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15:48 · 13.06.2018 / atualizado às 15:48 · 13.06.2018 por
Fotomontagem mostrando como jipe da Agência Espacial Norte-Americana deve ter sido atingido por fenômeno no ‘Planeta Vermelho’ Imagem: Canadian Home Steading

Por Salvador Nogueira

O jipe Opportunity pode estar enfrentando sua situação mais crítica desde que pousou em Marte, quase 15 anos atrás. Uma tempestade global de poeira se espalha pelo planeta vermelho, e a Nasa confirmou que perdeu contato com o rover.

Presume-se que as condições na região onde o veículo opera, o chamado Vale da Perseverança, se tornaram tão severas que a bateria interna caiu abaixo de 24 volts. Quando isso acontece, o computador de bordo entra num estado operacional de emergência, desligando todos os subsistemas menos um relógio interno.

Com isso, a única tarefa do jipe é se “acordar” de tempos em tempos para checar o nível da bateria, que é recarregada pelos painéis solares -mas só quando há luz solar disponível, o que no momento se torna uma virtual impossibilidade por conta da tempestade de areia.

O fenômeno atmosférico começou em 30 de maio e já recobre um quarto da superfície de Marte. O último contato que o controle da missão teve com o Opportunity foi no último domingo, quando a situação já era crítica. A Nasa realiza nesta quarta uma teleconferência para detalhar a situação do Opportunity e contar como seus orbitadores em Marte estudam a tempestade e seus efeitos. O maior problema é que o jipe se mantenha sem energia e isso prejudique o aquecimento interno de seus circuitos. No domingo, a temperatura interna era de -29 °C. A tempestade de poeira tende a reduzir a amplitude da variação de temperatura na superfície marciana ao longo do dia, o que é uma boa notícia, mas talvez insuficiente para manter o jipe saudável.

O Opportunity e seu irmão gêmeo Spirit chegaram a Marte em 2004. A missão dos dois originalmente devia durar 90 dias. O Spirit operou até 2010. E o Opportunity, depois de percorrer mais que uma maratona em solo marciano, pode agora estar enfrentando seu ocaso.

Além deles, opera atualmente em Marte o jipe Curiosity, que é mais resiliente contra tempestades de areia, por ser alimentado por uma bateria de plutônio, em vez de energia solar.

Com informações: Folhapress

16:46 · 07.06.2018 / atualizado às 20:57 · 07.06.2018 por
Ao analisar amostras colhidas na cratera Gale com idade de cerca de 3 bilhões de anos, o robô Curiosity estabeleceu de forma conclusiva que havia abundância de compostos orgânicos no planeta Foto: Nasa

Por Salvador Nogueira

Já sabemos há algum tempo que Marte, em seu passado remoto, foi habitável -ou seja, tinha a capacidade de preservar água em estado líquido na superfície. Agora, graças ao jipe Curiosity, sabemos que ele tinha, na mesma época, os ingredientes necessários para a vida -moléculas orgânicas complexas.

Ao analisar amostras colhidas na cratera Gale com idade de cerca de 3 bilhões de anos, o robô da Nasa estabeleceu de forma conclusiva que havia abundância de compostos orgânicos no planeta. Com efeito, os resultados sugerem um conteúdo orgânico comparável ao de rochas sedimentares ricas nessas substâncias aqui da Terra. Ninguém está dizendo que houve vida em Marte, claro. Mas saber que os ingredientes estavam lá -água e moléculas orgânicas- é um passo importantíssimo em busca dessa resposta. Tanto que o principal objetivo do Curiosity, assim que chegou a Marte, em 2012, era achar esses benditos compostos. E a busca não foi nada fácil.

Nas primeiras tentativas de detecção, nos primeiros cem dias da missão, a melhor definição para o resultado era “fracasso”. A quantidade de compostor orgânicos simples era tão pequena que não se podia descartar contaminação da Terra enviada dentro do jipe ou mesmo que a fonte desses compostos fossem asteroides a colidir com Marte.

A ausência de compostos orgânicos no planeta vermelho era uma grande surpresa. Afinal, essas moléculas de carbono parecem estar em toda parte no espaço -em asteroides, cometas, planetas, luas e até nebulosas. Por que Marte seria estranhamente empobrecido nelas? Ocorre que a superfície marciana hoje é bem hostil a moléculas orgânicas. Raios ultravioletas do Sol encontram pouca filtragem na tênue atmosfera daquele mundo, quebrando com facilidade moléculas orgânicas maiores. E, para completar, o solo é rico em percloratos. São moléculas sem graça feitas de oxigênio e cloro, mas que, quando suficientemente aquecidas, se quebram e destroem qualquer molécula orgânica maior que esteja por perto.

Calor não é lá um grande problema em Marte. Mas é um grande problema quando o método de detecção de moléculas orgânicas do seu jipe envolve aquecer a amostra centenas de graus Celsius para ver que moléculas evaporam por lá. Você já começa com quase nada, graças ao ambiente hostil de Marte, e o que ainda restava é destruído pelos percloratos assim que você aquece a amostra. Voilà: um grande desapontamento. A equipe do Curiosity, no entanto, perseverou, procurando rochas mais adequadas para a busca. No fim de 2014, eles anunciaram um grande avanço: uma das amostras recolhidas mostrava uma quantidade de moléculas orgânicas simples tal que se podia descartar qualquer contaminação. Era química orgânica para valer no passado marciano.

Ainda assim, eram moléculas bem pequenas, muito longe do que seria necessário para a vida. A hipótese de trabalho era a de que, na origem, havia moléculas orgânicas mais complexas, que no entanto foram destruídas por percloratos e tiveram seus átomos recombinados nos compostos simples detectados. Não havia, contudo, como descartar a noção de que, desde o início, fossem só aquelas pequenas porcarias mesmo. Quase quatro anos depois, chega a resposta definitiva: analisando amostras ainda melhores, e se concentrando apenas nos gases evaporados delas a temperaturas bem altas (assim descartando o que pudesse ser ação de percloratos ou qualquer outro contaminante vindo da Terra), os pesquisadores encontraram moléculas orgânicas relativamente grandes e que provavelmente compunham cadeias de moléculas ainda maiores. O proverbial filé orgânico marciano.

O artigo científico reportando a descoberta, que tem como primeira autora Jennifer L. Eigenbrode, da Nasa, sai na edição desta sexta-feira (8) da revista Science. E, na mesma publicação, outro artigo relata outra descoberta feita pelo Curiosity em Marte.

A temporada do metano

Sim, é mais química orgânica. Desta vez na atmosfera. Além de procurar compostos complexos em rochas, o Curiosity tinha como uma de suas metas primordiais fazer a primeira detecção de gás metano na atmosfera, estando ele envolto nela. Resultados anteriores obtidos por telescópios e missões orbitais sugeriam a presença de uma quantidade significativa dele, ainda que medido em partes por bilhão. No início, o Curiosity detectou quantidades tão baixas que esbarravam no limite de precisão do equipamento.

Os pesquisadores então começaram a trabalhar num novo método para diminuir a margem de erro, “enriquecendo” a amostra da atmosfera em metano antes de tomar a medição. E ajudou o fato de que, em 2013, o jipe foi engolfado por uma pluma de metano emanando do solo, que fez saltar a detecção de 0,69 parte por bilhão para 7,2 partes por bilhão. Certo, mas por que essa neura com metano? São dois os motivos: primeiro, trata-se de uma molécula que não dura muito na atmosfera, exposta aos famigerados raios ultravioletas solares. O que significa que, se ela existe no ar marciano, mesmo em quantidades pentelhesimais, algo está constantemente lançando mais dela na atmosfera.

E o segundo motivo é ainda mais interessante: ao menos na Terra, a imensa maioria do metano atmosférico é produzido por formas de vida. Pois é. Manja a sua flora intestinal? De vez em quando ela te força a lançar uma pluma de metano no ar que, em Marte, deixaria os cientistas num frenesi nerd. Por outro lado, há outros meios de gerar metano que não envolvem vida, como um processo químico conhecido como serpentinização. Afinal, o que gera as plumas de metano em Marte? Desde essa detecção inicial em 2013 os cientistas responsáveis pelo Curiosity permaneceram tomando medidas periódicas do metano na atmosfera. E agora, com dados colhidos ao longo de quase cinco anos (terrestres, três marcianos), eles encontraram uma pista intrigante: a emissão de metano é sazonal. Os dados revelam que, noves fora os picos gerados por plumas repentinas locais, a quantidade média de metano na baixa atmosfera flutua entre 0,24 e 0,65 parte por bilhão. O pico se dá próximo ao fim do verão no hemisfério norte marciano (inverno no sul). O jipe em si está na região equatorial do planeta, apenas 4,5 graus Sul.

Com esse resultado, os pesquisadores podem descartar várias possíveis fontes para o metano que não apresentariam esse padrão. A aposta deles é que haja grandes quantidades do gás presas no subsolo marciano no interior de cristais baseados em água chamados de clatratos. Para eles, as mudanças sazonais de temperatura poderiam explicar as flutuações na liberação do gás observadas pelo jipe. Ainda resta a pergunta mais importante: o que teria produzido o metano aprisionado nesses clatratos? Pode ser vida, pode ser outro processo abiótico. A resposta terá de esperar -talvez por novos resultados, mais provavelmente por novas missões. Com efeito, o Trace Gas Orbiter, da ESA (Agência Espacial Europeia), acabou de começar sua missão científica em órbita marciana, e seu objetivo é estudar a distribuição e os padrões de emissão do metano em escala global. Ele poderá corroborar ou colocar em dúvida os atuais resultados do Curiosity, mas certamente agregará mais peças ao quebra-cabeça.

O artigo reportando a sazonalidade do metano em Marte tem como primeiro autor Christopher Webster, também da Nasa, e sai ao lado do texto de Eigenbrode, nesta sexta. “Ambos os resultados são avanços revolucionários para a astrobiologia”, avalia Inge Loes ten Kate, pesquisadora da Universidade de Utrecht que não participou das pesquisas, mas escreveu um artigo de comentário para a Science. “A detecção de moléculas orgânicas e metano em Marte tem vasta implicações à luz de potencial vida passada marciana. O Curiosity mostrou que a cratera Gale foi habitável há 3,5 bilhões de anos, com condições comparáveis às da Terra primitiva, onde a vida evoluiu mais ou menos na mesma época. A questão de se a vida pode ter se originado ou existido em Marte é muito mais oportuna agora que sabemos que moléculas orgânicas estavam presentes na superfície naquela época.”

Em 2020, tanto europeus quanto americanos prometem enviar jipes capazes de dar o próximo passo e procurar evidências diretas de vida marciana.

Com informações: Folhapress

16:12 · 01.06.2018 / atualizado às 16:12 · 01.06.2018 por
Ventos suaves que sopram na superfície do corpo celeste a uma velocidade de entre 30 e 40km/h esculpiram essas formações, localizadas entre uma geleira e uma cordilheira Foto: NASA

Plutão está coberto por dunas surpreendentes de grãos gelados de metano, que se formaram numa época relativamente recente, apesar da atmosfera rarefeita do planeta-anão gelado, anunciou um grupo internacional de pesquisadores.

A atmosfera de Plutão é 100 mil vezes menos densa do que a da Terra, e os pesquisadores acreditavam que ela poderia ser muito baixa para permitir que os pequenos grãos de metano sólido fossem transportados pelo ar. Mas os ventos suaves que sopram na superfície de Plutão a uma velocidade de entre 30 e 40km/h formaram estas dunas, localizadas entre uma geleira e uma cordilheira, explicam os pesquisadores em um relatório publicado pela revista “Science”.

“Parece que a procedência dos grãos das dunas é o gelo de metano que sai das montanhas próximas”, assinalaram. “Embora não se possa descartar o gelo de nitrogênio”. As dunas estão espalhadas ao longo de uma espécie de cinturão de cerca de 75km da largura, e foram registradas pela nave New Horizons, da Nasa, em 2015. “Quando vimos pela primeira vez as imagens da New Horizons, achamos na hora que se tratassem de dunas, mas foi realmente surpreendente, porque sabemos que ali não há muita atmosfera”, comentou uma das autoras, Jani Radebaugh, professora associada do departamento de ciências geológicas da Universidade Brigham Young, em Utah, Estados Unidos.

“Apesar de estar 30 vezes mais afastado do Sol do que a Terra, resulta que Plutão ainda tem características parecidas com as da Terra”, assinalou.

Surpresa

Outros corpos celestes que apresentam dunas, além da Terra, incluem Marte e Vênus, bem como a Lua de Saturno Titã e o cometa 67P.

“Sabíamos que cada corpo do sistema solar com uma atmosfera e superfície rochosa sólida apresenta dunas, mas não sabíamos que iríamos encontrá-las em Plutão”, comentou Matt Telfer, autor principal e professor de geografia física na Universidade de Plymouth, Inglaterra. “Resulta que, apesar de haver muito pouca atmosfera e a temperatura da superfície ser de cerca de -230°C, ainda assim dunas são formadas”, disse.

Os cientistas também acreditam que as dunas, que parecem inalteradas, podem ter se formado nos últimos 500 mil anos, ou muito mais recentemente. Na Terra, para se formarem com areia dunas como estas, são necessários ventos mais fortes, assinalou o coautor Eric Parteli, professor de geociências computacionais na Universidade de Colônia, Alemanha. “A gravidade consideravelmente mais baixa de Plutão e a pressão atmosférica extremamente baixa significa que os ventos necessários para manter o transporte de sedimentos podem ser 100 vezes mais fracos”, explicou.

Em Plutão, a radiação solar também causa gradientes de temperatura – variação de temperatura por unidade de distância – na camada de gelo granular, o que contribui para a formação das dunas.

“Juntos, descobrimos que estes processos combinados podem formar dunas em condições de vento normais e cotidianas em Plutão”, assinalou Parteli.

Com informações: AFP

12:13 · 08.03.2018 / atualizado às 21:08 · 08.03.2018 por
Camada gasosa compreende um centésimo da massa do planeta, revelaram estudos com base em observações da nave espacial Juno da Nasa. Na Terra, essa proporção é inferior a um milionésimo Foto: Nasa

Se você pudesse ultrapassar toda a espessa camada de nuvens formada por diferentes gases (que circulam o planeta em altíssima velocidade), com um avião capaz de suportar a imensa pressão atmosférica do maior corpo celeste de nosso sistema estelar, depois do Sol, levaria mais ou menos o mesmo tempo que uma aeronave comercial gasta para transcorrer a distância entre Fortaleza e São Paulo.

A atmosfera tempestuosa de Júpiter se estende por cerca de 3.000 quilômetros de profundidade e compreende um centésimo da massa do planeta, revelaram estudos com base em observações da nave espacial Juno da Nasa. As medidas lançam luz pela primeira vez sobre o que acontece sob a superfície do maior planeta do Sistema Solar, que à distância se assemelha a um mármore de vidro colorido e listrado. “Galileu viu as listras em Júpiter há mais de 400 anos. Até agora, nós só tínhamos uma compreensão superficial delas”, disse Yohai Kaspi, do Instituto Weizmann de Ciência em Israel, autor de um dos quatro estudos publicados na Nature.

Até uma profundidade de cerca de 3.000 km, os dados de Juno mostraram, Júpiter compreende um redemoinho psicodélico de faixas de nuvens e correntes de jatos sopradas por ventos poderosos, em direções opostas e a diferentes velocidades. Mas embaixo, o núcleo líquido de hidrogênio e hélio do planeta gira uniformemente, comportando-se quase como um corpo sólido, descobriram os pesquisadores. “O resultado é uma surpresa porque isso indica que a atmosfera de Júpiter é enorme e se estende por uma profundidade muito maior do que esperávamos anteriormente”, disse Kaspi. A atmosfera da Terra, em comparação, representa menos de um milionésimo da massa total do planeta.

“É um enigma de quase 50 anos na ciência planetária que está resolvido”, disse outro autor do estudo, Tristan Guillot, da Universidade Cote d’Azur na França. “Nós não sabíamos se um planeta gasoso como Júpiter girava com zonas e cintos todo o caminho até o centro, ou se, pelo contrário, os padrões atmosféricos eram superficiais”.

As descobertas foram o resultado de medidas sem precedentes do campo de gravidade de Júpiter por Juno, na órbita do gigante gasoso mais próximo da Terra desde julho de 2016.

Outras observações incluíram uma erupção de ciclones maciços nos polos do planeta não observadas em nenhum outro planeta do Sistema Solar.

Não se sabe como os ciclones são formados, ou como eles persistem sem se fundir.

Formação do Sistema Solar

“A primeira e mais importante questão que Juno pretende responder é como o nosso Sistema Solar foi formado e consequentemente entender mais sobre sua evolução”, disse à AFP outro autor, Alberto Adriani, do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália.

“Qualquer conhecimento que possamos acrescentar ao entender Júpiter, que é provavelmente o primeiro planeta formado (ao redor do Sol), é um passo nessa direção”.

Com informações: AFP

11:55 · 13.01.2018 / atualizado às 11:57 · 13.01.2018 por
Escavações pouco profundas feitas em 2013 pelo rover Curiosity já haviam revelado a presença de gelo no solo marciano Foto: Nasa

Cientistas detectaram geleiras enterradas em Marte, que oferecem novos indícios sobre a quantidade de água acessível que o planeta tem e onde esta se encontra.

Embora se saiba há algum tempo que existe gelo em Marte, estudar melhor sua profundidade e localização poderia ser vital para futuras missões com humanos, indicou o estudo publicado na revista norte-americana Science.

“Basicamente, os astronautas poderiam ir lá com um balde e uma pá e obter toda a água que necessitam”, disse um dos autores da pesquisa, Shane Byrne, do Laboratório Lunar e Planetário da Universidade de Arizona, em Tucson.

A erosão deixou expostos oito locais de gelo, com profundidades de um a 100 metros abaixo da superfície, afirmou. Estas escarpas subterrâneas parecem “ser gelo quase puro”, indicou o artigo, baseado em dados recolhidos pela sonda Mars Reconnaissance Orbiter, lançada em 2005.

“Este tipo de gelo está mais estendido do que se pensava anteriormente”, disse Colin Dundas, geólogo do Serviço Geológico de Estados Unidos, em Flagstaff, Arizona. O gelo mostra faixas e variações de cor que sugerem que se formou camada por camada, talvez conforme a neve se acumulou ao longo do tempo.

Os pesquisadores acreditam que o gelo se formou há relativamente pouco tempo, pois os locais parecem ser lisos na superfície, e não marcados por crateras que teriam se formado com o impacto de detritos celestes no planeta ao longo do tempo.

Os buracos e precipícios estão todos perto dos polos, que mergulham em uma escuridão gélida durante o inverno marciano e não seriam um local adequado para um acampamento humano de longo prazo.

No entanto, se fosse possível perfurar e analisar uma amostra de uma das geleiras, os pesquisadores poderiam aprender muito sobre a história climática de Marte e o potencial de vida no planeta vizinho.

A Nasa planeja enviar os primeiros exploradores a Marte na década de 2030.

Com informações: AFP

17:22 · 11.12.2017 / atualizado às 17:22 · 11.12.2017 por
A última vez em que os EUA enviaram uma missão tripulada para fora da órbita terrestre foi em 1972, no programa Apolo 17 Foto: Nasa

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta segunda-feira (11) uma diretriz que ordena à Nasa, a agência espacial norte-americana, a iniciar um programa para enviar “novamente astronautas americanos à Lua e, eventualmente, a Marte”, informou a Casa Branca.

A última vez em que os EUA enviaram uma missão tripulada para fora da órbita terrestre foi em 1972, no programa Apolo 17, na qual dois de seus astronautas, Eugene Cernan e Harrison Schmitt, fizeram três caminhadas sobre a superfície lunar. O porta-voz Hogan Gidley ressaltou que a nova diretriz de Trump “modificará a política de voos espaciais tripulados do país para ajudar os EUA a se transformarem na principal força na indústria espacial, a obterem novos conhecimentos do espaço e a desenvolverem uma tecnologia incrível”.

Em outubro, o vice-presidente norte-americano Mike Pence comentou sobre o interesse de Washington de “enviar astronautas americanos à Lua, não apenas para deixar para trás pegadas e bandeiras, mas para construir as bases necessárias para enviar americanos a Marte e além”. Pence preside o Conselho Nacional Espacial, um órgão do Escritório Executivo do presidente Trump, desenvolvido para potencializar as ambições espaciais norte-americanas.

Com informações: Agência Brasil

17:38 · 07.12.2017 / atualizado às 17:38 · 07.12.2017 por
Concepção artística de um buraco negro, tipo de corpo celeste hiper-massivo que já existia desde o primeiro bilhão de anos do Universo Imagem: Dark Horizons

Um grupo de cientistas descobriu o mais distante buraco negro já registrado até hoje. O objeto, cuja massa é 800 milhões de vezes maior que a do Sol, está a 13 bilhões de anos-luz da Terra.

A distância é tão grande que o buraco negro pode ser considerado uma relíquia do cosmos primitivo: os sinais que ele emite viajam na velocidade da luz e levam 13 bilhões de anos para chegar à Terra e o Universo teve origem há cerca de 13,7 bilhões de anos. Com isso, o buraco negro é observado atualmente com o aspecto que possuía 690 milhões de anos após o Big Bang. De acordo com os autores do estudo, publicado nesta quinta-feira 7, na revista científica Nature, é surpreendente que um buraco negro já tivesse um tamanho tão descomunal quando o Universo ainda tinha apenas 5% de sua idade atual.

“Esse buraco negro cresceu muito mais do que nós esperávamos em apenas 690 milhões de anos depois do Big Bang. Isso desafia todas as nossas teorias sobre a formação de buracos negros”, disse um dos autores do estudo, Daniel Stern, do Laboratório de Propulsão de Foguetes da Nasa, em Pasadena, na Califórnia (Estados Unidos). Os astrônomos combinaram dados do telescópio espacial Wide-field Infrared Survey Explorer (Wise), da Nasa, com observações feitas a partir da Terra para identificar potenciais objetos distantes. Depois, passaram a acompanhar o objeto com os telescópios Magalhães, do Observatório de Las Campanas, no Chile.

O autor principal da pesquisa, Eduardo Bañados, da Carnegie Institution for Science, em Pasadena, na Califórnia (Estados Unidos), liderou o trabalho de identificação de candidatos entre as centenas de milhões de objetos descobertos pelo Wise, a fim de selecionar quais deles valeria à pena acompanhar com os telescópios Magalhães.

Para que um buraco negro tenha se tornado tão gigantesco no universo primitivo, os astrônomos especulam que ele deve ter encontrado condições especiais que permitiram um crescimento tão rápido. Tais condições, porém, permanecem misteriosas.

O buraco negro descoberto, que está no centro de uma galáxia, devorando avidamente todo o material em seu entorno, está no interior de um quasar e por isso pode ser observado.

Quasares

Os quasares são objetos astronômicos extremamente distantes que possuem o brilho de uma galáxia com bilhões de estrelas, mas que têm dimensões aparentemente pequenas e que são formados por material que está em processo de ser “engolido” por um buraco negro.

À medida que esse material acelera sua queda em direção ao buraco negro, ele esquenta, emitindo uma quantidade de luz tão extraordinária que afasta o material que cai atrás dele. Pela imensa distância em que os quasares se encontram, a luz emitida por eles leva bilhões de anos para chegar à Terra e, por isso, permitem que os cientistas olhem para o passado e estudem o Universo primitivo. De acordo com os autores da pesquisa, esse quasar é especialmente interessante, porque revela eventos de uma época na qual o Universo era extremamente jovem.

“Os quasares estão entre os objetos celestes mais brilhantes e mais distantes e são cruciais para compreendermos o Universo primitivo”, disse outro dos autores do estudo, Bram Venemans, do Instituto de Astronomia Max Planck, na Alemanha.

Origens do Universo

O Universo teve origem em uma “sopa” extremamente quente de partículas que rapidamente se espalharam, em um período conhecido como “inflação”.

Cerca de 400 mil anos após o Big Bang essas partículas esfriaram e formaram gás hidrogênio. Mas o Universo permaneceu escuro, sem nenhuma fonte luminosa, até que a gravidade condensasse a matéria, formando as primeiras estrelas e galáxias.

A energia liberada por essas estrelas primitivas fez com que o hidrogênio, que havia se tornado neutro, perdesse um elétron, isto é, voltasse a ser ionizado. O gás permaneceu nesse estado desde então. Uma vez que o Universo foi reionizado, os fótons puderam viajar livremente pelo espaço. Nesse ponto, o Universo se tornou transparente para a luz.

Grande parte do hidrogênio em torno do novo quasar descoberto é neutro. Isso significa que o quasar não é apenas o mais distante já registrado, mas é também um exemplo do que podia ser visto antes da reionização do Universo. “Essa foi a última grande transição do Universo e é uma das atuais fronteiras da astrofísica”, disse Bañados.

A distância do quasar é determinada pela unidade que os cientistas chamam de “redshift” (“desvio para o vermelho”, em inglês), que mede o quanto a expansão do Universo estende o comprimento de onda da luz emitida por um corpo celeste distante antes que essa luz chegue à Terra. Quanto maior é o redshift de um objeto, maior é a distância.

O novo quasar tem redshift de 7.54, com base na detecção de emissões de carbono ionizado da galáxia que abriga o imenso buraco negro. Isso significa que a luz emitida pelo quasar levou mais de 13 bilhões de anos para chegar à Terra.

Os cientistas estimam que o céu contenha entre 20 e 100 quasares tão brilhantes e tão distantes como o que foi descoberto.

Com informações: Estadão Conteúdo

20:49 · 29.09.2017 / atualizado às 20:56 · 29.09.2017 por
Concepção artística de como a estação espacial russo-americana atuaria em volta do satélite natural da Terra, servindo de base para missões futuras pelo Sistema Solar Imagem: Above Top Secret

A agência espacial russa, Roscosmos, anunciou ter assinado um acordo com a Nasa para cooperar no projeto norte-americano de construção de uma estação orbital em torno da Lua, dentro do programa “Deep Space Gateway” (Portal do Espaço Profundo).

O projeto busca construir uma estação na órbita lunar que sirva como ponto de conexão entre a superfície do satélite terrestre, missões a outros planetas e a Terra. Essa estação é considerada um ponto-chave em um programa mais ambicioso de voos para Marte e para o resto do Sistema Solar.

O acordo foi assinado em Adelaide (Austrália), durante o 68º congresso internacional de astronáutica. A Nasa anunciou há alguns meses que estava trabalhando em um projeto chamado “Deep Space Gateway” para enviar astronautas à órbita lunar graças aos novos foguetes desenvolvidos pela agência espacial norte-americana. A Rússia quer, por sua vez, abrir uma base científica na Lua e espera realizar seus primeiros voos lunares antes de 2031. “Os dois sócios têm a intenção de desenvolver normas técnicas internacionais que serão utilizadas no futuro, incluindo a criação de uma estação orbital em volta da Lua. A Roscosmos e a Nasa já entraram em acordo sobre as normas da futura estação”, disse a agência russa.

Os foguetes russos Angara e Proton-M poderiam ser utilizados paralelamente ao americano SLS para “criar a infraestrutura da estação lunar”, segundo a Roscosmos. Esses foguetes seriam utilizados para transportar as cargas. A agência russa indicou que a criação desta estação orbital começará em meados de 2020.

“Cinco países, no mínimo, estão trabalhando para desenvolver suas próprias naves espaciais tripuladas. Para evitar problemas em termos de cooperação técnica, as normas (e sistemas de acoplagem) devem ser unificadas” declarou Igor Komarov, diretor da agência espacial russa. “Os elementos futuros da estação – bem como os padrões para sistemas de suporte de vida – serão criados usando designs russos”, acrescentou.

‘Orgulho’

A Nasa se declarou “orgulhosa de ver um interesse internacional crescente sobre o deslocamento para a órbita lunar como próxima etapa do desenvolvimento da exploração espacial”, mas acrescentou que o projeto ainda está em um estado de “formulação de conceitos”. Segundo a agência, o acordo com a Roscosmos servirá de base para “uma arquitetura de exploração financeiramente acessível e viável”. O espaço é um dos poucos setores de cooperação bilateral não afetado pelas tensões entre os Estados Unidos e a Rússia. Ambos os países cooperam na Estação Espacial Internacional (ISS), cujo módulo principal foi fabricado pela Rússia, o único país capaz de enviar astronautas ao espaço desde o fim do programa de ônibus espaciais da Nasa.

A Lua também desperta interesse na Agência Espacial Europeia. Seu diretor-geral, o alemão Jan Woerner, defende a criação de uma “aldeia lunar” desde a sua nomeação, em 2015.

Com informações: AFP

21:04 · 19.09.2017 / atualizado às 21:04 · 19.09.2017 por
Programa é financiado pela Nasa, que espera enviar os primeiros astronautas ao Planeta Vermelho na década de 2030 Foto: Universidade do Havaí

Seis pessoas saíram de uma cúpula isolada no Havaí onde passaram os últimos oito meses em uma missão simulada para Marte, vivendo em instalações muito pequenas, comendo alimentos secos e tentando se relacionar bem.

O experimento, realizado pela Universidade do Havaí, foi o quinto desse tipo destinado a ajudar os cientistas a resolverem os conflitos interpessoais que podem surgir entre os astronautas que embarcam em uma missão longa no espaço profundo. Os voluntários, quatro homens e duas mulheres, saíram da cúpula no domingo, ansiosos para saborear frutas frescas, jantares caseiros e a sensação de ar fresco no rosto.

“Uma das coisas que senti falta de casa foi a culinária portuguesa”, disse o membro da equipe Brian Ramos, em um vídeo transmitido pela CBS News.

O programa é financiado pela Nasa, que espera enviar os primeiros astronautas ao Planeta Vermelho na década de 2030.

A capacidade da eventual equipe de se dar bem, assim como sua mistura de personalidades, serão essenciais para que a missão seja proveitosa, disse Kim Binsted, que lidera a pesquisa para a Universidade do Havaí. “Ter alguma variedade é uma coisa boa”, disse ela no vídeo transmitido pela CBS. “É como se estivéssemos tentando montar uma caixa de ferramentas para ir a Marte: não colocamos apenas martelos, mesmo que sejam os melhores martelos no sistema solar”.

Binsted disse que, embora os conflitos sejam inevitáveis, a última tripulação se saiu bem em suas tarefas fundamentais.

Os cientistas monitoraram as interações da equipe para detectar sinais de conflitos emocionais, e lhes deram dispositivos de realidade virtual para ajudar a lidar com o estresse.

Para tornar o experimento mais realista, os membros da tripulação tinham que utilizar trajes espaciais sempre que saíam da cúpula, localizada em um lugar remoto de Mauna Loa.

Eles também podiam enviar e-mails para amigos e familiares, mas com um atraso de 20 minutos.

Está previsto que outra missão de oito meses comece em janeiro de 2018.

Com informações: AFP

22:18 · 10.07.2017 / atualizado às 22:18 · 10.07.2017 por
Tormenta se parece com um nódulo vermelho amontoado sobre a superfície do planeta, tem sido observada desde 1830 e calcula-se que exista há 350 anos Foto: Reprodução/Youtube

Uma nave não-tripulada da Nasa tem previsto voar sobre uma enorme tormenta em Júpiter durante viagem que poderá dar nova luz sobre as forças que movem a Grande Mancha Vermelha do planeta.

A aproximação da nave Juno, que monitora a tormenta de 16.000 km de amplitude, está programada para 01H55 GMT de terça-feira (22H55 desta segunda-feira em Brasília). “A misteriosa Grande Mancha Vermelha de Júpiter é provavelmente a face mais conhecida de Júpiter”, afirmou Scott Bolton, principal pesquisador de Juno no Southwest Research Institute de San Antonio, no Texas. “Esta tempestade monumental fez estragos durante séculos no maior planeta do Sistema Solar”, acrescentou. A tormenta se parece com um nódulo vermelho amontoado sobre a superfície do planeta. Tem sido observada desde 1830 e talvez exista há 350 anos, afirmou a agência espacial americana.

Juno, que no início deste mês completou o seu primeiro ano em órbita do gigante gasoso, oferecerá “a primeira imagem que a humanidade terá deste fenômeno gigantesco”, disse a Nasa em um comunicado. A nave estará equipada com instrumentos que podem atravessar nuvens para medir até onde vão as raízes desta tempestade e os cientistas esperam conhecer mais sobre o funcionamento dela.

A nave espacial partiu de Cabo Canaveral em agosto de 2011 em uma missão para estudar as origens, estruturas, atmosfera e magnetosfera de Júpiter.

Com informações: AFP