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Tag: répteis


18:37 · 14.09.2018 / atualizado às 18:37 · 14.09.2018 por
Concepção artística de como deveria se locomover o Caipirascuhus mineirus, que tinha hábitos terrestres Imagem: Rodolfo Nogueira

Por Reinaldo José Lopes

Um esqueleto de 85 milhões de anos, preservado de modo quase perfeito em rochas do interior de Minas Gerais, corresponde a uma nova espécie de crocodilo pré-histórico, afirmam pesquisadores. Batizado de Caipirasuchus mineirus, o réptil de apenas 70 cm foi apresentado ao público nesta sexta (14).

Os detalhes anatômicos do fóssil, oriundo da Fazenda Três Antas, no município de Campina Verde (MG), deixam claro que ele era muito diferente dos crocodilos modernos. Para começar, era um bicho 100% terrestre -trata-se, na verdade, de uma característica comum da rica fauna desse grupo durante a Era dos Dinossauros.

Além disso, os diferentes formatos de seus dentes, o padrão de desgaste em alguns deles e a maneira como sua mandíbula se articulava indicam que ele deve ter incluído quantidades consideráveis de vegetais em sua dieta, algo impensável para jacarés e crocodilos de hoje. Para completar o rol de esquisitices, suas patas traseiras eram bem maiores que as dianteiras.

“A gente poderia pensar numa postura similar ao dos suricatos”, compara um dos responsáveis pela descoberta, o paleontólogo Thiago Marinho, referindo-se aos pequenos mamíferos africanos que se tornaram conhecidos graças ao personagem Timão, de “O Rei Leão”.

Os suricatos às vezes assumem a postura ereta, e talvez os membros do C. mineirus lhe permitissem fazê-lo também.

Pesquisa

Marinho, que trabalha no Centro de Pesquisas Paleontológicas L.I. Price, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), assina a descrição formal da nova espécie em artigo na revista científica de acesso livre PeerJ.

O trabalho foi coordenado por Agustín Martinelli, do Museu Argentino de Ciências Naturais Bernardino Rivadavia, e conta ainda com a participação de Luiz Carlos Borges Ribeiro, também da UFTM, e Fabiano Iori, do Museu de Paleontologia Professor Antonio Celso de Arruda Campos (Monte Alto, interior paulista).

O nome latino mineirus é quase autoexplicativo: embora já fossem conhecidas três espécies do gênero extinto Caipirasuchus, todas achadas em rochas do interior de São Paulo, esta é a primeira vez que um animal do grupo aparece do lado mineiro da fronteira interestadual. Portanto, as quatro espécies são bichos com parentesco relativamente próximo entre si, embora uma série de detalhes anatômicos tenha sido suficiente para propor que o C. mineirus deveria ser classificado como uma espécie à parte.

Os pesquisadores ainda estão tentando entender como e por que essa diversidade dentro do gênero se estabeleceu. É possível que houvesse algum tipo de barreira entre as populações, levando-as a seguir caminhos evolutivos ligeiramente distintos durante mais ou menos a mesma época. Ou então, se houver diferença significativa de idade entre os espécimes paulistas e mineiros, pode ser que os paleontólogos estejam vendo o processo de diferenciação do grupo ao longo de alguns milhões de anos.

Para saber qual possibilidade é a mais provável, é preciso avançar nos estudos sobre a idade geológica das camadas de rocha em São Paulo e Minas. Alguns detalhes do esqueleto, como a falta de fusão entre determinados ossos, indicam que se tratava de um indivíduo que ainda não chegara à idade adulta, embora já estivesse quase com o tamanho “final” da espécie, segundo Marinho.

Expectativa por descobertas

Mais descobertas devem vir da região de Campina Verde: desde 2009, o grupo já achou por lá vários exemplares de outro crocodilo extinto, o Campinasuchus dinizi, ovos (de crocodilo), dentes e ossos de dinossauros carnívoros e diversos fósseis de peixes.

O grau de preservação do C. mineirus, mesmo em meio a uma colheita tão rica quanto essa, chama a atenção. “A gente tem o esqueleto da ponta do focinho à ponta da cauda. Certamente está no ‘top 3’ dos mais preservados entre os crocodilos fósseis do Brasil”, estima Marinho.

Com informações: Folhapress

21:59 · 22.08.2018 / atualizado às 21:59 · 22.08.2018 por
Concepção artística da Eorhynchochelys que viveu há 228 milhões de anos na China. A espécie pode ser um elo perdido na história evolutiva dos quelônios Imagem: Nature

Como a tartaruga obteve seu casco é um dos quebra-cabeças que durante anos perseguiu os cientistas, e graças a uma pesquisa sobre um novo esqueleto fóssil publicada na revista Nature, algumas pistas começam a aparecer.

A maneira como as tartarugas evoluíram até sua forma atual, com um casco incorporado a seu esqueleto e uma cabeça em forma de bico, sem dentes, foi descrita como “um dos quebra-cabeças mais duradouros da evolução”.

Foram encontrados relativamente poucos fósseis pré-históricos de tartarugas, o que deixa um mistério sobre como estas criaturas desenvolveram suas características únicas, e inclusive a partir de quais antepassados evoluíram.

Mas uma nova pesquisa traz algumas pistas, após a análise de um fóssil de tartaruga de 228 milhões de anos (período Triássico da era Mesozóica) descoberto na China. O esqueleto tem em sua parte frontal um bico, mas também alguns dentes, o que sugere que pode ser um “elo perdido” na evolução de uma tartaruga com dentes à forma atual. “Este é o primeiro fóssil pré-histórico de tartaruga com um bico”, disse Chun Li, pesquisador da Academia Chinesa de Ciências de Pequim e coautor do artigo sobre o fóssil, chamado “Eorhynchochelys”.

“O interessante é que ainda que tenha se desenvolvido um bico, os dentes se conservaram, de modo que é uma mandíbula meio bicuda, meio dentada, uma excelente característica transitória”, disse.

O fóssil além disso é grande, de 2,5 metros de comprimento, com uma longa cauda e costelas extensas e planas ao longo de suas costas, que parecem formar um disco, precursor de um casco.

Debate sobre origem

Com tão poucas evidências para se avançar, um dos grandes debates sobre a evolução das tartarugas e demais quelônios é de que animais provêm.

Uma teoria afirma que compartilham o mesmo ancestral comum que maioria dos répteis, mas alguns especialistas asseguram que isto é pouco provável devido à forma do crânio atual das tartarugas.

Com informações: AFP

20:24 · 26.06.2018 / atualizado às 20:27 · 26.06.2018 por
Os novos seres encontrados eram em sua maioria sapos e lagartos. Uma coruja sem descrição científica também foi encontrada pelos pesquisadores Foto: Fapesp

Em duas expedições à Amazônia, pesquisadores de São Paulo coletaram animais de pelo menos 12 espécies ainda não catalogadas de sapos e lagartos, além de uma coruja sem descrição científica. Ao todo, o grupo liderado pelo zoólogo da Universidade de São Paulo (USP) Miguel Trefaut Rodrigues trouxe para análise mais de 1,7 mil exemplares de mais de 200 espécies diferentes de animais e plantas.

A última viagem ocorreu de abril a maio, quando o grupo viajou cerca de 80 quilômetros a partir de Manaus (AM) pelo Rio Negro até o município de Santa Isabel, próximo à região onde ocorre o encontro com o Rio Branco. “Passamos um mês dormindo em redes dentro do barco, onde também fazíamos todas as refeições e montamos nosso laboratório. Em cada ponto diferente do rio era necessário contratar um guia local. O Rio Negro é cheio de pedras e é muito fácil acontecer um acidente”, contou Rodrigues.

Segundo o pesquisador, por ter águas muito ácidas, o Rio Negro não abriga tantas espécies de animais, como outras partes da floresta. Por isso, o grupo se aproximou do afluente. “Queríamos estudar a influência das águas do Rio Branco na diversidade e abundância de espécies”, enfatizou o pesquisador. A expedição também recolheu dados para avaliar a influência do Rio Negro como barreira para o trânsito de espécies. “Por isso coletamos em ambas as margens”.

Foram usadas armadilhas com baldes e lonas de plástico para capturar principalmente répteis e anfíbios. Nessa viagem foram coletados mais de mil animais, um número necessário para atender a demanda da pesquisa que busca entender a origem dos lagartos do gênero Loxopholis que se reproduzem assexuadamente. Algumas espécies desse tipo são formadas apenas por fêmeas.

Pico da Neblina

A primeira expedição foi realizada entre outubro e novembro de 2017, na região do Pico da Neblina, na fronteira com a Venezuela. Como parte da montanha está em território indígena Yanomami, os trabalhos tiveram autorização da Fundação Nacional do Índio (Funai) e apoio do Exército.

A biodiversidade da região é muito diferente da encontrada em outras partes da floresta, se aproximando até das plantas e dos animais encontrados na Cordilheira dos Andes. “Sabemos que em altitudes superiores a 1,7 mil metros prevalecem paisagens que não têm absolutamente nada a ver com a Amazônia atual: são campos abertos e com clima muito mais frio que o da floresta”, explicou Rodrigues. Foi entre os espécimes coletados nessa ocasião que foram identificadas as 12 espécies sem descrição científica e uma nova variedade vegetal. O conjunto de plantas ainda está, no entanto, sob análise de especialistas.

Relações evolutivas

Além da descrição dos novos animais, o material obtido será usado para analisar os padrões evolutivos da fauna da América do Sul.

“Vários grupos de animais estão sendo estudados sob o ponto de vista genético, morfológico e fisiológico. Alguns desses estudos ajudarão a avaliar o risco de extinção dessas espécies caso a temperatura desses locais se eleve nos próximos anos”, ressaltou o líder das expedições.

Cada uma das viagens durou cerca de um mês, com o envolvimento de pelo menos dez pesquisadores. Os trabalhos foram financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Com informações: Agência Brasil

16:44 · 30.05.2018 / atualizado às 16:44 · 30.05.2018 por
Concepção artística da espécie Megachirella wachtleri, que pode ter sido o primeiro réptil escamado do mundo Imagem: Davide Bonadonna

Por Reinaldo José Lopes

Há 240 milhões de anos, antes que os dinossauros iniciassem sua escalada rumo à dominação planetária, viveu um pequeno réptil que deixou uma herança de respeito: as cerca de 10 mil espécies atuais de lagartos, serpentes e anfisbenas (também conhecidas como cobras-de-duas-cabeças).

Um novo estudo mostra que o bicho, achado no norte da Itália, é o exemplar mais antigo desse grupo, o dos Squamata (“escamados”). O Megachirella wachtleri, como foi batizado pelos cientistas, ganhou esse status especial ao ser reexaminado por meio de uma técnica de tomografia computadorizada conhecida como micro-CT.

“O espécime foi preservado de forma que somente a parte dorsal do corpo ficou exposta, com toda a parte ventral embutida no pedaço de rocha”, explicou à reportagem o paleontólogo brasileiro Tiago Simões, coordenador do estudo. “A micro-CT nos permitiu ver pela primeira vez como era a anatomia do ventre do fóssil, incluindo dados que foram essenciais para reconhecer essa espécie como um lagarto.”

Simões, que trabalha na Universidade de Alberta, no Canadá, assina o artigo na revista científica “Nature” detalhando as descobertas, junto com colegas de instituições da Europa, da Austrália e dos EUA. Algumas das características exclusivas de lagartos que aparecem no bichinho italiano são a forma da clavícula, com uma curvatura secundária, e o fato de que um dos ossos do pulso se funde ao primeiro metacarpal (equivalente a um dos ossos da mão, logo abaixo dos dedos, em humanos).

Por outro lado, como o animal é muito primitivo, ele ainda retém traços que não existem em cobras e lagartos atuais, como a presença das chamadas gastrália, ou costelas na região da barriga.

Estudo comparativo

A descoberta da nova cara do fóssil foi só parte do trabalho, porém.

A equipe fez ainda um monumental estudo comparativo, cotejando as características do Megachirella wachtleri com uma grande variedade de répteis extintos e modernos. No caso das espécies atuais, eles também fizeram uma análise comparativa de variantes de DNA. Esse caminhão de dados foi usado para montar um mapa da diversificação dessas espécies ao longo de milhões de anos, confirmando a posição do bicho de 240 milhões de anos como o mais antigo dos Squamata.

E bota mais antigo nisso, aliás -ele é 70 milhões de anos mais velho que os fósseis antes apontados como os primeiros representantes do grupo. Há, portanto, um buraco grande a ser preenchido na história evolutiva de lagartos, serpentes e companhia, o que na verdade seria de se esperar mesmo, segundo Simões.”Pequenos vertebrados são mais difíceis de serem preservados como fósseis do que os grandes”, explica. “Além disso, há muito menos pesquisadores trabalhando com Squamata fósseis do que com dinossauros ou mamíferos. Também pode ser que existam lagartos fósseis que ninguém notou até agora em coleções de museus mundo afora.”A idade do Megachirella wachtleri também sugere que os ancestrais de lagartos surgiram um pouco antes da maior extinção em massa da história da Terra, a do Permiano-Triássico.

Na época, outros grupos de vertebrados terrestres dominavam o planeta, mas extinções em massa costumam deixar uma grande quantidade de nichos ecológicos vagos -ou seja, fazem com que diferentes estilos de vida fiquem disponíveis para os poucos sobreviventes da catástrofe.

Como eram de pequeno porte e comedores de insetos, que estão sempre disponíveis mesmo em ambientes mais pobres, os ancestrais dos Squamata conseguiram passar pelo gargalo da megaextinção e se diversificar paulatinamente nos períodos seguintes.

Com informações: Folhapress

17:55 · 12.12.2017 / atualizado às 17:55 · 12.12.2017 por
cientistas descobriram, em Myanmar, vários carrapatos aprisionados em diversos pedaços de âmbar (uma espécie de resina fóssil), associados a restos dos grandes répteis Foto: NPR

A partir da descoberta de um fóssil de carrapato preservado em âmbar, um grupo internacional de cientistas mostrou pela primeira vez que esses parasitas já se alimentavam do sangue de dinossauros há quase 100 milhões de anos.

O estudo, publicado nesta terça-feira (12), na revista Nature Communications, também revela uma nova espécie extinta de carrapato, batizada de Deinocroton draculi, em alusão ao vampiro Drácula. Os cientistas descobriram, em Mianmar, vários carrapatos aprisionados em diversos pedaços de âmbar – uma espécie de resina fóssil – datados em 99 milhões de anos.

Um deles estava agarrado a uma pena de dinossauro. Segundo os autores do estudo, raramente são encontrados parasitas associados aos fósseis de seus hospedeiros e a descoberta é a primeira evidência direta da relação entre carrapatos e dinossauros.

Sem ‘Jurassic Park’

Embora o contexto da pesquisa lembre bastante o filme Jurassic Park, os cientistas afirmam que é praticamente impossível reconstruir dinossauros a partir de eventuais restos de DNA desses animais no fóssil de um carrapato do período Cretáceo (145 milhões a 66 milhões de anos atrás).

Na obra ficcional, dirigida por Steven Spielberg em 1993, os cientistas extraem o DNA de dinossauros de fósseis de mosquitos preservados em âmbar e, a partir daí, conseguem clonar os lagartos gigantes e trazê-los de volta à Terra. Os pesquisadores porém, explicam que embora seja comum encontrar fósseis em âmbar, é praticamente inviável extrair dessas amostras DNA em condições de ser utilizado – e o processo de clonagem seria ainda mais difícil. Todas as tentativas feitas até hoje de extrair DNA de espécimes em âmbar foram um fracasso, por causa da curta vida útil dessa molécula.

“Os carrapatos são infames organismos parasitários sugadores de sangue, que têm um impacto tremendo na saúde de humanos, de gado de bichos de estimação e de animais selvagens. Mas até agora estava faltando uma clara evidência do papel desses parasitas no passado remoto”, disse o autor principal do estudo, Enrique Peñalver, do Instituto de Pesquisa de Geologia e Mineração da Espanha.

Penas de dinossauros

Segundo Peñalver, o âmbar do Cretáceo fornece aos cientistas uma janela para o mundo dos dinossauros emplumados. Parte desse grupo de dinossauros mais tarde evoluiria para dar origem às aves modernas. A pena de dinossauro encontrado no âmbar com o carrapato, segundo os cientistas, tem estrutura semelhante à das penas dos pássaros.

Com informações: Estadão Conteúdo

22:38 · 25.04.2016 / atualizado às 22:53 · 25.04.2016 por
Imagem: Obvious
Segundo pesquisa britânica, diversidade de espécies de dinossauros já vinha sendo reduzida 40 milhões de anos antes do impacto de um asteroide, de cerca de 10 km de diâmetro contra a Terra Imagem: Obvious

Existe razoável consenso entre os cientistas de que foi o impacto de um asteroide que levou à extinção dos dinossauros há quase 66 milhões de anos atrás.

Há menos consenso sobre a possibilidade destes grandes animais já estarem em declínio quando o corpo celeste chegou para terminar o serviço. Pesquisadores do Reino Unido mostraram que os dinossauros de fato já estavam em declínio cerca de 40 milhões de anos antes do letal impacto na cratera Chicxulub, no México.

O estudo publicado na revista científica “PNAS” seria o primeiro a modelar a dinâmica evolucionária entre dinossauros – isto é, a relação entre a extinção de espécies e o processo de produção de outras novas, a “especiação”. O ritmo de extinção superou o de especiação 40 milhões de anos antes do impacto do meteoro.

Existe, ainda a dificuldade ligada aos diferentes ritmos de evolução entre os três principais grupos de dinos – os clados Ornithischia, Sauropodomorpha e Theropoda. Há uma grande diversidade entre esses animais. Por exemplo, os bípedes carnívoros terópodas, ou os mega-herbívoros e quadrúpedes saurópodas.

Os autores admitem que não é possível identificar uma causa para o declínio dos animais. Pode ser uma combinação delas. A separação dos continentes limitaria a movimentação e consequentemente a possibilidade de especiação.

Entre outros eventos deletérios, estão episódios frequentes de vulcanismo, mudança climática, flutuação do nível dos oceanos ou a interação ecológica com outros animais, como mamíferos primitivos.

Sobrevivência das aves

Águias, gaviões, flamingos, sabiás, andorinhas, periquitos; a enorme variedade de espécies de aves hoje existentes tornou-se possível porque os ancestrais delas conseguiram sobreviver comendo sementes depois de um evento catastrófico de extinção, 66 milhões de anos atrás, indica um estudo publicado na revista “Current Biology”.

Aves são os únicos dinossauros que sobreviveram ao letal meteoro que criou a cratera de Chicxulub na península de Iucatã, México. Apesar do nome “dinossauro” ter sido criado a partir do grego, significando algo como “lagarto terrível”, ou melhor, “assustadoramente grande lagarto”, os dinos não eram lagartos. Eles eram bem diversificados, e incluíam um grupo de animais emplumados, os ancestrais das aves modernas.

Segundo os autores do estudo liderado pelo paleontólogo canadense Derek Larson, logo depois do impacto do meteoro
que marca o fim do período geológico Cretáceo, as cadeias alimentares terrestres que contavam com a fotossíntese das plantas teriam entrado em colapso. Sem plantas, não sobrevivem os herbívoros que as comem; sem herbívoros, não há comida para os carnívoros. Os dinossauros aviários incluíam carnívoros com dentes nos bicos, que terminaram extintos também por conta da massiva mudança ecológica. Já seus colegas sem dentes foram capazes de sobreviver comendo sementes.

O estudo de Larson incluiu a análise de 3.104 dentes de dinossauros do clado chamada Maniraptora, que inclui tanto as aves como outros dinos não aviários. Os dentes pertencem a animais que viveram nos últimos 18 milhões de anos do Cretáceo.

Os cientistas concluíram que a extinção dos Maniraptora com dentes e a sobrevivência dos outros dinossauros aviários (ancestrais mais diretos das aves modernas) foi obra da capacidade destes de utilizar melhor a única comida abundante disponível, sementes.

Obstáculos contra a extinção

Sobreviver ao impacto do meteoro não foi fácil. Houve um grande pulso inicial de calor, literalmente cozinhando muitos animais e plantas, além de incêndios posteriores; chuva ácida, escuridão e inverno causado pelo bloqueio da luz solar ajudaram a extinguir ainda mais espécies.

Mas os pássaros comedores de sementes resistiram. Hoje se sabe que sementes em florestas temperadas modernas podem permanecer viáveis por mais de 50 anos. E em casos de incêndios em habitats, os pássaros “granívoros” – comedores de sementes – estão entre os primeiros a reocupar o local.

Os mais de três mil dentes foram analisados em busca de padrões de diversidade. Se a variação ao longo do tempo diminuísse seria um sinal de que a perda de diversidade indicaria que o ecossistema estava em declínio. Mas se os dentes permanecessem diferentes durante o período seria a indicação de que o ecossistema esteve estável durante milhões de anos.

Ou seja, os dinossauros aviários com dentes estavam vivendo bem até receberem o abrupto golpe do meteoro. Os pesquisadores também estudaram pássaros atuais para ajudar e entender seu passado comum. E concluíram que o ancestral comum de todos – mesmo aqueles cuja dieta é de carne, insetos ou plantas – era um discreto comedor de sementes com um bico desdentado.

Fonte: Ricardo Bonalume Neto/Folhapress

19:10 · 30.09.2014 / atualizado às 19:18 · 30.09.2014 por
Foto: Blog Estudo Prático
Espécies de água doce, incluindo peixes, anfíbios e répteis como os crocodilianos, sofreram uma perda de 76%, em um percentual que representa o dobro do sofrido por espécies marinhas e terrestres Foto: Divulgação

Mais da metade dos animais selvagens que existiam na Terra há 40 anos desapareceu, e a maioria destas perdas ocorreu nas áreas tropicais da América Latina, segundo o último relatório “Planeta Vivo” do Fundo Mundial para a Natureza (WWF).

Sob o título “Espécies e Espaços, Pessoas e Lugares”, o relatório – a décima edição deste estudo bienal – recolhe as pesquisas realizadas sobre o destino de 10 mil espécies de vertebrados de 1970 a 2010. As espécies estão classificadas no Índice Planeta Vivo, um registro mantido pela Sociedade Zoológica de Londres. Além disso, o relatório mede o rastro ecológico da humanidade no planeta elaborado pela Global Footprint Network.

A principal conclusão do estudo é que as populações de peixes, aves, mamíferos, anfíbios e répteis decaiu em 52% desde 1970. As espécies de água doce sofreram uma perde de 76%, em um percentual que dobra as sofridas por espécies marinhas e terrestres. A maioria das perdas globais, por sua vez, provém das regiões tropicais da América Latina.

Rastro ecológico

Calcula-se que seria necessária uma Terra e meia para produzir os recursos necessários para equilibrar com o rastro ecológico da humanidade.

O relatório também destaca que o rastro ecológico é cinco vezes maior nos países desenvolvidos que nas nações em desenvolvimento, e lembram que se demonstrou que se podem elevar os níveis de vida da população e restringir ao mesmo tempo a exploração dos recursos naturais.

Os dez países com maior rastro ecológico são, na ordem, Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos, Dinamarca, Bélgica, Trinidad e Tobago, Cingapura, Estados Unidos, Bahrein e Suécia.

Com informações: EFE

08:41 · 14.10.2013 / atualizado às 13:20 · 14.10.2013 por
Espécie de inseto pode representar todo um novo gênero desconhecido. Gênero é um nível de classificação dos seres vivos, inferior a família, que reúne muito espécies aparentadas entre si, compartilhando ancestrais comuns que viveram geralmente há menos de 2 milhões de anos Foto: Piotr Naskrecki
A espécie de inseto, batizada como Pseudophyllinae teleutini, pode representar todo um novo gênero desconhecido. Gênero é um nível de classificação dos seres vivos, inferior a família, que reúne muito espécies aparentadas entre si, compartilhando ancestrais comuns que viveram geralmente há menos de 2 milhões de anos Foto: Piotr Naskrecki

Um país vizinho do Brasil, mas ainda quase desconhecido dos brasileiros, abriga uma das maiores biodiversidades do mundo, o Suriname. Na última semana veio de lá uma das maiores descobertas de novas espécies da década. Uma expedição de 16 biólogos encontrou cerca de 60 novas espécies, incluindo anfíbios, répteis, peixes e insetos.

O achado foi realizado no sudeste surinamês, em uma das áreas florestais mais remotas daquele País. A maioria absoluta das novas espécies descobertas deve ser endêmica, ou seja, só habitam aquela região do planeta. Há inclusive uma espécie de inseto que deve representar todo um novo gênero, o que é relativamente raro.

A expedição aconteceu ao longo de 2012. Além de insetos, foram encontradas 6 novas espécies de rãs, 11 de peixes e uma de serpente. As descobertas foram feitos no alto da bacia do rio Palumeu, onde, por exemplo, se notificou a existência da rã cocoa, uma espécie de cor marrom que vive nas árvores e cuja forma arredondada de seus dedos facilita sua permanência em cima das árvores.

“Como outros anfíbios, sua pele quase permeável a torna muito sensível a mudanças ambientais, especialmente de água”, disse o diretor do projeto de exploração, Trond Larsen, ao apresentar os resultados. O cientista ressaltou que a descoberta desta nova espécie tem uma particular importância ao se levar em conta que, só nas três últimas décadas, 100 espécies de rãs desapareceram em todo o mundo.

Outro dos achados mais chamativos da expedição foi um pequeno besouro liliputiense de apenas 2,3 milímetros considerado, provavelmente, o segundo menor da América do Sul e que possui uma antena que lhe permite captar odores a longas distâncias. “Os besouros têm um papel fundamental na cadeia ecológica e ajudam a manter os ecossistemas”, explicou o cientista, após lembrar que esses insetos regulam a presença de parasitas e doenças, dispersam sementes e reciclam nutrientes que favorecem o crescimento da vegetação.

O país das florestas

O Suriname é um território que contém 25% de toda a superfície mundial de floresta pluvial e 95% de seu terreno é composto por florestas, segundo dados de Conservação Internacional. O estudo que levou ao achado biológico teve apoio da Fundação para a Conservação do Suriname, a Universidade Anton de Kom do Suriname, os Museus de Zoologia Comparada da Universidade de Harvard e de Ciências Naturais da Carolina do Norte, e o Instituto de Biodiversidade da Universidade do Kansas.

Com informações: Portal Terra

21:10 · 21.02.2013 / atualizado às 22:12 · 21.02.2013 por
Asteroide que caiu na Austrália, há 360 milhões de anos, tinha dimensões similares ao do 433 Eros, que tem como ponto de maior aproximação com a Terra a distância de 26,4 milhões de km Imagem: Nasa
Asteroide que caiu na Austrália, há 360 milhões de anos, tinha dimensões similares ao do 433 Eros, que tem como ponto de maior aproximação com a Terra a distância de 26,4 milhões de km Imagem: Nasa

Não tem jeito. O assunto asteroides-meteoroides é o que está em maior evidência na comunidade científica em fevereiro.

Menos de uma semana após a queda de um meteorito na Rússia e da passagem do asteroide DA 2014, cientistas de uma universidade australiana descobriram naquele país a terceira maior cratera de impacto de um asteroide com a Terra.

Medindo 200 km de diâmetro (cerca de 40 km a mais que a cratera formada pelo asteroide que matou os dinossauros), a cratera encontrada na bacia de East Warburton, no sul da Austrália, foi datada como tendo 360 milhões de anos.

A data coincide com a terceira maior extinção em massa conhecida pela ciência, a do Devoniano Superior. Estima-se que entre 70% e 83% das espécies marinhas foram extintas. Vale lembrar que naquele período poucos grupos vegetais  e animais (principalmente artrópodes e anfíbios) tinham se aventurado em terra firme. 

De acordo com o pesquisador Andrew Glikson, da Universidade Nacional da Austrália, o asteroide media entre 10 e 20 km de diâmetro. “É um achado. O que realmente impressiona é a extensão da zona de impacto. Passei meses em um laboratório fazendo testes com microscópio para medir as orientações dos cristais e constatei que as rochas encontradas no local apresentavam marcas de um impacto extraterrestre”, explicou.

Ainda segundo Glikson, “a queda desse asteroide sobre a Terra provocou um impacto não só regional como também mundial”. O asteroide provocou uma imensa cratera atualmente encoberta por uma camada de 3 km de sedimentos. Ao cair, com certeza provocou gigantescas nuvens de fumaça e vapor qu cobriram a Terra. Asteroides deste tamanho entram em colisão com o nosso planeta uma vez a cada dezenas ou até centenas de milhões de anos.

Fóssil do peixe placodermo Dunkleosteus, extinto possivelmente após impacto de asteroide na Auastrália e  das mudanças climáticas subsequentes Imagem: Blog Só Dinossauros
Fóssil do peixe placodermo Dunkleosteus, extinto possivelmente após impacto de asteroide na Auastrália e das mudanças climáticas subsequentes Imagem: Blog Só Dinossauros

Répteis, sementes e insetos modernos podem ter surgido graças ao choque

A extinção do Devoniano superior afetou principalmente grupos de invertebrados marinhos como moluscos amonóides, braquiópodes, briozoários, corais, trilobitas,  além de vertebrados conodontes, peixes placodermos (os primeiros com mandíbulas evoluídas) e micro-organismos foraminíferos.

As populações vegetais terrestres (principalmente samambaias), bem como o fitoplâncton também sofreram grande redução. Mas o impacto parece ter favorecido de alguma forma a evolução dos anfíbios e artrópodes terrestres, especialmente os grupos ancestrais, respectivamente, de répteis e insetos. O primeiro grupo surgiu cerca de 40 milhões de anos depois, já o segundo grupo, embora já tivesse surgido cerca de 40 milhões de anos antes, ainda era pouco diversificado.

Para se ter uma ideia, há 360 milhões de anos não haviam insetos como besouros, moscas, mosquitos, mariposas, borboletas, formigas, abelhas e vespas. As formas mais comuns lembravam as libélulas (a maior delas tinha asas com até 70 centímetros de envergadura!), pulgas e traças.

Resfriamento do planeta causado pelo impacto do asteroide, há 360 milhões de anos, pode ter favorecido evolução de plantas com sementes, como os ancestrais dos atuais pinheiros Imagem: Marshmallow de Seattle
Resfriamento do planeta causado pelo impacto do asteroide, há 360 milhões de anos, pode ter favorecido evolução de plantas com sementes, como os ancestrais dos atuais pinheiros Imagem: Marshmallow de Seattle

A extinção em massa, causada pela queda de uma asteroide, pode ter acelerado as modificações em anfíbios e insetos primitivos para permitir a ascensão dos répteis e dos insetos modernos.

Além disso, pode ter acelerado a evolução dos vegetais com sementes (especialmente os ancestrais dos pinheiros), que surgiram pouco antes, há 370 milhões de anos. Esse tipo de vegetação marcaria o período seguinte, o Carbonífero, quando se formaram as maiores reservas de carvão do mundo.

Como os mamíferos descendem dos répteis e como a base da Revolução Industrial foi o carvão, também não é exagero afirmar que a nossa existência pode se dever não só a um (o que matou os dinossauros), mas a dois asteroides que se chocaram com o nosso planeta e mudaram o rumo da evolução da vida.

21:57 · 28.12.2012 / atualizado às 14:59 · 29.12.2012 por
Leptobrachium leucops é uma das 126 espécies descobertas no Mekong Imagem: Jodi JL Rowley

O ano de 2012 terminou com uma ótima notícia para biodiversidade do planeta. Bem, pelo menos a notícia ainda é boa.

É que uma equipe de pesquisadores ligados à WWF (sigla inglesa para Fundo Mundial para a Natureza) descobriu 126 novas espécies animais e vegetais no Sudeste Asiático, na região conhecida como Grande Mekong (Camboja, Laos, Mianmar, Tailândia, Vietnã e um pedaço da China).

Entre as novas espécies encontradas estão um morcego vietnamita batizado de Murina beelzebub por causa de “sua aparência maligna”, um peixe cego,  uma víbora de olhos vermelhos e dois sapos curiosos: um que canta como pássaro e outro com olhos bicolores (Leptobrachium leucops, na foto acima)

No entanto, apesar do clima positivo da descoberta, boa parte das novas espécies já sofre ameaça de extinção. “Ainda que essas descobertas (datadas de 2011) reforcem o Mekong como uma região de biodiversidade incrível, muitas dessas novas espécies já estão lutando para conseguir sobreviver em habitats que estão encolhendo”, afirma Nick Cox, diretor da WWF na região.

Desde 1997, mais de 1,7 mil espécies foram identificadas pelos cientistas na região. Segundo Cox, o rio Mekong, que atravessa a área pesquisada, “contém biodiversidade aquática que só perde para o rio Amazonas e a caça ilegal é um dos maiores desafios para a sobrevivência de muitas das espécies no sudeste da Ásia”, conclui.