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Categoria: Bancada nordestina


10:19 · 18.03.2013 / atualizado às 10:19 · 18.03.2013 por

Por Miguel Martins

O deputado Carlomano Marques (PMDB), durante pronunciamento na Assembleia Legislativa,  reclamou da falta de unidade da bancada nordestina para cobrar medidas para a Região, como a transposição de águas do Rio São Francisco, por exemplo. Segundo ele, as iniciativas para trazer incremento para a economia nordestina são, na maioria das vezes, políticas, como foi no caso da repartição dos royalties do pré-sal, votado recentemente na Câmara Federal.
“A bancada do Nordeste tem 151 deputados. Se esse povo se reunisse mesmo, o Nordeste era outro, porque quando eles querem eles resolvem”, afirmou o peemedebista, lembrando que a partilha atualmente está mais generosa e menos “egoísta”. “A repartição era de um egoísmo que me fazia mal. Como é que dois estados sacrificam o resto de nosso País com um discurso frágil, de perfumaria?”, indagou.
Para o parlamentar, os estados do Sudeste e Sul querem “sacrificar” o Nordeste, mas a região nordestina, em sua avaliação precisa dar a resposta e isso tem acontecido no setor de inteligência, como lembrou. Segundo ele, a metade das residências em medicina em São Paulo são de pessoas do Nordeste. “A imprensa do Sudeste é reacionária, venal”, criticou Carlomano Marques.
Segundo ele, o episódio da distribuição dos royalties do petróleo foi um exemplo de como o Nordeste ainda está submetido aos interesses do Sudeste do País, por falta de união da bancada que representa o Nordeste em Brasília. O deputado lembrou por exemplo, a recente informação de que o Brasil acumulou em impostos o valor de R$ 1 trilhão e que o Ceará vai receber R$ 20 bilhões em repasse do Governo Federal.
O deputado, no entanto, acredita que o Estado possa não receber esse repasse, podendo em sua avaliação, ser esse repasse apenas uma peça de ficção. De acordo com o peemedebista, o Nordeste possui inúmeras potencialidades, mas falta decisão política para resolver problemas locais, como a seca.
De acordo com o parlamentar, é preciso resolver questões técnicas como a situação das máquinas de perfuração de poços que estão quebradas no Estado. “Como posso acreditar que vem R$ 6 bilhões para o Ceará?”, questionou. Ele disse que o Brasil tem reservas de R$ 500 bilhões e gastaria somente 0,5% deste valor para a transposição do rio São Francisco, que resolveria definitivamente as consequências do flagelo da seca.
<CF62>Castanhão
</CF>Ele lembrou ainda a atuação do ex-deputado federal, Paes de Andrade, para a construção do açude Castanhão no Ceará, que atualmente, corresponde por 33% das reservas do Estado. “É preciso que a gente faça essa referência para dar musculatura histórica ao Paes de Andrade. Na época tinha uma meia dúzia de pseudo-intelectuais de “eco-xiitas” que queriam fazer mal ao Estado do Ceará. A Transposição do São Francisco, assim como naquele tempo, trará prejuízo zero para o rio”, argumentou.
Segundo ele, a obra custa apenas R$ 8 bilhões aos cofres públicos, enquanto que o trem-bala que estão propondo para ligar o Rio de Janeiro a São Paulo, custaria R$ 47 bilhões. “A decisão é política. Não adianta nada, ou se toma uma solução ordeira caprichosa forte de fazer a transposição do Tocantins para o são Francisco e do São Francisco para o Nordeste ou não adianta”, salientou.
O peemedebista disse também que o Ceará é “disparado” o Estado mais organizado na contenção de água e que R$ 8 bilhões ou R$ 10 bilhões não seriam cifras altas para resolver um problema secular. “Enquanto não chegar um presidente que tenha a coragem de enfrentar o Sul e o Sudeste e os preconceitos regionais e saber a viabilidade do projeto, nós vamos continuar a viver nessa situação”, reclamou.