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Tag: inteligência artificial


15:02 · 22.02.2018 / atualizado às 15:05 · 22.02.2018 por
Exame, baseado em algoritmos, pode ser realizado em poucos minutos e permite observar as diversas camadas da retina, identificar alterações causadas por doenças que podem causar perda de visão Foto: Healing The Eye

Por Gabriel Alves

É possível que, em breve, o leitor possa ser atendido por um androide médico, tal qual no filme “Star Wars”, ou ter seu tratamento decidido por um poderoso algoritmo na nuvem.

A “consulta” seria barata e rápida e estaria baseada em uma tecnologia que já deixou de ser embrionária -a inteligência artificial baseada em deep learning, uma espécie de aprendizado de programa de computador por conta própria.

Equipamentos médicos com finalidade diagnóstica já são vendidos com programas baseados em algoritmos que podem ajudar, por exemplo, um ortopedista a detectar alguma anormalidade em um raio-X ou e em outros exames de imagem, como aqueles que mapeiam a retina em busca de degenerações.

Foi justamente com exames como esses que cientistas dos EUA, China e Alemanha mostraram que a máquina -na verdade um programa de computador- pode se igualar e até superar o homem quando o assunto é saber quem é doente e quem não é. Um algoritmo desenvolvido pelos pesquisadores foi treinado com um gigantesco banco de imagens de exames -mais especificamente, tomografias de coerência óptica.

Esse exame, que é realizado em poucos minutos, permite observar as diversas camadas da retina e identificar alterações causadas por doenças que podem causar perda de visão, como a degeneração macular relacionada à idade (DMRI), e outras provocadas pelo diabetes, como a retinopatia diabética ou o edema macular diabético. De modo simplificado, o programa aprendeu, por conta própria, a “ler” alguns aspectos das imagens que julgou importantes para a definição do diagnóstico. Foi fundamental nesse processo a não interferência de um “raciocínio humano”, o que permitiu que o algoritmo encontrasse os melhores caminhos para chegar a um veredito sobre cada paciente.

O resultado do treinamento com mais de 200 mil imagens foi surpreendente: o programa chegou a superar experts em retina na taxa de diagnósticos corretos, errando apenas 6,6% dos casos em um dos testes.

Redução de custo de tratamento

Segundo estimativas, ao menos 1 milhão de pessoas no Brasil, entre diabéticos e idosos, têm risco elevado de apresentar doenças degenerativas da retina.

Em muitos casos, porém, por causa da distância dos centros de diagnóstico e pela desinformação, essas pessoas podem perder a visão. Hoje em dia, muitas desses casos seriam tratáveis com injeções intraoculares mensais, por exemplo, explica o professor titular de oftalmologia da UFG Marcos Ávila, que já foi presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

Talvez a principal vantagem de ter uma inteligência artificial assinalando os diagnósticos é o custo do exame, que tende a cair. Provavelmente o paciente não precisaria mais passar por dois ou três especialistas até ter o diagnóstico final, argumentam os autores do estudo. Na opinião de Rubens Belfort Jr., professor titular de oftalmologia da Unifesp, é notório também o de qualidade.

“Mesmo em países ricos a qualidade da análise nem sempre é boa, seja por despreparo, falta de tempo ou até mesmo por desleixo. Assim, com um processo mais inteligente, não só haveria redução de custos do exame e da interpretação mas também de tratamentos ineficazes ou desnecessários dessas doenças de retina ou de qualquer outra que possa ser diagnosticadas via exame de imagem, como tomografia, ressonância magnética e raio-X.”

Máquina X Homem

Paulo Schor, que também é professor de oftalmologia da Unifesp, lembra que já houve outros avanços importantes na área.

Com uma simples imagem do fundo de olho, um outro programa consegue identificar inúmeros fatores de risco cardiovascular, como idade, se a pessoa fuma, se tem pressão arterial elevada e se a pessoa já sofreu algum evento cardiovascular grave. Tudo isso com razoável acurácia.

O professor afirma que é muito provável que cada vez mais as máquinas se encarreguem de selecionar aqueles que têm alguma chance de estarem doentes, deixando para os médicos a filtragem final, que descartariam os casos que não são graves e tratando os demais. Já Kang Zhang, autor do estudo e pesquisador na Universidade Médica de Guangzhou (China) e da Universidade da Califórnia em San Diego, é mais otimista.

Para ele, no futuro espera-se que a inteligência artificial seja capaz de fazer um diagnóstico completo, encaminhar pacientes e até mesmo decidir qual tratamento é o mais adequado. Seria necessário, porém, uma espécie de “período de adaptação”, com inteligência artificial e médicos humanos trabalhando lado a lado, diz o pesquisador à reportagem.

Acompanhamento automatizado

Para Ávila, um outro possível ganho é automatizar o acompanhamento de pacientes de alto risco ou que estão em tratamento.

O único trabalho para o paciente seria ter de ir até uma clínica e realizar o exame periodicamente, desafogando, assim, os consultórios médicos. Belfort explica que o Brasil ainda engatinha na área. “Precisamos ainda de uma base de dados confiável, de um número enorme de exames”. E esses exames de imagem têm de estar bem rotulados, ou seja, tanto a quantidade quanto a precisão de informações associadas a eles são fundamentais para um bom desempenho da inteligência artificial.

“É possível que, no futuro, médicos briguem com a máquina. Ambos vão ter que aprender onde estão errando; vai ter que haver ‘diálogo'”, diz Belfort. “Não pode haver competição. Todos estão buscando a inteligência artificial, mas a inteligência natural não pode ficar de lado.” Para Zhang, que também é oftalmologista, não dá para fugir do futuro: “Penso que a chegada dos sistemas de diagnósticos baseados em inteligência artificial é inevitável. A nós, médicos, resta trabalhar e interagir com a IA para fazer o futuro da medicina mais custo-efetivo e, além disso, prover um melhor cuidado.”

Com informações: Folhapress

21:35 · 10.06.2014 / atualizado às 21:44 · 10.06.2014 por
Foto: Reprodução da web
Um programa russo de inteligência artificial foi capaz de se passar por um garoto ucraniano de 13 anos chamado Eugene Goostman Foto: Reprodução da web

Um novo marco foi estabelecido para a inteligência artificial.

Um computador foi capaz de passar pelo teste de Turing, avaliação de inteligência artificial criada pelo matemático britânico Alan Turing em 1950.

O teste funciona da seguinte forma: um júri de 30 pessoas tenta distinguir humanos de máquinas durante um chat de cinco minutos. Se ao final as máquinas conseguirem enganar os avaliadores em 30% das interações, vence.

Um programa russo de inteligência artificial foi capaz de se passar por um garoto ucraniano de 13 anos chamado Eugene Goostman. Ele enganou 33% dos juízes que realmente acharam que quem respondia às perguntas no evento, realizado em Londres pela Universidade de Reading, era um adolescente.

Eugene conseguiu “passar a perna” nos jurados respondendo a perguntas que não foram pré-definidas, dizendo que gosta de hambúrgueres, livros, tem um pai ginecologista e ouve Eminem.

O programa que deu vida ao garoto ucraniano de 13 anos começou a ser desenvolvido em 2001 pelo russo Vladimir Veselov e pelo ucraniano Eugene Demchenko.

Resultado relativizado

A vitória foi considerada motivo de alerta à comunidade científica para alguns, mas outros acreditam que apesar de um avanço, Eugene simboliza mais a capacidade dos pesquisadores de desenvolver um sistema capaz de responder perguntas do que propriamente um sistema pensante.

Com informações: Blog Link/ Estadão

13:31 · 24.04.2013 / atualizado às 16:36 · 24.04.2013 por
Nick Bostrom acredita que perda de controle sobre tecnologias como a engenharia genética, inteligência artificial e nanotecnologia podem ser maiores ameaças à vida humana que guerras nucleares, pandemias ou choques de asteroides Imagem: BBC Brasil
Nick Bostrom acredita que perda de controle sobre tecnologias como a engenharia genética, inteligência artificial e nanotecnologia podem ser maiores ameaças à vida humana que guerras nucleares, pandemias ou choques de asteroides Imagem: BBC Brasil

A tecnologia pode trazer dois destinos extremos para a civilização, avalia o Instituto do Futuro da Humanidade, ligado à Universidade de Oxford. Um deles é o controle total sobre a biologia humana, o outro é exatamente o contrário: a extinção da espécie humana devido justamente à perda de controle sobre esses avanços tecnológicos.

As maiores ameaças de acordo com a equipe de pesquisadores, podem vir da nanotecnologia, inteligência artificial e engenharia genética. O diretor do instituto, o sueco Nick Bostrom, afirma que existe uma possibilidade plausível de que este venha a ser o último século da humanidade. Para ele, “as ameaças existentes são comparáveis a uma arma perigosa nas mãos de uma criança pois o avanço tecnológico superou nossa capacidade de controlar as possíveis consequências”.Experimentos tecnológicos estariam avançando para dentro do território do não intencional e do imprevisível. Segundo Bostrom, “a nanotecnologia, se realizada a nível atômico ou molecular, poderia ser altamente destrutiva ao ser usada para fins bélicos. Governos futuros terão um grande desafio ao controlar e restringir usos inapropriados. Há também temores em relação à forma como a inteligência artificial ou maquinal possa interagir com o mundo externo. ”

Já o pesquisador norte-americano Daniel Dewey alerta para  uma “explosão de inteligência”, em que o poder de aceleração de computadores se torna menos previsível e menos controlável. “A inteligência artificial é uma das tecnologias que deposita mais e mais poder em pacotes cada vez menores. Isso pode gerar um efeito em cadeia, de modo que, mesmo começando com escassos recursos, você pode criar projetos com potencial de afetar todo o mundo”, afirma o especialista em super inteligência maquinal que trabalhou anteriormente na Google.

Para Martin Rees, ex-presidente da Sociedade Real de Astronomia Britânica “este é o primeiro século na história mundial em que as maiores ameaças provêm da humanidade”. Mas por outro lado, o instituto avaliou que a humanidade está menos propensa a ser exterminada por pandemias ou desastres naturais, incluindo colisões com asteroides. Além disso, mesmo uma guerra nuclear pode ser um risco menor que as ameaças por trás das novas tecnologias.

23:33 · 29.05.2012 / atualizado às 01:16 · 30.05.2012 por
Dmitry Itskov apresentou à imprensa russa e mundial, um androide inspirado no próprio cientista Imagem: Russia 2045

Talvez seja muito cedo para dar crédito a isso, mas um grupo de cientistas russos pretende dar o maior passo já dado até hoje em direção ao conceito de imortalidade.

Intitulado Russia 2045, o grupo estuda transferir a consciência de seres humanos para supercomputadores integrados a corpos robóticos, similares aos avatares retratados no filme campeão de bilheteria.

De acordo com o cronograma do projeto, o primeiro passo será “popularizar” os robôs parecidos com seres humanos até 2015; posteriormente até 2020, o Russia 2045 quer que esses robôs possam ser controlados através de vibrações cerebrais humanas. Já em 2030, os pesquisadores pretendem iniciar as experiências com a transferência de consciência de pessoas à beira da morte para robôs e concluir esse processo em 2035.

O nome Russia 2045 vem do fato de que o projeto ainda prevê que esses robôs com consciência humana sejam utilizados na exploração espacial. O primeiro robô criado pelos cientistas russos foi uma cópia do fundador do grupo Dmitry Itskov, que move os braços e usa circuitos de inteligência artificial para “reconhecer” rostos.

Confira vídeo, em russo

 

Mind upload, a imortalidade transumana

O conceito científico de imortalidade não é exatamente novo e tanto pode envolver  a busca pela “imortalidade” biológica (o organismo não morre de causas naturais, mas pode morrer por lesão física) quanto o mind upload, ou seja a transferência ou integração da consciência para um computador, dentro da ideia de transumanismo.

O pioneiro dessa teoria foi o  biogerontologista norte-americano George M. Martin, que a formulou em 1971. Na atualidade, um dos maiores entusiastas do mind upload é o também norte-americano Raymond Kurzweil, inventor e futurista. No entanto, esse conceito foi inspirado em teorias futuristas ainda mais antigas, tais como a inteligência artificial, tema popularizado pelo escritor de ficção científica  bielorrusso-americano, Isaac Asimov.

De acordo, com esses pensadores, até o final do século XXI a humanidade deve conseguir a singularidade tecnológica, um ritmo de avanço tão rápido que permitirá entre outras conquistas, a “imortalidade” , a  conquista do espaço e a inteligência artificial.