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Tag: Sistema Solar


17:52 · 15.12.2017 / atualizado às 17:52 · 15.12.2017 por
Concepção artística do Oumuamua, asteroide que tem formato compatível com o que uma nave precisaria ter para percorrer o espaço interestelar, segundo pesquisadores Foto: Los Angeles Times

O misterioso Oumuamua, um objeto em forma de cigarro vindo de outro sistema estelar e que foi detectado recentemente, “não emite sinais artificiais”, segundo as primeiras observações de cientistas à procura de vida inteligente fora da Terra, frustrando astrobiólogos.

O objeto rochoso, cujo nome significa “mensageiro” na língua havaiana, foi detectado em 19 de outubro com o telescópio Pan-STARRS1, situado no Havaí, que rastreia os objetos que se aproximam da Terra. Em um estudo publicado na revista científica Nature em 21 de novembro, uma equipe de pesquisadores considerou que se tratava de um asteroide de 400 metros de comprimento e 40 de largura.

Sua forma não tem precedentes na longa lista de asteroides e cometas que se formaram em nosso Sistema Solar, segundo esses pesquisadores, que concluíram que esse asteroide era de natureza interestelar. Pesquisadores chegaram a especular que pudesse se tratar de um objeto artificial, dado o seu formato, compatível com o que se espera de uma nave capaz de cruzar o espaço interestelar.

Segundo os astrônomos, esse objeto incomum cruzou a Via Láctea durante milhões de anos, antes de chegar ao nosso Sistema Solar. O programa Breakthrough Listen, destinado à busca de vida tecnológica extraterrestre no Universo, focou seu poderoso radiotelescópio de Green Bank (Virgínia Ocidental) sobre Oumuamua.

“Não descobriram sinais artificiais vindos desse objeto até agora (…), mas a vigilância e a análise de dados continua”, explicou Breakthrough Listen em comunicado.

Com informações: AFP

22:33 · 21.11.2017 / atualizado às 22:36 · 21.11.2017 por
O Oumuamua tem 400m de comprimento, o que representa aproximadamente dez vezes a sua largura, uma forma nunca observada em corpos celestes do Sistema Solar Foto: Los Angeles Times

Um misterioso objeto rochoso e alongado detectado em outubro provém de outro sistema solar, uma observação sem precedentes que foi confirmada pelos astrônomos. Esta detecção abre uma nova janela sobre a formação de outros mundos estelares em nossa galáxia, a Via Láctea, segundo estes cientistas, cujo trabalho foi publicado pela revista britânica Nature.

O asteroide, batizado de Oumuamua (mensageiro em havaiano), tem 400 metros de comprimento, o que representa aproximadamente dez vezes a sua largura. Esta forma incomum não tem precedentes entre os cerca de 750.000 asteroides e cometas observados até agora em nosso sistema solar, onde se formaram, de acordo com estes pesquisadores.

Os cientistas concluíram com certeza a natureza extra estelar deste asteroide, porque a análise dos dados coletados mostra que sua órbita não pode ter origem dentro do nosso sistema solar.

Os astrônomos acreditam que um asteroide interestelar similar a Oumuamua passa dentro do sistema solar aproximadamente uma vez por ano.

Mas é algo difícil de rastrear, e não tinha sido detectado até agora. Faz relativamente pouco tempo que os telescópios que monitoram estes objetos são potentes o suficiente para poder descobri-los.

Segundo os astrônomos, este objeto viajou sozinho através da Via Láctea durante centenas de milhões de anos, antes de passar por nosso sistema solar e continuar seu caminho.

Visitante estranho

“Durante décadas pensamos que tais objetos de outro mundo poderiam se encontrar perto do nosso sistema solar, e agora, pela primeira vez, temos evidência direta de que existem”, disse Thomas Zurbuchen, responsável adjunto das missões científicas da Nasa, que financiou esta última pesquisa. “Esta descoberta abre uma nova janela para estudar a formação de sistemas solares além do nosso”, considerou.

“É um visitante estranho procedente de um sistema estelar muito distante que tem uma forma que nunca tínhamos visto em nossos arredores cósmicos”, acrescentou Paul Chodas, diretor do Centro para o Estudo de Objetos Próximos à Terra do Jet Propulsion Laboratory da Nasa, em Pasadena, Califórnia. Oumuamua foi descoberto em 19 de outubro com o telescópio Pan-STARRS1 situado no Havaí, que rastreia objetos próximos ao nosso planeta.

Imediatamente depois de sua descoberta, outros telescópios de todo o mundo, entre eles o Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu Austral (ESO), no norte do Chile, começaram a observar o asteroide para determinar suas características.

Uma equipe de astrônomos dirigida por Karen Meech, do Instituto de Astronomia do Havaí, constatou que a potência do brilho do objeto varia até dez vezes na medida em que completa uma volta sobre si mesmo a cada 7,3 horas.

Nenhum asteroide ou cometa em nosso sistema solar experimenta essa magnitude na variação de seu brilho ou essa proporção entre o comprimento e a largura, ressaltam os especialistas.

Nem água nem gelo

Estas propriedades sugerem que o Oumuamua é denso e é formado por rochas e possivelmente também por metais.

Mas não tem nem água nem gelo, e sua superfície ficou avermelhada pelos efeitos das radiações cósmicas durante centenas de milhões de anos.

Telescópios terrestres de alta potência continuam monitorando o asteroide enquanto este desaparece rapidamente à medida que se afasta da Terra.

Dois telescópios espaciais da Nasa, o Hubble e o Spitzer, o seguem esta semana. Na segunda-feira (20), o objeto estava viajando a uma velocidade de 38,3 km por segundo e estava a cerca de 200 milhões de km da Terra.

O Oumuamua passou a órbita de Marte em 1 de novembro e passará perto de Júpiter em maio de 2018. Depois continuará sua rota além de Saturno, em janeiro de 2019, e sairá do nosso sistema solar para se dirigir à constelação de Pegasus.

As observações com os grandes telescópios terrestres continuarão até que o asteroide se torne praticamente indetectável, depois de meados de dezembro.

Com informações: AFP

07:47 · 21.05.2016 / atualizado às 22:14 · 20.05.2016 por
Foto: Nasa
Pesquisa mostra que é possível que exista hidrogênio e oxigênio suficientes para a formação de vida por lá. Já era sabido que Europa tem outros elementos favoráveis à vida como gás carbônico, água oxigenada e enxofre Foto: Nasa

A Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) já havia afirmado que Europa, uma das luas de Júpiter, era o lugar mais provável de ter vida fora da Terra. Agora, um estudo comprova que a química dos oceanos do satélite é muito parecida com a da Terra.

A pesquisa mostra que é possível que exista hidrogênio e oxigênio suficientes para a formação de vida por lá, ainda que não exista atividade vulcânica na lua de Júpiter. Já era sabido que Europa tem outros elementos favoráveis à vida como gás carbônico, água oxigenada e enxofre.

“A Europa é recoberta por uma camada de gelo relativamente fina, possui um oceano [líquido sob o gelo] em contato com rochas no fundo, é geologicamente ativa e bombardeada por radiações que criam oxidantes e formam, ao se misturar com a água, uma energia ideal para a vida”, afirmou Robert Pappalardo, cientista da Nasa em 2013.

O estudo, publicado pelo periódico Geophysical Research Letters, descobriu que a produção de oxigênio tanto na Terra quanto em Europa é cerca de dez vezes maior do que a produção de hidrogênio.

Na Terra, nossos oceanos produzem hidrogênio e calor quando a água salgada do mar penetra nas fissuras da crosta terrestre e reage com os minerais. O objetivo dos cientistas agora é saber se essa reação também acontece no satélite de Júpiter.

Europa também possui fissuras em sua crosta e elas são cinco vezes maiores do que as da Terra: cerca de 25 quilômetros de profundidade. Já o oxigênio pode ser criado quando moléculas congeladas da água se desprendem da superfície do oceano e voltam às profundezas do mar, onde está o hidrogênio.

Missão em 2020

A ESA (Agência Espacial Europeia) assinou um contrato de 350 milhões de euros com a Airbus Defence and Space para construir Juice, uma sonda que vai estudar Júpiter e suas luas congeladas em 2020.

Segundo Elizabeth Robinson, chefe do setor financeiro da Nasa, o ambiente com muita radiação que predomina em volta de Júpiter e a distância da Terra serão os grandes desafios para este projeto.

Quando a Nasa enviou a sonda Galileu para Júpiter, em 1989, foram necessários seis anos para que a sonda chegasse ao quinto planeta do Sistema Solar.

Outras sondas da Nasa já passaram perto de Europa, especialmente a Galileu, mas nenhuma se concentrou especificamente na lua, que é uma das dezenas que orbitam Júpiter.

Com informações: UOL

16:42 · 06.06.2014 / atualizado às 17:13 · 06.06.2014 por
Foto: Blog Eternos Aprendizes
De acordo com os novos estudos, a Lua pode ser uma mistura 50/50 de restos da Terra e de Theia Foto: Blog Eternos Aprendizes

Cientistas alemães disseram na quinta-feira (5) que as amostras lunares coletadas nas décadas de 1960 e 1970 mostram novas evidências de que a Lua se formou quando a jovem Terra colidiu com outro corpo celeste.

Os pesquisadores chamam de “A Hipótese do enorme Impacto” o suposto ocorrido, segundo o qual a Lua foi criada quando a Terra bateu com um corpo chamado Theia há 4,5 bilhões de anos. A maioria dos especialistas apoia esta hipótese, mas eles dizem que a única forma de confirmar que tal impacto ocorreu é estudando as proporções de isótopos de oxigênio, titânio, silício e outros componentes nos dois corpos celestes.

Até agora, os cientistas que estudavam as amostras lunares que chegaram da Terra em meteoritos descobriram que a Terra e a Lua têm uma composição muito similar. Mas agora, ao estudar as amostras coletadas da superfície lunar pela equipe da Nasa das missões Apolo 11, 12 e 16 e compará-las com técnicas científicas mais avançadas, os cientistas descobriram algo novo.

“Puderam detectar uma leve, mas claramente maior, composição do isótopo de oxigênio nas amostras lunares”, destaca o estudo publicado na revista especializada Science. “Esta mínima diferença apoia a hipótese do enorme impacto na formação da Lua”. Segundo modelos que recriaram esta colisão em um nível teórico, a Lua era formada por elementos de Theia em 70% a 90%, e elementos terrestres em 10% a 30%.

Mas agora os pesquisadores revisaram para cima o papel do nosso planeta na composição do seu satélite: a Lua pode ser uma mistura 50/50 de restos da Terra e de Theia. No entanto, faltam mais estudos para confirmar esta versão.

“Agora podemos estar razoavelmente seguros de que a enorme colisão ocorreu”, disse o autor principal do estudo, Daniel Herwartz, da universidade Georg-August de Gottingen, na Alemanha.

Com informações: AFP

17:14 · 15.05.2014 / atualizado às 17:37 · 15.05.2014 por
Mancha de Júpiter perdeu 6.400 km de diâmetro nos últimos 35 anos Foto: Nasa
Mancha de Júpiter perdeu 6.400 km de diâmetro nos últimos 35 anos, de acordo com imagens feitas pelo telescópio Hubble Foto: Nasa

A marca registrada de Júpiter – uma mancha vermelha maior que a Terra – está encolhendo, mostraram imagens do Telescópio Espacial Hubble divulgadas nesta quinta-feira (15).

A chamada “Grande Mancha Vermelha” é uma violenta tempestade, que no final dos anos 1880 teve seu tamanho estimado em cerca de 40 mil quilômetros de diâmetro, grande o suficiente para acomodar três Terras lado a lado.

A tempestade, a maior do Sistema Solar, tem a aparência de uma profunda esfera vermelha cercada por camadas de amarelo pálido, laranja e branco. Os ventos em seu interior foram calculados em centenas de quilômetros por hora, disseram astrônomos da Nasa, a agência espacial norte-americana.

Quando a sonda espacial Voyager, da Nasa, a sobrevoou em 1979 e 1980, as manchas tinham diminuído para cerca de 22.500 quilômetros de diâmetro.

Agora, novas imagens tiradas pelo Hubble em órbita da Terra mostram que a mancha vermelha de Júpiter está menor do que nunca, medindo pouco menos de 16.100 quilômetros de diâmetro, além de parecer mais circular na forma.

Os cientistas não sabem ao certo por que a Grande Mancha Vermelha está encolhendo cerca de mil quilômetros por ano.

“É visível que redemoinhos minúsculos estão se juntando à tempestade… estes podem ser responsáveis pela mudança acelerada ao alterar a dinâmica interna (da tempestade)”, disse Amy Simon, astrônoma do Centro de Voo Espacial Goddard, da Nasa, em Greenbelt, Maryland, em um comunicado.

Com informações: Reuters

19:13 · 26.03.2014 / atualizado às 19:16 · 26.03.2014 por
Foto: Observatório Nacional / Divulgação
O centauro (maior que asteroide e menor que um planeta-anão) Chariklo, que orbita entre Saturno e Urano, mede 250 km de diâmetro e possui dois anéis batizados com os nomes das cidades litorâneas extremas do Brasil, o Oiapoque e o Chuí Foto: Observatório Nacional / Divulgação

Uma observação feita no ano passado por astrônomos de vários países, incluindo pesquisadores do Brasil, permitiu a descoberta de anéis em um corpo celeste do sistema solar do tipo centauro, pequenos objetos que orbitam ao redor do Sol atravessando as órbitas dos planetas.

O objeto, denominado Chariklo, está situado entre as órbitas de Saturno e Urano, e tem dois anéis, distantes cerca de 9 quilômetros um do outro. O artigo descrevendo a descoberta  foi publicado nesta quarta-feira (26) na revista Nature e é assinado por 62 astrônomos, sendo 11 brasileiros, dos quais cinco trabalham no Observatório Nacional (ON), órgão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Oiapoque e Chuí

Os anéis foram batizados pelos descobridores como Oiapoque, para o mais largo, enquanto o outro foi denominado Chuí, mas a confirmação dos nomes depende ainda da IAU (sigla em inglês para União Astronômica Internacional). A descoberta põe por terra a tese que vigorava até então, de que somente os planetas gigantes (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) têm anéis.

O astrônomo Roberto Vieira Martins, do ON, disse que o fenômeno foi visto em sete observatórios localizados na América Latina, com destaque para Chile, Uruguai, Argentina e Brasil. O projeto resultou de cooperação entre o ON, o Observatório de Paris e o Instituto de Astrofísica de Andaluzia,  na Espanha. Martins esclareceu que a observação faz parte de um programa de longo prazo que pretende  entender como o sistema solar se formou  e como evoluiu no início de sua vida.

“Dentro desse projeto, a gente observou esse objeto particular e descobriu, por acaso, que ele tinha anéis. A importância  do anel é que, até hoje, só se conhecia anéis nos grandes planetas do sistema solar. Nenhum outro objeto tinha anel”, sustentou. Chariklo Centauro é um objeto pequeno, cujo diâmetro mede apenas 250 quilômetros. “É menor do que a Lua”.

Fora a surpresa da descoberta, os astrônomos vão se dedicar agora a tentar explicar como isso ocorreu, porque o mecanismo de formação de anéis que a astronomia conhece hoje está ligado a planetas gigantes. “O achado vai motivar agora um olhar diferente para procurar entender como se formam anéis em um corpo celeste pequeno”, disse Martins.

Martins ressaltou que a descoberta é  importante porque se trata de uma observação  feita em cooperação entre pesquisadores  de diversos países. “Para o Brasil, em particular, significa inserção internacional da ciência”, explicou. Como a descoberta utilizou  tecnologia de ponta, o achado tende ainda ao desenvolvimento  de novos métodos e equipamentos.

Com informações: Agência Brasil

17:05 · 27.02.2014 / atualizado às 17:06 · 27.02.2014 por
Concepção artística representando diferentes modelos de sistemas estelares descobertos pelo satélite norte-americano Kepler Imagem: Nasa
Concepção artística representando diferentes modelos de sistemas estelares descobertos pelo satélite norte-americano Kepler Imagem: Nasa

O número de planetas conhecidos fora do Sistema Solar quase dobrou numa tacada só. A equipe responsável pelo satélite americano Kepler anunciou a descoberta de 715 desses mundos distantes.

O achado corresponde à análise dos dois primeiros anos de coleta de dados do telescópio espacial da Nasa, por meio de um novo método que permite confirmar que se tratam mesmo de planetas, e não de falsos positivos.

O Kepler operou por quase quatro anos, até que em maio do ano passado um defeito em uma de suas rodas de reação impediu o apontamento preciso do satélite e interrompeu a missão. Com isso, é certeza que o número de planetas ainda vai subir bastante conforme mais dados sejam processados pelo novo método.

Por ora, o número saltou de cerca de 1.000 para 1.700. Não há um número exato, pois diversos grupos contabilizam diferentes astros, e não há uma contabilização oficial. De toda forma, é um aumento de 70% no número de planetas identificados. E um aspecto interessante do novo achado: ele envolve apenas estrelas que têm mais de um planeta em torno delas. É um viés criado pelo próprio método de confirmação.

O Kepler detecta planetas ao identificar pequenas reduções de brilho que acontecem nas estrelas quando um mundo passa à frente delas, com relação ao campo de visão do telescópio. Na maioria dos casos, essas detecções são mesmo planetas. Mas em alguns deles, é possível que as variações de brilho sejam geradas por estrelas binárias.

Em geral, para confirmar que de fato se trata de um planeta, até agora era preciso fazer uma verificação independente com telescópios em terra, por outro método de detecção. Mas a equipe liderada por Jack Lissauer, do Centro Ames de Pesquisa da Nasa, usou o conceito de “multiplicidade” para obter a confirmação “por baciada”.

A noção é observar estrelas que têm múltiplos planetas e, portanto, apresentam múltiplas reduções de brilho conforme cada um deles passa à frente delas. O padrão de multiplicidade reduz drasticamente a possibilidade de falsos positivos, que podem ser descartados facilmente.

Assim, o nível de certeza para os novos mundos detectados excede 99%. Mais do que bom, segundo Lissauer. “A multiplicidade é uma técnica poderosa para verificação de planetas em grande quantidade”, disse o pesquisador, em entrevista coletiva realizada pela Nasa.

Em razão do viés criado pela técnica, todos os mundos recém-anunciados pertencem a sistemas multiplanetários. Os 715 estão distribuídos em torno de 305 estrelas, das 150 mil que o Kepler monitorou durante sua missão inicial.

Com informações: Folhapress

17:18 · 25.02.2014 / atualizado às 17:42 · 25.02.2014 por
Foto: Nasa
Contribuição de asteroides para o acúmulo de água no planeta pode ter sido superior a 50% Foto: Nasa

Pesquisadores brasileiros desenvolveram um modelo mais preciso para determinar a origem da água e da vida na Terra.

Em vez de ter vindo de cometas, hipótese mais aceita até agora, a maior parte da água no planeta teria vindo de asteroides.

Assinam o trabalho cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Guaratinguetá, em colaboração com colegas da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e do Instituto de Astrobiologia da agência espacial norte-americana (Nasa).

De acordo com Othon Cabo Winter (Unesp), coordenador do estudo, até recentemente se acreditava que os cometas, ao colidir com a Terra durante a formação do Sistema Solar, haviam trazido a maior parte da água existente hoje no planeta.

Simulações computacionais da quantidade de água que esses objetos celestes de gelo podem ter fornecido para a Terra – baseadas no índice de deutério (o hidrogênio mais pesado) na água deles – negam essa hipótese.

“Pelas simulações, a contribuição dos cometas no fornecimento de água para a Terra seria de, no máximo, 30%. Mais do que isso é pouco provável”, disse o pesquisador.

Origem da pesquisa

No início dos anos 2000, estudos internacionais sugeriram que, além dos cometas, outros objetos planetesimais (que deram origem aos planetas), como asteroides carbonáceos – o tipo mais abundante de asteroides no Sistema Solar –, também poderiam ter água e fornecê-la para a Terra por meio da interação com planetas e embriões planetários durante a formação do Sistema Solar.

A hipótese foi confirmada nos últimos anos por observações de asteroides feitas a partir da Terra e de meteoritos (pedaços de asteroides) que entraram na atmosfera terrestre. Outras possíveis fontes de água da Terra, também propostas nos últimos anos, são grãos de silicato (poeira) da nebulosa solar (nuvem de gás e poeira), que encapsularam moléculas de água durante a formação do Sistema Solar.

Essa “nova” fonte, no entanto, ainda não tinha sido validada e incluída nos modelos de distribuição de água por meio de corpos celestes primordiais, como os asteroides e os cometas. “Incluímos esses grãos de silicato da nebulosa solar, com os cometas e asteroides, no modelo que desenvolvemos e avaliamos qual a contribuição de cada uma dessas fontes para a quantidade de água que chegou à Terra”, detalhou Winter.

O pesquisador e seus colaboradores conseguiram estimar a contribuição de cada um desses objetos celestes com base nesse “certificado de origem”, o índice de deutério da água encontrada na Terra. Além disso, conseguiram determinar qual o volume de água que cada uma dessas fontes forneceu e em que momento fizeram isso durante a formação do planeta.

“A maior parte veio dos asteroides, que deram uma contribuição de mais de 50%. Uma pequena parcela veio da nebulosa solar, com 20% de participação, e os 30% restantes dos cometas”, detalhou Winter.

Com informações: Agência Fapesp / Zero Hora

17:17 · 06.01.2014 / atualizado às 17:24 · 06.01.2014 por
Reprodução artística de uma pluma de água (similar a um gêiser terrestre) em Europa, lua de Júpiter Imagem: SouthWest Research Institute
Reprodução artística de uma pluma de água (em estrutura similar a um gêiser terrestre) em Europa, lua de Júpiter Imagem: SouthWest Research Institute

O Telescópio Espacial Hubble identificou possíveis plumas de água sendo lançadas do polo sul de Europa.  Os jatos se parecem com o gigantesco gêiser de água visto na lua Encélado, de Saturno.

Plumas em Europa poderiam ser ainda mais empolgantes por oferecerem a possibilidade de revelar um habitat subterrâneo que poderia até mesmo abrigar vida extraterrestre. “Se isso for verdade, pode ser a maior notícia do Sistema Solar externo desde a descoberta da pluma de Encélado”, declara Robert Pappalardo, cientista planetário do Laboratório de Propulsão a Jato em Pasadena, na Califórnia (Estados Unidos), que não se envolveu na pesquisa.

O trabalho, publicado em 12 de dezembro na Science, vem com várias ressalvas. Ainda que trabalhos teóricos anteriores tenham sugerido que poderiam existir plumas em Europa, indícios intrigantes delas não deram em nada. Dessa vez, o Hubble encontrou as possíveis plumas em uma única observação. E se forem mesmo reais, essas plumas podem não estar conectadas ao profundo oceano subterrâneo da lua.

“Essa é a primeira vez que descobrimos uma coisa assim, e precisamos voltar e olhar de novo”, explica Joachim Saur, cientista planetário da Universidade de Colônia na Alemanha, e um dos membros da equipe. Saur e seus colegas já tinham procurado plumas em Europa no passado, mas sem sucesso. Em 2012, a equipe decidiu tentar de novo.

Usando uma câmera ultravioleta do Hubble, eles observaram Europa uma vez em novembro e uma em dezembro daquele ano. O estudo de novembro não encontrou nada, mas a exposição de 2,7 horas em dezembro identificou bolhas de hidrogênio e oxigênio perto do polo sul de Europa.

Seu tamanho, forma e composição química são melhor explicados por duas plumas de vapor d’água com aproximadamente 200 quilômetros de altura, explica Lorenz Roth, o líder da equipe e cientista planetário do Instituto de Pesquisa Southwest em San Antonio, no Texas.

Esse valor tem muitas vezes a altura das possíveis plumas de Europa calculadas por alguns teóricos. Isso significaria que jatos de Europa chegam mais alto que as erupções vulcânicas em Io, uma das luas de Júpiter, mas não tão alto quanto a pluma gigantesca de Encélado.

Missões futuras

A descoberta poderia encorajar missões futuras. Em 2022, a Agência Espacial Europeia planeja lançar uma sonda que exploraria Europa, além de Júpiter e suas outras luas. E Pappalardo lidera uma equipe da Nasa que está planejando uma possível sonda norte-americana para Europa.

Com informações: Nature e Scientific American

21:12 · 25.12.2013 / atualizado às 21:43 · 25.12.2013 por
Imagem de Mercúrio feita pela sonda Messenger que chegou à instável órbita daquele planeta em 2008 Foto: Nasa
Imagem de Mercúrio feita pela sonda Messenger que chegou à instável órbita daquele planeta em 2008 Foto: Nasa

As instabilidades orbitais afetam em especial os planetas localizados próximos ao centro de sistemas estelares, o que pode afetar um ou dois planetas do Sistema Solar. Isso é o que afirma um estudo divulgado no periódico científico Proceedings of the National Academy of Science.

Conduzido por cientistas ligados à Northwestern University, nos Estados Unidos, o estudo cita a instável órbita de Mercúrio —o planeta que em nosso Sistema Solar localiza-se mais próximo do Sol— como uma evidência dessa organização confusa. O estudo afirma que graças a sua “particularmente caótica” órbita, Mercúrio pode até mesmo se perder do Sistema Solar daqui a 5 bilhões de anos. O caos ocorrido com sua órbita, ainda segundo o estudo, encontra paralelo também com a órbita de Marte (um dos planetas mais leves de nosso sistema).

O lado bom dessa eventual migração é que o planeta pode sobreviver, assim, à fase de expansão do Sol, prevista para o mesmo período, que engoliria de dois a quatro planetas (incluindo a Terra) mais próximos dele. Apesar de que seria uma sobrevivência parcial, já que longe de sua estrela, o planeta congelaria a -273ºC.