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Tag: Júpiter


11:49 · 28.07.2018 / atualizado às 11:49 · 28.07.2018 por
Ao lado do Lago Magadi, no Quênia, jovens da comunidade Maasai assistiram ao eclipse através de um telescópio de alta potência fornecido por um casal local Foto: AFP

O mais longo eclipse “lua de sangue” deste século ocorreu nesta sexta-feira (27), coincidindo com a maior aproximação em 15 anos de Marte do nosso planeta, oferecendo um espetáculo celestial aos observadores no mundo todo. Em Fortaleza, o céu nublado comprometeu parcialmente a contemplação do fenômeno.

Conforme a Lua lentamente navegava pelos céus, multidões se reuniram em todo o mundo para assistir ao fenômeno raro, que começou às 17h14 e terminou às 23h28 GMT (14h14 às 20h28 horário em Fortaleza). Durante seis horas e 14 minutos, para cerca da metade do mundo a lua ficou parcialmente ou totalmente na sombra da Terra.

A duração do eclipse completo – conhecido como “totalidade”, quando a lua parece mais escura – se estendeu das 19h30 às 21h13 GMT (16h30 às 18h13 em Fortaleza). Ao mesmo tempo, Marte apareceu perto da lua no céu noturno, facilmente visível a olho nu. Ao lado do Lago Magadi, 100 quilômetros a sudoeste da capital queniana, Nairóbi, jovens membros da comunidade Maasai assistiram ao eclipse através de um telescópio de alta potência fornecido por um casal local.

“Até hoje eu achava que Marte, Júpiter e os outros planetas estavam na imaginação dos cientistas”, disse Purity Sailepo, 16 anos. “Mas agora que eu os vi, posso acreditar, e quero ser um astrônomo para contar a outras pessoas”, acrescentou.

Diferentemente de como acontece com um eclipse solar, os espectadores não precisaram de equipamentos de proteção para observar este fenômeno raro.

Visibilidade

Os astrônomos amadores do hemisfério sul ficaram melhor posicionados para apreciar o espetáculo, especialmente os do sul da África, Austrália, Sul da Ásia e Madagascar, mas o fenômeno também foi parcialmente visível na Europa e na América do Sul.

Na América do Sul, foi visível na penumbra crepuscular de sexta-feira na costa oriental do continente, no Brasil, Uruguai e Argentina. Mais de 2.000 pessoas, incluindo muitas crianças com binóculos, se reuniram na capital tunisiana de Túnis. “Espero que este eclipse nos traga felicidade e paz”, disse Karima, 46 anos, sem tirar os olhos do céu.

No entanto, o mau tempo impediu a exibição cósmica em várias partes do mundo. Tempestades de monção generalizadas e nuvens espessas esconderam a lua em grande parte da Índia e seus vizinhos, que deveriam ter tido uma visão privilegiada.

Da mesma forma, observadores ansiosos que se reuniram em penhascos e praias no condado inglês de Dorset foram deixados no escuro devido a um céu nublado.

“É decepcionante”, disse Tish Adams, 67 anos. “Eu tirei algumas fotos, mas não havia nada além de uma listra rosa no céu”.

Corpos celestes alinhados

Marte apareceu extraordinariamente grande e brilhante, a apenas 57,7 milhões de quilômetros da Terra em sua órbita elíptica em torno do Sol.

“Temos uma rara e interessante conjunção de fenômenos”, disse Pascal Descamps, astrônomo do Observatório de Paris. “Uma tonalidade vermelha acobreada na lua, com Marte, o ‘Planeta Vermelho’, logo ao lado, muito brilhante e com um leve tom alaranjado”.

Um eclipse lunar total acontece quando a Terra se posiciona em uma linha reta entre a Lua e o Sol, tapando a luz solar direta que normalmente faz o nosso satélite brilhar com um amarelo esbranquiçado. A Lua viaja para uma posição similar a cada mês, mas a inclinação de sua órbita faz com que ela normalmente passe acima ou abaixo da sombra da Terra – então, na maioria dos meses, temos uma lua cheia sem um eclipse.

Quando os três corpos celestes estão perfeitamente alinhados, no entanto, a atmosfera da Terra dispersa a luz azul do Sol, enquanto refrata ou curva a luz vermelha sobre a Lua, geralmente dando-lhe um rubor rosado. Isso é o que dá ao fenômeno o nome de “lua de sangue”, embora Mark Bailey, do Observatório de Armagh, na Irlanda do Norte, afirme que a cor é variável. Depende em parte de “quão nubladas ou transparentes estão aquelas partes da atmosfera da Terra que permitem que a luz do Sol chegue à Lua”, disse.

“Durante um eclipse muito escuro a lua pode ficar quase invisível. Eclipses menos escuros podem mostrar a lua como cinza escuro ou marrom (…), como cor de ferrugem, vermelho-tijolo, ou, se muito brilhante, vermelho-cobre ou laranja”, acrescentou.

Particularidades

A longa duração deste eclipse se deveu em parte ao fato de que a lua fez uma passagem quase central através da umbra da Terra – a parte mais escura e central da sombra.

A Lua também está no ponto mais distante de sua órbita da Terra, fazendo com que seu movimento pelo céu ficasse mais lento de nossa perspectiva, passando assim mais tempo no escuro.

Marte aparece como uma estrela muito brilhante. “No meio de um eclipse lunar, parece que um planeta vermelho passou a residir perto da Terra – e eles são ambos misteriosos e belos”, disse Robert Massey, da Royal Astronomical Society, em Londres.

Com informações: AFP

18:46 · 17.07.2018 / atualizado às 18:56 · 17.07.2018 por
Concepção artística dos novos corpos celestes descobertos orbitando o maior planeta do Sistema Solar Imagem: Earth.com

Uma dúzia de novas luas foram descobertas em volta de Júpiter, o que eleva seu número de luas conhecidas a 79, a maior quantidade entre os planetas de nosso sistema solar, anunciaram astrônomos nesta terça-feira (17).

Uma das novas luas foi descrita como uma “verdadeira extravagância” pelo pesquisador Scott Sheppard, do Carnegie Institution for Science, devido a seu pequeno tamanho, apenas um quilômetro de diâmetro, o equivalente a uma serra como a de Guaramiranga (CE), por exemplo.

Também “tem uma órbita como nenhuma outra lua joviana” descoberta e é “provavelmente a menor lua conhecida de Júpiter”, acrescentou. Esta lua rara demora cerca de um ano e meio para dar a volta em Júpiter, e orbita em um ângulo inclinado que faz com que cruze em seu caminho com uma série de luas que viajam de forma retrógrada, ou seja, na direção oposta à rotação de Júpiter. “Esta é uma situação instável”, disse Sheppard. “As colisões frontais poderiam desintegrar os objetos rapidamente e reduzi-los a pó”.

Esta lua, junto com outras duas descobertas, orbitam na direção da rotação do planeta. As luas internas demoram cerca de um ano para dar a volta em Júpiter, e as externas, o dobro do tempo.

Fragmentos

Todas as luas podem ser fragmentos que se separaram quando colidiram sendo corpos cósmicos maiores, dizem os astrônomos, que propuseram batizar a extravagante de “Valetudo”, como a bisneta do deus romano Júpiter, deusa da saúde e da higiene.

O astrônomo italiano Galileo Galilei descobriu as primeiras quatro luas de Júpiter em 1610. A equipe atual de astrônomos não estava buscando novas luas de Júpiter; estava explorando os céus em busca de planetas para além de Plutão, quando as luas cruzaram o caminho de seu telescópio.

As novas luas foram observadas pela primeira vez em 2017 graças a um telescópio situado no Chile e operado pelo Observatório Astronômico Óptico Nacional dos Estados Unidos. Os especialistas levaram um ano para confirmar suas órbitas com uma série de outros telescópios situados nos Estados Unidos e no Chile.

Com informações: AFP

12:13 · 08.03.2018 / atualizado às 21:08 · 08.03.2018 por
Camada gasosa compreende um centésimo da massa do planeta, revelaram estudos com base em observações da nave espacial Juno da Nasa. Na Terra, essa proporção é inferior a um milionésimo Foto: Nasa

Se você pudesse ultrapassar toda a espessa camada de nuvens formada por diferentes gases (que circulam o planeta em altíssima velocidade), com um avião capaz de suportar a imensa pressão atmosférica do maior corpo celeste de nosso sistema estelar, depois do Sol, levaria mais ou menos o mesmo tempo que uma aeronave comercial gasta para transcorrer a distância entre Fortaleza e São Paulo.

A atmosfera tempestuosa de Júpiter se estende por cerca de 3.000 quilômetros de profundidade e compreende um centésimo da massa do planeta, revelaram estudos com base em observações da nave espacial Juno da Nasa. As medidas lançam luz pela primeira vez sobre o que acontece sob a superfície do maior planeta do Sistema Solar, que à distância se assemelha a um mármore de vidro colorido e listrado. “Galileu viu as listras em Júpiter há mais de 400 anos. Até agora, nós só tínhamos uma compreensão superficial delas”, disse Yohai Kaspi, do Instituto Weizmann de Ciência em Israel, autor de um dos quatro estudos publicados na Nature.

Até uma profundidade de cerca de 3.000 km, os dados de Juno mostraram, Júpiter compreende um redemoinho psicodélico de faixas de nuvens e correntes de jatos sopradas por ventos poderosos, em direções opostas e a diferentes velocidades. Mas embaixo, o núcleo líquido de hidrogênio e hélio do planeta gira uniformemente, comportando-se quase como um corpo sólido, descobriram os pesquisadores. “O resultado é uma surpresa porque isso indica que a atmosfera de Júpiter é enorme e se estende por uma profundidade muito maior do que esperávamos anteriormente”, disse Kaspi. A atmosfera da Terra, em comparação, representa menos de um milionésimo da massa total do planeta.

“É um enigma de quase 50 anos na ciência planetária que está resolvido”, disse outro autor do estudo, Tristan Guillot, da Universidade Cote d’Azur na França. “Nós não sabíamos se um planeta gasoso como Júpiter girava com zonas e cintos todo o caminho até o centro, ou se, pelo contrário, os padrões atmosféricos eram superficiais”.

As descobertas foram o resultado de medidas sem precedentes do campo de gravidade de Júpiter por Juno, na órbita do gigante gasoso mais próximo da Terra desde julho de 2016.

Outras observações incluíram uma erupção de ciclones maciços nos polos do planeta não observadas em nenhum outro planeta do Sistema Solar.

Não se sabe como os ciclones são formados, ou como eles persistem sem se fundir.

Formação do Sistema Solar

“A primeira e mais importante questão que Juno pretende responder é como o nosso Sistema Solar foi formado e consequentemente entender mais sobre sua evolução”, disse à AFP outro autor, Alberto Adriani, do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália.

“Qualquer conhecimento que possamos acrescentar ao entender Júpiter, que é provavelmente o primeiro planeta formado (ao redor do Sol), é um passo nessa direção”.

Com informações: AFP

22:18 · 10.07.2017 / atualizado às 22:18 · 10.07.2017 por
Tormenta se parece com um nódulo vermelho amontoado sobre a superfície do planeta, tem sido observada desde 1830 e calcula-se que exista há 350 anos Foto: Reprodução/Youtube

Uma nave não-tripulada da Nasa tem previsto voar sobre uma enorme tormenta em Júpiter durante viagem que poderá dar nova luz sobre as forças que movem a Grande Mancha Vermelha do planeta.

A aproximação da nave Juno, que monitora a tormenta de 16.000 km de amplitude, está programada para 01H55 GMT de terça-feira (22H55 desta segunda-feira em Brasília). “A misteriosa Grande Mancha Vermelha de Júpiter é provavelmente a face mais conhecida de Júpiter”, afirmou Scott Bolton, principal pesquisador de Juno no Southwest Research Institute de San Antonio, no Texas. “Esta tempestade monumental fez estragos durante séculos no maior planeta do Sistema Solar”, acrescentou. A tormenta se parece com um nódulo vermelho amontoado sobre a superfície do planeta. Tem sido observada desde 1830 e talvez exista há 350 anos, afirmou a agência espacial americana.

Juno, que no início deste mês completou o seu primeiro ano em órbita do gigante gasoso, oferecerá “a primeira imagem que a humanidade terá deste fenômeno gigantesco”, disse a Nasa em um comunicado. A nave estará equipada com instrumentos que podem atravessar nuvens para medir até onde vão as raízes desta tempestade e os cientistas esperam conhecer mais sobre o funcionamento dela.

A nave espacial partiu de Cabo Canaveral em agosto de 2011 em uma missão para estudar as origens, estruturas, atmosfera e magnetosfera de Júpiter.

Com informações: AFP

17:18 · 16.03.2017 / atualizado às 17:19 · 16.03.2017 por
Concepção artística da missão “Europa Clipper”, um dos projetos que deve ser beneficiado com a nova proposta orçamentária feita por Donald Trump para a Nasa. A missão vai explorar o satélite Europa, de Júpiter Imagem: Nasa

O projeto de orçamento da Nasa apresentado nesta quinta-feira (16) pelo presidente americano, Donald Trump, privilegia a exploração do espaço profundo, mas reduz os fundos dedicados às ciências da Terra e ao estudo do clima.

O texto confirma o apoio do governo Trump às alianças entre a agência espacial americana e o setor privado, iniciadas pela administração do seu antecessor, Barack Obama, “como a base do desenvolvimento do setor comercial espacial americano”.

O orçamento de 2018, de 19,1 bilhões de dólares, 0,8% menor que o de 2017, elimina o projeto apoiado pelo governo de Obama de capturar um asteroide e colocá-lo numa órbita perto da Lua, para estudá-lo em profundidade. O projeto aumenta, principalmente, os recursos dedicados às ciências planetárias e à astrofísica, que passam de US$ 1,5 bilhão para quase US$ 2 bilhões.

A Casa Branca propõe, ainda, a aceleração de um projeto de exploração robótica de uma lua de Júpiter chamada Europa, que contém um vasto oceano de água sob uma grossa camada de gelo onde pode existir vida. A Nasa trabalha atualmente no desenvolvimento de uma sonda, “Europa Clipper”, cujo lançamento está previsto para a década de 2020. O objetivo é sobrevoar a lua de Júpiter para cartografar sua superfície e buscar possíveis sinais de vida no oceano. O projeto de Trump destina US$ 1,8 bilhão de dólares – o que representa uma redução de US$ 200 milhões – para o desenvolvimento de pesquisas sobre as ciências da Terra, que incluem quatro missões relacionadas com o estudo do clima. Uma delas é a do Observatory-3, um satélite que pode medir e monitorar as emissões de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera.

Para o diretor interino da Nasa, Robert Lightfoot, o projeto de orçamento é “em geral positivo” para a agência. “Como com qualquer orçamento, temos aspirações que ultrapassam nossas possibilidades, mas este projeto de orçamento nos proporciona recursos consideráveis para realizar nossa missão”, acrescentou em um comunicado. No entanto, a publicação do projeto de orçamento é apenas o começo de uma longa batalha com o Congresso, que tem a última palavra.

Com informações: AFP

23:10 · 26.09.2016 / atualizado às 23:50 · 27.09.2016 por
Imagem: PBS
Concepção artística mostra colunas de vapor de água sobre a superfície de gelo de Europa, uma das luas de Júpiter, sob a qual há um oceano Imagem: PBS

Astrônomos da Nasa revelaram nesta segunda-feira (26) que detectaram colunas de vapor de água sobre a superfície de gelo de Europa, uma das luas de Júpiter, sob a qual há um oceano.

Essas observações, feitas com a ajuda de emissões de raios ultravioleta do telescópio espacial Hubble, aumentam a possibilidade de coletar amostras de água e gelo sem a necessidade de colocar um robô sobre a superfície da Europa e fazer perfurações. “O oceano da Europa é considerado um dos lugares mais promissores no sistema solar onde potencialmente pode existir vida”, disse Geoff Yoder, diretor interino da Nasa para a Ciência.

“Essas colunas de vapor, se sua existência for confirmada, poderiam oferecer outro meio para obter amostras de água que se encontra debaixo do gelo”, acrescentou. Aparentemente, as colunas alcançavam cerca de 200 km de altitude, deixando cair materiais sobre a superfície da lua.

Durante as dez observações da passagem de Europa diante de Júpiter, efetuadas em um período de 15 meses, em três ocasiões foi possível perceber o que poderiam ser gêisers, detalharam os cientistas, entre eles William Sparks, um astrônomo do Space Telescope Science Institute, em Baltimore.

Apesar de que não puderam afirmar com exatidão que realmente se trata de colunas de vapor de água, os astrônomos consideram tal possibilidade “substancial”.

Em 2012, outra equipe científica dirigida por Lorenz Roth, do Southwest Research Institute, em San Antonio, detectou vapor de água saindo da superfície da Europa, na região do polo sul, alcançando 160 km no espaço.

As duas equipes usaram o mesmo instrumento do Hubble para fazer suas observações, um espectrógrafo, mas aplicaram métodos totalmente diferentes e chegaram à mesma conclusão. Se a existência dessas colunas de vapor de água for confirmada, Europa será a segunda lua no sistema solar conhecida por contar com esses fenômenos.

Em 2005, emissões como estas foram detectadas, pela sonda Cassini da Nasa, na superfície da Encélado, uma das luas de Saturno. Europa contém um vasto oceano, com o dobro de água de todos os oceanos terrestres reunidos, que se encontra sob uma crosta de gelo extremamente fria e muito dura, cuja espessura é desconhecida.

Esta última observação será publicada na próxima edição da revista Astrophysical Journal.

Com informações: AFP

07:47 · 21.05.2016 / atualizado às 22:14 · 20.05.2016 por
Foto: Nasa
Pesquisa mostra que é possível que exista hidrogênio e oxigênio suficientes para a formação de vida por lá. Já era sabido que Europa tem outros elementos favoráveis à vida como gás carbônico, água oxigenada e enxofre Foto: Nasa

A Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) já havia afirmado que Europa, uma das luas de Júpiter, era o lugar mais provável de ter vida fora da Terra. Agora, um estudo comprova que a química dos oceanos do satélite é muito parecida com a da Terra.

A pesquisa mostra que é possível que exista hidrogênio e oxigênio suficientes para a formação de vida por lá, ainda que não exista atividade vulcânica na lua de Júpiter. Já era sabido que Europa tem outros elementos favoráveis à vida como gás carbônico, água oxigenada e enxofre.

“A Europa é recoberta por uma camada de gelo relativamente fina, possui um oceano [líquido sob o gelo] em contato com rochas no fundo, é geologicamente ativa e bombardeada por radiações que criam oxidantes e formam, ao se misturar com a água, uma energia ideal para a vida”, afirmou Robert Pappalardo, cientista da Nasa em 2013.

O estudo, publicado pelo periódico Geophysical Research Letters, descobriu que a produção de oxigênio tanto na Terra quanto em Europa é cerca de dez vezes maior do que a produção de hidrogênio.

Na Terra, nossos oceanos produzem hidrogênio e calor quando a água salgada do mar penetra nas fissuras da crosta terrestre e reage com os minerais. O objetivo dos cientistas agora é saber se essa reação também acontece no satélite de Júpiter.

Europa também possui fissuras em sua crosta e elas são cinco vezes maiores do que as da Terra: cerca de 25 quilômetros de profundidade. Já o oxigênio pode ser criado quando moléculas congeladas da água se desprendem da superfície do oceano e voltam às profundezas do mar, onde está o hidrogênio.

Missão em 2020

A ESA (Agência Espacial Europeia) assinou um contrato de 350 milhões de euros com a Airbus Defence and Space para construir Juice, uma sonda que vai estudar Júpiter e suas luas congeladas em 2020.

Segundo Elizabeth Robinson, chefe do setor financeiro da Nasa, o ambiente com muita radiação que predomina em volta de Júpiter e a distância da Terra serão os grandes desafios para este projeto.

Quando a Nasa enviou a sonda Galileu para Júpiter, em 1989, foram necessários seis anos para que a sonda chegasse ao quinto planeta do Sistema Solar.

Outras sondas da Nasa já passaram perto de Europa, especialmente a Galileu, mas nenhuma se concentrou especificamente na lua, que é uma das dezenas que orbitam Júpiter.

Com informações: UOL

16:45 · 27.05.2015 / atualizado às 16:50 · 27.05.2015 por
Imagem: The Positive
Concepção artística de sonda orbitando Europa, um dos satélites naturais do planeta Júpiter. A lua jupiteriana possui um oceano líquido abaixo de uma espessa crosta de gelo, que poderia abrigar alguma forma de vida Imagem: The Positive

A Nasa acaba de anunciar os nove instrumentos que devem voar na espaçonave destinada a explorar Europa, a lua de Júpiter com maior potencial para abrigar vida.

Vista de longe, ela é apenas uma bola de gelo — nada mais que um pequeno ponto de luz, observado pela primeira vez por Galileu Galilei em 1610. Contudo, os sobrevoos realizados pelas Voyagers, em 1979 e 1980, e mais tarde pela sonda Galileo, nos anos 1990, revelaram a presença de um oceano global de água líquida sob a superfície congelada, além de muitos mistérios intrigantes.

O segredo para a persistência de água em estado líquido é o poderoso efeito de maré exercido pelo planeta gigante, conforme a lua gira em torno dele. “Em Europa, esse oceano deve ter existido por bilhões de anos”, disse John Grunsfeld, vice-administrador científico da Nasa. “Estou muito empolgado”, acrescentou.

A maioria dos cientistas acredita que foi num ambiente muito parecido com o que existe em Europa, em fontes hidrotermais no leito oceânico, que a vida surgiu na Terra.

“Caso encontremos indicações de seres vivos em Europa, é um sinal de que há vida em toda parte na galáxia”, afirma Jim Green, diretor de ciência planetária da agência espacial americana.

Cronograma

A missão deve partir no início da próxima década — o ano exato ainda não foi especificado, assim como o tempo de viagem até Júpiter, que depende do veículo lançador e da trajetória escolhidos para a viagem.

Não há orçamento fechado, mas estima-se um custo de US$ 2 bilhões, sem contar o preço do lançamento. Após entrar em órbita do planeta gigante, a sonda deve realizar 45 sobrevoos de Europa, ao longo de dois anos e meio.

Com isso, fará um mapeamento detalhado de cerca de 90% da superfície, com resolução capaz de identificar estruturas de 50 metros. E, em locais específicos, a resolução será ainda maior — espera-se que alguns sobrevoos atinjam uma distância de meros 25 km da superfície.

Habitabilidade

Segundo Curt Niebur, cientista do programa de Europa no Quartel-General da Nasa, o objetivo principal da missão é caracterizar o ambiente da lua e identificá-lo como habitável, ou seja, capaz de permitir a existência de vida.

Cinco perguntas deverão ser respondidas:

– Quão profundo e salgado é o oceano?
– Quão espessa é a crosta de gelo?
– Quão ativa é a crosta de gelo?
– O que é o material marrom na superfície?
– Onde estão as plumas e o que há nelas?

A agência espacial recebeu 33 propostas de instrumentos e selecionou 9 delas para a missão.

Confira a lista:

PIMS – Instrumento de Plasma e Sondagem Magnética

ICEMAG – Caracterização do Interior de Europa usando Magnetometria

MISE – Espectrômetro de Mapeamento de Imagens para Europa

EIS – Sistema de Imageamento de Europa

REASON – Radar para Estudo e Sondagem de Europa: Oceano até perto da Superfície

E-THEMIS – Sistema de Imageamento de Emissão Térmica de Europa

MASPEX – Espectrômetro de Massa para Exploração Planetária/Europa

UVS – Espectrógrafo Ultravioleta/Europa

SUDA – Analisador de Massa de Poeira Superficial

Com informações: Salvador Nogueira/Blog Mensageiro Sideral

19:35 · 12.03.2015 / atualizado às 19:47 · 12.03.2015 por
Foto: Astronoo
Segundo estudo, existe um oceano salgado, capaz, portanto, de conduzir eletricidade, abaixo da superfície da lua. Ele se contrapõe à atração magnética de Júpiter Foto: Astronoo

Cientistas que utilizam o Telescópio Espacial Hubble confirmaram que a lua Ganímedes, na órbita de Júpiter, possui um oceano por baixo de uma crosta superficial de gelo, elevando a probabilidade da presença de vida, afirmou a Nasa nesta quinta-feira (12).

A descoberta resolve um mistério relacionado à maior Lua do sistema solar após a nave Galileo, já aposentada, ter fornecido pistas sobre a existência de um oceano abaixo da superfície de Ganímedes enquanto cumpria uma missão exploratória ao redor de Júpiter e de suas luas, entre 1995 e 2003.

Assim como a Terra, Ganímedes possui um núcleo de ferro fundido que gera um campo magnético, embora o campo magnético de Ganímedes seja amalgamado ao campo magnético de Júpiter. Isso dá origem a uma interessante dinâmica visual, com a formação de duas faixas de auroras brilhantes nos pólos norte e sul de Ganímedes.

O campo magnético de Júpiter se altera com sua rotação, agitando as auroras de Ganímedes. Cientistas mediram tais movimentos e descobriram que os efeitos visuais se mostravam mais restritos do que deveriam.

Modelos computadorizados

Usando modelos gerados por computador, eles chegaram à conclusão de que um oceano salgado, capaz, portanto, de conduzir eletricidade, abaixo da superfície da Lua se contrapunha à atração magnética de Júpiter.

Os cientistas testaram mais de 100 modelos computadorizados para observar se qualquer outro elemento poderia ter impacto sobre a aurora de Ganímedes. Eles também reprocessaram sete horas de observações ultravioletas do Hubble e analisaram dados sobre ambos os cinturões de aurora da Lua.

O diretor associado da Nasa, Jim Green, classificou a descoberta como “uma demonstração surpreendente”. “Eles desenvolveram uma nova abordagem para se observar a parte interna de um corpo planetário com um telescópio”, disse Green.

Água quente em Encélado

Ganímedes se junta agora a uma crescente lista de luas localizadas nas partes mais afastadas do sistema solar que possuem uma camada de água abaixo da superfície.

Na quarta-feira (11), cientistas disseram que uma lua de Saturno, a Encélado, possui correntes quentes de água abaixo de sua superfície gélida. É a primeira vez que tal característica é descoberta fora da Terra, segundo um grupo de pesquisadores que formularam a teoria com a análise de pequenos destroços de rocha lançados ao espaço pelos gêiseres.

A descoberta acrescenta a “atrativa” possibilidade que Encélado, onde também há uma grande atividade geológica, “possa conter um ambiente adequado para organismos vivos”, segundo um artigo publicado pela revista “Nature”.

Entre outros corpos ricos em água no Sistema Solar  estão Europa e Calisto, luas de Júpiter.

Com informações: AFP/Galileu

17:14 · 15.05.2014 / atualizado às 17:37 · 15.05.2014 por
Mancha de Júpiter perdeu 6.400 km de diâmetro nos últimos 35 anos Foto: Nasa
Mancha de Júpiter perdeu 6.400 km de diâmetro nos últimos 35 anos, de acordo com imagens feitas pelo telescópio Hubble Foto: Nasa

A marca registrada de Júpiter – uma mancha vermelha maior que a Terra – está encolhendo, mostraram imagens do Telescópio Espacial Hubble divulgadas nesta quinta-feira (15).

A chamada “Grande Mancha Vermelha” é uma violenta tempestade, que no final dos anos 1880 teve seu tamanho estimado em cerca de 40 mil quilômetros de diâmetro, grande o suficiente para acomodar três Terras lado a lado.

A tempestade, a maior do Sistema Solar, tem a aparência de uma profunda esfera vermelha cercada por camadas de amarelo pálido, laranja e branco. Os ventos em seu interior foram calculados em centenas de quilômetros por hora, disseram astrônomos da Nasa, a agência espacial norte-americana.

Quando a sonda espacial Voyager, da Nasa, a sobrevoou em 1979 e 1980, as manchas tinham diminuído para cerca de 22.500 quilômetros de diâmetro.

Agora, novas imagens tiradas pelo Hubble em órbita da Terra mostram que a mancha vermelha de Júpiter está menor do que nunca, medindo pouco menos de 16.100 quilômetros de diâmetro, além de parecer mais circular na forma.

Os cientistas não sabem ao certo por que a Grande Mancha Vermelha está encolhendo cerca de mil quilômetros por ano.

“É visível que redemoinhos minúsculos estão se juntando à tempestade… estes podem ser responsáveis pela mudança acelerada ao alterar a dinâmica interna (da tempestade)”, disse Amy Simon, astrônoma do Centro de Voo Espacial Goddard, da Nasa, em Greenbelt, Maryland, em um comunicado.

Com informações: Reuters