação evolutiva dos primeiros dinossauros e de seus primos “não dinossaurianos” fica menos esquisita se for comparada com a dos primórdios da evolução humana, que é igualmente complexa.

“No caso do homem, a gente tende a olhar as coisas pelo prisma de quem já sabe o suposto final da história, que é o aparecimento do Homo sapiens. O equivalente no caso dos dinossauros é achar que a evolução estava conduzindo os animais mais primitivos para atingir uma meta específica, o que não é verdade, lógico”, explica.

Quando se esquece por um momento o destino de ambos os grupos, fica claro que nunca houve uma sequência do tipo “escadinha evolutiva” levando aos tiranossauros ou ao homem moderno, mas sim algo como arbustos genealógicos, ou seja, inúmeros grupos evoluindo mais ou menos ao mesmo tempo e experimentando estratégias ligeiramente diferentes de sobrevivência. Essa situação embolada só muda com o fim do período Triássico, há 200 milhões de anos, quando os dinos propriamente ditos deslancham de vez como o mais importante grupo de vertebrados terrestres, enquanto muitos de seus parentes somem durante um evento de extinção em massa (talvez ligado a grandes erupções vulcânicas).

Não está claro o porquê de os dinos terem escapado dessa hecatombe para reinar no Jurássico. Algumas possibilidades: sua postura bípede e ereta, que conferia agilidade; presença de “penas rudimentares”, que conservavam o calor do corpo; e uma capacidade de extrair melhor o oxigênio da atmosfera pobre nesse gás do fim do Triássico. É inegável que as extinções em massa foram cruciais para moldar a evolução dos dinos.

Eles surgem depois da maior de todas, a do Permiano, há 250 milhões de anos, tornam-se dominantes após a do Triássico e são esmagados pela grande extinção do Cretáceo, há 65 milhões de anos, após a qual apenas os dinossauros avianos -ou seja, os ancestrais das aves atuais- sobrevivem, analisa Langer.

Com informações: Reinaldo José Lopes/Folhapress

23:15 · 28.07.2016 / atualizado às 23:19 · 28.07.2016 por
Imagem: Deverson Pepi
Concepção artística de um dinossauro que provavelmente tinha penas, o Mirischia assymetrica, tentando capturar a ave Cratoavis cearensis Imagem: Deverson Pepi

Os dinossauros que viveram no Nordeste brasileiro há cerca de 120 milhões de anos provavelmente eram penosos, assim como seus primos da China e da Europa. O resultado vem da primeira análise detalhada de penas fossilizadas da chapada do Araripe, no Ceará, mais importante jazida de criaturas da “Era dos Dinos” no país.

Os fósseis estudados pela equipe do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP) só chegaram às mãos dos pesquisadores após uma apreensão feita pela Polícia Federal (PF) -tudo indica que eles seriam comercializados fora do Brasil, e um deles chegou a ser retocado para ganhar uma aparência mais atraente para colecionadores.

Com isso, não foi possível estabelecer detalhadamente o contexto de sua origem, mas as características das rochas nas quais as antigas penas estão preservadas são suficientes para estimar que elas vêm do Araripe e têm cerca de 120 milhões de anos. Gustavo Prado, Luiz Eduardo Anelli e outros colegas acabam de publicar a análise de três penas fossilizadas na revista científica de acesso livre “PeerJ”.

“É muito provável que essas penas pertencessem a dinossauros não-avianos, embora também exista a possibilidade de que elas pertencessem a aves”, disse Prado. O uso do termo “não-avianos” é indispensável porque o consenso entre paleontólogos e biólogos é que as aves modernas não passam de um subgrupo de dinossauros.

Tipo de penas

Duas das penas estudadas são “plumuláceas”–grosso modo, semelhantes à penugem de filhotes. Sua morfologia mais primitiva fortalece a possibilidade de que elas tenham vindo de dinossauros não-avianos.

O outro exemplar é o que os especialistas chamam de pena “penácea” -mais rígida e comum em aves adultas modernas, embora dinossauros extintos também as tivessem. As três penas têm alguns milímetros.

“Se elas forem proporcionais ao tamanho dos animais, seriam bichos pequenos também”, diz Prado -mais ou menos do tamanho de uma galinha doméstica. Sabe-se que dinos de porte modesto, como o Mirischia assymetrica (com 50 cm de altura) viveram na região.

O principal mistério que ainda ronda as penas fossilizadas da chapada do Araripe é por que cargas d’água elas ainda não foram encontradas junto com o resto dos dinossauros (e aves) que as portavam.

A exceção que comprova a regra é a Cratoavis cearensis, avezinha do tamanho de um beija-flor.  A descrição formal da espécie foi publicada em 2015.

Com informações: Reinaldo José Lopes/Folhapress

18:46 · 14.07.2016 / atualizado às 18:46 · 14.07.2016 por
Foto: Jorge Gonzalez and Pablo Lara/PA
Concepção artística de uma caçada feita por uma dupla de dinossauros ‘Gualichos’, que viveram entre 66 e 100 milhões de anos atrás Imagem: Jorge Gonzalez and Pablo Lara/PA

A descoberta de um carnívoro com seis metros de altura, duas enormes patas traseiras e duas patas dianteiras do tamanho das de uma criança foi feita pelo paleontólogo argentino Sebastián Apesteguia.

O esqueleto de um Gualicho, nome dado pela equipe de paleontólogos, foi encontrado quase intacto. No entanto, o achado está ligado a uma história misteriosa: embora o Gualicho tenha sido descoberto há nove anos, só há três anos foi possível estudá-lo – os ossos desapareceram logo após o novo governo regional ter impedido a continuidade do projeto de escavação. À época, em 2007, o esqueleto foi protegido com gesso.

Soube-se depois que funcionários do Museu Patagônico de Ciências Naturais de General Roca extraíram o esqueleto, fato que a equipe de Apesteguía só veio a saber em 2011.

Em 2012, o paleontologista conseguiu fazer fotografias e apenas no outro ano, a equipe pode estudar a fundo os achados, que, creem, lançarão uma nova luz sobre o que era a vida no planeta há 90 milhões de anos. O Gualicho, que viveu no Cretáceo Superior (entre 100,5 milhões e 66 milhões de anos atrás), pertencia a uma espécie desconhecida até agora na América do Sul, sendo muito parecido com uma espécie encontrada em África, continentes que estavam unidas nessa altura.

Com informações: Agência Brasil

22:38 · 25.04.2016 / atualizado às 22:53 · 25.04.2016 por
Imagem: Obvious
Segundo pesquisa britânica, diversidade de espécies de dinossauros já vinha sendo reduzida 40 milhões de anos antes do impacto de um asteroide, de cerca de 10 km de diâmetro contra a Terra Imagem: Obvious

Existe razoável consenso entre os cientistas de que foi o impacto de um asteroide que levou à extinção dos dinossauros há quase 66 milhões de anos atrás.

Há menos consenso sobre a possibilidade destes grandes animais já estarem em declínio quando o corpo celeste chegou para terminar o serviço. Pesquisadores do Reino Unido mostraram que os dinossauros de fato já estavam em declínio cerca de 40 milhões de anos antes do letal impacto na cratera Chicxulub, no México.

O estudo publicado na revista científica “PNAS” seria o primeiro a modelar a dinâmica evolucionária entre dinossauros – isto é, a relação entre a extinção de espécies e o processo de produção de outras novas, a “especiação”. O ritmo de extinção superou o de especiação 40 milhões de anos antes do impacto do meteoro.

Existe, ainda a dificuldade ligada aos diferentes ritmos de evolução entre os três principais grupos de dinos – os clados Ornithischia, Sauropodomorpha e Theropoda. Há uma grande diversidade entre esses animais. Por exemplo, os bípedes carnívoros terópodas, ou os mega-herbívoros e quadrúpedes saurópodas.

Os autores admitem que não é possível identificar uma causa para o declínio dos animais. Pode ser uma combinação delas. A separação dos continentes limitaria a movimentação e consequentemente a possibilidade de especiação.

Entre outros eventos deletérios, estão episódios frequentes de vulcanismo, mudança climática, flutuação do nível dos oceanos ou a interação ecológica com outros animais, como mamíferos primitivos.

Sobrevivência das aves

Águias, gaviões, flamingos, sabiás, andorinhas, periquitos; a enorme variedade de espécies de aves hoje existentes tornou-se possível porque os ancestrais delas conseguiram sobreviver comendo sementes depois de um evento catastrófico de extinção, 66 milhões de anos atrás, indica um estudo publicado na revista “Current Biology”.

Aves são os únicos dinossauros que sobreviveram ao letal meteoro que criou a cratera de Chicxulub na península de Iucatã, México. Apesar do nome “dinossauro” ter sido criado a partir do grego, significando algo como “lagarto terrível”, ou melhor, “assustadoramente grande lagarto”, os dinos não eram lagartos. Eles eram bem diversificados, e incluíam um grupo de animais emplumados, os ancestrais das aves modernas.

Segundo os autores do estudo liderado pelo paleontólogo canadense Derek Larson, logo depois do impacto do meteoro
que marca o fim do período geológico Cretáceo, as cadeias alimentares terrestres que contavam com a fotossíntese das plantas teriam entrado em colapso. Sem plantas, não sobrevivem os herbívoros que as comem; sem herbívoros, não há comida para os carnívoros. Os dinossauros aviários incluíam carnívoros com dentes nos bicos, que terminaram extintos também por conta da massiva mudança ecológica. Já seus colegas sem dentes foram capazes de sobreviver comendo sementes.

O estudo de Larson incluiu a análise de 3.104 dentes de dinossauros do clado chamada Maniraptora, que inclui tanto as aves como outros dinos não aviários. Os dentes pertencem a animais que viveram nos últimos 18 milhões de anos do Cretáceo.

Os cientistas concluíram que a extinção dos Maniraptora com dentes e a sobrevivência dos outros dinossauros aviários (ancestrais mais diretos das aves modernas) foi obra da capacidade destes de utilizar melhor a única comida abundante disponível, sementes.

Obstáculos contra a extinção

Sobreviver ao impacto do meteoro não foi fácil. Houve um grande pulso inicial de calor, literalmente cozinhando muitos animais e plantas, além de incêndios posteriores; chuva ácida, escuridão e inverno causado pelo bloqueio da luz solar ajudaram a extinguir ainda mais espécies.

Mas os pássaros comedores de sementes resistiram. Hoje se sabe que sementes em florestas temperadas modernas podem permanecer viáveis por mais de 50 anos. E em casos de incêndios em habitats, os pássaros “granívoros” – comedores de sementes – estão entre os primeiros a reocupar o local.

Os mais de três mil dentes foram analisados em busca de padrões de diversidade. Se a variação ao longo do tempo diminuísse seria um sinal de que a perda de diversidade indicaria que o ecossistema estava em declínio. Mas se os dentes permanecessem diferentes durante o período seria a indicação de que o ecossistema esteve estável durante milhões de anos.

Ou seja, os dinossauros aviários com dentes estavam vivendo bem até receberem o abrupto golpe do meteoro. Os pesquisadores também estudaram pássaros atuais para ajudar e entender seu passado comum. E concluíram que o ancestral comum de todos – mesmo aqueles cuja dieta é de carne, insetos ou plantas – era um discreto comedor de sementes com um bico desdentado.

Fonte: Ricardo Bonalume Neto/Folhapress

17:23 · 14.05.2015 / atualizado às 17:25 · 14.05.2015 por
Foto: Reuters
Concepção artística mostrando como deveria se parecer o dinossauro Yi qi. Cientistas ainda especulam se o animal voava de fato ou se apenas planava, tal como os esquilos-voadores Foto: Reuters

Imagine um universo paralelo no qual as aves, em vez de usarem um conjunto especial de penas para voar, acabaram desenvolvendo asas como as dos morcegos, feitas com membranas de pele.

Pois algo muito parecido com isso aconteceu de verdade com um pequeno dinossauro chinês, segundo um novo estudo. E não foi propriamente por falta de penas que ele ficou desse jeito. O fóssil do Yi qi, ou “asa estranha”, em chinês, mostra que o animal era penoso, mas suas plumas estavam mais para filamentos meio rígidos do que para as estruturas delicadamente assimétricas que ajudam a sustentar o voo das aves modernas.

A característica mais surpreendente do animal, porém, é a presença de um par de ossos alongados, os quais se projetam a partir dos pulsos e parecem estar ligados a uma membrana. É algo parecido com o que se vê nos tornozelos de vários morcegos e nos pulsos de pterossauros (répteis voadores extintos) e mamíferos atuais que sabem planar, como esquilos-voadores.

“Sem dúvida é uma das descobertas mais fantásticas dos últimos anos”, diz Taissa Rodrigues, paleontóloga da Universidade Federal do Espírito Santo que trabalha com pterossauros e comentou o estudo a pedido da Folha. A descrição do Yi qi está em artigo na revista científica “Nature”, assinada por um dos principais especialistas em dinossauros da China, Xing Xu, da Universidade Linyi.

Os trabalhos de Xu e seus colegas ajudaram a mostrar de uma vez por todas que as mais antigas aves não passam de pequenos terópodes (dinossauros carnívoros) que colonizaram os ares.

Anterior à primeira ave

A nova espécie, de 160 milhões de anos e apenas 400 gramas, tem parentesco evolutivo próximo com o grupo dos penosos de hoje, sendo inclusive um pouco mais antiga que o Archaeopteryx, tradicionalmente considerado a primeira ave.

Outros terópodes da China chegaram a realizar experimentos evolutivos com formas malucas de voar ou planar -um deles chegou a ter “quatro asas”, com penas associadas ao voo em todas as patas-, mas nenhum chega perto da esquisitice do Yi qi.

Voo incerto

Essa é a dúvida que ainda atormenta os paleontólogos, que não sabem qual era o formato exato da membrana do bicho. Por um lado, as estruturas compridas “são bem mais desenvolvidos do que o pteroide, o osso alongado do pulso dos pterossauros”, afirma Taissa.

Por outro lado, uma análise das espécies atuais indica que elas são mais parecidas com os ossos de sustentação dos esquilos-voadores, que planam bastante bem, mas não conseguem bater asas e manter um voo sustentado. Um segundo ponto importante é que, quando olhadas em seu conjunto, as patas da frente do bicho não parecem possuir superfícies adaptadas a receber os músculos poderosos que todo animal capaz de bater asas possui.

Segundo a paleontóloga brasileira, seria interessante achar um novo espécime com o pulso mais bem preservado, o que demonstraria a posição exata do novo osso. Falta também descobrir a parte inferior do corpo do bicho (da barriga para baixo), que não ficou preservada no fóssil descrito na “Nature”.

Com informações: Folhapress

23:08 · 23.03.2015 / atualizado às 23:15 · 23.03.2015 por
Foto: Blog Vermelho
Cada um dos dois asteroides deve ter diâmetro de mais de 10 km e seus impactos devem ter causado a extinção de muitas espécies do planeta”, disse o principal autor do estudo, Andrew Glikson, do departamento de Arqueologia e Antropologia da Australian National University Foto: Portal Vermelho

Cientistas acreditam ter descoberto no centro da Austrália os rastros de crateras que juntas somam 400 km de diâmetro, as maiores já registradas, abandonados pelo impacto de um asteroide enorme centenas de milhões de anos atrás.

Segundo os pesquisadores, a descoberta de um antigo impacto tão violento pode levar a novas teorias sobre a história da Terra. Estas crateras foram apagadas da face do planeta há muito tempo. Elas estão nas profundezas da crosta terrestre, e que deixou duas “cicatrizes”, descobertos por estes geofísicos australianos, cujo trabalho foi publicado nesta segunda-feira (23) no jornal científico europeu Tectonophysics.

Eles explicam que o asteroide quebrou em duas partes pouco antes de cair no chão. Cada um dos dois asteroides deve ter diâmetro de mais de 10 km e seus impactos devem ter causado a extinção de muitas espécies do planeta”, disse o principal autor do estudo, Andrew Glikson, do departamento de Arqueologia e Antropologia da Australian National University (ANU).

Mistério

A zona do impacto foi encontrada quando os cientistas realizavam a perfuração de mais de dois quilômetros de profundidade para a pesquisa geotérmica em uma região de fronteira entre o sul da Austrália, Queensland e os territórios do norte.

“Grandes áreas de impacto como esta podem ter tido um papel muito mais importante na evolução da Terra do que pensávamos”, disse Andrew Glikson. A data exata do evento é incerta, segundo os cientistas, que explicaram que as rochas ao redor das crateras datam de 300 a 600 milhões de anos.

No entanto, não há nenhuma indicação do impacto geológico, ao contrário do que foi observado, por exemplo, para o asteroide que atingiu o Golfo do México há 66 milhões de anos. Este último impacto parece ter causado a extinção dos dinossauros e muitas outras espécies animais. Ao bater no chão, este asteroide de mais de 10km de diâmetro enviou uma enorme nuvem de cinzas e poeira na atmosfera.

No entanto, nada disso foi encontrado nos sedimentos que datam de 300 milhões de anos, o que corresponderia ao duplo impacto de asteroides gigantes na Austrália, ressalta Andrew Glikson.

“É um mistério, porque não podemos encontrar uma extinção de animais correspondente a esta dupla colisão. Isto sugere que o impacto pode ser mais antigo”, conclui.

Com informações: AFP