Por Victor Ximenes – Repórter de Economia do Diário do Nordeste

Sem pé nem cabeça
‘V’ é o tipo de série cujo piloto já é um divisor de águas. Se você conseguir se interessar pelo programa depois do primeiro episódio, deverá tolerar todo o restante. O piloto tem problemas bizarros de roteiro. Tudo acontece do nada, sem que haja uma preparação para um fato que deveria ser extraordinário; mas de tão repentino, acaba perdendo força na narrativa: a chegada dos “visitantes”, lagartos oriundos sabe-se lá de onde.
Esse modo irresponsável com que os roteiristas conduzem a história, infelizmente, não para pelo piloto. Em suas duas temporadas de vida, ‘V’ nos concedeu inúmeros exemplos de personagens que surgem sumariamente, planos mirabolantes pensados pelos protagonistas em questão de segundos. A trama não segue uma linha sensata, inventando fatores novos a cada episódio e brincando com a inteligência da audiência.
No entanto, capítulo a capítulo, a impressão é de que as falhas do seriado são relevadas por nós, por mera curiosidade. Apesar de nos vomitarem desordenadamente os fatos, queremos saber: o que eles querem de nós? Qual o plano desses lagartões? E, se são tão poderosos, por que fazem questão de demorar tanto para fazerem o que vieram fazer? É assim que ‘V’ sobrevive, de nossa fútil curiosidade. E, claro, da chamativa performance da brasileira Morena Baccarin, que vive a cruel Anna, líder dos visitantes. Única personagem expressiva da série, a rainha carrega ‘V’ nas costas. O resto do elenco possui atores de nível subterrâneo, como o irritante Logan Huffman, no papel do jovem Tyler e a bela, mas apagada Laura Vandervoort (Lisa, a filha de Anna).
Mais ação
Depois de uma primeira temporada morna, ‘V’ trouxe mais ação à segunda. E, já que diálogos, definitivamente, passam longe de ser o forte da série, cenas com um pouco de adrenalina são muito bem-vindas.
A maior falha, sem dúvida, é o fato de a protagonista do bem, Erica Evans (Elizabeth Mitchell, de ‘Lost’) mudar completamente a conduta de uma temporada para outra. Em 2010, a mulher era praticamente uma discípula de Madre Teresa e, em 2011, parece ter virado adepta de Adolf Hitler. Essa quebra de linearidade faz com que ‘V’ não tenha qualquer chance de estar no rol das grandes séries da atualidade. Outro problema são os efeitos visuais parcos. A tal ‘energia azul’, suposto combustível da tecnologia visitante, parece ter sido arquitetada no próprio Microsoft Powerpoint.
Spoiler (Detalhes do enredo da segunda temporada)
Apesar de pesadas falhas, os roteiristas fizeram boas escolhas no segundo Season Finale, assassinando um personagem completamente intragável: Tyler. Além do não menos inútil Ryan Nichols. O fim da temporada deixa uma série de expectativas, pois um conjunto de fatos intrigantes acontece simultaneamente. Tudo converge para uma vantagem avassaladora dos visitantes contra os humanos. E, aí, nossa curiosidade volta à tona: como os humanos vão sair desse beco sem saída? Certamente, o roteiro irá criar algo miraculoso, como sempre. Mas, apesar da previsibilidade, estaremos assistindo. A curiosidade não deixa escolha.
Breve análise de personagens

Tyler
Foi tarde.

Erica
Personagem que deveria ser intensa, já que é nas mãos dela que residem as esperanças da humanidade. No entanto, não consegue ganhar simpatia. Muito menos na segunda temporada, na qual foi desfigurada pelo roteiro.

Padre Jack
Mais um perfeito mala da série. Um daqueles bonzinhos que de tão bonzinhos se tornam enojáveis.

Hobbes
Esse merece mais crédito. Trouxe uma pitada de humor e sarcasmo. Mas daí a emplacar um romance com Erica…Mais uma louca invenção dos roteiristas.

Chad
Fundamental para a trama, Chad ganha pontos por jogar em ambos os lados. É um dos poucos a conseguir enganar Anna.

Ryan
Foi tarde.

Marcus e Joshua
Interessantes peças do elenco de apoio. Talvez mais importantes do que alguns do elenco principal, como Tyler.

Anna
O motivo pelo qual a série existe.