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Categoria: Blog Política


09:54 · 21.07.2018 / atualizado às 09:54 · 21.07.2018 por

Por Edison Silva

Fac-símile de matéria recente que trata do otimismo de Ciro e seus aliados, com as conversas com representantes do PSB, com quem deseja muito fazer uma aliança

Ciro Gomes (PDT) perdeu a perspectiva do apoio pragmático do “Centrão” (DEM, PP, PR, PRB e Solidariedade), mas continua perseguindo o do PSB, principalmente pelo seu peso ideológico e pela facilitação da adesão do PCdoB. Diferentemente do reflexo no âmbito nacional, a decisão dos partidos do “Centrão” de alinharem-se ao tucano Geraldo Alckmin, um dos mais fortes concorrentes de Ciro, no Ceará, na disputa presidencial nada muda. Todos os integrantes desses partidos citados continuarão na aliança do PDT, fiadora da candidatura de Camilo Santana.

A perda de perspectiva de apoio do “Centrão”, porém, impõe mais uma autocrítica ao agora oficial candidato do PDT à chefia da Nação. A indignação de cidadão com pretensões de ser presidente da República, independentemente da sua monta, não justifica discursos com palavras chulas ou impropérios dirigidos seja a quem for.

O político que ocupa ou pretende ocupar o posto mais importante do Pais, além do respeito à liturgia daquele cargo, tem a obrigação de dar bons exemplos, inclusive, no uso do vernáculo. O vitupério é repudiado até mesmo pelos que inconscientemente a tudo aplaudem.

Aglomerado

Evidente que Ciro não perdeu a chance de ter o apoio do “Centrão” pelos palavrões proferidos recentemente em palestra na Espanha e em São Paulo, referindo-se a mãe de pessoas. O seu posicionamento político é bem diferente da quase totalidade dos integrantes daquele grupo. A síntese do projeto que apresenta para solucionar problemas brasileiros vai de encontro ao que defendem os integrantes daquele aglomerado de partidos.

A sua intempestividade, porém, dificulta alianças. Na edição deste Diário do Nordeste, no primeiro sábado deste mês, já havíamos afirmado que a intempestividade “é o principal obstáculo para os apoios necessários, no momento”.

Naquele mesmo espaço foi ressaltado que, indiscutivelmente, “dentro do atual quadro de postulantes (ao cargo de presidente), ele reúne algumas das qualidade ou premissas reclamadas pelos eleitores ainda dispostos a dar voto de confiança nos políticos”.

Uma dessas qualidades é a coragem de dizer, apontar defeitos e oferecer soluções, com o crédito de ter sido prefeito, governador, ministro e executivo da iniciativa privada, e não ser apontado, como uma boa parte dos políticos o é, como envolvido em questões ligadas a improbidades. Isso o credencia a receber apoios, inclusive fora do universo partidário, para seguir na disputa presidencial.

A disputa presidencial deste ano, por conta do grande descrédito da classe política, como registramos, em agosto de 2015, quando Ciro ainda discutia com o PDT sua candidatura, ontem tornada oficial, sem ainda sequer estar filiado ao partido à época (a filiação foi em setembro daquele ano), “exigirá discursos mais firmes dos postulantes, de modo, não a convencerem aos eleitores, atualmente ressabiados com tantas inverdades, mas (discursos) capazes de os motivarem a ser menos céticos em relação às promessas”. Ciro Gomes pode ser um dos que venham a ter audiência.

É possível até que a decisão do “Centrão”, ficando com Alckmin, o beneficie no tocante à possibilidade de acordos com o PSB e o PCdoB. Embora integrantes destas siglas estejam juntos em alguns estados, inclusive no Ceará, ainda há um certo receio de eles aparecerem juntos, principalmente em razão de alegadas questões ideológicas, além do histórico relacionamento de indicados seus em administrações públicas, notadamente a federal, nos últimos governos.

O PSB, por certo, não sentir-se-ia confortável no mesmo palanque nacional, posto ter posições políticas, notadamente as sociais, diversas de boa parte daquele pessoal.

Sobrevivência

Os dirigentes do DEM, do PP, do PR, do PRB e do Solidariedade no Ceará estão todos na sombra do Governo do Estado. Os do PR e do Solidariedade, respectivamente Gorete Pereira e Genecias Noronha, ambos deputados federais, foram os últimos a se tornarem governistas no Estado.

A questão dos integrantes de todas essas agremiações é a sobrevivência política dos seus integrantes. Embora o candidato Alckmin tenha o PSDB local com um candidato a governador, o general Guilherme Theophilo, o presidenciável tucano, no quesito apoio político local, não oferece as perspectivas que o grupo de Ciro assegura.

Exemplo disso é a recente adesão ao grupo do próprio Ciro, do pessoal do PSD local, uma das siglas aliadas nacionalmente do tucano, assim como a decisão do PROS, presidido pelo Capitão Wagner, de não votar em Alckmin, embora esteja diretamente ligado ao PSDB cearense por conta da candidatura do general Guilherme Theophilo.

O § 1º do Art. 17 da Constituição Federal garante aos partidos, nos estados, definirem as suas alianças. No caso da falta de diretório constituído é que a direção nacional poderá intervir para evitar aliança diversa da formada nacionalmente.

Reafirmando

Na edição da última quarta-feira deste jornal, o ex-governador Cid Gomes, reafirmando o que dissera o irmão candidato à Presidência da República, disse não aceitar uma coligação com o MDB, excluindo, portanto, o senador Eunício Oliveira da chapa majoritária encabeçada pelo governador Camilo Santana.

Antes, ele já havia dito praticamente a mesma coisa, quando defendeu a indicação oficial de apenas um nome na chapa governista para disputar as duas vagas de senador. Sua alegação, para não ser cáustico tanto quanto Ciro o é em relação a Eunício, é a de que tendo o PDT, contrário a qualquer aliança com o MDB, e sendo um cearense o candidato do partido a presidente, não é possível logo aqui se violentar a posição do seu partido.

Esta tem sido a argumentação de Cid para não ter o senador como seu companheiro de chapa. Porém, o real motivo são as consequências do rompimento de Eunício com ele e seus aliados, em 2014, quando o senador que fazia parte do grupo queria ser o candidato a governador, no lugar do hoje Camilo Santana.

Ficaram grandes e profundas cicatrizes, e ainda ecoam as acusações verbais trocadas entre Eunício e Ciro, assim como ainda têm processos tramitando na Justiça do Ceará por conta das aleivosias de ambos, hoje fazendo parte das memórias, não agradáveis, das eleições cearenses.

O governador Camilo Santana tem interesse na composição com o MDB. Sua relação com Eunício extrapolou as questões administrativas. Ainda ontem iam estar juntos no Cariri, mas ele, até agora, pelas reações públicas dos seus principais aliados políticos, os irmãos Cid e Ciro, não conseguiu reduzir as resistências dos pedetistas, e o tempo está ficando mais exíguo ainda, pois tudo terá que acontecer até o dia 5 de agosto, último dia para a realização das convenções partidárias, quando se oficializam as coligações e indicações de candidatos.

O MDB ainda não marcou a sua convenção, ao contrário do PDT e seus demais aliados, que decidiram cumprir essa etapa do Calendário Eleitoral, no dia 5 de agosto. E o MDB não fixou a data de sua convenção exatamente por ainda não ter certeza de que haverá a tão significativa coligação para o projeto do seu principal líder, conseguir a reeleição para o Senado.

Sem coligação, não será surpresa uma candidatura do senador a deputado federal, posto ser muito difícil o governador, ao lado de Cid ou Ciro, ou de ambos no palanque, pedir votos para Eunício fora da sua coligação. Ademais, não será fácil ao senador estar sozinho numa chapa majoritária, dizendo que tem apoio do governador, de outra aliança, como fez na campanha de 2014, dizendo ser o candidato de Lula e de Dilma, quando ambos são do PT, o mesmo partido do seu adversário da época, Camilo Santana.

09:53 · 21.07.2018 / atualizado às 09:53 · 21.07.2018 por

Por Miguel Martins

Na atual composição do Legislativo estadual são vários os parentes de políticos que já exerceram mandatos naquela Casa parlamentar Foto: Fabiane de Paula

Assim como no passado, atualmente, políticos de carreira procuram perpetuar o nome de suas famílias nas casas legislativas e, ainda que não sejam candidatos ao pleito deste ano, apoiarão filhos e filhas em outubro próximo. Atualmente, a maioria da composição da Assembleia Legislativa é constituída por parentes de lideranças políticas, que fazem de cadeiras do Legislativo estadual verdadeiras “capitanias hereditárias” da política neste século XXI.

Prefeitos e deputados que não disputarão as eleições já trabalham há algum tempo o nome de seus herdeiros políticos para a disputa que se avizinha, havendo, inclusive, casos de parlamentares que farão “dobradinhas” com os filhos.

Na maioria das justificativas apresentadas por eles está o fato de seus rebentos já conhecerem o modo de trabalho da liderança que pensa em se “aposentar” ou “tirar férias” da vida pública. Dessa forma, o surgimento de lideranças novas que não tenham laços sanguíneos com caciques locais fica cada vez mais difícil, para que representem outros segmentos da sociedade.

Recentemente, a deputada estadual Mirian Sobreira (PDT) anunciou que não disputaria reeleição, mas lançou a pré-candidatura do filho, Marcus Sobreira (PDT), que já havia sido indicado por ela como vice-prefeito de Iguatu no pleito de 2016.

O ex-secretário de Fortaleza, Mosiah Torgan (PDT), até então não havia demonstrado interesse pela política, mas, com o apoio do pai, o vice-prefeito de Fortaleza, Moroni Torgan (DEM), é aposta das principais lideranças da base governista para a Câmara Federal.

O filho do ex-deputado Welington Landim, morto no início desta legislatura, o ex-prefeito de Brejo Santo, Guilherme Landim (PDT), também é outra aposta da base para ingresso na Assembleia Legislativa. Atualmente, o Município de Brejo Santo é administrado pela tia de Guilherme, Teresa Landim.

O presidente da Assembleia Legislativa, Zezinho Albuquerque (PDT), vai apoiar o filho e ex-prefeito de Massapê, Antônio José, presidente estadual do PP, para uma das 22 vagas da bancada cearense na Câmara Federal.

Aposta

O deputado petista Manoel Santana já está anunciando em suas redes sociais que não tentará reeleição e apoiará a candidatura do filho, Gabriel Santana, do PCdoB. O mesmo já ocorreu com o prefeito de Aracati, Bismarck Maia, que lançou pré-candidatura do rebento,  Eduardo Bismarck (PDT). Rodrigo Oliveira (MDB), filho do senador Eunício Oliveira (MDB), é aposta do político para a Câmara Federal. Para o Legislativo estadual, o emedebista deve focar, mais uma vez, na reeleição do sobrinho, Danniel Oliveira (MDB).

Os Ferreira Gomes, há mais de um século, elegem membros da família ao Executivo e Legislativo cearenses. Oriunda de Sobral, a família, atualmente, tem como prefeito o ex-deputado estadual Ivo Gomes, irmão do ex-governador Cid Gomes, que é pré-candidato ao Senado; e do presidenciável Ciro Gomes. Para este ano, eles pretendem ainda focar na eleição da irmã Lia Gomes (PDT) ao cargo de deputada estadual. Lúcio Gomes, outro irmão, comanda a Secretaria de Cidades no Governo Camilo Santana, que já foi administrada por Ivo Gomes.

O próprio governador Camilo Santana apoia parente próximo, o ex-secretário de seu Governo, até abril passado, Fernando Santana (PT). Em 2016, mesmo com o apoio do chefe do Poder Executivo Estadual, Fernando foi derrotado na disputa pela Prefeitura de Barbalha.

O cientista político e membro do Instituo de Ciência Política da Universidade de Brasília (UNB), professor David Verge Fleischer, afirma que tal realidade é mais comum no Nordeste do que no Centro-Sul do País, ainda que por lá também existam “dinastias” familiares que vão se perpetuando desde o século XIX.

Sobrenome

“Essas famílias controlam muitos votos, especialmente no Interior, e têm meios financeiros de influenciar o eleitor. Muitas vezes, no Brasil, existe a figura do ‘você sabe com quem está falando?’ O sobrenome e a bênção do pai, do tio, do avô ainda é muito importante nesse estilo de política”, analisa.

No entanto, ele salienta que para o pleito deste ano existem sinais de que tal realidade poderá mudar. “Tem muito eleitor de saco cheio com a classe política em geral, mas pode ser que algum filho ou sobrinho, que não carregue o sobrenome de seu parente, se apresente como novo”.

O professor de Sociologia Política da Universidade de Fortaleza (Unifor), Clésio Arruda, por sua vez, afirma que, na política cearense, tal realidade se reproduz em todos os poderes e, por fim, acaba sendo uma reprodução de uma classe social cearense. “Quando a gente recua no tempo, o que vamos ter é que os poderes eram ocupados, inicialmente, por aqueles que tinham recursos financeiros e educação. Ou seja, quem tinha escolaridade e renda. E a grande maioria da população não tinham nenhuma dessas duas coisas”.

Ele destaca que tardiamente, somente na década de 1980, outra parcela da população passou a participar das discussões políticas, o que fez com que um grupo se perpetuasse no poder.

“A própria estrutura política brasileira possibilita criar uma rede onde alguns indivíduos conseguem montar um bom esquema, se vinculando ao prefeito, ao deputado federal, ao deputado estadual e vereadores”, enfatiza Clésio Arruda.

09:53 · 21.07.2018 / atualizado às 09:53 · 21.07.2018 por
Camilo Santana (PT), Guilherme Theophilo (PSDB), Ailton Lopes (PSOL), Hélio Goís (PSL) e Francisco Gonzaga (PSTU): cinco pré-candidatos a governador em 2018

Ainda que, nos últimos 20 anos, o número de partidos políticos no País tenha aumentado, no Ceará, o quantitativo crescente de agremiações políticas – e do eleitorado – não tem representado, nas últimas cinco eleições para governador, uma multiplicidade proporcional do número de candidatos. Em 2018, ano em que o Brasil mais tem partidos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas últimas duas décadas, aliás, o número de postulantes ao Palácio da Abolição – cinco, até o momento – deve ser um dos menores dos últimos vinte anos. Desde 1998, apenas o último pleito geral, em 2014, foi disputado por menos de cinco candidatos.

Os cinco nomes colocados para a disputa, ainda na condição de pré-candidatos, são o atual governador Camilo Santana (PT), postulante à reeleição, o general Guilherme Theophilo, recém-filiado ao PSDB, o presidente estadual do PSOL, Ailton Lopes, o advogado Hélio Góis, do PSL, e o operário Francisco Gonzaga, do PSTU. Assim, apenas cinco dos 32 partidos com representação organizada no Ceará devem lançar candidatos, enquanto aos outros 27 caberá acomodarem-se nas coligações mais viáveis para os respectivos interesses eleitorais.

Atualmente, o TSE contabiliza 35 partidos políticos existentes no Brasil. Segundo a Justiça Eleitoral, no Ceará, apenas PCB, PCO e PMB não possuem órgão definitivo ou comissão provisória com registro no Tribunal. De acordo com levantamento realizado pelo Diário do Nordeste, o número supera os registrados nas eleições gerais de 2014 (33 partidos), de 2010 (28 partidos), de 2006 (também 28), de 2002 (27 legendas) e de 1998 (28 partidos).

De uma campanha a outra, ainda que o número de agremiações, em alguns casos, tenha se mantido, também foram frequentes a criação e a extinção de partidos. Entre as eleições de 2006 e de 2010, por exemplo, o Partido Geral dos Trabalhadores (PGT) e o Partido Liberal (PL) deixaram de existir, enquanto PRB e PSOL foram fundados em 2005 e o PR, em 2006. Já em 2014, (re)nasceram o PSD, que havia sido extinto em 2002, o PPL, o PEN, o PROS e o Solidariedade (SD). Em 2015, foram criados a Rede Sustentabilidade, o Partido Novo e o PMB.

Alianças

Em 1998, quando Tasso Jereissati (PSDB) foi reeleito governador – para o terceiro mandato – em primeiro turno, com 62,7% dos votos, disputaram o cargo outros quatro postulantes: o ex-governador Luiz Gonzaga Mota (PMDB) e o petista José Airton Cirilo foram o segundo e o terceiro colocados, com 21,9% e 13,8% dos sufrágios, respectivamente, seguidos por Antônio Reginaldo Costa Moreira (PMN) e Valdir Alves Pereira (PSTU). Com 28 partidos existentes no País àquela época, apenas estes dois últimos candidatos foram para a disputa estadual com chapas puras. Todas as outras agremiações agruparam-se em três coligações majoritárias.

O pleito seguinte, em 2002, foi o que mais teve candidatos a governador nos últimos vinte anos. Sete nomes disputaram o Palácio da Abolição, e Lúcio Alcântara, à época no PSDB, em coligação com PPB, PSD e PV, venceu José Airton Cirilo (PT), em chapa formada por PT, PCdoB, PL, PMN e PCB, no segundo turno. Welington Landim (PSB), Sérgio Machado (PMDB), Cláudia Maria Meneses Brilhante (PTB), Pedro de Albuquerque Neto (PDT) e Raimundo Pereira de Castro (PSTU) – os três últimos com chapas puras – ficaram pelo caminho no primeiro turno.

Quatro anos depois, Lúcio Alcântara (PSDB) tentou reeleição, mas foi derrotado por Cid Gomes, à época no PSB, ainda no primeiro turno. Ao constituir um arco de aliança formado por nove partidos – PSB, PT, PCdoB, PMDB, PRB, PP, PHS, PMN e PV –, o pessebista obteve 62,3% dos votos e desbancou não só o então governador, em coligação formada por PTB, PTN, PSC, PPS, PFL, PAN, PTC e PSDB, mas também Renato Roseno (PSOL), José Maria de Melo (PL), Francisco Horácio Marques Gondim (PSDC) e Salete Maria da Silva (PCO).

Em 2010, embora sete postulantes a governador tenham registrado pedidos de registro de candidatura à Justiça Eleitoral, apenas seis participaram da campanha: Cid Gomes (PSB), Lúcio Alcântara (PR), Marcos Cals (PSDB), Soraya Tupinambá (PSOL), Francisco Gonzaga (PSTU) e Marcelo Silva (PV). Maria da Natividade, do PCB, foi considerada “inapta” para a disputa. Apoiado por sete partidos – <MC0>PRB, PDT, PT, PMDB, PSC, PSB e PCdoB –, Cid obteve 2,43 milhões de votos e foi reeleito com facilidade em primeiro turno.

Acirramento

Quatro anos depois, a eleição não foi fácil para o indicado de Cid Gomes ao Palácio da Abolição. Após dois mandatos, o então pessebista recrutou 18 partidos para a coligação de Camilo Santana (PT): PRB, PP, PDT, PT, PTB, PSL, PRTB, PHS, PMN, PTC, PV, PEN, PPL, PSD, PCdoB, PTdoB, SD e PROS. Já ao lado de Eunício Oliveira (PMDB) marcharam nove siglas: PSC, PMDB, DEM, PSDC, PRP, PSDB, PR, PTN, PPS. Com 53,35% dos votos no segundo turno, o petista venceu o peemedebista, que teve 46,65% dos sufrágios. Eliane Novaes (PSB) e Ailton Lopes (PSOL) terminaram o primeiro turno em terceiro e quarto lugar, respectivamente.

Para este ano, após dissidências recentes na oposição, o governador Camilo Santana deve disputar reeleição em um arco de alianças ainda mais amplo – aliados contabilizam até 24 siglas na base governista. Já o PSOL, de Ailton Lopes, disputará o Governo do Estado em coligação com o PCB, enquanto o PSDB, do general Guilherme Theophilo, tem consigo o PROS. O PSL, de Hélio Góis, e o PSTU, de Francisco Gonzaga, até o momento, vão para a disputa com chapas puras.

Falta projeto político a partidos, dizem analistas

A desproporcionalidade entre o número de partidos no País e a quantidade de pré-candidaturas colocadas, até o momento, ao Governo do Estado é reflexo, de acordo com cientistas políticos, de características do sistema político brasileiro que se mantêm apesar de mudanças propostas em reformas políticas recentes. No contexto de uma crise de representatividade, analistas políticos observam, ainda, que faltam à maioria das legendas projetos políticos próprios que possam ser apresentados em uma disputa eleitoral.

Ao refletir sobre o agrupamento de tantos partidos em torno de poucas candidaturas, o cientista político Osmar de Sá Ponte, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), ressalta que é preciso considerar que a política, no Brasil, “é baseada no financiamento da campanha”. Em meio a disputas caras, portanto, há, conforme analisa, poucos partidos “afeitos a alianças programáticas” no País. Em esfera estadual, avalia o cientista político, a maioria das legendas “não tem projetos para o Ceará”. “O partido se transforma numa empresa, e não num organismo de natureza política”, afirma.

Segundo ele, variáveis de valor eleitoral, como tempo de propaganda em rádio e televisão e negociações de cargos, são “interesses menores” que determinam estratégias eleitorais. “Isso torna a nossa política aquilo que ela é. Você vê que, nacionalmente, tem muitos candidatos, e localmente, muito poucos. As alianças locais deveriam refletir alianças nacionais para ter o mínimo de coerência programática. Não têm”, diz. “Só querem eleger bancada, portanto, estão sujeitos a se aliar a todas as forças que são mais convenientes a esse projeto”, completa.

Professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece), o cientista político Josênio Parente, por sua vez, argumenta que o reduzido número de pré-candidaturas em meio a um universo de tantos partidos decorre, também, de uma “crise de representação”. “As pessoas falam muito dos candidatos majoritários que devem ter projetos para mobilizar e ter a possibilidade de ganhar a eleição. Partidos são como times de futebol: eles têm que fidelizar o eleitor”, sustenta. “Tem partidos que não têm torcedores, então, no fundo, estão procurando vender seu passe, na medida em que a nossa representação está em crise”, acrescenta.

Neste mosaico de fatores, contradições emergem das coligações. No bloco governista, por exemplo, DEM e PCdoB, ideologicamente divergentes, dividem espaço no arco de aliança do governador Camilo Santana. O partido deste, por sua vez, após rompimento local e nacional – que culminou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) –, ensaia reaproximação com o MDB no Ceará.

Mudança

Para Osmar de Sá Ponte, a pluralidade de partidos que formam coligações numerosas é, em muitos casos, “fisiológica”. Um caminho para modificar tal lógica, sustenta ele, não seria a limitação do número de legendas em uma democracia, mas a regulamentação “do que se conhece como partido”. “Os partidos deveriam ser acompanhados pela sociedade. Não dá para ter um partido político que surge e simplesmente tem uma existência intocada pela sociedade, principalmente porque o partido é a expressão da sociedade”.

Josênio Parente faz avaliação semelhante. “A lógica da política não é a lógica da moral, é a lógica de juntar forças para ganhar”, afirma. Apesar disso, diz ele, a crise de representação tem despertado uma consciência de cidadania em parte do eleitorado – manifestada, por vezes, em uma radicalização de discursos –, que pode, aos poucos, exigir mudanças no jogo eleitoral. “Quando a cidadania despertar, que é soberana, os partidos terão que ter compromisso com ela”.

09:18 · 20.07.2018 / atualizado às 09:18 · 20.07.2018 por

Por Miguel Martins

Deputados federais e estaduais posam com o governador Camilo Santana e assessores, na residência oficial, onde aconteceu o jantar da última quarta-feira. Alguns deles exibem o envelope com os convites do jantar Foto: Assessoria do Governo

Os deputados estaduais e federais que jantaram quarta-feira com o governador Camilo Santana (PT) saíram da residência oficial, ao fim da refeição, cada um deles com um envelope com 10 convites, ao preço individual de R$ 1 mil, para venderem a seus amigos e correligionários que queiram participar do jantar com o governador, no dia 30 de julho. No dia anterior, os prefeitos que estiveram com Camilo à noite, em um hotel da Capital, também receberam envelopes semelhantes.

A ideia de vender convites para jantares, em véspera de eleição, como forma de arrecadar recursos para a campanha, foi lançada pelo ex-governador Cid Gomes (PDT), tanto para sua reeleição, quanto para a eleição do prefeito Roberto Cláudio (PDT), em Fortaleza. Ontem, reservadamente, alguns deputados falavam da dificuldade de venderem os convites para despesas de campanha do governador, quando estão precisando de recursos para as próprias campanhas.

Os encontros do governador Camilo Santana com prefeitos e deputados, nesta semana, serviram para estreitar ainda mais os laços do chefe do Poder Executivo com os seus correligionários, e mostrar aos adversários a dimensão da base que foi construída nos últimos anos. Na próxima semana, ele se reúne com vice-prefeitos, vereadores e outras lideranças municipais, representantes dos movimentos sociais e sindicais, para depois, no dia 30 de julho, lançar, oficialmente, sua pré-candidatura à reeleição.

Bancada federal

Na última quarta-feira, a conversa de Camilo com os deputados durou pouco mais de uma hora. Ao todo, estiveram presentes 36 deputados estaduais, além de dez federais, segundo a sua assessoria, pois o encontro foi reservado, diferente do dia anterior, com os prefeitos.

O presidente do Legislativo Estadual, Zezinho Albuquerque (PDT), discursou sobre o papel da Casa na aprovação de matérias de interesse do Governo, bem como a aliança entre o Legislativo e o Executivo no Estado. Já Cabo Sabino (Avante), representando a bancada federal cearense, lembrou dos recursos que os deputados federais conseguiram aprovar para o Ceará nos últimos anos e pediu que o governador lembrasse mais da atuação de seus pares durante suas aparições em público.

O secretário-chefe da Casa Civil, Nelson Martins, disse que as reuniões desta semana tiveram como objetivo realizar convite a todos para que estejam presentes no jantar do dia 30 de julho, e solicitar que os aliados se mobilizem a fim de atrair mais governistas para o último encontro antes da convenção dos partidos aliados, programada para o próximo dia 5 de agosto, o último dia do Calendário Eleitoral para a realização dos eventos que oficializarão todas as candidaturas no pleito deste ano.

O jantar tem como objetivo arrecadar recursos para a campanha de Camilo Santana. Na reunião, o chefe do Poder Executivo declarou que pretende lançar sua pré-candidatura oficialmente no dia 30. Foi a primeira vez que ele se apresentou, para os deputados, como pré-candidato à reeleição, como fizera, no dia anterior, diante dos prefeitos.

Blocos

Apesar de não estar na pauta oficial de discussão do encontro, o tema coligação proporcional foi um dos mais tratados, informalmente, entre os deputados presentes. Eles têm preocupação com as coligações, pois também delas dependem suas chances de retornarem ao Legislativo. O chefe da Casa Civil alertou, porém, que a possibilidade de um único grande bloco está praticamente descartada. Segundo ele, a tese mais possível é de existência de até dois grandes blocos e outros menores.

Outra especulação dos deputados era quanto à participação do MDB do senador Eunício Oliveira na coligação majoritária. A posição de Camilo Santana quanto ao assunto continua a mesma, a de tentar montar uma aliança que envolva todos, inclusive Eunício, presidente do Congresso Nacional. “Na reunião, ele agradeceu o apoio que o Eunício tem dado ao Ceará”, relatou o secretário Nelson Martins.

Nelson também destacou que todos esses movimentos realizados nesta semana pelo governador Camilo Santana foram combinados com o ex-governador Cid Gomes, envolvido na convenção de hoje, em Brasília, de oficialização da candidatura do irmão, Ciro Gomes, à Presidência da República. Além dessas duas atividades, com prefeitos e deputados, na próxima semana, o governador realizará outros três eventos, todos à noite. Um com ex-prefeitos e lideranças municipais, inclusive, Fortaleza, e outro com vereadores de todo o Estado. O terceiro evento será com representantes de movimentos sociais e sindicais, urbanos e rurais do Estado.

09:17 · 20.07.2018 / atualizado às 09:17 · 20.07.2018 por
Segundo André Figueiredo, lideranças, prefeitos, parlamentares e militantes vão à convenção Foto: Cid Barbosa

Um grupo de pedetistas cearenses estará hoje, em Brasília, para participar da convenção nacional do PDT que homologará a candidatura do ex-ministro e ex-governador do Estado Ciro Gomes à Presidência da República. De acordo com o presidente estadual da legenda, o deputado federal André Figueiredo, além das presenças de lideranças locais, prefeitos, deputados federais, estaduais e vereadores, um ônibus leva militantes do partido no Ceará para a Capital Federal. No evento, marcado para as 11h nas proximidades da sede do partido, o cearense dará, oficialmente, o pontapé inicial à terceira disputa presidencial da carreira política.

André Figueiredo já estava em Brasília, ontem, assim como o irmão e coordenador da campanha do presidenciável, o também ex-governador Cid Gomes, participando dos preparativos da convenção.

“Temos participado de diálogos com forças políticas e trabalhado para que possamos ter uma grande festa amanhã (hoje)”, afirmou o dirigente. Segundo ele, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Zezinho Albuquerque, o presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, vereador Salmito Filho, e o prefeito da Capital, Roberto Cláudio, estão entre os cearenses confirmados na convenção. “Creio que vem uma grande quantidade de deputados, vereadores e prefeitos, para iniciar esse momento e, cada vez mais, reafirmar o compromisso com a candidatura do Ciro”.

Ao Diário do Nordeste, o deputado estadual Evandro Leitão, líder do Governo Camilo Santana (PT) na Assembleia, confirmou que viaja na manhã de hoje a Brasília, mas disse não saber quantos parlamentares da base aliada, no total, devem também comparecer à convenção.

André Figueiredo, por sua vez, destacou que a mobilização de pedetistas cearenses decorre, também, da “oportunidade histórica” que representa a convenção para o PDT, “por termos um candidato a presidente cearense que tenha condições efetivas de disputar a eleição e ganhar”.

Alianças

De acordo com ele, ainda que o PDT respeite “o tempo” de outros partidos que possam vir a apoiar Ciro Gomes, a oficialização da candidatura “não poderia ter uma espera muito prolongada”. “O Ciro já tinha sido homologado como pré-candidato e, amanhã (hoje), seremos o primeiro partido à homologá-lo, para mostrarmos que temos confiança na sua candidatura e no que ela representa para o Brasil”, enfatizou. O dirigente disse, ainda, que “não existe expectativa de nenhum anúncio (de alianças) amanhã (hoje)”, reforçando que as conversas com outros partidos prosseguem até o fim do prazo para as convenções, em 5 de agosto.

Esta será a terceira eleição presidencial a ser disputada por Ciro Gomes. Ele também disputou o Palácio do Planalto em 1998 e 2002, pelo PPS, mas em nenhuma das tentativas chegou ao segundo turno. Na mais recente pesquisa Datafolha, divulgada em 10 de junho, o pedetista oscila entre 10% e 11% das intenções de voto em cenários sem o ex-presidente Lula (PT), atrás de Marina Silva (entre 14% e 15%) e Jair Bolsonaro (19%). Com o ex-presidente Lula, Ciro aparece com 6%, atrás de Marina (10%), Bolsonaro (17%) e do líder petista (30%).

09:06 · 19.07.2018 / atualizado às 09:06 · 19.07.2018 por
Ex-opositores Genecias Noronha, Aderlânia Noronha e Leonardo Araújo chegaram à Residência Oficial com Cabo Sabino, que diz ser independente Foto: Kid Júnior

Nos primeiros atos oficiais de pré-campanha, o governador Camilo Santana (PT) tem reforçado relação de proximidade com prefeitos e parlamentares que serão cabos eleitorais nos municípios durante a campanha que está por vir. Os gestores municipais, por sua vez, dizem que as movimentações eleitorais devem se intensificar apenas na campanha, mas, ainda que esta seja uma eleição geral, já trabalham pela reeleição do chefe do Executivo estadual e também pelo êxito eleitoral dos respectivos candidatos ao Legislativo. Muitos têm familiares na disputa, e afirmam que uma avaliação positiva das gestões municipais deve ser o fator que mais pode influenciar na transferência de votos a seus apoiados.

Na noite da última terça-feira, 119 prefeitos, de acordo com o Governo do Estado, participaram de encontro com Camilo Santana no Hotel Praia Centro, na Praia de Iracema, em Fortaleza. Ontem à noite, foi a vez de deputados federais e estaduais governistas irem ao encontro do petista, em reunião fechada realizada na Residência Oficial do Governo do Estado.

De acordo com a assessoria do Palácio da Abolição, 38 deputados estaduais e 10 deputados federais participaram do encontro. O secretário da Casa Civil, Nelson Martins, disse que o teor da reunião foi o mesmo da que havia sido realizada na véspera com prefeitos e que o governador convidou todos os deputados aliados para participarem do jantar-palestra de adesão no próximo dia 30.

Já entre os prefeitos, o apoio ao petista é dado como certo, mas, segundo alguns relataram ao Diário do Nordeste, a pré-campanha ainda tem sido tímida no Interior do Estado. Bismarck Maia (PTB), prefeito de Aracati, informou que, em 1º de setembro, tirará férias do cargo para “participar da campanha livremente”. “Vou participar da campanha do Eduardo (Bismarck), do governador, do Cid, dos candidatos que a gente vai apoiar. Até lá, deixarei bem claro que a minha posição é foco na gestão”.

Eduardo Bismarck (PDT), filho de Bismarck Maia, é pré-candidato a deputado federal. Para o prefeito, a avaliação da gestão deve influenciar na capacidade de transferência de votos neste pleito. “Sempre se diz que quem está na prefeitura carrega, pelo menos, boa parte dos votos”, opinou. Segundo Maia, porém, em Aracati a pré-campanha ainda não se intensificou nas ruas. “Tem muita conversa daquelas pessoas que são geralmente os protagonistas. A população não está envolvida ainda”, relatou.

Prefeito de Quixadá, Ilário Marques (PT), por sua vez, disse que a eleição deste ano no município tem um “fato inédito”: seu grupo político uniu-se ao grupo do deputado estadual Osmar Baquit (PDT) e, após cinco pleitos disputando votos, eles trabalharão juntos para a eleição da deputada estadual Rachel Marques (PT), mulher de Ilário, à Câmara dos Deputados, e a reeleição de Baquit à Assembleia.

Expectativa

Ele também acredita que uma boa avaliação da gestão pode favorecer aliados. “Tenho me esforçado muito para conduzir a gestão municipal a ponto de que a população esteja satisfeita. Se a população está satisfeita, eu posso ter algum sucesso no processo eleitoral. O meu foco, de todo esse período, foi o foco da gestão. Nós temos, em Quixadá, um partido muito atuante. Para você ter ideia, o PT tem quase 3.500 filiados em Quixadá”.

O prefeito de Senador Pompeu, Maurício Pinheiro (PDT), faz parte do grupo político do senador Eunício Oliveira e torce para que, mesmo sob resistência do PDT, a aproximação “administrativa” entre o governador e o presidente do Senado evolua para a oficialização de aliança. “Nós, que fazemos parte do PDT, esperamos a orientação dos nossos líderes, mas, aqui embaixo, um grande número de prefeitos, seguindo orientação também por parte do governador, espera essa composição”, destacou.

09:05 · 19.07.2018 / atualizado às 09:05 · 19.07.2018 por

Por Letícia Lima

Dos 33 partidos com representação no Ceará, pelo menos quatro já decidiram lançar chapas puras de candidatos a deputado federal e a deputado estadual: PROS, PSTU, Patriota e Novo. Além destes, outras siglas, como o PT e o PCdoB, estão avaliando se marcharão “sozinhas” ou com outros partidos para concorrer a vagas na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal.

O fato é que a maioria das legendas, principalmente as pequenas, não pretende abrir mão de fechar alianças nesta que será a última eleição proporcional em que as coligações serão permitidas, temendo serem barradas pela cláusula de desempenho. Essa é uma regra aprovada na Reforma Política de 2017, que exigirá dos partidos, a partir das eleições de outubro próximo, que elejam ao menos nove deputados federais, de nove estados diferentes, se quiserem ter acesso ao tempo gratuito de rádio e televisão e aos recursos do Fundo Partidário.

Esses critérios devem se tornar mais rigorosos, gradualmente, até 2030, quando a cláusula imposta aos partidos será de, no mínimo, 3% do total de votos da eleição para a Câmara, tendo que eleger, assim, 15 deputados federais, distribuídos em nove unidades da Federação, para ter acesso aos benefícios.

Por outro lado, a Reforma Política acabou com as coligações para as eleições proporcionais de deputados e vereadores, a partir de 2020. Neste ano, elas continuam liberadas, e é justamente das alianças que a maioria dos partidos, principalmente os pequenos, depende para obter resultado positivo nas urnas. Isso porque quando o partido lança candidaturas em uma coligação, ele não conta apenas com os votos dos seus candidatos, mas também com aqueles destinados aos coligados, aumentando a probabilidade das legendas do bloco conseguirem cadeiras no Legislativo.

Todas as coligações partidárias terão que estar definidas e homologadas em convenções partidárias até o dia 5 de agosto, segundo o Calendário Eleitoral, tendo em vista que os pedidos de registro das candidaturas terão que ser entregues à Justiça Eleitoral, nos respectivos estados, até o dia 15 de agosto.

09:04 · 19.07.2018 / atualizado às 09:04 · 19.07.2018 por

Por Miguel Martins

General Guilherme Theophilo, segundo o presidente estadual do seu partido, Francini Guedes, tem o apoio de uma dezena de prefeitos Foto: Natinho Rodrigues

O governador Camilo Santana, que nesta semana iniciou participação em eventos oficiais de sua pré-campanha à reeleição, conta com o maior arco de aliança entre todos os pré-candidatos ao Governo do Estado. Além de ter se reunido com 119 prefeitos municipais na terça-feira passada e com deputados, ontem, o chefe do Poder Executivo pode ter ao seu lado mais de duas dezenas de partidos políticos e a quase totalidade dos atuais membros da Assembleia Legislativa.

Ao Diário do Nordeste, ainda em fevereiro passado, o secretário da Casa Civil, Nelson Martins, afirmou que a coligação que dará sustentação à tentativa de reeleição do petista no pleito de outubro poderá contar com até 21 agremiações aliadas.

O MDB, do senador Eunício Oliveira, ainda é uma incógnita na coligação, visto que as principais lideranças do grupo político do qual Camilo Santana faz parte, Ciro Gomes e Cid Gomes, ambos do PDT, não querem aliança formal com a legenda.

Atualmente, além de Camilo Santana, outros quatro nomes foram lançados como pré-candidatos ao Governo do Estado. São eles: General Guilherme Theophilo, pela coligação PSDB e PROS; Ailton Lopes, que contará com as siglas PSOL e PCB; Francisco Gonzaga, do PSTU; e Hélio Gois, do PSL.

O presidente estadual do PSDB, Francini Guedes, afirmou ao Diário do Nordeste que, ao todo, a sigla tucana teria pouco mais de 10 prefeituras aliadas a uma eventual candidatura do General Guilherme Theophilo. Apesar da pouca expressividade das lideranças locais que poderão estar ao lado da candidatura tucana, Francini ironiza o quantitativo que tende a apoiar Camilo. Ele ressaltou ainda que nem todo prefeito terá capacidade de transferência de votos, visto a realidade local de cada uma das prefeituras.

Destacou ainda que, mesmo não tendo prefeituras, há opositores locais que estarão do lado do General no Interior do Estado. “Depende de cada situação. Há lugares em que oposição e situação estão com o Governo, mas há lugares em que a oposição ou a situação estão com a gente”, acrescentou.

Também pré-candidato, Ailton Lopes afirmou que o PSOL não tem prefeitos aliados, mas está alinhado com os movimentos sociais em cada localidade. “A gente sabe que os prefeitos não são donos do voto do povo”, disse. O PSL, de Helio Gois; e o PSTU, de Francisco Gonzaga, são legendas que também não contam com apoios de prefeitos para suas candidaturas.

09:29 · 18.07.2018 / atualizado às 09:29 · 18.07.2018 por

A apenas dois dias do início do período previsto para a realização das convenções partidárias, três dos cinco partidos que têm pré-candidatos ao Governo do Estado já definiram as datas em que serão oficializadas as chapas para o pleito deste ano. Ainda que o calendário eleitoral permita que as legendas façam as convenções a partir desta sexta-feira (20), é apenas mais próximo do prazo final para a realização dos eventos, 5 de agosto, que quase todas as convenções acontecerão, porque algumas siglas ainda têm indefinições internas sobre a ocupação das vagas nas próprias chapas e a composição de coligações, principalmente para a disputa proporcional.

Pré-candidato à reeleição, o governador Camilo Santana disse ontem, em entrevista antes da reunião de Monitoramento das Ações e Projetos Prioritários (MAPP), que a convenção que oficializará sua candidatura será realizada em 5 de agosto. O PT estadual, por meio da assessoria de imprensa, informou que a data ainda não foi anunciada porque deve ser oficializada em reunião da executiva estadual da sigla que ocorrerá antes do Encontro de Tática Eleitoral do partido, marcado para o próximo dia 28. A assessoria ressaltou, porém, que é de praxe que o PT realize a convenção no último dia do prazo.

O PSDB, por sua vez, oficializará a candidatura do general Guilherme Theophilo ao Governo do Estado no próximo dia 29, mas, das outras candidaturas na chapa majoritária, a única que está definida, até o momento, é a do empresário Luís Eduardo Girão ao Senado, pelo PROS. Os dois partidos, aliás, farão convenção conjunta, em local ainda a ser definido.

A convenção do PSOL está marcada para o dia 28 de julho. Segundo o presidente da sigla no Ceará e pré-candidato a governador, Ailton Lopes, o local será definido em reunião nesta quinta-feira (19), quando também serão discutidos o uso do fundo eleitoral pelo partido e mudanças na chapa majoritária. Ailton informou que a professora Anna Karina, pré-candidata a vice-governadora, pode disputar o Senado para dar lugar a Raquel Lima, do PCB, como postulante a vice na chapa. As duas siglas farão coligação, mas terão convenções separadas.

Chapas puras

De acordo com o presidente estadual do PSL, Heitor Freire, a convenção que oficializará Hélio Góis como candidato a governador ocorrerá no dia 29, na Assembleia Legislativa. A candidata a vice é a professora e advogada Ninon Tauchmann. Segundo ele, o partido também lançará dois nomes ao Senado, sendo um deles o médico Márcio Pinheiro. Freire informou, ainda, que o PSL tem “conversas avançadas” com o Democracia Cristã (DM), do deputado Ely Aguiar, para a formação de coligação proporcional.

O PSTU, por sua vez, já lançou Francisco Gonzaga como pré-candidato ao Governo do Estado, mas, de acordo com a assessoria do partido, ainda não foi definida a data da convenção que oficializará a chapa.

09:29 · 18.07.2018 / atualizado às 09:29 · 18.07.2018 por

Os deputados estaduais cearenses, apesar dos esforços dos secretários de Planejamento, Maia Júnior, e da Casa Civil, Nelson Martins, deixaram guardadas algumas matérias de interesse do Governo do Estado, consideradas importantes para o equilíbrio das contas públicas, sem votação e ameaçadas de ficarem para a próxima legislatura, que será iniciada em fevereiro do próximo ano. Eles também deixaram guardados projetos do Poder Judiciário e do Ministério Público, assim como do Tribunal de Contas do Estado.

As principais matérias do Governo do Estado que ficaram nas gavetas do Legislativo são as que tratam da Reforma Previdenciária. Elas apenas foram lidas em plenário e encaminhadas à Comissão de Constituição e Justiça. São três projetos de leis complementares. O primeiro cuida de alterações na Lei Geral da Previdência estadual, o segundo cria o Fundo de Previdência Complementar, e o terceiro cria a Fundação Previdência Social do Estado do Ceará.

Existem outras matérias de interesse do Governo que não foram votadas neste semestre, embora lá estejam desde o ano passado. É o caso da proposta que altera dispositivos da lei que dispõe sobre a não obrigatoriedade de cadastro do consumidor ao efetuar compras ou negociações em estabelecimentos comerciais, na modalidade à vista ou cartão de crédito ou débito. Esse projeto é de setembro de 2017, e não foi votado no fim do ano passado por um pedido de vistas do deputado Odilon Aguiar, na época, da oposição.

Um dos projetos do Poder Judiciário também é do ano passado. Ele altera a tabela de gratificação por execução de trabalho relevante, técnico ou científico. Este chegou a ser examinado por algumas comissões técnicas do Legislativo estadual no decorrer do semestre passado. Outra matéria, sem a ementa descrita no site do Legislativo, diz apenas tratar de alteração de um dispositivo da Lei 16.132, de novembro de 2016. Já matéria do Ministério Público chegou recentemente à Assembleia Legislativa e sequer foi lida para ter sua tramitação iniciada na Casa, nas comissões técnicas.