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Categoria: Capacete


09:15 · 23.02.2018 / atualizado às 09:15 · 23.02.2018 por

Por Letícia Lima

                           A Assembleia Legislativa empossou, ontem, o suplente de deputado e operário da construção civil, Nestor Bezerra (PSOL), no lugar do colega de partido, deputado Renato Roseno (PSOL). Roseno pediu licença das atividades parlamentares, para tratar de assuntos de “interesse particular”, pelos próximos quatro meses, o que inclui, principalmente, sua reeleição. Antes de “passar o bastão” para Nestor, Roseno defendeu, na tribuna, a exemplo de Nestor, maior participação de representantes da classe trabalhadora no Parlamento, para que não sejam, “simplesmente, receptores da Política”. Seguindo a mesma linha, o seu substituto afirmou, durante primeiro pronunciamento, que caminhará junto com os movimentos sociais enquanto estiver exercendo o mandato.

Renato Roseno chamou atenção para o fato do País ser “excludente desde o seu nascedouro”, quando na Independência, um “acordo entre as camadas proprietárias” foi realizado para distribuição de terras, por exemplo. Para ele, a “desigualdade na riqueza, no saber, no poder e na relação com a natureza” fez com que o povo se tornasse “aleijado” da Política, sendo ela ocupada, “sobretudo, por aqueles que não os representa”. Por isso, o deputado defendeu maior engajamento dos trabalhadores e da maiorias sociais no Parlamento.

“A mulher trabalhadora, o homem, o camponês, o sem-terra, o sem-teto, o indígena, o LGBT, o trabalhador da indústria, aqueles que constroem a riqueza deste País, quando tomam consciência da sua condição e resolvem adentrar a Política, fazem história. A Política não é só eleição, é todo dia, é tudo o que fazemos na vida, portanto, é necessário que no partido, na eleição, as classes que vivem do seu trabalho lá estejam, para que não sejam, simplesmente, receptor da Política. Porque entendemos que a Política não pode ser uma instância de acordos dos gabinetes, do andar de cima”, refletiu.

Por outro lado, Roseno admitiu que estar em um partido pequeno não é fácil, na medida em que encontra “barreiras gigantescas” no atual sistema político, que os coloca em pé de desigualdade diante das demais legendas. No entanto, o deputado ressalta que se guia por um programa, baseado em propostas voltadas para o meio ambiente, direitos humanos, o combate às repressões e, principalmente, para a classe trabalhadora que, na visão de Roseno, produz, socialmente, a riqueza do País, mas, politicamente, a mesma lhe é negada.

“O Psol tem esta cadeira, porque, pelo menos, 39 homens e mulheres se dedicaram, em 2014, e tantos outros que se juntaram para uma luta difícil. Para nós, não termos o financiamento das empresas é um orgulho, mas, obviamente, é uma barreira que deve ser transposta com a consciência. Tivemos 50 segundos de programa de TV, é desigual, em campanhas feitas de forma, absolutamente, amadora, mas feitas com muito amor. Nós somos um ponto fora da curva, muito pequenos, sabemos disso, numa lógica em que os executivos, para manter a máquina, formam largas bancadas de sustentação”, observou.

O parlamentar frisou que a posse de Nestor Bezerra, segundo operário da construção civil a assumir mandato parlamentar na Assembleia Legislativa estadual, desde 1947, dará uma “energia” ao Parlamento cearense. Nestor, que estava na segunda suplência da coligação formada por PSOL, PSTU e PCO, seguiu a linha de Roseno e fez questão de frisar em seu primeiro discurso, que defenderá as bandeiras dos movimentos sociais. O parlamentar usou um capacete vermelho sobre a cabeça, símbolo de sua profissão, ao adentrar ao plenário e também enquanto esteve na tribuna.

“Honestamente, apresento vícios na fala daqueles que não puderam estudar como merecia. É para o operário que vou dedicar o melhor do meu desempenho como legislador. De antemão, os movimentos sociais tal qual me proponho, estarei à disposição de todas as lutas da cidade, dos movimentos sociais, dos sindicatos, do MTST, associações de moradores. Saibam que nunca caminhei sozinho, estarei caminhando junto com os movimentos, com os bairros da periferia, da sociedade, da juventude”, destacou.