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Categoria: Bastidores


09:06 · 02.12.2016 / atualizado às 09:06 · 02.12.2016 por

Por Miguel Martins

Deputado Sérgio Aguiar cumprimenta os deputados Carlos Felipe e Augusta Brito, ambos do PCdoB, que ele tinha como votos certos. Os cumprimentados demonstram visível constrangimento, depois de terem sido movidos a mudarem o voto Foto: Helene Santos
Deputado Sérgio Aguiar cumprimenta os deputados Carlos Felipe e Augusta Brito, ambos do PCdoB, que ele tinha como votos certos. Os cumprimentados demonstram visível constrangimento, depois de terem sido movidos a mudarem o voto Foto: Helene Santos

O dia histórico na Assembleia Legislativa também foi um dia repleto de tensão e últimas negociações antes da eleição que resultaria na vitória de Zezinho Albuquerque (PDT) com 27 votos, contra o seu colega de partido, o também pedetista Sérgio Aguiar, que recebeu 18 votos. Durante toda a manhã conversas em gabinetes, reuniões externas e café da manhã foram feitos com o objetivo de atrair apoiadores. No entanto, o martelo já estava, praticamente, batido.
Às 11 horas, Sérgio Aguiar adentrou ao Plenário 13 de Maio, e meia hora depois, Zezinho Albuquerque. Depois de pouco mais de quatro horas entre discursos e votação o resultado revelou aquilo que já era esperado desde o início do dia. Albuquerque foi reeleito para um novo mandato com 27 votos, enquanto Aguiar ficou com apenas 18. Renato Roseno (PSOL), que havia dito que se absteria da votação, foi o único voto nulo na urna.
Logo cedo, o deputado Sérgio Aguiar tentava convencer Joaquim Noronha (PRP) de ceder o espaço da primeira-secretaria para a deputada Aderlânia Noronha (SD), que apontava essa como a condição para apoio à chapa denominada “Murilo Aguiar”. A parlamentar, junto com Capitão Wagner (PR), Fernanda Pessoa (PR), Ely Aguiar (PSDC) e Carlos Matos (PSDB), fechou questão quanto ao apoio a Aguiar, e durante boa parte da manhã esteve no gabinete da Primeira-Secretaria.
Já no início da manhã, deputados apoiadores de Sérgio Aguiar reclamavam de alguns colegas que, segundo eles, teriam mudado de lado, e apostado suas fichas na candidatura de Zezinho Albuquerque. Um desses foi o deputado Osmar Baquit (PSD), líder do bloco PSD, PMB, PCdoB, PEN e PRP. Acontece que Baquit, que no início da semana teria sugerido o nome da chapa de apoio a Aguiar de “Murilo Aguiar”, não estava sozinho.
Seguiriam ele os deputados Augusta Brito e Carlos Felipe, ambos do PCdoB. Tudo isso por determinação da direção nacional, junto com dirigentes locais, que teriam feito os parlamentares mudarem seus votos. Como consolo, a deputada Augusta Brito ganhou um lugar na Mesa Diretora, e a partir de agora será a Quarta-Secretária da Casa, uma novidade no Poder Legislativo cearense, visto que uma mulher terá função titular na Mesa. Outra que seguiu apoiando Zezinho foi Bethrose, do PMB.
Outra surpresa que o grupo de Sérgio Aguiar teve logo nas primeiras horas do dia foi a ida de Agenor Neto e Audic Mota para o lado de Zezinho, visto que até então, o PMDB havia fechado questão quanto ao apoio a Aguiar. Audic Mota foi contemplado com a Primeira-Secretaria, um dos principais cargos da Casa.
Ele corre o risco de ser expulso do partido, conforme decisão da legenda apresentada por Leonardo Araújo (PMDB), ontem. Audic havia acordado com Danniel Oliveira (PMDB) que ele seria o nome da sigla para a Mesa na chapa de Sérgio Aguiar, mas Oliveira não teria cumprido o acordo e foi ele o indicado.
Já Agenor Neto disse estar pouco preocupado com provável expulsão. “Só fico onde sou bem vindo”, disse. Ao saberem da mudança de posição de alguns deputados, aliados de Aguiar criticaram seus pares, inclusive, usando palavras de baixo calão, como “pilantra”. Outros chegaram a dizer que esses parlamentares estavam “enterrando suas histórias”.
Além de seus colegas parlamentares, Sérgio Aguiar convidou um grupo grande de políticos de outros municípios, em especial de Camocim, sua terra natal. Deputados federais, vereadores, ex-deputados, advogados, assessores de prefeituras, jornalistas e servidores eram o público presente, ontem, nos corredores da Assembleia.
Durante a última semana, o deputado Heitor Férrer (PSB) foi acusado de apoiar candidatura governista, que tem como apoiadores os irmãos Ferreira Gomes. Ontem, antes da votação ele desabafou e disse que qualquer um dos dois candidatos era da base governista, e o que não poderia acontecer era o envolvimento de conselheiros do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) na disputa do Poder Legislativo.
Enquanto isso, opositores comemoravam a consolidação da bancada oposicionista, com a criação de um bloco só da oposição e, possivelmente, com a adesão de PSD e PMB à suas causas. No entanto, como a posição de alguns membros do bloco foi de encontro àquilo que se pensou, há uma probabilidade grande de isso não ocorrer. O Governo demonstrou que, mesmo com algumas lideranças políticas esperneando, ele ainda é quem pode decidir os rumos de uma eleição no Poder Legislativo.