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Tag: exoplanetas


16:41 · 19.06.2017 / atualizado às 16:41 · 19.06.2017 por
Concepção artística de um sistema planetário detectado pelo telescópio espacial Kepler Imagem: Nasa

A Nasa divulgou, nesta segunda-feira (19), uma lista de 219 novos candidatos a planeta descobertos pelo telescópio espacial Kepler. Dez deles têm tamanhos parecidos com a Terra e orbitam as zonas habitáveis de suas estrelas.

O telescópio espacial Kepler busca por planetas em nossa galáxia ao detectar pequenas oscilações no brilho das estrelas que ocorrem quando um planeta passa em frente a ela. Segundo a agência espacial americana, este é o catálogo mais detalhado dos candidatos a planetas identificados nos primeiros quatro anos de coleta de dados pelo Kepler. Ao todo, 4.034 candidatos a planeta já foram identificados pelo Kepler, dos quais 2.335 foram confirmados como exoplanetas.

“O conjunto de dados do Kepler é único, pois só ele contêm uma população desses análogos da Terra – planetas com quase o mesmo tamanho e que têm órbitas parecidas com a da Terra”, diz Mario Perez, cientista do programa Kepler na Divisão de Astrofísica da Nasa. “Entender sua frequência na galáxia vai ajudar no planejamento de futuras missões da Nasa para procurar diretamente outra Terra.”

“Esse catálogo cuidadosamente elaborado é o fundamento para responder de forma direta uma das perguntas mais cativantes da astronomia: quantos planetas como a nossa Terra existem na galáxia?”, diz a cientista Susan Thompson, pesquisadora do projeto Kepler e principal autora do estudo que resultou no catálogo.

Com informações: G1

17:36 · 05.06.2017 / atualizado às 17:36 · 05.06.2017 por
Concepção artística do exoplaneta KELT-9b, orbitando a estrela KELT-9. A temperatura no planeta passa dos 4 mil graus Celsius Imagem: Nasa

Um exoplaneta gigante – fora do Sistema Solar – é o mais quente relatado até agora, de acordo com descoberta publicada pela revista “Nature” nesta segunda-feira (5). Ele tem uma temperatura estimada em 4.327 ºC.

Scott Gaudí, da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos, com a ajuda de colegas, relatou que o exoplaneta é chamado de KELT-9b, e ele orbita uma estrela maciça chamada KELT-9. Essa estrela tem uma temperatura estimada em 9.896 ºC.

Esse calor é irradiado para o planeta ao redor, com um nível de radiação estelar ultravioleta tão alto que atmosfera está sendo removida. Outros milhares de exoplanetas são conhecidos, mas nenhum havia até então chegado a registrar temperaturas superiores a 4.000º C.

O planeta mais quente encontrado até agora tinha temperatura de 3.026 ºC, e estava ao redor de uma estrela de 7.156 ºC. A pesquisa contou com autores da Austrália, Dinamarca, Alemanha, Itália, Japão, Portugal e Estados Unidos.

 

12:26 · 08.04.2017 / atualizado às 12:26 · 08.04.2017 por
Concepção artística do exoplaneta GJ 1132b, que pode ter condições climáticas intermediárias entre às da Terra e às de Vênus Imagem: MIT

Astrônomos detectaram pela primeira vez atmosfera ao redor de um exoplaneta rochoso de um tamanho próximo ao da Terra, o que representa um passo significativo na busca de vida fora do nosso Sistema Solar, segundo um estudo publicado revista Astronomical Journal.

“Embora isto ainda não seja a detecção de vida em outro planeta, esta descoberta representa um passo importante na direção correta, já que é a primeira vez que se detecta uma atmosfera ao redor de um planeta com uma massa e um raio semelhantes aos da Terra”, disseram os cientistas.

Este exoplaneta, chamado GJ 1132b e situado a 39 anos-luz da Terra na constelação Vela, é aproximadamente 16% maior que a Terra, mas está em uma órbita próxima demais à sua estrela, uma anã-vermelha, para poder ser habitável.

Segundo os astrônomos, as temperaturas nessa superfície ultrapassam 250 graus centígrados. As observações sugerem que o GJ 1132b está coberto por uma atmosfera rica em água e metano, mas os pesquisadores terão que usar outros telescópios mais poderosos para identificar as substâncias químicas presentes.

“Com esta pesquisa, nós demos o primeiro passo experimental para estudar as atmosferas de planetas menores, como a Terra. Simulamos uma gama de atmosferas possíveis para este planeta, e descobrimos que aquelas ricas em água e/ou metano explicariam as observações do GJ 1132b”, apontam os pesquisadores. “O planeta é significativamente mais quente e um pouco maior do que a Terra, então uma possibilidade é que ele seja um ‘mundo de água’ com uma atmosfera de vapor quente”, acrescenta.

Este tipo de estrelas, as anãs-vermelhas, são as mais comuns, e o fato de detectar um planeta com uma atmosfera orbitando um sistema estelar deste tipo sugere que as pré-condições para a existência da vida são bastante comuns no universo, apontam. Esta detecção faz do planeta GJ 1132b um alvo prioritário de observações para o telescópio espacial Hubble, o telescópio gigante europeu de Observação Austral (ESO), que está no Chile, assim como para o futuro James Webb Space Telescope, cujo lançamento está previsto para 2018.

A equipe que fez esta descoberta – liderada por John Southworth, da Universidade de Keele, no Reino Unido -, utilizou o telescópio europeu ESO/MPG no Chile para registrar imagens da estrela GJ1132 e medir a redução de intensidade de luz com cada passagem do planeta. Estas medidas de absorção da luz da estrela permitiram determinar a existência de uma atmosfera.

O planeta GJ 1132b foi descoberto em 2015, mas na época os astrônomos não sabiam se ele tinha uma atmosfera.

Com informações: AFP

20:06 · 22.02.2017 / atualizado às 20:12 · 22.02.2017 por
Concepção artística de como seria um dos planetas que orbitam a estrela Trappist-1 Foto: The Guardian

Cientistas anunciaram nesta quarta-feira, 22, a descoberta de um sistema composto por sete planetas de tamanho comparável ao da Terra, na órbita de uma estrela “vizinha” do Sistema Solar. De acordo com um estudo publicado na revista Nature, que descreve a descoberta, os seis planetas mais próximos têm temperaturas entre 0ºC e 100ºC – uma característica considerada indispensável para a eventual existência de vida.

“É a primeira vez que tantos exoplanetas desse tamanho são encontrados em um sistema planetário. Eles estão em órbita muito estreita entre si e muito próximas à sua estrela, mas ela é tão pequena que é fria, o que faz com que os planetas sejam temperados”, disse o autor principal do estudo, o astrofísico belga Michaël Gillon, da Universidade de Liège, na Bélgica. Os cientistas consideram que um determinado planeta está na “zona habitável” quando ele fica a uma distância de sua estrela que permitiria, teoricamente, a existência de água líquida em sua superfície. Quanto mais a estrela é quente, mais distante fica a zona habitável.

Segundo o estudo, o novo sistema planetário fica a 39 anos-luz da Terra – uma distância pequena para os padrões astronômicos. Os novos exoplanetas – como são chamados os planetas existentes fora do Sistema Solar – têm massa semelhante à da Terra e provavelmente também sejam rochosos, segundo os autores.

A descoberta partiu de estudos liderados por Gillon, cuja equipe relatou, em maio do ano passado, a detecção de três exoplanetas que orbitavam uma estrela anã extremamente fria, chamada Trappist-1 – uma estrela é tão pequena que não chega a ser muito maior que Júpiter e seu brilho é cerca de mil vezes mais fraco que o do Sol.

A partir de então, os autores conduziram um projeto de monitoramento intenso da Trappist-1, que permitiu identificar mais quatro exoplanetas. Para a detecção e o estudo dos planetas do Sistema Trappist-1, foram usados o telescópio espacial Spitzer, da Nasa, e o Telescópio Liverpool, da Universidade John Moore de Liverpool, no Reino Unido.

Os cientistas concluíram que pelo menos três dos planetas podem ter oceanos de água em suas superfícies, o que aumentaria a possibilidade de que o novo sistema planetário possa abrigar vida. De acordo com Gillon, no entanto, será preciso fazer novos estudos para caracterizar cada um dos planetas.

Confira vídeo (em inglês) sobre a descoberta

“Conseguimos obter medidas e dados de seis dos sete planetas. Em relação ao planeta mais distante da estrela, porém, ainda desconhecemos seu período orbital e sua interação com os outros seis planetas”, disse Gillon.

De acordo com ele, os seis planetas mais próximos da estrelas têm períodos orbitais – isto é, o tempo que o planeta leva para dar uma volta completa em sua estrela -, que vão de 1,5 a 13 dias. O fato de um “ano” nesses planetas durar apenas alguns dias ocorre porque eles estão muito próximos de sua estrela, que é muito pequena.

O planeta mais próximo da estrela é o mais rápido de todos: quando ele completa oito órbitas, o segundo, o terceiro e o quarto planetas perfazem, respectivamente, cinco, três e duas voltas ao redor da estrela. Com essa configuração, segundo os astrônomos, cada um dos planetas tem influência gravitacional nos outros.

Abundância

Na mesma edição da Nature, o estudo foi comentado pelo astrônomo Ignas Snellen, do Observatório de Leiden, na Holanda. Segundo Snellen, a descoberta feita pela equipe de Gillon reforça a ideia de que os planetas de masssa semelhante à da Terra são abundantes na Via Láctea.

“Nos últimos anos, cresceram as evidêncais de que planetas do tamanho da Terra são abundantes na Galáxia. Mas a descoberta de Gillon e sua equipe indicam que esses planetas são ainda mais comuns do que se pensava”, escreveu Snellen. Ele acredita que a quantidade de exoplanetas rochosos possa ser até 100 vezes maior que a prevista. Segundo ele, isso acontece por causa do método usado para detectar exoplanetas, que se baseia na detecção de “trânsitos”.

Quando um planeta passa diante de uma estrela (o trânsito), ele bloqueia uma ínfima parte de sua luz, mas o suficiente para que os cientistas detectem sua existência e calculem sua massa. Quando a estrela é pequena, o trabalho se torna mais fácil, porque a fração de sua luz bloqueada pelo planeta é maior.

“Estimamos que para cada planeta observado em trânsito, devam existir de 20 a 100 planetas que, da perspectiva da Terra, nunca passam diante de sua estrela-mãe – e por isso não podem ser observados”, disse Snellen.

Com informações: Estadão Conteúdo

17:49 · 10.05.2016 / atualizado às 17:56 · 17.06.2016 por
Imagem: W. Stenzel/ NASA
Número de exoplanetas descobertos pelo Kepler mais que dobrou a quantidade conhecida desses corpos celestes. A façanha foi possível graças a uma nova técnica estatística desenvolvida para analisar os dados obtidos pelo Telescópio Espacial Kepler Imagem: W. Stenzel/ NASA

Com base em dados obtidos pelo Telescópio Espacial Kepler, a Nasa anunciou nesta terça-feira (10) a descoberta de 1284 novos exoplanetas (planetas situados fora do Sistema Solar).

O achado não tem precedentes, segundo a Nasa: de uma só vez o número de exoplanetas descobertos pelo Kepler mais que dobrou. A façanha foi possível graças a uma nova técnica estatística desenvolvida para analisar os dados obtidos pelo telescópio.

“O anúncio mais que dobra o número de planetas confirmados descobertos pelo Kepler. Isso nos dá a esperança de que em algum lugar lá fora, em torno de uma estrela parecida com o nosso Sol, nós possamos eventualmente descobrir outra Terra”, disse Ellen Stofan, a cientista-chefe do quartel-general da Nasa em Washington, nos Estados Unidos.

“Antes do lançamento do Telescópio Espacial Kepler, nós não sabíamos se os exoplanetas eram comuns ou raros na galáxia. Graças ao Kepler e à comunidade de pesquisa, agora sabemos que pode haver mais planetas que estrelas”, disse Paul Hertz, diretor da Divisão de Astrofísica do quartel-general da Nasa.

De acordo com a Nasa, a análise que resultou na descoberta dos novos exoplanetas foi feita a partir de um catálogo de 4302 “candidatos a planeta”, isto é, potenciais planetas cujos sinais haviam sido captados pelo Kepler, mas cuja existência ainda não havia sido confirmada.

99% de certeza

Segundo a nova análise, dos 4302 potenciais exoplanetas, 1.284 foram confirmados, por apresentarem uma chance maior que 99% de serem de fato planetas – porcentual mínimo de probabilidade para que um candidato receba o status de planeta.

Outros 1327 candidatos não atingiram o limite mínimo de 99% de chance de confirmação e não foram considerados planetas. Foram descartados 707 candidatos que, segundo a Nasa, provavelmente são outros tipos de fenômenos astrofísicos. A análise também validou 984 candidatos que já haviam sido verificados antes por outras técnicas.

Do conjunto de novos planetas validados, cerca de 550 podem ser planetas rochosos como a Terra – o que é possível concluir com base no tamanho deles. Nove desses planetas rochosos têm órbitas na chamada zona habitável de suas estrelas.

A zona habitável é caracterizada quando a distância entre um planeta e sua estrela é a ideal para que a superfície planetária tenha temperaturas que permitam a existência de água líquida – uma condição necessária para a existência de vida.

Com os nove novos planetas, agora são conhecidos no total 21 exoplanetas na zona habitável.

Por que “candidatos”?

O Kepler utiliza o método de trânsito para capturar os sinais dos planetas. Ao observar uma estrela distante, o telescópio detecta minúsculas reduções em seu brilho caso exista um planeta em trânsito – isto é, passando diante da estrela.

Mas, como os exoplanetas não são de fato visualizados, os sinais são inicialmente catalogados como os de “candidatos a planeta”. Desde a descoberta dos primeiros planetas fora do sistema solar, há mais de 20 anos, os cientistas têm sido obrigados a realizar um trabalhoso processo de análise dos candidatos, estudando-os um a um antes de confirmá-los como planetas.

O novo método de análise estatística, no entanto, pode ser aplicado simultaneamente a diversos candidatos a planeta. Os resultados do estudo foram publicados na revista científica Astrophysical Journal.

Nova técnica

Timothy Morton, da Universidade de Princeton em Nova Jersey (EUA), empregou uma técnica para atribuir a cada candidato a planeta uma probabilidade de confirmação.

As técnicas estatísticas tradicionais tinham foco apenas em sub-grupos da lista de candidatos identificada pelo Kepler. “Podemos pensar em candidatos a planeta como se fossem migalhas de pão. Se você derruba algumas migalhas grandes no chão, você pode recolhê-las uma a uma. Mas se você deixa cair um saco de migalhas pequenas, você vai precisar de uma vassoura. Essa análise estatística é a nossa vassoura”, disse Morton.

Dos cerca de 5 mil candidatos a planeta descobertos até hoje, mais de 3.200 foram verificados, dos quais 2.325 foram descobertos pelo Kepler. O telescópio foi lançado em março de 2009 e é a primeira missão da Nasa voltada para descobrir planetas habitáveis com dimensões semelhantes às da Terra.

Os novos planetas foram descobertos graças a dados coletados pelo Kepler entre 2009 e 2013, quando o telescópio observava cerca de 150 mil estrelas em um pequeno quadrante do céu entre as constelações de Cisne e Lira, buscando sinais de trânsito de planetas.

Com informações: Agência Estado

22:14 · 06.01.2015 / atualizado às 22:13 · 06.01.2015 por
Foto: Nasa
Ano passado, o Kepler-186f foi celebrado como a descoberta de um mundo do tamanho da Terra na zona habitável de sua estrela. Pelo menos, um dos planetas descobertos agora, o Kepler-438b tem tamanho similar Foto: Nasa

Astrônomos anunciaram nesta terça-feira (6) a identificação de oito novos planetas potencialmente habitáveis fora do Sistema Solar.

Três deles são mais promissores e ganharam os codinomes Kepler-438b, Kepler-442b e Kepler-440b. A descoberta, como sugerem os nomes, foi feita com dados do telescópio espacial Kepler, da Nasa, que com as novas confirmações ultrapassou a marca dos mil planetas avistados.

Pelos critérios adotados pelos autores da pesquisa, liderada por Guillermo Torres, do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica, de Massachusetts (EUA), e Douglas Caldwell, todos os oito novos planetas podem estar dentro da zona habitável -região em torno de uma estrela em que a quantidade de radiação recebida pelo planeta é adequada para manter a água em estado líquido. É o caso da Terra no Sistema Solar.

Contudo, existem várias definições possíveis para a zona habitável, algumas mais flexíveis e outras menos. A equipe do próprio Kepler usa um critério rígido. Por esse padrão, só os três mais promissores estariam dentro. Essas diferenças causaram alguma confusão entre os que acompanharam o anúncio dos cientistas, durante a reunião da Sociedade Astronômica Americana (AAS), que acontece em Seattle (EUA).

“Usamos uma estratégia diferente, que calcula a probabilidade de que um planeta esteja mesmo na zona habitável”, explicou Caldwell. “Todos os oito tinham mais de 50% de estar nelas. Mas destacamos os três que seguramente estão.”

Rochosos ou gasosos?

Todos os oito novos planetas são pequenos, com diâmetro variando entre 12% e 173% maiores que a Terra. Mas nem todos devem ser rochosos como nosso planeta.

Um estudo recente sugere que planetas até 50% maiores que a Terra tendem a ser rochosos como ela. Já os que são maiores que isso tendem a ser versões em miniatura de Netuno, o menor dos gigantes gasosos do Sistema Solar.

Por esse critério, os dois planetas mais interessantes dos recém-descobertos devem ser o 438b e o 442b. Ambos orbitam estrelas menores que o Sol, e por isso eles levam bem menos tempo que a Terra para completar uma volta em torno delas.

O primeiro é do mesmo tamanho que o Kepler-186f, identificado no ano passado e celebrado como a descoberta de um mundo do tamanho da Terra na zona habitável de sua estrela. O segundo é só 33% maior que a Terra, mas de estrutura similar.

Ainda existe uma distância entre encontrar planetas que estejam potencialmente na zona habitável e constatar que eles realmente têm ambientes favoráveis à vida.

Para tal, espera-se que, nos próximos anos, cientistas sejam capazes de estudar a “assinatura de luz” da atmosfera de alguns desses mundos.

Isso não vai acontecer tão cedo para Kepler-438b e 442b que ficam longe demais para serem analisados pela próxima geração de telescópios.

Planetas como a Terra

De toda forma, a missão do Kepler era levantar estatísticas, de forma que os cientistas pudessem estimar a frequência de planetas como a Terra em órbitas favoráveis.

Hoje, a equipe do satélite apresentou sua mais nova estimativa parcial de candidatos a planeta, agregando 554 novas entradas. Cerca de 90% deles devem ser reais.

Fergal Mullally, astrônomo do Escritório de Ciência do Kepler, destacou um, denominado “5737.01”. Ele parece ser um planeta um pouco maior que a Terra, em torno de uma estrela do mesmo tamanho que o Sol, com uma órbita praticamente igual.

Um gêmeo da Terra? A descoberta de candidatos como esse dá a certeza de que o melhor ainda está por vir.

Com informações: Folhapress

09:30 · 03.01.2015 / atualizado às 09:43 · 03.01.2015 por
Foto: ESA
Talvez o feito científico mais notável de 2014 (e até do século XXI) tenha sido o pouso do robô Philae, da Agência Espacial Europeia, no cometa 67P/ Churyumov-Gerasimenko, em 12 de novembro. Foi a primeira vez que um objeto construído pela Humanidade pousou em um cometa  Foto: ESA

Em 2014, o blog mudou de nome. Embora, sem desviar o olhar das pesquisas e descobertas científicas feitas no Ceará, nossa cobertura nacional e internacional foi amplificada no ano que passou.

Daí resolvemos mudar de Ceará Científico para Diário Científico, valorizando também o espaço que nos é concedido naquele que é o jornal de maior circulação do Estado, o Diário do Nordeste, que em 2014 também ampliou sua atuação em plataformas digitais.

Mas o ano que se encerrou na última quarta-feira, não foi de mudanças apenas em nosso blog, a Ciência também trouxe transformações, principalmente em nosso conhecimento sobre o espaço, sobre a saúde humana, sobre as origens da vida, sobre o mundo das partículas subatômicas.

Para relembrar as mais importantes descobertas e notícias científicas de 2014, o Diário Científico selecionou um post de cada mês, avaliado como o mais relevante publicado neste blog. Confira!

Janeiro

Nanopartículas transportadoras de proteína mostram eficácia contra câncer em metástase

Cientistas na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, desenvolveram nanopartículas que permanecem na corrente sanguínea e matam células do câncer ao ter contato com elas. A equipe de Cornell criou nanopartículas que transportam a proteína Trail (que também significa “trilha”), que tem a capacidade de matar o câncer e já era utilizada em tratamentos experimentais, além de outras proteínas “grudentas”.

Fevereiro

Brasil lançou 80 veículos espaciais em 10 anos; confira entrevista com diretor do CLA

Pouca gente sabe, mas em média o Brasil lançou um foguete ao espaço a cada 46 dias entre 2003 e 2013. O feito fica ainda mais impressionante quando se considera um investimento para o setor aeroespacial que representa apenas pouco mais de 0,01% do Orçamento da União e que no dia 22 de agosto de 2003, uma explosão na principal base de lançamento de foguetes do país matou 21 dos mais brilhantes cientistas brasileiros.

Março

Brasil participa de descoberta de anéis de corpo celeste conhecido como centauro

Uma observação feita por astrônomos de vários países, incluindo pesquisadores do Brasil, permitiu a descoberta de anéis em um corpo celeste do sistema solar do tipo centauro, pequenos objetos que orbitam ao redor do Sol atravessando as órbitas dos planetas. O objeto, denominado Chariklo, está situado entre as órbitas de Saturno e Urano, e tem dois anéis, distantes cerca de 9 quilômetros um do outro.

Abril

Encontrado primeiro exoplaneta habitável do tamanho da Terra

Cientistas descobriram o primeiro planeta fora do Sistema Solar de tamanho semelhante ao da Terra e onde pode existir água em estado líquido, o que o torna habitável. A descoberta reforça a possibilidade de encontrar planetas similares à Terra.  “O que torna esta descoberta algo particularmente interessante é que este planeta, batizado de Kepler-186f, tem o tamanho terrestre”, destaca Elisa Quintana, astrônoma.

Maio

 Mosquitos da dengue podem transmitir nova doença: a febre chikungunya

Os mosquitos Aedes aegypti e A. albopictus – os mesmos que transmitem a dengue – são eficazes em transmitir a febre chikungunya. Os resultados para o Rio de Janeiro foram especialmente preocupantes: quase 90% dos mosquitos eram capazes de transmitir a doença sete dias após infectados. Em alguns casos os mosquitos já tinham uma carga suficiente na saliva apenas dois dias depois de receberem os vírus.

Junho

Projeto Andar de Novo é alvo de polêmica nas redes sociais

Críticos de Miguel Nicolelis, líder do projeto Andar de Novo, comemoraram o que teria sido um fracasso. Em vez do show de um paraplégico equipado com uma veste robótica, que andaria e chutaria uma bola só com a força do pensamento, o pontapé inicial do Mundial ganhou menos de três segundos de televisão. Esperança de um primeiro Prêmio Nobel verde-amarelo, Nicolelis culpou a Fifa pela exibição relâmpago de seu experimento na TV.

Julho

Pesquisadores encontram terceira população de ave ameaçada de extinção no Ceará

A equipe do Projeto Periquito Cara-Suja, parte do Programa de Conservação de Aves Ameaçadas da Aquasis, descobriu uma pequena população de periquitos-cara-suja, ave em perigo crítico de extinção, na região da Serra Azul no município de Ibaretama (CE). Ao todo foram identificados cinco indivíduos da espécie Pyrrhura griseipectus residindo em um ninho localizado em uma pequena cavidade no alto de um paredão.

Agosto

Sonda europeia é a primeira da História a entrar na órbita de um cometa

A sonda europeia Rosetta entrou  na órbita de um cometa, depois de ter passado quase uma década no seu encalço. A nave se aproximou do 67P/ Churyumov-Gerasimenko para investigar a estrutura e composição do astro. Uma das teorias sobre o início da vida na Terra postula que os primeiros ingredientes da chamada “sopa orgânica” vieram de um cometa. Os instrumentos da Rosetta devem observar o cometa por mais de um ano.

Setembro

Índia põe sonda em órbita de Marte na primeira tentativa; feito é inédito para um país asiático

A Índia se tornou o primeiro país asiático a colocar um satélite em órbita de Marte. Com a chegada da MOM (Mars Orbiter Mission), também batizada Mangalyaan (“nave marciana” em sânscrito), o segundo país mais populoso do mundo venceu uma corrida particular contra seus rivais Japão e China. Ambos já haviam tentado estabelecer um orbitador ao redor do “Planeta vermelho” antes, mas fracassaram.

Outubro

Quatro estados nordestinos avistam clarão no céu; detrito do cometa Halley pode ser responsável

Moradores de Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Rio Grande do Norte surpreenderam-se com um clarão repentino no céu no dia 15 daquele mês. O fenômeno que assustou muita gente e dominou as redes sociais na região chama-se bólido ou fireball (bola de fogo), segundo a Sociedade Astronômica do Recife. Segundo os astrônomos, a luminosidade é oriunda de aquecimento resultante do atrito com gases da atmosfera.

Novembro

Após pouso histórico em cometa, robô Philae pode ficar sem energia a qualquer momento

O veículo Philae, estabilizado na superfície de um cometa, está recebendo pouca luz em seus painéis solares, o que comprometeu a duração da sua bateria – e afetou a histórica missão da Agência Espacial Europeia (ESA). Cientistas que trabalham no projeto espacial analisam como movimentar o robô para que receba mais luz. O Philae está estacionado à sombra de um penhasco a 1km do local planejado.

Dezembro

Robô da Nasa acha moléculas orgânicas, possíveis sinais de vida, em Marte

A presença de metano na atmosfera de Marte e de elementos químicos orgânicos no solo do planeta vermelho são as mais recentes e provocantes descobertas do veículo explorador Curiosity, da Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa), na busca de pistas sobre a possibilidade de vida extraterrestre. Os cientistas disseram que o Curiosity captou irrupções esporádicas de metano, um gás que tem fortes conexões com a vida.

22:17 · 08.06.2014 / atualizado às 22:28 · 08.06.2014 por
Foto: ESO
Uso do Sphere permitiu registrar o disco de poeira em torno da estrela HR 4796A de forma nítida, mesmo com o forte brilho do astro, que deixou os pesquisadores otimistas Foto: ESO

O Sphere, instrumento construído para estudar exoplanetas (planetas que orbitam em torno de estrelas que não são o sol), conseguiu atingir grau de contraste superior ao dos equipamentos já existentes.

O uso do Sphere permitiu registrar o disco de poeira (protoplanetário) em torno da estrela HR 4796A de forma nítida, mesmo com o forte brilho do astro, que deixou os pesquisadores otimistas. A expectativa é que ele revolucione o estudo sobre esses planetas.

Os primeiros resultados do Sphere foram divulgados pelo (European Southern Observatory), que faz parte do consórcio de instituições europeias lideradas pelo Instituto de Planetologia e Astrofísica de Grenoble, na França, responsáveis pela concepção e construção do equipamento.

O Sphere foi instalado no Very Large Telescope, em Cerro Paranal, no Chile, em maio deste ano, após passar por testes de aceitação na Europa em dezembro de 2013. Através da combinação de várias técnicas avançadas, o Sphere consegue obter o melhor contraste já visto na captação de imagens diretas de planetas, em comparação aos resultados obtidos pelo Naco, primeiro equipamento a obter uma imagem direta de um exoplaneta.

“O Sphere é um instrumento muito complexo. Graças ao trabalho árduo de todos os envolvidos na sua concepção, construção e instalação, já conseguimos superar todas as nossas expectativas” diz Jean-Luc Beuzit, investigador principal do Sphere e membro do Instituto de Planetologia e Astrofísica de Grenoble.

Beuzit afirma que esse é apenas o início dos benefícios que o Sphere trará à pesquisa científica. “O Sphere é uma ferramenta poderosa e única, que irá, sem sombra de dúvidas, revelar muitas surpresas excitantes nos próximos anos,” conclui.

Com informações: UOL Ciência

16:43 · 17.04.2014 / atualizado às 17:07 · 17.04.2014 por
Imagem: Nasa / Seti
Concepção artística do Kepler-186f, em órbita de sua estrela anã. O exoplaneta mede o equivalente a 1,1 diâmetros da Terra (cerca de 13 a 14 mil km) e dá uma volta completa em torno de sua estrela a cada 129,9 dias. Ele possui alternância entre dias e noites, pode ter água em estado líquido e está a 490 anos-luz do Sistema Solar  Imagem: Nasa / Seti

Cientistas descobriram o primeiro planeta fora do Sistema Solar de tamanho semelhante ao da Terra e onde pode existir água em estado líquido, o que o torna habitável.

A descoberta reforça a possibilidade de encontrar planetas similares à Terra na nossa galáxia, a Via Láctea, segundo uma equipe internacional de astrônomos liderada por um profissional da Nasa. O trabalho foi publicado na edição desta quinta-feira (17) da revista científica americana Science.

“O que torna esta descoberta algo particularmente interessante é que este planeta, batizado de Kepler-186f, tem o tamanho terrestre e está em órbita ao redor de uma estrela classificada como anã, menor e menos quente do que o sol, na zona temperada onde a água pode ser líquida”, destaca Elisa Quintana, astrônoma do centro de pesquisas Ames, da Nasa, que ficou à frente da pesquisa.

Considera-se que esta zona seja habitável porque a vida como a conhecemos tem possibilidades de se desenvolver naquele ambiente, segundo os pesquisadores. Para Fred Adams, professor de Física e Astronomia da Universidade de Michigan, “trata-de de um passo importante na busca para descobrir um exoplaneta idêntico à Terra”.

De acordo com o jornalista e blogueiro Salvador Nogueira, do “Mensageiro Sideral”, o exoplaneta tem, “praticamente o mesmo diâmetro da Terra — 1,1 vez o do nosso mundo. Até onde se sabe, ele é o quinto a contar de seu sol e leva 129,9 dias terrestres para completar uma volta em torno de sua estrela”.

Ele destaca ainda que “a estrela-mãe desse planeta é uma anã vermelha com cerca de metade do diâmetro do nosso Sol, localizada a cerca de 490 anos-luz daqui”. Nogueira acrescenta que “o planeta está suficientemente distante dela para não sofrer uma trava gravitacional”, ou seja, possui dias e noites alternadas.

Apesar de Kepler-186f estar a uma distância relativamente curta em termos astronômicos, a viagem até lá levaria 8,5 milhões de anos na Voyager 1, a nave mais rápida da Terra.

Com informações: AFP/ Mensageiro Sideral

17:05 · 27.02.2014 / atualizado às 17:06 · 27.02.2014 por
Concepção artística representando diferentes modelos de sistemas estelares descobertos pelo satélite norte-americano Kepler Imagem: Nasa
Concepção artística representando diferentes modelos de sistemas estelares descobertos pelo satélite norte-americano Kepler Imagem: Nasa

O número de planetas conhecidos fora do Sistema Solar quase dobrou numa tacada só. A equipe responsável pelo satélite americano Kepler anunciou a descoberta de 715 desses mundos distantes.

O achado corresponde à análise dos dois primeiros anos de coleta de dados do telescópio espacial da Nasa, por meio de um novo método que permite confirmar que se tratam mesmo de planetas, e não de falsos positivos.

O Kepler operou por quase quatro anos, até que em maio do ano passado um defeito em uma de suas rodas de reação impediu o apontamento preciso do satélite e interrompeu a missão. Com isso, é certeza que o número de planetas ainda vai subir bastante conforme mais dados sejam processados pelo novo método.

Por ora, o número saltou de cerca de 1.000 para 1.700. Não há um número exato, pois diversos grupos contabilizam diferentes astros, e não há uma contabilização oficial. De toda forma, é um aumento de 70% no número de planetas identificados. E um aspecto interessante do novo achado: ele envolve apenas estrelas que têm mais de um planeta em torno delas. É um viés criado pelo próprio método de confirmação.

O Kepler detecta planetas ao identificar pequenas reduções de brilho que acontecem nas estrelas quando um mundo passa à frente delas, com relação ao campo de visão do telescópio. Na maioria dos casos, essas detecções são mesmo planetas. Mas em alguns deles, é possível que as variações de brilho sejam geradas por estrelas binárias.

Em geral, para confirmar que de fato se trata de um planeta, até agora era preciso fazer uma verificação independente com telescópios em terra, por outro método de detecção. Mas a equipe liderada por Jack Lissauer, do Centro Ames de Pesquisa da Nasa, usou o conceito de “multiplicidade” para obter a confirmação “por baciada”.

A noção é observar estrelas que têm múltiplos planetas e, portanto, apresentam múltiplas reduções de brilho conforme cada um deles passa à frente delas. O padrão de multiplicidade reduz drasticamente a possibilidade de falsos positivos, que podem ser descartados facilmente.

Assim, o nível de certeza para os novos mundos detectados excede 99%. Mais do que bom, segundo Lissauer. “A multiplicidade é uma técnica poderosa para verificação de planetas em grande quantidade”, disse o pesquisador, em entrevista coletiva realizada pela Nasa.

Em razão do viés criado pela técnica, todos os mundos recém-anunciados pertencem a sistemas multiplanetários. Os 715 estão distribuídos em torno de 305 estrelas, das 150 mil que o Kepler monitorou durante sua missão inicial.

Com informações: Folhapress