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Categoria: Adolescentes


10:49 · 01.10.2017 / atualizado às 10:49 · 01.10.2017 por

Por Renato Sousa

O vereador Dummar Ribeiro (PPS) usou a tribuna da Câmara Municipal de Fortaleza (CMFor)  para criticar o estudo “Trajetórias interrompidas: homicídios na adolescência em Fortaleza e em seis municípios do Ceará”, produzido pelo Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) e pela Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (AL-CE). De acordo com o parlamentar, o estudo seria “muito teórico”.

O vereador, que é perito criminal da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), critica o fato de os pesquisadores só terem entrevistados as famílias das vítimas dos crimes. Para Ribeiro, seria importante ouvir também a família e os jovens que são responsáveis por essas mortes, apesar de ele próprio admitir que dificilmente obteriam respostas. “Nesses tipos de crime, prevalece a Lei do Silêncio”, afirma. Em entrevista, o parlamentar afirma que, na imensa maioria dos casos, a comunidade sabe quem são os assassinos, mas tem medo de revelar. “Se falarem, morrem”, diz. O legislador municipal afirma que a realidade costuma ser revelada em conversas mais informais, com os moradores preferindo o silêncio quando se trata das forças de segurança. “A Polícia não tem condições (de solucionar os crimes) porque ninguém dá informações”, diz.

Ribeiro afirma, porém, que nessas conversas informais seria possível identificar que a imensa maioria das vítimas teria envolvimento com a criminalidade. Perguntado se o problema dos homicídios também não incluiría vítimas sem envolvimento com o crime, ele diz que são raros. “Esse número é muito pequeno. Chega a 2% ou 3% no máximo”, declara.

O parlamentar também critica a ideia de que haja um componente de racismo nos números da violência identificados pelo estudo citando que o próprio estudo aponta que os negros representam aproximadamente 9% das vítimas de homicídio no Ceará. Perguntado se a interpretação de haver racismo não aconteceria em razão de essa proporção acontecer em um grupo que representa menos de 5% da população do Estado segundo dados divulgados em 2011 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ele admitiu que isso era possível, alegando, porém, que nas conversas que tem em comunidades carentes, o racismo nunca é citado como um problema quando o assunto é violência.

Em seu discurso, o parlamentar afirma que não é possível concentrar-se apenas nos homicídios de adolescentes. “A violência não é só contra o adolescente, mas geral”, diz. Ele declara que a vida do jovem não é mais valiosa que a de um pai de família. Perguntado se o foco não seria pelo fato de os jovens serem as maiores vítimas de homicídio, Ribeiro declara que isso acontece pelo envolvimento com a criminalidade, que é mais comum nessa faixa etária. “São ligados ou mandados por chefes do tráfico”, diz.

O relatório da Unicef e da AL-CE foi apresentando na CMFor aos vereadores no último dia 5, por solicitação do vereador Guilherme Sampaio (PT). A explanação aos parlamentares municipais foi feita pelo relator do colegiado que produziu o documento, o deputado estadual Renato Roseno (Psol).

11:36 · 11.12.2016 / atualizado às 11:36 · 11.12.2016 por

 

Deputado Renato Roseno entrega o relatório sobre a violência contra adolescentes na próxima quarta-feira Foto: José Leomar
Deputado Renato Roseno entrega o relatório sobre a violência contra adolescentes na próxima quarta-feira Foto: José Leomar

O deputado Renato Roseno (PSOL), na próxima quarta-feira, na Assembleia, vai torna público o relatório que elaborou para a comissão especial criada no Legislativo para diagnosticar as causas da violência contra os adolescentes no Estado. Haverá uma solenidade, com a presença de prefeitos convidados para receberem cópias do documento, consubstanciado, também, com números apresentados pelo Unicef, disposto a ajudar os governantes no enfrentamento da questão que, segundo Roseno, exige menos recursos e mais atenção das autoridades.

São afrontosos alguns dos números coletados. Um deles, por exemplo deixa claro que em cada 10 ações criminais com participação de adolescentes, aproximadamente 8 são vítimas. Apenas 2 são autores dos crimes. Isto, só em relação aos delitos  que a Polícia Civil conseguiu apurar.

Para Roseno, aproximadamente 80% dos homicídios em geral, não apenas com adolescentes, não resultam na Ação Penal por diversas razões, além da não identificação de autores. Uma delas é não elaboração do inquérito policial que contenha todos os requisitos mínimos para a formalização da denúncia não inepta.