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Danilo Forte ingressa no PSDB com críticas a ‘desconforto’ no DEM

09:46 · 07.04.2018 / atualizado às 09:46 · 07.04.2018 por
Antes de ir para o PSDB, Danilo Forte já passou por PMDB, PSB e DEM na atual legislatura Foto: José Leomar

Após ter mantido silêncio, nas últimas semanas, sobre possível saída do DEM – embora admitisse negociações com outras legendas -, o deputado federal Danilo Forte assinou, nesta sexta-feira (4), ficha de filiação ao PSDB. Ele participou de evento de filiações à sigla tucana ocorrido na noite de quinta-feira em Maracanaú, mas apenas ontem, no escritório do senador Tasso Jereissati (PSDB) em Fortaleza, oficializou o ingresso na legenda tucana.

A filiação de Danilo Forte ao PSDB havia sido anunciada no dia anterior, em Maracanaú, mas, em discurso no evento, ele afirmou que havia recebido uma ligação da direção nacional do DEM, que prometera alinhar-se à oposição caso Tasso Jereissati fosse o candidato a governador do grupo contrário à gestão Camilo Santana (PT), o que adiou o acordo.

Na sexta, após assinar a ficha de filiação, o parlamentar disse ao Diário do Nordeste que, ainda na noite de quinta-feira, conversou com o presidente nacional do DEM, o prefeito de Salvador, ACM Neto, e com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, mas optou pelo PSDB para não criar “mais uma área de atrito” na antiga agremiação.

“Tem um desconforto com a direção local, na medida que os representantes dela já têm um compromisso assumido de apoio ao governo atual”, declarou. Tasso Jereissati, por sua vez, afirmou que “a vinda do Danilo Forte significa a vinda de um quadro de qualidade, que pode dar ao nosso partido uma força não só eleitoral, mas uma força moral muito grande”.

Filiações em Maracanaú

No evento de filiações em Maracanaú, o parlamentar já havia feito críticas a um “desconforto” gerado por conflitos no DEM e disse que escolheu o PSDB, ao receber convite do senador Tasso Jereissati, porque busca um “projeto definido” e com “postura coerente”.

Esta é a terceira vez em que Danilo Forte muda de partido apenas na atual legislatura. Eleito pelo PMDB em 2014, ele  filiou-se ao PSB  e após perder o comando do partido no Estado, em 2017, por ter contrariado deliberação do diretório nacional da sigla ao votar a favor da Reforma Trabalhista na Câmara dos Deputados, oficializou ingresso no DEM em dezembro do ano passado.

Pouco mais de três meses depois, porém, ele deixou o partido ao alegar “desconforto muito grande” na agremiação, que, embora em âmbito nacional, sob a presidência do prefeito de Salvador, ACM Neto, componha a base governista do presidente Michel Temer (PMDB), no Ceará, comandada por Chiquinho Feitosa, é aliada do governador Camilo Santana (PT).

“Lideranças do partido no Estado do Ceará quererem permanecer numa postura que o DEM nacional não corrobora. O DEM nacional, inclusive, tirou uma resolução muito clara que não coliga com o PT, e no Ceará persiste, nas lideranças do DEM, essa luta. Isso cria um desconforto muito grande e descaracteriza o partido”, reclamou.

Trocas

Danilo Forte lembrou que deixou o PMDB porque o partido “tinha afeição ao poder e não tinha projeto político”. Já o PSB o atraiu, conforme destacou, “porque queria uma ruptura com o sistema que governava o Brasil, que quebrou o Brasil em 2014, liderado pelo desastroso governo da presidenta Dilma”. Quando o partido desembarcou da base aliada de Temer no ano passado, entretanto, Danilo Forte buscou, no DEM, o espaço que havia perdido no PSB por discordar dos rumos tomados pela agremiação. “O PSB regrediu e retomou um projeto antigo, populista, que não priorizava exatamente as mudanças que o Brasil precisa fazer”.

“Eu sempre gostei de ter posição, defendo as mudanças porque elas são necessárias e precisam ser feitas; mudanças políticas, mudanças de comportamento, mudanças de postura. Ou a gente enfrenta isso abertamente e, dentro disso, cria um projeto para isso, ou eu não vou ficar no campo da semvergonhice e do palanque eleitoreiro. Não sou daqueles que em Brasília é Temer, que em Fortaleza é Lula e em Sobral se abraça com Ciro Gomes. Não sou. Eu tenho lado, tenho postura”, disparou.

O parlamentar afirmou que foi determinante para a escolha do PSDB a busca por um “projeto definido, com começo, meio e fim, e com uma postura coerente”. “Acho que, na incoerência ou no jogo palanqueiro, nós não vamos resolver o problema na política do Ceará. Não vamos. Nem no Ceará, nem no Brasil. Esse filme já passou e ninguém gostou”.

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