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Categoria: Apoio de Lula


11:26 · 15.08.2017 / atualizado às 11:26 · 15.08.2017 por

No último sábado, no Diário do Nordeste, escrevemos sobre as dificuldades do governador Camilo Santana formar uma grande coligação para disputar um segundo mandato, tendo em vista que em 2014 ele conseguiu reunir 18 partidos em torno do seu nome.

Naquela oportunidade, registramos que PSGB, PMDB e DEM, poderiam sair com um ou dois candidatos a presidente da República, atraindo, por conta das relações das suas lideranças, outras agremiações em torno do ou dos nomes postos pelas três agremiações.

Hoje, a colunista do jornal O Estado de S.Paulo, Eliane Cantanhêde, trata da sucessão presidencial e admite um “Acordão pró-PSDB) para enfrentar os outros candidatos que venham a ser indicados para a sucessão presidencial.

Eliane praticamente descarta um apoio de Lula à candidatura presidencial de Ciro, como, aliás, defende o governador Camilo Santana.

Leia o artigo de Eliane Cantanhêde:

Acordão pró-PSDB

Seja Alckmin, seja Doria, nome tucano arrasta DEM, PMDB e maioria do Centrão

Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo

15 Agosto 2017 | 03h00

A eleição presidencial de 2018 começa a tomar corpo. Aliás, a ganhar caras, vozes, partidos e ideologias e está embicando para um acordão em torno do PSDB, que atrai o ascendente DEM, o paquiderme PMDB e parte do Centrão. O problema é definir quem será o candidato e, desta vez, as disputas internas são de vida ou morte – ou de ficar ou sair do partido.

Mesmo muito feridos pela Lava Jato, os tucanos ainda têm ressonância, ou recall, em São Paulo, no Sul e no Centro-Oeste, pelo menos, mais do que seus parceiros tradicionais ou potenciais. E tem dois nomes fortes: Geraldo Alckmin e João Doria.

Alckmin pode se considerar “natural”, como governador do principal Estado e o único ex-candidato a sobreviver (até agora) depois das delações premiadas. Doria, por ter ousadia, estratégia, marketing e dinheiro para sair por aí fazendo campanha de norte a sul.

 Antes de se tornar de fato candidato do PSDB, Doria precisa passar por cima do cadáver, ops!, das pretensões do seu padrinho Alckmin e dos próprios adversários tucanos de Alckmin em São Paulo e fora de São Paulo. Fernando Henrique, José Serra e Tasso Jereissati, por exemplo, têm fortes resistências ao prefeito.

Aliás, o PMDB já não tem nomes há tempos e ora oferecia o vice aos tucanos (como Rita Camata para Serra), ora aos petistas (como Michel Temer para Dilma Rousseff). Em 2018, essa opção deixa de existir. O PMDB, definitivamente, não irá com o PT. Quem sobra? O PSDB. Quando Temer “abriu a porta” para Doria entrar no PMDB, também estava abrindo para o PMDB entrar na campanha de Doria.

O DEM, que joga para fortalecer seus quadros em 2018 e disputar a Presidência em 2022, também não tem muita alternativa. Ficar a reboque mais uma vez do PSDB, não, mas usar o PSDB como alavanca faz sentido. E, convenhamos, os tucanos são melhor alavanca para o DEM do que as demais forças políticas. PT? Rede? Bolsonaro?

Por falar nisso, o Centrão, que reúne vários partidos e nenhum candidato, é outro que não tem muito para onde correr. Vai com o PSDB por exclusão, apesar de ceder combatentes para a aventura Bolsonaro. Não para vencer, mas sim por comunhão de ideias e pelo perfil de eleitores.

E na outra ponta, da esquerda? Que Doria tinha largado na frente das viagens pelo País e na ocupação de terreno na internet, todo mundo sabia. O que não se sabia – apesar de anunciado aqui em 25/4 – é que seu antecessor Fernando Haddad também está se mexendo, e muito.

Para levar a legenda do PT, Haddad tem de torcer para Lula ser soterrado pelos seus seis inquéritos, com uma condenação, e para Ciro Gomes parar de sonhar com a bênção de Lula. Entre seu pupilo Haddad e o multipartidário Ciro, com quem vocês acham que Lula fica?

É assim que, se o tabuleiro de 2018 estava vazio, as peças começaram a se colocar e a se mexer freneticamente. Lula retomou a “caravana da cidadania”, de ônibus, pelo Nordeste. Doria cruza os ares com avião próprio. Alckmin corre atrás do prejuízo. Marina sai da toca. Ciro Gomes mete a cara. Bolsonaro faz a festa em palanques improvisados. E Haddad se move como gato, sem fazer ruído.

Sempre podem aparecer novos nomes, ou um grande nome, inesperadamente. Mas, a um ano e dois meses da eleição, e diante da percepção de que Temer conclui o mandato, o processo está afunilando para esses nomes já colocados. É em torno deles que o mundo político se move. E é bom o senhor e a senhora começarem a fazer suas apostas.