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Tag: sono


16:20 · 09.01.2018 / atualizado às 16:20 · 09.01.2018 por
Em decorrência do melhor descanso, os cientistas mostraram também que crianças com maior ingestão mensal desse tipo de alimento apresentaram melhor desempenho em testes de QI Foto:iStockphoto

Um artigo publicado no periódico científico “Scientific Reports” mostrou que se alimentar de peixes pode ser um dos fatores por trás de uma boa noite de sono.

O estudo de pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, foi feito com crianças chinesas e apresentou uma correlação entre o consumo regular de peixes e um sono de boa qualidade, resultado atribuído à substância Ômega 3, presente nos peixes. Em decorrência do melhor descanso, os cientistas mostraram que essas crianças apresentaram melhor desempenho em testes de QI.

Já se conhecia a relação entre consumo de Ômega 3 e um bom desempenho cognitivo. O artigo mostra que essa associação seria mediada por boas noites de sono. Participaram do estudo 541 crianças chinesas de 9 a 11 anos. Os pesquisadores pediram a elas para descrever seus hábitos alimentares, incluindo a frequência com que consumiam peixes. Os pais das crianças, por sua vez, foram entrevistados acerca dos padrões de sono de seus filhos.

Os cientistas então aplicaram testes de QI quando os jovens completaram 12 anos. Eles encontraram uma ligação entre o consumo regular de peixe e uma melhor noite de sono e notas mais altas no teste de raciocínio. Segundo os pesquisadores, embora o estudo tenha sido feito com crianças, é razoável imaginar que as descobertas também valham para adultos.

De acordo com os autores do estudo, consumir peixe algumas vezes por mês já seria suficiente para melhorar as funções cerebrais.

Com informações: Folhapress

22:17 · 24.09.2017 / atualizado às 22:24 · 24.09.2017 por
Mesmo sendo animais com sistema nervoso descentralizado, os cnidários ficavam muito mais lentos para responder a estímulos externos no período noturno Foto: ShutterStock

Pesquisadores demonstraram pela primeira vez que até mesmo organismos sem cérebro – no caso, uma espécie de água-viva – mostram um comportamento parecido com o ato de dormir, sugerindo que as origens do sono são muito mais primitivas do que se pensava.

Os pesquisadores observaram que a taxa na qual a água-viva Cassiopea , que pertence ao filo dos cnidários, pulsava seu corpo diminuía um terço durante a noite. Além disso, os animais ficavam muito mais lentos para responder a estímulos externos, como alimento ou movimentos, nesse período. Quando privadas de seu descanso noturno, as águas-vivas se mostravam menos ativas no dia seguinte.

“Todos com quem conversamos têm uma opinião quanto a se águas-vivas dormem ou não. Isso realmente nos empurra para lidar com a questão da natureza do sono”, diz Ravi Nath, principal autor do artigo e geneticista molecular no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) em Pasadena. O estudo foi publicado em 21 de setembro na revista científica Current Biology. “Este trabalho fornece evidências convincentes do quão cedo na evolução um estado similar ao sono evoluiu”, diz Dion Dickman, neurocientista na Universidade do Sul da Califórnia em Los Angeles.

Sono sem sentido

Nath está estudando o sono no verme Caenorhabditis elegans, mas sempre que apresentava seu trabalho em conferências de pesquisa outros cientistas zombavam da ideia de que um animal tão simples poderia dormir.

A questão fez Nath pensar: o quão simples deve ser o sistema nervoso de um animal para que ele careça da habilidade de dormir? A obsessão de Nath logo contagiou Michael Abrams e Claire Bedbrook, seus amigos e colegas doutorandos na Caltech. Abrams trabalha com águas-vivas e sugeriu que uma dessas criaturas seria um organismo modelo adequado, pois elas possuem neurônios, mas não um sistema nervoso central. Em vez disso, os neurônios das águas-vivas se conectam em uma rede neural descentralizada.

As águas-vivas Cassiopea, em particular, chamaram a atenção do trio. Apelidada de água-viva de ponta cabeça devido ao hábito de sentar no fundo do mar com a parte superior de seu corpo, com seus tentáculos acenando para cima, a Cassiopea raramente se move por conta própria. Isso tornou mais fácil para os pesquisadores projetarem um sistema automatizado que utiliza imagens em vídeo para rastrear a atividade de pulsação do corpo. Para fornecer evidências do comportamento semelhante ao sono na Cassiopea (ou qualquer outro organismo), os pesquisadores precisavam mostrar um período rapidamente reversível de diminuição da atividade – ou quiescência – com menor responsividade a estímulos.

O comportamento também deveria ser conduzido por uma necessidade de dormir a que aumentasse tanto quanto fosse maior o tempo que o animal passasse acordado, para que um dia de sono reduzido fosse seguido de um aumento de repouso. Outros pesquisadores já haviam documentado uma queda noturna na atividade em outras espécies de águas-vivas, mas nenhum estudo prévio mostrou os demais aspectos associados ao comportamento do sono.

Em um tanque de 35 litros, Nath, Abrams e Bedbrook rastrearam os pulsos do corpo da Cassiopea ao longo de seis dias e noites e descobriram que a taxa – a qual possui uma média de um pulso por segundo por dia – caía quase um terço à noite. Também documentaram períodos noturnos de 10 a 15 segundos livres de pulsos, o que não acontecia durante o dia.

Noite agitada

Na ausência de um alarme para águas-vivas, os cientistas usaram um petisco de camarão e ostra para tentar despertar a Cassiopea de seu cochilo.

Quando derrubavam comida no tanque durante a noite, os animais respondiam voltando ao padrão de atividade diurno. A equipe utilizou a preferência das águas-vivas de sentarem em superfícies sólidas para testar se a Cassiopea em repouso tinha uma resposta atrasada aos estímulos externos.

Eles levantaram lentamente a água-viva do fundo do tanque usando uma tela, depois a tiraram debaixo do animal, deixando-a flutuando na água. Demorou mais tempo para a criatura começar a pulsar e se reorientar quando isso aconteceu à noite do que durante o dia. Se o experimento fosse imediatamente repetido à noite, a água-viva responderia como se fosse dia. Por fim, quando a equipe forçou a Cassiopea durante toda uma noite, mantendo-a acordada com repetidos pulsos de água, encontraram uma queda de 17% em sua atividade no dia seguinte.

“Este trabalho mostra que o sono é muito mais antigo do que pensávamos. A simplicidade desses organismos abre as portas para entender por que o sono evoluiu e o que ele faz”, diz Thomas Bisch, biólogo evolutivo da Universidade Kiel na Alemanha. “O sono pode ser retroceder até esses pequenos metazoários – o quão mais longe isso vai?”, ele pergunta.

É isso que Nath, Abrams e Bedbrook querem descobrir. Em meio ao desafio de terminar suas teses de doutorado, começaram a procurar por genes antigos que pudessem controlar o sono, na esperança de que isso talvez fornecesse pistas sobre o porquê de o sono ter surgido originalmente.

Com informações: Scientific American Brasil

17:39 · 08.08.2017 / atualizado às 17:39 · 08.08.2017 por
De acordo com o novo estudo, o cérebro consegue reter memórias novas durante as fases de sono REM e de sono não-REM leve Foto: Getty Images

Um estudo realizado por neurocientistas franceses demonstra que uma pessoa pode aprender mesmo enquanto dorme, mas isso é possível apenas em determinadas fases do sono. Liderada por Thomas Andrillon, da École Normale Supérieure, em Paris (França) a pesquisa teve seus resultados publicados nesta terça-feira (8) na revista “Nature Communications”.

Pesquisas anteriores tinham resultados contraditórios. Enquanto algumas indicavam que é possível aprender durante o sono, outras sugeriam que o cérebro não forma novas memórias enquanto a pessoa dorme. De acordo com os autores, os resultados do novo estudo explicam a contradição: o aprendizado acontece, mas apenas em determinados estágios do sono.

Segundo os pesquisadores, o sono se divide em diversos estágios. O sono REM (movimento ocular rápido, na sigla em inglês), é um sono profundo que ocorre com mais frequência na segunda metade da noite de sono e se caracteriza por uma atividade cerebral rápida, pela ocorrência de sonhos e um por relaxamento total do corpo. Nos outros estágios, conhecidos como sono não-REM, a profundidade do sono varia, a atividade cerebral é lenta e há uma restauração da mente e do corpo.

Retenção de memórias

De acordo com o novo estudo, o cérebro consegue reter memórias novas durante as fases de sono REM e de sono não-REM leve. Mas, no estado de sono não-REM profundo, a capacidade de aprender informação nova e de reter as memórias é suprimida.

Andrillon explicou que as discrepâncias nos estudos anteriores têm relação com o fato de que diferentes estágios do sono são caracterizados por diferentes tipos de atividade cerebral. Isso explicaria por que em outros experimentos as pessoas às vezes conseguiam aprender durante o sono e, às vezes, não.

Para testar essa hipótese, os cientistas mediram a atividade cerebral de voluntários durante o sono. Enquanto os participantes dormiam, ouviam diferentes sequências de sons. Assim que acordavam, eles passavam por um teste para avaliar sua capacidade para reconhecer os sons que haviam ouvido durante o sono.

Ouvir as sequências durante o sono REM melhorava a performance dos voluntários na tarefa, enquanto ouvi-las durante o sono não-REM reduzia o desempenho. Analisando as respostas dos indivíduos aos sons tocados durante o sono, os autores confirmaram o efeito de aprendizado no sono REM.

No sono não-REM, eles observaram uma clara distinção entre os estágios mais leves – durante os quais ainda era possível aprender – e os estágios mais profundos, durante os quais o aprendizado foi suprimido.

Segundo Andrillon, os resultados não apenas mostram que é possível aprender durante o sono, mas ajudam a compreender os processos de memorização em geral.

Com informações: Estadão Conteúdo

22:37 · 13.03.2015 / atualizado às 22:49 · 13.03.2015 por
Foto: Blog Quimicalzheimer
Roedores que sonharam logo depois de ter brincado com objetos que nunca tinham visto antes tiveram áreas-chave de seu cérebro remodeladas pela ativação de certos genes Foto: Blog Quimicalzheimer

Os sonhos podem não ser mensagens divinas, como se acreditava, mas sua função real é igualmente importante: “esculpir” memórias nas conexões entre as células do cérebro.

Essa é a conclusão de um estudo com ratos feito por pesquisadores brasileiros, no qual os roedores que sonharam logo depois de ter brincado com objetos que nunca tinham visto antes tiveram áreas-chave de seu cérebro remodeladas pela ativação de certos genes. Era como se os cientistas enxergassem as memórias se formando.

A pesquisa, publicada na revista “Neurobiology of Learning and Memory”, tem entre seus autores Sidarta Ribeiro, do Instituto do Cérebro da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), e Koichi Sameshima, do Hospital Sírio-Libanês e da USP. Para Ribeiro, o melhor termo para designar o que acontece no cérebro dos ratos durante os sonhos é “entalhamento”.

“Isso dá a noção de alto e baixo relevo”, como uma figura esculpida, diz. Durante essa fase do sono, as sinapses (conexões entre neurônios) passam tanto por um fortalecimento de longa duração quanto por um enfraquecimento duradouro. O resultado é a formação das memórias e a consolidação do aprendizado no cérebro.

Parque de diversões

Para chegar a essas conclusões, Ribeiro e seus colegas expuseram seus ratos de laboratório a uma espécie de parque de diversões – um conjunto de objetos projetados para maximizar os estímulos que os bichos acham interessantes.

Os animais nunca tinham tido contato com nada parecido, o que favoreceria a formação de novas memórias sobre a experiência. Após uma hora, os pesquisadores permitiram que os bichos caíssem no sono e sonhassem – o que foi possível monitorar porque eles tinham instalado eletrodos no cérebro dos animais.

Com isso, Ribeiro e seus colegas flagraram o início do sono REM, caracterizado por rápidos movimentos involuntários dos olhos em humanos e correspondente aos sonhos. Acabou aí a alegria dos ratos, porém. Após 30 minutos de sonhos, eles foram anestesiados e sacrificados. Os pesquisadores, então, analisaram o padrão de ativação dos genes no cérebro deles.

O resultado é que havia dois principais grupos de genes “ligados”. O primeiro envolvia processos que comandam a liberação de neurotransmissores (mensageiros químicos do sistema nervoso) pelas sinapses, bem como o crescimento de “pontes” entre um neurônio e o outro. Já o outro grupo de genes está ligado ao desligamento desses processos  tudo de acordo, portanto, com a hipótese de “entalhamento”.

Isso indicaria que sonhar bastante é uma receita para ampliar a inteligência? Do ponto de vista evolutivo, isso parece fazer sentido – mamíferos com fases longas de sono REM tendem a ser mais inteligentes, diz o pesquisador.

“Além da questão cognitiva, é preciso considerar o nicho ecológico. Os campeões de sono REM são animais do topo da cadeia alimentar – felinos, cães, cetáceos e símios, que têm muito tempo livre e segurança para dormir”, afirma.

Com informações: Reinaldo José Lopes/Folhapress

06:51 · 26.08.2014 / atualizado às 11:29 · 26.08.2014 por
Foto: Parents Country
Estudantes do ensino fundamental e médio dos Estados Unidos não têm a quantidade recomendada de horas de sono, entre oito horas e meia e nove horas e meia Foto: Parents Country

Um estudo divulgado nesta segunda-feira (25) pela Associação Americana de Pediatria (AAP) recomenda que as escolas iniciem o dia letivo depois das 8h30, para que crianças e adolescentes possam ter uma noite adequada de sono.

Atrasar o início do dia na escola, pelo menos até 8h30 ajudaria a conter a falta de sono dos alunos, que tem sido associada com a saúde debilitada, notas ruins, acidentes de carro e outros problemas, segundo a AAP. Também conforme a academia, os adolescentes têm regularmente sofrido com a falta de sono.

A pesquisa publicada na revista Pediatrics mostra que os estudantes do ensino fundamental e médio dos Estados Unidos não têm a quantidade recomendada de horas de sono, entre oito horas e meia e nove horas e meia. A maioria, segundo a pesquisa, dorme em média sete horas por noite.

Mais de 40% das escolas públicas do país iniciam as aulas antes das 8h, o que significa que para entrar a tempo do sinal soar, o estudante precisa acordar ainda de madrugada para se preparar para ir à escola.

Quem usa o transporte escolar, ainda fica muito tempo no veículo esperando as outras crianças serem recolhidas para irem à escola.

Perigos para adolescentes

Além do início muito cedo das aulas, atividades extra-classes contribuem para a perda de sono dos estudantes, segundo a AAP.

Os alunos fazem esportes na escola e passam horas à frente do computador para fazer trabalhos escolares e ainda se envolver nas redes sociais.

“Os pais, pediatras e educadores devem concentrar esforços para que os alunos tenham um sono saudável e promovam um ‘toque de recolher digital'”, indica a AAP.

“Entre os perigos para os adolescentes que dormem pouco estão depressão, pensamentos suicidas, obesidade, mau desempenho na escola e riscos de acidentes de carro por dirigir com sono”, disse Judith Owens, diretor de medicina do sono do Centro Médico Nacional Infantil, em Washington.

A pesquisa aponta ainda experiências de escolas que decidiram começar a aula mais tarde e melhoraram a motivação e o humor dos alunos. Mas ressalta que ainda é necessário um estudo mais aprofundado sobre este tema.

Com informações: Associated Press / G1