A dois dias do confronto entre Brasil x México, na Arena Castelão, e no dia seguinte à derrota da seleção “Tricolor” para a Itália, os dois principais jornais mexicanos se revezam entre críticas ao próprio futebol mexicano e à organização da Copa das Confederações.

Jornal “El Universal” destacou o favoritismo brasileiro na partida contra os mexicanos, em Fortaleza Foto: El Universal / Reprodução da web
O jornal “El Universal”, que tem a maior tiragem naquele país, traz como manchete do seu caderno de esportes (o “Central Deportiva”) “TRIsteza en Brasil”, fazendo um trocadilho entre o apelido da seleção e o sentimento do torcedor mexicano com o placar de 2 a 1 para os italianos. Para o periódico, “a vitória da Itália praticamente obriga os mexicanos buscar uma difícil vitória frente aos brasileiros, na próxima quarta, na cidade de Fortaleza.”
A propósito, o jornal já enviou a correspondente Inés Sainz à capital cearense. A jornalista, falando direto da Avenida Beira-Mar, disse que será um “milagre ganhar do Brasil em sua própria terra, ainda mais considerando que o ataque mexicano está fraco”. Vale lembrar que o México só fez quatro gols nos últimos sete jogos oficiais, incluindo a partida de domingo.

Repórter mexicana Inés Sainz já está em Fortaleza para cobrir a passagem da seleção “Tricolor” pela capital cearense Foto: El Universal / Reprodução da Web
Apesar disso, a avaliação do veículo mexicano é a de que o principal responsável pela derrota não foi o ataque (de “Chicharito” Hernandez e Giovani dos Santos), mas sim o zagueiro Maza, que falhou no lance com o atacante Balotelli. Também sobrou para o técnico José Manuel de la Torre, acusado de pregar ofensividade, mas jogar defensivamente contra a Itália.
Torcida honorária, gastos estratosféricos, “cantadas” e críticas ao Brasil
Para além do futebol, o jornal “El Universal” chamou a atenção para o fato de a maioria da torcida que compareceu ao estádio Maracanã, no Rio de Janeiro, ter apoiado o México, devido à grande rivalidade brasileira com a “Squadra Azurra”.
Mas se o incentivo dos torcedores brasileiros a “Tricolor” surpreendeu a imprensa mexicana, o esforço dos próprios mexicanos em vir ao Brasil apoiar sua equipe pode surpreender muita gente por aqui. Em sua webtv, o periódico exibiu a entrevista com um grupo de três amigos, que juntou dinheiro por cerca de três anos e arrecadou US$ 15 mil cada (ou algo como R$ 30 mil).
Talvez exatamente pelos gastos estratosféricas do trio, o nível de exigência com a organização da competição no Brasil foi igualmente alto. O grupo respondeu ao repórter de “El Universal”, quando perguntado se o Brasil estava pronto para a Copa do Mundo de 2014, com frieza: “Eles não estão prontos, faltam muitas coisas, estacionamento fica muito longe, tudo é muito caro, não estão preparados”.
Ah, e não podiam faltar os clichês. Uma das reportagens da webtv, mostrava uma mulher de bíquini em Copacabana e depois um repórter dava dicas de “cantadas” infalíveis para conquistar as brasileiras.
Uma “jornada” difícil para o Brasil, especialmente para Pernambuco
Por sua vez, a segunda publicação com mais vendas no México, “La Jornada”, deixou um pouco de lado os aspectos curiosos ou a análise crítica à seleção mexicana para focar nas falhas da organização brasileira.
Em uma das matérias veiculadas, o periódico publica uma entrevista com o pentacampeão Cafu, falando sobre as vaias à presidente Dilma Rousseff no dia da abertura da Copa das Confederações, em Brasília. Para o ex-lateral direito do Brasil, em entrevista aos mexicanos, “isso mundialmente não repercutiu bem, mas é a voz do povo e temos que respeitar o direito de todo mundo de manifestação e descontentamento.”

Com tom mais crítico, o jornal “La Jornada” destacou os confrontos da Polícia com manifestantes no Brasil e as falhas de organização, especialmente em Recife Foto: La Jornada / Reprodução da Web
O jornal, aliás, destacou os protestos na capital federal e também no Rio, antes das partidas entre Brasil x Japão e Itália x México, respectivamente. Também houve críticas às dificuldades de alimentação nos estádios, por conta da falta de estoque, das filas e dos altos preços. Em todos os três jogos realizados até aqui, foram relatados casos de insuficiência de bebidas e alimentos. “Foi preciso esperar até 30 minutos para poder comer algo, com preços padrão Fifa.”
Mas as maiores críticas foram com relação ao estado de Pernambuco. O diário mexicano repercutiu as queixas do técnico uruguaio Óscar Tabárez. Segundo apurou o jornal, o treinador da “Celeste Olímpica” ficou tão insatisfeito com as dificuldades para treinar em Recife, que estaria estudando ficar em Salvador, local do próximo jogo contra a Nigéria, pelo menos até o fim da primeira fase, mesmo tendo uma nova partida marcada para a capital pernambucana, no próximo domingo (23).
Quanto a partida de quarta-feira (19), entre Brasil x México, os jornalistas de “La Jornada” avaliaram que “a Seleção Brasileira se sente muito mais segura para enfrentar-nos depois de golear o Japão, embora sempre tenham tido dificuldade para encontrar espaço contra os mexicanos.