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Tag: vírus


18:37 · 01.08.2018 / atualizado às 18:37 · 01.08.2018 por
Doença é uma das mais temidas do mundo, e consiste em febre hemorrágica causada por vírus que, em casos extremos, causa sangramento fatal em órgãos internos, boca, olhos ou ouvidos. Foto: Médicos sem Fronteiras

A República Democrática do Congo reportou nesta quarta-feira (1) um surto de Ebola no leste do país, devastado por conflitos, com 20 mortos, apenas uma semana depois de declarar o fim de uma epidemia no noroeste do país.

A província oriental de Kivu do Norte notificou o Ministério da Saúde de “26 casos de febre com indicações hemorrágicas, dos quais 20 foram fatais”, afirmou o ministro da Saúde, Oly Ilunga Kalenga, em um comunicado. O surto ocorreu na região de Beni, em Kivu do Norte – o bastião de uma milícia islamita ligada a Uganda chamada Forças Democráticas Aliadas (ADF).

“Neste ponto, não há indicação de que essas duas epidemias, que estão a mais de 2.500 quilômetros de distância, estejam conectadas”, disse. Seis amostras coletadas de pacientes hospitalizados chegaram a Kinshasa na terça-feira para análise pelo Instituto Nacional de Pesquisas Biomédicas (INRB), acrescentou. Das seis, quatro testaram positivo para a doença do vírus Ebola. Doze especialistas do Ministério da Saúde chegarão a Beni na quinta-feira (2), acrescentou Ilunga.

Surto anterior

Em 24 de julho, o próprio Ilunga declarou o fim de um surto de 10 semanas que atingiu o noroeste da República Democrática do Congo, causando 33 mortes e provocando preocupação internacional.

Os casos surgiram na cidade de Mbandaka, nas margens do rio Congo, com uma população de mais de um milhão de pessoas. Para muitos especialistas, a doença contagiosa em um ambiente urbano é muito mais difícil de conter do que no campo, especialmente em um país pobre com um sistema de saúde frágil.

A epidemia foi combatida com a ajuda da Organização Mundial da Saúde (OMS), que apressou a ajuda de emergência, incluindo equipamentos de proteção, e desbloqueou US$ 2 milhões em financiamento acelerado.

A OMS forneceu uma vacina chamada rVSV-ZEBOV, que provou ser altamente eficaz em testes durante a pandemia da África Ocidental.

A vacina sem licença foi dada aos trabalhadores da linha de frente na República Democrática do Congo.

Recorrência

O último surto é o décimo na RDC desde 1976, quando o vírus foi descoberto no norte do país, então chamado Zaire, e recebeu o nome de um rio próximo.

O Ebola, uma das doenças mais temidas do mundo, é uma febre hemorrágica causada por vírus que, em casos extremos, causa sangramento fatal em órgãos internos, boca, olhos ou ouvidos.

O vírus tem um reservatório natural em uma espécie de morcego frugívoro tropical africano, a partir do qual acredita-se que salta para os humanos que matam os animais para alimentação. A transmissão entre os humanos, então, ocorre através de contato próximo com o sangue, fluidos corporais, secreções ou órgãos de alguém que está infectado com Ebola ou que morreu recentemente.

A taxa de mortalidade média é de cerca de 50%, variando de 25% a 90%, segundo a OMS. No pior surto de Ebola, a doença atingiu Guiné, Libéria e Serra Leoa, na África Ocidental, entre 2013 e 2015, matando mais de 11.300 pessoas.

Com informações: AFP

16:31 · 28.05.2018 / atualizado às 16:36 · 28.05.2018 por
Concepção artística do vírus ebola se espalhando pela corrente sanguínea de uma pessoa infectada Imagem: Northumbria University

Um grupo de cientistas do Quênia garantiu ter descoberto duas vacinas contra o ebola, que estão sendo testadas em seres humanos para comprovar se há efeitos secundários, informou nesta segunda-feira (28) o jornal The Standard.

Os pesquisadores, que pertencem ao Instituto de Pesquisa Médica do Quênia (Kemri, na sigla em inglês), estão realizando testes no leste do país para avaliar a segurança das vacinas, que seriam utilizadas contra duas cepas diferentes do vírus ebola. “Queremos averiguar como o sistema imunológico do corpo responde às vacinas”, explicou um dos cientistas da equipe, Josephat Kosgei.

A segunda fase do estudo começou em março de 2017, com 122 participantes que receberam ambas as vacinas.

Agora, os cientistas vão aguardar outros seis meses para começar a analisar os dados coletados.

O diretor do laboratório onde estão sendo testadas as vacinas no condado ocidental de Kericho, Fredrick Sawe, afirmou que o estudo é uma “conquista” na busca de uma vacina contra o ebola. “Para saber que a vacina contra o ebola está funcionando, é necessário administrá-la a uma comunidade que tem ebola”, assinalou Sawe.

O ebola voltou a causar alarde nas últimas semanas no noroeste da República Democrática (RD) do Congo, onde um surto já causou 12 mortes confirmadas – um número que chega a 25 se forem levadas em conta todos as mortes com sintomas da doença – e 35 casos positivos. O surto de ebola, que foi detectado em princípio nas zonas rurais e depois alcançou a área urbana de Mbandaka, é o nono na RD do Congo desde a descoberta do vírus em 1976 nesse mesmo país, que então se chamava Zaire.

Na RD do Congo está acontecendo uma campanha de imunização na qual está sendo utilizada a vacina experimental rVSV-ZEBOV, que já foi testada em Guiné, após a epidemia de 2014 a 2016.

Com informações: Agência Brasil

16:33 · 27.02.2018 / atualizado às 16:33 · 27.02.2018 por
Foto: Sciences et Avenir

Por Reinaldo José Lopes

Os maiores vírus descobertos até hoje no mundo vêm de dois ambientes extremos do Brasil: lagos de água muito salgada e alcalina do Pantanal e as profundezas do litoral do Rio de Janeiro, cerca de 3 km abaixo da superfície do mar.

Para os padrões do mundo microscópico, os dois Tupanvírus, como foram apelidados, são imensos, chegando a superar diversos tipos de bactérias. O nível de sofisticação de seu DNA também está muito além do que os cientistas esperavam encontrar no universo viral até agora, o que pode ajudar a transformá-los em fábricas biotecnológicas no futuro.

Ainda não se sabe exatamente que tipo de hospedeiro os supervírus brasileiros costumam invadir na natureza, mas os estudos em laboratório mostram que eles conseguem se multiplicar dentro de amebas, a exemplo do que acontece com outros vírus gigantes que têm sido identificados nas últimas décadas. “A diferença é que os Tupanvírus infectam várias espécies diferentes de amebas, são generalistas se comparados aos seus parentes”, conta o biólogo virologista Jônatas Abrahão, do Laboratório de Vírus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Seja como for, essa predileção por amebas indica que não há motivos para se preocupar com possíveis doenças causadas por eles em humanos. Abrahão é o primeiro autor da pesquisa que descreveu as características dos parasitas, publicada na revista científica de acesso livre “Nature Communications”.

Aspectos virais

Vistas pelo microscópio, as partículas virais parecem pequenos microfones peludos.

As maiores medem 2,3 micrômetros ou mícrons (cada mícron tem um milésimo de milímetro), e grande parte desse comprimento corresponde à cauda cilíndrica do vírus -algo que, por si só, já é inusitado, já que a grande maioria das partículas virais é formada apenas por uma espécie de carapaça, dentro da qual fica armazenado o material genético.

“Tentamos de todos os jeitos separar a cauda do resto do vírus, inclusive com ultrassom, mas não conseguimos”, conta o pesquisador da UFMG. De qualquer modo, faz sentido imaginar que os genes dos Tupanvírus também estejam armazenados apenas na tal carapaça, o chamado capsídeo.

Elo perdido

As lagoas alcalinas da região de Nhecolândia, estudadas por outro coautor do estudo, Ivan Bergier, da Embrapa Pantanal, lembram em parte as condições extremas onde as primeiras formas de vida da Terra teriam surgido.

E, de fato, os vírus recém-descobertos e seus parentes têm algumas características de “elo perdido” entre os organismos formados por células (basicamente todas as formas de vida) e os demais vírus, que não são considerados propriamente vivos pela maioria dos cientistas. Essa aparente confusão vem do fato de que as partículas virais dependem das células que invadem para todos os aspectos de seu ciclo de vida, do uso de energia à reprodução. Para isso, elas contrabandeiam seu material genético para dentro da célula hospedeira e deixam que as máquinas moleculares da vítima façam todo o serviço sujo com base no “manual de instruções” dos genes. Vírus não possuem metabolismo, ou seja, não comem nem digerem nada, nem realizam fotossíntese como a das plantas.

Os Tupanvírus se destacam, em primeiro lugar, porque seu manual de instruções é enorme. O genoma deles tem cerca de 1,5 milhão de pares de “letras” químicas de DNA -mais uma vez, acima do que têm algumas bactérias, e em quarto lugar entre os vírus gigantes. Além disso, tal manual contém instruções completíssimas para o processo de produção de proteínas a partir de suas unidades básicas, os aminoácidos, algo que ainda não havia sido visto em nenhum outro vírus.

Ao invadir as amebas, as partículas montam uma espécie de fábrica viral, cooptando mecanismos do hospedeiro para produzir mais cópias de si mesmo, as quais arrebentam as células e partem para invadir mais amebas.

“É um processo ativo, o vírus orquestra tudo isso”, diz Abrahão.

Utilidade futura

Tamanha versatilidade nas instruções para produção de proteínas pode acabar sendo muito útil para aplicações biotecnológicas. Em projeto financiado pela Fapemig, fundação mineira de fomento à pesquisa, os pesquisadores da UFMG vão tentar usar Tupanvírus modificados para produzir substâncias de interesse humano.

É comum que isso seja feito com a ajuda de bactérias, mas a bioquímica viral consegue fazer pequenos ajustes na molécula “finalizada” que as bactérias não são capazes de realizar, o que levaria a produtos com propriedades mais adequadas.

Com informações: Folhapress

17:36 · 22.09.2017 / atualizado às 17:36 · 22.09.2017 por
Foto: Icy Tales

Estudo conduzido pelo Instituto Evandro Chagas (IEC) do Pará em conjunto com a Universidade do Texas mostra que a vacina contra zika desenvolvida pelas duas instituições protege camundongos e macacos contra o vírus.

Publicado pela Revista Nature Communications, o trabalho constatou que a aplicação de uma dose da vacina nos animais foi suficiente para prevenir a transmissão do vírus da mãe para o filhote durante a gestação, além de proteger machos. Com a conclusão desta etapa, é dado sinal verde para preparativos em testes em humanos.

Apesar da boa notícia, um achado do estudo acende um alerta para uma eventual consequência da infecção pelo vírus: a redução da fertilidade masculina. Testes realizados em camundongos mostram que a infecção pode alterar a reprodução nesses animais. Machos não vacinados expostos ao zika tiveram uma redução significativa de espermatozoides. E os que foram produzidos perderam velocidade, o que dificulta a fecundação. Para completar, testículos dos camundongos atrofiaram.

“Sabemos da propensão do zika em infectar células do cérebro. O estudo agora indica que o vírus também age no testículo”, relata o diretor do IEC, Pedro Vasconcelos.”Não era esperado que isso ocorresse. Foi um achado ocasional”, completa o diretor. Não há ainda pistas sobre as causas que levam o vírus a atacar também a gônada masculina. Um dos caminhos a ser pesquisados, avalia, é a possibilidade de semelhanças entre receptores.

O diretor afirma que novos testes deverão ser feitos para verificar se o zika apresenta comportamento semelhante nos testículos de outras animais. Caso novos estudos indiquem resultados similares, Vasconcelos considera importante partir para uma investigação epidemiológica em regiões onde o vírus provocou epidemia, como cidades do Nordeste. “A epidemia pode ter provocado outras consequências, que serão sentidas numa outra fase, como a redução dos bebês nascidos em regiões afetadas. Isso precisa ser investigado.” A pesquisa não testou a capacidade de os camundongos engravidarem fêmeas após os danos constatados nos testículos. Isso impede afirmar neste momento que animais se tornaram estéreis. Um novo experimento agora será realizado. “O que se sabe é que há uma grande quantidade de vírus na excreção do esperma, que significa que o vírus tem bastante capacidade de se replicar, causando a destruição das células que resulta em diminuição dos testículos e, consequentemente, a esterilidade”, concluiu.

Este foi o quarto estudo publicado sobre a vacina desenvolvida em parceria pelo IEC e a Universidade do Texas. “Comprovada a eficácia da vacina em macacos e camundongos, terminamos nossa contribuição, abrindo caminho agora, para as pesquisas clínicas” afirma Vasconcelos. Todos os testes realizados mostraram até o momento o efeito protetor do imunizante desenvolvido pela parceria. Os testes clínicos serão feitos por Biomanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio. A expectativa, de acordo com Vasconcelos, é de que os testes comecem a ser feitos em 2019.

A parceria para essa pesquisa foi feita em 2016 a partir de acordo internacional para o desenvolvimento de vacina contra o vírus zika. O Ministério da Saúde vai destinar um total de R$ 7 milhões nos próximos cinco anos (até 2021) para o desenvolvimento e produção da vacina. O imunobiológico em desenvolvimento utiliza a tecnologia de vírus vivo atenuado de apenas uma dose, já que vacinas com vírus vivo são altamente capazes de estimular o sistema imunológico e proteger o organismo da infecção.

Com informações: Estadão Conteúdo

11:45 · 22.05.2015 / atualizado às 11:58 · 22.05.2015 por
Foto: G1 Pará
A doença viral é transmitida aos seres humanos por mosquitos, como o Aedes aegypti e A. albopictus, que também transmitem a dengue Foto: G1 Pará

Quase um ano após a confirmação dos primeiros casos de febre chikungunya no Brasil, pesquisadores do Instituto Evandro Chagas, de Belém, ligado ao Ministério da Saúde, e da Universidade de Oxford, na Inglaterra, identificaram de onde vieram as duas variedades do vírus responsável pela doença que circula no país e também as regiões pelas quais elas entraram aqui.

Em artigo publicado em abril na revista BMC Medicine, eles sugerem que as cepas do vírus descendem de uma linhagem da Ásia e outra da África Central, Oriental e do Sul (ECSA, na sigla em inglês), e que elas teriam entrado no Brasil pelo Oiapoque, no Amapá, e por Feira de Santana, na Bahia.

As conclusões baseiam-se em análises de dados genéticos e epidemiológicos, e na história evolutiva das variedades.

Ao combiná-los com informações geográficas e temporais, os pesquisadores recuperaram as origens e os padrões de dispersão do vírus. Os resultados indicam que a linhagem ECSA teria começado a se disseminar em Feira de Santana em junho de 2014 — durante a Copa do Mundo —, possivelmente por meio de um brasileiro que acabara de voltar de Angola, onde a febre chikungunya é endêmica.

Já em relação à linhagem asiática, a primeira transmissão autóctone — dentro do estado ou município — teria acontecido no Oiapoque, em setembro de 2014. Segundo o biomédico português Nuno Faria, pesquisador do Departamento de Zoologia da Universidade de Oxford e autor do estudo, dados genéticos sugerem vários ingressos do genótipo asiático no Brasil a partir de epidemias no Caribe.

Daí a dificuldade em se estimar com mais precisão por onde essa linhagem entrou no país. “Acreditamos, contudo, que a cepa atualmente em circulação tenha vindo da Guiana Francesa, país que faz fronteira com o Brasil pela cidade de Oiapoque e que registrou um aumento constante de casos autóctones da doença desde janeiro de 2014”, diz.

Parentesco com a dengue

A febre chikungunya é uma doença viral transmitida aos seres humanos por mosquitos, como o Aedes aegypti e A. albopictus, que também transmitem a dengue.

Ao todo, 5.172 dos 5.494 municípios brasileiros registraram a presença de um desses mosquitos, de modo que os resultados das análises sugerem que a transmissão do vírus possa se dar em 94% dos municípios brasileiros.

“Caso o vírus, de fato, se estabeleça no Brasil, não haverá fronteiras capazes de impedir que se propague rapidamente pelas Américas, uma vez que seus vetores, os mosquitos A. albopictus e A. aegypti, se encontram amplamente disseminados pela região”, afirma Faria.

Até 7 de março, o Ministério da Saúde registrou 224,1 mil casos de dengue no país. O aumento é de 162% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 85,4 mil casos. No mesmo período, foram confirmados 1.049 casos autóctones de febre chikungunya, principalmente na Bahia e no Amapá.

A febre chikungunya provoca sintomas semelhantes aos da dengue, mas as dores articulares fortes surgem quase imediatamente, sobretudo nas mãos e nos pés. Essas dores podem continuar por semanas ou meses.

Com informações: Rodrigo de Oliveira Andrade / Pesquisa Fapesp

08:27 · 09.05.2015 / atualizado às 08:28 · 09.05.2015 por
Foto: Emory Eye Center
Olho do médico Ian Crozier, 43 anos, ficou totalmente alterado por causa do ebola, tendo mudado a cor da íris de azul para verde Foto: Emory Eye Center

Um norte-americano que havia se “curado” do ebola ficou surpreso ao descobrir que o vírus reapareceu em seu olho esquerdo e, inclusive, alterou a cor de sua íris, de azul para verde.

A imagem ao lado, divulgada pelo Hospital Universitário Emory, mostra o olho do médico Ian Crozier, 43 anos, totalmente alterado por causa do ebola. Segundo reportagem do “The New York Times”, Crozier contraiu o ebola em setembro de 2014 e foi declarado curado em outubro, após diversos exames constatarem a ausência da doença.

Dois meses depois, ele teve uma inflamação no olho esquerdo, chamada de uveíte, onde foi relatada uma pressão intraocular elevada, que provocou inchaço e dificuldades para enxergar.

A equipe que o atendeu sabia que o vírus havia invadido seu olho no auge da infecção, no entanto, não esperava encontrar resquícios da doença por ali.

Síndrome pós-ebola

O “NYT” afirma que além da inflamação no olho, outros problemas foram relatados no que a reportagem chamou de “síndrome pós-ebola”.

Ian teve ainda dores nas articulações, fadiga e perda auditiva profunda, sintomas similares que têm sido relatados por moradores da África Ocidental que foram diagnosticados e tratados após a infecção.

Dez dias depois da inflamação, o olho do médico estadunidense voltou ao normal graças a um tratamento experimental com uma droga, que não teve o nome divulgado. O uso do medicamento teve permissão especial da FDA, órgão que controla medicamentos nos EUA.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o balanço da epidemia da febre hemorrágica ebola na África Ocidental ultrapassou a marca de 11 mil mortes. No total, nos três países mais atingidos pela epidemia – Libéria (declarada livre da epidemia neste sábado, 9 de maio), Guiné e Serra Leoa – 26.593 pessoas foram afetadas pelo vírus. De acordo com o relatório da OMS, 11.005 morreram em decorrência da febre.

O surto de ebola na África Ocidental, o mais grave desde a identificação do vírus na África Central em 1976, começou em dezembro de 2013 no sul da Guiné antes de chegar a Libéria e Serra Leoa. A OMS declarou tratar-se de uma “emergência de saúde pública global” apenas em agosto de 2014.

Com informações: G1/The New York Times

15:57 · 15.12.2014 / atualizado às 15:58 · 15.12.2014 por
Foto: Wikimedia
Doença é transmitida pela picada do mosquito do gênero “Aedes” e infecta 400 milhões de pessoas por ano Foto: Wikimedia Commons

Cientistas do Imperial College London descobriram uma nova classe de anticorpos capazes de neutralizar as quatro formas do vírus da dengue, conforme publicou nesta segunda-feira (15) a revista britânica “Nature Immunology”.

Este novo tipo de anticorpo descoberto em humanos, que também neutraliza o estado inicial do vírus presente nos mosquitos, poderia orientar o desenvolvimento de vacinas e tratamentos efetivos para combater a doença.

A dengue é uma doença transmitida pela picada do mosquito do gênero “aedes” e infecta 400 milhões de pessoas por ano, especialmente nas regiões tropicais e subtropicais do planeta.

Quatro tipos

Um dos principais problemas que o vírus apresenta é que existem quatro tipos de dengue e ter tido um deles não imuniza a pessoa dos demais.

No relatório, a equipe de pesquisadores assinalou que a expansão geográfica da dengue tem aumentado, já que foi registrado um maior número de casos na América Latina e na Austrália, e poderia se estender ao sul da Europa.

O diretor da pesquisa, Gavin Screaton, disse em uma teleconferência com a imprensa que seu grupo já leva mais de dez anos estudando do vírus. Ele destacou que não acredita que a dengue possa ser controlada até que se desenvolva uma vacina.

Para ele, o desenvolvimento de uma vacina poderia levar uma quantidade de tempo “considerável”, porque primeiro seria preciso produzi-la e testá-las em modelos não humanos. Com relação a penetração do vírus na América Latina, Screaton afirmou que, apesar de ter “existido países que realizaram boas práticas”, estas não evitaram alguns surtos severos.

Segundo Screaton, para prevenir o contágio em grande escala, é preciso “informar à população sobre boas práticas, limpar e não armazenar lixos nas cidades e usar inseticidas”.

Futura vacina

Para o estudo, a equipe de cientistas analisou 145 mostras de anticorpos de pacientes que foram infectados pelo vírus e desenvolveram um quadro imunológico. Desta forma, encontraram um bom número de anticorpos que são muito efetivos neutralizando o vírus.

Essa descoberta abre a porta ao desenvolvimento de uma futura vacina universal contra a dengue, apesar dos pesquisadores matizarem que ainda é necessário entender a resposta imunológica humana aos contágios naturais e ver qual é sua resposta à vacinação posterior.

A dengue provoca febres altas, dor de cabeça, vômitos e erupções na pele, e pode ser fatal em sua forma hemorrágica.

Com informações: EFE / UOL

19:52 · 26.07.2014 / atualizado às 20:09 · 24.07.2014 por
Foto: Reuters
O virologista Sheik Umar Khan foi transferido para uma enfermaria especial da organização não governamental Médicos Sem Fronteiras Foto: Reuters

O médico que liderava a luta contra o ebola em Serra Leoa foi infectado pelo vírus da doença e está internado em um hospital na cidade de Kailahun, epicentro do surto, no leste do país.

Segundo uma declaração da presidência do país, o virologista de 39 anos, Sheik Umar Khan, foi transferido para uma enfermaria especial da organização não governamental Médicos Sem Fronteiras. Khan já teria tratado mais de cem vítimas da doença no país.

A presidência de Serra Leoa informou que a ministra da Saúde, Miatta Kargbo, chorou quando ficou sabendo da notícia e chamou Khan de herói nacional, afirmando que fará “qualquer coisa e tudo em meu poder para garantir que ele sobreviva”.

Greve

Os casos de ebola de Serra Leoa estão concentrados nos distritos de Kailahun e de Kenema, também no leste.

Segundo Umaru Fofana, correspondente da BBC na capital, Freetown, dezenas de enfermeiras do hospital público da cidade de Kenema, que trata todos os casos da doença do distrito, entraram em greve depois da morte de três colegas, em casos suspeitos de ebola.

Mas a greve foi suspensa depois que o governo analisou as reivindicações das enfermeiras, que exigiam a transferência da enfermaria para tratamento dos doentes com ebola para outro hospital e que os Médicos Sem Fronteiras assumam as operações nesta enfermaria.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou que entre 632 casos de ebola que haviam resultado em mortes na África, 206 foram em Serra Leoa.

No total, o país havia registrado 442 casos da doença. Na vizinha Guiné, foram 410 casos e 310 mortes. A Libéria registrou 196 casos e 116 mortes.

Pior surto

Este já está sendo considerado o pior surto de ebola já registrado.

O vírus mata cerca de 90% das pessoas infectadas, e o contágio acontece por contato direto com fluidos corporais, como sangue e secreções, de uma pessoa infectada.

Não há vacina ou cura para a doença. Mas se os pacientes receberem o tratamento logo no início da doença, têm mais chances de sobrevivência. Os sintomas iniciais incluem fraqueza, dor muscular, dor de cabeça e de garganta, vermelhidão nos olhos.

Posteriormente ocorrem vômitos, diarreia, coceiras e, em alguns casos, sangramentos. O período de incubação do vírus do ebola varia entre dois e 21 dias, segundo a OMS.

Com informações: BBC Brasil / Portal Terra

16:29 · 28.05.2014 / atualizado às 16:32 · 28.05.2014 por
Equipes de saúde percorrem as comunidades da capital Conacri alertando a população sobre os cuidados para prevenir a contaminação pelo vírus ebola Foto: Associated Press
Equipes de saúde percorrem as comunidades da capital Conacri alertando a população sobre os cuidados para prevenir a contaminação pelo vírus ebola Foto: Associated Press

A capital da Guiné, Conacri, registrou os primeiros novos casos de ebola em mais de um mês, enquanto outras áreas anteriormente não afetadas também tiveram casos confirmados na semana passada, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

A propagação do surto, que teve início há dois meses, e que as autoridades da Guiné haviam dito estar sob controle, pode complicar ainda mais a luta contra o vírus em uma área que já sofre com a precariedade os sistemas de saúde e fronteiras porosas. “A situação é grave”, disse Pierre Formenty, especialista da OMS, que retornou recentemente da Guiné.

“Não houve declínio. Na verdade, é porque não estamos conseguindo detectar todo o surto, que estamos com a impressão de que houve uma queda”, disse ele. A OMS informou sobre dois novos casos, incluindo uma morte, entre 25 e 27 de maio em Conacri. Eles foram os primeiros a serem detectados desde 26 de abril.

O risco das viagens internacionais

Um surto na capital representa a maior ameaça de uma epidemia, porque a cidade é o centro das viagens internacionais na Guiné.

Télimélé e Boffa – dois distritos ao norte de Conacri- tiveram casos confirmados por testes de laboratório, disse a OMS. Doze casos, incluindo quatro mortes, foram relatadas entre 23 e 26 de maio, enquanto casos suspeitos de ebola foram detectados nos distritos adjacentes de Boke e Dubreka.

Aboubacar Sidiki Diakité, que comanda os esforços do governo para conter a disseminação do vírus, disse que as origens de todos os novos focos foram rastreadas até os casos em Conacri.

“O problema é que existem famílias que se recusam a dar informações. Elas escondem seus doentes para tentar tratá-los através de métodos tradicionais”, disse.

O surto inicial- a primeira aparição da febre fatal na África Ocidental – se espalhou a partir de uma região remota da Guiné para a capital e para a Libéria.

A OMS documentou um total de 281 casos clínicos de ebola, incluindo 185 mortes na Guiné desde que o primeiro foco do vírus foi identificado em março.

Com informações: Reuters

21:01 · 08.04.2014 / atualizado às 21:09 · 08.04.2014 por
Foto: Global Post
Até o momento, foram detectados 157 casos na Guiné, dos quais 101 doentes morreram Foto: Global Post

O número de mortes causadas por uma epidemia de ebola na Guiné (oeste da África) passou nesta terça-feira (8) de cem. A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou hoje que precisará de dois a quatro meses para conter a doença.

Até o momento, foram detectados 157 casos na Guiné  -onde surgiu a primeira confirmação, no dia 22 de março -, dos quais 101 doentes morreram. Na vizinha Libéria, foram identificados 21 casos, com dez mortes -destas, cinco foram confirmadas em testes de laboratório.

“É um surto desafiador. Começou na Guiné, já se expandiu até a Libéria e há vários focos. O fato de que seja em diferentes localidades complica seu controle”, disse o diretor-geral adjunto para Segurança Sanitária da OMS, Keiji Fukuda. A OMS não recomenda viagens a esses locais. Por enquanto, as suspeitas de casos em outros países da região não se confirmaram.

O ebola é uma doença altamente contagiosa, que não tem tratamento específico e com taxas de mortalidade que podem chegar a 90% -embora, por enquanto, a porcentagem de pacientes infectados e que morreram está em torno de 65%. O contágio acontece pelo contato direto com o sangue e com os fluidos e tecidos corporais das pessoas ou animais infectados. O período de incubação do vírus é de entre 2 e 21 dias.

Um fator positivo, segundo a OMS, é que entre os 50 especialistas enviados à Guiné há médicos de Uganda e do Gabão, países que já sofreram surtos. A maior epidemia de ebola já registrada foi a de Uganda, em 2000, quando 224 pessoas morreram.

Com informações: Folhapress