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Tag: Oceania


17:53 · 08.01.2018 / atualizado às 17:53 · 08.01.2018 por
O termômetro baixou até os 2,6 °C em algumas zonas desse país do sul da Ásia, onde o inverno costuma ser suave, a temperatura mais baixa desde 1948, quando começaram as medições Foto: AFP

Mais acostumado às temperaturas subtropicais, Bangladesh sofre com uma onda de frio incomum, com os termômetros marcando valores mínimos.

O mercúrio baixou até os 2,6 °C em algumas zonas desse país do sul da Ásia, onde o inverno costuma ser suave. “É a temperatura mais baixa desde que começamos a fazer o registro, em 1948”, afirmou Shamsuddin Ahmed, diretor do departamento de meteorologia do país.

O recorde anterior registrado foi de 2,8 °C em 1968. A queda da temperatura levou as autoridades a distribuir 70.000 cobertores nos distritos mais afetados.

Segundo um jornal local, nove pessoas morreram de frio no norte do país. As autoridades ainda não confirmaram a informação.

Extremos climáticos

O ano de 2018 começou com uma meteorologia diferenciada em diversas partes do planeta.

A América do Norte sofreu uma onda de frio polar que atingiu os -15 ºC no final de semana em Nova York.

Na Oceania, em compensação, a Austrália sofre com o calor e Sydney registrou no domingo o dia mais quente de seu verão desde 1939, com 47,3 °C.

Com informações: AFP

16:28 · 11.05.2017 / atualizado às 16:28 · 11.05.2017 por
A maior parte dos novos biomas “escondidos” são encontráveis na África e Oceania. Naqueles continentes, os números são muitas vezes dobrados em relação ao que se conhecia de área florestal Foto: MNN

Uma extensa equipe internacional de 31 pesquisadores em 13 países analisou dados de satélites e concluiu que a Terra tem 9% mais florestas do que se estimava. Estes 4.270.000 km² de floresta até agora “escondidos” têm metade da área territorial do Brasil e equivalem à toda a floresta amazônica.

É uma boa notícia para a ciência melhorar a compreensão da dinâmica e potencial dos sorvedouros de carbono terrestres como as florestas, apesar de o problema ambiental básico continuar o mesmo.

O planeta continua passando por uma mudança climática global, que é acelerada pela emissão de carbono por atividades industriais e agrícolas humanas.

O novo estudo procurou descobrir se as zonas áridas também abrigariam trechos de florestas. Essas regiões mais secas se caracterizam por apresentar uma precipitação (chuva) que é contrabalanceada pela evaporação de água das superfícies e pela transpiração das plantas.

“Os biomas das zonas secas cobrem cerca de 41,5% da superfície terrestre. Elas contêm alguns dos ecossistemas mais ameaçados, embora desconsiderados, incluindo sete dos 25 hotspots de biodiversidade, enquanto enfrentam a pressão das mudanças climáticas e da atividade humana”, escreveram os autores do estudo na revista científica americana “Science”.

Entre os “hotspots”, “pontos quentes” de diversidade animal e vegetal, está o semiárido brasileiro, caracterizado por regiões como o cerrado e a caatinga.

O mapeamento da cobertura vegetal em áreas semiáridas no Brasil ficou a cargo de pessoal do Insa (Instituto Nacional do Semiárido) em parceria com a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura).

A participação brasileira integrou o projeto Global Forest Survey (Pesquisa Florestal Global) da organização e foi coordenada no país pelo analista da FAO, o brasileiro Marcelo Rezende, um dos coautores do estudo na “Science”.

Ignacio Salcedo, do Insa, também está entre os autores, mas ele morreu no mês passado, antes da publicação do estudo. O projeto procura mapear as dinâmicas de florestas para entender mudanças no uso da terra.

“Para coletarmos dados sobre biomas tão diferentes nas terras áridas, trabalhamos com diversos institutos ao redor do mundo. O melhor formato para essa colaboração é a transferência de conhecimento técnico entre a FAO e o parceiro. Collect Earth, a ferramenta gratuita desenvolvida pela FAO e utilizada na coleta de dados foi apresentada para o Insa em um workshop em 2015”, declarou Rezende à reportagem.

Mais de vinte participantes foram selecionados pelo Insa e treinados no uso dessa nova ferramenta, na metodologia de avaliação e ao mesmo tempo auxiliaram no estudo das terras áridas. “Os participantes eram, em sua maioria, estudantes de graduação e pós-graduação da região, que conheciam bem as formações vegetais do cerrado e da caatinga. Alguns professores também participaram do treinamento”, afirma o consultor da FAO.

Segundo Rezende, “as informações geradas vão contribuir para a elaboração de medidas de conservação e proteção mais assertivas, levando em consideração a real extensão e condições das formações vegetais do cerrado e da caatinga”. As estimativas prévias de área florestal em regiões de semiárido variavam muito em função de diferentes graus de precisão das imagens de satélite – diferenças na sua “resolução espacial”-, enfoques de cartografia e mesmo a definição daquilo que constitui uma floresta.

“Dados anteriores a nível global eram baseados em imagens de satélites de média e baixa resolução, que nem sempre captavam as características da vegetação esparsa das formações vegetais do semiárido. Collect Earth faz uma ponte entre várias plataformas disponíveis gratuitamente pela Google e coloca a disposição do usuário imagens de altíssima resolução e acesso a um catálogo de imagens históricas para uma precisa avaliação da área”, afirma o pesquisador brasileiro.

Um hectare (ha) é uma unidade de medida de área que equivalente a 10.000 m² -um terreno na forma de um quadrado de cem metros de cada lado. Um campo de futebol típico tem em torno de 7.000 ou 8.000 m² -ou exatos 7.140 m², no caso dos campos padronizados para o Campeonato Brasileiro.

Para entender a extensão das florestas, a unidade usada é o Mha -isto é, um milhão de hectares.

“Nossa estimativa é 40 a 47% maior do que as estimativas anteriores da extensão da floresta em terras secas. Isto potencialmente aumenta em 9% a área global com mais de 10% cobertura de copas de árvore [5.055 Mha em vez de 4.628 Mha] e por 11% a área global de floresta [4.357 Mha em vez de 3.890 Mha]”, escreveu a equipe coordenada por Jean-Francois Bastin, da Universidade Livre de Bruxelas, Bélgica, e também da FAO.

A diferença destes 9% a mais -427 milhões de hectares ou 427.000.000.000.000 m² (427 trilhões de m²)- equivale a mais de 59,8 bilhões de campos de futebol.

Cada um dos 7,2 bilhões de habitantes da Terra teria direito a uma área de floresta “escondida” do tamanho de 8,3 campos de futebol.

“Você precisa entender que comparamos nossos resultados com diferentes mapas e relatórios existentes. Portanto, tivemos que adotar, para cada comparação, a mesma definição de ‘floresta’ do que esses relatórios”, afirmou Bastin.

“Alguns mapas estão usando apenas o limite de cobertura de árvores para definir a cobertura florestal. Este é o caso, por exemplo, dos dados de Matt Hansen. Usando o limite de 10%, ele estima uma área total de 4.628 Mha onde temos 5.055Mha. Isto corresponde a um aumento de 9%”, disse Bastin à reportagem.

“Alguns mapas estão usando o limiar de 10%, mas também estão certificando-se de que essas árvores não são parte de qualquer área de cultivo ou povoação. Este é o caso, por exemplo, dos dados do estudo Global FRA Remote Sensing. Eles relatam 3.890 Mha onde relatamos 4.357 Mha. Isso corresponde a um aumento de 11%”, continua o pesquisador da Bélgica.

Algumas regiões tiveram florestas “escondidas” de tamanho inesperado. “Você vai ver que a maior parte das diferenças são encontráveis na África e Oceania; os números são muitas vezes dobrados”, diz Bastin.

“Essas diferenças são como a área total de floresta úmida tropical na Amazônia”, conclui a equipe.

Segundo Bastin, as descobertas não mudam nada em relação ao acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera.

“Mas muitos cientistas que trabalham no orçamento de carbono destacam que faltam alguns sumidouros de carbono que ainda precisam ser identificados e quantificados para equilibrar o ciclo do carbono. Nossos resultados estão, portanto, trazendo novos elementos aqui”, diz o pesquisador.

“Além disso, nossos resultados mostram que as terras secas são muito mais adequadas para a floresta do que aquilo que pensávamos anteriormente. Portanto, e como não há competição por outras atividades, como terras de cultivo intensivo, isso significa que essas áreas consistem em grandes oportunidades para a restauração florestal. Nossos dados ajudarão a avaliar áreas adequadas para a restauração florestal, para combater a desertificação e, portanto, para combater as mudanças climáticas”, afirma Bastin.

Com informações: Ricardo Bonalume Neto/Folhapress

19:04 · 08.04.2013 / atualizado às 22:12 · 08.04.2013 por
Últimos botocudos devem ter vivido no início do século XX, no Espírito Santo Imagem: Walter Garbe, 1909
Últimos botocudos devem ter vivido no início do século XX, no Espírito Santo Imagem: Walter Garbe, 1909

Qualquer estudante de Ensino Médio sabe que houve pelo menos três “descobertas” da América.  A primeira ocorreu entre 20 e 15 mil anos atrás e ocorreu em até três correntes migratórias vindas da Ásia e do Ártico para a América do Norte e povoou quase todo o continente.

A segunda, não muito bem sucedida, aconteceu no século XI e trouxe um grupo de vikings nórdicos paraa Groenlândia e para o leste do  Canadá. A temporada mais famosa de “descobertas” trouxe espanhóis, portugueses e, posteriormente, holandeses, franceses e ingleses para cá entre os século XV e XVI.

Contudo, a povoação do continente pode ter tido pelo menos mais um capítulo. Um grupo polinésio pode ter chegado à América (e mais precisamente ao Brasil) navegando a partir de Madagascar, na África. Análises de DNA estabeleceram uma conexão entre a antiga tribo brasileira  dos botocudos e povos que viviam na Polinésia, região insular da Oceania, há menos de 3 mil anos e que migraram para a ilha africana há dois mil anos.

Cientistas brasileiros descobriram uma conexão genética entre o grupo indígena extinto entre o fim do século 19 e o início do século XX  e a população polinésia. O artigo científico, assinado por uma equipe de diferentes universidades públicas brasileiras, foi publicado nas prestigiadas revistas PNAS e  Nature. O trabalho não contesta o caminho percorrido pelos primeiros homens rumo às Américas,  mas, segundo o pesquisador Hilton Pereira da Silva, “amplia potencialmente a variedade de pessoas que chegaram até o continente americano”.

Menina malgaxe, de Madagascar, com similaridade genética em relação aos povos botocudos do Sudeste brasileiro Imagem: Brocken Inaglory
Menina malgaxe, de Madagascar, com similaridade genética em relação aos povos botocudos do Sudeste brasileiro Imagem: Brocken Inaglory

Os pesquisadores escrevem que as análises para identificar a origem dos povos pré-colombianos eram feitas, tradicionalmente, a partir da morfologia craniana de ossadas. Algumas análises moleculares sugeriam que apenas uma onda migratória teria chegado à América do Sul na pré-história, mas a presença de traços polinésios coloca essa teoria em xeque. Para Silva, o que faz esse estudo singular é a descrição inédita desse conjunto genético no que ele define como “uma população homogênea do continente americano”.

Segundo ele, estudos sugerem que as populações mais antigas das Américas tinham pouco contato com outros humanos. “No caso dos botocudos, é interessante por que são considerados historicamente um grupo muito aguerrido e hostil ao contato exterior”. Essa peculiaridade dos botocudos torna ainda mais relevante o contato identificado pelo estudo. “É um fato histórico importante”, opina. A partir da descoberta, pesquisadores de outros povos ameríndios tendem a incluir essa marca genética em sua agenda de buscas.

Quem eram os botocudos e como podem ter se cruzado com povos de Madagascar

Os índios Botocudos, também chamados de Aimorés, viviam em áreas hoje correspondentes aos Estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia, divididos em diferentes comunidades. “Consideramos os botocudos culturalmente extintos. Não existem descendentes reconhecidos atualmente”, explica Hilton Pereira da Silva, que é também doutor em Antropologia e coordenador do Laboratório de Estudos em Bioantropologia, Saúde e Meio Ambiente da Universidade Federal do Pará (UFPA).

A análise genética foi feita a partir de DNA mitocondrial, extraído dos dentes de 14 crânios de botocudos que estão no Museu Nacional do Rio de Janeiro: “Como o material que analisamos é comprovadamente de populações indígenas, essa analise genética indica que essa população teve contato com um outro grupo ou indivíduo.” No entanto, o estudo não descarta a possibilidade de que essa troca genética entre os botocudos e o povo de origem malgaxe-polinésia pode ter ocorrido a partir de algum descendente de escravos trazidos para o continente americano, proveniente de Madagascar.

03:22 · 13.03.2012 / atualizado às 06:23 · 13.03.2012 por
Kiribati é um dos países mais ameaçados pelo aumento do nível do mar causado pelo aquecimento global Imagem: Panoramio

O mundo não deve acabar em 2012, mas um pequeno país-arquipélago da Oceania, Kiribati, pode estar com os dias contados. O maior culpado é o aquecimento global, que está gerando o derretimento do gelo nos pólos e aumentando o nível do mar.

Essa elevação marítima é especialmente perigosa para Kiribati, de 811 km² (o equivalente a um pouco mais que duas cidades de Fortaleza), e formado basicamente por atóis (ilhas baixas formadas a partir de recifes de coral). Para tentar evitar o fim da nação kiribatiana, que tem o ponto mais alto situado a apenas 81 metros, o presidente daquele país, Anote Tong, quer mudar os 103 mil habitantes de lá para Fiji, país-arquipélago situado a 2250 km.

“Não gostaríamos de colocar todo mundo em um pedaço de terra, mas se isso se tornar absolutamente necessário, sim, podemos fazer. Isso não seria uma medida para mim, pessoalmente, mas para a geração mais nova. Para eles, mudar não seria questão de escolha. Isso vai ser uma questão de sobrevivência”, afirmou o presidente de Kiribati.

O principal candidato à novo território de Kiribati é um terreno de 24 km² (área equivalente a aproximadamente oito bairros fortalezenses) colocado à venda por um grupo religioso fijiano pela importância de US$ 9,6 milhões. Anote Tong espera que o parlamento de sua nação aprove a compra do terreno até abril para então passar a discutir mais diretamente com o governo de Fiji, a medida emergencial.

Kiribati, além de ser um dos países mais ameaçados do mundo, é um dos mais isolados. As 33 ilhas (sendo 20 habitadas) que formam a pequena nação estão espalhadas por uma área de 5 milhões de km² (pouco menos que as áreas somadas do Norte e do Nordeste do Brasil) pelo Oceano Pacífico.

 Alternativas à mudança e estratégias de mudança

Apesar de estar considerando seriamente a possibilidade de evacuar toda a população kiribatiana para Fiji (ou outro país), o governo Tong também estuda construir escoras ou muros no mar, bem como uma ilha artificial, mas ambas as opções são tidas como muito caras para um país de economia modesta. O PIB de Kiribati é inferior a US$ 100 milhões por ano (pouco menor que o do município de Acaraú).

Assim, a mudança dos habitantes da pequena nação deve mesmo ser a alternativa mais provável, caso o nível do mar continue subindo e invadindo o território kiribatiano. Mas de acordo com o presidente de Kiribati, esse processo não seria feito de uma vez só. “As pessoas precisam encontrar emprego, não como refugiados, mas como imigrantes com conhecimento a oferecer”, afirmou Tong. Além de Kiribati, outros dois países da Oceania bastante ameaçados pelo aquecimento global e o aumento do nível dos oceanos são Tuvalu e Samoa.

Nos piores cenários previstos pelos cientistas, o nível do mar pode subir mais de 25 metros até 2100, o que ameaçaria não só esses pequenos países, mas também cidades litorâneas de baixa altitude, como a Capital cearense. Aliás, uma curiosidade é que se fosse possível viajar em linha reta, na direção leste-oeste, partindo de Fortaleza, um dos países que se cruzaria seria  justamente Kiribati.