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Categoria: Cartilha


10:17 · 25.03.2018 / atualizado às 10:17 · 25.03.2018 por

Por Letícia Lima

Defensora da instalação de uma frente popular para fiscalização da chamada “Ideologia de Gênero” nas escolas públicas do Estado, a deputada Silvana Oliveira (PMDB) foi à tribuna da Assembleia Legislativa, novamente, na última semana, denunciar, dessa vez, a distribuição de uma cartilha envolvendo temas relacionados à sexualidade, para crianças de oito anos, em Capistrano. A parlamentar disse que ingressará com uma representação contra o município e que levará a denúncia feita a ela pelo próprio pai da criança, ao Ministério Público Estadual, no próximo dia 27. Na mesma ocasião, outros parlamentares cobraram o cumprimento do Plano Estadual de Educação.

O plano, aprovado em 2016 pela Assembleia, veta itens relacionados à educação de gênero e sexualidade nas escolas da rede pública estadual. Na época, esses foram os pontos mais polêmicos e criticados pela maioria dos parlamentares, principalmente, os que fazem parte da bancada evangélica. Uma delas, a deputada Silvana Oliveira, vem denunciando, desde o ano passado, no entanto, o descumprimento do plano em escolas públicas da Capital e do Interior do Estado. Ela já levou ao conhecimento público materiais didáticos envolvendo o conceito de “ideologia de gênero”, que estariam sendo distribuídos entre os estudantes.

Além disso, a parlamentar denunciou, na última sexta-feira, a distribuição de uma cartilha, elaborada pelo Ministério da Saúde, para crianças de oito anos em uma escola pública de Capistrano, que aborda os diferentes tipos de preservativo e ensina como usá-lo. Segundo Silvana, o próprio material é endereçado a adolescentes que, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), são aqueles na faixa etária entre 12 e 18 anos. A deputada criticou, duramente, a sua veiculação entre crianças que, na visão dela, não têm “capacidade de discutir e entender o assunto”.

“É puberdade precoce? Puberdade precoce precisa ser tratada hormonalmente, a fim de que a criança não pule etapas. Essa Casa aboliu não só a ideologia de gênero (do Plano Estadual de Educação), mas também foi claro quanto a tratar assuntos referentes à sexualidade. Até há um projeto de minha autoria, onde eu autorizo uma campanha pra deixar as crianças serem crianças. Estamos numa luta pela preservação da infância, para permitir que as nossas crianças brinquem e leiam livros paradidáticos próprios da sua faixa etária”.

Silvana disse que vai ingressar com uma representação contra o município, para suspender a distribuição do material e informou que levará esse e outros casos ao conhecimento do procurador geral de Justiça, do Ministério Público do Estado, Plácido Rios, no próximo dia 27. Apesar da Frente Popular para Fiscalização da Ideologia de Gênero não ter sido instalada oficialmente, na Assembleia Legislativa, ela disse que está funcionando, porque muitas denúncias tem chegado até ela.

“A ideia é fazer blitzes mesmo, a frente tá poupando até combustível da gente ir até o local, as denúncias estão chegando até nós, pelo nosso telefone, nosso Whatsapp, nosso gabinete.Entre nessa campanha de cobrar que o Estado, que os municípios permitam que as nossas crianças sejam simplesmente crianças. Vamos engrossar as fileiras de pais e responsáveis que desejam que o Estado permita que as nossas crianças sejam crianças”, clamou.

O deputado Ely Aguiar (PSDC), autor da emenda que retirou do plano os tópicos que tratavam sobre sexualidade e gênero, considera que a “ideologia de gênero” está sendo “imposta de goela abaixo” e que cabe às famílias, não às escolas, educar os seus filhos na questão da sexualidade.

“O objetivo da ideologia de gênero é colocar em questão os valores da família como uma estrutura privada, capaz de formar a consciência e a personalidade das pessoas, o objetivo é se destruir os valores familiares, e nós não podemos permitir que essa família seja destruída. Você tem que escolher aquilo que lhe faz feliz e que as pessoas respeitem, mas não podemos levar isso para crianças e tirar a pureza delas”, opinou.