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Tag: ESA


18:34 · 15.06.2018 / atualizado às 18:34 · 15.06.2018 por
Transmissão do astrofísico britânico será direcionada ao 1A 0620-00, que está localizado a 3.500 anos-luz do nosso planeta Foto: Nasa

Uma mensagem do astrofísico britânico Stephen Hawking será transmitida para o buraco negro mais próximo da Terra durante o enterro de suas cinzas, nesta sexta-feira (15), na Abadia de Westminster, em Londres, junto ao túmulo de Isaac Newton.

A mensagem – com sua conhecida voz sintetizada e especialmente escrita para a ocasião – será transmitida pela Agência Espacial Europeia (ESA). “É um gesto bonito e simbólico que cria um vínculo entre a presença do nosso pai neste planeta, seu desejo de ir ao espaço e a exploração do universo em sua mente”, disse sua filha Lucy Hawking.

O professor, que dedicou sua vida a desvendar os mistérios do universo e lutou para vencer as deficiências, será enterrado ao lado de outros dois grandes cientistas: Isaac Newton e Charles Darwin. A mensagem de Hawking será enviada “ao buraco negro mais próximo, o 1A 0620-00, em um sistema binário com uma estrela anã laranja bastante ordinária”, revelou a filha de Hawking.

O sistema está a 3.500 anos-luz da Terra, o tempo que tardará para chegar a mensagem. “É uma mensagem de paz e esperança, sobre a unidade e a necessidade de vivermos juntos e em harmonia neste planeta”. Hawking, que capturou a imaginação de milhões de pessoas no mundo, faleceu em 14 de março, aos 76 anos. O cientista, que ganhou fama mundial com o livro de 1988 “Uma breve história do tempo”, um sucesso inesperado de vendas, conquistou admiradores muito além do complicado mundo da astrofísica.

Sua morte rendeu uma série de homenagens, da rainha Elizabeth II à Nasa, que demonstraram o impacto de Hawking como cientista, mas também como farol de esperança para as pessoas afetadas por enfermidades degenerativas. A cerimônia desta sexta, com a presença de parentes, amigos colegas, celebrará não apenas suas conquistas como cientista, mas também seu caráter e resistência à doença devastadora. “Estamos muito agradecidos à Abadia de Westminster por nos oferecer o privilégio de celebrar um serviço de ação de graças à extraordinária vida de nosso pai, e por ter reservado um local distinto para o repouso final”, afirmaram seus filhos Lucy, Robert e Tim.

Stephen Hawking desafiou as previsões dos médicos que, em 1964, afirmaram que ele teria poucos anos de vida após o diagnóstico de uma forma atípica de esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença que ataca os neurônios motores responsáveis por controlar os movimentos voluntários e que o condenou durante décadas a uma cadeira de rodas.

16:46 · 07.06.2018 / atualizado às 20:57 · 07.06.2018 por
Ao analisar amostras colhidas na cratera Gale com idade de cerca de 3 bilhões de anos, o robô Curiosity estabeleceu de forma conclusiva que havia abundância de compostos orgânicos no planeta Foto: Nasa

Por Salvador Nogueira

Já sabemos há algum tempo que Marte, em seu passado remoto, foi habitável -ou seja, tinha a capacidade de preservar água em estado líquido na superfície. Agora, graças ao jipe Curiosity, sabemos que ele tinha, na mesma época, os ingredientes necessários para a vida -moléculas orgânicas complexas.

Ao analisar amostras colhidas na cratera Gale com idade de cerca de 3 bilhões de anos, o robô da Nasa estabeleceu de forma conclusiva que havia abundância de compostos orgânicos no planeta. Com efeito, os resultados sugerem um conteúdo orgânico comparável ao de rochas sedimentares ricas nessas substâncias aqui da Terra. Ninguém está dizendo que houve vida em Marte, claro. Mas saber que os ingredientes estavam lá -água e moléculas orgânicas- é um passo importantíssimo em busca dessa resposta. Tanto que o principal objetivo do Curiosity, assim que chegou a Marte, em 2012, era achar esses benditos compostos. E a busca não foi nada fácil.

Nas primeiras tentativas de detecção, nos primeiros cem dias da missão, a melhor definição para o resultado era “fracasso”. A quantidade de compostor orgânicos simples era tão pequena que não se podia descartar contaminação da Terra enviada dentro do jipe ou mesmo que a fonte desses compostos fossem asteroides a colidir com Marte.

A ausência de compostos orgânicos no planeta vermelho era uma grande surpresa. Afinal, essas moléculas de carbono parecem estar em toda parte no espaço -em asteroides, cometas, planetas, luas e até nebulosas. Por que Marte seria estranhamente empobrecido nelas? Ocorre que a superfície marciana hoje é bem hostil a moléculas orgânicas. Raios ultravioletas do Sol encontram pouca filtragem na tênue atmosfera daquele mundo, quebrando com facilidade moléculas orgânicas maiores. E, para completar, o solo é rico em percloratos. São moléculas sem graça feitas de oxigênio e cloro, mas que, quando suficientemente aquecidas, se quebram e destroem qualquer molécula orgânica maior que esteja por perto.

Calor não é lá um grande problema em Marte. Mas é um grande problema quando o método de detecção de moléculas orgânicas do seu jipe envolve aquecer a amostra centenas de graus Celsius para ver que moléculas evaporam por lá. Você já começa com quase nada, graças ao ambiente hostil de Marte, e o que ainda restava é destruído pelos percloratos assim que você aquece a amostra. Voilà: um grande desapontamento. A equipe do Curiosity, no entanto, perseverou, procurando rochas mais adequadas para a busca. No fim de 2014, eles anunciaram um grande avanço: uma das amostras recolhidas mostrava uma quantidade de moléculas orgânicas simples tal que se podia descartar qualquer contaminação. Era química orgânica para valer no passado marciano.

Ainda assim, eram moléculas bem pequenas, muito longe do que seria necessário para a vida. A hipótese de trabalho era a de que, na origem, havia moléculas orgânicas mais complexas, que no entanto foram destruídas por percloratos e tiveram seus átomos recombinados nos compostos simples detectados. Não havia, contudo, como descartar a noção de que, desde o início, fossem só aquelas pequenas porcarias mesmo. Quase quatro anos depois, chega a resposta definitiva: analisando amostras ainda melhores, e se concentrando apenas nos gases evaporados delas a temperaturas bem altas (assim descartando o que pudesse ser ação de percloratos ou qualquer outro contaminante vindo da Terra), os pesquisadores encontraram moléculas orgânicas relativamente grandes e que provavelmente compunham cadeias de moléculas ainda maiores. O proverbial filé orgânico marciano.

O artigo científico reportando a descoberta, que tem como primeira autora Jennifer L. Eigenbrode, da Nasa, sai na edição desta sexta-feira (8) da revista Science. E, na mesma publicação, outro artigo relata outra descoberta feita pelo Curiosity em Marte.

A temporada do metano

Sim, é mais química orgânica. Desta vez na atmosfera. Além de procurar compostos complexos em rochas, o Curiosity tinha como uma de suas metas primordiais fazer a primeira detecção de gás metano na atmosfera, estando ele envolto nela. Resultados anteriores obtidos por telescópios e missões orbitais sugeriam a presença de uma quantidade significativa dele, ainda que medido em partes por bilhão. No início, o Curiosity detectou quantidades tão baixas que esbarravam no limite de precisão do equipamento.

Os pesquisadores então começaram a trabalhar num novo método para diminuir a margem de erro, “enriquecendo” a amostra da atmosfera em metano antes de tomar a medição. E ajudou o fato de que, em 2013, o jipe foi engolfado por uma pluma de metano emanando do solo, que fez saltar a detecção de 0,69 parte por bilhão para 7,2 partes por bilhão. Certo, mas por que essa neura com metano? São dois os motivos: primeiro, trata-se de uma molécula que não dura muito na atmosfera, exposta aos famigerados raios ultravioletas solares. O que significa que, se ela existe no ar marciano, mesmo em quantidades pentelhesimais, algo está constantemente lançando mais dela na atmosfera.

E o segundo motivo é ainda mais interessante: ao menos na Terra, a imensa maioria do metano atmosférico é produzido por formas de vida. Pois é. Manja a sua flora intestinal? De vez em quando ela te força a lançar uma pluma de metano no ar que, em Marte, deixaria os cientistas num frenesi nerd. Por outro lado, há outros meios de gerar metano que não envolvem vida, como um processo químico conhecido como serpentinização. Afinal, o que gera as plumas de metano em Marte? Desde essa detecção inicial em 2013 os cientistas responsáveis pelo Curiosity permaneceram tomando medidas periódicas do metano na atmosfera. E agora, com dados colhidos ao longo de quase cinco anos (terrestres, três marcianos), eles encontraram uma pista intrigante: a emissão de metano é sazonal. Os dados revelam que, noves fora os picos gerados por plumas repentinas locais, a quantidade média de metano na baixa atmosfera flutua entre 0,24 e 0,65 parte por bilhão. O pico se dá próximo ao fim do verão no hemisfério norte marciano (inverno no sul). O jipe em si está na região equatorial do planeta, apenas 4,5 graus Sul.

Com esse resultado, os pesquisadores podem descartar várias possíveis fontes para o metano que não apresentariam esse padrão. A aposta deles é que haja grandes quantidades do gás presas no subsolo marciano no interior de cristais baseados em água chamados de clatratos. Para eles, as mudanças sazonais de temperatura poderiam explicar as flutuações na liberação do gás observadas pelo jipe. Ainda resta a pergunta mais importante: o que teria produzido o metano aprisionado nesses clatratos? Pode ser vida, pode ser outro processo abiótico. A resposta terá de esperar -talvez por novos resultados, mais provavelmente por novas missões. Com efeito, o Trace Gas Orbiter, da ESA (Agência Espacial Europeia), acabou de começar sua missão científica em órbita marciana, e seu objetivo é estudar a distribuição e os padrões de emissão do metano em escala global. Ele poderá corroborar ou colocar em dúvida os atuais resultados do Curiosity, mas certamente agregará mais peças ao quebra-cabeça.

O artigo reportando a sazonalidade do metano em Marte tem como primeiro autor Christopher Webster, também da Nasa, e sai ao lado do texto de Eigenbrode, nesta sexta. “Ambos os resultados são avanços revolucionários para a astrobiologia”, avalia Inge Loes ten Kate, pesquisadora da Universidade de Utrecht que não participou das pesquisas, mas escreveu um artigo de comentário para a Science. “A detecção de moléculas orgânicas e metano em Marte tem vasta implicações à luz de potencial vida passada marciana. O Curiosity mostrou que a cratera Gale foi habitável há 3,5 bilhões de anos, com condições comparáveis às da Terra primitiva, onde a vida evoluiu mais ou menos na mesma época. A questão de se a vida pode ter se originado ou existido em Marte é muito mais oportuna agora que sabemos que moléculas orgânicas estavam presentes na superfície naquela época.”

Em 2020, tanto europeus quanto americanos prometem enviar jipes capazes de dar o próximo passo e procurar evidências diretas de vida marciana.

Com informações: Folhapress

16:19 · 15.05.2018 / atualizado às 16:19 · 15.05.2018 por
O corpo celeste QSO SMSS J215728.21-360215.1 foi detectado a 12 bilhões de anos luz de distância e seu tamanho equivale a 20 bilhões de sóis Imagem: Nasa

Um grupo de astrônomos da Austrália descobriu o buraco negro que cresce mais rápido do Universo conhecido até agora, que absorve uma massa equivalente ao Sol a cada dois dias, informaram nesta terça-feira (15) fontes acadêmicas do país.

O buraco negro chamado QSO SMSS J215728.21-360215.1 foi detectado a 12 bilhões de anos luz de distância por cientistas da Universidade Nacional Australiana (ANU, na sigla em inglês). Seu tamanho equivale a 20 bilhões de sóis e tem uma taxa de crescimento de cerca de 1% a cada um milhão de anos, indicou a ANU em nota.

“Este buraco negro cresce tão rápido que brilha milhares de vezes mais que uma galáxia inteira devido aos gases que ele devora diariamente, causando muito atrito e calor”, disse Christian Wolf, da Escola de Astronomia e Astrofísica da ANU. Esse buraco negro existia quando o Universo, que tem aproximadamente 13,8 bilhões de anos, tinha apenas 1,2 bilhões de anos.

“Não sabemos como cresceu tanto e tão rápido na primeira fase do Universo”, afirmou o cientista. Wolf indicou que a energia emitida pelo buraco negro, também conhecida como quasar, é composta de luz ultravioleta e raios-x. “Se este monstro estivesse no centro da Via Láctea, provavelmente faria com que a vida na Terra fosse impossível devido à grande quantidade de raios-x que ele emana”, afirmou o astrônomo.

“Os buracos negros gigantescos e de crescimento rápido também ajudam a limpar a névoa em torno deles por meio da ionização dos gases, o que torna o Universo mais transparente”, acrescentou Wolf.

Detecção

O buraco negro foi detectado pelo telescópio SkyMapper do Observatório de Siding Spring da ANU, situado cerca de 480
quilômetros a noroeste de Sydney, com ajuda do satélite Gaia da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês).

Os autores da descoberta consideram que esses buracos negros brilham e podem se transformar em modelos para observar e estudar a formação de elementos nas primeiras galáxias do Universo.

Com informações: Agência Brasil

17:42 · 29.03.2018 / atualizado às 17:42 · 29.03.2018 por
Infográfico em inglês, produzido pelo jornal britânico “The Sun” mostra algumas das principais cidades do mundo que se encontram na área que pode ser atingida por destroços da Tiangong-1. Fortaleza também corre risco Imagem: The Sun

A estação espacial chinesa Tiangong-1 deverá cair na Terra nos próximos dias, de acordo com a Agência Espacial Chinesa.

Nesta quinta-feira, 29, o instituto Fraunhofer FHR, situado na região de Bonn (Alemanha), divulgou imagens de radar da Tiangong-1 em seus últimos momentos. Segundo os alemães, quando a imagem foi produzida, a estação estava a 270 quilômetros de altitude.

Especialistas da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), afirmam que é impossível prever com certeza o local da reentrada na atmosfera, mas dizem que os riscos de uma queda em uma área habitada são muito remotos. Embora a estação possa se desintegrar completamente, há possibilidade de que pedaços grandes sobrevivam e caiam na Terra.

Segundo as autoridades chinesas, a queda deverá ocorrer entre a manhã do dia 30 de março e a manhã do dia 2 de abril – mas a data mais provável é o dia 1 de abril, domingo de Páscoa. A Agência Espacial Chinesa também informou que, se a meteorologia permitir, será possível observar seu mergulho sobre o planeta, antes que ela se incendeie e se desintegre com o calor da fricção produzida pela reentrada na atmosfera.

Atualmente fora de controle, a estação orbita em altitude média de 215 quilômetros e completa uma volta em torno da Terra a cada 88 minutos. A previsão é que ela caia entre os paralelos 43 norte e 43 sul – o que significa que ela pode cair em praticamente qualquer lugar da América do Sul (incluindo Fortaleza e as demais cidades cearenses), da África, da Oceania, ou em amplas áreas da Ásia e da América do Norte, no sul da Europa ou nos oceanos. O mais provável, dizem especialistas, é que o módulo caia no mar.

A Estação Chinesa Tiangong-1 – o nome significa “Palácio Celestial” em mandarim – foi lançada em 2011 com o objetivo de aperfeiçoar tecnologias de acoplamento de naves espaciais. Com seu lançamento, a China se tornou o terceiro país a ter uma estação espacial em órbita, depois dos Estados Unidos e da Rússia.

Com 12 metros de comprimento, 3 metros de largura e aproximadamente 8,5 toneladas, a Tiangong-1 teve suas instalações utilizadas pela última vez para uma missão tripulada em junho de 2013.

Depois de várias missões de pesquisas, o módulo chinês deveria ter sido derrubado de forma segura em 2013, mas continuou em operação até o ano de 2016. Já naquele ano, o governo da China admitiu ter perdido o controle e informou que não havia mais como conter sua reentrada na atmosfera, de acordo com informações da Agência Espacial Brasileira (AEB).

Segundo a AEB, não é possível determinar com exatidão a data da reentrada da estação na atmosfera por causa de inúmeras incertezas, sendo a principal delas o efeito do atrito atmosférico na trajetória atual do módulo.

Em 2016, após a perda de controle da Tiangong-1, os especialistas chineses previram que a estação provavelmente queimaria na atmosfera no fim de 2017. Mais tarde, porém, os cientistas da agência europeia comunicaram que o módulo deveria se espatifar na Terra entre março e abril de 2018.

Com informações: AFP

18:51 · 23.12.2016 / atualizado às 18:51 · 23.12.2016 por
Concepção artística de 'rio' de ferro líquido que 'corre' a 3 mil km de profundidade e foi detectado a partir de observações do campo magnético da Terra em satélites espaciais da ESA Imagem: ESA/BBC
Concepção artística de ‘rio’ de ferro líquido que ‘corre’ a 3 mil km de profundidade e foi detectado a partir de observações do campo magnético da Terra em satélites espaciais da ESA Imagem: ESA/BBC

Cientistas dizem ter descoberto um rio de ferro líquido no centro da Terra, correndo debaixo do Estado americano do Alasca e da região russa da Sibéria.

Essa massa ambulante de metal foi detectada graças aos satélites europeus Swarm –um trio que está mapeando o campo magnético da Terra para entender seu funcionamento. O campo protege toda a vida do planeta contra a radiação espacial.

Para os cientistas, a existência do rio de ferro líquido é a melhor explicação para uma concentração de forças no campo magnético terrestre que os satélites registraram no Hemisfério Norte.

“É uma corrente de ferro líquido que se move cerca de 50 km por ano”, explica Chris Finlay, da Universidade Técnica da Dinamarca.

“É um líquido metálico muito denso e é preciso uma quantidade enorme de energia para movê-lo. É provavelmente o movimento mais rápido que temos no manto terrestre” disse ele à BBC.

Finlay explica que a corrente de metal líquido é como o jet stream na atmosfera da Terra –a corrente de ar em altas altitudes usada por aviões para voar mais rápido. O rio de metal porém, está a 3 mil metros de profundidade.

Os cientistas acreditam que o rio tenha 420 km de largura e percorra quase metade da circunferência da Terra. O comportamento dessa massa metálica será crítico para a geração e manutenção do campo magnético terrestre.

“É possível que a corrente tenha funcionado por centenas de milhões de anos”, diz Phil Livermore, da Universidade de Leeds, no Reino Unido, e um dos autores do estudo detalhando a descoberta, publicado na revista científica Nature Geoscience.

Rainer Hollerbach, outro cientistas envolvido no projeto, acredita que o líquido se move graças à força da flutuabilidade ou por conta de mudanças no campo magnético do núcleo terrestre.

Vendo, do espaço, o interior terrestre

Lançados em novembro de 2013 pela ESA (Agência Espacial Europeia), o satélites Swarm estão fornecendo acesso sem precedentes à estrutura e ao comportamento do campo magnético terrestre.

Com instrumentos altamente sensíveis, os satélites estão gradualmente analisando os vários componentes do campo, do sinal dominante vindo do movimento do ferro no núcleo externo à quase imperceptível contribuição feita pelas correntes oceânicas.

Os cientistas esperam que os dados do satélite ajudem a explicar a razão pela qual o campo magnético da Terra tem enfraquecido nos últimos séculos. Alguns cientistas especulam que o planeta pode estar próximo de um inversão de polaridade, em que o sul se tornará norte e o norte se tornará sul. Isso ocorre a cada centenas de milhares de anos.

Com informações: BBC Brasil

20:30 · 05.09.2016 / atualizado às 20:40 · 05.09.2016 por
Imagens: ESA
Após 10 anos de viagem como passageiro da sonda Rosetta, Philae havia conseguido um marco histórico ao pousar no cometa 67P Churiumov-Guerasimenko em 12 de novembro de 2014 Imagens: ESA

A sonda espacial Rosetta captou uma imagem de seu robô Philae parado em uma fenda escura na superfície do cometa 67P, anunciou nesta segunda-feira (5) a Agência Espacial Europeia (ESA).

A 2,7 km de distância em sua aproximação ao cometa, a menos de um mês de concluir sua missão, a câmera de alta resolução Osiris da Rosetta conseguiu localizar Philae, que não dá sinais de vida desde junho de 2015.

“Mal posso acreditar o que vejo com meus próprios olhos Osiris! Finalmente consegui esta imagem de Philae, em 2 de setembro, a 2,7 km de distância do 67P”, tuitou a Rosetta. Após 10 anos de viagem como passageiro da sonda Rosetta, Philae havia conseguido um marco histórico ao pousar no cometa 67P Churiumov-Guerasimenko em 12 de novembro de 2014.

No entanto, a manobra foi muito abrupta e Philae quicou duas vezes na superfície ante de ficar imobilizado sobre o corpo celeste, de forma irregular e 4 quilômetros de diâmetro. O imprevisto fez com que Philae ficasse parado em uma zona de relevo acidentado e pouca exposição à luz solar.

O robô esgotou suas baterias ao enviar à Rosetta o resultado de 60 horas de observações, e depois adormeceu. Em junho de 2015 voltou a despertar, mas desde 9 de julho daquele ano não deu sinais de vida. Mais de um ano depois, Rosetta se prepara para encerrar, por sua vez, a sua missão, ao também pousar sobre o cometa em 30 de setembro.

Na reta final

A imagem obtida nesta aproximação final “mostra a orientação de Philae, explicando porque estabelecer as comunicações foi tão difícil”, indicou a ESA.

“Faltando apenas um mês para o fim da missão Rosetta, estamos felizes de ter localizado Philae e de poder observá-lo com tantos detalhes”, disse Cecilia Tubiana, integrante da equipe que monitora o trabalho da câmera Osiris e a primeira pessoa a advertir para a presença do robô inerte em imagens recebidas no domingo pela ESA.

“Estávamos começando a pensar que Philae ficaria perdido para sempre. É incrível que tenhamos captado no último minuto”, disse Patrick Martin, diretor de missão da agência espacial. O cometa atualmente se afasta do Sol e continuará fazendo isso em sua órbita elíptica até 850 milhões de quilômetros de distância. Antes de pousar no cometa, Rosetta continuará capturando imagens de alta resolução e em tempo real e fará medições científicas.

Os cientistas na Terra terão a oportunidade de reunir mais dados que apenas um encontro próximo pode fornecer. Uma vez em contato com a superfície do cometa, cessarão as comunicações e as operações da Rosetta.

O encontro com o cometa colocará fim a uma aventura sem precedentes na história da conquista espacial, que forneceu dados capazes de melhorar nossos conhecimentos sobre o surgimento da vida na Terra.

Projetada há mais de 20 anos, a missão buscava compreender melhor o Sistema Solar desde seu nascimento, já que se considera que os cometas são vestígios de sua matéria primitiva.

Com informações: AFP

11:59 · 31.03.2015 / atualizado às 23:15 · 30.03.2015 por
Imagem: Nasa
Concepção artística da sonda Solar Probe Plus, da Nasa, que pretende chegar a apenas 6 milhões de km do Sol, distância quase 25 vezes menor que separa a Terra do astro-rei  Imagem: Nasa

As missões espaciais Solar Orbiter e Solar Probe Plus, provavelmente as mais audaciosas em desenvolvimento, serão enviadas para entrar na órbita de Mercúrio com o objetivo de estudar o Sol.

De lá, a temperatura na superfície frontal desses satélites vai ultrapassar as centenas de graus. Seria possível dizer que essas missões são, literalmente, “missões para o Inferno”. Projetar um sistema seguro para proteger as naves para resistirem a temperaturas tão altas é algo que tem dado trabalho aos engenheiros. Eles precisam de algo que funcione como um “escudo de calor”. Para o Solar Orbiter, da Agência Espacial Europeia (ESA), a solução é usar titânio. Já no Solar Probe Plus, da Nasa, o material deverá ser composto por carbono.

Os instrumentos dos dois satélites terão de se esconder por trás dessas barreiras para fazer as medições que os cientistas esperam na tentativa de desvendar alguns dos maiores e mais duradouros mistérios do Sol.

Objetivos

Os satélites Solar Orbiter e Solar Proble Plus querem “entrar no fogo” para valer – para observar a atividade solar de perto e provar diretamente os efeitos das partículas e dos campos magnéticos que as contêm.

“Nós queremos obter três medidas”, afirmou Tim Horbury, o principal investigador do Solar Orbiter. “Com o Solar Orbiter, queremos obter uma medida remota, queremos ver o que está acontecendo no Sol com nossos telescópios e depois queremos obter uma segunda medida, para sentir o que está saindo dele.”

“A terceira medida viria do próprio Solar Probe, que avançaria um pouco o campo de visão muito rápido de vez em quando só para dar uma ideia do que estaria acontecendo lá também”, disse.

O Solar Probe chegará até a 43 milhões de quilômetros do Sol –  mais perto de Mercúrio, que gira em torno do Sol a uma distância que varia de 46 milhões a 70 milhões de quilômetros.

Já o Solar Probe Plus é quem vai fazer o verdadeiro trabalho “infernal” quando correr pela superfície solar a meros 6 milhões de quilômetros de distância.

E “correr” é a palavra certa porque a expectativa é que ele alcance velocidades de 200 quilômetros por segundo em partes da órbita.

Diferenças

Ficando mais distante, o Solar Orbiter consegue liberar telescópios. E as imagens captadas por eles provavelmente serão espetaculares, revelando características do Sol com uma resolução nunca conseguida antes.

Chegando bem próximo do Sol, o Solar Probe Plus poderá conseguir dados notáveis, mas olhar diretamente para o Sol é algo que está realmente fora de questão. A pouco mais de 6 milhões de quilômetros, a temperatura da superfície deve atingir 1.300 graus Celsius. O Solar Probe Plus não pode nem sequer se dar ao luxo de ter pequenos buracos em seu escudo revestido com cerâmica e carbono.

Já o Solar Orbiter, de 1.800 quilos, pode. “Temos alguns orifícios de passagem”, diz Dan Wild, um dos engenheiros térmicos da Airbus. “Esses são apenas grandes cilindros feitos de titânio e revestidos de preto para o controle da luz, para que a gente não pegue muito reflexo.”

“E na frente dos cilindros há portas. Nós podemos fechar essas portas e isso significa que não vamos perder a nave espacial se alguma coisa der errado”, afirmou.

As duas missões serão enviadas ao espaço em 2018.

Com informações: BBC

20:03 · 16.01.2015 / atualizado às 20:13 · 16.01.2015 por
Imagem: Beagle 2
Concepção artística da missão Beagle 2, da Agência Espacial Europeia (ESA), pousada na superfície marciana. Missão conseguiu aterrissar com sucesso, mas não conseguiu cumprir demais objetivos e nem sequer enviar sinais de seu êxito à base na Terra Imagem: Beagle 2

A nave espacial britânica “Beagle 2”, que já chegou a ser apelidada de “fracasso heroico”, foi localizada em Marte, 11 anos depois de ter desaparecido em uma expedição de busca de vida extraterrestre.

A previsão era que a Beagle 2, parte da missão Expresso Marte, da Agência Espacial Europeia (ESA), pousasse em Marte no dia de Natal de 2003, mas ela desapareceu em 19 de dezembro daquele ano. Depois disso, nada se sabia sobre a nave.

Mas, em um anúncio feito durante uma concorrida entrevista coletiva nesta sexta-feira na Royal Society, instituição científica de Londres, peritos espaciais disseram que a pequena sonda foi localizada na superfície do “Planeta Vermelho”.

“A Beagle 2 não está mais perdida”, disse David Parker, diretor-presidente da Agência Espacial da Grã-Bretanha. Ele afirmou que os cientistas agora têm uma “boa evidência” de que a nave espacial aterrissou com sucesso em Marte na data prevista – 25 de dezembro de 2003 -, mas foi implementada somente parcialmente.

“Esta descoberta mostra que a entrada, a descida e sequência de pouso da Beagle 2 funcionou e ela tocou com sucesso Marte no dia de Natal 2003”, disse a agência espacial da Grã-Bretanha em um comunicado.

Com informações: Reuters Brasil

20:53 · 14.11.2014 / atualizado às 21:09 · 14.11.2014 por
Foto: ESA
O Philae está estacionado à sombra de um penhasco a 1km do local planejado e recebe cerca de 90 minutos de iluminação a cada rotação de 12 horas do cometa Foto: ESA

O veículo Philae, estabilizado na superfície de um cometa, está recebendo pouca luz em seus painéis solares, o que pode comprometer a duração da sua bateria – e afetar a missão da Agência Espacial Europeia (ESA).

Cientistas que trabalham no projeto espacial analisam como movimentar o robô para que receba mais luz. O Philae – que fez duas tentativas de aterrissar no cometa antes de lograr a missão – está estacionado à sombra de um penhasco a 1km do local planejado e recebe cerca de 90 minutos de iluminação a cada rotação de 12 horas do cometa.

Isto é insuficiente para recarregar o sistema de baterias a partir do momento em que a carga principal do veículo se esgote. O Philae se destacou da sonda Rosetta na terça-feira (11). O chefe de operações da Agência Espacial Europeia em Damstadt (Alemanha), Paolo Ferri, disse que o descarregamento pode ocorrer até a  tarde de sábado (15).

“Depende das atividades, claro. Quanto mais atividades fizermos com o módulo, mais energia consumiremos, e menos tempo teremos”, disse Ferri. O Philae fez o pouso inédito na superfície do cometa 67P na quarta-feira (12) após uma viagem de dez anos. O módulo saltou duas vezes ao aterrissar – o primeiro dos saltos atingiu 1km de altura.

Sobre dois pés

As primeiras imagens enviadas mostram o terreno irregular do cometa. Fotos tiradas pelo Philae mostram o veículo pressionado contra o que parece ser um muro.

A telemetria indica que ele está em um declive ou talvez até mesmo de lado. O que se sabe com certeza é que um dos seus três pés não está em contato com a superfície.

Os cientistas estudam opções como usar algumas das peças móveis do robô para executar um novo salto e tirar o aparelho das sombras. Mas provavelmente não há tempo suficiente para planejar e executar essa estratégia.

A prioridade, agora, é usar o Philae para obter o maior número de informações possíveis sobre o cometa. Neste quesito, pesquisadores estão muito satisfeitos com o desempenho da missão. A decepção seria não poder usar a broca da sonda para recolher material sob a superfície do cometa a fim de fazer análises químicas em laboratórios.

Este foi um dos principais objetivos da missão. Mas a operação fica dificultada com a sonda tão delicadamente posicionada em apenas dois pés. Forças rotacionais de perfuração poderiam desestabilizar o Philae. “Queremos perfurar, mas não queremos perfurar e perceber que, como consequência, a missão acabou”, disse um dos pesquisadores da missão, Jean-Pierre Bibring.

Controladores vão analisar o que pode ser feito para apoiar o terceiro pé na superfície. Se isso não for possível, a perfuração poderia ser realizada no fim da janela da bateria primária. Neste momento, cientistas terão pouco a perder.

“Esta é uma decisão operacional muito típica”, disse Paolo Ferri. “Primeiro, você obtém tudo o que puder. As coisas arriscadas ficam apenas para o final.”

Missão histórica

Independente do que acontecer nas próximas horas, a missão Rosetta/Philae, da ESA, já tem lugar garantido na história.

Os dados do Philae – e aqueles enviados pela Rosetta, que continua a observá-lo à distância – podem transformar o que sabemos sobre os cometas e permitir aos pesquisadores testar várias hipóteses sobre a formação do Sistema Solar e as origens da vida.

Uma teoria sustenta que os cometas foram responsáveis pela distribuição de água aos planetas. Outra ideia é que eles poderiam ter “semeado” a Terra com a química necessária para dar o pontapé inicial na biologia.

“Estes dois dias têm sido absolutamente magníficos”, disse o gerente de missão da agência europeia, Fred Jansen. “Quando assumi esse trabalho, há um ano e meio, nunca imaginei que este seria o impacto.”

Com informações: BBC Brasil

18:31 · 05.11.2014 / atualizado às 19:13 · 05.11.2014 por
Foto: ESA
Robô Philae será ejetado da espaçonave Rosetta em direção ao cometa 67P/Churyumov, que tem 4 km de largura, na manhã do dia 12 Foto: ESA

Está marcada para o próximo dia 12 de novembro uma missão que pode ser um feito inédito para o homem no espaço.

Nesta data, a agência espacial da Europa tentará pousar um robô em um cometa. Se conseguir, será a primeira vez que uma sonda aterrissará nestes corpos congelados.

O robô Philae será ejetado da espaçonave Rosetta em direção ao cometa 67P/Churyumov, que tem 4 km de largura, na manhã do dia 12. O local escolhido para o pouso é uma das extremidades do cometa, que tem a forma parecida com a de um pato de brinquedo.

A espaçonave estará a 509 milhões de quilômetros da Terra neste momento. Será o ponto alto de uma missão que começou há quase uma década.

Experimentos

Espera-se que descida da sonda até o cometa, que estarão a 20 km de distância um do outro, leve em torno de sete horas.

Meia hora depois, os cientistas saberão se a missão foi bem-sucedida ou não. Existe o risco da sonda simplesmente “quicar” na superfície do cometa, que tem muito pouca gravidade.

Para evitar isso, serão usados parafusos e arpões para que o robô seja capaz de se fixar. Se o robô conseguir aterrissar na superfície do cometa, será dado início da uma série de experimentos para analisar sua composição e estrutura.

Os dados e imagens coletados serão enviados para a espaçonave, de onde serão retransmitidos para a Terra. Cientistas acreditam que cometas contém matéria ainda intacta da formação do Sistema Solar, há 4,5 bilhões de anos.

Com informações: BBC Brasil