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Tag: primatas


12:07 · 07.11.2017 / atualizado às 12:07 · 07.11.2017 por
Concepção artística de primatas do gênero Purgatorius, que surgiram há cerca de 65 milhões de anos. A ordem, que inclui os humanos, foi a primeira adotar hábitos diurnos, o que deve ter ocorrido há pelo menos 52 milhões de anos Imagem: Yale News

Os primeiros mamíferos eram criaturas noturnas que só emergiram da escuridão após o desaparecimento dos dinossauros, disseram pesquisadores israelenses.

Isso explicaria por que relativamente poucos mamíferos seguem um estilo de vida “diurno” hoje, e por que a maioria destes ainda tem olhos e ouvidos mais adequados para viver à noite.

“A maioria dos mamíferos hoje são noturnos e possuem adaptações para sobreviver em ambientes escuros”, disse o coautor do estudo Roi Maor, da Universidade de Tel Aviv. “Os macacos e os primatas (incluindo os humanos) são os únicos mamíferos diurnos com olhos evoluídos que são semelhantes aos outros animais diurnos, como pássaros ou répteis. Outros mamíferos diurnos não desenvolveram adaptações tão profundas”, acrescentou.

Maor e uma equipe de pesquisadores fornecem evidências que apoiam a teoria de longa data de que dezenas de milhões de anos fugindo dos dinossauros causaram um “gargalo” noturno na evolução dos mamíferos.

Por terem se escondido na escuridão por tanto tempo – possivelmente para evitar disputar comida e território com os dinossauros ou ser comidos por eles -, os mamíferos de hoje não estão no mesmo patamar dos peixes, répteis e pássaros quando se trata de visão diurna. Os mamíferos, exceto os primatas, não possuem uma parte do olho conhecida como fóvea, que muitos peixes, répteis e aves possuem e que está repleta de células “cone” fotorreceptoras para ver cores na luz forte.

Em vez disso, eles tendem a ter mais células em forma de bastão, que podem absorver luz escassa, mas proporcionam uma resolução relativamente baixa.

Os mamíferos modernos que são ativos principalmente de dia – incluindo alguns tipos de esquilo, musaranhos-arborícolas, alguns antílopes e muitos animais carnívoros – também tendem a ter olfato e audição aguçados, atributos necessários para viver no escuro.

Primatas primeiro 

Maor e uma equipe analisaram os estilos de vida de 2.415 espécies de mamíferos vivos e usaram algoritmos de computador para reconstruir o comportamento provável de seus antepassados, chegando até os primeiros mamíferos.

O primeiro antepassado dos mamíferos surgiu entre 220 milhões e 160 milhões de anos atrás, evoluindo a partir de um ancestral réptil, que provavelmente era noturno, de acordo com o estudo publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution.

Os dinossauros, por outro lado, provavelmente eram habitantes diurnos que procuravam a luz solar para aquecer seus corpos, como os répteis fazem hoje.

Os dados revelaram que os mamíferos permaneceram noturnos durante toda a Era Mesozoica, que terminou cerca de 66 milhões de anos atrás, quando uma calamidade maciça, possivelmente uma queda de asteroides, eliminou os dinossauros e cerca de três quartos da vida na Terra.

Os mamíferos, então principalmente animais pequenos e velozes, sobreviveram e prosperaram.

A maioria permaneceu noturna, enquanto alguns abraçaram o dia e outros – incluindo gatos, elefantes e vacas – são hoje um pouco das duas coisas.

Os ancestrais dos primatas estavam entre os primeiros mamíferos a se tornarem estritamente diurnos, há cerca de 52 milhões de anos, descobriram os pesquisadores.

Isso explica por que nossa família de primatas está melhor adaptada ao modo de vida iluminado pelo sol: tivemos mais tempo para evoluir e nos adaptarmos.

O motivo da mudança da noite para o dia não está claro, disse Maor, mas pode ter incluído um “risco reduzido de predação” para os primeiros mamíferos.

Embora o estudo mostre uma forte correlação entre a morte dos dinossauros e o surgimento de mamíferos diurnos, não pode concluir que houve uma relação de causa e efeito.

Com informações: AFP

19:58 · 04.10.2017 / atualizado às 19:58 · 04.10.2017 por
Após administração de três anticorpos, pesquisadores não encontraram um nível quantificável do vírus no sangue dos animais tratados Foto: New Scientist

Um coquetel de três anticorpos mostrou que é capaz de prevenir em primatas a infecção causada pelo zika vírus, e essa pesquisa pode passar a uma etapa seguinte de ensaios com humanos, anunciaram cientistas nesta quarta-feira (4).

“É uma intervenção promissora para prevenir e tratar uma infecção pelo zika vírus durante a gravidez”, comentou David Watkins, professor da faculdade de medicina Miller da Universidade de Miami. “Gostaríamos de desenvolver esta associação de anticorpos e submetê-los a ensaios clínicos o quanto antes”, acrescentou.

O zika vírus, transmitido principalmente por mosquitos, se propagou pela América Latina, o Caribe e o sul dos Estados Unidos em 2015 e 2016, provocando uma emergência mundial devido a sua associação com malformações em fetos, particularmente a microcefalia.

A ameaça acabou, sobretudo porque as pessoas não podem ser infectadas mais de uma vez, mas os pesquisadores continuaram realizando estudos para encontrar a primeira vacina contra o zika.

Experimento

Os cientistas identificaram três poderosos anticorpos – SMZAb1, SMZAb2 e SMZAb5 – no organismo de um paciente sul-americano.

“Administramos um coquetel desses três anticorpos aos primatas não humanos um dia antes do seu contato com o zika vírus que tinha sido recuperado de uma mulher grávida durante a epidemia de 2016 no Rio de Janeiro”, disse Watkins.

Os pesquisadores não encontraram um nível quantificável do vírus no sangue dos quatro animais tratados e não detectaram reação no sistema imunológico, o que indica que o vírus tinha sido completamente bloqueado, segundo o estudo, publicado na revista Science Translational Medicine.

Quatro macacos que não receberam esses anticorpos antes de ser expostos ao zika ficaram doentes durante uma semana. “Dado que esses anticorpos têm perfis excepcionais na segurança dos humanos e na placenta, esta combinação poderia ser desenvolvida rapidamente para proteger as mulheres grávidas não infectadas e seus fetos”, indicou Watkins.

Com informações: AFP

22:04 · 27.03.2017 / atualizado às 22:06 · 27.03.2017 por
De acordo com a pesquisa, os animais que se alimentam de frutas, como os chimpanzés e os humanos, por exemplo, têm cérebros cerca de 25% maiores do que aqueles que ingerem folhas Foto: Scientific American

Os humanos provavelmente desenvolveram cérebros grandes e poderosos com a ajuda das frutas, afirmaram pesquisadores nesta segunda-feira (27).

Comer frutas foi um passo-chave a partir dos alimentos mais básicos, como folhas, e forneceu a energia necessária para desenvolver cérebros mais volumosos, segundo os cientistas. “Foi assim que conseguimos esses cérebros enormes”, disse o autor correspondente do estudo Alex Decasien, pesquisador da Universidade de Nova York.

O estudo publicado na revista científica Nature Ecology & Evolution observou os alimentos básicos de mais de 140 espécies de primatas, e concluiu que suas dietas não mudaram muito ao longo da evolução recente.

Vantagem

De acordo com a pesquisa, os animais que se alimentam de frutas têm cérebros cerca de 25% maiores do que aqueles que ingerem principalmente folhas.

Os resultados questionam a teoria que prevaleceu desde meados dos anos 1990, segundo a qual os cérebros maiores se desenvolveram a partir da necessidade de sobreviver e se reproduzir em grupos sociais complexos.

Decasien disse que os desafios de viver em grupo podem ter contribuído para o desenvolvimento da inteligência, mas não encontrou nenhuma ligação entre a complexidade da vida social dos primatas e o tamanho dos seus cérebros.

Comer frutas, por outro lado, estava fortemente correlacionado com o tamanho dos cérebros. Alimentos como frutas contêm mais energia do que fontes básicas como folhas, criando assim o combustível adicional necessário para evoluir para um cérebro maior. Ao mesmo tempo, lembrar quais plantas produzem frutas, onde elas estão e como abri-las também poderia ajudar um primata a desenvolver um cérebro maior.

“Eu me sinto confiante de que o estudo deles vai reorientar e revigorar a pesquisa que procura explicar a complexidade cognitiva em primatas e outros mamíferos”, escreveu Chris Venditti, pesquisador da Universidade de Reading, no Reino Unido, em um comentário sobre o estudo, também publicado na Nature Ecology and Evolution”. “Mas muitas perguntas permanecem”, acrescentou.

20:09 · 09.12.2016 / atualizado às 20:11 · 09.12.2016 por
Foto: Snow Brain
Alteração genética deve ter acontecido antes de 500 mil anos atrás, porque não é exclusiva do DNA do Homo sapiens Foto: Snow Brain

Uma mutação aparentemente insignificante no DNA dos ancestrais da humanidade pode ter contribuído para que nosso cérebro alcançasse o tamanho descomunal que tem hoje (três vezes maior que o dos grandes macacos).

Bastou inserir o gene que contém essa mutação em fetos de camundongo para que dobrasse o número de células que dão origem aos neurônios do córtex, a área cerebral mais “nobre”. A pesquisa, conduzida por cientistas do Instituto Max Planck (Alemanha), é um dos primeiros frutos da tentativa de usar o genoma para entender como a evolução humana se desenrolou.

Por enquanto, isso não tem sido fácil –tanto que o gene estudado pelos pesquisadores no novo estudo, designado pela indigesta sigla ARHGAP11B, é o único específico da linhagem humana a ser associado com a proliferação das tais células do córtex cerebral. “Ainda não sabemos qual o mecanismo que leva a essa proliferação aumentada”, disse à Folha o coordenador do estudo, Wieland Huttner.

O certo é que parece haver um efeito direto da presença do gene sobre as chamadas BPs (progenitoras basais, na sigla inglesa). As BPs possuem uma vantagem importante quando a questão é produzir mais e mais neurônios: elas ficam numa região do cérebro em desenvolvimento em que há bastante espaço. Com isso, conseguem se multiplicar mais, conduzindo, portanto, a um aumento mais vigoroso do órgão.

Origem da mudança

Desde quando esse fenômeno acontece no cérebro dos membros da linhagem humana? “A mutação deve ter acontecido antes de 500 mil anos atrás”, diz Huttner -isso porque ela não é exclusiva do DNA dos seres humanos modernos.

Os colegas do pesquisador no Max Planck estão entre os responsáveis por resgatar o genoma de dois parentes extintos da nossa espécie, os neandertais e os denisovanos. Ao desvendar o DNA completo de ambas as espécies, os cientistas identificaram o gene ARHGAP11B -mas nada de encontrá-lo em outros primatas ou mamíferos. Segundo o pesquisador alemão, uma possibilidade é que essa mutação tenha acontecido no DNA do Homo erectus, primeiro ancestral do homem a ter passado por um grande aumento de sua capacidade cerebral. O estudo saiu na revista especializada “Science Advances”.

Com informações: Reinaldo José Lopes/Folhapress

23:25 · 29.09.2016 / atualizado às 23:25 · 29.09.2016 por
Foto: The New York Times
A organização e a defesa de territórios são importantes motivos de conflitos. A combinação desses fatores leva, por exemplo, a uma forma embrionária de guerra entre chimpanzés, nossos “primos” Foto: The New York Times

Guerra, assassinato e outras formas de agressão letal são parte importante do legado evolutivo da espécie humana, numa proporção muito maior do que ocorre com outros animais planeta afora.

A conclusão, aparentemente desanimadora, vem de um monumental estudo comparativo conduzido por pesquisadores espanhóis, mas há também uma boa notícia: a taxa de mortes violentas pode variar muito de acordo com a época e a cultura, e os tempos atuais são os mais pacíficos de todos.

Publicado na “Nature”, o levantamento coordenado por José María Gómez, da Universidade de Granada, apresenta uma visão das “raízes filogenéticas da violência letal humana”, conforme diz o título do trabalho. Trocando em miúdos, os pesquisadores tentaram investigar até que ponto a filogenia do Homo sapiens -ou seja, o parentesco do homem com outros seres vivos- influenciou o padrão de interações violentas entre membros da nossa espécie que resultam em mortes.

Ou seja, estamos falando apenas da chamada violência letal intraespecífica: não contam, por exemplo, os casos de morte por predação nos quais um animal de determinada espécie mata um membro de outra para comê-lo, que caracteriza a chamada violência interespecífica.

Milhões de mortes

O primeiro passo foi criar um banco de dados gigantesco: informações sobre mais de 4 milhões de mortes em 1.024 diferentes espécies de mamíferos como o ser humano.

O primeiro resultado importante é que, embora mortes violentas tenham sido registradas em 40% dessas espécies, a taxa costuma ser relativamente baixa, numa média 3 para cada 1.000 mortes (0,3%). Baleias e morcegos são especialmente pacíficos, ao menos nesse sentido. O problema é que a taxa vai aumentando progressivamente conforme o parentesco fica mais próximo dos primatas, o subgrupo que inclui os macacos e a humanidade. Entre essas criaturas, a média da violência letal fica em torno de 2% -seis vezes superior à dos mamíferos como um todo.

De fato, embora existam exceções, espécies de parentesco mais próximo tendem a ter comportamento violento mais parecido, o que, segundo os cientistas, corrobora a ideia de que há um componente evolutivo influenciando esse fator. Dois elementos acabam colaborando para o aumento da violência letal em certos grupos de mamíferos ao longo de sua trajetória evolutiva: a vida em grandes grupos e a territorialidade (ou seja, o hábito de tomar posse de um território específico).

A organização em bandos, por um lado, facilita a agressão grupal contra inimigos, que é quase sempre mais mortífera do que brigas na base do mano a mano, enquanto a defesa de territórios é um importante motivo de conflitos. A combinação desses fatores leva a uma forma embrionária de guerra entre chimpanzés, nossos “primos”.

Guerra e paz

O passo seguinte foi examinar os dados sobre a espécie humana moderna, presentes em cerca de 600 estudos que vão do Paleolítico (a popular Idade da Pedra Lascada) aos dias de hoje.

Tais dados muitas vezes não têm a mesma qualidade: nos últimos séculos, basta compilar certidões de óbito mundo afora, enquanto no caso da Pré-história é preciso procurar marcas de violência em esqueletos antigos (e nem sempre um assassinato vai deixar vestígios no esqueleto do defunto).

Feitas essas ressalvas, os dados sugerem que durante dezenas de milhares de anos as mortes violentas ficaram estáveis, na casa dos 2% ou pouco acima dela -ou seja, nossa espécie estava se comportando mais ou menos da maneira esperada, como qualquer outro grande primata. A coisa, porém, encrespou para valer a partir da Idade do Ferro (pouco mais de 3.000 anos atrás), possivelmente por conta do surgimento de Estados e impérios que desenvolveram classes de guerreiros e conquistadores, cujo papel de elite dependia justamente da habilidade de cortar a cabeça alheia.

Nos últimos 500 anos, porém, fortaleceu-se uma tendência lenta, segura e gradual de queda da proporção de mortes violentas, em parte porque os Estados modernos passaram a controlar cada vez mais os conflitos entre cidadãos, em parte porque os conflitos entre Estados foram se tornando mais raros.

A taxa atual está abaixo da média dos mamíferos, aliás -apesar de conflitos étnicos e religiosos e do terrorismo. Em média, a paz está vencendo, ao menos por enquanto.

Com informações: Reinaldo José Lopes/Folhapress

20:14 · 12.09.2016 / atualizado às 20:14 · 12.09.2016 por
Foto: Tom Stephenson/DiscoverLife
Os cientistas infectaram uma macaca da espécie Macaca nemestrina com o vírus da zika no segundo trimestre de gravidez. Embora o animal não tenha apresentado sintomas da doença, o feto desenvolveu anomalias cerebrais Foto: Tom Stephenson/DiscoverLife

Cientistas detectaram pela primeira vez lesões e má-formação cerebral produzidas pelo vírus da zika no feto de uma macaca grávida. O estudo, publicado nesta segunda-feira, 12, na revista Nature Medicine, foi liderado por cientistas da Universidade de Washington (UW), em Seattle (Estados Unidos).

Segundo os autores, outros pesquisadores já haviam desenvolvido modelos de estudos da infecção por zika em macacos, mas até agora as anomalias cerebrais, como a microcefalia, observadas em fetos de mulheres infectadas pela zika, ainda não haviam sido registradas em primatas não-humanos.

“Nossos resultados descartam qualquer dúvida que pudesse restar sobre o fato do vírus da zika ser incrivelmente perigoso para os fetos em desenvolvimento, fornecendo detalhes minuciosos sobre como os danos cerebrais se desenvolvem”, afirmou a autora principal da pesquisa, Kristina Adams Waldorf, médica e pesquisadora da UW.

Os cientistas infectaram uma macaca da espécie Macaca nemestrina com o vírus da zika no segundo trimestre de gravidez. Embora o animal não tenha apresentado sintomas da doença – como acontece com a maioria dos pacientes humanos -, o feto desenvolveu anomalias cerebrais e, nos primeiros 10 dias após a infecção, apresentou evidências de retardamento do desenvolvimento cerebral.

Embora os resultados do estudo estejam limitados a um só animal, os autores afirmam que o Macaca nemestrina poderá ser um modelo útil para estudar a progressão da infecção por zika em humanos e para testar candidatas a vacinas ou terapias.

“Esse estudo nos deixa mais próximos de determinar se uma vacina ou terapia para a zika serão capazes de impedir os danos cerebrais no feto, mas também se elas serão seguras para serem administradas durante a gravidez”, declarou Kristina.

De acordo com outro dos autores, Michael Gale, professor de imunologia da UW, o estudo seguiu o chamado Postulado de Koch, que estabelece critérios para determinar se um microrganismo é ou não o agente causador de uma doença ou síndrome.

“Essa é a única evidência direta mostrando que o vírus da zika pode cruzar a placenta na fase tardia da gravidez e afetar o cérebro do feto desativando alguns aspectos do desenvolvimento cerebral”, afirmou Gale. Outra das autoras, Lakshmi Rajagopal, professora de Pediatria da UW, afirma ter ficado “chocada” quando viu a primeira imagem de ressonância magnética do cérebro do feto 10 dias após a inoculação do vírus. “Não havíamos previsto que uma área tão grande do cérebro do feto sofreria danos tão rapidamente”, afirmou.

Segundo Lakshmi, os resultados da pesquisa sugerem que uma terapia para impedir danos no cérebro dos fetos deveria ser uma vacina, ou um medicamento profilático aplicado no momento da picada do mosquito, para neutralizar o vírus. “No momento em que uma mulher grávida desenvolve os sintomas, o cérebro do feto já pode ter sido afetado e sofrido danos graves.”

Placenta

O novo estudo revela de forma conclusiva que o vírus zika realmente cruza a placenta da mãe e penetra no cérebro do feto. De acordo com ele, o nível de infecção viral detectado no cérebro do feto foi mais alto que o do organismo da mãe.

Saber quanto tempo o vírus permanece no sistema durante a gravidez e o desenvolvimento do feto era uma questão fundamental segundo Gale. O cientista explicou que a presença do vírus da zika, de certa forma, perturba o equilíbrio normal do desenvolvimento do cérebro, levando-o a construir estruturas de apoio em demasia, fazendo-o, ao mesmo tempo, produzir uma quantidade insuficiente de estruturas de células nervosas.

Isso altera o formato, o tamanho e a função do cérebro, segundo Gale. O vírus da zika utilizado no estudo é de uma linhagem isolada em 2010 no Camboja e que, segundo os autores, é geneticamente praticamente idêntica à linhagem encontrada atualmente no Brasil.

Com informações: Estadão Conteúdo

23:43 · 11.03.2015 / atualizado às 23:44 · 11.03.2015 por
Foto:
Callicebus é um dos gêneros de primatas neotropicais mais diversos em número de espécies, com 31 reconhecidas atualmente Foto: Júlio César Dalponte

Conhecido como zogue-zogue, o primata da espécie Callicebus miltoni é a mais nova descoberta feita na região da Amazônia brasileira e publicada na revista científica “Papéis Avulsos de Zoologia”, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP).

O animal, que possui uma faixa grisalha na testa, costeletas e garganta em cor ocre e uma cauda avermelhada, foi encontrado nas áreas elevadas entre os rios Roosevelt e Aripuanã, nos Estados do Mato Grosso e Amazonas. Callicebus é um dos gêneros de primatas neotropicais mais diversos em número de espécies, com 31 reconhecidas atualmente.

Segundo o pesquisador do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauã Felipe Ennes, que participou do estudo do primata, “esse é um animal recém-descoberto que já podemos considerar em situação de vulnerabilidade. Ele ocorre em uma área de ávido desmatamento com o avanço da agropecuária na região do Mato Grosso e Rondônia”.

A descoberta também contou com o trabalho de Júlio César Dalponte, do Instituto para a Conservação dos Carnívoros Neotropicais (Pró-Carnívoros), e de José de Souza e Silva Júnior, coordenador de Zoologia do Museu Paraense Emílio Goeldi.

Com informações: UOL Ciência

23:03 · 12.09.2014 / atualizado às 23:13 · 12.09.2014 por
Foto: Adelaide Zoo
Sequência de DNA do gibão-de-bochechas-brancas-do-norte (Nomascus leucogenys) e de outras seis espécies de gibão ajudam a explicar como esses parentes do homem se adaptaram à vida nas árvores melhor que outros membros da superfamília Hominoidea Foto: Adelaide Zoo

Asia, uma fêmea de gibão de bochechas brancas que mora em um zoológico da Virgínia (Estados Unidos), é a primeira desses primatas de braços longos a ter seu genoma decodificado.

A sequência de seu DNA, e as de sete outros gibões – um total de seis espécies diferentes – ajuda a explicar como esses primatas se adaptaram à vida nas árvores. Elas também podem explicar por que gibões são tão diversos se comparados aos grandes primatas – humanos, chimpanzés, gorilas e orangotangos.

Gibões são reconhecidos por sua destreza em densas coberturas de árvores, atravessando até 15 metros em um único balanço a velocidades de mais de 55 quilômetros por hora. O grupo abarca quatro gêneros e 19 espécies, todas vivendo nas florestas da Ásia tropical, do gibão-prateado (Hylobates moloch) na Indonésia, ao gibão-hoolock-ocidental (Hoolock hoolock) na Índia e têm em média 96% de genes idênticos aos dos seres humanos.

Geneticistas são fascinados pelos gibões porque eles foram os primeiros primatas a se separar do ancestral comum que compartilham tanto com humanos quanto com macacos, há pouco mais de 16 milhões de anos. E gibões têm cromossomos peculiares. Quando comparados a outros primatas, seus genomas têm muito mais rearranjos cromossômicos, como duplicações, deleções ou inversões de grandes trechos de DNA, que podem afetar o funcionamento dos genes.

“Rearranjos cromossômicos são como terremotos: um evento que modifica completamente a paisagem, e você pode ver essa modificação após uma geração”, compara Lucia Carbone, geneticista evolutiva da Oregon Health and Science University em Portland, que conduziu o trabalho com o genoma dos gibões. “Encontramos muitos terremotos no genoma desses animais”, disse a pesquisadora.

Gene saltador

Os autores atribuem a explosão na diversidade do gibão a um tipo de gene saltador – um trecho de DNA que pode mudar sua posição no genoma.

Os pesquisadores sugerem que esse trecho de DNA tenha aterrissado perto de genes envolvidos na replicação cromossômica, tornando o genoma mais propício a rearranjos. Rearranjos cromossômicos podem evitar o acasalamento de dois indivíduos, e assim acelerar a especiação.

A equipe também descobriu que quatro gêneros diferentes de gibões parecem ter evoluído simultaneamente entre quatro e cinco milhões de anos atrás, quando níveis oscilantes dos oceanos começaram a dividir as florestas do Sudeste Asiático, criando barreiras geográficas que teriam restringido o contato entre grupos.

Com informações: Revista Nature / Scientific American Brasil

17:36 · 30.04.2014 / atualizado às 17:38 · 30.04.2014 por
Foto: Veronica Muskheli
Enxerto de músculo cardíaco humano (contrastado em verde na imagem) regenerou tecido do coração de um macaco Foto: Veronica Muskheli

Cientistas transplantaram com sucesso em macacos células do músculos do coração desenvolvidas a partir de embriões humanos. O resultado do estudo conduzido na Universidade de Washington, publicado na revista Nature desta semana, é um importante passo para o desenvolvimento de tratamentos para falência cardíaca.

Pesquisas anteriores com roedores já haviam apontado o potencial terapêutico de células do músculo cardíaco (cardiomiócitos) derivadas de células-tronco humanas na regeneração de partes doentes do coração. Ainda não se sabia, no entanto, se a técnica traria resultados semelhantes nos corações maiores dos primatas, ou se seria viável produzir cardiomiócitos em escala suficiente para o tratamento animais maiores. O estudo da Universidade de Washington prova que sim.

O pesquisador Charles Murry e sua equipe produziram 1 bilhão de cardiomiócitos a partir de células-tronco e os implantaram no coração de macacos que sofriam de falência cardíaca. Eles observaram significativa regeneração do tecido cardíaco danificado e perfeita compatibilidade eletromecânica dos cardiomiócitos enxertados com o coração dos primatas.

No entanto, em contraste com os estudos envolvendo roedores, os macacos tiveram episódios de arritmia, que precisa de acompanhamento e pode ser fatal. Os autores do estudo também recomendaram a condução de estudos mais amplos, que examinem os efeitos da técnica em casos de infarto (áreas onde houve a morte do tecido cardíaco).

Com informações: UOL Ciência

17:23 · 16.04.2014 / atualizado às 17:38 · 16.04.2014 por
Foto: Rod Willians / NPL
Grupo de 12 saguis (soins) era observado há três anos e meio e foi a primeira vez que cientistas puderam constatar nessa espécie, um comportamento similar ao de seres humanos cuidando de uma vítima terminal Foto: Rod Willians / NPL

Uma equipe de biólogos, entre eles dois brasileiros, da Universidade Federal Rural de Pernambuco, filmou o momento em que um sagui (também conhecido como soim) macho abraça e cuida de sua parceira à beira da morte.

O episódio, considerado pelos especialistas inédito para a espécie e para todo o grupo dos chamados “macacos do Novo Mundo”, ocorreu depois que a fêmea caiu acidentalmente de uma árvore em uma zona da Mata Atlântica, em Pernambuco.

Enquanto ela agonizava, o macho a confortava, enxotando jovens saguis curiosos para saber o que estava acontecendo no local. Pesquisadores se surpreenderam com a demonstração de afeto. Até hoje, cenas semelhantes em primatas só haviam sido gravadas em chimpanzés e em humanos.

Os saguis eram um casal dominante no grupo e já estavam juntos há três anos e meio. Meses após a morte da parceira, o macho abandonou o grupo e nunca mais retornou. A equipe de pesquisadores acompanhou 12 primatas e suas interações. O grupo era formado por quatro machos adultos, três fêmeas adultas, três jovens e dois bebês.

Enquanto observavam os saguis, os biólogos viram a fêmea dominante do grupo, que apelidaram de F1B, cair de uma árvore e batendo sua cabeça em um objeto no solo. Ferida gravemente, a fêmea permaneceu deitada no chão agonizando por duas horas e meia antes de morrer.

“O comportamento mais marcante durante esse tempo partiu do macho dominante M1B”, afirmou o estudo. Depois de 45 minutos, o macho percebeu a fêmea estirada no solo. “Ele foi imediatamente ao encontro dela”, disse Bezerra.

Nesse momento, conta a pesquisadora, o macho deixou para trás os dois bebês do casal em cima da árvore para descer até o chão e abraçar sua parceira. Ele permaneceu ao lado dela por 1h48, acrescentou.

Durante o tempo em que a fêmea agonizava em seu leito de morte, ele a abraçou e a farejou. O macho também se manteve alerta, enxotando membros mais jovens do grupo que se aproximavam do corpo.

Com informações: BBC Nature