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Tag: peixes


15:48 · 09.03.2018 / atualizado às 15:48 · 09.03.2018 por
Aspectos relacionados à variabilidade da frequência cardíaca (VFC), como a arritmia sinusal respiratória (ASR), stão presentes em um animal, como a piramboia, que está em nossa base evolutiva Foto: Universidade Federal de São Carlos

Um estudo inédito realizado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) revelou que características, anteriormente consideradas evolutivamente novas e presentes apenas em mamíferos, estão presentes em peixe primitivo pulmonado, a Piramboia, encontrado no Pantanal brasileiro.

O trabalho foi realizado por pesquisadores do Departamento de Ciências Fisiológicas (DCF) da UFSCar, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e da Birmingham University, além de pós-doutorandos do Programa Interinstitucional de Pós-Graduação em Ciências Fisiológicas (UFSCar/Unesp). O projeto contou com a coordenação de Cléo Costa Leite, docente do DCF da UFSCar, e com recursos do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Fisiologia Comparada (INCT FisComp). A principal descoberta do estudo foi a presença de mecanismos de interação cardiorrespiratória na Piramboia, comprovando que aspectos relacionados à variabilidade da frequência cardíaca (VFC), como a arritmia sinusal respiratória (ASR), são primitivos e estão presentes em um animal que está na base evolutiva dos tetrápodes (vertebrados com quatro membros e respiração pulmonar).

“A Piramboia foi importante para o nosso trabalho porque ela apresenta algumas características semelhantes às de espécies ancestrais que deram origem aos vertebrados de respiração aérea, anfíbios répteis, aves e mamíferos”, relata Leite. De acordo com o docente da UFSCar, a descoberta quebra um paradigma na investigação e nas tentativas de compreensão de fatores relacionados à ASR. A arritmia sinusal respiratória é um fenômeno de interações rápidas de comunicação entre pulmões e coração que geram uma variação da atividade cardíaca quando se inicia a respiração. Ou seja, a frequência cardíaca aumenta na inspiração e diminui na expiração, com o papel de melhorar a eficiência das trocas gasosas.

Mecanismo complexo

O pesquisador aponta que a presença desse tipo de arritmia é interessante por dois motivos: “O primeiro é que seu mecanismo é complexo e difícil de ser executado, exigindo uma série de requisitos para que o animal consiga fazer esse ajuste. O segundo é que a presença de VFC e ASR é observada em pessoas saudáveis, jovens e sem estresse, sendo reduzida quando esses fatores não estão presentes. Dessa forma, a arritmia se tornou um índice clínico importante de saúde e sua ausência é um indicador de certos problemas”, explica Leite.

Outro ponto de destaque do estudo, segundo Cléo Leite, é a forma como o fenômeno da ASR era investigado até então. “Por ser um ajuste complexo e rápido, a arritmia foi considerada algo recente evolutivamente, algo que estaria presente só em mamíferos e seria fruto de aprimoramentos na evolução do grupo. Foi sugerido que esse fenômeno seria importante para a melhoria de trocas gasosas nos pulmões, mas nada foi confirmado. Nós conseguimos comprovar esse papel de melhoria na Piramboia que tem arquitetura cardiovascular diferente dos humanos, por exemplo”, aponta o professor.

Ele acrescenta que a variabilidade da frequência cardíaca é um fenômeno com raízes evolutivas antigas, que tem claro papel funcional em um animal primitivo, como um peixe pulmonado, e que pode não ter mais nenhuma função no organismo dos humanos. “A ASR é uma relíquia evolutiva que teve seu papel funcional em um animal ancestral e pode ter permanecido na progressão do processo evolutivo sem ter mais sua função principal. Assim, não é em humanos que temos de investigar seu papel, sua relevância e compreender sua interação com outros ajustes”, complementa. Leite afirma, no entanto, que tal fato não muda o uso clínico da ASR, mas muda a forma como esse fenômeno deve ser investigado daqui para frente.

A pesquisa desenvolvida na UFSCar é inédita e tem uma abordagem diferente da usual por investigar a origem evolutiva do ajuste em um animal peculiar como o peixe pulmonado. Há teorias da psicobiologia, como a teoria polivagal, que entende que a ASR é um tipo de ajuste presente, exclusivamente, em humanos e utiliza suas características para explicar uma série de comportamentos.

“Contudo, agora sabemos que as raízes de tais características são antigas e potencialmente todos os vertebrados de respiração aérea as possuem. Portanto, as bases explicativas dessa teoria não estão corretas”, explica Leite.

Compreensão da evolução

A partir das revelações do estudo, as próximas etapas envolvem a descrição de alterações desse tipo de regulação em outros grupos de vertebrados e a compreensão das modificações que foram surgindo ao longo da evolução. Em paralelo, o grupo de pesquisadores pretende analisar um tipo de ajuste similar à ASR que ocorre em vertebrados de respiração aquática.

“A área de fisiologia comparada no Brasil tem enorme potencial para ações relevantes dada a enorme biodiversidade que possuímos. Além disso, o grupo de fisiologia comparada da UFSCar é referência nacional e internacional na área e, portanto, temos potencial para o desenvolvimento de testes e investigação de uma série de teorias que estão relacionadas à saúde humana, ao bem-estar animal, às ações antrópicas no meio, dentre diversas outras coisas. Precisamos ter financiamento consistente e seguro para proporcionar as condições de enfrentarmos os desafios e realizarmos as pesquisas”, finaliza Cléo Leite.

A pesquisa foi feita no Laboratório de Biologia Experimental da UFSCar (Grupo de Zoofisiologia e Bioquímica Comparativa), com algumas análises realizadas na UFBA. O estudo gerou um artigo publicado recentemente no periódico científico internacional Science Advances (AAAS).

Com informações: Universidade Federal de São Carlos

16:20 · 09.01.2018 / atualizado às 16:20 · 09.01.2018 por
Em decorrência do melhor descanso, os cientistas mostraram também que crianças com maior ingestão mensal desse tipo de alimento apresentaram melhor desempenho em testes de QI Foto:iStockphoto

Um artigo publicado no periódico científico “Scientific Reports” mostrou que se alimentar de peixes pode ser um dos fatores por trás de uma boa noite de sono.

O estudo de pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, foi feito com crianças chinesas e apresentou uma correlação entre o consumo regular de peixes e um sono de boa qualidade, resultado atribuído à substância Ômega 3, presente nos peixes. Em decorrência do melhor descanso, os cientistas mostraram que essas crianças apresentaram melhor desempenho em testes de QI.

Já se conhecia a relação entre consumo de Ômega 3 e um bom desempenho cognitivo. O artigo mostra que essa associação seria mediada por boas noites de sono. Participaram do estudo 541 crianças chinesas de 9 a 11 anos. Os pesquisadores pediram a elas para descrever seus hábitos alimentares, incluindo a frequência com que consumiam peixes. Os pais das crianças, por sua vez, foram entrevistados acerca dos padrões de sono de seus filhos.

Os cientistas então aplicaram testes de QI quando os jovens completaram 12 anos. Eles encontraram uma ligação entre o consumo regular de peixe e uma melhor noite de sono e notas mais altas no teste de raciocínio. Segundo os pesquisadores, embora o estudo tenha sido feito com crianças, é razoável imaginar que as descobertas também valham para adultos.

De acordo com os autores do estudo, consumir peixe algumas vezes por mês já seria suficiente para melhorar as funções cerebrais.

Com informações: Folhapress

21:42 · 29.12.2016 / atualizado às 21:42 · 29.12.2016 por
Foto: Globo
Milhares desses peixes circularam pelo mar, bem próximo à areia. Segundo biólogos, trata-se da espécie cascuda. Banhistas usaram sacos plásticos, roupas e até cangas para recolher os peixes Foto: Globo

Além de aproveitar o sol e o mar, banhistas que estiveram nesta quinta-feira (29), na praia da Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio, tiveram a chance de pescar sardinhas – até com as mãos. Isso porque um cardume com milhares desses peixes circulou pelo mar, bem próximo à areia.

Segundo biólogos, trata-se da espécie cascuda, cuja pesca é permitida nessa época do ano. Banhistas usaram sacos plásticos, roupas e até cangas para recolher os peixes. “Vou fritar hoje mesmo”, contou o estudante Tomás Lopes, enquanto transportava um saco plástico cheio de sardinhas.

O pescador José Cosme, que dispunha de uma tarrafa, recolheu vários quilos de sardinha. “Nunca vi nada igual”, contou à imprensa. Diversos tipos de aves também aproveitaram a facilidade para se alimentar, já que os peixes estavam em águas rasas. Desde o início desta semana, cardumes de sardinha estão sendo vistos nas águas da Barra da Tijuca. Na terça-feira, 27, banhistas já haviam tentado pescá-las.

Alimentação e proteção

Para biólogos, o objetivo das sardinhas pode ser buscar alimentação ou proteção. A ausência de chuva e vento deixou as águas cristalinas e facilitou a visualização das sardinhas. A pesca da sardinha-verdadeira é proibida nessa época, mas como não se trata desse espécie, a pesca é autorizada.

O calor no Rio, que chegou a bater recorde na terça-feira, com 42,3°C registrados pelo sistema municipal Alerta Rio, continuou ontem e vai permanecer amanhã. A máxima desta sexta-feira (30) deve chegar a 38°C, na zona norte.

Com informações: Estadão Conteúdo

23:42 · 03.05.2016 / atualizado às 23:42 · 03.05.2016 por
Consumo de peixes é o fator que mais expõe as pessoas ao mercúrio, devido o processo de bioacumulação e biomagnificação do metal. Isso faz com que os teores, mesmo na água, sendo baixos ao longo da cadeia alimentar, vão se ampliando e o homem, que está no topo da cadeia, é o que está mais exposto Foto: Photographer's Blog
Consumo de peixes é o fator que mais expõe as pessoas ao mercúrio, devido o processo de bioacumulação. Isso faz com que os teores do metal se ampliem ao longo da cadeia alimentar e o homem é o que está mais exposto Foto: Photographer’s Blog

Cientistas de várias universidades do país e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) participam, em Manaus, do III Workshop do projeto “Biomarcadores de toxidade de mercúrio aplicados ao setor hidrelétrico na Amazônia”.

Os estudos começaram em 2013 para verificar a presença do metal em peixes e no leite materno. As amostras foram coletadas na bacia do Rio Madeira, em Rondônia, na bacia do Rio Tocantins, em Goiás e Maranhão, e no Rio Negro, no Amazonas.

Segundo o coordenador da pesquisa, professor Luiz Fabrício Zara, da Universidade de Brasília (UnB), o objetivo é identificar substâncias que possam funcionar como indicadores da toxicidade do mercúrio e que seja aplicado ao setor hidrelétrico.

“Como já é de conhecimento, a expansão do setor hidrelétrico para a Amazônia já é uma realidade brasileira. A Amazônia brasileira é rica em mercúrio natural. Por isso, demanda pesquisas e estudos associados a mecanismos de vigilância ambiental, de modo que se possa ter um real desenvolvimento socioambiental”, afirma Zara.

Considerado inovador no mundo, o projeto utiliza a técnica chamada de metaloma, que consiste na separação das proteínas, do pescado e do leite materno, por exemplo, para depois verificar a qual proteína o mercúrio está ligado.

Esse metal está presente naturalmente no meio ambiente. Na Amazônia, ele apresenta níveis superiores em relação a outras regiões. A exposição a altos níveis desse metal, que é tóxico, é prejudicial à saúde e ao meio ambiente.

Consumo de peixes

O pesquisador Luiz Fabrício Zara esclareceu que o consumo de peixes é o fator que mais expõe as pessoas ao mercúrio.

“O peixe tem um processo de bioacumulação e biomagnificação do mercúrio. Então, os teores, mesmo na água, sendo baixos ao longo da cadeia alimentar, esses valores vão se ampliando e logo o homem, que está no topo da cadeia, é o que está mais exposto”, afirmou o pesquisador.

Luiz Zara destacou os resultados já obtidos pela pesquisa com os peixes mais consumidos nas regiões das hidrelétricas. “Já identificamos várias metaloproteínas, que seriam essas proteínas ligadas ao mercúrio, forte candidatas a biomarcadores da toxicidade, ou seja, quando altera a concentração de mercúrio no ambiente, altera a concentração dessa substância no pescado. Isso nos cria um índice de vigilância”, explicou o pesquisador .

Leite materno

Outra vertente dos estudos é a presença de mercúrio no leite materno. Há um processo natural de excreção do metal na amamentação, que é nocivo para as crianças, de acordo com a pesquisadora Tânia Machado da Silva, também da Universidade de Brasília.

“Uma criança em desenvolvimento pode ser muito mais afetada que um adulto com o sistema nervoso desenvolvido. Essa era a importância de se estudar o leite materno e não apenas o peixe, porque o leite materno também é uma fonte de exposição para as crianças”, acrescentou Tânia.

A pesquisadora informou que não foram identificados níveis de mercúrio nas mulheres em período de amamentação acima do que determina a Organização Mundial de Saúde.

Prosseguimento dos estudos

O projeto é patrocinado pela Energia Sustentável do Brasil, concessionária da Usina Hidrelétrica de Jirau, em Rondônia.

O encerramento dos estudos está previsto para 2017. A ideia é que as conclusões sejam apresentadas em duas publicações: uma para o meio científico e outra para a sociedade, de modo que possa servir para adoção de políticas públicas de saúde.

Com informações: Agência Brasil

22:13 · 12.02.2015 / atualizado às 23:09 · 12.02.2015 por
Foto: AFP/Correio Popular
Animais são usados na medicina tradicional chinesa, que atribui a eles virtudes terapêuticas e afrodisíacas, servidos como alimento ou desidratados para ser vendidos como suvenires Foto: AFP/Correio Popular

Dezenove mil cavalos marinhos desidratados, um animal protegido pela convenção de Washington sobre as espécies ameaçadas de extinção, foram apreendidos no aeroporto parisiense de Roissy, anunciou a direção de alfândega da capital francesa.

Os animais, transportados desidratados, foram descobertos em uma remessa comercial proveniente de Madagascar e com destino a Hong Kong. Seu valor é estimado em cerca de 200.000 euros.

Dias antes, em 15 de janeiro, os serviços de alfândega, encarregados do controle de viajantes, os serviços de alfândega interceptaram 112 cavalos marinhos mortos nas malas de um casal procedente de Xangai.

Segundo suas declarações, os animais seriam usados no preparo de caldos para bebês. Os animais foram apreendidos e as pessoas envolvidas, receberam elevadas multas. Os cavalos marinhos são protegidos pela Convenção de Washington sobre o comércio internacional de espécies da flora e da fauna ameaçadas de extinção (CITES), pela destruição de seu habitat ou caça.

Os animais são usados na medicina tradicional chinesa, que atribui a eles virtudes terapêuticas e afrodisíacas, servidos como alimento ou desidratados para ser vendidos como suvenires.

A apreensão é a mais importante do tipo no aeroporto de Roissy desde 2005, quando 35.000 cavalos marinhos foram descobertos, procedentes da Guiné, com destino à China.

Com informações: AFP

19:10 · 30.09.2014 / atualizado às 19:18 · 30.09.2014 por
Foto: Blog Estudo Prático
Espécies de água doce, incluindo peixes, anfíbios e répteis como os crocodilianos, sofreram uma perda de 76%, em um percentual que representa o dobro do sofrido por espécies marinhas e terrestres Foto: Divulgação

Mais da metade dos animais selvagens que existiam na Terra há 40 anos desapareceu, e a maioria destas perdas ocorreu nas áreas tropicais da América Latina, segundo o último relatório “Planeta Vivo” do Fundo Mundial para a Natureza (WWF).

Sob o título “Espécies e Espaços, Pessoas e Lugares”, o relatório – a décima edição deste estudo bienal – recolhe as pesquisas realizadas sobre o destino de 10 mil espécies de vertebrados de 1970 a 2010. As espécies estão classificadas no Índice Planeta Vivo, um registro mantido pela Sociedade Zoológica de Londres. Além disso, o relatório mede o rastro ecológico da humanidade no planeta elaborado pela Global Footprint Network.

A principal conclusão do estudo é que as populações de peixes, aves, mamíferos, anfíbios e répteis decaiu em 52% desde 1970. As espécies de água doce sofreram uma perde de 76%, em um percentual que dobra as sofridas por espécies marinhas e terrestres. A maioria das perdas globais, por sua vez, provém das regiões tropicais da América Latina.

Rastro ecológico

Calcula-se que seria necessária uma Terra e meia para produzir os recursos necessários para equilibrar com o rastro ecológico da humanidade.

O relatório também destaca que o rastro ecológico é cinco vezes maior nos países desenvolvidos que nas nações em desenvolvimento, e lembram que se demonstrou que se podem elevar os níveis de vida da população e restringir ao mesmo tempo a exploração dos recursos naturais.

Os dez países com maior rastro ecológico são, na ordem, Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos, Dinamarca, Bélgica, Trinidad e Tobago, Cingapura, Estados Unidos, Bahrein e Suécia.

Com informações: EFE

21:37 · 27.08.2014 / atualizado às 21:52 · 27.08.2014 por
Foto: Segrest Farms
Espécimes jovens do peixe africano Polypterus senegalus foram criados na terra. A ideia era revelar como esses bichos mais terrestres se pareceriam e se locomoveriam, especialmente sob condições estressantes, que podem acabar levando a mudanças Foto: Segrest Farms

Para entender o que aconteceu há 400 milhões de anos, quando um grupo de peixes tentou, pela primeira vez, sair da água para depois evoluir para os vertebrados terrestres, cientistas observaram peixes similares aos seus primos mais velhos durante um ano.

O detalhe é que espécimes jovens do peixe africano Polypterus senegalus foram criados na terra. A ideia era revelar como esses bichos mais terrestres se pareceriam e se locomoveriam, especialmente sob condições estressantes, que podem acabar levando a mudanças anatômicas e comportamentais. E foi o que aconteceu.

Esse peixe, que é predominantemente aquático mas consegue absorver oxigênio do ar, passou a “andar” de maneira mais eficiente, usando suas barbatanas mais próximas do corpo, e a levantar mais a cabeça. O peitoral do animal também ficou mais alongado e forte, possivelmente para aguentar o peso da caminhada.

Os resultados, obtidos por uma equipe de cientistas da Universidade McGill, no Canadá, foram publicados na revista científica “Nature”. As alterações anatômicas tornaram o animal semelhante aos espécimes de fósseis. Por
isso, os autores afirmam que as mudanças observadas podem refletir o que de fato ocorreu no passado.

O estudo também demonstra como a plasticidade no desenvolvimento pode ter facilitado uma transição evolutiva em larga escala ao dar origem a novos traços anatômicos que mais tarde seriam “fixados” pela seleção natural.

Com informações: Folhapress

21:30 · 11.06.2014 / atualizado às 21:31 · 19.07.2014 por
Foto: Slate's Animal Blog
Medindo apenas 6 cm de comprimento, o Metaspriggina tinha algo em comum com os salmões modernos: a musculatura poderosa Foto: Slate’s Animal Blog

O nome científico da criatura é Metaspriggina, mas você também pode chamá-la de “vovó”, caso não tenha problemas em reconhecer seu parentesco com um peixinho de 505 milhões de anos.

Uma nova análise de fósseis do animal indica que ele é um dos mais primitivos vertebrados, grupo que inclui anfíbios, répteis, aves e, claro, mamíferos como o homem. Embora já fosse conhecido dos paleontólogos, o Metaspriggina tinha sido batizado a partir da análise de restos muito fragmentados, que não permitiam uma visão detalhada.

A coisa acaba de mudar de figura com a descoberta de cerca de cem novos espécimes do bicho, achados em sítios das montanhas Rochosas do Canadá. Um deles é o Burgess Shale, que se tornou conhecido mundialmente porque, em suas rochas, boa parte da fauna marinha de meio bilhão de anos atrás ficou “congelada” nas rochas, em excelente estado de preservação.

E, o que é mais importante, essa preservação inclui os tecidos moles do organismo, fato crucial no caso do Metaspriggina e de outros bichos cujo corpo era “molenga”. Isso vale inclusive para um protovertebrado como ele porque, em vez de ossos como os dos seres humanos, ele tinha cartilagens pelo corpo. No lugar de uma coluna vertebral, o peixe tinha notocorda, estrutura que ainda aparece nos embriões de vertebrados terrestres.

Os novos fósseis do vertebrado primitivo estão descritos na edição desta semana da revista científica britânica “Nature”. Os autores da pesquisa são Simon Conway Morris, da Universidade de Cambridge (Reino Unido), e Jean-Bernard Caron, do Museu Real de Ontário (Canadá).

Características precursoras

Medindo apenas 6 cm de comprimento, o Metaspriggina não seria o mais suculento dos pratos caso fosse para a frigideira, mas tinha algo em comum com os filés de salmão ou tilápia que podem ser encontrados em qualquer supermercado: a musculatura poderosa.

A força muscular devia ser empregada basicamente para fugir, já que os maiores predadores dos mares nessa época eram invertebrados encouraçados com cerca de 1,5 m.

Os fósseis permitem visualizar outros detalhes importantes de sua anatomia: brânquias, fígado e talvez até o coração e seu conteúdo intestinal.

Quanto aos órgãos dos sentidos, é possível detectar estruturas que se tornariam típicas dos vertebrados: olhos do tipo câmera, com um cristalino e narinas.

A criatura também parece ter estruturas cartilaginosas que podem ter dado origem à mandíbula dos vertebrados posteriores.

Com informações: Folhapress

08:41 · 14.10.2013 / atualizado às 13:20 · 14.10.2013 por
Espécie de inseto pode representar todo um novo gênero desconhecido. Gênero é um nível de classificação dos seres vivos, inferior a família, que reúne muito espécies aparentadas entre si, compartilhando ancestrais comuns que viveram geralmente há menos de 2 milhões de anos Foto: Piotr Naskrecki
A espécie de inseto, batizada como Pseudophyllinae teleutini, pode representar todo um novo gênero desconhecido. Gênero é um nível de classificação dos seres vivos, inferior a família, que reúne muito espécies aparentadas entre si, compartilhando ancestrais comuns que viveram geralmente há menos de 2 milhões de anos Foto: Piotr Naskrecki

Um país vizinho do Brasil, mas ainda quase desconhecido dos brasileiros, abriga uma das maiores biodiversidades do mundo, o Suriname. Na última semana veio de lá uma das maiores descobertas de novas espécies da década. Uma expedição de 16 biólogos encontrou cerca de 60 novas espécies, incluindo anfíbios, répteis, peixes e insetos.

O achado foi realizado no sudeste surinamês, em uma das áreas florestais mais remotas daquele País. A maioria absoluta das novas espécies descobertas deve ser endêmica, ou seja, só habitam aquela região do planeta. Há inclusive uma espécie de inseto que deve representar todo um novo gênero, o que é relativamente raro.

A expedição aconteceu ao longo de 2012. Além de insetos, foram encontradas 6 novas espécies de rãs, 11 de peixes e uma de serpente. As descobertas foram feitos no alto da bacia do rio Palumeu, onde, por exemplo, se notificou a existência da rã cocoa, uma espécie de cor marrom que vive nas árvores e cuja forma arredondada de seus dedos facilita sua permanência em cima das árvores.

“Como outros anfíbios, sua pele quase permeável a torna muito sensível a mudanças ambientais, especialmente de água”, disse o diretor do projeto de exploração, Trond Larsen, ao apresentar os resultados. O cientista ressaltou que a descoberta desta nova espécie tem uma particular importância ao se levar em conta que, só nas três últimas décadas, 100 espécies de rãs desapareceram em todo o mundo.

Outro dos achados mais chamativos da expedição foi um pequeno besouro liliputiense de apenas 2,3 milímetros considerado, provavelmente, o segundo menor da América do Sul e que possui uma antena que lhe permite captar odores a longas distâncias. “Os besouros têm um papel fundamental na cadeia ecológica e ajudam a manter os ecossistemas”, explicou o cientista, após lembrar que esses insetos regulam a presença de parasitas e doenças, dispersam sementes e reciclam nutrientes que favorecem o crescimento da vegetação.

O país das florestas

O Suriname é um território que contém 25% de toda a superfície mundial de floresta pluvial e 95% de seu terreno é composto por florestas, segundo dados de Conservação Internacional. O estudo que levou ao achado biológico teve apoio da Fundação para a Conservação do Suriname, a Universidade Anton de Kom do Suriname, os Museus de Zoologia Comparada da Universidade de Harvard e de Ciências Naturais da Carolina do Norte, e o Instituto de Biodiversidade da Universidade do Kansas.

Com informações: Portal Terra

21:57 · 28.12.2012 / atualizado às 14:59 · 29.12.2012 por
Leptobrachium leucops é uma das 126 espécies descobertas no Mekong Imagem: Jodi JL Rowley

O ano de 2012 terminou com uma ótima notícia para biodiversidade do planeta. Bem, pelo menos a notícia ainda é boa.

É que uma equipe de pesquisadores ligados à WWF (sigla inglesa para Fundo Mundial para a Natureza) descobriu 126 novas espécies animais e vegetais no Sudeste Asiático, na região conhecida como Grande Mekong (Camboja, Laos, Mianmar, Tailândia, Vietnã e um pedaço da China).

Entre as novas espécies encontradas estão um morcego vietnamita batizado de Murina beelzebub por causa de “sua aparência maligna”, um peixe cego,  uma víbora de olhos vermelhos e dois sapos curiosos: um que canta como pássaro e outro com olhos bicolores (Leptobrachium leucops, na foto acima)

No entanto, apesar do clima positivo da descoberta, boa parte das novas espécies já sofre ameaça de extinção. “Ainda que essas descobertas (datadas de 2011) reforcem o Mekong como uma região de biodiversidade incrível, muitas dessas novas espécies já estão lutando para conseguir sobreviver em habitats que estão encolhendo”, afirma Nick Cox, diretor da WWF na região.

Desde 1997, mais de 1,7 mil espécies foram identificadas pelos cientistas na região. Segundo Cox, o rio Mekong, que atravessa a área pesquisada, “contém biodiversidade aquática que só perde para o rio Amazonas e a caça ilegal é um dos maiores desafios para a sobrevivência de muitas das espécies no sudeste da Ásia”, conclui.