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Tag: répteis


17:55 · 12.12.2017 / atualizado às 17:55 · 12.12.2017 por
cientistas descobriram, em Myanmar, vários carrapatos aprisionados em diversos pedaços de âmbar (uma espécie de resina fóssil), associados a restos dos grandes répteis Foto: NPR

A partir da descoberta de um fóssil de carrapato preservado em âmbar, um grupo internacional de cientistas mostrou pela primeira vez que esses parasitas já se alimentavam do sangue de dinossauros há quase 100 milhões de anos.

O estudo, publicado nesta terça-feira (12), na revista Nature Communications, também revela uma nova espécie extinta de carrapato, batizada de Deinocroton draculi, em alusão ao vampiro Drácula. Os cientistas descobriram, em Mianmar, vários carrapatos aprisionados em diversos pedaços de âmbar – uma espécie de resina fóssil – datados em 99 milhões de anos.

Um deles estava agarrado a uma pena de dinossauro. Segundo os autores do estudo, raramente são encontrados parasitas associados aos fósseis de seus hospedeiros e a descoberta é a primeira evidência direta da relação entre carrapatos e dinossauros.

Sem ‘Jurassic Park’

Embora o contexto da pesquisa lembre bastante o filme Jurassic Park, os cientistas afirmam que é praticamente impossível reconstruir dinossauros a partir de eventuais restos de DNA desses animais no fóssil de um carrapato do período Cretáceo (145 milhões a 66 milhões de anos atrás).

Na obra ficcional, dirigida por Steven Spielberg em 1993, os cientistas extraem o DNA de dinossauros de fósseis de mosquitos preservados em âmbar e, a partir daí, conseguem clonar os lagartos gigantes e trazê-los de volta à Terra. Os pesquisadores porém, explicam que embora seja comum encontrar fósseis em âmbar, é praticamente inviável extrair dessas amostras DNA em condições de ser utilizado – e o processo de clonagem seria ainda mais difícil. Todas as tentativas feitas até hoje de extrair DNA de espécimes em âmbar foram um fracasso, por causa da curta vida útil dessa molécula.

“Os carrapatos são infames organismos parasitários sugadores de sangue, que têm um impacto tremendo na saúde de humanos, de gado de bichos de estimação e de animais selvagens. Mas até agora estava faltando uma clara evidência do papel desses parasitas no passado remoto”, disse o autor principal do estudo, Enrique Peñalver, do Instituto de Pesquisa de Geologia e Mineração da Espanha.

Penas de dinossauros

Segundo Peñalver, o âmbar do Cretáceo fornece aos cientistas uma janela para o mundo dos dinossauros emplumados. Parte desse grupo de dinossauros mais tarde evoluiria para dar origem às aves modernas. A pena de dinossauro encontrado no âmbar com o carrapato, segundo os cientistas, tem estrutura semelhante à das penas dos pássaros.

Com informações: Estadão Conteúdo

22:38 · 25.04.2016 / atualizado às 22:53 · 25.04.2016 por
Imagem: Obvious
Segundo pesquisa britânica, diversidade de espécies de dinossauros já vinha sendo reduzida 40 milhões de anos antes do impacto de um asteroide, de cerca de 10 km de diâmetro contra a Terra Imagem: Obvious

Existe razoável consenso entre os cientistas de que foi o impacto de um asteroide que levou à extinção dos dinossauros há quase 66 milhões de anos atrás.

Há menos consenso sobre a possibilidade destes grandes animais já estarem em declínio quando o corpo celeste chegou para terminar o serviço. Pesquisadores do Reino Unido mostraram que os dinossauros de fato já estavam em declínio cerca de 40 milhões de anos antes do letal impacto na cratera Chicxulub, no México.

O estudo publicado na revista científica “PNAS” seria o primeiro a modelar a dinâmica evolucionária entre dinossauros – isto é, a relação entre a extinção de espécies e o processo de produção de outras novas, a “especiação”. O ritmo de extinção superou o de especiação 40 milhões de anos antes do impacto do meteoro.

Existe, ainda a dificuldade ligada aos diferentes ritmos de evolução entre os três principais grupos de dinos – os clados Ornithischia, Sauropodomorpha e Theropoda. Há uma grande diversidade entre esses animais. Por exemplo, os bípedes carnívoros terópodas, ou os mega-herbívoros e quadrúpedes saurópodas.

Os autores admitem que não é possível identificar uma causa para o declínio dos animais. Pode ser uma combinação delas. A separação dos continentes limitaria a movimentação e consequentemente a possibilidade de especiação.

Entre outros eventos deletérios, estão episódios frequentes de vulcanismo, mudança climática, flutuação do nível dos oceanos ou a interação ecológica com outros animais, como mamíferos primitivos.

Sobrevivência das aves

Águias, gaviões, flamingos, sabiás, andorinhas, periquitos; a enorme variedade de espécies de aves hoje existentes tornou-se possível porque os ancestrais delas conseguiram sobreviver comendo sementes depois de um evento catastrófico de extinção, 66 milhões de anos atrás, indica um estudo publicado na revista “Current Biology”.

Aves são os únicos dinossauros que sobreviveram ao letal meteoro que criou a cratera de Chicxulub na península de Iucatã, México. Apesar do nome “dinossauro” ter sido criado a partir do grego, significando algo como “lagarto terrível”, ou melhor, “assustadoramente grande lagarto”, os dinos não eram lagartos. Eles eram bem diversificados, e incluíam um grupo de animais emplumados, os ancestrais das aves modernas.

Segundo os autores do estudo liderado pelo paleontólogo canadense Derek Larson, logo depois do impacto do meteoro
que marca o fim do período geológico Cretáceo, as cadeias alimentares terrestres que contavam com a fotossíntese das plantas teriam entrado em colapso. Sem plantas, não sobrevivem os herbívoros que as comem; sem herbívoros, não há comida para os carnívoros. Os dinossauros aviários incluíam carnívoros com dentes nos bicos, que terminaram extintos também por conta da massiva mudança ecológica. Já seus colegas sem dentes foram capazes de sobreviver comendo sementes.

O estudo de Larson incluiu a análise de 3.104 dentes de dinossauros do clado chamada Maniraptora, que inclui tanto as aves como outros dinos não aviários. Os dentes pertencem a animais que viveram nos últimos 18 milhões de anos do Cretáceo.

Os cientistas concluíram que a extinção dos Maniraptora com dentes e a sobrevivência dos outros dinossauros aviários (ancestrais mais diretos das aves modernas) foi obra da capacidade destes de utilizar melhor a única comida abundante disponível, sementes.

Obstáculos contra a extinção

Sobreviver ao impacto do meteoro não foi fácil. Houve um grande pulso inicial de calor, literalmente cozinhando muitos animais e plantas, além de incêndios posteriores; chuva ácida, escuridão e inverno causado pelo bloqueio da luz solar ajudaram a extinguir ainda mais espécies.

Mas os pássaros comedores de sementes resistiram. Hoje se sabe que sementes em florestas temperadas modernas podem permanecer viáveis por mais de 50 anos. E em casos de incêndios em habitats, os pássaros “granívoros” – comedores de sementes – estão entre os primeiros a reocupar o local.

Os mais de três mil dentes foram analisados em busca de padrões de diversidade. Se a variação ao longo do tempo diminuísse seria um sinal de que a perda de diversidade indicaria que o ecossistema estava em declínio. Mas se os dentes permanecessem diferentes durante o período seria a indicação de que o ecossistema esteve estável durante milhões de anos.

Ou seja, os dinossauros aviários com dentes estavam vivendo bem até receberem o abrupto golpe do meteoro. Os pesquisadores também estudaram pássaros atuais para ajudar e entender seu passado comum. E concluíram que o ancestral comum de todos – mesmo aqueles cuja dieta é de carne, insetos ou plantas – era um discreto comedor de sementes com um bico desdentado.

Fonte: Ricardo Bonalume Neto/Folhapress

19:10 · 30.09.2014 / atualizado às 19:18 · 30.09.2014 por
Foto: Blog Estudo Prático
Espécies de água doce, incluindo peixes, anfíbios e répteis como os crocodilianos, sofreram uma perda de 76%, em um percentual que representa o dobro do sofrido por espécies marinhas e terrestres Foto: Divulgação

Mais da metade dos animais selvagens que existiam na Terra há 40 anos desapareceu, e a maioria destas perdas ocorreu nas áreas tropicais da América Latina, segundo o último relatório “Planeta Vivo” do Fundo Mundial para a Natureza (WWF).

Sob o título “Espécies e Espaços, Pessoas e Lugares”, o relatório – a décima edição deste estudo bienal – recolhe as pesquisas realizadas sobre o destino de 10 mil espécies de vertebrados de 1970 a 2010. As espécies estão classificadas no Índice Planeta Vivo, um registro mantido pela Sociedade Zoológica de Londres. Além disso, o relatório mede o rastro ecológico da humanidade no planeta elaborado pela Global Footprint Network.

A principal conclusão do estudo é que as populações de peixes, aves, mamíferos, anfíbios e répteis decaiu em 52% desde 1970. As espécies de água doce sofreram uma perde de 76%, em um percentual que dobra as sofridas por espécies marinhas e terrestres. A maioria das perdas globais, por sua vez, provém das regiões tropicais da América Latina.

Rastro ecológico

Calcula-se que seria necessária uma Terra e meia para produzir os recursos necessários para equilibrar com o rastro ecológico da humanidade.

O relatório também destaca que o rastro ecológico é cinco vezes maior nos países desenvolvidos que nas nações em desenvolvimento, e lembram que se demonstrou que se podem elevar os níveis de vida da população e restringir ao mesmo tempo a exploração dos recursos naturais.

Os dez países com maior rastro ecológico são, na ordem, Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos, Dinamarca, Bélgica, Trinidad e Tobago, Cingapura, Estados Unidos, Bahrein e Suécia.

Com informações: EFE

08:41 · 14.10.2013 / atualizado às 13:20 · 14.10.2013 por
Espécie de inseto pode representar todo um novo gênero desconhecido. Gênero é um nível de classificação dos seres vivos, inferior a família, que reúne muito espécies aparentadas entre si, compartilhando ancestrais comuns que viveram geralmente há menos de 2 milhões de anos Foto: Piotr Naskrecki
A espécie de inseto, batizada como Pseudophyllinae teleutini, pode representar todo um novo gênero desconhecido. Gênero é um nível de classificação dos seres vivos, inferior a família, que reúne muito espécies aparentadas entre si, compartilhando ancestrais comuns que viveram geralmente há menos de 2 milhões de anos Foto: Piotr Naskrecki

Um país vizinho do Brasil, mas ainda quase desconhecido dos brasileiros, abriga uma das maiores biodiversidades do mundo, o Suriname. Na última semana veio de lá uma das maiores descobertas de novas espécies da década. Uma expedição de 16 biólogos encontrou cerca de 60 novas espécies, incluindo anfíbios, répteis, peixes e insetos.

O achado foi realizado no sudeste surinamês, em uma das áreas florestais mais remotas daquele País. A maioria absoluta das novas espécies descobertas deve ser endêmica, ou seja, só habitam aquela região do planeta. Há inclusive uma espécie de inseto que deve representar todo um novo gênero, o que é relativamente raro.

A expedição aconteceu ao longo de 2012. Além de insetos, foram encontradas 6 novas espécies de rãs, 11 de peixes e uma de serpente. As descobertas foram feitos no alto da bacia do rio Palumeu, onde, por exemplo, se notificou a existência da rã cocoa, uma espécie de cor marrom que vive nas árvores e cuja forma arredondada de seus dedos facilita sua permanência em cima das árvores.

“Como outros anfíbios, sua pele quase permeável a torna muito sensível a mudanças ambientais, especialmente de água”, disse o diretor do projeto de exploração, Trond Larsen, ao apresentar os resultados. O cientista ressaltou que a descoberta desta nova espécie tem uma particular importância ao se levar em conta que, só nas três últimas décadas, 100 espécies de rãs desapareceram em todo o mundo.

Outro dos achados mais chamativos da expedição foi um pequeno besouro liliputiense de apenas 2,3 milímetros considerado, provavelmente, o segundo menor da América do Sul e que possui uma antena que lhe permite captar odores a longas distâncias. “Os besouros têm um papel fundamental na cadeia ecológica e ajudam a manter os ecossistemas”, explicou o cientista, após lembrar que esses insetos regulam a presença de parasitas e doenças, dispersam sementes e reciclam nutrientes que favorecem o crescimento da vegetação.

O país das florestas

O Suriname é um território que contém 25% de toda a superfície mundial de floresta pluvial e 95% de seu terreno é composto por florestas, segundo dados de Conservação Internacional. O estudo que levou ao achado biológico teve apoio da Fundação para a Conservação do Suriname, a Universidade Anton de Kom do Suriname, os Museus de Zoologia Comparada da Universidade de Harvard e de Ciências Naturais da Carolina do Norte, e o Instituto de Biodiversidade da Universidade do Kansas.

Com informações: Portal Terra

21:10 · 21.02.2013 / atualizado às 22:12 · 21.02.2013 por
Asteroide que caiu na Austrália, há 360 milhões de anos, tinha dimensões similares ao do 433 Eros, que tem como ponto de maior aproximação com a Terra a distância de 26,4 milhões de km Imagem: Nasa
Asteroide que caiu na Austrália, há 360 milhões de anos, tinha dimensões similares ao do 433 Eros, que tem como ponto de maior aproximação com a Terra a distância de 26,4 milhões de km Imagem: Nasa

Não tem jeito. O assunto asteroides-meteoroides é o que está em maior evidência na comunidade científica em fevereiro.

Menos de uma semana após a queda de um meteorito na Rússia e da passagem do asteroide DA 2014, cientistas de uma universidade australiana descobriram naquele país a terceira maior cratera de impacto de um asteroide com a Terra.

Medindo 200 km de diâmetro (cerca de 40 km a mais que a cratera formada pelo asteroide que matou os dinossauros), a cratera encontrada na bacia de East Warburton, no sul da Austrália, foi datada como tendo 360 milhões de anos.

A data coincide com a terceira maior extinção em massa conhecida pela ciência, a do Devoniano Superior. Estima-se que entre 70% e 83% das espécies marinhas foram extintas. Vale lembrar que naquele período poucos grupos vegetais  e animais (principalmente artrópodes e anfíbios) tinham se aventurado em terra firme. 

De acordo com o pesquisador Andrew Glikson, da Universidade Nacional da Austrália, o asteroide media entre 10 e 20 km de diâmetro. “É um achado. O que realmente impressiona é a extensão da zona de impacto. Passei meses em um laboratório fazendo testes com microscópio para medir as orientações dos cristais e constatei que as rochas encontradas no local apresentavam marcas de um impacto extraterrestre”, explicou.

Ainda segundo Glikson, “a queda desse asteroide sobre a Terra provocou um impacto não só regional como também mundial”. O asteroide provocou uma imensa cratera atualmente encoberta por uma camada de 3 km de sedimentos. Ao cair, com certeza provocou gigantescas nuvens de fumaça e vapor qu cobriram a Terra. Asteroides deste tamanho entram em colisão com o nosso planeta uma vez a cada dezenas ou até centenas de milhões de anos.

Fóssil do peixe placodermo Dunkleosteus, extinto possivelmente após impacto de asteroide na Auastrália e  das mudanças climáticas subsequentes Imagem: Blog Só Dinossauros
Fóssil do peixe placodermo Dunkleosteus, extinto possivelmente após impacto de asteroide na Auastrália e das mudanças climáticas subsequentes Imagem: Blog Só Dinossauros

Répteis, sementes e insetos modernos podem ter surgido graças ao choque

A extinção do Devoniano superior afetou principalmente grupos de invertebrados marinhos como moluscos amonóides, braquiópodes, briozoários, corais, trilobitas,  além de vertebrados conodontes, peixes placodermos (os primeiros com mandíbulas evoluídas) e micro-organismos foraminíferos.

As populações vegetais terrestres (principalmente samambaias), bem como o fitoplâncton também sofreram grande redução. Mas o impacto parece ter favorecido de alguma forma a evolução dos anfíbios e artrópodes terrestres, especialmente os grupos ancestrais, respectivamente, de répteis e insetos. O primeiro grupo surgiu cerca de 40 milhões de anos depois, já o segundo grupo, embora já tivesse surgido cerca de 40 milhões de anos antes, ainda era pouco diversificado.

Para se ter uma ideia, há 360 milhões de anos não haviam insetos como besouros, moscas, mosquitos, mariposas, borboletas, formigas, abelhas e vespas. As formas mais comuns lembravam as libélulas (a maior delas tinha asas com até 70 centímetros de envergadura!), pulgas e traças.

Resfriamento do planeta causado pelo impacto do asteroide, há 360 milhões de anos, pode ter favorecido evolução de plantas com sementes, como os ancestrais dos atuais pinheiros Imagem: Marshmallow de Seattle
Resfriamento do planeta causado pelo impacto do asteroide, há 360 milhões de anos, pode ter favorecido evolução de plantas com sementes, como os ancestrais dos atuais pinheiros Imagem: Marshmallow de Seattle

A extinção em massa, causada pela queda de uma asteroide, pode ter acelerado as modificações em anfíbios e insetos primitivos para permitir a ascensão dos répteis e dos insetos modernos.

Além disso, pode ter acelerado a evolução dos vegetais com sementes (especialmente os ancestrais dos pinheiros), que surgiram pouco antes, há 370 milhões de anos. Esse tipo de vegetação marcaria o período seguinte, o Carbonífero, quando se formaram as maiores reservas de carvão do mundo.

Como os mamíferos descendem dos répteis e como a base da Revolução Industrial foi o carvão, também não é exagero afirmar que a nossa existência pode se dever não só a um (o que matou os dinossauros), mas a dois asteroides que se chocaram com o nosso planeta e mudaram o rumo da evolução da vida.

21:57 · 28.12.2012 / atualizado às 14:59 · 29.12.2012 por
Leptobrachium leucops é uma das 126 espécies descobertas no Mekong Imagem: Jodi JL Rowley

O ano de 2012 terminou com uma ótima notícia para biodiversidade do planeta. Bem, pelo menos a notícia ainda é boa.

É que uma equipe de pesquisadores ligados à WWF (sigla inglesa para Fundo Mundial para a Natureza) descobriu 126 novas espécies animais e vegetais no Sudeste Asiático, na região conhecida como Grande Mekong (Camboja, Laos, Mianmar, Tailândia, Vietnã e um pedaço da China).

Entre as novas espécies encontradas estão um morcego vietnamita batizado de Murina beelzebub por causa de “sua aparência maligna”, um peixe cego,  uma víbora de olhos vermelhos e dois sapos curiosos: um que canta como pássaro e outro com olhos bicolores (Leptobrachium leucops, na foto acima)

No entanto, apesar do clima positivo da descoberta, boa parte das novas espécies já sofre ameaça de extinção. “Ainda que essas descobertas (datadas de 2011) reforcem o Mekong como uma região de biodiversidade incrível, muitas dessas novas espécies já estão lutando para conseguir sobreviver em habitats que estão encolhendo”, afirma Nick Cox, diretor da WWF na região.

Desde 1997, mais de 1,7 mil espécies foram identificadas pelos cientistas na região. Segundo Cox, o rio Mekong, que atravessa a área pesquisada, “contém biodiversidade aquática que só perde para o rio Amazonas e a caça ilegal é um dos maiores desafios para a sobrevivência de muitas das espécies no sudeste da Ásia”, conclui.

14:35 · 27.12.2012 / atualizado às 17:35 · 27.12.2012 por
Fósseis têm cerca de 225 milhões de anos e pertencem a espécie ainda não identificada de dinossauros sauropodomorfos, ancestrais de gigantes como o brontossauro, o braquiossauro e o titanossauro, dentre outros Imagem: Unipampa

A descoberta do ano, em termos de paleontologia brasileira, foi feita por dois exploradores inusitados. Um pedreiro e um agricultor gaúchos encontraram alguns dos fósseis mais completos de dinossauros na história científica do País.

A confirmação do achado foi feita pelo Laboratório de Paleobiologia da Universidade Federal do Pampa. Os ossos fossilizados foram achados pela dupla em uma obra no município de Agudo (RS), mais precisamente em um bloco de rocha de aproximadamente 2 toneladas.

Os ossos seriam de pelo menos três dinossauros primitivos sauropodomorfos. Eles se alimentavam de plantas e chegavam a um tamanho parecido com o de uma avestruz. embora tenham dado origem aos grandes saurópodes, que chegavam a 30 metros e 12 toneladas.

Um dos fósseis, afirma o pesquisador Sérgio Dias da Silva, está com praticamente todos os ossos articulados, o que é muito difícil de acontecer, em se tratando de um animal morto há tanto tempo (provavelmente no período Triássico, há 225 milhões de anos). Segundo ele, ainda não é possível afirmam se os fósseis são de uma espécie desconhecida.

Silva afirma que o laboratório terá muito trabalho pela frente. Mais detalhes dos ossos só poderão ser descobertos após a retirada da camada de rocha que recobre o fóssil. O estudo deve durar entre cinco e sete anos.

07:52 · 08.02.2012 / atualizado às 23:05 · 12.02.2012 por

“Conhecer para preservar; preservar para conhecer”.

O antigo ditado ambientalista serviu de inspiração para a primeira sequência de reportagens do Ceará Científico.

Trata-se da série “Fauna: o  Ceará (ainda) tem disso sim!”, que tem como base de partida a matéria Ceará tem 55 espécies animais ameaçadas de extinção, publicada, também nesta quarta-feira (08), na versão online do caderno Regional.

Nos próximos quatro dias, nosso blog apresentará 55 espécies animais listadas como ameaçadas de extinção pelo Ministério do Meio Ambiente e que têm ocorrência observada ou prevista em nosso Estado.

São sete espécies de mamíferos, quinze de aves, quatro de répteis, duas de anfíbios, sete de peixes, uma de inseto, três de crustáceos, três de moluscos, duas de cnidários e onze de equinodermos. A cada dia vamos trazer informações sobre um ou mais grupos de animais e as espécies ameaçadas que vivem em terras alencarinas.

Hoje, vamos conhecer mamíferos e répteis ameaçados de extinção.  Quinta-feira é a vez das aves. Já na sexta-feira, mostraremos os anfíbios e os peixes. E para fechar, na segunda-feira (13), conheceremos os invertebrados que correm mais risco de desaparecer no Ceará.

Mamíferos, nossos parentes mais próximos

A espécie Hadrocodium wui, pode ser um dos mais antigos mamíferos; fósseis foram datados como sendo de 195 milhões de anos atrás. Imagem: American Association for the Advancement of Science

Os mamíferos são animais vertebrados, que se caracterizam pela presença de glândulas mamárias e pêlos. Já foram catalogadas pouco mais de 5,5 mil espécies.

Os mamíferos atuais descendem dos sinapsídeos, répteis que surgiram no Carbonífero Superior (há aproximadamente 300 milhões de anos). Mas os primeiros mamíferos verdadeiros apareceram no período Triássico (há 220 milhões de anos atrás).

No entanto, foi só após a extinção em massa de dinossauros (ocorrida há 65 milhões de anos) e outros grandes grupos que os mamíferos puderam alcançar seu auge.

Apesar disso, um pouco antes (há 70 milhões de anos) já existiam os primeiros primatas, nossos ancestrais mais proximos.

O homem moderno surgiu entre 200 e 400 mil anos atrás, mas os primeiros hominídeos podem ter surgido perto de 4 milhões de anos no passado.

No Ceará, vivem (ou transitam em nosso território) sete mamíferos ameaçados de extinção. Há um canídeo (recém-descoberto), três felídeos,  um sirênio, um quiróptero e um cetáceo.

Vamos conhecê-los um pouco melhor:

Cachorro-vinagre (Speothos venaticus)

Foto: UFPB/Divulgação

É o mais recentemente descoberto em terras cearenses, mais precisamente no município de Aratuba. Trata-se de um canídeo com corpo atarracado, orelhas, pernas e cauda bem curtas.

Seu comprimento médio é de 86,6 cm e o peso fica entre 5 e 7 kg. A coloração varia entre o marrom claro e o escuro. A gestação é de 67 dias, após a qual nascem de 3 a 4  filhotes.  A espécie é encontrada  até 1.500 m de altitude.  A dieta é altamente carnívora.

Está ameaçado pelo desmatamento, pela fragmentação e alteração de habitats, por doenças e pela caça. A espécie é classificada como vulnerável quanto ao risco de extinção, mas as populações no Ceará devem ser extremamente raras.

Gato-maracajá  (Leopardus tigrinus)

Imagem: Animal Earth

É a menor espécie de felino (ou felídeo) encontrada no Brasil e também uma das menos conhecidas. Tem porte semelhante ao do gato doméstico, podendo atingir  de 60, 4 cm até 82, 9 cm de comprimento e pesar de 1,5 a 3,5 kg.

A cor de fundo da espécie varia entre o amarelo-claro e o castanho-amarelado, sendo que não é incomum encontrar indivíduos completamente negros. As manchas são encontradas com grandes variações em suas formas e tamanhos, assim como na coloração de fundo.

Os filhotes nascem após uma gestação de 73 a 78 dias, podendo chegar a até 4. Ocorre desde o nível do mar a até 3.353 m de altitude. A dieta inclui pequenos mamíferos e lagartos.

Está ameaçado principalmente pela perda/fragmentação do habitat e tráfico ilegal e está em situação vulnerável, quanto ao grau de risco de desaparecer.

Jaguatirica (Leopardus pardalis mitis)

Imagem: Feline Conservation Trust

A jaguatirica tende a ser a espécie de felino dominante nas áreas de cobertura vegetal mais densa, especialmente nas matas úmidas que ocorrem desde o nível do mar até 3.800 m.

Tem corpo esbelto, cabeça e patas grandes e cauda pouco curta, caracterizada pela presença de manchas, numa pelagem de fundo amarelo-ocráceo. O comprimento pode atingir até 1,46 metros e o peso até 15,1 kg.

O período de gestação varia entre 70 e 85 dias, após o qual nascem de 1 a 4 filhotes. O potencial reprodutivo máximo de uma fêmea de sete anos, em vida livre, é de 5 a 7 filhotes. São solitários e noturnos.  Carnívora, come em média cerca de 700 g por dia.

Assim como as duas espécies anteriores é classificada como vulnerável ao risco de extinção e está ameaçada principalmente pela erda/alteração de habitat e pela caça.

Onça parda (Puma concolor greeni)

Imagem: ICMBio

É um felino de grande porte com coloração variando do marrom-acinzentado mais claro ao marrom-avermelhado mais escuro, com a ponta da cauda preta, podendo também apresentar uma linha escura na extremidade dorsal (costas).

O comprimento total para a espécie pode chegar até 2,30 metros, sendo que a cauda representa cerca de 35% deste total. O peso para animais adultos varia entre 34 a 48 kg para fêmeas e de 53 a 72 kg para machos.

Tem hábito crepuscular /noturno e é um dos carnívoros mais generalistas, apresentando uma dieta variada. Come desde pequenos mamíferos, répteis e aves, até presas maiores, como a capivara, e animais domésticos, como eqüinos, ovinos, bovinos e suínos.

A espécie ocorre em grande diversidade de biomas, do nível do mar até 5.800 m de altitude, em quase toda a América. Mas essa subespécie que ocorre no Ceará e em outras partes do Brasil também está vulnerável à extinção e é ameaçada pela perda/degradação de habitat e caça.

Morcego do nariz-achatado (Platyrrhinus recifinus)

Imagem: BoldSystems

São morcegos pequenos, têm coloração marrom-clara, sendo que o dorso é, mais escuro do que a parte ventral (barriga).  Possuem um par de listras no rosto e uma listra nas costas, todas brancas.

Há ainda poucas informações sobre os hábitos dessa espécie, mas sabe-se que ela ocorre nos biomas de caatinga, cerrado e Mata Atlântica.

Pode ser considerada como vulnerável à extinção e ameaçada pela perda/fragmentação de habitat e pela própria falta de conhecimento da comunidade científica sobre ela.

Peixe-boi marinho (Trichechus manatus)

Imagem: Aquasis / Divulgação

É de longe entre as espécies de mamíferos que ocorrem no Ceará, a que está mais ameaçada de extinção, sendo classificada como criticamente em perigo. Os principais fatores de ameaça são a caça, as capturas acidentais, a perda do hábitat, o assoreamento, o desmatamento e o trânsito de embarcações.

Pode medir, quando adulto, entre 2,5 e 4 m e pesar de 200 a 600 kg. É a espécie mais conhecida entre os sirênios. Estudo de determinação da idade do peixe-boi marinho, feito com base na contagem de crescimento do osso tímpano-periótico, indica que o animal mais velho tem idade superior a 50 anos.

A coloração do corpo é acinzentada e o couro é áspero. Apresenta unhas nas nadadeiras peitorais e alimenta-se de algas, capim marinho, folhas de mangue entre outros. Os animais passam de 6 a 8 horas diárias se alimentando.

O intervalo médio entre o nascimento de filhotes é de três anos, que medem entre 0,80 e 1,60 m ao nascer. A fêmea permanece com o filhote por até dois anos.

Cachalote (Physeter macrocephalus )

Imagem: MarineBio

É uma espécie que pouco aparece no Ceará (principalmente no verão e no outuno) e tem distribuição geográfica muito ampla nos oceanos do planeta. Apesar disso está vulnerável à extinção, devido a fatores como caça, captura em redes de deriva e atropelamentos por embarcações.

É a maior baleia com dentes e apresenta grande diferença física entre os sexos. Os machos podem chegar a 18 m e pesar 57 toneladas, enquanto as fêmeas não ultrapassam os 12 m.

A espécie possui o espiráculo (equivalente às narinas por onde respiram) voltado para a parte anterior do corpo e desviado para a esquerda, assim o seu borrifo é diagonal. A cabeça é retangular e grande, podendo representar 1/3 do total do corpo.

A nadadeira dorsal é pequena e triangular. Sua coloração varia de preta a marrom, com regiões brancas ao redor da boca. A pele é enrugada a partir da cabeça para a região posterior do corpo.

Répteis, ancestrais um pouco mais distantes

O Hylonomus é talvez o fóssil de réptil mais antigo, sendo datado de 315 milhões de anos atrás. Imagem: Karen Carr

Os répteis também são animais vertebrados e deram origem a outros dois grandes grupos, os mamíferos (como vimos acima) e também as aves (que compartilham parentesco com dinossauros e crocodilos).

Surgiram pela primeira vez na Terra há cerca de 315 milhões de anos (o ramo que deu origem aos mamíferos surgiu pouco depois disso).

Foram os primeiros amniotas, ou seja, seus embriões são protegidos pela membrana amniótica (assim como nós), o que permitiu deixar de vez a necessidade de retornar à água ou aos ambientes úmidos para colocar seus ovos e os diferencia de seus ancestrais, os anfíbios.

Ao contrário de seus descendentes são ectotérmicos, ou seja não regulam a temperatura do corpo de forma autônoma. Apesar disso, são um pouco mais diversificados que os mamíferos, sendo registradas pouco mais de 6 mil espécies.

Mas a maior diversificação ocorreu na Era Mesozóica (entre 250 e 65 milhões de anos atrás), quando atingiram seu auge. Muitos dos grupos que viveram naquela era foram extintos após o provável choque da Terra com um asteroide.

Em nosso Estado, existem quatro espécies de répteis ameaçadas pela extinção, dessa vez por culpa do homem. Todas elas são tartarugas, répteis que são considerados por alguns pesquisadores como os descendentes da linhagem mais antiga, a dos anapsídeos.

Vamos conhecê-las mais:

Tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea)

Imagem: SyMBiosIS

É a espécie mais ameaçada de extinção entre os répteis que vivem no Ceará. Está classificado como criticamente em perigo devido a fatores como mortalidade acidental, poluição e perturbação humana.

O número anual de fêmeas que reproduzem no litoral brasileiro, é de no máximo 19 indivíduos. É a maior das espécies de tartarugas marinhas, atingindo de 500 kg até 1.000 kg.  Sua carapaça não é ossificada como em outras tartarugas, sendo revestida por um tecido coriáceo, que deu origem ao nome da espécie.

As fêmeas que desovam no Brasil apresentam um comprimento curvilíneo médio da carapaça de 1,6 metros.  Em cada desova são depositados entre 70 e 90 ovos. A incubação dura cerca de 60 dias, e o sexo das ninhadas é influenciado pela temperatura de incubação.

Alimenta-se de invertebrados marinhos tais como cnidários, ctenóforos e tunicados. É capaz de mergulhos profundos, atingindo mais de 1.000 m de profundidade, embora a maior parte dos mergulhos não ultrapasse 200 m.

Tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta )

Imagem: Trek Earth

Tem cabeça proporcionalmente grande em relação a seu comprimento total. Onívora, se alimenta de crustáceos, moluscos, peixes, cnidários e vegetais marinhos.

A reprodução ocorre entre os meses de setembro e março. As fêmeas botam ovos a cada dois ou três anos, com postura de 120 ovos em média. O período de incubação é de 50 a 60 dias. Os filhotes eclodem, à noite, rumando para o mar. Assim como a espécie citada anteriormente, o sexo dos filhotes é determinado pela temperatura de incubação dos ovos.

Entre as tartarugas ameaçadas de extinção no Ceará é a que corre menos risco, sendo classificada como vulnerável pela mortalidade acidental, perturbação humana e poluição.

Tartaruga-verde (Chelonia mydas)

Imagem: Starfish.ch

Também conhecida como aruanã, é uma tartaruga marinha distribuída por todos os oceanos, nas zonas de águas tropicais e subtropicais, com duas populações distintas no Oceano Atlântico e no Oceano Pacífico.

Apesar disso  está classificada como em perigo de extinção pela mortalidade acidental, perturbação humana e poluição. O nome tartaruga-verde deve-se à coloração esverdeada da sua gordura corporal.

Tem corpo achatado coberto por uma grande carapaça em forma de lágrima e um grande par de nadadeiras. É de cor clara, exceto em sua carapaça onde os tons variam do oliva-marrom a preta.

É principalmente herbívora. Os adultos geralmente habitam lagoas rasas, sendo raramente avistadas em alto-mar. Alimentam-se principalmente de ervas marinhas. Vivem até 80 anos em liberdade.

Tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea )

Imagem: California Herps

Também classificada como em perigo devido à mortalidade acidental, perda/degradação de habitat e poluição, é uma das menores tartarugas marinhas do mundo, com peso entre 35 e 50 kg.

O comprimento curvilíneo médio da carapaça é de 73 cm. Alimenta-se de crustáceos, moluscos, peixes e algas. Apresenta três tipos de comportamento de desova: solitário, em pequenos grupos e em arribada.

Apresenta ciclo reprodutivo anual de 2 a 3 anos. O tempo necessário para atingir a maturidade sexual é de 7 a 30 anos. Desova no máximo três vezes a cada ciclo, com uma média de 100 ovos a cada desova registrada. Os picos de desova ocorrem entre outubro e fevereiro.

O sexo dos filhotes é influenciado pela temperatura de incubação dos ovos, com temperaturas mais altas gerando mais fêmeas, e temperaturas mais baixas gerando mais machos.

Com informações: ICMBio