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Tag: fósseis


08:53 · 28.01.2018 / atualizado às 11:25 · 27.01.2018 por
O Geopark Araripe faz parte de uma rede global de geoparques ligada à Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) Foto: Crato.org

Mais de quatro anos após uma apreensão de quase 3 mil fósseis furtados da Bacia do Araripe, localizada na região Nordeste, incluindo parte do território cearense, cientistas paulistas e nordestinos disputam o material.

Os fósseis, com idades de 100 milhões a 120 milhões de anos, foram retirados da região do Cariri, que inclui partes do Ceará, Pernambuco e Piauí. A Bacia do Araripe é uma das maiores e mais importantes jazidas do Período Cretáceo no Brasil e no mundo. Em 2014, quando a Justiça Federal decidiu que os fósseis recuperados pela Polícia Federal na França, em Minas Gerais e no interior de São Paulo fossem cedidos à Universidade de São Paulo (USP), que deveria armazená-los adequadamente e, principalmente, estudá-los.

A decisão foi cumprida e, de acordo com a pesquisadora responsável pelo material, Juliana Leme, professora de Paleontologia do Instituto de Geociências da USP, os fósseis – furtados para serem vendidos por altos valores a museus privados no exterior – estão proporcionando conhecimento científico há mais de um ano.

Na universidade paulista, eles têm sido utilizados em aulas, pesquisas de mestrado e doutorado e na divulgação científica: a instituição inaugurou recentemente uma exposição (mais informações nesta página) com mais de 50 peças importantes do acervo apreendido. De acordo com Juliana, os abundantes fósseis são “um tesouro científico brasileiro.”

“O material enviado à USP é belíssimo, com muitas peças raras. Vários fósseis estão em um grau incomum de preservação. É um alívio que isso não tenha ido parar em coleções particulares fora do País”, afirma.

Protesto cearense

Apesar do aparente final feliz, a escolha da USP como depositária dos fósseis causou protestos.

O paleontólogo Álamo Saraiva, professor da Universidade Regional do Cariri (Urca), discorda da decisão judicial e entrou com um recurso para que os fósseis sejam enviados de volta à região de origem.

“Por sorte, pudemos contar com a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência, que têm feito um trabalho tão bom que até nos surpreende. Mas ainda temos um grande problema aqui no Cariri: além de ter de lidar com os traficantes de fósseis, somos vítimas do ‘fogo amigo’”, diz Saraiva, que é curador do Museu de Paleontologia da Urca, em Santana do Cariri, no Ceará, referindo-se aos cientistas do Sudeste.

Saraiva explica que, para os pesquisadores nordestinos, a presença dos fósseis no Ceará é fundamental para o desenvolvimento sustentável da região, que abriga o Geopark Araripe, parte de uma rede global de geoparques ligada à Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Criados em áreas do mundo onde há patrimônio geológico importante, os geoparques envolvem ciência, conservação ambiental e do patrimônio cultural, educação, geoturismo e desenvolvimento econômico.

“Vivemos dos fósseis, que têm valor de patrimônio cultural. Eles perdem esse valor quando saem daqui e vão parar em gavetas em universidades de São Paulo e do Rio, embora ainda mantenham o valor científico”, declarou Saraiva.

‘Cumprimento de decisão’

Juliana, por outro lado, argumenta que a USP está apenas cumprindo uma decisão judicial, segundo a qual o Instituto de Geociências da USP foi escolhido como destino das peças “por ter totais condições de dar a elas o tratamento e uso científico adequado”.

A pesquisadora também alega que a USP investiu recursos e trabalho no material, já que a universidade recebeu os fósseis lacrados em outubro de 2014, acompanhados de laudos técnicos. O processo para retirar o lacre, identificar, acondicionar e guardar peça por peça durou um ano. Apenas no fim de 2015 o material foi liberado para pesquisa.

Nos dois anos seguintes, a coleção proporcionou pelo menos oito pesquisas de iniciação científica, mestrado e doutorado, de acordo com Juliana. No fim de 2016 foi lançado o edital para a exposição e, um ano depois, ela foi aberta ao público. “Não é verdade, absolutamente, que esse material ficou engavetado”, defende. Saraiva, porém, contesta o investimento feito pela USP. “Se a USP tivesse injetado muitos recursos no material apreendido, eu até aceitaria que a coleção ficasse em São Paulo. Mas o que requer mais investimento é a preparação dos fósseis e esse material já estava perfeitamente preparado”, disse.

A preparação dos fósseis é um processo de alta complexidade técnica, no qual os especialistas retiram minuciosamente, no laboratório, o excesso de sedimentos incrustados nas peças, para que as características dos fósseis fiquem visíveis, permitindo seu estudo.

Contrabando

Segundo Saraiva, pela alta qualidade da preparação dos fósseis apreendidos, é possível até mesmo identificar o paleontólogo que fez o serviço: o alemão Michael Schwickert, considerado um dos principais contrabandistas de fósseis do Araripe há pelo menos 20 anos.

De acordo com a PF, ele está entre as 13 pessoas que integravam a quadrilha desbaratada. “Basta olhar para o material para constatar que a preparação primorosa foi feita por ele”.

Com informações: Estadão Conteúdo

16:47 · 01.03.2017 / atualizado às 16:48 · 01.03.2017 por
Os microfósseis foram encontrados no Cinturão de Nuvvuagittuq, no Canadá, onde está localizada a rocha mais antiga conhecida, e podem ter entre 3,77 e 4,29 bilhões de anos Foto: Matthew Dodd

Pesquisadores anunciaram a descoberta de micro-organismos fósseis que teriam entre 3,77 e 4,29 bilhões de anos, o que seria a mais antiga evidência de vida na Terra, de acordo com um estudo divulgado nesta quarta-feira (1º).

Eles descobriram esses microfósseis em camadas de quartzo no sítio geológico de Nuvvuagittuq, nordeste de Quebec (Canadá). “Graças a imagens a laser das amostras coletadas, nós identificamos micro-organismos fósseis, que são os mais antigos conhecidos no mundo”, declarou Matthew Dodd, da UCL (University College London), em um vídeo postado no site da revista Nature.

Em diâmetro, medem metade de um fio de cabelo humano. Em comprimento, medem até meio milímetro, informou. “O mais interessante nessa descoberta” é constatar que a vida iniciou na Terra de maneira precoce – “isto levanta questões interessantes” sobre o que aconteceu em Marte e em outros lugares do universo”, considera Matthew Dodd.

“Se a vida começou tão rápido na Terra”, “poderia ter acontecido o mesmo em outros planetas?”, questiona ele.

Idade controversa

Estes microfósseis foram encontrados no Cinturão de Nuvvuagittuq, um afloramento localizado ao longo da costa do Quebec, onde está localizada a rocha mais antiga conhecida (4,29 bilhões de anos).

“Foi datada por um método bastante sólido, mas a questão da sua idade ainda é debatida”, disse Dominic Papineau, também da University College London (UCL) e principal autor do estudo. “Para se manterem conservadores”, os cientistas deram aos microrganismos “uma idade mínima de 3,77 bilhões de anos”, acrescenta.

O que já é 300 milhões de anos mais velho do que os microfósseis mais antigos conhecidos até agora, que foram encontrados na Austrália e que têm 3,4 bilhões de anos, segundo Dominic Papineau.

Com informações: AFP

20:41 · 09.04.2015 / atualizado às 20:45 · 09.04.2015 por
Foto: Nasa
A Nasa tem como objetivo enviar astronautas para Marte em 2030, um passo que cientistas acreditam que será “chave” para procurar sinais de vida atual ou extinta Foto: Nasa

Existe vida fora da Terra? Aparentemente sim, e poderíamos descobrir sua existência na próxima década.

Segundo a cientista-chefe da Nasa, Ellen Stofan, teremos registros de alienígenas que vivem em outros planetas até 2025.

Stofan acredita que serão encontrados sinais de vida fora da Terra em até 10 anos, e provas definitivas disso em até 20 anos. “Nós sabemos onde procurar. Então sabemos como procurar”, disse, em um debate transmitido na Nasa TV sobre a possibilidade de encontrar outros “mundos habitáveis”.

Água e vida simples

O que estamos procurando? E onde? As primeiras descobertas de vida fora da Terra provavelmente estão mais perto do que imaginamos, mas não serão homenzinhos verdes em naves espaciais e, sim, alguma espécie de plâncton ou de alga.

Existe muita água no Sistema Solar. É quase certo que existam oceanos de água salgada sob as conchas geladas das luas de Júpiter, Europa e Ganímedes, assim como na lua de Saturno, Encélado. A água é mantida líquida pela gravidade intensa dos planetas gigantes onde as luas orbitam, que os deforma e contribui para o aquecimento de seus núcleos.

Acredita-se que Encélado tenha atividade vulcânica nas profundezas de seu oceano, o que manteria a água aquecida a uma temperatura de 93º. Acredita-se que todas as três luas têm mais água em seus oceanos do que todos os oceanos da Terra juntos. Ainda não é possível saber se há vida lá, mas são ótimos lugares para começar a procurar.

E também há Marte, é claro. É quase certo que o planeta vermelho teve oceanos algum dia, e há evidências fotográficas sugerindo que ainda existe muita água escondida sob a superfície. O rover Curiosity da Nasa – veículo destinado a explorar a superfície de Marte – recentemente descobriu “moléculas orgânicas que contêm carbono”.

Molécula orgânica fora do Sistema Solar

Além das descobertas mais próximas de nós, um grupo de cientistas detectou, pela primeira vez, componentes orgânicos essenciais ao redor de uma distante estrela jovem, o que corrobora a possibilidade de haver vida além do Sistema Solar.

A equipe internacional detectou “grandes quantidades de cianeto de metilo (CH3-CN) no disco protoplanetário que rodeia a jovem estrela MWC 480”. Esta descoberta é muito importante, segundo argumentam os especialistas que realizaram a pesquisa, porque esta molécula contém enlaces entre átomos de carbono e nitrogênio.

Tanto o cianeto de metilo como seu parente mais simples, o ácido cianídrico (HCN), foram achados “nos frios confins do disco recém-formado” em torno da estrela MWC 480, um astro duas vezes maior que nosso Sol e a aproximadamente 455 anos-luz da Terra, na região de formação estelar de Touro.

Missões promissoras

O próximo rover que será lançado com direção à Marte em 2020 irá buscar sinais de que pode ter existido vida no planeta.

A Nasa também tem como objetivo enviar astronautas para Marte em 2030, um passo que cientistas como Ellen Stofan acreditam que será “chave” para procurar sinais de vida, porque mesmo com câmeras ultratecnológicas, encontrar fósseis usando o veículo é muito difícil – às vezes é preciso procurar embaixo da pedra, não nela em si.

A Nasa também está planejando uma missão para a Europa, uma das luas de Júpiter, que deverá ser lançada em 2022. O principal objetivo dessas missões,que custarão cerca de US$ 2,1 bilhões (R$ 6,4 bilhões), é estudar se a lua congelada tem potencial habitável e, ao fazer isso, procurar também sinais de vida nas nuvens de vapor de água que aparentemente irrompem do polo sul da Europa.

E a vida em torno de outras estrelas? O telescópio espacial James Webb, que será lançado em 2018 e custará US$ 8,8 bilhões (R$ 26,8 bilhões), é tão poderoso que pode analisar gases na atmosfera de planetas em volta de outras estrelas, buscando sinais de vida.

 Com informações: BBC/EFE

18:00 · 05.01.2015 / atualizado às 17:13 · 06.01.2015 por
Foto: Nasa
Imagens captadas pelo robô Curiosity fotografaram uma formação semelhante à deixada por colônias de bactérias na Terra Foto: Nasa

A geóloga norte-americana Nora Noffke, da Old Dominion University, afirmou num estudo publicado na revista Astrobiology que pode ter encontrado fósseis na superfície de Marte.

Segundo Noffke as imagens captadas pelo robô Curiosity fotografaram uma formação semelhante à deixada por colônias de bactérias na Terra.

Estes fósseis são conhecidos pela sigla em inglês Miss (estruturas sedimentares induzidas por micróbios). Para a pesquisadora esses fósseis indicam que pode ter havido vida microbiológica na água de Marte, que secou completamente em algum momento do passado.

O artigo deixa claro que a hipótese ainda precisa de ser provada ou refutada através de métodos científicos. As rochas que ela analisou foram fotografadas pelo Curiosity em dezembro de 2012 na Baía de Yellowknife, na Cratera Gale. No local existia um lago que durou até pelo menos 3,7 bilhões de anos.

Desde que começou a exploração científica em Marte, os cientistas verificam provas da existência de água no solo marciano no passado. No entanto, ainda não há consenso de como o planeta perdeu todo o líquido e adquiriu a paisagem inóspita que conhecemos.

O atual problema para comprovar a hipótese de Noffke é o fato de o Curiosity estar bem longe da Baía de Yellowknife, o que impede novos estudos nos supostos fósseis.

Evidências anteriores

Esta não é a primeira vez que supostos fósseis são verificados em Marte. Em 2010 investigadores encontraram rochas na região da fossa Nili que poderiam conter restos fossilizados da vida em Marte.

O Instituto para Busca de Inteligência Extraterrestre (Seti, na sigla em inglês), da Califórnia, disse que as formações rochosas com 4 bilhões de anos conservaram restos do que seriam estruturas biológicas.

Já em 2008 cientistas descobriram nestas rochas evidências de carbonatos, que são produzidos por decomposição de material orgânico sedimentado.

Com informações: Diário Digital / Sapo

21:30 · 11.06.2014 / atualizado às 21:31 · 19.07.2014 por
Foto: Slate's Animal Blog
Medindo apenas 6 cm de comprimento, o Metaspriggina tinha algo em comum com os salmões modernos: a musculatura poderosa Foto: Slate’s Animal Blog

O nome científico da criatura é Metaspriggina, mas você também pode chamá-la de “vovó”, caso não tenha problemas em reconhecer seu parentesco com um peixinho de 505 milhões de anos.

Uma nova análise de fósseis do animal indica que ele é um dos mais primitivos vertebrados, grupo que inclui anfíbios, répteis, aves e, claro, mamíferos como o homem. Embora já fosse conhecido dos paleontólogos, o Metaspriggina tinha sido batizado a partir da análise de restos muito fragmentados, que não permitiam uma visão detalhada.

A coisa acaba de mudar de figura com a descoberta de cerca de cem novos espécimes do bicho, achados em sítios das montanhas Rochosas do Canadá. Um deles é o Burgess Shale, que se tornou conhecido mundialmente porque, em suas rochas, boa parte da fauna marinha de meio bilhão de anos atrás ficou “congelada” nas rochas, em excelente estado de preservação.

E, o que é mais importante, essa preservação inclui os tecidos moles do organismo, fato crucial no caso do Metaspriggina e de outros bichos cujo corpo era “molenga”. Isso vale inclusive para um protovertebrado como ele porque, em vez de ossos como os dos seres humanos, ele tinha cartilagens pelo corpo. No lugar de uma coluna vertebral, o peixe tinha notocorda, estrutura que ainda aparece nos embriões de vertebrados terrestres.

Os novos fósseis do vertebrado primitivo estão descritos na edição desta semana da revista científica britânica “Nature”. Os autores da pesquisa são Simon Conway Morris, da Universidade de Cambridge (Reino Unido), e Jean-Bernard Caron, do Museu Real de Ontário (Canadá).

Características precursoras

Medindo apenas 6 cm de comprimento, o Metaspriggina não seria o mais suculento dos pratos caso fosse para a frigideira, mas tinha algo em comum com os filés de salmão ou tilápia que podem ser encontrados em qualquer supermercado: a musculatura poderosa.

A força muscular devia ser empregada basicamente para fugir, já que os maiores predadores dos mares nessa época eram invertebrados encouraçados com cerca de 1,5 m.

Os fósseis permitem visualizar outros detalhes importantes de sua anatomia: brânquias, fígado e talvez até o coração e seu conteúdo intestinal.

Quanto aos órgãos dos sentidos, é possível detectar estruturas que se tornariam típicas dos vertebrados: olhos do tipo câmera, com um cristalino e narinas.

A criatura também parece ter estruturas cartilaginosas que podem ter dado origem à mandíbula dos vertebrados posteriores.

Com informações: Folhapress

17:44 · 07.04.2014 / atualizado às 17:55 · 07.04.2014 por
Foto: Correio Braziliense
Foto: Correio Braziliense

Em um fóssil de 520 milhões de anos pesquisadores encontraram um ancestral do crustáceo moderno, revelando o primeiro sistema cardiovascular conhecido em surpreendente estado de preservação.

O fóssil de cerca de 7,6 cm foi enterrado em partículas finas – agora preservadas como argilito de grão fino – durante o período Cambriano, 520 milhões anos atrás, no que hoje é a província de Yunnan, na China. Encontrado por Peiyun Cong perto de Kunming, ele pertence à espécie Fuxianhuia protensa, uma linhagem extinta.

“Fuxianhuia são relativamente abundantes, mas muito poucos espécimes fornecem provas de uma pequena parte de um sistema de órgãos”, disse Nicholas Strausfeld, que dirige Departamento de Neurociências da Universidade do Arizona, nos EUA. “O animal parece simples, mas sua organização interna é bastante elaborada. O cérebro, por exemplo, recebeu muitas artérias”, completou.

Além do coração e dos vasos sanguíneos preservados de forma sofisticada, há traços de carbono incorporados nos restos mineralizados que cercam o fóssil, ele também possui os olhos, antenas e morfologia externa do animal.

Com informações: O Globo

14:51 · 28.06.2013 / atualizado às 15:10 · 28.06.2013 por
Pequeno primata deve ter se alimentado de insetos e reunia características tanto de lêmures, quanto de humanos Foto:
Pequeno primata deve ter se alimentado de insetos e hábitos diurnos reunia características tanto de lêmures, quanto de humanos. O animal viveu pouco mais de 10 milhões de anos após extinção dos dinossauros Foto: Academia Chinesa de Ciências

Paleontólogos chineses encontraram restos fossilizados de 55 milhões de anos do que parece ser o primata mais antigo já descoberto pelo homem. De acordo com o pesquisador Xijun Ni, da Academia Chinesa de Ciências em Pequim, o “Archicebus achilles” tinha apenas sete centímetros de altura, pesava pouco mais de 30 gramas e era adaptado para viver em árvores.

Com membros delgados, uma cauda longa e dedos finos, o animal “deve ter sido um excelente saltador de árvores, ativo durante o dia, e que se alimentava principalmente de insetos”, destacou o autor do estudo, publicado na revista Nature. O fóssil pertence ao início do período geológico Eoceno e, ao que tudo indica, é o parente mais primitivo dos atuais lêmures na árvore genealógica.

Análise do fóssil e comparação com 156 espécies de mamíferos foi fundamental para confirmar parentesco com seres humanos, macacos e lêmures Foto: Academia Chinesa de Ciências
Análise do fóssil e comparação com 156 espécies de mamíferos foi fundamental para confirmar parentesco com seres humanos, macacos e lêmures Foto: Academia Chinesa de Ciências

Segundo os cientistas chineses, o achado indica que a linhagem desses animais (que culminou nos seres humanos) se diferenciou  de outros grupos maníferos cerca de 7 milhões de anos antes do que se pensava. A análise do esqueleto revela uma mistura de diferentes características – o crânio, os dentes e os ossos das penas e braços se parecem com os dos Tarsiiformes, subgrupo dos primatas que abrange os lêmures, enquanto o calcanhar e os ossos dos pés lembram mais os antigos antropoides.

O pequeno primata de pernas compridas e cauda longa (com o dobro do comprimento do corpo, o que o ajudava a manter o equilíbrio) era tão minúsculo quanto um lêmure-rato-pigmeu (Microcebus myoxinus) moderno. Seus olhos grandes apontam que ele tinha uma boa visão para caça e mantinha hábitos diurnos. “Esse mosaico de características não tinha sido visto antes em nenhum ser vivo ou fóssil de primata”, diz Christopher Beard, paleontólogo do Museu Carnegie de História Natural, em Pittsburgh (EUA).

Ao todo, os cientistas avaliaram 1.200 características morfológicas do fóssil e as compararam com as de 156 outros mamíferos existentes ou já extintos. Os restos do primata foram recuperados sob uma camada de xisto formada por sedimentos depositados entre 54,8 e 55,8 milhões de anos em um lago no leste da China. Fragmentos de fósseis semelhantes já haviam sido descobertos, mas consistiam apenas em dentes e pedaços de ossos da mandíbula.

“Se você refizer a evolução dos primatas até o início, o Archicebus achilles é como os nossos ancestrais provavelmente se pareciam”, destacou o paleontólogo Zhe-Xi Luo, da Universidade de Chicago em Illinois, que também participou da pesquisa.

22:13 · 17.09.2012 / atualizado às 01:24 · 18.09.2012 por
Estruturas esféricas no solo marciano ainda não foram analisadas pela Nasa para se saber a origem Imagem: Universidade de Cornell/Efe

Enquanto o rover (jipe-robô) Curiosity dá seus primeiros passos na exploração em busca de evidências de vida microbiana ou fóssil em Marte, quem manda novidades quentes é um de seus antecessores, o  veículo explorador Opportunity, que aterrisou no Planeta Vermelho em 2004.

Operando há quase oito anos e oito meses, o robô enviou na última sexta-feira (14) para a Nasa uma imagem impressionante de estruturas esféricas no solo marciano.

Num primeiro momento, a equipe que coordena a missão julgou que fossem “blueberries”, formações minerais de hematita (minério de ferro) muito abundantes naquele planeta, mas uma análise mais detalhada trouxe mais dúvidas que certezas sobre a origem geológica dessas estruturas.

“Essa é uma das mais extraordinárias imagens de toda a missão. Nós nunca vimos uma acumulação tão densa em Marte. Elas parecem ser mais duras por fora e suaves no meio. Elas são diferentes em concentração. Elas possuem uma estrutura diferente. Elas são diferentes em composição. Elas são diferentes em distribuição. Nós temos então um quebra-cabeça geológico diante de nós”, declarou um dos chefes do projeto, Steve Squyres, da Universidade de Cornell, nos EUA.

Blueberries encontrados anteriormente pelo Opportunity mostram aparência externa diferente do novo achado Imagem: Nasa

O rover Opportunity foi lançado pela Nasa em 2003, assim como o Spirit que cessou sua comunicação com a Terra em março de 2010.

Os dois veículos foram responsáveis por importantes descobertas sobre o ambiente antigo de Marte, que favorecem a hipótese de existência de vida microbiana no planeta, mesmo que ela tenha vivido apenas no passado daquele mundo.

Acredita-se que o Planeta Vermelho tenha sido dotado de um sistema hídrico, com mares e rios há cerca de 3 ou 4 bilhões de anos. Mas mesmo em dias atuais, a presença de água em estado líquido teria sido confirmada pela Nasa, mas apenas em gotículas com altíssima concentração salina. Cientistas também não descartam a existência de água ou mesmo de micro-organismos no subsolo marciano.

Uma das mais belas imagens feitas pelo Opportunity é esse panorama da Cratera Erebus, registrado em 2010 Imagem: Nasa
14:26 · 20.11.2011 / atualizado às 16:27 · 24.11.2011 por
Fóssil "Pristine", do grupo réptil marinho mosassauro, foi encontrado no Kansas, EUA, com vestígios de tecidos moles e pode ajudar os cientistas a entenderem a adaptação de animais terrestres aos ambientes aquáticos Imagens: Science Daily

O fóssil de uma espécie (Ectenosaurus clidastoides) de mosassauro, grupo de répteis marinhos contemporâneos aos dinossauros, está trazendo novas evidências das adaptações que levaram répteis terrestres a ocupar nichos aquáticos.

Encontrado nos Estados Unidos, mais precisamente no oeste do Kansas, o fóssil foi estudado por uma equipe da Universidade de Lund, na Suécia, comandada pelo paleontólogo Johan Lindgren. A pesquisa foi publicada na PLoS ONE, na última quarta-feira (16). Apelidado de “Pristine”, o corpo fossilizado do animal estava excepcionalmente bem preservado e tinha traços de tecidos moles, condição rara, em se tratando de um ser que morreu na Era Mesozóica.

“Pristine” está fornecendo aos cientistas uma nova janela sobre o comportamento dos mosassauros, que habitaram o planeta entre 98 e 65 milhões de anos atrás e viveram, principalmente, em mares rasos. Devido à falta de vestígios fósseis de tecidos moles desses animais, os cientistas tinham muita dificuldade de estudar sobre sua locomoção. As novas descobertas, que incluem impressões de pele, sugerem que ele mantinha a frente de seu corpo um tanto rígida durante a natação, levando-o a depender do movimento da parte traseira de seu corpo e da cauda para propulsão.

De acordo com Lindgren, este estudo fornece “pistas únicas sobre a biologia de um grupo extinto de lagartos marinhos que se tornaram adaptados a ambientes aquáticos de forma similar a outro grupo de répteis, como os ictiossauros (do grego “peixe-lagartos”) ou de mamíferos, como as baleias que os sucederam posteriormente. Esses resultados podem ter implicações para a compreensão de como este grupo, foi transformado pela de animais terrestres para moradores de ambientes pelágicos em um período relativamente curto de tempo geológico.”