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Tag: Saturno


19:35 · 12.03.2015 / atualizado às 19:47 · 12.03.2015 por
Foto: Astronoo
Segundo estudo, existe um oceano salgado, capaz, portanto, de conduzir eletricidade, abaixo da superfície da lua. Ele se contrapõe à atração magnética de Júpiter Foto: Astronoo

Cientistas que utilizam o Telescópio Espacial Hubble confirmaram que a lua Ganímedes, na órbita de Júpiter, possui um oceano por baixo de uma crosta superficial de gelo, elevando a probabilidade da presença de vida, afirmou a Nasa nesta quinta-feira (12).

A descoberta resolve um mistério relacionado à maior Lua do sistema solar após a nave Galileo, já aposentada, ter fornecido pistas sobre a existência de um oceano abaixo da superfície de Ganímedes enquanto cumpria uma missão exploratória ao redor de Júpiter e de suas luas, entre 1995 e 2003.

Assim como a Terra, Ganímedes possui um núcleo de ferro fundido que gera um campo magnético, embora o campo magnético de Ganímedes seja amalgamado ao campo magnético de Júpiter. Isso dá origem a uma interessante dinâmica visual, com a formação de duas faixas de auroras brilhantes nos pólos norte e sul de Ganímedes.

O campo magnético de Júpiter se altera com sua rotação, agitando as auroras de Ganímedes. Cientistas mediram tais movimentos e descobriram que os efeitos visuais se mostravam mais restritos do que deveriam.

Modelos computadorizados

Usando modelos gerados por computador, eles chegaram à conclusão de que um oceano salgado, capaz, portanto, de conduzir eletricidade, abaixo da superfície da Lua se contrapunha à atração magnética de Júpiter.

Os cientistas testaram mais de 100 modelos computadorizados para observar se qualquer outro elemento poderia ter impacto sobre a aurora de Ganímedes. Eles também reprocessaram sete horas de observações ultravioletas do Hubble e analisaram dados sobre ambos os cinturões de aurora da Lua.

O diretor associado da Nasa, Jim Green, classificou a descoberta como “uma demonstração surpreendente”. “Eles desenvolveram uma nova abordagem para se observar a parte interna de um corpo planetário com um telescópio”, disse Green.

Água quente em Encélado

Ganímedes se junta agora a uma crescente lista de luas localizadas nas partes mais afastadas do sistema solar que possuem uma camada de água abaixo da superfície.

Na quarta-feira (11), cientistas disseram que uma lua de Saturno, a Encélado, possui correntes quentes de água abaixo de sua superfície gélida. É a primeira vez que tal característica é descoberta fora da Terra, segundo um grupo de pesquisadores que formularam a teoria com a análise de pequenos destroços de rocha lançados ao espaço pelos gêiseres.

A descoberta acrescenta a “atrativa” possibilidade que Encélado, onde também há uma grande atividade geológica, “possa conter um ambiente adequado para organismos vivos”, segundo um artigo publicado pela revista “Nature”.

Entre outros corpos ricos em água no Sistema Solar  estão Europa e Calisto, luas de Júpiter.

Com informações: AFP/Galileu

22:54 · 06.04.2014 / atualizado às 23:02 · 06.04.2014 por
Foto: Blog Mistérios do Mundo
Encélado pode ter uma estrutura interna diferenciada, com um núcleo de rocha e um oceano regional de água líquida sob 30 ou 40 km de gelo no hemisfério Sul Foto: Blog Mistérios do Mundo

A pequenina lua Encélado, de Saturno, esconde um oceano de água líquida sob sua crosta congelada.

A descoberta, que amplia o leque de objetos no Sistema Solar que podem abrigar vida, foi feita graças à espaçonave Cassini, que já opera há dez anos em órbita do planeta famoso por seus anéis.

Os pesquisadores usaram uma maneira criativa de investigar o interior da lua, com apenas 504 km de diâmetro. Eles simplesmente deixaram a Cassini passar perto dela e mediram os efeitos gravitacionais resultantes.

Foram três sobrevoos desse tipo, passando a menos de 100 km da superfície de Encélado. Medindo distorções nos sinais de rádio enviados pela sonda, os cientistas conseguem detectar pequenos desvios de curso da espaçonave –da ordem de 1 mm– causados pela interação com a gravidade da lua.

Com esse mapeamento do campo gravitacional, eles descobriram anomalias no polo sul do satélite natural que seriam explicadas se Encélado tivesse uma estrutura interna diferenciada, com um núcleo de rocha e um oceano regional de água líquida sob 30 ou 40 km de gelo no hemisfério Sul.

Vida

Sempre que se fala em água líquida, o pensamento imediato é a busca por vida extraterrestre. Poderiam existir criaturas vivas no oceano de Encélado?

“Conhecemos criaturas na Terra que viveriam perfeitamente bem lá”, diz Jonathan Lunine, da Universidade Cornell, um dos autores do novo estudo liderado por Luciano Iess, da Universidade de Roma.

A essa altura, a Cassini já determinou que Encélado possui água líquida, compostos orgânicos simples e agora desconfia-se que exista um núcleo rochoso sob um oceano inteiro.

“De certa forma, o fundo do oceano de Encélado lembra o da própria Terra”, diz Lunine. O trabalho foi publicado na edição desta semana do periódico “Science”.

Com informações: Folhapress

17:17 · 06.01.2014 / atualizado às 17:24 · 06.01.2014 por
Reprodução artística de uma pluma de água (similar a um gêiser terrestre) em Europa, lua de Júpiter Imagem: SouthWest Research Institute
Reprodução artística de uma pluma de água (em estrutura similar a um gêiser terrestre) em Europa, lua de Júpiter Imagem: SouthWest Research Institute

O Telescópio Espacial Hubble identificou possíveis plumas de água sendo lançadas do polo sul de Europa.  Os jatos se parecem com o gigantesco gêiser de água visto na lua Encélado, de Saturno.

Plumas em Europa poderiam ser ainda mais empolgantes por oferecerem a possibilidade de revelar um habitat subterrâneo que poderia até mesmo abrigar vida extraterrestre. “Se isso for verdade, pode ser a maior notícia do Sistema Solar externo desde a descoberta da pluma de Encélado”, declara Robert Pappalardo, cientista planetário do Laboratório de Propulsão a Jato em Pasadena, na Califórnia (Estados Unidos), que não se envolveu na pesquisa.

O trabalho, publicado em 12 de dezembro na Science, vem com várias ressalvas. Ainda que trabalhos teóricos anteriores tenham sugerido que poderiam existir plumas em Europa, indícios intrigantes delas não deram em nada. Dessa vez, o Hubble encontrou as possíveis plumas em uma única observação. E se forem mesmo reais, essas plumas podem não estar conectadas ao profundo oceano subterrâneo da lua.

“Essa é a primeira vez que descobrimos uma coisa assim, e precisamos voltar e olhar de novo”, explica Joachim Saur, cientista planetário da Universidade de Colônia na Alemanha, e um dos membros da equipe. Saur e seus colegas já tinham procurado plumas em Europa no passado, mas sem sucesso. Em 2012, a equipe decidiu tentar de novo.

Usando uma câmera ultravioleta do Hubble, eles observaram Europa uma vez em novembro e uma em dezembro daquele ano. O estudo de novembro não encontrou nada, mas a exposição de 2,7 horas em dezembro identificou bolhas de hidrogênio e oxigênio perto do polo sul de Europa.

Seu tamanho, forma e composição química são melhor explicados por duas plumas de vapor d’água com aproximadamente 200 quilômetros de altura, explica Lorenz Roth, o líder da equipe e cientista planetário do Instituto de Pesquisa Southwest em San Antonio, no Texas.

Esse valor tem muitas vezes a altura das possíveis plumas de Europa calculadas por alguns teóricos. Isso significaria que jatos de Europa chegam mais alto que as erupções vulcânicas em Io, uma das luas de Júpiter, mas não tão alto quanto a pluma gigantesca de Encélado.

Missões futuras

A descoberta poderia encorajar missões futuras. Em 2022, a Agência Espacial Europeia planeja lançar uma sonda que exploraria Europa, além de Júpiter e suas outras luas. E Pappalardo lidera uma equipe da Nasa que está planejando uma possível sonda norte-americana para Europa.

Com informações: Nature e Scientific American

09:27 · 15.10.2013 / atualizado às 09:27 · 15.10.2013 por
Diamantes que chovem em Júpiter e Saturno podem chegar até a 1 centímetro de diâmetro Foto: Flickr
Diamantes que chovem em Júpiter e Saturno podem chegar até a 1 centímetro de diâmetro Foto: Flickr

Uma descoberta que pode animar a embrionária indústria da mineração espacial. Pesquisadores da Sociedade Americana de Astronomia descobriram que nas exóticas atmosferas de Saturno e Júpiter pode chover até mil toneladas de diamante por ano.

O fenômeno ocorre devido a transformação do carbono contido no abundante gás metano de suas camadas de ar em grafite e diamante, a partir de poderosos raios gerados pela imensa atividade atmosférica dos gigantes gasosos. As partículas de diamante que chovem na superfície dos dois planetas (provavelmente formada de hidrogênio líquido ou metálico) podem chegar, de acordo com os cálculos, a 1 centímetro de diâmetro.

Segundo Kevin Baines, da Universidade de Winsconsin-Madison e do Laboratório de Propulsão da Nasa,  “à medida que vai caindo, esse carbono entra em choque com a pressão atmosférica desses planetas, e se transforma primeiro em pedaços de grafite e, em seguida, em diamantes. Dependendo das condições, esses granizos de diamante podem inclusive derreter.  Seriam diamantes grande o suficiente para se colocar em um anel”.

Os cientistas analisaram as últimas temperaturas e pré-condições de pressão no interior dos planetas, além de novos dados sobre como o carbono se comporta em diferentes condições. “Parece válida a ideia de que há uma profunda variação dentro das atmosferas de Júpiter e ainda mais de Saturno, nas quais o carbono poderia se estabilizar como diamante”, disse o professor Raymond Jeanloz, um dos responsáveis pela descoberta de que havia diamantes em Urano e Netuno.

10:11 · 24.07.2013 / atualizado às 10:16 · 24.07.2013 por
Imagem só pôde ser captada por ter sido feita a partir da face não iluminada de Saturno. Lua aparece como minúsculo ponto próximo à Terra Foto: Nasa
Imagem só pôde ser captada por ter sido feita a partir da face não iluminada de Saturno. Lua aparece como minúsculo ponto próximo à Terra, que aparece como uma espécie de estrela azulada indicada pela seta Foto: Nasa

A foto acima provavelmente será reproduzida em livros escolares pelas próximas décadas. Candidato a rivalizar em termos de simbolismo com a foto feita pela Voyager, apelidada de “Pálido ponto Azul”, o registro da Cassini, do último dia 19 de julho, mostra o planeta Terra, visto a partir de Saturno e tendo como plano de fundo o sistema de anéis daquele mundo.

A imagem foi divulgada pela Nasa, na terça-feira (23) e mostra nosso planeta como uma espécie de estrela azulada. Os mais observadores (e com melhor capacidade visual, é claro), também poderão ver a Lua como um minúsculo ponto, bem próximo à Terra.  A foto colorida foi tirada ni a 1,4 bilhão de km do nosso mundo. “Esta é a primeira vez que sabíamos de antemão que a Terra seria fotografada a uma distância interplanetária. Também é a primeira vez que a resolução da câmera da Cassini registra a Terra e a Lua como dois objetos distintos”, afirmou a Nasa.

O ângulo pouco comum foi possível graças ao fato de que o Sol estava por trás de Saturno, do ponto de vista da sonda. O planeta bloqueou a maior parte da luz, que, de outro modo, teria sido tão intensa que teria podido danificar o sensor da câmera. A foto foi tirada com uma câmera desenvolvida em meados da década de 1990.

“Não se pode ver os continentes ou as pessoas neste retrato da Terra, mas este pequeno ponto azul é um resumo de onde estávamos em 19 de julho”, explicou Linda Spilker, cientista da sonda Cassini. As imagens da sonda Cassini nos recordam que nosso planeta é muito pequeno no Universo”, acrescentou.

Quase 16 anos pelo espaço

A nave espacial Cassini foi lançada em 15 de outubro de 1997 para estudar Saturno e seus inúmeros satélites. O aparelho se aproximou do planeta dos anéis em 2004 depois de passar perto de Júpiter.

12:01 · 11.06.2013 / atualizado às 22:37 · 13.10.2016 por
Titã, lua de Saturno, é astro com maior probabilidade de abrigar vida segundo avaliação da Nasa. A busca por condições biológicas no satélite pode ganhar reforço de pesquisadores brasileiros, a partir da RBA Foto: CUPH
Titã, lua de Saturno, é astro com maior probabilidade de abrigar vida segundo avaliação da Nasa. A busca por condições biológicas no satélite pode ganhar reforço de pesquisadores brasileiros, a partir da RBA Foto: CUPH

A astrobiologia nacional, ou como o nome sugere busca de vida em outros astros que não a Terra, ganhou um reforço de peso. Foi lançada, há cerca de 30 dias, a Rede Brasileira de Astrobiologia (RBA). Na prática, a associação é uma rede virtual para integrar pesquisadores de diferentes estados e instituições dessa área multidisciplinar do conhecimento.

A relativamente nova ciência se dedica a analisar a origem, evolução, distribuição e possibilidades futuras da vida na Terra para entender e buscar organismos ou evidências físico-químicas de suas presenças em outros planetas, luas e quem sabe até em outros tipos de corpos celestes. A iniciativa foi de pesquisadores do Núcleo de Pesquisa em Astrobiologia da Universidade de São Paulo (NAP-Astrobio/USP).

Voltada a pesquisadores, professores, estudantes de graduação e de pós-graduação que atuem em pesquisa, ensino ou divulgação da astrobiologia no Brasil ou no exterior, a rede tem entre seus objetivos organizar e aumentar a integração da comunidade científica. “A astrobiologia é uma área muito ampla, resultado da interface entre astronomia, biologia, química, geologia e ciências atmosféricas, entre outras disciplinas, na qual atuam pesquisadores de diversas regiões do Brasil, mas ainda de forma dispersa”, resumiu Fabio Rodrigues, do NAP-Astrobio e um dos idealizadores do projeto.

“A meta da RBA é promover a integração entre esses pesquisadores a fim de facilitar a divulgação de ações, como eventos e oportunidades de cooperação em pesquisa. Dessa forma, será possível aumentar o impacto dos estudos feitos no país. Como as pesquisas de interesse em astrobiologia são muito amplas e os pesquisadores utilizam palavras-chave de suas áreas específicas, é muito difícil encontrar quem faz pesquisa em astrobiologia no Brasil em bases como a plataforma Lattes, por exemplo”, acrescentou.

Ainda de acordo com Rodrigues, há pesquisadores que estudam a formação e detecção de moléculas prebióticas (existentes antes do surgimento da vida) em planetas e no meio interestelar mas que não mencionam a astrobiologia nas palavras-chave de seus artigos científicos ou na descrição de linhas de pesquisa em seus currículos disponibilizados na internet. Mesmo assim, há cerca de 160 pesquisadores no Brasil que registraram pesquisas em astrobiologia, exobiologia ou cosmobiologia ( na prática denominações diferentes para a mesma ciência), no Lattes, em 2012. Isso representa um crescimento de 300% em seis anos.

 Uma das propostas da RBA é servir como banco de dados no qual pesquisadores se cadastram com itens como descrição de artigos e projetos de pesquisa recentes. O cadastro será analisado pelos organizadores da rede e, se admitido, o pesquisador terá um perfil no sistema, que poderá ser acessado pelos demais usuários cadastrados. Segundo o pesquisador, o plano é que a rede seja um meio para identificar as principais demandas dos pesquisadores da área e, caso seja observado interesse, o primeiro passo na criação de um órgão formal da comunidade de pesquisa na área no Brasil, como uma Sociedade Brasileira de Astrobiologia.

Cooperação internacional em busca dos “ETs” de verdade

Para criar a RBA, foi formado um comitê científico composto por cientistas de diversas partes do mundo, com experiência em organizar sociedades e redes de astrobiologia. Entre eles estão Lynn Rothschild, pesquisadora da Nasa; Neil Banerjee, presidente da Rede de Astrobiologia do Canadá; Antigona Segura, da Sociedade Mexicana de Astrobiologia; e Worlf Geppert, da Rede Nórdica.

Algumas linhas de pesquisa exploradas por pesquisadores em diversos países são: astroquímica; química prebiótica e origem da vida; formação planetária e exoplanetas; Terra ancestral e primeiros fósseis; ciclos geológicos, atmosféricos e hidrológicos terrestres e em outros planetas; evolução; exploração espacial; e entendimento da vida em ambientes extremos da Terra.

O NAP-Astrobio também é membro associado do Nasa Astrobiology Institute. Além do Instituto de Astrobiologia da Nasa, o NAP-Astrobio também é membro internacional da European Astrobiology Networks Association. “Isso tudo nos dá a possibilidade de expandir e tornar a RBA também membro internacional de redes de astrobiologia de outros países”, concluiu Rodrigues.

Com Informações: Agência Fapesp

01:10 · 04.05.2012 / atualizado às 04:23 · 04.05.2012 por
Concepção artística de como seria a descida da sonda-navio nos lagos de metano líquido de Titã Imagem: Open University

O corpo celeste extraterrestre conhecido com mais chances de habitabilidade (64%), a lua saturnina Titã (descoberta em 1655), pode ganhar a exploração mais inusitada da história da astronáutica.

Cientistas britânicos da Open University sugeriram a Nasa e a Agência Espacial Europeia (ESA) a construção de uma sonda espacial em forma de navio, que desceria até os lagos de metano líquido do satélite natural com a ajuda de paraquedas. Seria a primeira vez que um objeto construído pela humanidade navegaria fora da Terra.

Titã, que  fica a quase 1 bilhão de quilômetros daqui, tem grandes semelhanças com o que se acredita terem sido as condições primitivas do nosso mundo. O único problema é que lá é uma versão gelada do nosso mundo primordial.

Parecido, mas bem diferente da Terra 

Cerca de 95% da atmosfera  dessa lua é composta de nitrogênio, aqui esse índice é de 78%.  O oxigênio, como nós conhecemos aqui, não existe por lá, mas esse gás também não existia em nosso planeta antes do surgimento dos micro-organismos fotossintetizantes.

Titã, assim como a Terra, é rico em hidrocarbonetos (moléculas, incluindo o próprio metano, que compõem, por exemplo, o nosso petróleo), rochas  e “areia” de gelo, que formam verdadeiras dunas cobrindo 4 milhões de km² (cerca de metade do tamanho do território brasileiro).

Os tais lagos ou mares de metano (e possivelmente etano), segundo indicam dados enviados pela sonda espacial Cassini, tem um ciclo parecido com o da água na Terra, Lá há provavelmente nuvens, névoas, chuva, tempestades e rios desse elemento, que aqui é encontrado no estado gasoso.

Em Titã, a região com maior predominância de metano líquido é o hemisfério norte, embora isso possa variar de acordo com a estação do ano saturniano, que equivale a 29 anos terrestres.  A explicação é simples, o metano ferve à -161ºC e a temperatura média daquela lua é de – 179ºC , embora a máxima possa chegar a -50ºC.

Já em nosso planeta, onde a temperatura mínima é de -89ºC, o metano teve e tem um papel chave para a vida, embora possa se formar em condições não biológicas. Essa molécula simples, por exemplo, é produzida por bactérias que decompõem matéria orgânica, bem como nos sistemas digestivos de animais, como nós humanos.

O gás é também altamente inflamável e mal-cheiroso, mas o mais grave é que ele tem potencial gerador de efeito estufa até maior que o dióxido de carbono (CO2), apontado como o grande vilão do aquecimento global.

Acredita-se que  liberações em larga escala de metano estão por trás de alguns dos grandes ciclos de extinção na Terra pré-histórica e há uma preocupação crescente de ambientalistas quanto ao aumento da emissão desse gás, cuja concentração dobrou nos últimos 200 anos.

Futuro “promissor” para vida em Titã 

Essa é a principal imagem enviada pela Huygens, da superfície de Titã, mostrando rochas de gelo Imagem: Agenciaa Espacial Europeia

Mas mesmo tendo até 60 vezes mais capacidade de aquecimento que o CO2, o metano de Titã não interfere muito nas temperaturas de lá.

Com a enorme distância que separa o satélite do Sol, a quantidade de calor e radiação que atinge sua superfície é mínima e a nossa estrela, vista de lá é pouco mais brilhante que uma lua Cheia, embora bem menor.

Mesmo com essas condições tão adversas, astrobiólogos não descartam a possibilidade de que formas de vida bem diferentes da nossa existam por lá, embora seja improvável encontrar algo mais complexo que algum micro-organismo exótico.

As melhores imagens feitas daquele corpo celeste foram feitas pela sonda Huygens, que foi enviada junto à Cassini, e desceu pela densa atmosfera titânica  em janeiro de 2005.

Infelizmente, para os cientistas e para nós amantes da ciência, a Huygens só conseguiu enviar imagens por 90 minutos, antes de suas baterias solares pararem de funcionar, o que foi suficiente, no entanto, para mostrar a superfície do astro.

Caso não seja colonizado pela raça humana ou por qualquer outra nos próximos 5 bilhões de anos, estima-se que Titã vai se tornar uma espécie de paraíso para a vida quando o Sol começar a se expandir.

Isso porque nessa distante época futura, a energia solar que atingirá Titã será a mesma que atinge a Terra hoje. E todas as condições prévias formadoras da vida se encontram por lá…

05:48 · 30.03.2012 / atualizado às 02:29 · 12.04.2012 por
Lua gelada de Saturno, Encélado tem gêiseres que podem indicar existência de vasto oceano abaixo do manto de gelo e formas de vida Imagem: Nasa

O cerco ao primeiro extraterrestre oficial (que pode ser desde um micróbio a uma criatura parecida com um peixe) parece estar se fechando. A sonda espacial Cassini (lançada em 1997 num consórcio entre Nasa, Agência Espacial Europeia e Agência Espacial Italiana) registrou jatos de água gelada próximo à superfície de Encélado, uma das luas de Saturno.

A descoberta pode indicar a existência de um habitat favorável à existência de vida extraterrestre. “Mais de 90 gêiseres de todos os tamanhos estão emitindo vapor de água, partículas de gelo, e componentes orgânicos na superfície do Polo Sul de Encélado”, revelou a pesquisadora Carolyn Porco, chefe da equipe de Imagens Científicas da Cassini.

A existência de gêiseres é mais uma evidência de que abaixo do manto de gelo em Encélado pode existir um vasto oceano. “Cassini voou várias vezes através destas partículas e as analisou. Além de água e material orgânico, encontramos sal nas partículas de gelo. A salinidade é a mesma que a existente nos oceanos da Terra”, explicou a cientista.

“O tipo de ecossistemas que Encélado pode abrigar poderiam ser como os existentes nas profundezas de nosso planeta. Embora tudo aconteça inteiramente à revelia de luz solar. No fim, esse é o lugar mais promissor que conhecemos para a pesquisa em astrobiologia. Não precisamos sequer mexer na superfície. Basta voar entre estas colunas de partículas. Ou podemos pousar sobre a superfície e tirar mostras”, projetou Carolyn.

Devido ao caráter promissor da missão Cassini, a Nasa resolveu prolongá-la até 2017. Em 2004 a sonda chegou a Saturno e  se tornou o primeiro satélite artificial a orbitar o planeta. Logo em seguida, começou a pesquisa na lua Titã, a maior de um total estimado entre 61 e 200 luas.

 

14:09 · 19.11.2011 / atualizado às 16:28 · 24.11.2011 por
Tempestade ocupou área de 15 mil km² em Saturno (Imagens: AP)

Para quem se aterroriza com a intensidade, tamanho e poder de destruição das tempestades na Terra (como não lembrar das ações mortais do furacão Katrina, nos Estados Unidos,  ou do ciclone que matou 100 mil, em Mianmar? ), a que aconteceu em Saturno, entre os meses de dezembro de 2010 e junho de 2011, é absolutamente sem comparação com qualquer  evento já visto em nosso planeta.

O fenômeno climático saturniano teve extensão equivalente à distância entre São Paulo e Jacarta, na Indonésia, ou seja 15 mil km, mas percorreu uma área grande o suficiente para cobrir dez vezes o globo terrestre. Na última quinta-feira (17), quase cinco meses após o encerramento da fase mais ativa da giga-tempestade, a Nasa (sigla inglesa para Agência Espacial Norte-Americana) divulgou imagens inéditas, feitas pela sonda Cassini, a uma distância de 1,1 milhões de km daquele planeta (quase quatro vezes a distância entre a Terra e a Lua).

Ocorrido na face norte de Saturno, o “furacão” começou, como uma mancha relativamente pequena, no dia 5 de dezembro do ano passado, e evoluiu para uma tempestade de dimensões planetárias, sendo a maior detectada nos últimos 20 anos e também a maior já fotografada por uma sonda espacial. Outra medida que serve para se entender o tamanho da agitação climática de lá é o fato de que as nuvens de turbulência permanecem até hoje (mais de onze meses depois)  na atmosfera do planeta.

“A tempestade de Saturno se parecia mais com um vulcão que com um sistema climático terrestre. A pressão se acumula durante muitos anos antes da tempestade explodir. O mistério é que não há rochas para resistir à pressão e atrasar a erupção durante tantos anos”, explicou Andrew Ingersoll, membro da equipe de imagens da Cassini no Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos.

Cassini, 14 anos a serviço da Astronomia

Dotada de câmeras de altíssima resolução, instrumentos de captação de ondas de rádio e plasma (totalizando 12 equipamentos) a sonda interplanetária Cassini, da Nasa, foi lançada em outubro de 1997, junto com a sonda Huygens da ESA (sigla inglesa para Agência Espacial Europeia).

Sete anos depois, chegou às proximidades de Saturno e teve como missão inicial estudar a maior lua do planeta, Titã. Mas apesar de ter concluído os objetivos iniciais de sua pesquisa no final de 2008, a Cassini continua (e continuará até 2017) enviando informações úteis e, em muitos casos surpreendentes, sobre o sexto planeta (em distância do Sol) do nosso sistema.

Com elas, os cientistas esperam estudar as mudanças climáticas em Saturno e suas luas, algumas das quais reúnem condições relativamente favoráveis ao surgimento de formas de vida simples (ainda não encontradas, diga-se de passagem).