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Tag: mudanças climáticas


20:39 · 11.06.2018 / atualizado às 20:39 · 11.06.2018 por
Nos últimos 12 anos, nove dos treze baobás mais velhos estão parcialmente ou totalmente mortos, de acordo com o estudo, que aponta relação com mudanças climáticas Foto: Baobab Stories

Muitos dos baobás mais antigos da África estão morrendo há dez anos, alertaram nesta segunda-feira (11) pesquisadores, que evocam a mudança climática como possível causa para esse desaparecimento “de escala sem precedentes”.

“É chocante e espetacular testemunhar durante o curso de nossas vidas o desaparecimento de tantas árvores milenares”, explica à AFP Adrian Patrut, da Universidade Babeş-Bolyai, na Romênia, co-autor do estudo publicado na revista Nature Plants.

“Durante a segunda metade do século XIX, os grandes baobás do sul da África começaram a morrer, mas nos últimos 10/15 anos seu desaparecimento aumentou rapidamente por causa das temperaturas muito altas e da seca”, diz o pesquisador.

Com entre 1.100 e 2.500 anos de idade, os baobás e seus troncos maciços coroados por galhos parecidos com raízes, são uma das silhuetas mais emblemáticas das áridas savanas.

Mas, nos últimos 12 anos, nove dos treze baobás mais velhos estão parcialmente ou totalmente mortos, de acordo com o estudo.

Entre as vítimas, três monstros simbólicos: Panke, do Zimbábue, o baobá mais velho com 2.450 anos, a árvore de Platland da África do Sul, uma das maiores do mundo, com um tronco mais 10 metros de diâmetro e o famoso baobá de Chapman do Botsuana, no qual Livingstone gravou suas iniciais, classificado monumento nacional. Os pesquisadores descobriram essa situação de “escala sem precedentes” quase por acaso: eles estudaram essas árvores para desvendar o segredo de suas incríveis medições.

Para isso, entre 2005 e 2017, Adrian Patrut e seus colegas estudaram todos os maiores (e portanto geralmente os mais antigos) baobás da África, mais de 60 no total. Viajando pelo Zimbábue, África do Sul, Namíbia, Moçambique, Botsuana e Zâmbia, coletaram amostras de diferentes partes das árvores. Fragmentos dos quais eles definiram a idade usando datação por carbono. “A cavidade de um velho baobá zimbabuano é tão grande que quase 40 pessoas podem se abrigar dentro”, ressalta o site do Parque Nacional Kruger, na África do Sul. Eles poderiam ser usados ​​como loja, prisão ou simplesmente como um ponto de ônibus.

Também têm sido usados ​​há muito tempo por exploradores ou viajantes para encontrar caminhos. “Os baobás periodicamente produzem novos troncos, como outras espécies produzem galhos”, segundo o estudo. Esses caules ou troncos, muitas vezes de diferentes idades, depois se fundem. Quando muitos caules morrem, a árvore desaba. “Antes de começarmos nossa pesquisa, fomos informados sobre o colapso do baobá Grootboom na Namíbia, mas pensávamos que era um evento isolado”, disse Adrian Patrut.

“Essas mortes não foram causadas por uma epidemia”, afirmam os autores, que sugerem que a mudança climática pode afetar a capacidade do baobá de sobreviver em seu habitat, embora “mais pesquisas sejam necessárias para apoiar ou refutar essa hipótese”.

Mas “a região em que os baobás milenares morreram é um daqueles em que o aquecimento é mais rápido na África”, diz Adrian Patrut.

Com informações: AFP

11:37 · 24.03.2018 / atualizado às 11:39 · 24.03.2018 por
O Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, está entre os principais cartões-postais brasileiros que terá sua iluminação desligada neste sábado (24), das 20h30 às 21h30, na chamada Hora do Planeta Foto: Américo Vermelho/WWF Brasil

As luzes de diversos monumentos em várias partes do País ficarão apagadas por uma hora neste sábado (24), das 20h30 às 21h30, em celebração à Hora do Planeta, uma iniciativa mundial promovida pela organização não governamental (ONG) WWF.

O ato simbólico ocorre desde 2007, com o objetivo de chamar a atenção para a importância de se preservar o meio ambiente e conscientizar a sociedade sobre as mudanças climáticas. De acordo com o WWF, na campanha deste ano, mais de 600 monumentos terão suas luzes apagadas em 145 cidades brasileiras. A expectativa é que mais de 250 mil pessoas participem do movimento.

Em Brasília, um dos monumentos que ficarão às escuras será o Congresso Nacional. O Cristo Redentor e o Pão de Açúcar, que estão entre os principais cartões-postais do Rio de Janeiro e do Brasil, também terão suas luzes apagadas. Em São Paulo, um dos monumentos a terem a luz desligada é a Fonte Multimídia, no Ibirapuera.

Estão previstas atividades como pedaladas, limpeza de praias, caminhadas, observação de estrelas e palestras e outras ações de conscientização sobre temas como o despejo adequado de lixo. Pessoas e empresas que queiram participar ou se informar sobre as atividades previstas para o evento podem fazê-lo por meio do site do WWF-Brasil. Segundo a ONG, mais de 3 mil monumentos de diversas partes do mundo já se inscreveram para participar do Hora do Planeta 2018, reforçando ainda mais a mensagem ambientalista proposta pela campanha.

Com informações: Agência Brasil

21:06 · 02.03.2018 / atualizado às 21:06 · 02.03.2018 por
Foto: Argyll Freepress

A cobertura do gelo marinho na Antártica caiu para o seu segundo nível mais baixo já registrado, anunciaram autoridades australianas nesta sexta-feira (2), acrescentando que ainda não estava claro o que estava impulsionando a redução após vários anos de níveis máximos recorde.

O relatório chega após cientistas dizerem, no início desta semana, que a região do Ártico estava registrando recordes de temperaturas altas, e que o gelo do mar estava cobrindo a menor área no inverno desde que os registros começaram, há mais de meio século. A Divisão Antártica Australiana (AAD) disse que os últimos dados de satélite mostraram um total de 2,15 milhões de quilômetros quadrados em torno do continente gelado durante o ponto mais baixo em fevereiro, durante a temporada de verão. O recorde mínimo foi registrado em março do ano passado, quando uma leitura de verão de 2,07 milhões de quilômetros quadrados foi registrada, disse o AAD, que administra o programa da Antártida da Austrália. “Desde agosto de 2016, a cobertura do gelo do mar vem seguindo bem abaixo da média de longo prazo”, disse o cientista Phil Reid, do Instituto de Meteorologia do Antártico, em um comunicado.

“Em 2017, a extensão máxima de gelo do mar no inverno foi a segunda menor já registrada, em 18,05 milhões de quilômetros quadrados, vindo após níveis recordes sucessivos em 2012, 2013 e 2014.”

Reid disse que as variações foram uma “mudança significativa” da tendência crescente global no gelo marinho da Antártida, de cerca de 1,7% a cada década desde 1979.

Recomposição de outono

Depois de chegar ao seu ponto mais baixo no verão, o gelo marinho – que é criado quando o oceano ao redor do continente se congela – se recompõe no outono e se expande pela Antártica.

O cientista da AAD Rob Massom disse que os pesquisadores ainda estavam tentando determinar o que estava impulsando as mudanças e a variabilidade na cobertura do gelo marinho, e disse que entender esses processos era uma “alta prioridade”.

“A cobertura de gelo desempenha um papel crucialmente importante tanto no sistema climático global quanto como um habitat-chave para uma ampla gama de biota, de micro-organismos até grandes baleias”, acrescentou em um comunicado.

“As condições do gelo do mar também têm um grande impacto nas operações de navegação e logística no Oceano Antártico”.

Com informações: AFP

18:18 · 26.02.2018 / atualizado às 18:18 · 26.02.2018 por
Risco é devido aos efeitos do aquecimento global sobre os ecossistemas habitados pela ave. Mesmo na hipótese climática mais otimista, 45% da população de pinguins-reis estaria ameaçada, segundo os pesquisadores Foto: Wiktionary

Diante das mudanças climáticas que os afastam de seu alimento, até 70% dos pinguins-reis poderiam desaparecer até o final do século, adverte um estudo publicado nesta segunda-feira (26). Atualmente, existem 1,6 milhão de casais de pinguim-rei (Aptenodytes patagonicus), que são um pouco menores que os pinguins-imperadores, medindo menos de um metro. Vivem sobretudo nas ilhas subantárticas de Crozet, Kerguelen e Príncipe Eduardo, na Terra do Fogo, assim como nas Malvinas.

Para pôr o ovo que a fêmea e o macho incubam de forma alternada durante mais de 50 dias, esta ave sem asas necessita de uma praia, um mar sem gelo e uma fonte de alimentos abundante e próxima para levar comida a seu bebê durante mais de um ano. Mas as mudanças climáticas está empurrando as reservas de peixes e polvos de que se alimentam para o sul, longe das colônias, segundo o estudo publicado pela revista científica Nature Climate Change. Dessa forma, suas viagens em busca de comida serão cada vez mais longas, ameaçando a sobrevivência dos pequenos e dos adultos que ficam com eles, a não ser que a espécie se instale em outras ilhas.

“Se não se tomar nenhuma medida para parar ou limitar o aquecimento (…), a espécie poderia desaparecer em um futuro próximo”, resumem à AFP os três principais autores do estudo, Robin Cristofari, Céline Le Bohec e Emiliano Trucchi.

Capacidade de explorar o oceano

E se acontecer o pior dos cenários previstos pelo grupo de especialistas da ONU sobre o clima (IPCC), “70% dos 1,6 milhão de casais reprodutores provavelmente se exilarão de forma brusca ou desaparecerão antes do final do século”, segundo o estudo.

Na hipótese climática mais otimista do IPCC, 45% da população de pinguins-reis estaria ameaçada, segundo os pesquisadores.

A espécie conseguiu, contudo, sobreviver a outras grandes mudanças ambientais, a última há 20.000 anos. Por isso, “parecem capazes de explorar de modo eficaz o oceano Antártico para localizar os melhores abrigos”, segundo Trucchi, da universidade italiana de Ferrara. Os especialistas citam a possibilidade de que se exilem mais ao sul, por exemplo, na ilha Bouvet.

Mas nas ocasiões anteriores, os pinguins dispuseram de mais tempo para efetuar este exílio forçado, em comparação com o ritmo atual das mudanças climáticas. “A concorrência pelos lugares para fazer ninho e se alimentar será árdua, sobretudo com outras espécies como o pinguim-de-barbicha, o gentoo ou o de adélia, sem contar a atividade pesqueira” na zona, comentou Le Bohec.

Além disso, o pinguim-rei não será provavelmente o único a enfrentar o dilema de permanecer em sua colônia para se reproduzir com o risco de morrer de fome ou partir sem garantias.

“No oceano Antártico, as aves marinhas, entre elas muitas espécies de pinguins – até mesmo todas – assim como alguns mamíferos marinhos (como o leão-marinho subantártico) poderiam enfrentar o mesmo dilema”, ressaltaram os autores do estudo.

Com informações: AFP

16:25 · 01.02.2018 / atualizado às 16:25 · 01.02.2018 por
Mudanças climáticas estão reduzindo o habitat desses animais, forçando-os a ir cada vez mais longe para buscar comida durante o degelo, gastando mais energia que conseguem repor Foto: National Geographic

Os ursos polares têm taxas metabólicas mais altas do que se pensava e isso explica por eles têm sido incapazes de conseguir alimentos em quantidade suficiente para suas necessidades, de acordo com um novo estudo.

De acordo com os autores, publicada nesta quinta-feira (1), na revista Science, a pesquisa mostra quais são os mecanismos fisiológicos por trás do declínio já observado nas populações e nas taxas de sobrevivência dos ursos polares.

“Temos documentado, ao longo da última década, o declínio nas taxas de sobrevivência, nas condições de saúde e nos números populacionais do urso polar. Ao calcular as necessidades energéticas reais dos ursos polares e observar com que frequência eles são capazes de caçar focas, esse estudo identificou os mecanismos que estão levando a esses declínios”, disse o autor principal da pesquisa, Anthony Pagano, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz.

Pagano explica que o declínio das populações de ursos já era associado às mudanças climáticas que estão reduzindo o habitat desses animais, forçando-os a ir cada vez mais longe para buscar comida durante o degelo. Mas a conta não fechava, porque não se sabia que os ursos precisavam de tanta energia – os estudos anteriores se baseavam em estimativas de uma taxa metabólica 50% mais baixa.

Monitoramento

Para realizar o novo estudo, os cientistas monitoraram o comportamento dos ursos, a frequência de sucesso na caça e as taxas metabólicas de fêmeas adultas sem filhotes quando elas buscavam presas no gelo do Mar de Beaufort durante a primavera.

O monitoramento foi feito com coleiras hi-tech, que registravam em vídeo as andanças dos animais, rastreando seu deslocamento, seu comportamento e os níveis de atividade em períodos de oito a 11 dias. Foram utilizados também sensores de atividade metabólica para determinar quanta energia os animais gastavam em suas atividades.

Com isso, os cientistas descobriram que as taxas metabólicas registradas eram, em média, 50% mais altas do que as estimadas por estudos anteriores. Cinco dos nove ursos estudados perderam muito peso e não conseguiram caçar focas em número suficiente para suprir seus gastos de energia.

“A pesquisa foi feita no início do período que vai de abril a julho, quando os ursos polares capturam a maior parte das suas presas e conseguem acumular a maior parte da gordura corporal que eles precisam para sustentá-los pelo resto do ano”, disse Pagano.

O cientista afirma que as mudanças climáticas têm efeitos dramáticos no gelo do mar do Ártico, forçando os ursos polares a percorrer distâncias maiores e dificultando a busca de presas.

No Mar de Beaufort, as geleiras marinhas começam a recuar a partir da plataforma continental em julho, quando a maioria dos ursos se move em direção ao norte à medida que o gelo se retrai.

Derretimento do gelo

Com o aquecimento do Ártico, mais gelo derrete nesse processo, obrigando os ursos a percorrer distâncias maiores que no passado. Isso faz com que eles gastem mais energia durante o verão, quando eles ficam em jejum até que o gelo volte, no outono, à plataforma continental. Em outras áreas, como na Baía de Hudson, a maior parte dos ursos vai para a terra quando o gelo marinho recua. Ali, o aquecimento do Ártico faz com que o gelo marinho se rompa mais cedo no verão e volte a se formar mais tarde no outono, forçando os ursos a ficarem mais tempo em terra.

“De qualquer maneira, a questão continua sendo quanta gordura eles podem acumular antes que o gelo comece a recuar e quanta energia eles terão que gastar. Nós descobrimos que os ursos polares têm uma necessidade de energia muito mais alta do que o estimado”, afirmou Pagano. Na primavera, os ursos polares caçam principalmente as focas que nasceram recentemente e que são mais suscetíveis que as focas adultas. No outono, quando as jovens focas já estão mais velhas e espertas, os ursos não conseguem tantas presas. “Calculamos que os ursos podem capturar até duas focas no outono. Na primavera e no começo do verão, eles caçam de cinco a 10 focas”, disse Pagano.

Os cientistas da Universidade da Califórnia em Santa Cruz têm estudado os ursos polares no Mar de Beaufort desde a década de 1980. Segundo Pagano, a estimativa populacional mais recente indica que o número de ursos polares caiu cerca de 40% na última década. Mas, segundo Pagano, era difícil estudar a biologia fundamental e o comportamento dos ursos polares em um ambiente tão remoto e hostil. “Agora nós temos a tecnologia para descobrir como eles se movem no gelo, quais são seus padrões de atividades e suas necessidades energéticas, de forma que podemos entender melhor a implicações das mudanças que estamos observando no gelo marinho” afirmou Pagano.

Com informações: Estadão Conteúdo

21:27 · 03.11.2016 / atualizado às 21:27 · 03.11.2016 por
Foto: The Washington Post/Reuters/Xinhua
Mundo se dirige, de hoje a 2100, para temperaturas de +2,9 a +3,4°C em relação aos níveis pré-industriais, o que implicaria consequências devastadoras, com impactos em atividades humanas como a agricultura Foto: The Washington Post/Reuters/Xinhua

O planeta deve reduzir “de forma urgente e radical” suas emissões de gases de efeito estufa se quiser evitar uma “tragédia humana”, alertou a Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quinta-feira (3), às vésperas da entrada em vigor do acordo de Paris sobre as mudanças climáticas.

“Se não começamos a adotar medidas adicionais a partir de agora, a partir da conferência de Marrakesh (no Marrocos), terminaremos chorando ante uma tragédia humana evitável”, declarou Erik Solheim, diretor do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que publicou seu relatório anual sobre a ação climática global.

Nesse novo balanço, o Pnuma se alarma ante o aumento ininterrupto das emissões de gases do efeito estufa. Apesar dos compromissos voluntários adotados em Paris, o mundo se dirige, de hoje a 2100, para temperaturas de +2,9 a +3,4°C em relação aos níveis pré-industriais, o que implicaria consequências devastadoras, com impactos em atividades humanas como a agricultura, adverte o relatório.

Para limitar o aumento a +2°C, seria necessário emitir menos de 42 gigatoneladas do equivalente de CO2 (gás carbônico) na atmosfera em 2030 (contra 52,7 em 2014). Se todos os países cumprirem suas promessas assumidas nas negociações climáticas, entre 54 e 56 Gt seriam emitidos em 2030, ou seja, entre 12 e 14 Gt acima do desejável, segundo o Pnuma. A ONU elogia a diminuição observada na emissão dos gases do efeito estufa resultantes de energias fósseis e da indústria, mas afirma que é muito cedo para saber se essa tendência vai se confirmar.

Com o acordo de Paris “avançamos na boa direção. Mas ainda não é suficiente se queremos ter a possibilidade de evitar uma desregulação do clima”, destaca Solheim.

Esforços redobrados

O relatório convida a redobrar esforços imediatamente, sem esperar até 2020, ano em que os Estados começarão a aplicar os compromissos assumidos.

Para acelerar o movimento, o Pnuma insiste no papel das cidades, empresas, cidadãos, nos setores da agricultura, dos transportes e sobre as medidas de eficácia energética.

A comunidade internacional se comprometeu a lutar contra as mudanças climáticas através do acordo de Paris, adotado em 2015. A 22ª Conferência da ONU sobre o Clima, que será aberta na segunda-feira (7) em Marrakesh, deve começar a determinar as numerosas disposições destinadas a implementar e reforçar o pacto mundial.

Com informações: AFP

22:22 · 02.11.2014 / atualizado às 22:52 · 02.11.2014 por
Foto: Tourist Destinations
Problema afeta ecossistemas em todo o mundo, principalmente os marítimos, com o degelo polar e o aumento no nível dos oceanos que ameaça, principalmente, países insulares, como Tuvalu, que pode desaparecer caso o mar continue avançando Foto: Tourist Destinations

As concentrações de gases que provocam o efeito estufa na atmosfera alcançaram o nível mais elevado dos últimos 800 mil anos, anunciaram especialistas em um relatório divulgado neste domingo (2) em Copenhague.

A temperatura média na superfície da Terra e dos oceanos aumentou 0,85ºC entre 1880 e 2012, um aquecimento de velocidade inédita, destacou o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) da ONU (Organização das Nações Unidas).

No Painel, os cientistas destacam que o mundo tem pouco tempo para conseguir manter o aumento global da temperatura abaixo do limite de 2ºC, meta da comunidade internacional. As emissões mundiais de gases que provocam o efeito estufa devem parar de crescer em cinco anos e ser reduzidas a 70% até 2050. Elas precisariam desaparecer até 2100.

Limite

Para não estourar o limite de 2°C de aquecimento, as emissões históricas de carbono devem ficar em menos de 2,9 trilhões de toneladas de gás carbônico.

O planeta já emitiu 1,9 trilhão de toneladas. Segundo o relatório apresentado em Copenhague, as energias fósseis representaram 78% das emissões entre 1970 e 2010.

Do total dos gases estufa emitidos, 40% permaneceram na atmosfera e o restante ficou armazenado na biomassa do oceano. Por ter absorvido 30% das emissões de CO2, as águas dos mares sofreram acidificação.

A temperatura média na superfície da Terra e dos oceanos subiu 0,85°C entre 1880 e 2012. As três últimas décadas foram sucessivamente as mais quentes desde 1850.

Ameaças aos oceanos

Na superfície dos oceanos, a temperatura aumentou 0,11ºC por década entre 1971 e 2010.

Uma das mais graves consequências desse aquecimento é a elevação do nível dos mares. Entre 1901 e 2010, o nível médio dos oceanos aumentou 19 centímetros, devido o degelo das calotas glaciares na Groenlândia e na Antártida.

O problema ameaça, principalmente, países insulares, como Tuvalu, que pode desaparecer caso o mar continue avançando.

Cúpula do clima

O relatório, o mais completo desde 2007, é o último documento do painel a ser publicado antes da 20ª cúpula do clima, que será realizada em dezembro em Lima, no Peru. No encontro são negociados acordos globais de redução de emissão de gases estufa.

Com informações: UOL Ciência

21:20 · 18.08.2014 / atualizado às 18:36 · 18.08.2014 por
Foto: Jurgen Kesselmeier
A torre funcionará ininterruptamente, e terá vida útil estimada entre 20 e 30 anos. Estão previstas também quatro torres menores – com 80 metros de altura, cada Foto: Jurgen Kesselmeier

A floresta tropical da Amazônia vai ganhar, ainda este ano, uma torre de 325 metros de altura para observação de mudanças climáticas na região. A previsão é de que a obra seja concluída em novembro próximo.

A Atto (sigla em inglês para Amazon Tall Tower Observatory), será resultado de parceria entre Brasil e Alemanha, que vão investir R$ 7,5 milhões no observatório, que teve suas bases lançadas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, a 150 km de Manaus.

Como um dos ecossistemas mais sensíveis do planeta, que desempenha papel importante na estabilização do clima, o objetivo da torre é medir os impactos das mudanças climáticas globais nas florestas de terra firme da Amazônia, medindo a interação da floresta com a atmosfera.

Além disso, a torre também servirá para pesquisas inéditas de química da atmosfera, como trocas gasosas, reações químicas e aerossóis, processos de transporte de massa e energia na camada limite da atmosfera.

Pioneirismo na América do Sul

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o local de instalação da torre foi escolhido após uma série de estudos em conjunto com o Instituto Max Planck, da Alemanha, e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Os técnicos optaram por uma área de terra firme na floresta – ambiente mais comum na variada paisagem amazônica. A Torre Atto será a primeira do tipo na América do Sul, quatro vezes mais alta do que a atual torre de observação do Inpa, que tem 80 metros.

A torre funcionará ininterruptamente, e terá vida útil estimada entre 20 e 30 anos. Estão previstas também quatro torres menores – com 80 metros de altura, cada – em volta da Torre Atto, com o objetivo de medir fluxos e transportes horizontais, dando auxilio na obtenção de dados da torre principal.

A estrutura de observação climática é um empreendimento conjunto, liderado pelo Inpa, Instituto Max Planck e pela UEA, mas com participação também de outras instituições.

Com informações: Agência Brasil

20:43 · 26.05.2014 / atualizado às 16:49 · 26.05.2014 por
Foto: Reuters
A previsão é de que a concentração média anual de dióxido de carbono no mundo fique acima de 400 ppm em 2015 ou 2016 Foto: Reuters

Os níveis de dióxido de carbono por todo Hemisfério Norte atingiram em abril a marca de 400 partes por milhão (ppm) pela primeira vez na história da humanidade, chegando a um limiar ameaçador para as mudanças climáticas, disse nesta segunda-feira (26) a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

O nível atmosférico de 400 ppm, 40 por cento a mais desde o início da ampla utilização de combustíveis fósseis durante a Revolução Industrial, tem se espalhado rapidamente para o sul. O patamar foi registrado pela primeira vez em 2012 no Ártico e desde então tem se tornado a norma na primavera do Ártico.

A OMM prevê que a concentração média anual de dióxido de carbono no mundo fique acima de 400 ppm em 2015 ou 2016. Elevadas concentrações do gás retentor de calor podem intensificar o risco de ondas de calor, secas e aumento do nível do mar.”O tempo está acabando”, disse o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud, em comunicado.

“Isso deveria servir como mais um alerta sobre o constante aumento do nível dos gases do efeito estufa, que provocam as mudanças climáticas. Se quisermos preservar nosso planeta para futuras gerações, precisamos agir com urgência para conter novas emissões desses gases retentores de calor”, declarou.

Quase 200 governos concordaram em trabalhar por um acordo até o fim de 2015 com o objetivo de desacelerar as mudanças climáticas. As negociações são uma parte do processo para limitar o aumento médio da temperatura em dois graus Celsius (2ºC) acima de níveis pré-industriais.

As temperaturas já subiram cerca de 0,8 °C.Em abril, um painel da ONU com especialistas climáticos disse que as concentrações de gases do efeito estufa, sobretudo dióxido de carbono, teriam que ser mantidas abaixo de 450 ppm para que se consiga o cumprimento da meta de 2ºC.

Com informações: Reuters Brasil

10:44 · 26.09.2013 / atualizado às 10:46 · 26.09.2013 por
Com o degelo no Oceano Ártico, ursos-polares têm arriscado caçar filhotes das gigantescas morsas devido às dificuldades de conseguir seu alimento principal: as focas Foto: Tom Arnbom / WWF
Com o degelo no Oceano Ártico, ursos-polares têm arriscado caçar filhotes das gigantescas morsas devido às dificuldades de conseguir seu alimento principal: as focas Foto: Tom Arnbom / WWF

A divulgação do relatório do IPCC (sigla inglesa para Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) da Organização das Nações Unidas (ONU) trouxe uma previsão catastrófica para a vida da região Ártica, especialmente dos que habitam a superfície permanentemente (por enquanto) congelada do Oceano Glacial Ártico.

No cenário mais pessimista, há previsão de verões sem gelo já a partir de 2050, ou antes. “É muito provável que a cobertura de gelo marinho no Ártico continue a encolher e afinar. Sob o cenário RCP8.5, um oceano quase sem gelo provavelmente será visto antes do meio do século. O que eu vi no Ártico 40 anos atrás não existe mais. É impressionante ver quão rápido se foi. Estava lá todos os anos. Alguns eram mais frios que outros, e a população de animais variava, mas em 2007 me dei conta de que os impactos eram bem visíveis, afirmou o biólogo sueco Tom Arnborn.

As previsões anteriores do IPCC apontavam que o primeiro verão sem gelo no Ártico só viria no fim do século.   O gelo marinho ajuda a refletir radiação solar. Com o degelo e mais área de águas escuras para absorver calor, a escassez de superfície branca vai retroalimentar a mudança climática. A mudança terá e já está tendo um impacto muito grande sobre a fauna local. Arnbom desembarcou neste verão na costa do mar de Laptev, na Rússia, para coletar DNA de morsas e notou que os enormes mamíferos tinham um medo incomum de ursos-polares, animal que normalmente não os ataca.

Após alguns dias no local, o cientista percebeu que, sem terem gelo marinho como base de caça, os ursos não alcançavam focas e outras presas prediletas. A alternativa era tentar abocanhar filhotes de morsa. Antes, as morsas costumavam se espalhar em pedaços de gelo marinho. Agora elas migraram para uma única praia, formando uma concentração de até 100 mil indivíduos. O local, afastado das áreas de alimentação ricas em moluscos, era pequeno demais para abrigar tantos animais, e muitos morriam esmagados.

Ursos e morsas, porém, não são os únicos animais da região a terem mudado de comportamento. Segundo a WWF, a região é habitada por 40 comunidades tradicionais, que enfrentam escassez na caça e pesca artesanal.   E outro grupo de humanos, vendo novas rotas de navegação se abrirem, enxerga agora o potencial econômico da região como rota de transporte marítimo, pesca industrial e fonte de petróleo.

A gigante russa Gazprom, que estabeleceu a primeira plataforma de petróleo “offshore” da região, teve suas instalações no mar de Pechora invadidas por ativistas do Greenpeace na semana passada. Trinta ambientalistas, incluindo uma brasileira, estão presos.

Com informações: Folha Online