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Tag: mamíferos


10:22 · 08.11.2017 / atualizado às 10:22 · 08.11.2017 por
Concepção artística de mamíferos que conviveram com ancestrais das aves modernas e com dinossauros na era Mesozóica Imagem: Mark Witton

Um estudante universitário britânico encontrou dentes de mamíferos parecidos com ratos que viveram há 145 milhões de anos e possuem ligações distantes com os humanos. A descoberta foi feita na costa de Dorset, no sudoeste da Inglaterra, pelo estudante de graduação Grant Smith, quando ele examinava pedras na Universidade de Portsmouth.

“Inesperadamente, ele não encontrou um, mas dois dentes bastante notáveis ​​de um tipo nunca antes visto em rochas desta época”, disse Steve Sweetman, pesquisador da universidade. “Eu fui convidado a olhar para eles e dar uma opinião e, mesmo à primeira vista, fiquei de boca aberta!”, escreveu na revista científica Acta Palaeontologica Polonica.

Acredita-se que os dentes pertenceram a duas espécies diferentes de criaturas pequenas e peludas que provavelmente eram noturnas e se alimentavam de insetos e talvez plantas. “Os dentes são de um tipo altamente avançado que pode perfurar, cortar e esmagar alimentos”, disse Sweetman.

“Eles também estão muito desgastados, o que sugere que os animais aos quais eles pertenciam viveram até uma boa idade para suas espécies. Um grande feito quando você está compartilhando seu habitat com dinossauros predatórios!”.

Apesar desses animais serem significativamente diferentes dos humanos, Sweetman os descreveu como “sem dúvida os mais antigos conhecidos da linha de mamíferos que leva à nossa própria espécie”. As duas espécies foram nomeadas Durlstodon ensomi e Durlstotherium newmani, a segunda em homenagem ao proprietário de um pub local, Charlie Newman.

A descoberta foi feita na “Costa Jurássica” de Dorset, um Patrimônio Mundial da Unesco que carrega 185 milhões de anos de história.

Com informações: AFP

12:07 · 07.11.2017 / atualizado às 12:07 · 07.11.2017 por
Concepção artística de primatas do gênero Purgatorius, que surgiram há cerca de 65 milhões de anos. A ordem, que inclui os humanos, foi a primeira adotar hábitos diurnos, o que deve ter ocorrido há pelo menos 52 milhões de anos Imagem: Yale News

Os primeiros mamíferos eram criaturas noturnas que só emergiram da escuridão após o desaparecimento dos dinossauros, disseram pesquisadores israelenses.

Isso explicaria por que relativamente poucos mamíferos seguem um estilo de vida “diurno” hoje, e por que a maioria destes ainda tem olhos e ouvidos mais adequados para viver à noite.

“A maioria dos mamíferos hoje são noturnos e possuem adaptações para sobreviver em ambientes escuros”, disse o coautor do estudo Roi Maor, da Universidade de Tel Aviv. “Os macacos e os primatas (incluindo os humanos) são os únicos mamíferos diurnos com olhos evoluídos que são semelhantes aos outros animais diurnos, como pássaros ou répteis. Outros mamíferos diurnos não desenvolveram adaptações tão profundas”, acrescentou.

Maor e uma equipe de pesquisadores fornecem evidências que apoiam a teoria de longa data de que dezenas de milhões de anos fugindo dos dinossauros causaram um “gargalo” noturno na evolução dos mamíferos.

Por terem se escondido na escuridão por tanto tempo – possivelmente para evitar disputar comida e território com os dinossauros ou ser comidos por eles -, os mamíferos de hoje não estão no mesmo patamar dos peixes, répteis e pássaros quando se trata de visão diurna. Os mamíferos, exceto os primatas, não possuem uma parte do olho conhecida como fóvea, que muitos peixes, répteis e aves possuem e que está repleta de células “cone” fotorreceptoras para ver cores na luz forte.

Em vez disso, eles tendem a ter mais células em forma de bastão, que podem absorver luz escassa, mas proporcionam uma resolução relativamente baixa.

Os mamíferos modernos que são ativos principalmente de dia – incluindo alguns tipos de esquilo, musaranhos-arborícolas, alguns antílopes e muitos animais carnívoros – também tendem a ter olfato e audição aguçados, atributos necessários para viver no escuro.

Primatas primeiro 

Maor e uma equipe analisaram os estilos de vida de 2.415 espécies de mamíferos vivos e usaram algoritmos de computador para reconstruir o comportamento provável de seus antepassados, chegando até os primeiros mamíferos.

O primeiro antepassado dos mamíferos surgiu entre 220 milhões e 160 milhões de anos atrás, evoluindo a partir de um ancestral réptil, que provavelmente era noturno, de acordo com o estudo publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution.

Os dinossauros, por outro lado, provavelmente eram habitantes diurnos que procuravam a luz solar para aquecer seus corpos, como os répteis fazem hoje.

Os dados revelaram que os mamíferos permaneceram noturnos durante toda a Era Mesozoica, que terminou cerca de 66 milhões de anos atrás, quando uma calamidade maciça, possivelmente uma queda de asteroides, eliminou os dinossauros e cerca de três quartos da vida na Terra.

Os mamíferos, então principalmente animais pequenos e velozes, sobreviveram e prosperaram.

A maioria permaneceu noturna, enquanto alguns abraçaram o dia e outros – incluindo gatos, elefantes e vacas – são hoje um pouco das duas coisas.

Os ancestrais dos primatas estavam entre os primeiros mamíferos a se tornarem estritamente diurnos, há cerca de 52 milhões de anos, descobriram os pesquisadores.

Isso explica por que nossa família de primatas está melhor adaptada ao modo de vida iluminado pelo sol: tivemos mais tempo para evoluir e nos adaptarmos.

O motivo da mudança da noite para o dia não está claro, disse Maor, mas pode ter incluído um “risco reduzido de predação” para os primeiros mamíferos.

Embora o estudo mostre uma forte correlação entre a morte dos dinossauros e o surgimento de mamíferos diurnos, não pode concluir que houve uma relação de causa e efeito.

Com informações: AFP

23:05 · 19.03.2015 / atualizado às 23:16 · 19.03.2015 por
Foto: Dinopedia
A macrauquênia, de compleição leve, tinha pernas longas, um pescoço comprido e um tronco aparentemente pequeno, lembrando um camelo sem corcova e com tromba similar a de um de seus parentes mais próximos, a anta Foto: Dinopedia

Para o naturalista britânico do século 19 Charles Darwin, eles eram os animais mais estranhos já descobertos, um parecido com uma mistura de hipopótamo, rinoceronte e roedor e outro lembrando um camelo sem corcova com uma tromba de elefante.

Desde que Darwin coletou seus fósseis cerca de 180 anos atrás, os cientistas viviam se perguntando onde estas estranhas criaturas sul-americanas, extintas 10 mil anos atrás, se encaixavam na árvore genealógica dos mamíferos. Agora, o mistério foi solucionado.

Nesta quarta-feira, pesquisadores disseram que uma análise bioquímica sofisticada de colágeno de osso extraída de fósseis dos dois mamíferos, o toxodonte e a macrauquênia, demonstraram que eles tinham relação com o grupo que inclui cavalos, antas e rinocerontes, os perissodáctilos,  que são ungulados (animais com casco) com número ímpar de dedos nas patas.

Alguns cientistas acreditavam que os dois mamíferos herbívoros, os últimos de um grupo bem-sucedido chamado de ungulados sul-americanos (ou meridiungulados), tinham relação com mamíferos de origem africana como os elefantes e os porcos-da-terra, ou outros mamíferos sul-americanos como os tatus e as preguiças.

“Desvendamos um dos últimos grandes problemas ainda sem solução da evolução mamífera: as origens dos ungulados sul-americanos nativos”, disse o biólogo de evolução molecular Ian Barnes, do Museu de História Natural de Londres, cuja pesquisa está na revista Nature.

Primeiras ideias sobre evolução

O toxodonte, que tinha cerca de 2,75 metros, possuía um corpo semelhante ao do rinoceronte, a cabeça como a de um hipopótamo e molares sempre em crescimento, como os de um roedor. A macrauquênia, do mesmo tamanho, mas de compleição mais leve, tinha pernas longas, um pescoço comprido e um tronco aparentemente pequeno.

“Algumas das primeiras ideias de Darwin sobre a evolução por meio da seleção natural foram concebidas contemplando os restos de toxodonte e macrauquênia, que lembravam de maneira tão confusa os traços de uma série de outros grupos, mas que tinham desaparecido muito recentemente”, explicou o paleomamiferologista Ross MacPhee, do Museu de História Natural de Nova York.

Os pesquisadores tentaram sem sucesso obter DNA dos fósseis, mas conseguiram obter o colágeno, que é mais resistente, dos restos mortais. O colágeno é a principal proteína estrutural de vários tipos de tecido, incluindo ossos e pele.

Os cientistas compararam o colágeno com uma ampla variedade de mamíferos vivos e alguns extintos para posicionar as criaturas corretamente na árvore genealógica dos mamíferos.

Origem geográfica dos meridiungulados

MacPhee afirmou que este grupo provavelmente chegou à América do Sul pela América do Norte aproximadamente 65 milhões de anos atrás, época em que os dinossauros foram exterminados em uma calamidade que permitiu aos mamíferos se tornarem os maiores e mais prevalentes animais terrestres.

Uma gama eclética de mamíferos, como preguiças do tamanho de elefantes e marsupiais de grandes presas, surgiu na América do Sul.

Com informações: Reuters

 

19:10 · 30.09.2014 / atualizado às 19:18 · 30.09.2014 por
Foto: Blog Estudo Prático
Espécies de água doce, incluindo peixes, anfíbios e répteis como os crocodilianos, sofreram uma perda de 76%, em um percentual que representa o dobro do sofrido por espécies marinhas e terrestres Foto: Divulgação

Mais da metade dos animais selvagens que existiam na Terra há 40 anos desapareceu, e a maioria destas perdas ocorreu nas áreas tropicais da América Latina, segundo o último relatório “Planeta Vivo” do Fundo Mundial para a Natureza (WWF).

Sob o título “Espécies e Espaços, Pessoas e Lugares”, o relatório – a décima edição deste estudo bienal – recolhe as pesquisas realizadas sobre o destino de 10 mil espécies de vertebrados de 1970 a 2010. As espécies estão classificadas no Índice Planeta Vivo, um registro mantido pela Sociedade Zoológica de Londres. Além disso, o relatório mede o rastro ecológico da humanidade no planeta elaborado pela Global Footprint Network.

A principal conclusão do estudo é que as populações de peixes, aves, mamíferos, anfíbios e répteis decaiu em 52% desde 1970. As espécies de água doce sofreram uma perde de 76%, em um percentual que dobra as sofridas por espécies marinhas e terrestres. A maioria das perdas globais, por sua vez, provém das regiões tropicais da América Latina.

Rastro ecológico

Calcula-se que seria necessária uma Terra e meia para produzir os recursos necessários para equilibrar com o rastro ecológico da humanidade.

O relatório também destaca que o rastro ecológico é cinco vezes maior nos países desenvolvidos que nas nações em desenvolvimento, e lembram que se demonstrou que se podem elevar os níveis de vida da população e restringir ao mesmo tempo a exploração dos recursos naturais.

Os dez países com maior rastro ecológico são, na ordem, Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos, Dinamarca, Bélgica, Trinidad e Tobago, Cingapura, Estados Unidos, Bahrein e Suécia.

Com informações: EFE

13:40 · 20.09.2013 / atualizado às 15:03 · 20.09.2013 por
Cachorro-vinagre habita nichos esparsos na América do Sul, incluindo a serra de Aratuba, no Ceará Foto: Divulgação
Cachorro-vinagre habita nichos esparsos na América do Sul, incluindo a serra de Aratuba, no Ceará Foto: Divulgação

Uma espécie rara e cuja presença no Ceará só foi constatada em 2012, o cachorro-vinagre (Speothos venaticus), vai passar por um programa de reprodução em cativeiro no Pará. A espécie corre risco de extinção, embora classificado pela IUCN (sigla inglesa para União Internacional para a Conservação da Natureza) como pequeno.

A iniciativa será realizada na floresta nacional de Carajás, no sudeste paraense, mais precisamente no Parque Zoobotânico de Parauapebas. Um casal, que chegou ao local há pouco mais de um ano, foi colocado em um ambiente especialmente destinado para a reprodução da espécie em cativeiro. O cachorro vinagre é um canídeo de médio porte que se alimenta basicamente de pequenos roedores.

A reprodução em cativeiro faz parte de um projeto nacional, desenvolvido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). “O plano de ação nacional leva em conta várias ações para preservação da espécie, como proibição de caças e dominação da técnica de reprodução em cativeiro”, explica Frederico Drumond, Chefe da Floresta Nacional de Carajás. A iniciativa paraense já possibilitou o nascimento de outros animais ameaçados de extinção, como onças-pintadas,  urubus-reis e arara-jubas.

14:51 · 28.06.2013 / atualizado às 15:10 · 28.06.2013 por
Pequeno primata deve ter se alimentado de insetos e reunia características tanto de lêmures, quanto de humanos Foto:
Pequeno primata deve ter se alimentado de insetos e hábitos diurnos reunia características tanto de lêmures, quanto de humanos. O animal viveu pouco mais de 10 milhões de anos após extinção dos dinossauros Foto: Academia Chinesa de Ciências

Paleontólogos chineses encontraram restos fossilizados de 55 milhões de anos do que parece ser o primata mais antigo já descoberto pelo homem. De acordo com o pesquisador Xijun Ni, da Academia Chinesa de Ciências em Pequim, o “Archicebus achilles” tinha apenas sete centímetros de altura, pesava pouco mais de 30 gramas e era adaptado para viver em árvores.

Com membros delgados, uma cauda longa e dedos finos, o animal “deve ter sido um excelente saltador de árvores, ativo durante o dia, e que se alimentava principalmente de insetos”, destacou o autor do estudo, publicado na revista Nature. O fóssil pertence ao início do período geológico Eoceno e, ao que tudo indica, é o parente mais primitivo dos atuais lêmures na árvore genealógica.

Análise do fóssil e comparação com 156 espécies de mamíferos foi fundamental para confirmar parentesco com seres humanos, macacos e lêmures Foto: Academia Chinesa de Ciências
Análise do fóssil e comparação com 156 espécies de mamíferos foi fundamental para confirmar parentesco com seres humanos, macacos e lêmures Foto: Academia Chinesa de Ciências

Segundo os cientistas chineses, o achado indica que a linhagem desses animais (que culminou nos seres humanos) se diferenciou  de outros grupos maníferos cerca de 7 milhões de anos antes do que se pensava. A análise do esqueleto revela uma mistura de diferentes características – o crânio, os dentes e os ossos das penas e braços se parecem com os dos Tarsiiformes, subgrupo dos primatas que abrange os lêmures, enquanto o calcanhar e os ossos dos pés lembram mais os antigos antropoides.

O pequeno primata de pernas compridas e cauda longa (com o dobro do comprimento do corpo, o que o ajudava a manter o equilíbrio) era tão minúsculo quanto um lêmure-rato-pigmeu (Microcebus myoxinus) moderno. Seus olhos grandes apontam que ele tinha uma boa visão para caça e mantinha hábitos diurnos. “Esse mosaico de características não tinha sido visto antes em nenhum ser vivo ou fóssil de primata”, diz Christopher Beard, paleontólogo do Museu Carnegie de História Natural, em Pittsburgh (EUA).

Ao todo, os cientistas avaliaram 1.200 características morfológicas do fóssil e as compararam com as de 156 outros mamíferos existentes ou já extintos. Os restos do primata foram recuperados sob uma camada de xisto formada por sedimentos depositados entre 54,8 e 55,8 milhões de anos em um lago no leste da China. Fragmentos de fósseis semelhantes já haviam sido descobertos, mas consistiam apenas em dentes e pedaços de ossos da mandíbula.

“Se você refizer a evolução dos primatas até o início, o Archicebus achilles é como os nossos ancestrais provavelmente se pareciam”, destacou o paleontólogo Zhe-Xi Luo, da Universidade de Chicago em Illinois, que também participou da pesquisa.

00:04 · 01.08.2012 / atualizado às 13:04 · 03.08.2012 por
Pesquisadores constataram que mesmo animais como os polvos demonstram ter manifestações de algum tipo de consciência Imagem: Chemistry

Quem lida com animais já sabe disso há muito tempo, mas um grupo de neurocientistas britânicos e norte-americanos ratificou:  muitas espécies de mamíferos, aves e até de cefalópodes (polvos e lulas) têm algum grau de consciência.

Esses vinte e cinco pesquisadores da Universidade Cambridge, no Reino Unido, e das Universidade de Stanford, Harvard,  além do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), nos Estados Unidos, no entanto, não ficaram apenas na divulgação de dados. Eles foram além e assinaram um documento intitulado  “Manifesto Cambridge sobre a Consciência em Animais Não Humanos”, durante uma conferência sobre as bases neurais da consciência.

O neurocientista Philip Low, do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), afirmou que “nas últimas duas décadas, houve um grande progresso na neurobiologia, graças às novas tecnologias que permitem testar velhas hipóteses. Enquanto cientistas, nós sentimos que tínhamos um dever profissional e moral de relatar essas observações para o público. Se vivemos em uma sociedade que considera dados científicos ao pensar suas atitudes morais em relação aos animais, então o manifesto poderá iniciar mudanças “.

De acordo com as evidências científicas apontadas no manifesto muitas espécies de mamíferos, aves e cefalópodes, possuem as bases anatômicas, químicas e fisiológicas da consciência e a capacidade de exibir comportamentos intencionais e emocionais e que, portanto, os humanos não são os únicos seres com essas capacidades. Eles constataram ainda que a ausência de um neocórtex (área cerebral bem desenvolvida em humanos) não impede  algumas dessas espécies de experimentar estados afetivos.

Animais que se reconhecem no espelho

Um dos principais testes para saber se um animal tem consciência de si mesmo é o experimento do espelho. A maioria dos animais reage de forma agressiva quando vê a própria imagem refletida no espelho, como se acreditasse ver um rival da mesma espécie e não entendesse que está vendo a si mesmo.

A experiência é feita com animais que nunca viram um espelho na vida, que recebem anestesia geral, uma pintura no rosto, e quando acordam são colocados diante de um espelho. Os animais que ao olhar a imagem tentam tocar na mancha em seu rosto e não tocam o espelho mostram que entenderam o funcionamento do objeto e sabem que estão apenas refletidos lá.

Entre as espécies aprovadas no teste estão os chimpanzés, bonobos, gorilas, orangotangos, golfinhos-nariz-de-garrafa, orcas, elefantes e pegas-europeias (parentes do corvo). Para se ter uma ideia, os seres humanos só passam no teste após completarem 1 ano e meio de vida. Mas mesmo algumas espécies de animais (especialmente de mamíferos) que não se reconhecem no espelho demonstram outras manifestações de consciência como as capacidades de sentir, aprender, formar laços sociais.

Para o pesquisador do comportamento e bem-estar animal da Unesp de Jaboticabal, Mateus Paranhos da Costa, o manifesto ” tem um componente político importante: um grupo de pesquisadores oficializa sua posição frente à sociedade, assumindo diante dela o que a ciência já tem evidenciado há algum tempo”.

07:52 · 08.02.2012 / atualizado às 23:05 · 12.02.2012 por

“Conhecer para preservar; preservar para conhecer”.

O antigo ditado ambientalista serviu de inspiração para a primeira sequência de reportagens do Ceará Científico.

Trata-se da série “Fauna: o  Ceará (ainda) tem disso sim!”, que tem como base de partida a matéria Ceará tem 55 espécies animais ameaçadas de extinção, publicada, também nesta quarta-feira (08), na versão online do caderno Regional.

Nos próximos quatro dias, nosso blog apresentará 55 espécies animais listadas como ameaçadas de extinção pelo Ministério do Meio Ambiente e que têm ocorrência observada ou prevista em nosso Estado.

São sete espécies de mamíferos, quinze de aves, quatro de répteis, duas de anfíbios, sete de peixes, uma de inseto, três de crustáceos, três de moluscos, duas de cnidários e onze de equinodermos. A cada dia vamos trazer informações sobre um ou mais grupos de animais e as espécies ameaçadas que vivem em terras alencarinas.

Hoje, vamos conhecer mamíferos e répteis ameaçados de extinção.  Quinta-feira é a vez das aves. Já na sexta-feira, mostraremos os anfíbios e os peixes. E para fechar, na segunda-feira (13), conheceremos os invertebrados que correm mais risco de desaparecer no Ceará.

Mamíferos, nossos parentes mais próximos

A espécie Hadrocodium wui, pode ser um dos mais antigos mamíferos; fósseis foram datados como sendo de 195 milhões de anos atrás. Imagem: American Association for the Advancement of Science

Os mamíferos são animais vertebrados, que se caracterizam pela presença de glândulas mamárias e pêlos. Já foram catalogadas pouco mais de 5,5 mil espécies.

Os mamíferos atuais descendem dos sinapsídeos, répteis que surgiram no Carbonífero Superior (há aproximadamente 300 milhões de anos). Mas os primeiros mamíferos verdadeiros apareceram no período Triássico (há 220 milhões de anos atrás).

No entanto, foi só após a extinção em massa de dinossauros (ocorrida há 65 milhões de anos) e outros grandes grupos que os mamíferos puderam alcançar seu auge.

Apesar disso, um pouco antes (há 70 milhões de anos) já existiam os primeiros primatas, nossos ancestrais mais proximos.

O homem moderno surgiu entre 200 e 400 mil anos atrás, mas os primeiros hominídeos podem ter surgido perto de 4 milhões de anos no passado.

No Ceará, vivem (ou transitam em nosso território) sete mamíferos ameaçados de extinção. Há um canídeo (recém-descoberto), três felídeos,  um sirênio, um quiróptero e um cetáceo.

Vamos conhecê-los um pouco melhor:

Cachorro-vinagre (Speothos venaticus)

Foto: UFPB/Divulgação

É o mais recentemente descoberto em terras cearenses, mais precisamente no município de Aratuba. Trata-se de um canídeo com corpo atarracado, orelhas, pernas e cauda bem curtas.

Seu comprimento médio é de 86,6 cm e o peso fica entre 5 e 7 kg. A coloração varia entre o marrom claro e o escuro. A gestação é de 67 dias, após a qual nascem de 3 a 4  filhotes.  A espécie é encontrada  até 1.500 m de altitude.  A dieta é altamente carnívora.

Está ameaçado pelo desmatamento, pela fragmentação e alteração de habitats, por doenças e pela caça. A espécie é classificada como vulnerável quanto ao risco de extinção, mas as populações no Ceará devem ser extremamente raras.

Gato-maracajá  (Leopardus tigrinus)

Imagem: Animal Earth

É a menor espécie de felino (ou felídeo) encontrada no Brasil e também uma das menos conhecidas. Tem porte semelhante ao do gato doméstico, podendo atingir  de 60, 4 cm até 82, 9 cm de comprimento e pesar de 1,5 a 3,5 kg.

A cor de fundo da espécie varia entre o amarelo-claro e o castanho-amarelado, sendo que não é incomum encontrar indivíduos completamente negros. As manchas são encontradas com grandes variações em suas formas e tamanhos, assim como na coloração de fundo.

Os filhotes nascem após uma gestação de 73 a 78 dias, podendo chegar a até 4. Ocorre desde o nível do mar a até 3.353 m de altitude. A dieta inclui pequenos mamíferos e lagartos.

Está ameaçado principalmente pela perda/fragmentação do habitat e tráfico ilegal e está em situação vulnerável, quanto ao grau de risco de desaparecer.

Jaguatirica (Leopardus pardalis mitis)

Imagem: Feline Conservation Trust

A jaguatirica tende a ser a espécie de felino dominante nas áreas de cobertura vegetal mais densa, especialmente nas matas úmidas que ocorrem desde o nível do mar até 3.800 m.

Tem corpo esbelto, cabeça e patas grandes e cauda pouco curta, caracterizada pela presença de manchas, numa pelagem de fundo amarelo-ocráceo. O comprimento pode atingir até 1,46 metros e o peso até 15,1 kg.

O período de gestação varia entre 70 e 85 dias, após o qual nascem de 1 a 4 filhotes. O potencial reprodutivo máximo de uma fêmea de sete anos, em vida livre, é de 5 a 7 filhotes. São solitários e noturnos.  Carnívora, come em média cerca de 700 g por dia.

Assim como as duas espécies anteriores é classificada como vulnerável ao risco de extinção e está ameaçada principalmente pela erda/alteração de habitat e pela caça.

Onça parda (Puma concolor greeni)

Imagem: ICMBio

É um felino de grande porte com coloração variando do marrom-acinzentado mais claro ao marrom-avermelhado mais escuro, com a ponta da cauda preta, podendo também apresentar uma linha escura na extremidade dorsal (costas).

O comprimento total para a espécie pode chegar até 2,30 metros, sendo que a cauda representa cerca de 35% deste total. O peso para animais adultos varia entre 34 a 48 kg para fêmeas e de 53 a 72 kg para machos.

Tem hábito crepuscular /noturno e é um dos carnívoros mais generalistas, apresentando uma dieta variada. Come desde pequenos mamíferos, répteis e aves, até presas maiores, como a capivara, e animais domésticos, como eqüinos, ovinos, bovinos e suínos.

A espécie ocorre em grande diversidade de biomas, do nível do mar até 5.800 m de altitude, em quase toda a América. Mas essa subespécie que ocorre no Ceará e em outras partes do Brasil também está vulnerável à extinção e é ameaçada pela perda/degradação de habitat e caça.

Morcego do nariz-achatado (Platyrrhinus recifinus)

Imagem: BoldSystems

São morcegos pequenos, têm coloração marrom-clara, sendo que o dorso é, mais escuro do que a parte ventral (barriga).  Possuem um par de listras no rosto e uma listra nas costas, todas brancas.

Há ainda poucas informações sobre os hábitos dessa espécie, mas sabe-se que ela ocorre nos biomas de caatinga, cerrado e Mata Atlântica.

Pode ser considerada como vulnerável à extinção e ameaçada pela perda/fragmentação de habitat e pela própria falta de conhecimento da comunidade científica sobre ela.

Peixe-boi marinho (Trichechus manatus)

Imagem: Aquasis / Divulgação

É de longe entre as espécies de mamíferos que ocorrem no Ceará, a que está mais ameaçada de extinção, sendo classificada como criticamente em perigo. Os principais fatores de ameaça são a caça, as capturas acidentais, a perda do hábitat, o assoreamento, o desmatamento e o trânsito de embarcações.

Pode medir, quando adulto, entre 2,5 e 4 m e pesar de 200 a 600 kg. É a espécie mais conhecida entre os sirênios. Estudo de determinação da idade do peixe-boi marinho, feito com base na contagem de crescimento do osso tímpano-periótico, indica que o animal mais velho tem idade superior a 50 anos.

A coloração do corpo é acinzentada e o couro é áspero. Apresenta unhas nas nadadeiras peitorais e alimenta-se de algas, capim marinho, folhas de mangue entre outros. Os animais passam de 6 a 8 horas diárias se alimentando.

O intervalo médio entre o nascimento de filhotes é de três anos, que medem entre 0,80 e 1,60 m ao nascer. A fêmea permanece com o filhote por até dois anos.

Cachalote (Physeter macrocephalus )

Imagem: MarineBio

É uma espécie que pouco aparece no Ceará (principalmente no verão e no outuno) e tem distribuição geográfica muito ampla nos oceanos do planeta. Apesar disso está vulnerável à extinção, devido a fatores como caça, captura em redes de deriva e atropelamentos por embarcações.

É a maior baleia com dentes e apresenta grande diferença física entre os sexos. Os machos podem chegar a 18 m e pesar 57 toneladas, enquanto as fêmeas não ultrapassam os 12 m.

A espécie possui o espiráculo (equivalente às narinas por onde respiram) voltado para a parte anterior do corpo e desviado para a esquerda, assim o seu borrifo é diagonal. A cabeça é retangular e grande, podendo representar 1/3 do total do corpo.

A nadadeira dorsal é pequena e triangular. Sua coloração varia de preta a marrom, com regiões brancas ao redor da boca. A pele é enrugada a partir da cabeça para a região posterior do corpo.

Répteis, ancestrais um pouco mais distantes

O Hylonomus é talvez o fóssil de réptil mais antigo, sendo datado de 315 milhões de anos atrás. Imagem: Karen Carr

Os répteis também são animais vertebrados e deram origem a outros dois grandes grupos, os mamíferos (como vimos acima) e também as aves (que compartilham parentesco com dinossauros e crocodilos).

Surgiram pela primeira vez na Terra há cerca de 315 milhões de anos (o ramo que deu origem aos mamíferos surgiu pouco depois disso).

Foram os primeiros amniotas, ou seja, seus embriões são protegidos pela membrana amniótica (assim como nós), o que permitiu deixar de vez a necessidade de retornar à água ou aos ambientes úmidos para colocar seus ovos e os diferencia de seus ancestrais, os anfíbios.

Ao contrário de seus descendentes são ectotérmicos, ou seja não regulam a temperatura do corpo de forma autônoma. Apesar disso, são um pouco mais diversificados que os mamíferos, sendo registradas pouco mais de 6 mil espécies.

Mas a maior diversificação ocorreu na Era Mesozóica (entre 250 e 65 milhões de anos atrás), quando atingiram seu auge. Muitos dos grupos que viveram naquela era foram extintos após o provável choque da Terra com um asteroide.

Em nosso Estado, existem quatro espécies de répteis ameaçadas pela extinção, dessa vez por culpa do homem. Todas elas são tartarugas, répteis que são considerados por alguns pesquisadores como os descendentes da linhagem mais antiga, a dos anapsídeos.

Vamos conhecê-las mais:

Tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea)

Imagem: SyMBiosIS

É a espécie mais ameaçada de extinção entre os répteis que vivem no Ceará. Está classificado como criticamente em perigo devido a fatores como mortalidade acidental, poluição e perturbação humana.

O número anual de fêmeas que reproduzem no litoral brasileiro, é de no máximo 19 indivíduos. É a maior das espécies de tartarugas marinhas, atingindo de 500 kg até 1.000 kg.  Sua carapaça não é ossificada como em outras tartarugas, sendo revestida por um tecido coriáceo, que deu origem ao nome da espécie.

As fêmeas que desovam no Brasil apresentam um comprimento curvilíneo médio da carapaça de 1,6 metros.  Em cada desova são depositados entre 70 e 90 ovos. A incubação dura cerca de 60 dias, e o sexo das ninhadas é influenciado pela temperatura de incubação.

Alimenta-se de invertebrados marinhos tais como cnidários, ctenóforos e tunicados. É capaz de mergulhos profundos, atingindo mais de 1.000 m de profundidade, embora a maior parte dos mergulhos não ultrapasse 200 m.

Tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta )

Imagem: Trek Earth

Tem cabeça proporcionalmente grande em relação a seu comprimento total. Onívora, se alimenta de crustáceos, moluscos, peixes, cnidários e vegetais marinhos.

A reprodução ocorre entre os meses de setembro e março. As fêmeas botam ovos a cada dois ou três anos, com postura de 120 ovos em média. O período de incubação é de 50 a 60 dias. Os filhotes eclodem, à noite, rumando para o mar. Assim como a espécie citada anteriormente, o sexo dos filhotes é determinado pela temperatura de incubação dos ovos.

Entre as tartarugas ameaçadas de extinção no Ceará é a que corre menos risco, sendo classificada como vulnerável pela mortalidade acidental, perturbação humana e poluição.

Tartaruga-verde (Chelonia mydas)

Imagem: Starfish.ch

Também conhecida como aruanã, é uma tartaruga marinha distribuída por todos os oceanos, nas zonas de águas tropicais e subtropicais, com duas populações distintas no Oceano Atlântico e no Oceano Pacífico.

Apesar disso  está classificada como em perigo de extinção pela mortalidade acidental, perturbação humana e poluição. O nome tartaruga-verde deve-se à coloração esverdeada da sua gordura corporal.

Tem corpo achatado coberto por uma grande carapaça em forma de lágrima e um grande par de nadadeiras. É de cor clara, exceto em sua carapaça onde os tons variam do oliva-marrom a preta.

É principalmente herbívora. Os adultos geralmente habitam lagoas rasas, sendo raramente avistadas em alto-mar. Alimentam-se principalmente de ervas marinhas. Vivem até 80 anos em liberdade.

Tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea )

Imagem: California Herps

Também classificada como em perigo devido à mortalidade acidental, perda/degradação de habitat e poluição, é uma das menores tartarugas marinhas do mundo, com peso entre 35 e 50 kg.

O comprimento curvilíneo médio da carapaça é de 73 cm. Alimenta-se de crustáceos, moluscos, peixes e algas. Apresenta três tipos de comportamento de desova: solitário, em pequenos grupos e em arribada.

Apresenta ciclo reprodutivo anual de 2 a 3 anos. O tempo necessário para atingir a maturidade sexual é de 7 a 30 anos. Desova no máximo três vezes a cada ciclo, com uma média de 100 ovos a cada desova registrada. Os picos de desova ocorrem entre outubro e fevereiro.

O sexo dos filhotes é influenciado pela temperatura de incubação dos ovos, com temperaturas mais altas gerando mais fêmeas, e temperaturas mais baixas gerando mais machos.

Com informações: ICMBio