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10:22 · 08.11.2017 / atualizado às 10:22 · 08.11.2017 por
Concepção artística de mamíferos que conviveram com ancestrais das aves modernas e com dinossauros na era Mesozóica Imagem: Mark Witton

Um estudante universitário britânico encontrou dentes de mamíferos parecidos com ratos que viveram há 145 milhões de anos e possuem ligações distantes com os humanos. A descoberta foi feita na costa de Dorset, no sudoeste da Inglaterra, pelo estudante de graduação Grant Smith, quando ele examinava pedras na Universidade de Portsmouth.

“Inesperadamente, ele não encontrou um, mas dois dentes bastante notáveis ​​de um tipo nunca antes visto em rochas desta época”, disse Steve Sweetman, pesquisador da universidade. “Eu fui convidado a olhar para eles e dar uma opinião e, mesmo à primeira vista, fiquei de boca aberta!”, escreveu na revista científica Acta Palaeontologica Polonica.

Acredita-se que os dentes pertenceram a duas espécies diferentes de criaturas pequenas e peludas que provavelmente eram noturnas e se alimentavam de insetos e talvez plantas. “Os dentes são de um tipo altamente avançado que pode perfurar, cortar e esmagar alimentos”, disse Sweetman.

“Eles também estão muito desgastados, o que sugere que os animais aos quais eles pertenciam viveram até uma boa idade para suas espécies. Um grande feito quando você está compartilhando seu habitat com dinossauros predatórios!”.

Apesar desses animais serem significativamente diferentes dos humanos, Sweetman os descreveu como “sem dúvida os mais antigos conhecidos da linha de mamíferos que leva à nossa própria espécie”. As duas espécies foram nomeadas Durlstodon ensomi e Durlstotherium newmani, a segunda em homenagem ao proprietário de um pub local, Charlie Newman.

A descoberta foi feita na “Costa Jurássica” de Dorset, um Patrimônio Mundial da Unesco que carrega 185 milhões de anos de história.

Com informações: AFP

12:07 · 07.11.2017 / atualizado às 12:07 · 07.11.2017 por
Concepção artística de primatas do gênero Purgatorius, que surgiram há cerca de 65 milhões de anos. A ordem, que inclui os humanos, foi a primeira adotar hábitos diurnos, o que deve ter ocorrido há pelo menos 52 milhões de anos Imagem: Yale News

Os primeiros mamíferos eram criaturas noturnas que só emergiram da escuridão após o desaparecimento dos dinossauros, disseram pesquisadores israelenses.

Isso explicaria por que relativamente poucos mamíferos seguem um estilo de vida “diurno” hoje, e por que a maioria destes ainda tem olhos e ouvidos mais adequados para viver à noite.

“A maioria dos mamíferos hoje são noturnos e possuem adaptações para sobreviver em ambientes escuros”, disse o coautor do estudo Roi Maor, da Universidade de Tel Aviv. “Os macacos e os primatas (incluindo os humanos) são os únicos mamíferos diurnos com olhos evoluídos que são semelhantes aos outros animais diurnos, como pássaros ou répteis. Outros mamíferos diurnos não desenvolveram adaptações tão profundas”, acrescentou.

Maor e uma equipe de pesquisadores fornecem evidências que apoiam a teoria de longa data de que dezenas de milhões de anos fugindo dos dinossauros causaram um “gargalo” noturno na evolução dos mamíferos.

Por terem se escondido na escuridão por tanto tempo – possivelmente para evitar disputar comida e território com os dinossauros ou ser comidos por eles -, os mamíferos de hoje não estão no mesmo patamar dos peixes, répteis e pássaros quando se trata de visão diurna. Os mamíferos, exceto os primatas, não possuem uma parte do olho conhecida como fóvea, que muitos peixes, répteis e aves possuem e que está repleta de células “cone” fotorreceptoras para ver cores na luz forte.

Em vez disso, eles tendem a ter mais células em forma de bastão, que podem absorver luz escassa, mas proporcionam uma resolução relativamente baixa.

Os mamíferos modernos que são ativos principalmente de dia – incluindo alguns tipos de esquilo, musaranhos-arborícolas, alguns antílopes e muitos animais carnívoros – também tendem a ter olfato e audição aguçados, atributos necessários para viver no escuro.

Primatas primeiro 

Maor e uma equipe analisaram os estilos de vida de 2.415 espécies de mamíferos vivos e usaram algoritmos de computador para reconstruir o comportamento provável de seus antepassados, chegando até os primeiros mamíferos.

O primeiro antepassado dos mamíferos surgiu entre 220 milhões e 160 milhões de anos atrás, evoluindo a partir de um ancestral réptil, que provavelmente era noturno, de acordo com o estudo publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution.

Os dinossauros, por outro lado, provavelmente eram habitantes diurnos que procuravam a luz solar para aquecer seus corpos, como os répteis fazem hoje.

Os dados revelaram que os mamíferos permaneceram noturnos durante toda a Era Mesozoica, que terminou cerca de 66 milhões de anos atrás, quando uma calamidade maciça, possivelmente uma queda de asteroides, eliminou os dinossauros e cerca de três quartos da vida na Terra.

Os mamíferos, então principalmente animais pequenos e velozes, sobreviveram e prosperaram.

A maioria permaneceu noturna, enquanto alguns abraçaram o dia e outros – incluindo gatos, elefantes e vacas – são hoje um pouco das duas coisas.

Os ancestrais dos primatas estavam entre os primeiros mamíferos a se tornarem estritamente diurnos, há cerca de 52 milhões de anos, descobriram os pesquisadores.

Isso explica por que nossa família de primatas está melhor adaptada ao modo de vida iluminado pelo sol: tivemos mais tempo para evoluir e nos adaptarmos.

O motivo da mudança da noite para o dia não está claro, disse Maor, mas pode ter incluído um “risco reduzido de predação” para os primeiros mamíferos.

Embora o estudo mostre uma forte correlação entre a morte dos dinossauros e o surgimento de mamíferos diurnos, não pode concluir que houve uma relação de causa e efeito.

Com informações: AFP

20:52 · 18.07.2017 / atualizado às 21:06 · 18.07.2017 por
Análise de DNA mostra que os cachorros antigos se separaram de seus ancestrais pela primeira vez há cerca de 40 mil anos Foto: VetStreet

De patas curtas ou alongadas, com o pelo enrolado ou comprido, todos os cães do mundo vêm de uma mesma população de lobos domesticados há entre 20 mil e 40 mil anos – revela um estudo publicado na revista científica Nature Communications nesta terça-feira (18).

“Nossos dados mostram que todos os cães modernos espalhados pelo mundo foram domesticados de uma única população de lobos”, diz à AFP a coautora do estudo Krishna Veeramah, da Universidade do Estado de Nova York, em Stony Brook. Tomando indícios genéticos como base, esse novo estudo se soma a outras hipóteses sobre as controversas origens do melhor amigo do homem.

Segundo uma dessas hipóteses, os humanos domesticaram os cães pela primeira vez na Europa, há mais de 15 mil anos. Outros pesquisadores afirmam que essa domesticação teve início no leste da Ásia, pelo menos 12,5 mil anos atrás. Já um estudo publicado no ano passado na revista Science apontou que os cães foram domesticados em dois lugares distintos, partindo de matilhas de lobos na Europa e na Ásia.

Os autores do estudo publicado nesta terça-feira disseram que sua análise de DNA mostra que os cachorros antigos se separaram dos lobos pela primeira vez há cerca de 40 mil anos, em um processo provavelmente desencadeado pela presença de humanos. Os pesquisadores não sabem, porém, em que parte do mundo isso aconteceu.

Há 20 mil anos, disse a equipe, os primeiros cães se dividiram geograficamente entre os caninos do Oriente e os do Ocidente. O primeiro grupo deu origem aos cães do leste da Ásia, e o outro aos cães na Europa, no centro e no sul da Ásia e na África. “Há 7 mil anos, eles (os cachorros) estavam praticamente por toda parte”, disse Krishna Veeramah. O cão europeu desse período deu origem à maioria das raças de cães modernas encontradas hoje, concluíram os pesquisadores.

Krishna Veeramah e seus colegas analisaram amostras de DNA fossilizado de dois cães encontrados na Alemanha. Um deles, de 7 mil, é o cão mais velho a ter tido seu DNA sequenciado até hoje. O outro é de pelo menos 4,7 mil anos. Ambos remontam ao Neolítico, período que marca o início da agricultura e da pecuária. O genoma desses dois “senhores” europeus é parecido com o dos cachorros do presente, o que sugere uma origem geográfica única de cães domésticos.

O processo de domesticação desse animal – um carnívoro potencialmente perigoso ao homem – foi, certamente, “difícil”, afirma Krishna Veeramah, bem mais do que a de ovelhas, porcos, ou vacas. “A hipótese atual é que esse processo ocorreu passivamente a partir de uma população de lobos que vivia na periferia dos campos de caçadores-coletores, alimentando-se do lixo produzido pelos humanos”, relata a cientista.

Os menos agressivos teriam, então, desenvolvido uma relação particular com os homens. É essa população ancestral de cães, única, que teria se disseminado pelo planeta, provavelmente ao sabor dos deslocamentos humanos.

Com informações: AFP

22:04 · 27.03.2017 / atualizado às 22:06 · 27.03.2017 por
De acordo com a pesquisa, os animais que se alimentam de frutas, como os chimpanzés e os humanos, por exemplo, têm cérebros cerca de 25% maiores do que aqueles que ingerem folhas Foto: Scientific American

Os humanos provavelmente desenvolveram cérebros grandes e poderosos com a ajuda das frutas, afirmaram pesquisadores nesta segunda-feira (27).

Comer frutas foi um passo-chave a partir dos alimentos mais básicos, como folhas, e forneceu a energia necessária para desenvolver cérebros mais volumosos, segundo os cientistas. “Foi assim que conseguimos esses cérebros enormes”, disse o autor correspondente do estudo Alex Decasien, pesquisador da Universidade de Nova York.

O estudo publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution observou os alimentos básicos de mais de 140 espécies de primatas, e concluiu que suas dietas não mudaram muito ao longo da evolução recente.

Vantagem

De acordo com a pesquisa, os animais que se alimentam de frutas têm cérebros cerca de 25% maiores do que aqueles que ingerem principalmente folhas.

Os resultados questionam a teoria que prevaleceu desde meados dos anos 1990, segundo a qual os cérebros maiores se desenvolveram a partir da necessidade de sobreviver e se reproduzir em grupos sociais complexos.

Decasien disse que os desafios de viver em grupo podem ter contribuído para o desenvolvimento da inteligência, mas não encontrou nenhuma ligação entre a complexidade da vida social dos primatas e o tamanho dos seus cérebros.

Comer frutas, por outro lado, estava fortemente correlacionado com o tamanho dos cérebros. Alimentos como frutas contêm mais energia do que fontes básicas como folhas, criando assim o combustível adicional necessário para evoluir para um cérebro maior. Ao mesmo tempo, lembrar quais plantas produzem frutas, onde elas estão e como abri-las também poderia ajudar um primata a desenvolver um cérebro maior.

“Eu me sinto confiante de que o estudo deles vai reorientar e revigorar a pesquisa que procura explicar a complexidade cognitiva em primatas e outros mamíferos”, escreveu Chris Venditti, pesquisador da Universidade de Reading, no Reino Unido, em um comentário sobre o estudo, também publicado na Nature Ecology and Evolution”. “Mas muitas perguntas permanecem”, acrescentou.

22:37 · 13.03.2015 / atualizado às 22:49 · 13.03.2015 por
Foto: Blog Quimicalzheimer
Roedores que sonharam logo depois de ter brincado com objetos que nunca tinham visto antes tiveram áreas-chave de seu cérebro remodeladas pela ativação de certos genes Foto: Blog Quimicalzheimer

Os sonhos podem não ser mensagens divinas, como se acreditava, mas sua função real é igualmente importante: “esculpir” memórias nas conexões entre as células do cérebro.

Essa é a conclusão de um estudo com ratos feito por pesquisadores brasileiros, no qual os roedores que sonharam logo depois de ter brincado com objetos que nunca tinham visto antes tiveram áreas-chave de seu cérebro remodeladas pela ativação de certos genes. Era como se os cientistas enxergassem as memórias se formando.

A pesquisa, publicada na revista “Neurobiology of Learning and Memory”, tem entre seus autores Sidarta Ribeiro, do Instituto do Cérebro da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), e Koichi Sameshima, do Hospital Sírio-Libanês e da USP. Para Ribeiro, o melhor termo para designar o que acontece no cérebro dos ratos durante os sonhos é “entalhamento”.

“Isso dá a noção de alto e baixo relevo”, como uma figura esculpida, diz. Durante essa fase do sono, as sinapses (conexões entre neurônios) passam tanto por um fortalecimento de longa duração quanto por um enfraquecimento duradouro. O resultado é a formação das memórias e a consolidação do aprendizado no cérebro.

Parque de diversões

Para chegar a essas conclusões, Ribeiro e seus colegas expuseram seus ratos de laboratório a uma espécie de parque de diversões – um conjunto de objetos projetados para maximizar os estímulos que os bichos acham interessantes.

Os animais nunca tinham tido contato com nada parecido, o que favoreceria a formação de novas memórias sobre a experiência. Após uma hora, os pesquisadores permitiram que os bichos caíssem no sono e sonhassem – o que foi possível monitorar porque eles tinham instalado eletrodos no cérebro dos animais.

Com isso, Ribeiro e seus colegas flagraram o início do sono REM, caracterizado por rápidos movimentos involuntários dos olhos em humanos e correspondente aos sonhos. Acabou aí a alegria dos ratos, porém. Após 30 minutos de sonhos, eles foram anestesiados e sacrificados. Os pesquisadores, então, analisaram o padrão de ativação dos genes no cérebro deles.

O resultado é que havia dois principais grupos de genes “ligados”. O primeiro envolvia processos que comandam a liberação de neurotransmissores (mensageiros químicos do sistema nervoso) pelas sinapses, bem como o crescimento de “pontes” entre um neurônio e o outro. Já o outro grupo de genes está ligado ao desligamento desses processos  tudo de acordo, portanto, com a hipótese de “entalhamento”.

Isso indicaria que sonhar bastante é uma receita para ampliar a inteligência? Do ponto de vista evolutivo, isso parece fazer sentido – mamíferos com fases longas de sono REM tendem a ser mais inteligentes, diz o pesquisador.

“Além da questão cognitiva, é preciso considerar o nicho ecológico. Os campeões de sono REM são animais do topo da cadeia alimentar – felinos, cães, cetáceos e símios, que têm muito tempo livre e segurança para dormir”, afirma.

Com informações: Reinaldo José Lopes/Folhapress

19:22 · 30.01.2015 / atualizado às 22:14 · 30.01.2015 por
Foto: America Herald
Pesquisadores chegaram à conclusão, a partir de análise que envolveu o uso de tomografia computadorizada, para analisar os ossos das mãos de membros da nossa espécie, dos neandertais, de chimpanzés e dos australopitecos Foto: America Herald

A capacidade tipicamente humana de fazer movimentos complexos unindo o polegar aos demais dedos, como girar uma chave, já estava presente em ancestrais do homem com 3 milhões de anos de idade, diz um novo estudo. O dado vem da análise dos ossos das mãos do hominídeo Australopithecus africanus.

No artigo publicado na revista “Science”, cientistas tentam resolver uma polêmica antiga. Embora quase todos os especialistas concordem que o uso de ferramentas de pedra já era uma característica do primeiro membro do nosso gênero, o Homo habilis, que viveu há cerca de 2,5 milhões de anos, ancestrais mais antigos têm um mosaico de traços “primitivos” e “avançados” nas mãos, o que deixa os cientistas em dúvida.

Os pesquisadores então usaram tomografia computadorizada para analisar os ossos das mãos de membros da nossa espécie, dos neandertais, de chimpanzés e dos australopitecos.

A chave aqui é o chamado osso trabecular, um tipo esponjoso de tecido ósseo que é remodelado de acordo com o tipo de esforço realizado.

A “pegada” típica do polegar humano leva a uma maior densidade desse osso na base do polegar.

E foi isso que os pesquisadores viram no caso dos australopitecos.

Com informações: Reinaldo José Lopes/Folhapress

09:13 · 13.12.2014 / atualizado às 09:14 · 13.12.2014 por
Foto: AFP
s Ao contrário do que se pensava anteriormente, flamingos são mais próximos dos pombos do que dos pelicanos Foto: AFP

As aves usam essencialmente os mesmos genes para cantar que nós, humanos, usamos para falar. E os flamingos são mais próximos dos pombos do que dos pelicanos.Estas são algumas revelações surpreendentes que emergiram do maior e mais sofisticado mapeamento já feito sobre a árvore genealógica das aves.

Para realizar o mapeamento, publicado em mais de duas dúzias de artigos separados, oito deles na edição de sexta-feira (12) da revista científica americana Science, cientistas de 20 países passaram quatro anos debruçados no projeto de decodificar os genomas completos de 48 espécies de aves, incluindo corujas, beija-flores, pinguins e pica-paus.

Eles também compararam as aves a três diferentes espécies de crocodilos – que são os répteis mais próximos das aves – e descobriram taxas vastamente diferentes de evolução. As aves foram muito mais rápidas em desenvolver novos traços, enquanto os crocodilos – que compartilharam um ancestral comum com as aves e os dinossauros, há 240 milhões de anos – quase não mudaram.

Dinossauros sobreviventes

As aves são “a única linhagem de dinossauros que sobreviveu à extinção em massa do final da chamada era dos dinossauros”, há cerca de 65 milhões de anos, disse o co-autor do estudo, Ed Braun, professor associado da Universidade da Flórida.

“Seu parente vivo mais próximo é na verdade crocodiliano, então você volta a ter estes organismos muito diferentes voltando no tempo regularmente”, acrescentou. Acredita-se que alguns poucos novos tipos de aves tenham sobrevivido ao evento catastrófico que varreu os dinossauros da face da Terra e a partir de então, eles evoluíram rapidamente para o arranjo de cerca de 10 mil espécies que nós vemos hoje.

De acordo com a pesquisa, as aves perderam seus dentes cerca de 116 milhões de anos atrás. O desejo de acasalar e ser notado pelo sexo oposto levou a uma rápida evolução de 15 genes de pigmentação, associados à plumagem e às penas, acrescentou o estudo.

A habilidade das aves de cantar e imitar sons se baseia nos mesmos circuitos cerebrais que vemos nos humanos, embora tenham desenvolvido estas habilidades por caminhos evolutivos diferentes.

Aves antigas

Galinhas e avestruzes estão entre as aves cuja aparência mais lembra à de seus ancestrais.

O co-autor do estudo, Erich Jarvis, professor associado de neurobiologia da Escola de Medicina da Universidade de Duke, descreveu como “uma grande surpresa que na verdade é a galinha que parece ter preservado a maior organização cromossômica dos ancestrais, em comparação com outras espécies”.

“Mas isto não significa que outras partes dos aspectos deste genoma não sejam tão antigas quanto. O avestruz poderia, inclusive, ser mais velho”, pois parece que seu genoma está evoluindo mais lentamente que o das galinhas.

Novos parentescos

Os cientistas também se disseram surpresos ao descobrir que os flamingos, conhecidos pelas pernas longas, pelos bicos elegantes e a plumagem característica rosada, sejam intimamente ligados aos pombos, pombas e pequenas aves aquáticas conhecidas como mergulhões.

“O que nós descobrimos foi um casal realmente estranho de aves: onde nós temos pombos e seus afins, eles se juntam com flamingos e mergulhões”, disse Braun. “Flamingos e mergulhões são bastante diferentes em aparência, embora ambos sejam aves aquáticas, que você pode ficar surpreso em vê-los juntos, mas relacioná-los com pombos é especialmente inesperado”, prosseguiu.

Para chegar a estas conclusões, os cientistas usaram uma variedade de técnicas que ajudaram a reunir e analisar mais de 14.000 genes e construir uma árvore genealógica vinculando diferentes espécies de aves.

Com informações: AFP

23:03 · 12.09.2014 / atualizado às 23:13 · 12.09.2014 por
Foto: Adelaide Zoo
Sequência de DNA do gibão-de-bochechas-brancas-do-norte (Nomascus leucogenys) e de outras seis espécies de gibão ajudam a explicar como esses parentes do homem se adaptaram à vida nas árvores melhor que outros membros da superfamília Hominoidea Foto: Adelaide Zoo

Asia, uma fêmea de gibão de bochechas brancas que mora em um zoológico da Virgínia (Estados Unidos), é a primeira desses primatas de braços longos a ter seu genoma decodificado.

A sequência de seu DNA, e as de sete outros gibões – um total de seis espécies diferentes – ajuda a explicar como esses primatas se adaptaram à vida nas árvores. Elas também podem explicar por que gibões são tão diversos se comparados aos grandes primatas – humanos, chimpanzés, gorilas e orangotangos.

Gibões são reconhecidos por sua destreza em densas coberturas de árvores, atravessando até 15 metros em um único balanço a velocidades de mais de 55 quilômetros por hora. O grupo abarca quatro gêneros e 19 espécies, todas vivendo nas florestas da Ásia tropical, do gibão-prateado (Hylobates moloch) na Indonésia, ao gibão-hoolock-ocidental (Hoolock hoolock) na Índia e têm em média 96% de genes idênticos aos dos seres humanos.

Geneticistas são fascinados pelos gibões porque eles foram os primeiros primatas a se separar do ancestral comum que compartilham tanto com humanos quanto com macacos, há pouco mais de 16 milhões de anos. E gibões têm cromossomos peculiares. Quando comparados a outros primatas, seus genomas têm muito mais rearranjos cromossômicos, como duplicações, deleções ou inversões de grandes trechos de DNA, que podem afetar o funcionamento dos genes.

“Rearranjos cromossômicos são como terremotos: um evento que modifica completamente a paisagem, e você pode ver essa modificação após uma geração”, compara Lucia Carbone, geneticista evolutiva da Oregon Health and Science University em Portland, que conduziu o trabalho com o genoma dos gibões. “Encontramos muitos terremotos no genoma desses animais”, disse a pesquisadora.

Gene saltador

Os autores atribuem a explosão na diversidade do gibão a um tipo de gene saltador – um trecho de DNA que pode mudar sua posição no genoma.

Os pesquisadores sugerem que esse trecho de DNA tenha aterrissado perto de genes envolvidos na replicação cromossômica, tornando o genoma mais propício a rearranjos. Rearranjos cromossômicos podem evitar o acasalamento de dois indivíduos, e assim acelerar a especiação.

A equipe também descobriu que quatro gêneros diferentes de gibões parecem ter evoluído simultaneamente entre quatro e cinco milhões de anos atrás, quando níveis oscilantes dos oceanos começaram a dividir as florestas do Sudeste Asiático, criando barreiras geográficas que teriam restringido o contato entre grupos.

Com informações: Revista Nature / Scientific American Brasil

17:36 · 30.04.2014 / atualizado às 17:38 · 30.04.2014 por
Foto: Veronica Muskheli
Enxerto de músculo cardíaco humano (contrastado em verde na imagem) regenerou tecido do coração de um macaco Foto: Veronica Muskheli

Cientistas transplantaram com sucesso em macacos células do músculos do coração desenvolvidas a partir de embriões humanos. O resultado do estudo conduzido na Universidade de Washington, publicado na revista Nature desta semana, é um importante passo para o desenvolvimento de tratamentos para falência cardíaca.

Pesquisas anteriores com roedores já haviam apontado o potencial terapêutico de células do músculo cardíaco (cardiomiócitos) derivadas de células-tronco humanas na regeneração de partes doentes do coração. Ainda não se sabia, no entanto, se a técnica traria resultados semelhantes nos corações maiores dos primatas, ou se seria viável produzir cardiomiócitos em escala suficiente para o tratamento animais maiores. O estudo da Universidade de Washington prova que sim.

O pesquisador Charles Murry e sua equipe produziram 1 bilhão de cardiomiócitos a partir de células-tronco e os implantaram no coração de macacos que sofriam de falência cardíaca. Eles observaram significativa regeneração do tecido cardíaco danificado e perfeita compatibilidade eletromecânica dos cardiomiócitos enxertados com o coração dos primatas.

No entanto, em contraste com os estudos envolvendo roedores, os macacos tiveram episódios de arritmia, que precisa de acompanhamento e pode ser fatal. Os autores do estudo também recomendaram a condução de estudos mais amplos, que examinem os efeitos da técnica em casos de infarto (áreas onde houve a morte do tecido cardíaco).

Com informações: UOL Ciência

14:51 · 28.06.2013 / atualizado às 15:10 · 28.06.2013 por
Pequeno primata deve ter se alimentado de insetos e reunia características tanto de lêmures, quanto de humanos Foto:
Pequeno primata deve ter se alimentado de insetos e hábitos diurnos reunia características tanto de lêmures, quanto de humanos. O animal viveu pouco mais de 10 milhões de anos após extinção dos dinossauros Foto: Academia Chinesa de Ciências

Paleontólogos chineses encontraram restos fossilizados de 55 milhões de anos do que parece ser o primata mais antigo já descoberto pelo homem. De acordo com o pesquisador Xijun Ni, da Academia Chinesa de Ciências em Pequim, o “Archicebus achilles” tinha apenas sete centímetros de altura, pesava pouco mais de 30 gramas e era adaptado para viver em árvores.

Com membros delgados, uma cauda longa e dedos finos, o animal “deve ter sido um excelente saltador de árvores, ativo durante o dia, e que se alimentava principalmente de insetos”, destacou o autor do estudo, publicado na revista Nature. O fóssil pertence ao início do período geológico Eoceno e, ao que tudo indica, é o parente mais primitivo dos atuais lêmures na árvore genealógica.

Análise do fóssil e comparação com 156 espécies de mamíferos foi fundamental para confirmar parentesco com seres humanos, macacos e lêmures Foto: Academia Chinesa de Ciências
Análise do fóssil e comparação com 156 espécies de mamíferos foi fundamental para confirmar parentesco com seres humanos, macacos e lêmures Foto: Academia Chinesa de Ciências

Segundo os cientistas chineses, o achado indica que a linhagem desses animais (que culminou nos seres humanos) se diferenciou  de outros grupos maníferos cerca de 7 milhões de anos antes do que se pensava. A análise do esqueleto revela uma mistura de diferentes características – o crânio, os dentes e os ossos das penas e braços se parecem com os dos Tarsiiformes, subgrupo dos primatas que abrange os lêmures, enquanto o calcanhar e os ossos dos pés lembram mais os antigos antropoides.

O pequeno primata de pernas compridas e cauda longa (com o dobro do comprimento do corpo, o que o ajudava a manter o equilíbrio) era tão minúsculo quanto um lêmure-rato-pigmeu (Microcebus myoxinus) moderno. Seus olhos grandes apontam que ele tinha uma boa visão para caça e mantinha hábitos diurnos. “Esse mosaico de características não tinha sido visto antes em nenhum ser vivo ou fóssil de primata”, diz Christopher Beard, paleontólogo do Museu Carnegie de História Natural, em Pittsburgh (EUA).

Ao todo, os cientistas avaliaram 1.200 características morfológicas do fóssil e as compararam com as de 156 outros mamíferos existentes ou já extintos. Os restos do primata foram recuperados sob uma camada de xisto formada por sedimentos depositados entre 54,8 e 55,8 milhões de anos em um lago no leste da China. Fragmentos de fósseis semelhantes já haviam sido descobertos, mas consistiam apenas em dentes e pedaços de ossos da mandíbula.

“Se você refizer a evolução dos primatas até o início, o Archicebus achilles é como os nossos ancestrais provavelmente se pareciam”, destacou o paleontólogo Zhe-Xi Luo, da Universidade de Chicago em Illinois, que também participou da pesquisa.