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Tag: DNA


17:54 · 16.11.2017 / atualizado às 17:55 · 16.11.2017 por
Pequena comunidade cristã tradicional, que vive nos Estados Unidos, rejeita qualquer tipo de avanço tecnológico Foto: NewsApi

Um grupo de cientistas descobriu uma mutação genética na comunidade Amish dos Estados Unidos, que explica porque alguns de seus membros vivem dez anos mais que a média, segundo um estudo publicado no jornal Science Advances.

Trata-se da última descoberta no estudo sobre a forma de envelhecer desta pequena comunidade cristã tradicional, que rejeita qualquer tipo de avanço tecnológico. Especialistas norte-americanos e japoneses estão testando um medicamento experimental que tenta recriar o efeito da mutação dos Amish, com a esperança de que proteja de doenças vinculadas ao envelhecimento e estimule a longevidade. “Não só vivem mais, vivem mais saudáveis”, explica Douglas Vaughan, presidente da Faculdade de Medicina Feinberg da Universidade Northwestern, autor principal da pesquisa. “É uma forma desejável de longevidade”, destacou.

Os cientistas estudaram 177 membros de 18 a 85 anos da comunidade Berne Amish de Indiana.

Deles, 43 eram portadores da mutação do gene Serpine1 – que provoca uma forte redução da produção da proteína PAI-1 -, estavam em melhor estado de saúde e viviam, em média, dez anos mais (cerca de 85) que o restante de membros Amish que não têm esta variação genética. A expectativa de vida nos Estados Unidos é de 78,8 anos.

Características no DNA

Seu perfil metabólico também era mais sadio e eles sofriam menos de diabetes e doenças cardiovasculares, segundo o estudo.

Os especialistas descobriram, por outro lado, que os telômeros de suas células imunológicas eram em média 10% mais longos. O telômero é um pedaço de DNA situado no extremo de cada cromossomo que o protege e que fica pequeno cada vez que ocorre uma divisão celular, o que contribui para o envelhecimento.

O remédio experimental superou os testes de segurança básicas e agora está em fase 2 no Japão para comprovação de sua eficácia em pessoas obesas com diabetes tipo 2.

A Universidade Northwestern tenta alcançar a permissão para iniciar os testes nos Estados Unidos no ano que vem.

Com informações: AFP

18:54 · 22.10.2014 / atualizado às 19:08 · 22.10.2014 por
Imagem: AVPH
Fêmur encontrado na Sibéria (Rússia) pertenceu a um homem que morreu há 45 mil anos Imagem: AVPH

Cientistas anunciaram nesta quarta-feira (22) ter decifrado o mais antigo DNA já recuperado do osso de um “Homo sapiens”, um feito que lança luz sobre a colonização dos humanos modernos no planeta.

O fêmur encontrado por acaso nas margens de um rio do oeste da Sibéria (Rússia) em 2008 pertenceu a um homem que morreu cerca de 45.000 anos atrás, afirmaram. Obtido a partir do colágeno contido no osso, o genoma contém rastros de neandertais: uma espécie próxima da nossa que viveu na Eurásia juntamente com o “Homo sapiens”, antes de desaparecer misteriosamente.

Estudos anteriores revelaram que “Homo sapiens” e Neandertais se miscigenaram e, como resultado, estes últimos teriam deixando uma pequena marca de apenas 2% nos humanos atuais, exceto os africanos. A descoberta tem impacto no chamado cenário “Fora da África”: a teoria segundo a qual o “Homo sapiens” evoluiu no leste da África há cerca de 200 mil anos e, então, se aventurou fora do continente.

Datar quando os Neandertais e os “Homo sapiens” se miscigenaram também indicaria quando o “Homo sapiens” iniciou uma etapa chave desta jornada, a saída da Eurásia rumo ao sul e ao sudeste da Ásia. O novo estudo, publicado na revista britânica Nature, foi chefiado por Svante Paabo, um geneticista renomado do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva em Leipzig, Alemanha, pioneiro nas pesquisas sobre os neandertais.

Cruzamento com neandertais

O osso encontrado no rio Irtyush, perto do assentamento de Ust’-Ishim, contém uma quantidade sutilmente maior de DNA neandertal do que os não africanos da atualidade, afirmaram os cientistas.

Mas assume a forma de tiras relativamente longas, enquanto o DNA neandertal no nosso genoma, hoje, foi retalhado e disperso em seções minúsculas, como consequência da reprodução ao longo das gerações.

Estas diferenças fornecem uma pista para um “calendário molecular” ou datação do DNA, segundo mutações ao longo de milhares de anos. Usando este método, a equipe de Paabo estima que a miscigenação entre os neandertais e os “Homo sapiens” tenha acontecido entre 7.000 e 13.000 anos antes de quando o indivíduo siberiano viveu, portanto, não mais de 60.000 anos atrás.

Isto fornece um esboço de datação para estimar quando os “Homo sapiens” partiram rumo ao Sul da Ásia, destacou em um comentário do estudo Chris Stringer, professor do Museu Britânico de História Natural. Se os australasiáticos atuais têm DNA neandertal, isto se deve a que seus antepassados atravessaram um território ocupado por Neandertais e se misturaram com os locais.

“Os ancestrais dos australasiáticos, com ‘input’ similar de DNA neandertal ao dos eurasiáticos, devem ter participado de uma dispersão tardia, e não precoce, no território neandertal”, afirmou Stringer. “Embora ainda seja possível que os humanos modernos tenham atravessado o sul da Ásia antes de 60.000 anos atrás, estes grupos podem não ter dado uma contribuição significativa às populações modernas remanescentes”, prosseguiu.

Antropólogos sugerem que um ramo de Eurasiáticos do norte fez a travessia para onde hoje fica o Alasca mais de 15.000 anos atrás, através de uma “ponte de gelo”, que conectava as ilhas d Estreito de Bering, habilitando o “Homo sapiens” a colonizar as Américas.

Com informações: AFP

23:03 · 12.09.2014 / atualizado às 23:13 · 12.09.2014 por
Foto: Adelaide Zoo
Sequência de DNA do gibão-de-bochechas-brancas-do-norte (Nomascus leucogenys) e de outras seis espécies de gibão ajudam a explicar como esses parentes do homem se adaptaram à vida nas árvores melhor que outros membros da superfamília Hominoidea Foto: Adelaide Zoo

Asia, uma fêmea de gibão de bochechas brancas que mora em um zoológico da Virgínia (Estados Unidos), é a primeira desses primatas de braços longos a ter seu genoma decodificado.

A sequência de seu DNA, e as de sete outros gibões – um total de seis espécies diferentes – ajuda a explicar como esses primatas se adaptaram à vida nas árvores. Elas também podem explicar por que gibões são tão diversos se comparados aos grandes primatas – humanos, chimpanzés, gorilas e orangotangos.

Gibões são reconhecidos por sua destreza em densas coberturas de árvores, atravessando até 15 metros em um único balanço a velocidades de mais de 55 quilômetros por hora. O grupo abarca quatro gêneros e 19 espécies, todas vivendo nas florestas da Ásia tropical, do gibão-prateado (Hylobates moloch) na Indonésia, ao gibão-hoolock-ocidental (Hoolock hoolock) na Índia e têm em média 96% de genes idênticos aos dos seres humanos.

Geneticistas são fascinados pelos gibões porque eles foram os primeiros primatas a se separar do ancestral comum que compartilham tanto com humanos quanto com macacos, há pouco mais de 16 milhões de anos. E gibões têm cromossomos peculiares. Quando comparados a outros primatas, seus genomas têm muito mais rearranjos cromossômicos, como duplicações, deleções ou inversões de grandes trechos de DNA, que podem afetar o funcionamento dos genes.

“Rearranjos cromossômicos são como terremotos: um evento que modifica completamente a paisagem, e você pode ver essa modificação após uma geração”, compara Lucia Carbone, geneticista evolutiva da Oregon Health and Science University em Portland, que conduziu o trabalho com o genoma dos gibões. “Encontramos muitos terremotos no genoma desses animais”, disse a pesquisadora.

Gene saltador

Os autores atribuem a explosão na diversidade do gibão a um tipo de gene saltador – um trecho de DNA que pode mudar sua posição no genoma.

Os pesquisadores sugerem que esse trecho de DNA tenha aterrissado perto de genes envolvidos na replicação cromossômica, tornando o genoma mais propício a rearranjos. Rearranjos cromossômicos podem evitar o acasalamento de dois indivíduos, e assim acelerar a especiação.

A equipe também descobriu que quatro gêneros diferentes de gibões parecem ter evoluído simultaneamente entre quatro e cinco milhões de anos atrás, quando níveis oscilantes dos oceanos começaram a dividir as florestas do Sudeste Asiático, criando barreiras geográficas que teriam restringido o contato entre grupos.

Com informações: Revista Nature / Scientific American Brasil

16:54 · 27.12.2013 / atualizado às 17:11 · 27.12.2013 por
Reconstrução artística do Arqueoptérix, grupo de animais pré-históricos tido por muitos paleontólogos como as primeiras aves verdadeiras, em que pese compartilhar muitas características com dinossauros emplumados que habitavam a Terra há cerca de 150 milhões de anos  Foto: Trex Feathers
Reconstrução artística do Arqueoptérix, grupo de animais pré-históricos tido por muitos paleontólogos como as primeiras aves verdadeiras, em que pese compartilhar muitas características com dinossauros emplumados que habitavam a Terra há cerca de 150 milhões de anos Foto: Trex Feathers

Um bioquímico britânico supõe que as propriedades genéticas das aves contemporâneas poderiam ser a chave para a volta dos dinossauros, que foram extintos há 65 milhões de anos.

Alison Woollard, da Universidade de Oxford, acredita que seria possível reconstruir o genoma de dinossauros alterado o DNA das aves. “Nós sabemos que as aves são descendentes diretas dos dinossauros, de acordo com o que foi demonstrado por uma série de achados fósseis compreendendo evolução da linhagem de criaturas como Velociraptor e Tyrannosaurus rex para as aves voadoras de hoje”, disse.

De acordo com o pesquisador, no filme “Jurassic Park” cientistas extraíram DNA de mosquitos preservados em âmbar durante milhões de anos, contudo, como essa abordagem é impossível na realidade, porque o DNA não pode sobreviver mais de 6,3 milhões de anos, ele sugere “inverter a evolução”. A solução seria alterar os genes para orientar o nascimento de descendentes de aves rumo ao desenvolvimento gradual das características dos dinossauros.

Já para criaturas que existiram até  6,3 milhões de anos, podem ser usadas tecnologias de clonagem. Nesse sentido, o cientista citou o exemplo dos mamutes. Recentemente foram recuperados vários corpos de mamutes em bom estado de conservação no permafrost siberiano (na Rússia), o que tem incentivado cientistas sul-coreanos e russos a planejar um mecanismo que permita utilizar esses restos animais para a clonagem.

Com informações: Portal Terra

22:19 · 21.11.2013 / atualizado às 22:28 · 21.11.2013 por
Fóssil de menino com idade entre 3 e 4 anos, encontrado na Sibéria ajudou na formulação da hipótese Foto: Kelly Graf / Nature
Fóssil de menino com idade entre 3 e 4 anos, encontrado na Sibéria ajudou na formulação da hipótese Foto: Kelly Graf / Nature

O DNA de um menino da Sibéria, que morreu aos três ou quatro anos de idade, na fase mais severa da Era do Gelo, pode ser uma das pistas mais importantes para entender como o ser humano colonizou as Américas.

Segundo os cientistas que “leram” seu genoma, o garoto tem semelhanças genéticas tanto com europeus quanto com os indígenas atuais. E a recíproca é verdadeira. Os pesquisadores calculam que a antiga população à qual o menino pertencia seria responsável por algo entre 15% e 40% da herança genética dos índios.

Esse povo misterioso teria se misturado a outro, oriundo do leste da Ásia, para dar origem aos habitantes do continente americano. Há décadas alguns antropólogos argumentam que o povoamento da América pode ter envolvido dois grupos geneticamente distintos. Uma das vozes mais importantes desse grupo é o brasileiro Walter Neves, do Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos da USP.

O principal indício desse fato é a variedade no formato dos crânios dos mais antigos americanos, os paleoíndios -o exemplo mais famoso é “Luzia”, fóssil achado em Minas Gerais, com mais de 11 mil anos.

Segunda leva

Neves e seus colaboradores afirmam que o crânio de Luzia e de outros paleoíndios lembra mais o de aborígines australianos, melanésios e africanos do que o da maioria dos índios atuais, normalmente comparados a grupos do nordeste da Ásia.

A ideia é que a maioria dos ancestrais dos índios modernos teria integrado uma segunda leva migratória, que teria exterminado os paleoíndios ou se misturado a eles. “Nossos achados não apoiam diretamente o trabalho dos brasileiros”, disse Eske Willerslev, biólogo do Museu de História Natural da Dinamarca que coordenou o estudo, publicado na “Nature”.

“Parte do material genético da criança tem afinidades com grupos do sul da Ásia [região de origem dos paleoíndios, segundo Neves]. Então o artigo se alinha parcialmente à ideia deles.” Neves reagiu com cautela e ironia aos achados. “Eu podia estar comemorando, dizendo ‘olha, finalmente alguém fala de herança dual’. Mas vai depender da estabilidade dos trabalhos deles. Se os achados desse tipo continuarem, vou poder dizer que estive certo por 25 anos.”

Com informações: Folhapress

22:28 · 27.03.2013 / atualizado às 01:45 · 28.03.2013 por

Um conjunto de 13 artigos assinados por pesquisadores de mais de 160 grupos espalhados pelo mundo apresenta uma análise em larga escala de alterações genéticas ligadas ao câncer.

O resultado é a descoberta de mais de 70 novas alterações em regiões do genoma cuja presença indica uma probabilidade maior de desenvolver tumores de próstata, mama e ovário.

Além de ajudar a desvendar como essas “trocas de letras” do DNA contribuem para o aparecimento da doença, o objetivo do trabalho é mudar a forma como o câncer é rastreado na população, personalizando a indicação de exames que procuram sinais precoces da doença, como mamografias.

Hoje já se sabe que 30% dos cânceres têm um componente hereditário. Quando os médicos suspeitam, pelo histórico familiar, por exemplo, que uma pessoa carrega uma predisposição ao câncer, é possível realizar testes genéticos para confirmar isso e tomar precauções.

Exames

Já há no mercado, na rede privada e em centros de pesquisa também de instituições públicas, testes que procuram no genoma dos pacientes essas alterações nas “letras químicas” que indicam doenças. No entanto, eles só buscam um pequeno número de mudanças bem conhecidas e associadas ao risco.

Entre elas estão as alterações nos genes BRCA1 e BRCA2, fortemente ligadas a câncer de mama e ovários. Segundo José Cláudio Casali, oncogeneticista do Hospital Erasto Gaertner e professor da PUC do Paraná, em 70% dos casos de câncer de mama em que há suspeita de componente hereditário não se consegue achar a mutação associada.

O conhecimento de mais indicadores deve reduzir essa incerteza. Com um resultado em mãos, o paciente pode tomar precauções. “Não é porque está escrito no DNA que o câncer está no seu destino”, diz Casali. Entre as possíveis providências estão o uso de remédios para prevenir um tumor, cirurgias, como a retirada de ovários ou mama, o aumento de frequência de exames de detecção precoce e mudanças no estilo de vida.

“Hoje já está estabelecido o conceito de tratamento personalizado para o câncer, mas fala-se pouco em prevenção personalizada”, completa Casali. As alterações genéticas mais procuradas nos testes disponíveis hoje na rede privada de saúde são raras. O que os pesquisadores estavam procurando eram trocas de letras mais comuns na população. Isoladamente, cada uma indica um risco só um pouco aumentado.

Em conjunto, segundo uma das pesquisas, assinada por Douglas Easton, da Universidade de Cambridge, e colegas, as alterações colocam 1% das mulheres com um risco até quatro vezes maior de ter câncer de mama do que a população em geral. Em um futuro próximo, essas informações podem melhorar a programação de mamografias e exames de próstata periódicos, por exemplo, de acordo com o perfil de risco de cada um.

“Mesmo com o rastreamento, hoje você pode, por um lado, deixar casos passarem e, por outro, fazer exames em excesso”, afirmou Vilma Regina Martins, diretora do Centro Internacional de Pesquisa do Hospital A.C. Camargo.

23:49 · 10.03.2013 / atualizado às 03:09 · 11.03.2013 por
Equipe russa que conseguiu perfurar o lago congelado Vostok em 2012 e que agora obtém os primeiros resultados da análise do DNA das bactérias encontradas a 3,7 km de profundidade na água abaixo do gelo Imagem: EFE
Equipe russa que conseguiu perfurar o lago congelado Vostok (Antártida) em 2012 e que agora obtém os primeiros resultados da análise do DNA das bactérias encontradas a 3,7 km de profundidade na água abaixo do gelo Imagem: EFE/Arquivo

Quase um ano depois do anúncio da Rússia de que teria encontrado traços de DNA bacteriano, ao perfurar o lago congelado Vostok, na Antártida, as autoridades científicas daquele país fazem uma revelação ainda mais surpreendente: as espécies encontradas eram desconhecidas da ciência.

As velhas “novas” formas de vida estão isoladas do restante do mundo há pelo menos 14 milhões de anos no lago subglacial, abaixo da cobertura de gelo. Foi necessária mais de uma década de perfuração intermitente, para que a Rússia atravessasse a crosta congelada da Antártida e recolhesse amostras de sua água.

Os cientistas russos dizem que a escuridão gelada do lago Vostok , sob cerca de 3,7 mil metros de gelo, pode revelar como era o planeta antes da Era do Gelo e dar pistas sobre a vida em outros planetas. “Após excluir todos os contaminantes conhecidos, foi achado DNA bacteriano que não bate com o de nenhuma espécie conhecida nas bases de dados mundiais. Se (essas bactérias) tivessem sido achadas em Marte, então sem dúvida teríamos dito que há vida em Marte – mas este é o DNA da Terra”, disse Sergei Bulat, do Instituto de Física Nuclear de São Petersburgo.

A descoberta russa veio com a análise da água que congelou na ponta da perfuratriz usada para alcançar o Vostok – maior de uma rede de centenas de lagos sob a camada de gelo que funciona como um cobertor, retendo a energia geotérmica. Por causa da tecnologia usada para evitar contaminações do lago, a Rússia só obterá amostras de água pura, sem contaminação pelo fluido de perfuração, dentro de alguns meses. Para que o querosene e o líquido anticongelante usados na perfuração não escorressem para o lago, os engenheiros russos retiraram a sonda de modo a permitir que a água se infiltre pelo terreno para cima, até o buraco, congelando-se por lá. Meses depois, os técnicos voltam para recolher essa amostra.

Mas Bulat disse que micróbios desconhecidos foram encontrados após a retirada de bactérias sabidamente existentes no fluido de perfuração. “Quando tentamos identificar o DNA, ele não coincidia com o de nenhuma espécie conhecida. Seu grau de similaridade era inferior a 86%. Isso é praticamente zero ao trabalhar com DNA. Um nível de 90% nos diz que o organismo é desconhecido.”

Uma nova amostra, recolhida ainda mais profundamente, foi retirada em fevereiro e chegará de barco a São Petersburgo em maio. “Se voltarmos a identificar o mesmo grupo de organismos naquela amostra de água pura, então podemos dizer com confiança que encontramos nova vida na Terra”, afirmou Bulat.

Estados Unidos e Reino Unido também querem achar vida extrema na Antártida 

Cientistas dos Estados Unidos e Reino Unido também participam da corrida para tentar descobrir vida nos ambientes mais extremos da Terra. Neste ano, uma expedição estadunidense disse ter encontrado microscópicas células vivas em amostras recolhidas de outro lago subglacial, o menos profundo Whillans. Novos estudos ainda estão sendo feitos para determinar que bactérias são essas e como elas vivem.

Uma iniciativa britânica para alcançar um terceiro lago, o Ellsworth, foi cancelada em dezembro, por problemas na perfuração. A vida nas profundezas geladas pode revelar se é possível haver vida nas condições extremas de Marte ou de Europa, uma lua de Júpiter. Vale lembrar que a região do Vostok registrou a menor temperatura recente na Terra: -89,2ºC, similar às condições climáticas desses astros.

Com informações: Reuters

01:48 · 22.04.2012 / atualizado às 02:04 · 22.04.2012 por
Mudança de açúcares de um DNA criou um código genético artificial apelidado de XNA e que pode ajudar a curar doenças na Terra ou encontrar vida fora dela Imagem: Open Four

Essa é para encher de orgulho qualquer brasileiro. O bioquímico Vítor Pinheiro, de 34 anos, é o autor de uma técnica revolucionária que desenvolveu os primeiros DNAs artificiais, denominados de XNAs.

Na natureza o DNA (ácido desoxirribonucléico) e o seu parente químico, o RNA (ácido ribonucléico), estão por trás da transmissão de informações genéticas e a ausência ou a presença dessas moléculas gigantes (também chamadas de polímeros) era praticamente usada para diferenciar os seres vivos de todos os outros elementos, substâncias e materiais.

Mas com o êxito da pesquisa que o paulistano realizou em parceria com cientistas da Universidade Cambridge, no Reino Unido, uma nova fronteira está sendo aberta tanto na busca pela cura de doenças como também na astrobiologia, a pesquisa sobre formas de vida extraterrestre.  Até o momento a equipe conseguiu criar seis tipos diferentes de “XNA” e aptâmeros (pequenas moléculas capazes de se ligar e bloquear outras) a partir deles.

O feito da técnica anglo-brasileira incluiu não só a construção química do XNA, mas também que o composto artificial conseguisse transferir informação para um DNA tradicional, de modo similar ao que o RNA de vírus faz quando invade o código genético de seu hospedeiro.  “Até agora, parecia que apenas DNA e RNA podiam guardar informação genética. Se a gente mostra que outro tipo de polímero é capaz de fazer isso, o DNA e o RNA deixam de ser especiais”, explica Pinheiro.

Consequências para Medicina e Astrobiologia

Uma das maiores consequências da descoberta é ampliar as possibilidades de descoberta de vida extraterrestre ou mesmo de formas de vida exóticas em nosso próprio planeta, já que a técnica mostra que outros tipos de compostos químicos podem se reproduzir.  Outra grande consequência é a possibilidade de se criar medicamentos mais eficazes e que apresentem menos rejeição do organismo.

Para conseguir essa proeza, Pinheiro e seus colegas, trocaram a molécula de açúcar de uma DNA tradicional, que possuem cinco átomos de carbono e substituiu por moléculas diferentes compostas por quatro, cinco ou seus átomos de carbono. DNAs, RNAs e XNAs são formados por três tipos de submoléculas: açúcares, fosfatos e bases nitrogenadas.

A outra engenharia do processo foi descobrir polimerases nos DNAs que pudessem se comunicar com os XNAs e com isso estava completo o ciclo de criação dos novos compostos genéticos artificiais. O estudo será publicado na tradicional revista científica Science.

16:39 · 09.03.2012 / atualizado às 03:04 · 10.03.2012 por
Humanos têm 15% de genes mais parecidos com os dos gorilas que com os dos chimpanzés revela sequenciamento genético Imagem: The Prancing Papio

Os cientistas já sabiam que os gorilas só estavam mais afastados de nós na árvore  genealógica dos primatas que os chimpanzés e os bonobos (que na prática é outra espécie de chimpanzé), mas pesquisadores do Wellcome Trust Sanger Institute, no Reino Unido, descobriram essa semana que a proximidade entre nós e os maiores primatas vivos é ainda maior.

Na verdade, pelo menos 15% dos nossos genes parecem mais com os dos gorilas que com os dos chimpanzés, embora nos demais genes a nossa semelhança seja bem maior com estes que com aqueles. É o que revelam os sequenciamentos do DNA de três indivíduos da espécie gorila-do-ocidente (Gorilla gorilla) e um da subespécie gorila-do-oriente (Gorilla beringei).

O fato surpreende porque humanos e chimpanzés se separaram há 6 milhões de anos atrás na cadeia evolutiva, enquanto os gorilas se separaram dos dois há 10 milhões de anos e, em  tese, deveria apresentar mais diferenças de nós. Antes ainda, há 14 milhões de anos, o grupo de grandes primatas africanos se separou dos orangotangos asiáticos. O sequenciamento do DNA das duas espécies de gorila, encerra o mapeamento dos quatro grandes grupos de primatas vivos: humanos, chimpanzés (incluindo os bonobos), gorilas e orangotangos.

Os genes mais parecidos 

A maior parte dos genes comuns entre nós e gorilas não forma proteínas, ou seja estão inativos, mas entre os que estão ativos vale destacar alguns relacionados ao desenvolvimento cerebral e à audição. Quanto a esse último grupo de genes, a semelhança entre a velocidade da evolução nas duas espécies pode desmentir a teoria de que os “genes da audição” ajudaram a desenvolver a fala nos humanos, já que, evidentemente, gorilas não falam.

Esperanças de novas curas

Se as novas descobertas sobre os gorilas tornaram mais difícil a vida dos cientistas que pesquisam as origens da fala humana, pode ter tornado mais fácil a dos que pesquisam a cura de doenças cardíacas e da demência. Isso porque entre os nossos genes comuns aos gorilas, alguns que nos causam esses problemas de saúde estão inativos nos nossos parentes.  Descobrir porque isso ocorre pode ser metade (ou mais) do caminho para a cura dessas doenças.

 

18:56 · 10.01.2012 / atualizado às 22:06 · 10.01.2012 por
Dois dos bebês macacos rhesus gerados a partir de seis "pais" diferentes Imagem: MSNBC

O feito é inédito em primatas e conhecido em zoologia como quimerismo. Pesquisadores do Oregon, nos Estados Unidos, conseguiram reproduzir os primeiros macacos quiméricos, ou seja, compostos por células de vários DNAs diferentes, com origem em diferentes zigotos (célula totipotente, capaz de gerar todos os tipos de células de um indivíduo adulto).

A espécie escolhida para o experimento (considerado um sucesso, pois os animais gerados estão crescendo saudáveis) foi o macaco-rhesus (Macaca mulata). O quimerismo natural é extremamente raro na natureza e ocorre também em humanos. Já o quimerismo artificial nunca havia sido tentado em animais da nossa ordem zoológica (os primatas, tais como lêmures, macacos e símios, incluindo o homem).

O estudo será publicado na íntegra na edição do próximo dia 20 de janeiro da revista Cell, sendo tema de capa. Os resultados podem abrir novas fronteiras nas pesquisas genéticas. Os macacos quiméricos foram obtidos após a reunião de células de seis embriões diferentes que foram misturadas em embriões em estágio inicial de formação no útero de fêmeas rhesus.

Falhas anteriores e próximos passos

Para Shoukhrat Mitalipov, do Centro de Pesquisa em Primatas da Oregon Health & Science University, a importância dessa pesquisa reside no fato de que “se queremos passar terapias em células-tronco do laboratório para as clínicas e de camundongos para humanos, precisamos compreender o que essas células nos primatas podem ou não fazer”.

Ainda de acordo com Mitalipov, as tentativas anteriores de reproduzir quimeras primatas falhou possivelmente porque tinham sido realizadas em células cultivadas em laboratório e  dessa vez o experimento foi feito em embriões em formação, o que levanta a hipótese de que as células-tronco são menos potentes quando estão fora de organismos vivos.

Para Mitalipov, os estudos com células totipotentes ou pluripotentes (células-tronco) precisam avançar ainda mais. “Precisamos estudá-las em humanos, inclusive em embriões humanos”, afirmou o cientista, embora descartando a ideia de se produzir quimeras humanas.

Origem mitológica

O termo quimera tem raiz grega e na mitologia representava figuras híbridas entre dois ou mais animais tais como centauros (metade homem, metade cavalo), sereias (metade mulher, metade peixe), dentre outros.

Na prática, no entanto, tais combinações  genéticas ou celulares ainda são tidas como improváveis. Apesar disso, já foram reproduzidos experimentos em camundongos em que foram introduzidas características de águas-vivas, tais como brilhar no escuro, e até mesmo uma orelha artificial foi introduzida nas costas de um rato de laboratório.