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Fernanda Pessoa alerta para números da violência

10:37 · 20.08.2017 / atualizado às 10:37 · 20.08.2017 por

A deputada estadual Fernanda Pessoa (PR) usou a tribuna da Assembleia Legislativa na manhã de ontem para defender que sejam adotadas medidas que protejam as mulheres da violência. Logo na abertura de sua fala, ela pregou que deveria haver presença feminina ainda maior na vida política. “A participação ainda é tímida, apesar de já termos conquistado muito espaço. Somos nós mulheres que vamos orientar as políticas. Por isso, convoco todas a refletirem e participarem dos espaços políticos. Já são muitos os anos de nossa luta, são muitas as nossas conquistas mas ainda temos um longo caminho a percorrer”, apontou.
A republicana contou que mesmo 11 anos após criação a Lei Maria da Penha ainda é alarmante o número de mulheres assassinadas, espancadas ou vítimas de estupro. “Uma mulher é violentada e agredida a cada 4 minutos aqui no Brasil, e a cada hora e meia morre uma mulher por conflito de gênero”, rechaçou. “Mais de 43 mil mulheres foram assassinadas no Brasil nos últimos dez anos, sendo a grande maioria morta pelo próprio parceiro”.
No Ceará, segundo a parlamentar, com base em dados da Secretaria Estadual da Saúde, os casos de violência doméstica registram uma média de 3,5 casos por dia. “Em um ano, dos 173 inquéritos policiais de feminicídio no Ceará, apenas 32% foram denunciados pelo Ministério Público, ou seja, viraram ação penal. A maioria ainda está em investigação”, lamentou, acrescentando que o Estado é o terceiro em números de inquéritos e que Fortaleza é a terceira capital mais violenta do Nordeste, segundo a última Pesquisa de Condições Socioeconômicas e Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. “Em média, o Ceará teve um caso de violência doméstica por hora em 2016. De acordo com o último boletim da Secretaria da Saúde, foram mais de cinco mil denúncias somente neste ano em todo o Estado, uma média de 1,1 agressão por hora. As cidades com maior número de casos são Fortaleza, Sobral e Juazeiro do Norte”.
O que seria mais triste, conforme Fernanda, seria que filhos de 55,14% das mães que sofreram violência doméstica em Fortaleza presenciaram ao menos uma vez as agressões físicas. “A exposição dos filhos a esta violência, sofrida pela mãe, também é alarmante em relação aos casos de filhos que foram agredidos. Ao todo, 33% das mulheres em Fortaleza contaram que os filhos foram vítimas diretas das agressões físicas”, contou. “Essa exposição é grave demais e pode ser transmitida de uma geração a outra, pois os filhos se espelham nos pais e podem, ser quando crescerem, potenciais agressores. E ainda mais grave é que Fortaleza é uma das piores cidades em violência doméstica na gravidez. E isso resulta em filhos com menor peso, déficit cognitivo e problemas de relacionamento social”.
Outro dado ressaltado pela parlamentar diz respeito ao número de mulheres que casam ainda muito novas. “Uma pesquisa divulgada na semana passada também nos deixa em alerta e aflitas: o Ceará é o quarto estado no Brasil e o primeiro do Nordeste no número de garotas casadas. As informações fazem parte da publicação ‘A Criança e o Adolescente nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável’ editado pela Fundação Abrinq”, expôs. “O estudo, realizado com dados de 2015, mostra que 6.996 meninas com menos de 19 anos estavam casadas no Estado. São cinco meninas com idade abaixo de 15 anos e 6.991 com idade entre 15 e 19 anos. No Nordeste, o número chegou a 33.868, e no Brasil, a 122.805”, contou. “E estas meninas estão casando para fugir de situações de violência e de pobreza. Nosso Estado é o segundo do país em pobreza domiciliar de crianças e adolescentes. Infelizmente os números são vergonhosos”.
Quanto aos crimes sexuais ela informou, ainda que todos os anos cerca de 50 mil pessoas são estupradas no Brasil. “Uma forma brutal, abominável e desumana de violência. De acordo com o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, no Ceará isso é ainda pior. Pesquisa divulgada esta semana, com dados deste ano, revela que nosso Estado tem, em média, 142 casos de crimes sexuais por mês. Em média 4 pessoas são vítimas desses crimes por dia no nosso Ceará. Isso quer dizer que a cada seis horas, há um caso de estupro”, alarmou. “A maioria, 86%, são mulheres e 80% crianças e adolescentes. Segundo o relatório da Secretaria, o Ceará teve 996 vítimas de crimes sexuais neste ano. E estes são dados registrados pelas próprias vítimas imaginamos que esse número seja ainda maior. Pois nem todas prestam queixas”, avaliou.
“O estupro é um dos crimes mais mal notificados que existem e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o IPEA, estima que os dados oficiais representem apenas 10% dos casos ocorridos”. Fernanda apontou duas ferramentas que poderiam ajudar a reduzir esses números. “É fato que faltam políticas públicas. Nós não temos delegacias em números suficientes para atender a todas as denúncias, as leis não saem do papel e não temos ainda a Casa da Mulher Brasileira”, lamentou.

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