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Tag: macacos


18:19 · 26.03.2018 / atualizado às 18:19 · 26.03.2018 por
Junto a produtos mais conhecidos, como o chifre de rinoceronte (acima), o tráfico de partes dos corpos de espécies em perigo também preocupa ambientalistas Foto: Reuters

Uma pitada de pó de osso de chimpanzé, da saliva de um lagarto ou um pedaço de cérebro de um urubu.

Não são os ingredientes da poção de uma bruxa de contos de fadas, mas algumas das substâncias que impulsionam o bilionário tráfico ilegal de partes de animais, apregoadas como remédios milagrosos para uma série de doenças, como a asma, o câncer ou a aids.

Junto a produtos mais conhecidos, como o chifre de rinoceronte, as escamas de pangolins ou os ossos de tigre, o tráfico de outras substâncias – com frequência de espécies em perigo ou ameaçadas – é mais secreto, embora não menos rentável: cavalos-marinhos empalhados, garras de bichos-preguiça, brânquias de jamantas ou embriões de macacos.

E embora alguns destes elementos façam parte de receitas ancestrais prescritas por médicos tradicionais na Ásia e na África, outros são simplesmente vendidos como falsos medicamentos milagrosos por charlatães, apontam os especialistas que, reunidos em Medellín, na Colômbia, também alertaram para uma extinção em massa de espécies. “Nunca criticaremos as práticas tradicionais”, disse John Scanlon, secretário-geral da Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies em Perigo de Extinção (Cites).

Mas denuncia aqueles que abusam de pessoas “muito vulneráveis” ao oferecer-lhes “certos produtos da vida selvagem como possuidores de propriedades que não estão associadas com a medicina tradicional”. Estes incluem os chifres de rinoceronte para curar o câncer, uma afirmação não demonstrada que contribui para dizimar as populações desses animais majestosos.

Em 1960, cerca de 100.000 rinocerontes-negros viviam na África. Em 2016 havia menos de 28.000 rinocerontes de todas as espécies na África e Ásia, segundo um relatório da ONU.

Bílis de urso

“A crise atual da caça ilegal de rinocerontes, que começou por volta de 2007 (…), tem suas origens no uso medicinal falso”, aponta Richard Thomas, da organização TRAFFIC.

Um aumento da demanda no Vietnã é atribuído às declarações de um político, que em meados dos anos 2000 afirmou que o chifre de rinocerote curou seu câncer. “Isso não tem nenhuma base científica, mas é quase certo que o mito urbano levou à crise”, insistiu Thomas. À medida que as rendas subiram na Ásia, também aumentou a demanda por esses chifres, assim como as virtudes atribuídas a eles: alguns os usam como tonificante, para curar ressacas, e outros simplesmente para pavonear sua riqueza. Apesar de sua proibição na China, a demanda não diminuiu, e o produto é vendido por dezenas de milhares de dólares o quilo.

Na medicina tradicional chinesa, o chifre era originalmente receitado contra a febre, e alguns estudos concluíram que existe certa eficácia nesse sentido, mas não maior que a da aspirina.

Outros ingredientes foram mais bem assimilados nos países ocidentais, como a bílis de urso, que contém um ácido eficiente contra uma doença do fígado. Hoje em dia se produz de forma sintética.

Mas para muitos outros produtos, a demanda é alimentada simplesmente por superstições, segundo os especialistas.

Mensagem forte

As escamas de pangolins, dois quais duas espécies estão em “perigo crítico” -, são vendidas na Ásia por 500 dólares o quilo para tratar a asma e a enxaqueca, ou estimular a produção de leite em uma mãe lactante.

“Não há nenhuma evidência científica para pressupor nenhuma propriedade” das escamas de pangolim, assim como tampouco há sobre as propriedades contra a aids da lagartixa-tokay, ou a injeção de virilidade que dão os ossos de tigre. “A superstição, a medicina tradicional e as técnicas do marketing viral estão agravando a pressão sobre as espécies animais”, diz Charlotte Nithart, da Robin des Bois. Esta ONG francesa registrou em um relatório o tráfico de tutano de girafas para curar a aids na África, e de pó de osso de chimpanzé para a virilidade, enquanto os cérebros de urubu são defumados na África do Sul para adivinhar os números da loteria.

Embora esta caça furtiva não seja a principal razão do desaparecimento de animais selvagens, que sobretudo estão ameaçados pela perda de seus habitats, representa mais de 19 bilhões de dólares por ano, segundo a WWF, atrás apenas do tráfico de drogas, de peças falsificadas e de seres humanos.

“Há cada vez mais pessoas que são presas e processadas, enviadas à prisão por tráfico ilegal (…) Isso manda uma mensagem forte”, disse John Scanlon. Mas mudar as mentalidades é difícil. “É importante ser sensível às culturas”, aponta Richard Thomas.

“Se alguém cresce acreditando que uma coisa é remédio, não basta dizer a ele que não é, especialmente se essa mensagem vem de um estrangeiro”.

Com informações: AFP

17:36 · 22.09.2017 / atualizado às 17:36 · 22.09.2017 por
Foto: Icy Tales

Estudo conduzido pelo Instituto Evandro Chagas (IEC) do Pará em conjunto com a Universidade do Texas mostra que a vacina contra zika desenvolvida pelas duas instituições protege camundongos e macacos contra o vírus.

Publicado pela Revista Nature Communications, o trabalho constatou que a aplicação de uma dose da vacina nos animais foi suficiente para prevenir a transmissão do vírus da mãe para o filhote durante a gestação, além de proteger machos. Com a conclusão desta etapa, é dado sinal verde para preparativos em testes em humanos.

Apesar da boa notícia, um achado do estudo acende um alerta para uma eventual consequência da infecção pelo vírus: a redução da fertilidade masculina. Testes realizados em camundongos mostram que a infecção pode alterar a reprodução nesses animais. Machos não vacinados expostos ao zika tiveram uma redução significativa de espermatozoides. E os que foram produzidos perderam velocidade, o que dificulta a fecundação. Para completar, testículos dos camundongos atrofiaram.

“Sabemos da propensão do zika em infectar células do cérebro. O estudo agora indica que o vírus também age no testículo”, relata o diretor do IEC, Pedro Vasconcelos.”Não era esperado que isso ocorresse. Foi um achado ocasional”, completa o diretor. Não há ainda pistas sobre as causas que levam o vírus a atacar também a gônada masculina. Um dos caminhos a ser pesquisados, avalia, é a possibilidade de semelhanças entre receptores.

O diretor afirma que novos testes deverão ser feitos para verificar se o zika apresenta comportamento semelhante nos testículos de outras animais. Caso novos estudos indiquem resultados similares, Vasconcelos considera importante partir para uma investigação epidemiológica em regiões onde o vírus provocou epidemia, como cidades do Nordeste. “A epidemia pode ter provocado outras consequências, que serão sentidas numa outra fase, como a redução dos bebês nascidos em regiões afetadas. Isso precisa ser investigado.” A pesquisa não testou a capacidade de os camundongos engravidarem fêmeas após os danos constatados nos testículos. Isso impede afirmar neste momento que animais se tornaram estéreis. Um novo experimento agora será realizado. “O que se sabe é que há uma grande quantidade de vírus na excreção do esperma, que significa que o vírus tem bastante capacidade de se replicar, causando a destruição das células que resulta em diminuição dos testículos e, consequentemente, a esterilidade”, concluiu.

Este foi o quarto estudo publicado sobre a vacina desenvolvida em parceria pelo IEC e a Universidade do Texas. “Comprovada a eficácia da vacina em macacos e camundongos, terminamos nossa contribuição, abrindo caminho agora, para as pesquisas clínicas” afirma Vasconcelos. Todos os testes realizados mostraram até o momento o efeito protetor do imunizante desenvolvido pela parceria. Os testes clínicos serão feitos por Biomanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio. A expectativa, de acordo com Vasconcelos, é de que os testes comecem a ser feitos em 2019.

A parceria para essa pesquisa foi feita em 2016 a partir de acordo internacional para o desenvolvimento de vacina contra o vírus zika. O Ministério da Saúde vai destinar um total de R$ 7 milhões nos próximos cinco anos (até 2021) para o desenvolvimento e produção da vacina. O imunobiológico em desenvolvimento utiliza a tecnologia de vírus vivo atenuado de apenas uma dose, já que vacinas com vírus vivo são altamente capazes de estimular o sistema imunológico e proteger o organismo da infecção.

Com informações: Estadão Conteúdo

20:09 · 09.12.2016 / atualizado às 20:11 · 09.12.2016 por
Foto: Snow Brain
Alteração genética deve ter acontecido antes de 500 mil anos atrás, porque não é exclusiva do DNA do Homo sapiens Foto: Snow Brain

Uma mutação aparentemente insignificante no DNA dos ancestrais da humanidade pode ter contribuído para que nosso cérebro alcançasse o tamanho descomunal que tem hoje (três vezes maior que o dos grandes macacos).

Bastou inserir o gene que contém essa mutação em fetos de camundongo para que dobrasse o número de células que dão origem aos neurônios do córtex, a área cerebral mais “nobre”. A pesquisa, conduzida por cientistas do Instituto Max Planck (Alemanha), é um dos primeiros frutos da tentativa de usar o genoma para entender como a evolução humana se desenrolou.

Por enquanto, isso não tem sido fácil –tanto que o gene estudado pelos pesquisadores no novo estudo, designado pela indigesta sigla ARHGAP11B, é o único específico da linhagem humana a ser associado com a proliferação das tais células do córtex cerebral. “Ainda não sabemos qual o mecanismo que leva a essa proliferação aumentada”, disse à Folha o coordenador do estudo, Wieland Huttner.

O certo é que parece haver um efeito direto da presença do gene sobre as chamadas BPs (progenitoras basais, na sigla inglesa). As BPs possuem uma vantagem importante quando a questão é produzir mais e mais neurônios: elas ficam numa região do cérebro em desenvolvimento em que há bastante espaço. Com isso, conseguem se multiplicar mais, conduzindo, portanto, a um aumento mais vigoroso do órgão.

Origem da mudança

Desde quando esse fenômeno acontece no cérebro dos membros da linhagem humana? “A mutação deve ter acontecido antes de 500 mil anos atrás”, diz Huttner -isso porque ela não é exclusiva do DNA dos seres humanos modernos.

Os colegas do pesquisador no Max Planck estão entre os responsáveis por resgatar o genoma de dois parentes extintos da nossa espécie, os neandertais e os denisovanos. Ao desvendar o DNA completo de ambas as espécies, os cientistas identificaram o gene ARHGAP11B -mas nada de encontrá-lo em outros primatas ou mamíferos. Segundo o pesquisador alemão, uma possibilidade é que essa mutação tenha acontecido no DNA do Homo erectus, primeiro ancestral do homem a ter passado por um grande aumento de sua capacidade cerebral. O estudo saiu na revista especializada “Science Advances”.

Com informações: Reinaldo José Lopes/Folhapress

20:14 · 12.09.2016 / atualizado às 20:14 · 12.09.2016 por
Foto: Tom Stephenson/DiscoverLife
Os cientistas infectaram uma macaca da espécie Macaca nemestrina com o vírus da zika no segundo trimestre de gravidez. Embora o animal não tenha apresentado sintomas da doença, o feto desenvolveu anomalias cerebrais Foto: Tom Stephenson/DiscoverLife

Cientistas detectaram pela primeira vez lesões e má-formação cerebral produzidas pelo vírus da zika no feto de uma macaca grávida. O estudo, publicado nesta segunda-feira, 12, na revista Nature Medicine, foi liderado por cientistas da Universidade de Washington (UW), em Seattle (Estados Unidos).

Segundo os autores, outros pesquisadores já haviam desenvolvido modelos de estudos da infecção por zika em macacos, mas até agora as anomalias cerebrais, como a microcefalia, observadas em fetos de mulheres infectadas pela zika, ainda não haviam sido registradas em primatas não-humanos.

“Nossos resultados descartam qualquer dúvida que pudesse restar sobre o fato do vírus da zika ser incrivelmente perigoso para os fetos em desenvolvimento, fornecendo detalhes minuciosos sobre como os danos cerebrais se desenvolvem”, afirmou a autora principal da pesquisa, Kristina Adams Waldorf, médica e pesquisadora da UW.

Os cientistas infectaram uma macaca da espécie Macaca nemestrina com o vírus da zika no segundo trimestre de gravidez. Embora o animal não tenha apresentado sintomas da doença – como acontece com a maioria dos pacientes humanos -, o feto desenvolveu anomalias cerebrais e, nos primeiros 10 dias após a infecção, apresentou evidências de retardamento do desenvolvimento cerebral.

Embora os resultados do estudo estejam limitados a um só animal, os autores afirmam que o Macaca nemestrina poderá ser um modelo útil para estudar a progressão da infecção por zika em humanos e para testar candidatas a vacinas ou terapias.

“Esse estudo nos deixa mais próximos de determinar se uma vacina ou terapia para a zika serão capazes de impedir os danos cerebrais no feto, mas também se elas serão seguras para serem administradas durante a gravidez”, declarou Kristina.

De acordo com outro dos autores, Michael Gale, professor de imunologia da UW, o estudo seguiu o chamado Postulado de Koch, que estabelece critérios para determinar se um microrganismo é ou não o agente causador de uma doença ou síndrome.

“Essa é a única evidência direta mostrando que o vírus da zika pode cruzar a placenta na fase tardia da gravidez e afetar o cérebro do feto desativando alguns aspectos do desenvolvimento cerebral”, afirmou Gale. Outra das autoras, Lakshmi Rajagopal, professora de Pediatria da UW, afirma ter ficado “chocada” quando viu a primeira imagem de ressonância magnética do cérebro do feto 10 dias após a inoculação do vírus. “Não havíamos previsto que uma área tão grande do cérebro do feto sofreria danos tão rapidamente”, afirmou.

Segundo Lakshmi, os resultados da pesquisa sugerem que uma terapia para impedir danos no cérebro dos fetos deveria ser uma vacina, ou um medicamento profilático aplicado no momento da picada do mosquito, para neutralizar o vírus. “No momento em que uma mulher grávida desenvolve os sintomas, o cérebro do feto já pode ter sido afetado e sofrido danos graves.”

Placenta

O novo estudo revela de forma conclusiva que o vírus zika realmente cruza a placenta da mãe e penetra no cérebro do feto. De acordo com ele, o nível de infecção viral detectado no cérebro do feto foi mais alto que o do organismo da mãe.

Saber quanto tempo o vírus permanece no sistema durante a gravidez e o desenvolvimento do feto era uma questão fundamental segundo Gale. O cientista explicou que a presença do vírus da zika, de certa forma, perturba o equilíbrio normal do desenvolvimento do cérebro, levando-o a construir estruturas de apoio em demasia, fazendo-o, ao mesmo tempo, produzir uma quantidade insuficiente de estruturas de células nervosas.

Isso altera o formato, o tamanho e a função do cérebro, segundo Gale. O vírus da zika utilizado no estudo é de uma linhagem isolada em 2010 no Camboja e que, segundo os autores, é geneticamente praticamente idêntica à linhagem encontrada atualmente no Brasil.

Com informações: Estadão Conteúdo

17:28 · 16.12.2014 / atualizado às 17:41 · 16.12.2014 por
Foto: Unemat
Foram avistados três macacos do gênero Pithecia, conhecido popularmente como ‘parauacus’. Estes macacos não eram conhecidos cientificamente para esta região e, além disso, como estes grupos observados apresentaram características diferentes das espécies já conhecidas Foto: Unemat

Pesquisadores do Laboratório de Mastozoologia, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), descobriram o que pode ser uma nova espécie de macaco na região de transição entre Amazônia e Pantanal.

O mestrando Almério Gusmão, orientado pelo professor Manoel dos Santos Filho, observou no final de novembro deste ano, durante atividades de campo, três macacos do gênero Pithecia, conhecido popularmente como ‘parauacus’.

Estes macacos não eram conhecidos cientificamente para esta região e, além disso, como estes grupos observados apresentaram características diferentes das espécies já conhecidas, os pesquisadores ainda não os agruparam em nível de espécie.

O próximo passo agora é analisar mais detalhadamente os animais e verificar se se trata de uma nova espécie ou uma variação geográfica de alguma já descrita.

Diversidade pouco conhecida

O Brasil possui a maior diversidade de primatas do planeta e, mesmo assim, ainda é pouco conhecida cientificamente.

No Estado de Mato Grosso existem três biomas e várias localidades com poucos conhecimentos sobre sua diversidade.

A preocupação dos pesquisadores é que estes animais estão em uma região onde a vegetação nativa foi quase totalmente removida para a implantação da agricultura e da pecuária.

Com essa preocupação, o Laboratório de Mastozoologia, coordenado pelo professor Manoel, vem desenvolvendo projetos para investigar a ecologia nesses fragmentos. Atualmente, trabalham com primatas na região sul da Amazônia e no Pantanal mato-grossense.

Os locais onde foram observados os animais são pequenos fragmentos de floresta isolados entre si e não existem unidades de conservação próximas. Isso implica problemas para a conservação, uma vez que decorrente da perda de habitat e do isolamento das poucas populações ainda existentes na região, já há o risco de extinção desta espécie de parauacu.

Com informações: Fotos Públicas

17:36 · 30.04.2014 / atualizado às 17:38 · 30.04.2014 por
Foto: Veronica Muskheli
Enxerto de músculo cardíaco humano (contrastado em verde na imagem) regenerou tecido do coração de um macaco Foto: Veronica Muskheli

Cientistas transplantaram com sucesso em macacos células do músculos do coração desenvolvidas a partir de embriões humanos. O resultado do estudo conduzido na Universidade de Washington, publicado na revista Nature desta semana, é um importante passo para o desenvolvimento de tratamentos para falência cardíaca.

Pesquisas anteriores com roedores já haviam apontado o potencial terapêutico de células do músculo cardíaco (cardiomiócitos) derivadas de células-tronco humanas na regeneração de partes doentes do coração. Ainda não se sabia, no entanto, se a técnica traria resultados semelhantes nos corações maiores dos primatas, ou se seria viável produzir cardiomiócitos em escala suficiente para o tratamento animais maiores. O estudo da Universidade de Washington prova que sim.

O pesquisador Charles Murry e sua equipe produziram 1 bilhão de cardiomiócitos a partir de células-tronco e os implantaram no coração de macacos que sofriam de falência cardíaca. Eles observaram significativa regeneração do tecido cardíaco danificado e perfeita compatibilidade eletromecânica dos cardiomiócitos enxertados com o coração dos primatas.

No entanto, em contraste com os estudos envolvendo roedores, os macacos tiveram episódios de arritmia, que precisa de acompanhamento e pode ser fatal. Os autores do estudo também recomendaram a condução de estudos mais amplos, que examinem os efeitos da técnica em casos de infarto (áreas onde houve a morte do tecido cardíaco).

Com informações: UOL Ciência

16:21 · 05.01.2012 / atualizado às 21:54 · 05.01.2012 por
"Envelopes" dos genes podem ser fundamentais na proteção contra o vírus HIV, revela vacina que evitou 80% das infecções em macacos. Imagem: Biological & Medical Visuals

A vacina contra a Aids parece estar cada vez mais próxima de ser desenvolvida, uma esperança não só para quem está saudável, mas também para os 34 milhões de pessoas que sofrem com a doença em todo o mundo (sendo entre 250 e 300 mil só no Brasil).

Talvez o maior passo já dado até hoje tenha sido o experimento realizado por pesquisadores dos Estados Unidos que reduziu 80% do risco de infecção em macacos expostos a uma das formas mais letais do vírus SIV, uma espécie muito similar ao HIV. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (04) e publicado na prestigiada revista Nature.

Outro mérito da nova vacina foi o fato de ter reduzido bastante a carga viral dos animais que já estavam contaminados e de ter ajudado a identificar um mecanismo do sistema imunológico eficiente na proteção contra vírus como o da Aids, os chamados “envelopes” de genes. Os testes em humanos já devem começar em janeiro de 2013, o que pode ser considerado um prazo muito curto em comparação a outros experimentos e indica o quão entusiasmados estão os cientistas que o desenvolveram.

Até então o resultado mais animador na busca por uma vacina anti-HIV foi obtido em 2009, num estudo com 16 mil pessoas na Tailândia que havia reduzido em 31% o risco de contaminação entre o grupo pesquisado. A nova vacina usou versões enfraquecidas do adenovírus (causador do resfriado) e do vírus da varíola, que serviram de veículos para o antígeno do SIV.

“As vacinas que testamos tinham uma amplíssima experiência na prática clínica, o que significa que a transição do trabalho com animais para o trabalho com humanos será muito fácil”, disse Nelson Michael, diretor do Programa Militar de Pesquisas com o HIV, no Instituto Walter Reed de Pesquisas do Exército dos EUA. Michael havia participado das pesquisas desenvolvidas na Tailândia.