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Deputados rechaçam proposta de distritão

11:40 · 19.08.2017 / atualizado às 11:40 · 19.08.2017 por

A reforma política da forma com está sendo tratada no Congresso Nacional, é “maldosa” e se apresenta com o fito de “acabar com os partidos políticos pequenos”. Assim apontaram deputados estaduais cearenses, ontem, em discursos na Assembleia. Para Ely Aguiar (PSDC), o que há é muito “oba-oba”, sem que se tenha ideia concreta do quer vai acontecer. “Alguns querem distritão misto, distritão, outros a lista fechada, mas a conclusão que a gente chega é que toda essa reforma política está sendo elaborada para beneficiar esses grupos que estão no poder, aqueles que com poder aquisitivo alto, ou que dependem da máquina governamental, seja municipal, estadual ou federal”, afirmou.
Segundo Ely Aguiar, aos olhos da população, a reforma pode parecer a solução para a crise que se agrava na política, mas que, na realidade, não seria. “Para acontecer uma reforma política que atenda realmente os anseios dos brasileiros, basta a aplicação da Lei da Ficha Limpa”, opinou. “Porque se essa lei for observada ao pé da letra e respeitada pelos ministros, será promovida uma verdadeira assepsia na política brasileira porque impede que esses que fizeram malversação do dinheiro público, os incluídos em escândalos, participem do processo. Basta isso”, disse.
O parlamentar ressaltou que não adiantaria mudar a forma do eleitor exercer o direito ao voto se a “mundiça” (sic) é a mesma. “Tiro a proporcionalidade partidária e deixo que sejam eleitos os mais votados. Não mudei nada, apenas estou tirando do Parlamento o direito das minorias. Porque quando você diz que serão (eleitos) os mais votados, aquele que tem dinheiro tem o poder de comprar mais votos e nenhuma justiça brasileira poderá impedir que comprem votos. Ela pode punir, mas não impedir”, alertou.
Ele apontou que o sistema será ainda mais desproporcional. “Quando você diz que um deputado ou vereador foi eleito com menos voto, é porque o partido dele atingiu o quociente. Se meu partido atinge 100 mil votos elege um, mas se recebe 200 mil elegerá dois. Isso fortalece os partidos”, relatou. “Mas tem que estabelecer a fidelidade partidária para não acontecer o que já aconteceu aqui na Assembleia Legislativa de você sair daqui tendo seis partidos e no outro dia todos tinham saído de um partido e aparecido outro que ninguém conhece. Isso acontece porque não existe ideologia política no país”, apontou. “O que existe é ideologia de interesse”.
Outro que tratou da tentativa de alterar o sistema eleitoral foi Ferreira Aragão (PDT). Além de lamentar as propostas ele disse apostar que a reforma não sairia a tempo de alcançar a eleição do próximo ano. “A turma está mexendo em tudo e vai ficar tudo como está, porque não tem tempo para discussões”, afirmou. “Ainda bem. Para o bem da democracia isso não vai ser aprovado”.
Ferreira levantou que o povo precisa entender que o que acontece no Congresso é a luta do candidato rico contra o candidato pobre. “O rico quer se garantir cada vez mais, enquanto o pobre tenta se salvar. É a luta de classe no processo eleitoral”. O pedetista apontou que quem defende o distritão seriam somente os candidatos ricos. “Não tem nenhum pobre defendendo, mas quem tem muito dinheiro ou é detentor de grandes prefeituras. Assim é bom, mas eu quero ver é ir no mano a mano”.
A eleição, segundo Aragão, seria comparável a um campo de batalha. “Quem tem dinheiro ou prefeituras está com a eleição garantida, enquanto que eu, Ely Aguiar (PSDC) e Dra. Silvana, quatro gatos pingados, vamos para o confronto, depender de conquistar o eleitor. Vamos passar por uma avaliação minuciosa e, se conseguirmos, estaremos depurados, com o passaporte para irmos até ao céu”, falou.
De acordo com Ferreira Aragão, o sistema distritão foi criado para beneficiar os partidos ricos. “Vai acabar com os partidos pobres, com os pequenos. Podem dizer que tem muito presidente de partido pequeno que vai fazer negócios. Pois que prendam esse vagabundo que quer levar vantagem”, exclamou. “Você não precisa matar a vaca para eliminar o carrapato. Não pode é acabar com os partidos pequenos que se juntam a outros dez para formar um, porque não tem dinheiro, enquanto que o outro fica deitado na rede contando os votos que serão dados pelos prefeitos”, disse. “É como se você pegasse dois homens e colocasse para brigar, mas um com uma metralhadora e outro com um pedaço de pau. Quem leva vantagem?”, indagou.

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